terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A primavera tarda em chegar a Angola



Milhares de jovens manifestaram-se no dia 03.12.11, pacificamente, em Luanda. O regime, como é habitual, respondeu com a sua principal arma: a razão da força, onde nem faltaram cães e agentes a cavalo.


Orlando Castro

A polícia contou, mais uma vez, com o seu poder popular (civis) para meter na ordem todos aqueles que teimam em pensar diferente do regime que, recorde-se, governa Angola desde 1975 e que tem um presidente, não eleito, há 32 anos no poder.
Também como é habitual, todos são culpados até prova em contrário. Assim sendo, enquanto a CPPL (presidida por Angola) e a restante comunidade internacional olha para o lado, alguns dos manifestante foram para a choldra e outros para o hospital.
Não adianta, pelo menos por enquanto, dizer que a polícia (armada até aos dentes) e os seus capangas à civil, desrespeitam o direito à manifestação e os direitos humanos. E não adianta porque Angola não é um Estado de Direito mas, antes, um reino em que o soba tem plenos poderes, inclusive para mandar matar quem pense de maneira diferente.
Os manifestantes que continuam a semear a Primavera, embora até agora vivam no mais duro Inverno, bem gritaram que “a polícia é do povo, não é do MPLA”. Esqueceram-se, contudo, que num regime totalitário como é o angolano, o MPLA é Angola e Angola é o MPLA.
Recorde-se que a 3 de Setembro uma manifestação organizada pelo movimento de jovens terminou com a detenção de 21 manifestantes, 18 dos quais foram julgados e condenados a penas de prisão entre um mês e 90 dias, por ofensas corporais à Polícia e danos materiais.
Em Angola “vive-se uma democracia com medo”, diz o “rapper” angolano Mona Dya Kidi. Mentira. No reino de Eduardo dos Santos existe a mais avançada democracia de que há conhecimento… Duvidam? É só perguntarem, entre outros, a Cavaco Silva, Passos Coelho ou Armando Guebuza.
Falar, no caso de Angola, de democracia com medo é uma forma de branquear a situação, compreensível no contexto de que os angolanos sabem que o regime mata primeiro e pergunta depois. Aliás, se existe medo é porque não existe democracia.
O regime de Eduardo dos Santos sabe bem que a melhor forma de exercer a sua “democracia” é ter 70% da população na miséria, é ter tirado a coluna vertebral à esmagadora maioria dos seus opositores políticos, a começar pela UNITA, é dizer ao povo que tem de escolher entre a liberdade e um saco de fuba.
O regime não brinca em serviço e, por isso, nada como preventivamente mostrar aos manifestantes (bem como aos jornalistas) que quem manda é o MPLA.
José Eduardo dos Santos que tem, que ainda tem, a cobertura internacional (comprada, mas tem), sabe que pôr o povo a pensar com a barriga é a melhor forma de o manter calado e quieto.
Aliás, se assim não for o que lhe restará? Provavelmente, “peixe podre, fuba podre, 50 angolares e porrada se refilares”.
Defender a liberdade de expressão não é nada do outro mundo, mas é algo que o regime não quer. Tudo quanto envolva a liberdade (com excepção da liberdade para estar de acordo com o regime) é algo que causa alergias graves a Eduardo dos Santos.
Recorde-se, a propósito das manifestações, que Bento Bento, primeiro secretário provincial de Luanda do MPLA, foi claro quando disse: “Quem tentar manifestar-se será neutralizado, porque Angola tem leis e instituições e o bom cidadão cumpre as leis, respeita o país e é patriota.”
Apesar de tudo, as manifestações fazem – por muito pequenas que (ainda) sejam – tremer o regime. A tal ponto que – relembremos – perante o anúncio da primeira manifestação, o Governo angolano apressou-se a pagar salários em atraso nas Forças Armadas e na Polícia, a fazer promoções em série e a, inclusive, a mandar carradas de alimentos para a casa de milhares de militares.
Basta também ver que, perante essas manifestações, o regime põe nas rua e por todo o lado – mesmo em locais onde os angolanos nem sabem que iria haver manifestações – os militares e a polícia a avisar que qualquer apoio popular aos insurrectos significava o regresso da guerra.
No entanto, por muita força que tenha a máquina repressora do regime angolano (e tem-na), por muito apoio que tenha de alguns órgãos de comunicação estrangeiros, como a RTP, nunca conseguirá fazer esquecer que 70% dos angolanos vivem na miséria.
Nunca fará esquecer que apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade, que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.
Nunca fará esquecer que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.
Nunca fará esquecer que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos, que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros, que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população, que 70% das exportações angolanas de petróleo tem origem na sua colónia de Cabinda.
Nunca fará esquecer que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.
Por tudo isto, a luta continua e a vitória é certa! Pode demorar, mas vai chegar.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Eleitores podem penalizar oposição. Com descoberta de gato no pacote eleitoral regime tenta corromper líderes da oposição


Perante a discussão acesa que se vem levantando em volta da preparação das próximas eleições legislativas, somos a relembrar que em Janeiro de 2009 a defunta CNE (a actual renasceu das sua cinzas) contratou especialistas para ajudar a elaborar e materializar, nas tarefas que lhe incumbia levar avante, o Plano Estratégico de Logística Eleitoral.

Quando chegou o momento para a definição da logística tecnológica, “o contrato foi suspenso e o então presidente da CNE forçado a demitir-se, illico presto. Outros responsáveis da CNE também foram demitidos. Logo a seguir, o orçamento da CNE foi cortado e o Executivo passou a desenvolver as competências de organização logística que a lei vigente nessa altura atribuía à CNE”, revelou à imprensa um líder da UNITA.
Ora o que assim se configurava era a possibilidade, ou melhor, a muito provável eventualidade de se repetir o que aconteceu em 2008, quando a logística tecnológica foi comprada à Valley Soft sem planeamento prévio da CNE e sem concurso público, tendo custado ao país mais de USD 150,000,000.00 (cento e cinquenta milhões de dólares).
Nessa altura (na preparação das eleições de 2008), quem controlou a logística tecnológica foi o pessoal da Casa Militar da Presidência da República e dos Serviços de Informação. O director da Organização, Estatística e Tecnologias de Informação da CNE foi afastado dos contactos com a Valley Soft, substituído por um oficial do SINFO, ligado ao gabinete presidencial, e não teve sequer acesso ao centro de escrutínio, onde estavam instalados os computadores.

Se o cenário não mudar as eleições serão nulas
Ora o que se está a passar nesta preparação para as eleições de 2012 vem confirmar esta hipótese, na medida em que o MAT já comprou no mercado a logística tecnológica para o mapeamento eleitoral, já comprou os equipamentos, as tecnologias e os softwares para a votação, que irão permitir, como alega, que cada pessoa possa votar onde quiser.
Esta é uma violação da Constituição, porque não é competência do Executivo, por intermédio do MAT, organizar a logística tecnológica para as eleições.
Como disse Samakuva “ (…) os deputados exercem um poder limitado, apenas em representação do povo. Se os deputados, ou o Presidente da República, aprovarem uma lei que viola a Constituição, essa lei não vale. Se a CNE organizar eleições em contravenção à Constituição, essas eleições não valem, pois, conforme estabelece a Constituição, os actos do Estado só são válidos se forem conformes à Constituição. Se os Tribunais que devem julgar em nome do povo, decidirem em desconformidade com a Constituição, a decisão do tribunal também não é válida. Todos os actos do Estado que não se conformam à Constituição não são legítimos”.
Portanto, a questão não é apenas quem constitui a Comissão Nacional Eleitoral, mas antes, quem vai organizar os processos eleitorais. E o diferendo reside exactamente aí, pois se, por um lado, a Constituição diz que deve ser a administração eleitoral, por outro, o MPLA diz que deve ser o Executivo.
O MPLA quer que seja o Executivo a controlar a logística eleitoral, em especial os computadores e os softwares para a votação e o escrutínio (ler “Carta enviada a um ex- governador do BNA em Novembro de 2008).
Em suma, o projecto do MPLA, teatralmente recusado pela UNITA, defende uma CNE “independente” mas altamente limitada nas suas capacidades técnicas e operacionais nos terrenos em que terá de agir e sem qualquer competência institucional, isto é, impotente para organizar todas as fases dos processos eleitorais, perante a sobrepujança do Executivo.
Assim, segundo o MPLA, a CNE limitar-se-ia a apoiar certas operações organizadas por outros e a supervisionar a logística eleitoral organizada pelo Executivo de Eduardo dos Santos. O que é clarissimamente anti-constitucional.

Tempos modernos: vira o disco e toca o mesmo
Com a entrada da nova constituição em Angola, foi introduzido o conhecido artigo 107.º que determina a independência do CNE do executivo. A proposta do pacote eleitoral do MPLA, é referenciada como sendo contrária a tal disposição legal.
Diga-se que, embora tenha sido aprovado pela maioria parlamentar do partido no poder, o artigo 107.º foi uma proposta da UNITA, que terá passado sem que as autoridades dessem conta, numa altura em que o MPLA se mostrava centrado no artigo referente ao modo de eleição do Presidente da República.
José Eduardo dos Santos, o líder do partido do partido, veio a dar conta do pormenor 10 meses depois, à margem de uma reunião do Conselho da República realizada em Dezembro de 2010. Ao abordar o futuro pacote eleitoral, foi-lhe refrescada a memória de que a nova constituição estabelece que o processo eleitoral é agora conduzido por uma administração eleitoral independente do executivo.
JES mostrou-se “surpreendido” e solicitou ao ministro da administração territorial, Bornito de Sousa, que também fazia parte da reunião na qualidade de responsável acompanhante do processo eleitoral, para lhe fazer a leitura do artigo em referência
O “desconhecimento” que JES tinha quanto a independência da CNE do executivo é evidenciado no seu procedimento ou reajuste governamental que efectuou logo após aprovação da nova constituição. Dentro das estruturas do executivo nomeou um vice- ministro do MAT para as questões eleitorais e uma direcção de eleições no mesmo ministério.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Governo Provincial de Luanda ou Governo Pancada de Luanda é contra manifestações pacíficas


Quem é contra a democracia

A maioria dos habitantes de Luanda, ingenuamente, acreditou que com Bento Bento na dupla condição de 1.º secretário provincial do MPLA e governador de Luanda, este pudesse, no pedestal de representante do Estado, logo de todos, independentemente, da sua filiação política, refrear os seu impulsos partidocratas contra o art.º 47.º da Constituição, que garante a todos cidadãos o direito de manifestações pacíficas e não a sua proibição e espancamento.
Ledo engano.

