sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Eleições, reconciliação nacional e “terceira alternativa”. Marcolino Moco



Voltasse o tempo para trás, e revivesse o 4 de Abril de 2002, não me imaginaria hoje a escrever este texto, em pleno período eleitoral, dez anos depois do reacender de esperanças que aquele dia trouxe, após cerca de 40 anos de guerras de libertação nacional, umas, e fratricidas, outras. Neste momento imaginar-me-ia calmo e sereno a espera do dia de colocar o meu boletim de voto numa urna, a favor do candidato da minha preferência para
presidenciais, ou do meu partido em legislativas, nos termos duma Constituição resultante de anteriores consensos nacionais, arduamente reunidos.

Mas não. Tenho de acordar por essas horas, abandonados os projectos de outros de tipos de literatura, para estar aqui debruçado sobre estas eleições ensombradas com perspectivas de manifestações contra correntes e possíveis fraudes; e por outras legítimas manifestações, por problemas sociais não resolvidos em tempo oportuno, devido a prioridades castiças; com compatriotas meus a pedir-me “um conselho de mais velho” no facebook e nas conversas do dia-a-dia, sobre se vale a pena ou não permanecer nesta ou naquela cidade, no dia 31 de Agosto e proximidades. E um panfleto electrónico cobarde a invocar discursos de “somalizações de Angola” proferidos há vinte anos, em contextos completamente ultrapassados.

É agora que se vê tão claro, como vejo este laptop em que teclo, a falha rotunda da “arquitectura da paz” do Presidente José Eduardo dos Santos, ele próprio envolvido numa campanha anti-reconciliatória, com a necessidade premente de voltar à gastíssima tecla da invocação inconsequente, quiçá, perigosa dos que “partiram o país”. Uma campanha em que, por razoabilidade histórica, em inícios da segunda década do século XXI, ao perfazer 70 anos de vida e 33 anos de poder efectivo, até por respeito à sua própria palavra, já não devia participar. E tudo estaria muito muito bem, sem qualquer tipo de colapso daqueles que vaticina o autor do barato e anacrónico panfleto electrónico, caso a oposição tenha um bom resultado nestas eleições que se realizam num escandaloso “ plano inclinado” a seu desfavor.

É hoje que vivemos, de facto, as consequências da partida prematura de Neto que, apesar dos erros, em contextos em que dificilmente um homem do seu tempo e carácter contornaria, nos deixou um sinal claro de uma liderança criativa; e mesmo um sinal de arrependimento sobre os seus equívocos humanos, em direcção a uma verdadeira reconciliação nacional.
Não partisse Neto tão cedo, acredito hoje que com Holden Roberto (que cedo entendeu que nada se ganhava com lutas fratricidas) e mesmo com Jonas Savimbi, cujas motivações do tumultuado pensamento e acção política começam agora a ser reavaliados, teríamos hoje uma Angola diferente daqui temos hoje, onde nenhuma liderança consegue erguer-se acima sequer de meros interesses familiares, num país onde tudo chegaria para todos. E é pena!

Como é que é ainda hoje necessário que um partido tão grande, como o MPLA, tenha de rebuscar discursos incendiários do passado, para ganhar eleições, criando pretextos para que a oposição faça o mesmo, renovando ódios e desestabilizando o futuro?

Mas nunca “tudo está perdido”. Lideranças abertas e criativas hão-de acontecer em Angola.
Terão de acontecer. Por isso já consegui recupera-me da recaída de Benguela para escrever este texto. Nem voltei a soçobrar, quando jovens do Huambo me apresentaram aqueles semblantes derreados numa aparentemente insuperável incredulidade no futuro, em conferência que lhes proferia sobre “O perfil económico e social da província do Huambo”,
com as minhas ideias optimistas sobre o ulterior desenvolvimento do Província, com a reabilitação do CFB e requalificação da Barragem do Gove.

Por isso escrevi “Angola: a terceira alternativa”, deixando a minha contribuição para o reencontrar de caminhos perdidos, em direcção a uma Angola verdadeiramente reconciliada na sua diversidade e unidade desejadas e possíveis.

