terça-feira, 28 de agosto de 2012

As Eleições vão ser Livres. Antómio Kaquarta



As Eleições vão ser Livres. As eleições em Angola vão ser um jogo cheio de livres, sempre contra a equipa da oposição. Livres, livres e mais livres.
A equipa de arbitragem foi constituída pelos JA (José Arruaceiro), RNA (Retardado Nepotista Açambarcador) e TPA (Tibúrcio Pantomineiro Analfabeto).
Mal a equipa da oposição entrou em campo foi logo assinalado livre, porque não caminhou de acordo com o passo recomendado pela CNE (Comissão Nacional de Espectáculos). Saudou o publico, a equipa de arbitragem assinalou livre, porque não fizeram uma grande vénia, em primeiro lugar, ao PR (Patrocinador Recreativo). Posicionaram-se no campo e foi logo marcado livre, porque o fizeram antes do tempo, desrespeitando as orientações do MPLA (Movimento Para Legislar as Arrumações). Tentaram fazer o aquecimento com a bola e foi logo assinalado livre, porque quiseram tocar na bola sem pedir autorização, por escrito, ao Movimento Para Legislar Arrumações.
Iniciou-se o jogo. Os jogadores da oposição entraram na grande área do adversário, que é o campo todo, e foi livre, porque invadiram propriedade alheia, pertença da equipa do JES (Jogadores Ensinados a Surripiar), sem autorização. Tentaram tocar na bola e foi imediatamente assinalado livre, por tentativa de prática de jogo perigoso. Desmarcaram-se e foi livre, porque estavam fora de jogo. Protestaram, foi marcado livre e mostrado o cartão vermelho, amarelo e preto, porque desrespeitaram a equipa de arbitragem. Correram e foi assinalado livre, por desobedecerem às regras de trânsito, deslocando-se a altas velocidades. Pararam, foi assinalado livre, porque estavam a impedir a circulação do trânsito, promovendo engarrafamentos que poderiam conduzir a protestos e outras manifestações. Tentaram fintar, foi logo assinalado livre, por quererem fazer jogo sujo. Marcaram golo e a equipa de arbitragem mandou assinalar esse resultado a favor da equipa do JES, porque o jogo foi organizado pela equipa do JES, o campo é da equipa do JES, ambas as balizas são propriedade da equipa do JES e os árbitros foram pagos pela equipa do JES.
No dia seguinte, os órgãos de informação deram grande destaque à grande vitória da equipa do JES. O JA (Jornal dos Arruaceiros) elogiou a enorme independência da equipa de arbitragem e a grande superioridade demonstrada pela equipa do JES. A RNA (Rádio do Nepotismo Autorizado) ocupou todos os noticiários e programas desportivos e recreativos a elogiar a imparcialidade da equipa de arbitragem e a relevar a enorme preparação física e táctica da equipa do JES, que impôs uma derrota humilhante à equipa da oposição. A TPA (Televisão Protectora dos Açambarcadores) ocupou as 24 horas do seu tempo de antena com muitos noticiários e várias reportagens sobre a grande vitória da equipa do JES e sobre a competência da equipa de arbitragem, que fez cumprir as leis da CNE, marcando livres, livres e mais livres, sempre e só, contra a equipa da oposição, que revelou falta de preparação e desconhecimento das regras de jogo no campeonato eleitoral de Angola.
Os órgãos de informação oficiais foram unânimes na conclusão final acerca do jogo das eleições. Todos afirmaram que foram Livres, muitos Livres, cheio de Livres. O resultado final não reflectiu o número de golos marcados. Os organizadores informaram a população, em geral, e a CNE, em particular, de que o resultado foi ampliado, a favor da equipa do JES, para pagar a utilização do campo do JES por parte da equipa da oposição, para compensar as despesas efectuadas com a equipa de arbitragem, escolhida pelo JES, que fez respeitar as leis da CNE, com uma direcção de equipa escolhida e empossada pela equipa do JES, e para remunerar os organizadores do jogo, pertencentes à equipa do JES.