Kuiba Afonso & Arlindo Santana

Nada mudou, pois se antes a polícia por orientação exlusiva do 1.º secretário dos camaradas de Luanda, já proibia, por privatização de Agostinho Neto, comprovadamente não herói nacional, mas do MPLA, que os manifestantes pudessem entrar no largo denominado da Independência, agora então nem poderão encostar.
Quem tentar, porrada se refilar, como aconteceu no 03 de Dezembro, sem necessidade de disfarce, pois, por mais que os manifestantes gritassem a todos pulmões “a Polícia é do povo, não é do MPLA”…, esta, não se comove, quando tem de baixar o porrete de acordo com a cartilha branca da actual Polícia Nacional, onde a maioria dos seus oficiais e agentes se assume, até publicamente, como sendo do partido no poder, logo, daí a espancar, bater ou mesmo assassinar, todos quantos reclamem o estado deplorável de vida da maioria dos autóctones, vai um curto passo.
E já não colhem os argumentos da corporação de a “Constituição Jessiana”, referenciar o apartidarismo dos órgãos policiais, pois quem move os seus actos é um “livro branco” do regime que orienta a discriminação de todos quanto se oponham a ele, mesmo de forma pacífica, como ocorreu com as três organizações da sociedade civil, nomeadamente, Fundação 27 de Maio, Movimento Associativo Revolucionário e Movimento Estudantil Revolucionário.
Desarmadas, apenas com argumentos pulmonares e verbais, deram conta as autoridades que partiriam de três pontos de três bairros de Luanda, Cazenga, São Paulo e Avô Kumbi, confluindo para terminar em direcção da do Praça 1º de Maio, mas, logo o regime entrou em pânico, numa clara demonstração de ser um gigante de pés de barro, colocando na rua batalhões de delinquentes, enquadrados na Defesa Civil, organização ilegal a luz da constituição, mas legal a luz do MPLA, para além de centenas de polícias, uns armados com armas de guerra com balas reais, outros com cães e cavalos, visando impedir a manifestação.
O povo resistiu, tal como o vem fazendo, ao longo dos 32 anos do regime de Eduardo dos Santos, com a fome, a miséria, o desemprego, a falta de educação e de saúde e a promoção institucional da corrupção, avançando, gritando temas variados entre os quais se contam os contínuos falhanços no exercício da justiça, o caso do 27 de Maio, a luta contra a pobreza, a falta de acessos a bens fundamentais e a proliferação da discriminação institucional.
Porém, mal os jovens manifestantes se meteram a caminho, apareceram-lhes pela frente polícias fardados e agentes de segurança à paisana que dispersaram violentamente essas ondas de manifestantes nos três pontos de partida.
Com esta acção já não restam dúvidas, quanto a veracidade das denúncias do superintendente Viana, ao referenciar a existência de grupos de morte, integrados por marginais, na Polícia Nacional com missões especificas. Ele disse a boca cheia e nada lhe aconteceu, logo é verdade.
Tanto o é que este oficial da polícia tem a protecção institucional do ministro do Interior Sebastião Martins e da Procuradoria Geral da República, indiferentes ao facto destas denúncias e da omissão da corporação, colocarem José Eduardo dos Santos, no pantanal dos vulgares ditadores.
E a ONG internacional, Human Rights Watch, confirmou o que assistiu ao vivo e sentiu na pele, a brutalidade da violência dos agentes do regime, na zona do 1.º de Maio, contra 100 jovens que se manifestavam de forma pacífica. “Muitas centenas ficaram feridas, mas a organização garante, que presenciou pelo menos 14 jovens, um dos quais sofreu um ferimento grave na face.
Esta denúncia foi distribuída pelo mundo inteiro dando a conhecer a verdadeira face do hipócrita regime angolano, governado há 32 anos por um homem que nunca foi eleito por voto universal.
Um ditador nato, camuflado em Maquiavel democrático.
E foi exactamente isso que aconteceu, os manifestantes queriam protestar contra os 32 anos no poder do Presidente José Eduardo dos Santos, que eles culpam pela corrupção desenfreada, pobreza generalizada e repressão política. Acusam-no de ter alterado a Constituição para se perpectuar no poder até à morte. “Ele tem medo de eleições presidenciais directas, por isso, cobardemente, se esconde no MPLA, que engendra toda batota e farsa democrática”, reclamou Pemba Casimiro.
Os manifestantes exigem uma comissão nacional eleitoral independente, mas o MPLA e Eduardo dos Santos, sabem que na transparência e sem fraude, não conseguirão nunca ganhar, como até aqui, por isso os seus agentes policiais investiram e os reclamantes não foram longe nos seus protestos.

A brutal promessa de Bento Bento
Todos os locais que confluíam para “a Praça da Independência estavam cercados e todas as pessoas que faziam qualquer movimento identificando-se com os protestos foram intimidadas e, muitas das vezes, espancadas. Polícias e marginais usaram todos os métodos repressivos ao seu alcance para impedir a manifestação. No Cazenga, a dispersão causou o pânico generalizado entre os manifestantes, havendo-se registados inúmeros desmaios e pessoas feridas. No São Paulo foram espancadas e presas sete cidadãos: Sozinho, Campos, Tomé, Américo Vaz, Lacerda Vandunen, Adão Ramos e mais um elemento de nome desconhecido. Adão Ramos, dirigente do Bloco Democrático – BD_ é portador de deficiência. No seu relato sublinha “Eu (com os meus cerca de 90 kg) fui retirado da cadeira de rodas por 2 cahênches e atirado para o carro patrulheiro da Polícia com toda força possível (…….), e seguiu-se a cadeira de rodas para cima de mim mais as palavras discriminatórias que, a emoção e a dor não me deixam transcreve-las agora”.
Palavras?
Para quê, se tratam assim um deficiente físico?
Isto só tem um nome: DITADURA ASSASSINA!
Noutro extremo, um grupo de cerca de 30 elementos que se encontrava nas imediações da Praça Primeiro de Maio foi atacado pelas costas por “delinquentes policiais dos esquadrões da morte” trajados há civis; “os cahênches” – gente de respeitável compleição física – já rodados nesses casos que, inclusive, lançaram água misturada com gindungo – substância ardente – para os olhos dos pacíficos manifestantes.
“Alguns cidadãos clamaram por “SOCORRO” à Polícia que cercava o local. A resposta foi, mais cacetada e porretada, sobretudo na cabeça, o que desorientou mais os manifestantes. Entre os mesmos encontrava-se Casimiro Carbono, activista preso em 03 de Setembro passado que teve que receber assistência hospitalar. Lisa Rimel da Human Right Watch, encontrava-se no local, havendo pedido ajuda a jornalistas locais”.
É porrada a sério contra o povo desarmado, por orientações expressas de um presidente da República, não eleito há 32 anos, que se quer manter até a morte no poder, como se fosse um rei, investido pela via hereditária, para estar a frente dos destinos do país. Melhor seria que ele institucionalizasse a MONARQUIA e transformasse o MPLA em único partido, para tudo ser mais claro.
Mas de cobardia em cobardia, já se retirava para a sua viatura, quando João Baruba, secretário Nacional para Organização e Mobilização, foi espancado, nas imediações da Casa 70, na Vila Alice, à rua da Liberdade, por sinal junto a sede do comité provincial do MPLA, local que alegadamente albergou alguns “delinquentes policiais”.

A democracia em todo o seu esplendor
Perante, no máximo, um total de um milhar de manifestantes desarmados, jovens e pacificamente aglomerados para gritar o seu repúdio ao governo, para dizer alto o que se passa nesta nossa terra e é sistematicamente abafado pelos órgãos de comunicação social do Estado e outros privados ao seu serviço as imagens colhidas no terreno vão falar mais forte. Os telespectadores do mundo inteiro vão-se fartar de rir quando virem as imagens descritivas do cenário que foi montado por alguns membros das autoridades policiais angolanas, notórios psicopatas gravemente atingidos por uma paranóia irreversível.
No centro da cidade, as autoridades bloquearam o acesso à Praça da Independência e enviaram um grande dispositivo de polícias uniformizados e à paisana, uma brigada de cães, a cavalaria e os helicópteros.
Agentes de segurança vestidos à civil, na sua maioria envergando chapéus e óculos de sol para ocultar o rosto, foram largamente vistos nas manifestações a participar na repressão policial.
A Human Rights Watch viu agentes da polícia perto da Praça da Independência a agredirem manifestantes com porretes e a empurrá-los até às ruas da avenida principal, onde havia trânsito intenso. A polícia não fechou nenhuma rua de forma a impedir acidentes durante a manifestação.
Mais uma vez damos a palavra aos organizadores da manifestação.
“Os nefastos acontecimentos do 03 de Dezembro são gravíssimos e não se compara à repressão havida em 03 de Setembro último, o que mostra a disposição das autoridades de responderem com maior repressão e selvajaria aos protestos de cidadãos pacíficos. Mais uma vez ficou demonstrado que a iniciativa da violência partiu da Polícia e de indivíduos civis sem escrúpulos, vulgo lúmpens, em conjugação perfeita com a Polícia Nacional. A táctica de dispersão pela máxima violência, consagra o diálogo proposto pelo Presidente da República em gesto de meliante”.
Nenhum relacionamento com a sociedade civil em protesto, a juventude em particular, após o discurso do reconhecimento da incapacidade do Executivo lidar com a diferença de opinião, resultou em conversa civilizada, nomeadamente, as prisões rápidas de 22 de Outubro, o impedimento de realização de conferências, de actos culturais no Lobito, etc.
O Executivo deve explicações claras ao povo sobre:
1 - Que razões levaram a dispersar e de forma repressiva manifestações pacíficas e prender cidadãos sem culpa formada?
2 - Qual o significado dessa aliança espúria entre a Polícia Nacional e a lumpenagem?
3 - Por que razão são perseguidas pessoas conhecidas, referidas em artigos apócrifos do Jornal de Angola, espancadas e presas?
4 - Em que país, finalmente, estamos nós? Para onde nos pretende levar o Executivo?
É evidente que é ingénuo pensar que o crescimento da repressão do Executivo vai obrigar a parar a onda de protestos, perfeitamente justificada pela degradação da situação do país e da falta de capacidade para o regime mudar, quer na sua relação com os soberanos governados, quer dando solução à pobreza, ou combatendo a corrupção, ou melhorando as oportunidades para a juventude, ou aperfeiçoando os padrões de justiça.
Em boa verdade, nem “machados cortam o pensamento”, nem “o vento se trava com as mãos”.