Em “Angola: a terceira alternativa” falo sobretudo do que se pode e deve fazer, independentemente do que resultar destas eleições, para nos libertamos do autoritarismo por vezes “sorridente” que vivemos hoje em Angola. Mas falo também do que ainda assim se pode e deve fazer nestas eleições para, quanto mais não seja, aliviarmos este regime que muitos, com toda a razão, já chamam, no mínimo, de ditadura de disfarçada terminologia democrática.

O meu conselho de “mais velho” aos que mo pedem, é que não abandonemos cidade nenhuma e votemos contra o que demais grave aconteceu neste país depois das eleições legislativas de 2008: um golpe jurídico-constitucional contra a paz e a reconciliação nacional, que fora antecipado de outro golpe espectacular, contra a debutante democracia dentro do próprio MPLA, dez anos antes, no seu Congresso de Dezembro de 1998.

Tenho garantias informais para vos dizer que a haver confusão, ela não virá da oposição e nem mesmo do verdadeiro MPLA, mas da escassa minoria que quer amedrontar algum eleitorado incómodo, que poderia evitar o reforço de um golpismo que já nos trouxe tantas surpresas desagradáveis:

Jovens e seus apoiantes de braços e cabeças partidas em manifestações pacíficas;

Míngua de água e luz em cidades, bairros e povoações, enquanto somas enormes de dinheiro são desviadas para excentricidades colectivas e individuais;

Compra e ou destruição dos maiores símbolos da nossa consciência ético-moral, cívica e religiosa;

Banalização da Lei, da Justiça e dos magistrados, que já haviam atingido um alto grau de honradez e profissionalismo, mesmo nos tempos em que cantavam as armas;

Usurpação superiormente comandada de terras ancestrais de muita gente, destruição do seu património habitacional em troca de tendas (em tempo de paz!) ou pura mata;

Tudo reforçado com o monopólio da comunicação social em todos os sentidos, até o controlo de cada uma das nossas vidas, através de familiares e exclusivas redes telefónicas;

Entre tantas e algumas delas indizíveis desgraças.