A Resposta a Dar por. Quem é Capaz de Pensar. António Kaquarta



O João Melo tem o poder de adivinhar o futuro. Não é, em nada, difícil para quem deve ter a consciência dos atropelos cometidos, intencionalmente, a uma lógica inteligente e civilizada para o funcionamento das instituições democráticas.
O João conseguiu adivinhar que partidos da oposição iriam contestar a entropia gerada, intencionalmente, pelos “chicos-espertos” do MPLA, com o objectivo de beneficiarem os cabritistas. É natural que o João Melo tropece nos seus argumentos devido à história muito incoerente do seu partido, o partido do Agostinho Neto, o iniciador da guerra civil em Angola e o carrasco de muitíssimas vítimas inocentes no 27 de Maio e durante a guerra civil, o partido que anda muito baralhado nos seus ideais. Um partido que iniciou-se como um fanático defensor do estalinismo e, de repente, viu-se obrigado a mudar de ideologia, para o capitalismo selvagem, depois do falhanço do czarismo soviético. Só por isso, o João Melo pode demonstrar uma enorme versatilidade incoerente a utilizar citações de diversos autores: Marx, Lenine, Estaline, Mao, Agostinho Neto, Fidel Castro, os discursos (contraditórios) escritos para o José Eduardo dos Santos ler, e, se o estado das coisas mantiver a presente evolução, Saddam Hussein, Mubarack, Kadafi, Bashar al-Assad, “Amerdaninja”, Hugo Chavez, etc.
A democracia é uma chatice. Obriga a dar ouvidos aos que têm razão. Em Angola existem muitos mecanismos para silenciar essas vozes incómodas. Os órgãos de informação social, controlados pelo poder, conseguem arranjar muitos sofismas para enxovalhar a ética, a dignidade e a razão. O João Melo sabe, perfeitamente, que, em última instância, existem sempre os milícias (à civil ou fartados de polícias) capazes de impor as vontades do Reigime. Por isso é que o João fala muito, diz muitos disparates e insulta os defensores da diversidade de pensamento, honesta, coerente e construtiva, com as costas quentes pelos primeiros e últimos defensores da Republicana-Monarquia, os milícias.
Na preparação do processo eleitoral, qualquer observador minimamente inteligente consegue aperceber-se de que o MPLA deu sempre meio passo atrás para depois poder avançar quilómetros nas suas intenções de ser patrulheiro e dono das eleições. O João Melo não consegue convencer nem disfarçar essas tácticas, técnicas e estratégias, mesmo quando acusa os verdadeiros democratas e as organizações e países onde a democracia está verdadeiramente implementada de fugirem aos contraditório. Esta é a maior anedota do João Melo, depois de observar o fanatismo e a manipulação praticada pelos Jornal de Angola, Rádio Nacional de Angola e Televisão Pública (será Política?) de Angola.
O Rei-Presidente, devido à sua cobardia e culpa no “estado das coisas”, recusou-se a participar em debates eleitorais. Esses debates acontecem em campanhas eleitorais no que o João Melo é obrigado a aceitar, bastante contrariado, como “vários países democráticos”. Claro que isso não acontece na China, em Angola, no Irão, na Síria, na Coreia do Norte, só para citar alguns exemplos. Esses debates acontecem na Argentina, no Brasil, no Canadá, na Espanha, na França, na Holanda, na Inglaterra, no México, na Suécia, na Suíça, nos Estados Unidos da América do Norte e em muitíssimos outros países. Toda a gente sabe que o José Eduardo dos Santos se recusa a participar porque nos debates não se lêem os discursos escritos por outros e arriscar-se-ia a ser desmascarado pelo “estado das coisas” e pelas atrocidades cometidas durante o 27 de Maio ou durante a guerra civil ou pelo enriquecimento ilícito, seu, dos seus herdeiros e de outros cortesãos. O José Eduardo dos Santos é o mais acérrimo inimigo do contraditório e receia ser confrontado com a verdade democrática.
O João utiliza a estratégia que os psicólogos designam por “agressão deslocada”. A culpa dos erros e defeitos praticados e demonstrados pelo MPLA é sempre dos outros partidos políticos. E quando não é dos outros partidos políticos é do colonialismo, da guerra civil, do Savimbi, dos jornalistas europeus, da UNITA, da CASA-CE, do PRS, “dos antigos revolucionários convertidos em super democratas, activistas pagos por fundos americanos, organizações internacionais que apenas são independentes em relação aos governos alheios”, etc. Esta é a versão mais actual do discurso antigo do MPLA. Antigamente as paranóias orientavam-se contra “o Imperialismo Capitalista, o “Neocolonialismo” dos países que, actualmente, os governantes angolanos e seus herdeiros escolhem para esconder os dinheiros desviados dos cofres do Estado para os paraísos fiscais. Ò João Melo ainda está a tempo de beneficiar das terapias usadas em Psicoterapia e Psiquiatria modernas.
Ò João, toda a gente percebe de que é uma grande chatice, para ti e para o MPLA, haver outros partidos políticos em Angola. Todavia, essa gente é minimamente inteligente para compreender que o João Melo é pago para ser um simples criado e servidor do sistema actual. Só por isso as pessoas não ficam muito incomodadas e intimidadas com o desassossego e gritos de revolta do João de Melo contra os que têm razão em muitos dos bons argumentos de apresentam contra o Estado Teocrático da divindade José Eduardo dos Santos. O João está a fazer o papel para que é pago. Todos percebemos isso. Não quer dizer que estejas desculpado e que os teus argumentos sejam convincentes.