Organizadores das manifestações antigovernamentais garantem continuidade dos protestos


Os organizadores das manifestações antigovernamentais em Luanda garantiram no dia 07.12.11 que vão continuar com os protestos e lamentam que a oposição e as confissões religiosas não se pronunciem sobre a violência policial.
A garantia foi dada em conferência de imprensa por Cady Sebastião e Adolfo Campos, dirigentes do auto-denominado Movimento Revolucionário Estudantil (MRE), que desde o início do ano já organizou ou co-organizou cinco manifestações contra o Presidente José Eduardo dos Santos.
"Obviamente que nós não vamos parar. Há uma intenção clara de continuarmos os nossos protestos até que as coisas melhorem ou até que haja um sinal verdadeiramente positivo do regime em mudar as suas políticas e as suas formas de atuação perante a sociedade", garantiu Cady Sebastião.
Quanto a Adolfo Campos, referiu que em Angola existe "um problema muito sério. Com tanto problema que acontece cá em Angola, os partidos da oposição não se levantam, nem as igrejas se levantam. Então isto começa a ser preocupante em Angola. Nós podemos morrer aqui e ninguém está aqui para nós. Quando a situação é com o povo, então tem que se levar a situação ao parlamento, onde se discutem os problemas do povo, onde devíamos ter resposta. Isto acontece cá em Angola", lamentou.
Na conferência de imprensa, realizada num restaurante no bairro do Prenda, em Luanda, o MRE apresentou as provas que recolheu na manifestação do passado dia 03, quando civis ajudaram a Polícia Nacional a reprimir a manifestação.
"O objetivo da conferência de imprensa tem a ver com o que se passou na manifestação de 03 de dezembro e mostrar à sociedade angolana que o comportamento da Polícia Nacional (PN) e de agentes infiltrados, que supostamente trabalham em parceria com a PN - não sabemos se são elementos do SINFO (Serviço de Informações) ou de outro órgão de segurança qualquer -, desestabilizaram as nossas atividades", salientou Cady Sebastião.
Os dois dirigentes do MRE acrescentaram que as provas que recolheram, fotos, vídeos e áudios, vão ser apresentadas às autoridades judiciais e policiais.
"Vamos ver até que ponto podemos dar início a um processo judicial. Vamos procurar apresentar a nossa versão dos factos, o que se passou com as provas que temos", adiantaram, referindo que dispõem dos nomes e fotos dos civis envolvidos no dispositivo policial destacado para a manifestação.
Relativamente a alegações de que as suas ações antigovernamentais estão ao serviço de partidos da oposição, Cady Sebastião respondeu que essa acusação não constitui novidade.
"Isso já aconteceu no passado e provavelmente acontecerá no futuro. Mas é preciso que fique claro que não há nenhum partido atrás de nós. É uma iniciativa dos jovens, da sociedade civil. Mas que fique claro que não há nenhum partido envolvido e que vamos continuar", frisou.
A manifestação de 03.12.11 foi marcada por incidentes com a polícia, que procurou impedir os cerca de 100 manifestantes de se aproximarem da Praça da Independência. Os incidentes começaram no popular bairro de Cazenga, um dos três pontos de partida da manifestação, quando a marcha foi intercetada pela polícia.
A Polícia Nacional continua sem divulgar a sua versão quanto ao número de feridos, que os organizadores situam entre seis e sete.
Em declarações à imprensa, o porta-voz da PN, comissário Carmo Neto, desmentiu que tenham sido feitas detenções e acrescentou que o direito de manifestação está consagrado na Constituição, pelo que os cidadãos que tenham queixas sobre a atuação da polícia dispõem de mecanismos para fazer chegar as suas queixas e reclamações ao Comando Geral ou comandos provinciais.
Imagem; a felicidade reina no campo de concentração da Tchavola.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

AQUI ESCREVO EU. DEMOCRACIA SEM INSTITUTOS E SIMBOLOS. William Tonet


Algumas das bandeiras preferidas pelos novos e velhos politólogos são, na sua maioria, segundo Caetano Barata em decorrência dos gregos, principalmente os ideais políticos modernos como justiça, a liberdade e o governo constitucional.
Foi a Grécia a pioneira a lançar as sementes da ideia democrática. Certamente, não é essa conservada pelos filósofos modernos e, talvez os gregos antigos não nos considerassem democráticos, porque presos ao formalismo desse regime.
Se pressupomos democracia onde a liberdade de expressão é tolhida, condicionada, castrada e punida com suspensão, banimentos e execração, então estamos distante dos seus pilares formadores.
Precisamos, em Angola, por exemplo, nominar o conceito exarado na Carta Magna. Se um Estado que se pretende democrático relega a liberdade de expressão sem considerá-la um direito fundamental consagrado na Constituição de 2010, no capítulo que trata dos Direitos, Liberdades e Garantias Fundamentais e funciona como um verdadeiro termómetro no Estado Democrático, qual será o conceito de democracia dos nossos futuros brasileiros?
O artigo 40.º da CRA, afirma: “todos têm o direito de exprimir, divulgar e compartilhar livremente os seus pensamentos, as suas ideias e opiniões, pela palavra, imagem ou qualquer outro meio, bem como o direito e a liberdade de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações”; qual será a ferramenta que garantirá a não vulnerabilidade e até mesmo a anulação do valor desta declaração?
A postura e a postulação de “alguns grupos” não podem ser respaldadas nem pelo Direito Legal, nem pela opinião pública e muito menos pelos meios de comunicação social do Estado que conhecem muito bem as consequências, quando o direito da liberdade de expressão é excluído da condição inicial do cidadão.
A postura de muitos caciques do regime é contrária a democracia e seu o legislador faz ouvidos de “moco” e venda os olhos, não está a defender a democracia, mas uma ditadura encapotada, em função da outorga pelo voto directo do povo para representá-lo com a sua voz, capacidade e principalmente consonância de garantir as liberdades e não consumarem a ilegitimidade de retirar um Direito emanado pelo povo. E ainda, mais óbvio, basta analisarmos se o povo angolano é na sua maioria contrário a morte das suas línguas, culturas, tradições e costumes. Se assim, não o é, onde está a ética dos que contrariam a opinião pública?
Há muito tempo a política convida os homens à tolerância, ao diálogo, ao bom senso, ao consenso. E lamentavelmente, em pleno século XXI, num Estado que se diz democrático, os luso tropicalistas a revelia do mandato popular, impuseram a maioria de um povo; 75% que não fala português, esta língua como a única com direito constitucional e as angolanas, como marginais, que devem ser eliminadas do mapa. Face a esta situação, tal como os angolanos tiveram de lutar no período colonial, contra os colonialistas em defesa das suas culturas, também agora, as novas gerações e os autóctones consequentes devem bater-se contra a pretensão dos luso tropicalistas de tentarem eliminar o que os 500 anos de presença portuguesa não conseguiram, acabar com a liberdade de expressão nas nossas línguas maternas. Não se pode promover mais o “paneleirismos”, ou homossexualismo, numa televisão pública, TPA II, paga com dinheiro dos contribuintes e gerida pelos filhos do Presidente da República, do que o bem mais sagrado entre os autóctones Bantu: a sua identidade linguística e cultural. Por esta razão todos devemos dizer basta, principalmente, agora que Eduardo dos Santos disse que anunciou diante do seu amigo português, Pedro Passos Coelho, que se vai recandidatar a mais um mandato eleitoral, nas eleições de 2012, onde a fraude marcha como o vento e os cortes da escuridão da EDEL, são uma norma, para consolidar o seu longevo, complexado e discriminatório consulado.
Se nada fizermos, agora, na defesa da verdadeira angolanidade, não acreditaremos a chacina a que estaremos sujeitos, ao vermos a incoerência tornar-se exemplo e a lucidez ser considerada loucura.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pedro Katchiungo e Isaías Samakuva são os únicos candidatos à liderança da UNITA


