quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dificuldades para a execução do nosso programa de «Reforma Educativa»


Gil Gonçalves e Kandumbu Sangalo
Na verdade vivemos, e quando partimos para não mais voltarmos, prosseguimos sem sabermos o que é o ensino, este verdadeiro amor, este sublime desejo inalcançável. É por isso que em Luanda qualquer farda ordena. E o conceito de analfabetismo alterou-se. Quem sabe ler e escrever e não tem acesso à Internet, também é analfabeto.
Até que a água sem caudais, fora dos sistemas do ensino, timidamente ainda subia alguns degraus dos andares dos arruinados prédios. Agora que a desviaram para os estádios e prédios só deles, sumiu. Outra vez, sempre no regresso sem saída de 1975. Não se consegue sair deste universitário ano. Parámos no tempo sem ensino, sem tino. Os relógios avariaram, perdemo-nos e encontramo-nos no tempo da fome. É isso, fomos deportados, continuadores da gloriosa escravidão. Confeccionados e amordaçados por este temeroso, teimoso poder apoiado pelo ocidentalizado despudor.
Os bancos continuam a alimentar o sistema financeiro do terrorismo educacional. São cúmplices, espoliam as populações planetárias. E o fundamentalismo deste terrorismo alimenta-se como a marabunta. Os bancos não alteram as regras da matança dos campos de concentração internacionais, e dos alocados locais nacionais bancos demoníacos. E o fundamentalismo deles alicerça-se, grita avassalador, destruidor, vencedor: Kalunga é grande! Kalunga é grande! Acabem com a espoliação deste analfabetismo bancário e o terrorismo internacional e nacional fracassará.
Onde está a luta de libertação? Pifou?! Até este preciso momento Angola não viveu nenhuma luta de libertação. Acontecem sim, é brutas escaramuças entre descolonizados contra a opressão de alguns negreiros. O colonialismo negro tomou o poder pela força para prosseguir na campanha da mais terrível escravização dos semelhantes, com tal selvajaria que espanta o que ainda resta da civilização. Aguardamos esperançados que a verdadeira luta da nossa libertação se reinicie e a educação se pronuncie.
Que salutar apoio ao sistema nacional de ensino, as barulhentas, insuportáveis e indesejáveis igrejas em Angola importam outro inferno, outro poder. Que salutares, que dirigentes: o da Igreja e o do Governo. Qual deles dirige?! Os dois submetem-se às leis de dirigentes enfermos.
A Igreja que nos esconde, não nos ensina, o que tudo se resume a desumanas vigarices, vendedores, governadores da ignorância e da superstição. Pregadores das promessas milenárias que nunca se cumprirão. Apenas têm o desejo de que o dinheiro lhes caia facilmente nas mãos escondidas e mal disfarçadas nas costas corcundas, recurvadas. Mãos pesadas pelo chumbo que fingem informar… como na maior hipocrisia de todos os tempos. Um Deus inventado, deformado e mal informado. Formado e ainda não reformado.
Fabricantes com inúmeras fabriquetas de lascívia sexual, mundial… mestres da pedofilia. E demais indústrias de analfabetismo para dominarem e escravizarem os povos. Porque assim a dinheirama é boa trama. Com rebanhos de estuporados que trabalham para os sustentarem. Sacerdotes de um Deus que sempre reinventam. Destruidores de nações, da Humanidade e da… Liberdade de Imprensa. Sempre na vã tentativa do renascimento inquisitorial. Um Voltaire não lhes chegou, aprontam outro.
