
Estamos em crer que a espectacular concordata entre oposição e MPLA a propósito do pacote eleitoral, suficientemente duvidosa para levantar dúvidas quanto à sinceridade do acontecimento, para já, e antes que venham ao de cima eventuais confirmações das dúvidas levantadas desde o início, confirma que a conduta muito carregada de explicações e contra-explicações do Ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa não inspira confiança a ninguém
O número arbitrário de 600 a 800 mil mortos que o ministro revelou existirem no Filheiro do Registo; a inexistência de procedimentos de segurança que impeçam de facto a manipulação dos dados dos eleitores; o registo comprovado de estrangeiros e menores; a emissão de cartões múltiplos não solicitados para a mesma pessoa; a inelegibilidade da banda magnética dos cartões; a recolha coerciva de cartões pelas estruturas do Partido do Ministro; a ausência das brigadas de registo na maioria das comunas do país; o mapeamento pelo Ministro de locais de votação inexistentes; e agora, o recurso a uma lei caduca para obter a cobertura de uma Comissão Eleitoral submissa ao seu Partido para a prática de actos inconstitucionais não transparentes em 2012; tudo isso atesta que o interesse perseguido pelo Ministro não é a protecção dos interesses dos eleitores nem a prossecução do interesse público. Veremos o que nos traz no bico esta concordata que cheira muito a negociata.