A UNITA de Samakuva parece estar a seguir as peúgadas de JES no MPLA, em que tudo controla e subverte, pois nestes dois anos de mandato, mesmo tendo reduzido o Galo Negro a uma das suas piores performances, insiste em querer continuar na liderança, com base num esquema em que tem sob controlo os delegados provínciais, dirigentes recebem salário, directamente das mãos do presidente do partido, logo devem-lhe fidelidade canina.
Samakuva herdou no seu primeiro mandato um partido verdadeiramente com métodos transparentes de democracia, unido, sem a UNITA Renovada, com património significativo; complexo de Viana, sedes na Avenida de Portugal (vendida, segundo fontes ao desbarato, onde é hoje o Hotel Skyna), outra abandonada junto ao BAI, na baixa, além da Maianga, a Rádio Despertar e ainda 70 deputados, tudo implantado por Lukamba Paulo, Gato, que bem poderia continuar por alguns anos agarrado ao poder por ter sido o elemento que assinou todos os acordos de transição com o governo, na era pós Savimbi.
Gato, que vinha de uma fama de brutalidade nos maquis, transfigurou.-se e abriu o seu consulado de político civil, as novas regras da democracia, proibindo a institucionalização da lei da batota, na lógica da batata.
No pleito eleitoral, Samakuva ganhou de forma retumbante. Gato aceitou a derrota de forma elevada. Mas ainda não havia terminado o primeiro mandato e já Samakuva havia reduzido a bancada parlamentar, de 70 para 54, na crise que ficou conhecida como dos 16.
Depois, nas legislativas de 2008, minguou a bancada parlamentar, face não só a batota eleitoral do partido no poder, mas também a sua incapacidade de unir o partido, em momentos cruciais, olhando apenas para o seu umbigo e assim a UNITA dos 70, passou para 54 e destes para os actuais 16 deputados, tudo na era Samakuva, para além de ter diminuído drasticamente o património.
Sendo legitima a pretensão de Samakuva concorrer a sua sucessão a verdade é que ele não tem obra feita, merecedora de mais um voto de confiança, salvo, dizem os seus críticos acabar de afundar a organização apenas por capricho. “Ele não vai concorrer no interesse da UNITA, mas no seu pessoal de tentar ficar na história como aquele que “vendeu” o partido aos nossos adversários de estimação”, disse ao F8, Abraão A. F. Sombele.
Para ele, Samakuva quer concorrer porque tem a máquina na batota, logo os receios da maioria dos militantes é o da organização passar a ser não a segunda mais a quarta ou quinta força política, no pleito de 2012.
Por esta razão, acredita ter sido a máquina da batota e a falta de transparência a determinar a desistência dos potenciais candidatos, como Abel Chivukuvuku ou Paulo Lukamba Gato, “que não se querem comprometer com a farsa, deixando-o correr sozinho, para pactuarem com a fraude, por conhecerem bem os cantos da casa”.
Nesta fase pré eleitoral também se discute a falta de apresentação de contas do mandato e gestão do actual presidente.
É por tudo isso que apenas dois candidatos formalizaram a candidatura à liderança da UNITA, nomeadamente, o actual presidente, Isaías Samakuva, candidato à reeleição e José Pedro Katchiungo, que assim disputarão o cadeirão no XI Congresso, que se realizará em Luanda entre 13 e 16 deste mês.
O anúncio foi feito no dia 01, pelo porta-voz do congresso, Ruben Sikato, que acrescentou que os dois candidatos protagonizarão uma disputa eleitoral, entre 04 e 12 de dezembro, que inclui debates e visitas às estruturas partidárias.
Durante este período, Isaías Samakuva auto-suspende-se do cargo de presidente do partido, que será liderado interinamente pelo vice-presidente Ernesto Mulato.
O segundo candidato é professor universitário e foi um antigo responsável pelo serviço de inteligência da UNITA no exterior.
Isaías Samakuva, eleito presidente da UNITA em 2003, após a morte em combate, em 2002 do líder histórico do partido, Jonas Savimbi, foi reeleito pela primeira vez em 2007 e ao que se diz, pretende continuar na liderança o mesmo tempo que Jonas Savimbi.

Síria. ONU avalia o balanço da repressão do regime em cerca de 4.000 mortos


O balanço de vítimas da repressão da contestação na Síria é de pelo menos 4.000 mortos, declarou no dia 01 de Dezembro a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, numa conferência de imprensa.
"No que diz respeito à Síria, consideramos que o balanço é de pelo 4.000 mortos, mas segundo as nossas informações pode ser bastante superior", declarou Pillay, na véspera de uma sessão especial do Conselho dos Direitos Humanos da ONU sobre a situação na Síria depois de ter sido divulgado um relatório de uma comissão de inquérito.
O último balanço da ONU sobre a repressão na Síria era de 08 de Novembro e dava conta de 3.500 mortos desde o início da vaga de contestação ao regime do presidente Bashar al-Assad, em meados de Março.
O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) indicou que a violência no país provocou no primeiro dia de Dezembro 15 mortos, todos civis, nas regiões de Hama e Homs.
A União Europeia decidiu reforçar as sanções contra Damasco com o objectivo de "cortar o acesso aos financiamentos do regime", explicou um diplomata citado pela France Presse, indicando que os alvos são sobretudo os sectores petrolífero e financeiro.

Líbia. Filha de Kadhafi pede derrube do governo líbio


"Vinguem o sangue dos seus mártires. Rebelem-se contra o novo governo", declarou Aisha Kadhafi numa mensagem divulgada no dia 29..11, Aisha Kadhafi, filha do ex-líder líbio Muamar Kadhafi, derrubado do poder no final de Agosto e morto no dia 20 de Outubro. Ela pediu a queda do governo interino líbio numa mensagem de áudio divulgada pela rede de televisão árabe Arrai, com sede em Damasco.
Aisha, seus irmãos Mohamed e Hannibal, sua mãe Safiya e diversos membros da família Kadhafi, principalmente crianças, foram autorizados no final de Agosto a entrar na Argélia, por "razões estritamente humanitárias", segundo Argel.
Ela destacou que o seu pai, morto depois de ter sido capturado pelas forças do Conselho Nacional de Transição (CNT) no seu bastião de Sirte, "não tinha abandonado" o povo líbio.
Em Setembro, Aisha Kadhafi havia chamado de traidores as novas autoridades líbias. O chefe da diplomacia argelina, Murad Mdeleci, havia considerado essas declarações "inaceitáveis", afirmando que a filha de Kadhafi não levava em conta os seus "deveres" com o país que a acolheu.

Cote D’Ivoir. Ex-presidente da Coté D’Ivoir na prisão do TPI na Holanda


Um avião fretado pelas autoridades ivoirenses transportou o ex-presidente ivoiriense de Abdijan até Roterdão (Holanda), onde aterrou na madrugada do dia 01.12. Após o desembarque e as respectivas inspecções preliminares, Laurent Gbagbo de 66 anos de idade, foi imediatamente levado para a prisão.
O ex-presidente da Côte d'Ivoire foi transferido para Haia a pedido do Tribunal Penal Internacional (TPI), que o deverá julgar por crimes contra a humanidade, praticados durante a sua recusa, em aceitar os resultados eleitorais. Até ao início do julgamento ficará numa cela, com condições, que ele rejeitava dar aos seus adversários e cidadãos, no estabelecimento prisional do TPI.
Recorde-se que Gbagbo foi detido aos 11 de Abril em Abidjan e estava preso na cadeia de Korhogo. A sua esposa Simone Gbagbo, considerada um dos cérebros do então partido governante, continua numa das prisões da Côte d'Ivoire, acusada da prática de crimes econômicos cometidos durante a crise pós-eleitoral, que decorreu entre Dezembro de 2010 a Abril 2011.
Está para já descartada a sua extradição para Haia, bem como de outras personalidades do antigo regime, tanto civis como militares, também detidas por diversos crimes.
A crise, que explodiu na Côte d'Ivoire, depois que Gbagbo se negou a reconhecer a derrota nas eleições presidenciais de Novembro 2010, terminou em Abril com duas semanas de guerra e deixou um balanço de 3.000 mortos.
Desde Outubro, o TPI investiga os crimes contra a humanidade e de guerra cometidos durante este conturbado período de guerra civil, instigado por Gbagbo. No entanto o levantamento das atrocidades não descarta partidários do actual presidente Alassane Ouattara.

Cabo Verde & a Corrupção. Neves confortado porque Angola está sempre a subir para o precipício


O primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, afirmou no dia 01, que a subida de quatro lugares no "ranking" sobre corrupção da Transparência Internacional (TI) constitui um "conforto" para o país, mas sublinhou que o objetivo é "tolerância zero".
"O último relatório sobre a corrupção acaba por trazer um grande conforto ao Governo de Cabo Verde e a todos os cabo-verdianos. Estamos muito bem posicionados e a evoluir no combate à corrupção. É claro que este conforto deve desafiar-nos a fazer muito mais e melhor no combate à corrupção", disse José Maria Neves.
No relatório da TI, divulgado, Cabo Verde subiu de 45.º para 41.º lugar, numa lista que congrega 183 Estados, sendo, novamente, o melhor posicionado entre os cinco Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa - Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) e ainda à frente do Brasil e de Timor-Leste.
"Temos de continuar a ser rigorosos e transparentes na gestão pública, de eliminar os espaços de desigualdade, como no ingresso na administração pública, de ser rigorosos e de promover o mérito, através de concursos, para que haja imparcialidade e igualdade de oportunidades para todos", disse o chefe do executivo cabo-verdiano.
"Temos de combater o «amiguismo» e o nepotismo que ainda existem em sociedades pequenas, como a de Cabo Verde, para que o país continue a subir no «ranking». Pretendemos que Cabo Verde seja um país "zero" de corrupção, que seja um país completamente livre de corrupção".
Para José Maria Neves, globalmente, Cabo Verde "está no bom caminho" e a fazer progressos, razão pela qual o país terá de ser "mais ousado e de fazer sempre mais. Não podemos ficar satisfeitos pelo facto de estarmos agora bem posicionados. Temos um grande caminho a fazer, queremos ser um país com zero por cento em termos de corrupção e vamos continuar a trabalhar nesta linha", concluiu.
No relatório da TI, o 41.º posto de Cabo Verde corresponde a uma pontuação de 5.5 - numa escala em que 10 significa livre de corrupção e zero altamente corrupto -, contra os 5.1 de 2010, quando obteve o 45.º lugar, e situa-se apenas atrás de Portugal (32.ª posição) no "ranking" lusófono.
Moçambique ficou na 120.ª posição, com uma pontuação de 2.7, enquanto a Guiné-Bissau foi incluída no grupo dos 30 países mais corruptos à luz do Índice de Percepção da TI, situando-se no 154.º lugar do "ranking" com 2.2 pontos.
São Tomé e Príncipe, com 3.0 pontos, assegurou a 100.ª posição da tabela e Angola continuou como o país lusófono pior colocado, já que obteve uma pontuação de 2.0, situando-se no 168.º lugar.
Cerca de dois terços dos países obtiveram nota negativa de acordo com o relatório da organização que atribuiu à Somália, Coreia do Norte, Myanmar e Afeganistão as piores notas considerando-os os mais corrupto.
O "ranking" é liderado pela Nova Zelândia (9.5 pontos), que trocou com a Dinamarca, agora em segundo lugar, seguindo-se a Finlândia, ambas com 9.4 pontos.