Huambo, aos 20 de Agosto de 2012

Imagem: Aléxia Gamito

“Terceira alternativa”, campanha eleitoral e eleições-2012. Por: Marcolino Moco





Trazendo para aqui uma interpretação autêntica da minha “Angola: a terceira alternativa”, em conjugação com tudo que venho afirmando, desde que apenas foi anunciado o “golpe político e jurídico-institucional” de José Eduardo dos Santos, contra a Constituição histórica de Angola, as eleições de 31 de Agosto são, desde logo, um jogo num plano inclinado, a favor do golpismo. Se se quisesse uma metáfora olímpica mais esclarecedora, diria que estamos perante um jogo em que há uma baliza de um metro de largura para o país marcar (não falo só da oposição político-partidária) e outra com, por aí, uns dez metros, para Sª Excelência o Senhor Presidente-candidato enfiar os seus estrondosos golos, calmamente.
Foi efectivamente um golpe de mestre, se analisado sob um ponto de vista daqueles que vêm a política como a “arte do possível” e quando nesse “possível”, tudo é permitido, mesmo que seja contra consensos arduamente elaborados por uma sociedade durante todo um processo histórico anterior, contra o Direito, contra toda a moral e contra qualquer tipo de ética.
Foi um golpe efectivamente fulminante, antes de mais, contra o próprio programa de um partido de grandes responsabilidades nacionais como o MPLA, regressado aos seus iniciais ideários democráticos, no princípio dos anos 90 do século passado. É esse golpe de mestre, assente em antecedentes explicitados no “Angola: a terceira alternativa”, que permitiu que José Eduardo tenha imposto um provável candidato a sua sucessão, sem dar a mínima possibilidade de disputa a outros e mais carismáticos líderes, do que hoje deveria ser um tão múltiplo e multifacetado MPLA, sem dramas.
Apesar de tudo, não tendo argumentos para contrariar o aforismo “política como a arte do possível” (mas um “possível” que deveria ser para o bem da sociedade e não de uma casta) esperava que estas eleições de 2012, que poderão, anunciadamente, servir para agravar ainda mais o nosso “plano inclinado”, podem, igualmente, constituir uma oportunidade para desagravá-lo. Por exemplo, se este Presidente perdesse ao menos a inimaginável e arrogante maioria que tem através do “sequestro” a que submete o MPLA, no qual já não é possível votar sem reforçar a arrogância, o açambarcamento à luz dia, o nepotismo, o cinismo, enfim, o desprezo total de tudo quanto não seja o “eu posso e mando”, já seria meio caminho andado para sossegar até o próprio Eng.º Manuel Vicente, que desta vez sim, estaria imune de qualquer derrube na grande área, por quem lhe passou a bola. Todos entendem o que quero dizer: o nosso verdadeiro Engenheiro, o que tem demonstrado ao longo destes anos, especialmente nos últimos 10 anos da sua “arquitectura da paz”, é que não confia em ninguém e não dá confiança a ninguém.
Mas por vezes soçobra-me esta esperança, a de ver estas tão injustas eleições, logo à  partida, virem a dar algum empurrão para uma solução de “terceira alternativa”, a que defendo no meu “livrinho verde”, não como um programa político-partidário, mas como um método de negociação, em busca do retorno ao caminho de uma sociedade suficientemente aberta, justa e de paz sustentável, sem prejuízo para ninguém, até mesmo para a própria família mandante actual; a que vem sendo despropositada e preocupantemente chamada de “família real”, sem sentidos figurados.
 E ontem soçobrou-me a esperança ao chegar a Benguela, vindo de Luanda, passando por um Amboim e Sumbe, e ter tempo para sonhar, os “sonhos” do poeta nascido nessas terras – o Viriato da Cruz – a sonhar com uma Angola africana e moderna, ao mesmo tempo!
Soçobrou-me a esperança ao encarar uma campanha eleitoral morna e insonsa da parte de todos os contendores, até mesmo, pasme-se, do dono da bola que parece nem mais precisar de marcar golos, que os golos já estão todos bem marcados. Mas o meu cambalear com a esperança aconteceu quando foi ligada uma “Radio Mais” de Benguela, transformada numa autêntica “Angola Combatente” do “Engenheiro”, onde uma bela melodia de promoção da Unitel do popular músico Matias Damásio, é mais longa e tem outra letra, já não a da promoção da Unitel, mas sim do “candidato do povo”, quer dizer, do “Engenheiro-Arquitecto” da paz e de todas as movi-e-unitéis do país e do Mundo. É isso que em países assentes em “terceiras alternativas” levaria os prevaricadores a “tribunal” constitucional ou eleitoral, em tempo de eleições. Mas aqui, em plena terra de “primeira alternativa”, os prejudicados é que são ameaçados de ir parar a tribunal e verem seus parcos espaços de campanha anulados na RNA e TPA.
É o que aconteceria comigo agora ao dizer estas coisas, tão reais como dizer que estou a escrever este texto, se fosse candidato a qualquer coisa nessas eleições, sem tempo para pensar e continuar a contribuir com as minhas ideias de genuína paz e reconciliação nacional. E alguns incautos, em silvadas mensagens de bastidores, seriam mobilizados para espalhar a ideia estereotipada dos políticos da minha região que têm o apanágio de se infiltrarem nas fileiras do “Glorioso” para traírem esta “luta que continua”, mesmo que agora, aparentemente, só sirva para bolsos encher “e contra os canhões, marchar, marchar”.
 Seria um morrer de tédio, a aturar recadinhos subliminares, a apelar para o cuidado de não denegrir Sª Ex.ª, e comprometer a paz. É o que fizeram de forma tão coordenada os “camaradas” Falcão do Secretariado do BP do MPLA e o da Silva, Presidente do CNE, a semana passada. E já colhem os resultados positivos. Com efeito, alguns partidos da oposição minimamente credível, e que sobraram da purga pré- eleitoral, morderam o isco. Deixaram de falar do que nas circunstâncias destas eleições seria uma das questões fundamentais a esclarecer: como é que à filha de um presidente cessante e candidato ao mesmo tempo, são atribuídos pela comunicação social do país e do Mundo, tantos teres e haveres de origem não explicada, nunca desmentidos, pelo contrário tão ostensivamente exibidos interna e internacionalmente? Como não falar disso agora?
Por isso, ao correr para o meu quarto de hotel para apreciar os programas de escassos 5 minutos para cada partido na TPA, tenho mais um afundamento na esperança de ver as coisas mudadas minimamente, a partir destas eleições: um partido da oposição, destes que caíram no engodo dos mandatados “camaradas” – o de que deve falar-se de “programas de futuro” e não na fortuna dos outros, que isso é denegrir a imagem dos “outros candidatos”, etc, etc,” (querem iniciar uma nova guerra, ai, ai, ai … !) – desancava impiedosamente nos “comunistas” (ainda existem?!) que assassinam filhos indesejados, nos homossexuais e ateus (também não são filhos de Deus?!) que estão trazer para esta terra o reino de satanás; anunciava por outro lado o corte radical da importação de bebidas alcoólicas (à boa maneira da Líbia de Kadafi e de outros teocráticos regimes islamitas) ao mesmo tempo que prometia a imposição de um rigoroso programa de ensino religioso (não sei de que religião, entre tantas) nas escolas, e ai daquele que o contrariar. Enfim, um belo programa para afugentar eventuais eleitores para esse partido, tão ocidentalizado e laico que é este país, até no melhor sentido, e aferrá-los a essa continuidade monolítica do “la loi c’ést moi, l’état c’est moi”, bien sur!”. Assim “não vamo-lá”! Assim mesmo, sem “s”.
Mas esperanças sempre se renovam. Para a semana haverá mais. Como se dizia no meu tempo de aluno da secundária, quando se apanhava um chumbo: − Por ano há mais! Quem sabe me levante rápido desta profunda soçobra, ainda em terras de belas misses e rúbras acácias! E terra de Pepetela, de um Paulo Jorge e outro Flores!
Benguela, 16 de Agosto de 2012
Imagem: Aléxia Gamito