sábado, 25 de agosto de 2012

Títulos de capa do Folha 8. Edição nº 1109 de 25 de Agosto de 2012


A TÁCTICA DA DITADURA CONTINUA, SOB SILÊNCIO DA CNE E TRIBUNAL CONSTITUCIONAL

NOJENTO
Média estatal descarada no voto ao MPLA

CORÉON DU FILHO DE JES
Zédu dos Santos recebe mais de 110 milhões de dólares do banco BPC

FILHO DE PRADO PAIM
Vota a CASA-CE e apoia incondicionalmente Chivukuvuku

EX SINFO NÃO DESARMAM
Antigos Secretas continuam a exigir os seus direitos

A PROCISSÃO AINDA VAI NO ADRO
CNE parece a Ferrari da fraude do regime



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Eleições, reconciliação nacional e “terceira alternativa”. Marcolino Moco



Voltasse o tempo para trás, e revivesse o 4 de Abril de 2002, não me imaginaria hoje a escrever este texto, em pleno período eleitoral, dez anos depois do reacender de esperanças que aquele dia trouxe, após cerca de 40 anos de guerras de libertação nacional, umas, e fratricidas, outras. Neste momento imaginar-me-ia calmo e sereno a espera do dia de colocar o meu boletim de voto numa urna, a favor do candidato da minha preferência para
presidenciais, ou do meu partido em legislativas, nos termos duma Constituição resultante de anteriores consensos nacionais, arduamente reunidos.

Mas não. Tenho de acordar por essas horas, abandonados os projectos de outros de tipos de literatura, para estar aqui debruçado sobre estas eleições ensombradas com perspectivas de manifestações contra correntes e possíveis fraudes; e por outras legítimas manifestações, por problemas sociais não resolvidos em tempo oportuno, devido a prioridades castiças; com compatriotas meus a pedir-me “um conselho de mais velho” no facebook e nas conversas do dia-a-dia, sobre se vale a pena ou não permanecer nesta ou naquela cidade, no dia 31 de Agosto e proximidades. E um panfleto electrónico cobarde a invocar discursos de “somalizações de Angola” proferidos há vinte anos, em contextos completamente ultrapassados.

É agora que se vê tão claro, como vejo este laptop em que teclo, a falha rotunda da “arquitectura da paz” do Presidente José Eduardo dos Santos, ele próprio envolvido numa campanha anti-reconciliatória, com a necessidade premente de voltar à gastíssima tecla da invocação inconsequente, quiçá, perigosa dos que “partiram o país”. Uma campanha em que, por razoabilidade histórica, em inícios da segunda década do século XXI, ao perfazer 70 anos de vida e 33 anos de poder efectivo, até por respeito à sua própria palavra, já não devia participar. E tudo estaria muito muito bem, sem qualquer tipo de colapso daqueles que vaticina o autor do barato e anacrónico panfleto electrónico, caso a oposição tenha um bom resultado nestas eleições que se realizam num escandaloso “ plano inclinado” a seu desfavor.