África do Sul. Dezassete moçambicanos morreram em choque frontal entre táxi e camião


Dezassete cidadãos moçambicanos perderam a vida na madrugada do dia 01.12, na localidade de Belfast num choque frontal entre o "minibus taxi", em que seguiam, e um camião.
O táxi coletivo, designado por "chapa" em Moçambique, seguia de Maputo para Joanesburgo na auto-estrada N4, quando, segundo as autoridades sul-africanas, cerca das 04:00 horas da madrugada saiu da sua faixa e foi embater de frente num veículo pesado que seguia no sentido contrário.
O violento choque frontal provocou um incêndio nas duas viaturas, que arderam por completo antes da chegada dos bombeiros e paramédicos, referiu um porta-voz da polícia sul-africana.
O cônsul de Moçambique na cidade de Nelspruit, Artur Veríssimo, confirmou que todos os passageiros que seguiam no táxi, e que perderam a vida, tinham nacionalidade moçambicana.
"Estão contabilizadas 17 vítimas mortais, embora, como compreenderá, com os corpos totalmente carbonizados de 14 das vítimas, vai demorar algum tempo até serem feitas identificações", referiu o cônsul moçambicano.
Artur Veríssimo não confirmou que a 18ª vítima seja uma criança de apenas 2 anos, conforme noticia a Imprensa sul-africana, referindo que o balanço final está ainda a ser feito.
O ministro sul-africano dos Transportes, Sibusiso Ndebele, enviou condolências aos familiares das vítimas deste terrível acidente, prometendo "sanções pesadas para condutores negligentes e sem preparação" responsáveis por acidentes deste tipo, tão comuns nas estradas do país.

Nova distribuidora está com tudo. PUMANGOL tem cobertura por pertencer aos generais milionários do regime


Sílvio Van-Dúnem
Quando em Angola uma empresa em pouco tempo começa a desabrochar como capim, tem de ter a mão de gente pesada e ligada ao gabinete do Presidente da República, que lhes dá a bênção. Quando mesmo sem a regulamentação do mercado da venda dos combustíveis ter sido aprovada na generalidade a PUMANGOL começou a abrir em catadupa, postos de abastecimento de combustíveis, sob a cumplicidade da omissão das autoridades fiscalizadoras, a maioria dos angolanos tinha a certeza de ela estar ligada aos barões do regime. Aqueles que comem tudo, estão em todos os negócios e aparecem sempre com os milhões adquiridos neste tempo de saque, já que o próprio Presidente confirmou, que todos eram pobres, no tempo colonial. Isso quer dizer que só no tempo do MPLA e os do MPLA é que ficam ricos do dia para noite, transfigurando-se de anteriores proletários em proprietários vorazes.
O mais recente exemplo da Pumangol, empresa recém entrada no mercado de comercialização e distribuição de produtos petrolíferos, “downstream”, dispensa apresentações, pois sendo uma sociedade constituída entre a multinacional Puma Energy International, a Trafigura Group e investidores angolanos, que só podiam ser nada mais nada menos, seguindo fontes dignas de crédito, que, os mesmos; o chefe da Casa Militar, general Manuel Helder Vieira Dias “Kopelipa” e Leopoldino do Nascimento “Dino”, ex-responsável das Comunicações e seu actual assessor e Manuel Vicente, PCA da SONANGOL, todos figuras de estimação de JES.
Antes da constituição da Pumangol (o encaminhamento burocrático do processo foi feito em condições especiais e a um ritmo inusual em Angola, supostamente por influência directa das personalidades angolanas interessadas), a Sonangol, através da sua holding, anunciou a intenção de comprar 20% da participação da Trafigura Group na Puma Energy International, o que significa que por essa via tem igualmente interesses indirectos na nova empresa.
Desde a sua constituição, a Pumangol já implantou em Luanda 15 postos de distribuição de combustíveis, alguns dos quais de grandes dimensões e outros tantos ao longo de todo o país, havendo um projecto de até 2012 ter cerca de 120 postos.
Os elevados padrões de eficiência reconhecidos à sua actividade (eliminados os estrangulamentos com que o mercado vinha funcionando), são devidos ao facto de se apoiar numa logística própria, completa – o “midstream”. Não depende da refinaria da Sonangol; importa directamente, de acordo com planos que traça e cuja execução controla, sob a gestão de um director executivo inglês que aufere por mês cerca de 45 mil Euros líquidos, com direito a casa, subsídios de alimentação e bilhetes de passagem em primeira classe, quatro vezes ao ano, mais prémios de participação, segundo garantiu a fonte de F8.
Imagem: Pumangol em Porto Amboim e Catumbela
opais.net

domingo, 4 de dezembro de 2011

José Eduardo dos Santos exonerou ministra da Energia e Águas. Quando a incompetência se reveza o mal continua


Kassinda Ngalula

A capital de Angola tem estado a passar por momentos “escurosos”, que não lembram nem a colonização portuguesa, em que tudo era “negrura, só negrura”, muito por culpa das políticas danosas do presidente da República, José Eduardo dos Santos, principal responsável pela situação, ao abrigo da “Constituição Jessiana”, uma vez ser ele o chefe do executivo e os ministros meros ajudantes.
Ainda que ele tenha encontrado “a pobreza do período colonial”, ele não tem o direito de manter agora e por mais de 32 anos do seu exclusivo consulado, todos autóctones na miséria, sem luz, água, pão e sal.
A falta de luz em Luanda e na maioria das províncias devem-se a ausência de uma estratégia de Estado e dos elevados índices de corrupção, responsáveis pelos desvios dos recursos financeiros de sectores primários como os da Energia, Água, Educação e Saúde, para contas pessoais de alguns dos principais dirigentes e seus milionários filhos.
Assim a exoneração da ministra da Energia e Águas, Emmanuela Bernardeth Afonso Vieira Lopes, por conveniência de serviço, no dia 30.11 é apenas mais uma tentativa de Dos Santos tapar o sol com a peneira e atirar sempre as culpas da excessiva centralização dos actos do Estado, para os outros, como se fosse uma sumidade, isenta de erros e defeitos.
A sua substituição pelo actual secretário de Estado, que antes teve um desempenho sofrível a frente dos destinos da EDEL, em nada vai mudar o quadro, pois o seu fraco peso político e protagonismo, vão colocar-lhe sempre e também, na condição de “yes man”; “SIM CAMARADA PRESIDENTE” a tudo.
A falta de energia em Luanda e no país, não parece ser tanto uma responsabilidade dos seus titulares, mas da política de Eduardo dos Santos, que tudo quer centralizar e concentrar, quer por desconhecimento dos dossiers, como da realidade dos sectores e país dirigido a distância, pois mesmo em Luanda ele não sabe a quantas andam os ministérios mais importantes, apenas visitados, quando o são, em datas de inauguração.
E o conhecimento que teve da situação em Luanda e motivou esta exoneração e intervenção deveu-se a reclamação de familiares, que também têm de comprar combustível, para abastecer os respectivos geradores. Igual comportamento não tem em relação ao governador de Cabinda, cuja província está às escuras, com a agravante de Mawete João Baptista, aconselhar os cidadãos que reclamam a comprar geradores, como se esta fosse a via de um país rico em recursos hídricos viver.
Mas Cabinda é longe, o Zaire, o Uige, Bengo, Kwanza Norte, Kunene, Huila, Namibe, Huambo, Bié, etc, estão distantes e são desconhecidas do roteiro presidencial, pois à 32 anos no poder sem nunca ter sido eleito, o cidadão que se intitula Presidente da República, nunca pernoitou duas noites numa das capitais destas províncias, para ver o que é escuridão, falta de água e outras questões básicas, que António Oliveira Salazar, chegou a fornecer mais, com menos recursos, até mesmo aos negros.
Assim a exoneração de Emmanuela Bernardett Afonso Vieira Lopes, que foi nomeada ministra da Energia e Águas em Fevereiro de 2010, não vai alterar o quadro, enquanto não for exonerado o verdadeiro responsável de todo este complexo e intricado sistema de desgovernação presidencial.
Este é apenas um acto banal, tendente a distrair os incautos em época pré – eleitoral, que acreditam estar o Presidente da República preocupado com os cidadãos. Não está! Basta ver o seu distanciamento para com a situação dos hospitais e escolas públicas, mesmo em Luanda, carentes de energia e água, tudo porque os seus filhos e dos seus ministros estudam em escolas privadas estrangeiras, no país ou ainda no exterior, onde também vão receber assistência médica, até mesmo para uma simples luxação.
Se em 32 de anos poder e 36 de governação do MPLA, Luanda não viu resolvida a questão da luz, não será em 2012, anos das eleições, que o MPLA já ganhou, sem a sua realização, com base no sistema da batota informática, que a luz acenderá nos musseques e casas dos que não têm a possibilidade de adquirir um gerador. Alias, para muitos esta fonte passou a ser a luz normal e a da EDEL a alternativa.
Desde o fim da guerra civil, em 2002, com a morte de Jonas Savimbi, apontado como o principal responsável pela falta de luz, com o derrube de postes de transportação de energia eléctrica que Luanda está a atravessar momentos conturbados de energia e há cerca de dois meses, um dos piores períodos no que diz respeito aos cortes no abastecimento de eletricidade e água. Assim esta exoneração de Emmanuela Vieira Lopes, que desde 2008 era ministra da Energia e em 2010, com a junção de dois sectores; os da Energia e Águas, passou a ministra deste novo pelouro em nada alterará o quadro, só possível com uma mudança de um regime que já esgotou todas as soluções e é a única força política que deve ser responsabilizada pelo descalabro da gestão económica e social do país, bem como da miséria que grassa a maioria dos autóctones deste torrão que se chama Angola.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A polémica sobre a data de nascimento e fundação. MPLA depois de tantos anos continua com a mesma mentira



Há algo de solene na designação da data de formação dum partido político que não se coaduna com o ambiente festivo, de tertúlia ou de seja o que for relacionado com troca de ideias à volta da mesa dum café. Aí, expõem-se as ideias, confrontam-se os argumentos defensores de cada uma delas, lançam-se as bases do que virá futuramente a ser a linha de acção do partido que se pretende criar, mas não se cria partido nenhum. E é aqui, neste ponto preciso que a língua falada interfere a propagar confusão nas mentes, caso não se empreguem com o devido rigor os termos referentes a cada uma das diferentes etapas de formação de partidos políticos. Crê-se que antes de mais nada nasce a ideia de criar um partido político, com certeza no seio de um grupo de amigos que professam aproximadamente as mesmas convicções, tantas vezes, é verdade, no decorrer de conversas de café. Seguem-se as discussões à volta dessa ideia: mas como é que vai ser esse partido?, de esquerda, de direita, que esquerda e que direita, sob que lema ou lemas directores, como, com que tipo de estrutura, qual organização interna e que nome lhe dar, etc., etc....