O nosso programa de reforma educativa contempla-nos com três classes de escritores angolanos. Os da corte do Politburo, os proscritos e os párias. E importam-se sistematicamente com outras classes de ensino: Importam a política portuguesa. Se o sistema político português não funciona, porquê teimar em mantê-lo? Nesta dimensão paralela procuramos inventar um sistema revolucionário de energia eléctrica. Entretanto, os mesmos espertos inventaram qualquer coisa que faísca de vez em quando. A incompetência dá vida, gera o caos. Estamos tal e qual como nos campos de concentração nazis à espera que a guerra acabe. Afinal ainda não acabou, porque a miséria reforçou-se e não há antibiótico que a sane. Que os americanos cheguem, nos libertem e acabem com o nazismo ainda vigente e as suas sementes. Neste nazismo imobiliário nem os cemitérios escapam. Mas que grandes makas este Politburo fabrica.
A principal causa das mortes em Angola era a malária. Agora, parece?! Ou são mesmo os acidentes de viação. Que futuro cadavérico. Sinceramente, só pode ser gozo. Estão acamados, muito afastados, noutra dimensão. Isto só pode ser para risada. Não tem nada, absolutamente nada a ver com os autóctones? Exceptuando a meia dúzia que ainda passeia no poder e nos espolia. Só pode ser o exemplar ensino da universidade que ministra a cadeira da eficaz lavagem de dinheiro.
Assim uma espécie de como os bancos estrangeiros e nacionais têm sempre bons lucros, muito fáceis em Angola. Claro, a espoliarem terras e a destruírem os haveres do Pai Tomás angolano, e do Terror estalinista nas ruas de Luanda.
«De kem é a culpa angolanos??? Nossa e de mais ninguém, nós legitimamos nosso sofrimento. Nem um grito de socorro colectivo, é bater palmas, mexer a bunda, deitas umas lágrimas de crocodilo de kdo em vez... e a vida continua. E a clínica por ser no alvalade "nem tem nome"!!!! Se fosse no Zenga já saberiamos o nome...» Comentário em http://mesumajikuka.blogspot.com/
Não é nada fácil sair do ambiente da ignorância, especialmente onde impera a superstição da Igreja. Fazem-nos crer que existem demónios por todo o lado, quando na verdade o verdadeiro demónio é a Igreja.
A Sonangol, que é um governo paralelo, já disse que tem de diminuir custos e rever contratos. Porque com os preços actuais e futuros do barril petrolífero, assim não dá. Decerto dará para exaurir em potentes estádios de futebol. E porque não numa universidade? Numa biblioteca? Estas medidas contradizem tudo o que a idiotice e analfabetismo dalguma intelectualidade que suga as riquezas do país, reforçadas com as declarações dos lambe botas da nova identidade cultural. Que a nossa economia continuará, não se afectará pela conjuntura internacional. Com declarações marxistas-neocolonialistas, de quem se perdeu no tempo, e dele não pensa sair. Caminhemos meus senhores, decididos para a eminente destruição do que resta do ensino em Angola.

A reforma educativa exercida em todo o ensino geral, peca, por defeito, desde a cabeça aos membros. Foi concebida ao mais alto nível do órgão regente, sem ter em consideração as suas estruturas de base. Ademais, concebida por alguém que nunca a experimentou.
Estamos a falar de todo o ensino não universitário, isto é, do primário, secundário (1º e 2º) e/ou médio que, em não mais de dez anos, se reformou. Esta reforma parece-nos deformadora: «o aluno é avaliado durante o ano lectivo, em três (3) trimestres; os (3) equivalem a 30%, porém a última prova equivale a 70%; se o aluno por qualquer circunstância tirar uma nota rasa (baixa) em determinada cadeira – nuclear ou específica, é tido por reprovado». O trabalho do professor durante o ano lectivo é quase irrelevante; pois, até o aluno preguiçoso, se tiver copiado, na última prova (exame/prova escola), passa de classe.
No ensino primário quase que se extinguiu a reprovação de alunos, pois, encontramos turmas inteiras em que não se note reprovação ou, se for o caso, uma a duas reprovações por turma. Será que os alunos demais e, os seus professores, são verdadeiros artífices da pedagogia?
