quarta-feira, 4 de maio de 2011

Dino Matross, secretário-geral do MPLA. Mais do que justificar o que não fez, partido deve mostrar sua obra


O MPLA realizou com pompa e circunstância o seu IV congresso extraordinário com vista a avaliar o grau de cumprimento do seu programa de governação apresentado nas eleições de 2008 e ajustar a sua moção de estratégia. Só um partido no poder que pode chamar a si toda máquina pública, pode, em fase de crise, realizar uma tão requintada cerimónia, com mais de um milhar de militantes.
No meio da crise social, onde existe uma grande contestação, os camaradas preferiram passar ao largo da situação, por acreditarem que nada lhes atingirá. Mas a situação está mal e poderá explodir a qualquer momento, se nada for feito.
A moção de estratégia, aprovada em 2009 no VI congresso ordinário do partido, sofreu alterações projectando as linhas de força para aquele que deverá ser o programa do Governo do MPLA para o período 2012-2017, na lógica de blindagem no poder, independentemente dos resultados eleitorais, o conclave sabe que a máquina que está montada e controlada, não lhes deixa perder, mesmo quando lhe faltem votos da população eleitoral.
Por esta razão, foi passada em revista, as obras de betão, referente ao período 2009-2012, que o MPLA gizou as suas orientações estratégicas para alcançar as aspirações nacionais, bem como o seu papel como inquisidor no processo da incipiente democracia.

Neste congresso, os delegados e a direcção começaram a sua campanha visando as próximas eleições para 2012, dai que o secretário-geral, Julião Mateus Paulo “Dino Matross”, disse que além das questões internas do partido, o congresso, que decorreu sob lema “MPLA – Mais Democracia, Mais Desenvolvimento”, serviu também para abordar a vida socioeconómica do país. É verdade que sob democracia interna, pouco, muito pouco se falou, porque a presença dc Nguxito ofuscou a todos. Mas ainda assim, Dino Matross, disse que os delegados conseguiram atualizar a moção de estratégia do partido, tendo em conta o período de eleições que se aproxima em 2012.
“Não deixamos de tratar um assunto tão importante para a vida da nação e aproveitamos para ouvir também as opiniões dos nossos militantes em relação à essa questão”.
O secretário-geral do MPLA, Julião Mateus Paulo “Dino Matross”, acredita que mais importante do que justificar o que o Governo não conseguiu cumprir das suas promessas é mostrar o que está a ser feito.
Avaliar o grau de cumprimento do programa de governação do MPLA, apresentado nas eleições de 2008 foi um dos objetivos da realização do IV Congresso Extraordinário desta formação política.
A crise económica e financeira mundial, desencadeada em finais de 2008, é apontada como uma das causas do “atraso ou não cumprimento”, dos programas definidos por este partido durante as eleições, como a construção de um milhão de casas e a criação de mais empregos.
“Infelizmente não vamos conseguir cumprir, como desejávamos, tendo em conta a crise económica mundial, a qual também nos afetou profundamente e que não estávamos à espera quando apresentámos [em 2008] as nossas aspirações sobre aquilo que queríamos fazer nos próximos quatro anos”, disse o dirigente do MPLA.
Segundo o terceiro homem do partido no poder desde a independência de Angola, em 1975, com a crise económica muitos projetos de reconstrução do país e de melhoria do bem-estar da população ficaram paralisados.
“Todo o ano de 2009 foi de muitos problemas, algumas obras que estávamos a fazer pararam e só agora estão a ser retomadas. Isto tudo vai influir muito no cumprimento das nossas promessas”, referiu o político.
Dino Matross sustentou ainda as suas justificações com o discurso proferido pelo presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, na abertura da primeira reunião extraordinária do Comité Central deste partido, preparatória ao congresso, na qual o mesmo considerou “satisfatórios” os resultados obtidos até agora.
“O resultado é satisfatório, mas poderia ser muito melhor se não fosse o efeito negativo que a crise económica e financeira internacional teve na economia nacional”, disse José Eduardo dos Santos, sublinhando ainda que os cerca de ano e meio de mandato que sobram devem ser “bem aproveitados” para se realizar “o máximo possível do que resta por fazer”.
Questionado se os angolanos se contentarão com a justificação apresentada, Dino Matross está confiante de que “a população vai entender perfeitamente”, porque “isto acontece em todo o mundo. Em Portugal por exemplo, todos os dias vemos notícias sobre as discussões que são operadas devido aos problemas económicos que existem, o desemprego, e isso também em outros países do mundo, isso não é só connosco. Vamos explicar de uma forma que a nossa população venha a compreender”, disse.
“Primeiro vamos apresentar as realizações, que existem, não quero enumerá-las porque toda a gente que viaja, que anda por este país, sabe o que é que estamos a fazer e aquilo que não pudemos fazer, não foi porque não quiséssemos, mas por causa das condições que eu já disse. Acho que a população vai entender perfeitamente”, reiterou o dirigente do MPLA.
Dino Matross está consciente de que existirão também os céticos, o que considera normal, preferindo não comentar as contestações públicas que surgiram nos últimos tempos na sociedade.

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