António Setas & William Tonet

Depois de apuradas as ideias e postas de lado as que a maioria recusou, assentam-se as bases para a elaboração dos futuros estatutos do partido a criar, ordenam-se pois os seus elementos constitutivos e poder-se-á então proceder ao que se poderá designar por uma lenta “gestação” do partido. Finalmente, depois de muita saliva gasta e talvez alguns tinteiros deitados ao papel, e se por acaso a força das ideias ainda unir entre si os “membros fundadores” da primeira hora (o que é muito raro, pois a esmagadora maioria desses projectos morre no ovo) gera-se um estado de maturação tal que a dada altura se pode afirmar que foi fundado um novo partido, e isso acontece em geral no decorrer duma reunião agendada para esse efeito, ou de outra maneira menos formal, como, por exemplo, distribuição de panfletos (manifestos) anunciando a boa nova, uma declaração pública de um dos membros, designado para o efeito pelos seus comparsas, ou, por que não, a realização dum acto considerado, até nova ordem, de índole “terrorista”.
Assim, há um longo caminho a percorrer entre o momento em que nasce a ideia e a sua concretização. E se compararmos a fundação dum partido político ao nascimento de um ser humano, pode-se dizer que o nascer da ideia para criar o partido se pode equiparar ao nascer do desejo de praticar o acto sexual entre um homem e uma mulher que desejam ter um filho, que a discussão das ideias mestras da futura linha de acção desse partido, esse profundo e profícuo intercâmbio de ideias, tem algo a ver com a fabulosa força de comunicação que se estabelece entre dois seres humanos que praticam o acto sexual por amor, e enfim, que a ordenação dos elementos nascidos das ideias para proceder à concepção final do partido se pode comparar a coordenação das células do ser humano em formação, ou seja, a gestação de nove meses do feto no ventre da mãe e que a nascença deste último corresponde ao “nascimento” do partido. Portanto, no caso do PCA (Partido Comunista Angolano), depois de ter nascido a ideia de o criar, seguiram-se dois a três anos de gestação e, finalmente, o partido nasceu, por decisão unilateral dos seus membros fundadores, no dia 12 de Novembro de 1955.

A verdade histórica abafada pela política
No que toca à fundação do MPLA, “À tout seigneur, tout honneur”, vamos começar por citar Mário Pinto de Andrade. Para ele, a ideia de constituição dum partido (no caso pendente que englobasse todas as forças de libertação dos diferentes territórios ultramarinos de Portugal), despontou depois duma histórica reunião em Paris, em finais de 1957. Passo a citar, «(…) é em 1957, com a presença de Amílcar Cabral, Guilherme Espírito Santo, Marcelino dos Santos, Viriato da Cruz e eu próprio, cinco elementos apenas, que nós fizemos o primeiro balanço do estado, não do “estado” da Nação, mas do estado da luta – estádio, melhor – do estádio da luta em cada um dos nossos países se encontrava (...). Nessa reunião, que está designada na nossa história política como “reunião de consulta e estudo para o desenvolvimento da luta contra o colonialismo português”, fizemos uma análise global sobre cada um dos nossos países e tomámos, evidentemente, grandes decisões (...). Essa é, de facto, a primeira reunião política de análise do conjunto dos nossos países. Decidimos criar um movimento de libertação global para a libertação das colónias portuguesas. Esse nome não chegou a ter concretização, transformou-se simplesmente num nome mais breve, mas pouco significativo, muito pálido, porque não reflectia a riqueza da nossa reflexão e tão-pouco a realidade dessa reunião. Chamou-se Movimento Anticolonialista (MAC) (entrevista à jornalista Diana Andringa na RTP, em 1988, citado por C. Pacheco na nota nº13 do seu livro “MPLA, um nascimento polémico”.
Tudo muito bem, mas ele não diz quando foi fundado o MAC, seria nessa reunião?...
Seja como for, é em nome do MAC que os futuros dirigentes do MPLA, Lúcio Lara e a sua esposa Ruth Lara, Viriato da Cruz e Hugo Azancot de Menezes, assim como Amílcar Cabral (representante de Cabo Verde e Guiné) e Marcelino dos Santos (Moçambique), tomaram parte na Segunda Conferência dos Povos Africanos em Tunis, em 1960.
O problema que se lhes deparou nessa altura resumia-se ao facto de a conferência apenas aceitar como participantes as delegações de um país determinado e não representações que viessem da parte de um conjunto de países, como era o caso do MAC, defensor dos interesses dos países colonizados por Portugal. Foi, portanto, necessário recorrer in extremis, ao artifício de substituir o nome do MAC pelo do MPLA, segundo proposta, não confirmada, de Viriato da Cruz.
Foi também no decorrer desta conferência que eles tiveram a oportunidade de conhecer pela primeira vez Holden Roberto, que tinha vindo participar em nome da UPA. Mas a aproximação que se anunciava entre as duas organizações capotou, apesar de ambas terem assinado um documento conjunto, assinado por “Abel Djassi, pseudónimo de Amílcar Cabral (pelo seu partido, o PAI e também pela novel Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas (FRAIN), Viriato da Cruz e Lúcio Lara (pelo MPLA e FRAIN), Azancot Menezes (pelo FRAIN) e “José Gilmore” cognome de Holden Roberto (pela UPA e FRAIN).
O que determinou o seguinte comentário de Carlos Pacheco: «Tinha acabado de nascer o FRAIN, que, por evolução, sucedia ao MAC; e também o MPLA, preto no branco pela primeira vez, qual símbolo político até então desconhecido. Ambos curiosamente saídos do mesmo ventre da história e dados à luz em Tunis».

Os primórdios dos movimentos clandestinos
Tudo tinha começado, maneira de simplificar sem levar em conta todos os feitos heróicos que se passaram antes, nos primórdios dos anos cinquenta do século passado, precisamente entre 1952 e 1953, numa altura em que Viriato da Cruz começara a entabular conversações com outros nacionalistas angolanos - a primeira pessoa com quem ele entra em contacto é Ilídio Tomé Alves Machado, funcionário dos PTT de serviço em Luanda, íntegro e leal, tinha feito as suas primeiras armas políticas na Liga Nacional Africana (LNA) - com o intuito de lançar as bases de um combate político que tinha por alvo a auto-determinação e a independência dos povos africanos e de Angola.
Foi a partir desse encontro que, com a adjunção de mais dois patriotas angolanos, António Jacinto e Mário António de Oliveira, foi criada a primeira organização política com um princípio de estrutura de luta contra o colono, o Partido Comunista de Angola (PCA).
O conhecimento da sua existência sob a forma de movimento nacionalista, deve-se em boa parte a Mário Pinto de Andrade. Eis o que ele revela num artigo publicado na revista francesa de esquerda, Démocratie nouvelle: «Um grupo de jovens marxistas começou por conceber a criação de organizações políticas clandestinas e de carácter revolucionário. Era preciso desenvolver a actividade revolucionária no seio das massas populares e definir o objectivo fundamental da luta angolana, a conquista da independência. É neste quadro que nasceu o Partido Comunista Angolano».

Contudo, não faltam analistas que duvidam dessa versão, contestando não a existência e a data de formação do PCA, mas sim sua suposta autonomia. Essa é uma outra questão que não vamos abordar neste artigo, o que apenas retenho é que as origens do MPLA estão aí, no PCA de Viriato da Cruz que foi divulgando como pôde as suas ideias revolucionárias nos meados dos anos cinquenta do século passado
Porém, por muito que Viriato da Cruz e os seus amigos se tivessem esforçado para dinamizar as actividades do PCA, a verdade é que a falta de entusiasmo e a fraca adesão que suscitava o comunismo, nos meios nacionalistas angolanos nos anos cinquenta, prejudicaram os projectos dos seus dirigentes A desordem decorrente da falta de organização foi o segundo ponto fraco do PCA. A maior parte das vezes, os membros podiam reunir-se em casa de um ou doutro militante, mas acontecia que algumas das reuniões tivessem lugar na rua. Quer dizer, a improvisação era corrente. Enfim, a pressão policial impedia o desenvolvimento e a expansão das acções dos dirigentes do PCA, os quais, não fosse o diabo tecê-las, serviam-se regularmente de pseudónimos. Assim, Viriato da Cruz torna-se Mona ya Mundu; Ilídio Machado era Paulo Costa; Mário António de Oliveira, José Nunes, e António Jacinto, Carlos Duarte.