De algum tempo para cá, a avaliação do professor tem sido, e ainda é, feita através dos resultados dos estudantes: «se o valor percentual alcançado para as negativas é maior, fica rotulado como péssimo ou mau professor; o contrário, é o melhor ou bom professor». Reparem, neste moldar, nunca levanta a questão para o professor, cujos seus alunos todos passaram de classe. Não será que este professor será também péssimo? – Não se acredita, na nossa realidade, que num universo de 60 alunos, não haja um reprovado sequer. Este pormenor não é tido em conta. Porém, é honesto avaliar que, numa turma de 60 alunos, todos ficarem reprovados, seja como que algo inconcebível ou sem sentido.
Ainda sobre a reforma ou a deformação de estudantes, nota-se que da 4ª à 6ª classe tem-se um professor para todas as cadeiras: «saber se, porém, que, todos os professores ou a maioria vem dos institutos politécnicos, IMNEs e PUNIVs; a realidade aí encontrada está dividida por cursos e, não se acredita que hoje haja um tal professor que domine todas as cadeiras neste nível».
No 1º e 2º ciclos (ou médio) encontramos outros dos tantos problemas. Cadeiras sem manuais, professores com dois a três (3) programas, professores a trabalhar em três turnos (20) vinte tempos lectivos semanais o que perfaz no máximo ter seis (6) turmas e 60 alunos por turma ou mais. Todavia consta desde o manual de avaliação das matérias de ensino e aprendizagem o chamado MAC (média da avaliação contínua do dia ou do mês). Como será possível, o professor corrigir todos os dias estas avaliações ou, qual será, neste caso, o acompanhamento a dar ao aluno.
Na verdade o cabeça da reforma contradiz-se: «diz querer uma coisa e, não querendo em simultâneo». Quis que houvesse reforma (onde as turmas tivessem no máximo 30 alunos, sem preparar as infra-estruturas capazes para o efeito). Como resultado as estruturas existentes são abarrotadas, isto é, duas turmas numa sala, perfazendo 60 alunos. As escolas recentemente construídas não contemplam o estatuído nos decretos sobre reforma educativa: «sem cantinas, sem primeiros socorros, sem biblioteca, sem laboratórios e, sem computadores».
Como se não bastasse, os alunos do Mutu-ya-Kevela, ex/liceu Salvador Correia, foram retirados. Construí-se uma escola do I ciclo e, os alunos do I ciclo (Mutu-ya-Kevela), não foram integrados na mesma escola. Foram para lá os do II ciclo – PUNIV Ingombota – Escola 3030; saídos de escola boa em termos de estrutura, indo para esta que não passa do afunilamento do ensino reformado que clama por uma contra-reforma.
Mpinda Simão actual ministro, foi o Vice-ministro para o ensino geral, está melhor abalizado, sobre as inconveniências do actual sistema educativo e aprendizagem. Porém, ele é o defensor do professor do I e II ciclos funcionar com 20 tempos, 3 turnos para algumas cadeiras, 3 a 2 programas 6 ou mais turmas.
Neste contexto deu o fardo aos professores sem experimentá-lo, pois, ele – sendo do ensino geral nunca deu aulas, apesar do decreto descrever este dado. Não criaram condições suficientes para avaliar este tipo de ensino, auscultando os que ministram tais aulas para as denúncias dos verdadeiros problemas.
Então perguntamos: «que plano tem o governo sobre o estudante? Que produto espera deste seu plano?».
Tem o plano de eternizar-se no poder ou não tem plano. Mas os seus filhos não estudam nos programas por eles gizados; logo querem que os substituam, depois que arrumarem as botas. Querem neste programa de ensino, formar bonifrates balofos, tolos, ignotos, asnos e néscios. Agora sim, viva o novo programa C, o programa dos cegos que dirigem o país, com a sonolência dos políticos nocturnos da nossa época, uma estirpe jamais vista.
Viva a Constituição “C”, dos cegos que agarra o leme para dirigir o barco. Viva!

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