É hoje que vivemos, de facto, as consequências da partida prematura de Neto que, apesar dos erros, em contextos em que dificilmente um homem do seu tempo e carácter contornaria, nos deixou um sinal claro de uma liderança criativa; e mesmo um sinal de arrependimento sobre os seus equívocos humanos, em direcção a uma verdadeira reconciliação nacional.
Não partisse Neto tão cedo, acredito hoje que com Holden Roberto (que cedo entendeu que nada se ganhava com lutas fratricidas) e mesmo com Jonas Savimbi, cujas motivações do tumultuado pensamento e acção política começam agora a ser reavaliados, teríamos hoje uma Angola diferente daqui temos hoje, onde nenhuma liderança consegue erguer-se acima sequer de meros interesses familiares, num país onde tudo chegaria para todos. E é pena!

Como é que é ainda hoje necessário que um partido tão grande, como o MPLA, tenha de rebuscar discursos incendiários do passado, para ganhar eleições, criando pretextos para que a oposição faça o mesmo, renovando ódios e desestabilizando o futuro?

Mas nunca “tudo está perdido”. Lideranças abertas e criativas hão-de acontecer em Angola.
Terão de acontecer. Por isso já consegui recupera-me da recaída de Benguela para escrever este texto. Nem voltei a soçobrar, quando jovens do Huambo me apresentaram aqueles semblantes derreados numa aparentemente insuperável incredulidade no futuro, em conferência que lhes proferia sobre “O perfil económico e social da província do Huambo”,
com as minhas ideias optimistas sobre o ulterior desenvolvimento do Província, com a reabilitação do CFB e requalificação da Barragem do Gove.

Por isso escrevi “Angola: a terceira alternativa”, deixando a minha contribuição para o reencontrar de caminhos perdidos, em direcção a uma Angola verdadeiramente reconciliada na sua diversidade e unidade desejadas e possíveis.

Em “Angola: a terceira alternativa” falo sobretudo do que se pode e deve fazer, independentemente do que resultar destas eleições, para nos libertamos do autoritarismo por vezes “sorridente” que vivemos hoje em Angola. Mas falo também do que ainda assim se pode e deve fazer nestas eleições para, quanto mais não seja, aliviarmos este regime que muitos, com toda a razão, já chamam, no mínimo, de ditadura de disfarçada terminologia democrática.

O meu conselho de “mais velho” aos que mo pedem, é que não abandonemos cidade nenhuma e votemos contra o que demais grave aconteceu neste país depois das eleições legislativas de 2008: um golpe jurídico-constitucional contra a paz e a reconciliação nacional, que fora antecipado de outro golpe espectacular, contra a debutante democracia dentro do próprio MPLA, dez anos antes, no seu Congresso de Dezembro de 1998.

Tenho garantias informais para vos dizer que a haver confusão, ela não virá da oposição e nem mesmo do verdadeiro MPLA, mas da escassa minoria que quer amedrontar algum eleitorado incómodo, que poderia evitar o reforço de um golpismo que já nos trouxe tantas surpresas desagradáveis:

Jovens e seus apoiantes de braços e cabeças partidas em manifestações pacíficas;

Míngua de água e luz em cidades, bairros e povoações, enquanto somas enormes de dinheiro são desviadas para excentricidades colectivas e individuais;

Compra e ou destruição dos maiores símbolos da nossa consciência ético-moral, cívica e religiosa;

Banalização da Lei, da Justiça e dos magistrados, que já haviam atingido um alto grau de honradez e profissionalismo, mesmo nos tempos em que cantavam as armas;

Usurpação superiormente comandada de terras ancestrais de muita gente, destruição do seu património habitacional em troca de tendas (em tempo de paz!) ou pura mata;

Tudo reforçado com o monopólio da comunicação social em todos os sentidos, até o controlo de cada uma das nossas vidas, através de familiares e exclusivas redes telefónicas;

Entre tantas e algumas delas indizíveis desgraças.

Huambo, aos 20 de Agosto de 2012

Imagem: Aléxia Gamito