Nestas condições, pobre e curta foi a vida do PCA. Sobreviveu de 1955 até ao Outono de 1957, que consagrou o seu colapso definitivo por intermédio de dois acontecimentos imprevistos: as inopinadas partidas de Mário António de Oliveira, por razões pessoais, e do seu principal animador, Viriato da Cruz, por razões de segurança (embarcou a 30 de Setembro de 1957 no paquete Uíge, sem se despedir e sem levantar o seu salário na Singer, onde labutava – C. Pacheco).
Porém, não se pode passar sob silêncio um primeiro, digamos, semi-colapso do PCA, cuja ocorrência se deve ao aparecimento no xadrez político clandestino luandense de um outro partido, o Partido da Luta Unida dos Africanos de Angola (PLUAA), cuja existência efémera serviu para camuflar a natureza comunista do PCA e agir como sua sucursal (C. Pacheco), na medida em que os seus membros fundadores eram os mesmos (de facto, dois dos quatro membros fundadores do PCA retirar-se-ão, só Viriato da Cruz e Ilídio Machado irão efectivamente militar no PLUAA. Ignoram-se as razões das reticências dos outros dois – JM Mbah- editora Mayambe).
Ora foi precisamente na sua qualidade de dirigente do PLUAA que Viriato da Cruz escreveu o famoso manifesto que veio a ser, mais tarde, considerado como sendo o Manifesto do MPLA, comemorando a efeméride da sua fundação - documento fundamental, mas recusado por todos os historiadores do mundo menos pelos que estão ao serviço do MPA.
Mário Pinto de Andrade revelou num artigo publicado pela revista Democratie Nouvelle em 1960, que a existência do PLUAA datava do início de 1956, fazendo-o aparecer como uma alternativa do PCA. Mas, dois anos mais tarde, o mesmo Mário Pinto de Andrade, num outro artigo publicado desta vez na revista Présence Africaine, já não situa a data de nascença do PLUAA em 1956, mas três anos mais cedo, ou seja, em 1953.
Segundo JM Mbah (tese de doutoramento na Sorbonne), esta nova versão será adoptada pelo grupo de trabalho do MPLA, que deixou de fazer alusão ao PCA, o qual, singela, e repentinamente deixou de ter direito a capítulo na história de Angola. E não é tudo, por se tratar nessa altura duma questão de vida ou de morte para o MPLA, confrontado numa luta sem mercê a partir de 1960 - Tunis – com a UPA, pelo reconhecimento das suas respectivas legitimidades por parte das instâncias internacionais, foram lançadas para o ar uma data de versões diferentes que, aumentando a confusão, dificultavam sobremaneira a sua refutação. Exactamente o que mais desejavam Viriato e os seus amigos, com o único objectivo de camuflar a realidade e poder impor a ideia de que o MPLA já existia alguns anos antes da conferência de Tunis e assim poderem se sobrepor ao movimento de Holden Roberto.
Com base nestes factos reais e de fácil comprovação, temos que o MPLA não poderia ter nascido em 1956, como a actual direcção pretende impingir ao país e ao estrangeiro, pois reza, também a história dos movimentos de libertação, que no ano de 1957, foi criada a FPLA (FRENTE PATRIÓTICA DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA), ou seja, três anos antes da fundação de facto do Movimento Popular de Libertação de Angola, por Guilherme Tonet. Se na realidade o MPLA existisse antes de 1957, este nacionalista, que falava com fluência Côkwe, Kimbundu, Umbundu, Nganguela, Português, Francês, Inglês e Espanhol. não fundaria a sua Frente Patriótica de Libertação de Angola, para não dispersar forças, uma vez definir-se, também, na altura, como defensor do marxismo.
A revolução chinesa era uma das suas paixões em termos de construção de sociedade de justiça social, para substituir a colonização portuguesa.
Na Torre do Tombo em Lisboa, existem documentos da PIDE, que atestam o facto da existência da FPLA ser anterior à fundação do MPLA.

Manifesto do PLUAA e conclusão provisória
Depois disto tudo posto em cima da mesa, deixando de parte todas as outras criações de partidos que também intervieram de uma forma ou doutra no aparecimento do MPLA na cena política angolana, resta-nos concluir e responder essencialmente a duas questões: o MPLA foi ou não foi fundado em 1956, no dia 10 de Dezembro? Quem são os fundadores do MPLA?
O problema que se levanta nesta sequência de fundações de “partidos” angolanos nos anos cinquenta do século XX é que, se dermos à palavra fundar o significado de criar, instituir, estabelecer, é evidente que será complicado provar que o MPLA foi fundado em Dezembro de 1956. Basta ler um extracto do Manifesto referente ao tal amplo Movimento Popular de Libertação Nacional, do 10 de Dezembro de 1956, ipsis verbis:

«(...)Essa luta (pela independência), no entanto, só poderá alcançar a vitória final através duma frente unida de todas as forças anti-imperialistas de Angola, sem levar em conta a cor política, a situação social, as crenças religiosas e as tendências filosóficas dos indivíduos, no seio de um amplo MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA. O movimento, no entanto, só poderá nascer a partir duma aliança de todos os patriotas angolanos no seio de uma organização única. O movimento será o somatório das actividades de milhares e milhares de organizações (de três, ou mesmo de centenas de membros cada uma) que se formarão em Angola. O que significa que o povo angolano tem que se organizar através dessas organizações esparsas por todo o território nacional (...)”.

Repare-se, o texto está escrito em língua portuguesa, mas o que é difícil, melhor, dificílimo, para não dizer impossível de compreender, é a maneira como se possibilitou a transformação da interpretação do texto escrito no futuro (“o movimento só poderá nascer”) em prova de existência dum movimento popular de libertação nacional no presente, isto é, na altura em que o dito Manifesto (que era do PLUAA e não do MPLA) foi escrito! Note-se ainda, escrevemos “escrito” porque o Manifesto nunca foi publicado, e que se saiba o original não existe, há por aí umas cópias e viva o velho!
Portanto, para compreender os argumentos do MPLA a propósito da sua pretensa fundação a 10 de Dezembro de 1956, seria absolutamente indispensável alterar o texto, de modo a dar um mínimo de consistência aos argumentos que sustentam essa hipótese. Assim, por exemplo:

«(...)Essa luta (pela independência), no entanto, só pode (ou poderá, por se referir à luta) alcançar a vitória final através duma frente unida de todas as forças anti-imperialistas de Angola, sem levar em conta a cor política, a situação social, as crenças religiosas e as tendências filosóficas dos indivíduos, no seio de um amplo MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA. O movimento, no entanto, só pôde nascer a partir duma aliança de todos os patriotas angolanos no seio de uma organização única. O movimento é o somatório das actividades de milhares e milhares de organizações (de três, ou mesmo de centenas de membros cada uma) que se estão a formar em Angola. O que significa que o povo angolano tem que se organizar através dessas organizações esparsas por todo o território nacional (...)”.
Escrito assim, tudo no presente do indicativo, até dá para duvidar. Mas no futuro?... é quase inacreditável que se continue a dizer que o Manifesto, apelidado do MPLA, mas que nunca foi do actual MPLA (era do PLUAA), anuncie a formação do mesmo. E cremos que esta capacidade fenomenal de recusar a realidade perdurará até ao dia em que se registe o passamento físico do último militante do MPLA implicado neste entremez histórico.
Coisas da nossa terra. Provavelmente mais normais de que enormes, como queremos fazer passar a mensagem, pois a data falsa da sua fundação tem um antecedente famoso, a data de nascimento de Jesus Cristo, que alguns defendem que jamais em tempo algum nasceu a 25 de Dezembro. Portanto consideremos que o 10 de Dezembro é o dia Natal dos "camaradas"!
Quanto à pergunta de quem são os fundadores do MPLA, nós respondemos assim: em primeiro lugar, Viriato da Cruz e Mário de Andrade, um em Angola, o outro no exterior; depois Lúcio Lara, José Rodrigues Miguéis, Hugo de Menezes e Eduardo Macedo dos Santos, mas também todos os líderes que transitaram pelos diferentes movimentos de libertação nacional, obreiros incansáveis e fervorosos dos alicerces do que tanto se desejava e de que Viriato foi o único a exprimir claramente, “um amplo Movimento Popular de Libertação de Angola”, a começar, por mérito próprio, por Ilídio Machado, e só depois os outros, André Franco de Sousa, Pedro Benge, toda a cúpula do MINA, que aceitou afastar-se para deixar entrar o MPLA empurrado pelos ventos da história, aspecto que não abordamos aqui por falta de espaço, Higino Aires, evidentemente, e muitos outros, anónimos e não anónimos (a lista não caberia aqui), que sacrificaram as suas vidas ao ideal da liberdade da Pátria e que se não tivessem marcado presença do momento certo, no lugar certo, talvez o rumo da história de Angola tivesse sido outro…e sem um grande partido, como hoje é o MPLA.
Imagem: Carta do Padre François Houtart, belga, aMário Pinto de Andrade procurando ...
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Kadhafi foi assassinado, Gbagbo preso, quem lhes seguirá ou evitará as peugadas


AQUI ESCREVO EU. William Tonet.
A maioria dos tiranos dos séculos XX e XXI não gosta de sair do poder a andar, preferem fazê-lo a correr, por teimosia, bestialidade e arrogância das suas acções quotidianas e marca intimidatória dos respectivos consulados. Todos eles são precursores de uma gestão danosa e dolosa contra o próprio Estado e os direitos fundamentais dos cidadãos, principalmente dos que criticam e se opõem a práticas desumanas e ilegais.
Eles tal como nos séculos XVIII, acham-se representantes de Deus na terra, pelo que os demais seres lhes devem obediência cega. Assim pensava, Napoleão, César, Hitler, Idi Ia Min, Mobutu, Ben Ali, Moubarak e mais recentemente Kadhafi.
O líder da Líbia, até aos últimos momentos mostrou-se sempre indisponível a abrir uma porta de diálogo com a oposição representada no CNT (Conselho Nacional de Transição), acreditando sem esmorecer que iria inverter a situação a seu favor e eliminar os adversários. Infelizmente para ele, a realidade demonstrou-lhe haver um ciclo para tudo. O seu estava no final e ele não soube ler os sinais dos tempos nem prever que as consequências poderiam ser piores que aceitar uma negociação e reconciliação. Foram. Por sua exclusiva opção, porque Kadhafi, tal como todos os outros ditadores, não acreditou que fosse preciso aprender com os erros e a desgraça dos outros, como se ele fosse diferente e a sua manutenção no poder fosse perpétua.
Daí, não ter colhido, para muitos observadores e, para mim, particularmente, que estive na Líbia, entre Fevereiro e Março de 2011, as suas lágrimas de crocodilo ante a intervenção da NATO, pese ter colhido a solidariedade dos presidentes de Angola, José Eduardo dos Santos e do Zimbabwe, Robert Mugabe, condenando a acção militar da comunidade internacional, no âmbito do Direito Internacional. Daí, muitos perguntarem onde estavam Dos Santos e Mugabe, quando Kadhafi mandava assassinar cidadãos líbios desarmados e inocentes, rejeitando negociar com o CNT e enforcando todo líder da oposição ou tribal que o criticasse?
Na certa, refastelados e indiferentes, nas suas poltronas palacianas e indiferentes ao sangue do povo assassinado, pelas balas da ditadura “kadhafiana”. Cínica omissão.
Por outro lado, se ninguém travasse o ditador, através do recurso ao Direito Internacional, a chacina colectiva do povo líbio seria pior, por esta razão não tem credibilidade criticar a intervenção da OTAN, pois quem chama a comunidade internacional, militar ou mesmo económica, são os próprios ditadores, em tempo de bonança. Eles é que escancaram as portas do país, basta ver quantos deles colocam o dinheiro roubado nos cofres públicos dos seus países em África. Nenhum!
Todos colocam os seus valores em paraísos fiscais e estes estão localizados na Europa e América. Se assim é, são eles, com esta acção, a abrirem o mapa dos seus próprios países ao ocidente, mais a mais quando se acercam de estrangeiros para a construção de zonas secretas e confidenciais. Se os bunkers de Kadhafi foram construídos por técnicos suíços, se as operações plásticas contaram com médicos internacionais, se as plataformas petrolíferas, igualmente, se a maior base militar aérea de Misrat, foi construída pelos russos, logo, a geografia do país ficou na mão da OTAN, dos americanos e da Rússia.
Mas ditador é mesmo ditador, seja pela capa do fascismo, do comunismo ou da democracia, eles se julgam seres superiores e sempre conseguem reunir, tal como no passado, na sua corte, bajuladores de toda espécie, até mesmo pastores e bispos, quais bajuladores do templo sanguinário, vergados pelo peso do vil metal. Kadhafi, é certo, teve um fim triste, que não se deseja a nenhum ser humano, mas foi por ele traçado, com a arrogância que lhe era peculiar e a falta de conselhos dos seus amigos.
Não se sabe quem o terá aconselhado, como aconteceu com José Eduardo dos Santos na hora mais difícil, até pelo que aconteceu antes, também, a outro amigo comum, Laurent Gbagbo, preso em FLAGRANTES DELÍCIAS e que agora está a contas com o Tribunal Internacional de Haia, onde vai ser julgado por crimes contra a humanidade.
O antigo presidente da Côte d’Ivoire, como a maioria dos ditadores, esticou demais a corda. Mostrou-se indiferente aos adversários políticos e aos apelos de tolerância e compaixão lançados pela sociedade civil. A tudo e todos fez ouvidos de mouco, como se ele fosse uma santa divindade, com poder e mandato ilimitados, para fazer da vida dos demais o que lhe desse na real gana. Mandou prender, ordenou mortes e assassinatos cruéis de milhares de costa-marfinenses. Tudo isso em nome de um poder déspota, que não olhava aos meios para atingir os seus fins.
O seu poder estava na ponta do fuzil e não restou aos demais utilizar o mesmo recurso, ainda que, no final, se desviassem da matriz da Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”, pois ao ser capturado não foi barbaramente assassinado, como ele faria se se passasse o inverso.
Os seus captores, mostraram ser diferentes, tiveram compaixão, urbanidade e civismo, pois apanhando-o em plena hora sexual, respeitaram o momento deixando-o acabar, para só depois lhe darem ordem de prisão, na qualidade de ex-presidente da República. Deixaram-no vestir a camisola interior, tal como a sua mulher, numa clara marca do nascimento de uma nova era na Côte d’Ivoire. Gostaria, muito sinceramente, que isso não viesse a acontecer em Angola, onde temos todas as condições para projectar uma transição pacífica e sem derramamento de sangue, bastando para tanto que nos respeitemos. Seria inteligente que José Eduardo dos Santos, no final do seu longevo consulado, se vestisse com a humildade de Ghandi, ou de Nelson Mandela, estendendo verdadeiramente a mão aos seus adversários, para uma séria política de reconciliação, capaz de esbater os recalcamentos incubados nos corações de milhões, em prol da estabilidade presente e futura. Na África do Sul, nenhum membro do apartheid saiu a correr do país, devido a uma verdadeira política de reconciliação espelhada na Comissão da Verdade.
Em Angola se a opção de prender, condenar e assassinar, pela intriga continuar a crescer, o regime, seguramente, verá o poder cair na rua e quando isso acontece esfumam-se os interlocutores e as populações descontentes transformam-se numa onda ingovernável que vai consumindo militares e policiais injustiçados e injustamente levados para as masmorras fedorentas do regime. Hoje já não são poucos os batalhões de militares e polícias descontentes, que se juntarão ao enorme exército de cidadãos descontentes, sedentos de uma verdadeira mudança e FIM DESTA INDEPENDÊNCIA, que só consegue dar aos milhões de autóctones, Menos Pão Luz e Água, enquanto uns poucos, muito poucos, se apossaram indevidamente dos milhões e milhões de dólares do erário público. É por tudo isso que acredito ser esta a hora de Dos Santos, marcar a diferença e consultar o seu mapa astral, visando recuperar o tempo perdido com as seguintes acções:
1) anúncio de uma Conferência sobre os excessos do 27 de Maio de 1977, como grande teste, pois se não conseguir se reconciliar internamente, com militantes do MPLA, dificilmente o conseguirá com o país.
2) criação de uma verdadeira e imparcial Comissão Eleitoral Independente
3) negociação directa com os representantes dos povos de Cabinda, Lundas e Khoisan
4) devolução do património confiscado e fim da interferência política nos partidos FNLA, UNITA e PRS.
5) criação de uma comissão para analisar, discutir, avaliar e ou perdoar, o enriquecimento ilícito de membros proeminentes do seu regime, filhos e familiares
Se Dos Santos for capaz destes feitos, na certa ainda poderá carimbar o seu nome e alguns feitos, no “disco duro mental”, daqueles que não o bajulam e escreverão a verdadeira história de Angola, bastando para isso que tenha como padrão a seguinte citação: “o dinheiro faz homens Ricos, a sabedoria faz homens Sábios e a Humildade Grandes Homens”

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Lista dos mais danosos líderes africanos. Listas do crescimento económico REAL


Mouammar el-Kadhafi, Líbia, 69 anos. 42 anos no poder, 2. Teodoro Obiang Nguema, Guiné Equatorial, 69 anos. 32 anos no poder, 3. José Eduardo dos Santos, Angola, 69 anos. 32 anos no poder…XÉ!!? Zédu no pódio da vergonha!... Segue o comentário asssinado pelo investigador Damien Glez
«Filho de um alfaiate, Dos Santos muito cedo se tornou militante contra o jugo colonial português e foi designado como sucessor do pai da independência de angolana, Agostinho Neto. A sua presidência mais de trentenária está marcada por uma longa guerra civil que teria feito mais de 30.000 mortos. Ao longo de todos esses anos, ele sempre presidiu o marxista-leninista Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e nunca deu tréguas à União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) de Jonas Savimbi. Este último acabará por ser morto em 2002. A nova Constituição do país, adoptada em 2010, não prevê que se orgasnizem doravante eleições presidenciais, as quais serão substituídas pela designação directa como presidente da República de Angola, do presidente do partido com maior número de votos obtidos nas eleições legislativas. Uma verdadeira avenida aberta para deixar passar, à vontade, José Eduardo dos Santos».
A Zédu seguem-se outros presidentes colados de longa data aos seus respectivos cadeirões, mas já fora do pódio:
4. Robert Mugabe, Zimbabwe, 87 anos. 31 anos no poder, 5. Paul Biya, Camarões, 78 anos. 29 anos no poder, 6. Yoweri Museveni, Uganda, 67 anos. 25 ans no poder, 7. Blaise Compaoré, Burkina Faso, 60 anos. 24 anos no poder, 8. Omar el-Bechir, Sudão, 67 anos. 22 anos no poder, 9. Idriss Déby Itno, Tchade, 59 anos. 21 anos no poder, 10. Issayas Afewerki, Eritreia, 65 anos. 18 anos no poder.
Fonte: Internet (yahoo.fr)

As curiosas listas da CIA World Factbook
Saiu a público muito recentemente e com larga difusão na Internet, uma série de curiosas listas, classificativas de países e personalidades africanas, que, se por um lado nos deixaram surpreendidos, por outro, vieram confirmar o que nos parecia ser um painel dourado de fachadas esburacadas. Assim, entres os dez países que nos últimos anos mais cresceram em África do ponto de vista económico, Angola nem sequer aí figura.
Pelo essencial, as classificações apresentam os 10 países que alcançaram as mais altas taxas de crescimento do seu respectivo Produto Interno Bruto (PIB) REAL, nestes últimos três anos, a partir de dados do CIA World Factbook.
Por outro lado, essas mesmas classificações baseiam-se também em projecções de desenvolvimento (PDF) feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para o ano de 2011, assim como sobre a taxa de corrupção (PDF) estabelecida rigorosamente pela organização Transparency International, ao que acrescem os dados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), fornecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), assim como o PIB por habitante da CIA a partir dos cálculos do FMI e do Banco mundial. E do conjunto de todas essas análises, estatísticas e outras observações adstritas, é que foi elaborada esta classificação de desenvolvimento global.

Listas do crescimento económico REAL*
Países com maior crescimento económico de África: 10-Tanzânia, 9-Malawi, 8-Moçambique, 7-Etiópia, 6-Zâmbia, 5-Nigéria, 4-Zimbabwe, 3-Botswana, 2-República do Congo e 1-Gana. Estes são os dez países que maior crescimento económico têm. A Tanzânia em décimo lugar enquanto o primeiro lugar vai para o Gana. Angola nem sequer aí figura, o que contraria do tudo ao todo as baboseiras debitadas a elogiar o nosso “prodigioso” crescimento económico, dixit, «O maior de África e um dos mais dinâmicos do mundo”.
Países com o pior crescimento económico de África: 10-Costa do Marfim, 9-Benim, 8-Lesotho, 7-Eritreia, 6-Comores, 5-Swazilândia, 4-Guiné, 3-Angola, 2-Guiné Equatorial e 1-Madagascar. Ó dolorosa surpresa!! Não estar entre o melhores, bom, podemos aceitar, mas estar assim!!?... Entre os piores, e não é tudo, pois Angola ocupa um tristíssimo lugar no pódio, no terceiro lugar a partir do último, e atrás de nós só encontramos a Guiné Equatorial e o Madagascar, como países com pior crescimento económico (!!!). Angola entre os piores dos piores do mundo no que toca ao crescimento clobal interno!?... Talvez não seja bem assim, mas temos de ser humildes e levar em linha de conta estes cáculos divulgados por agências de grande credibilidade internacional.