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"Pomba da paz" por cima de uma eleição de cucos - William Tonet


Luanda -  Depois de o MPLA ter vindo a público pela voz do seu arauto de serviço, Rui Falcão, a queixar-se de abusos cometidos por este ou aquele partido nas intervenções que lhes são provisoriamente toleradas nos órgãos de comunicação social estatais, eis que, imitando Zorro, veio de lá a CNE ao socorro do partido dos camaradas, a repetir mais ou menos o que Rui Falcão tinha descoberto, recorrendo à sua magnífica predisposição para dar bofetadas sem mão ao espírito democrático, que nunca impugnou nem repudiou contendas verbais, por vezes assaz violentas.
Por tanto ou por tão pouco, a CNE apresentou-se na media estatal em grande, para assegurar os angolanos ter constatado que o Código de Conduta e demais Legislação Eleitoral, têm estado a ser violados e que, por tal razão está muito apreensiva com este fenómeno, pois considera que «as mensagens que devem ser transmitidas nos tempos de antena dos Partidos e Coligações de Partidos Políticos, devem ser de paz, concórdia, tranquilidade, de carácter informativo, esclarecedoras e elucidativas sobre aquilo que são as intenções dos concorrentes em relação aos seus projectos, estratégias eleitorais e manifestos».

A gravidade da situação é de tal ordem que o Plenário da CNE deliberou que «deverá criar uma comissão de trabalho que doravante estará encarregue de acompanhar todos os espaços de antena atribuídos aos concorrentes para anuir sobre a qualidade da divulgação das mensagens que estão a ser transmitidas publicamente e acompanhar se os mesmos estão a ser feitos ou não em conformidade com a Lei».E acrescenta, «Afinal, o lema para estas eleições gerais é: Vota! Pela Paz e Pela Democracia» (sic).
Façamos uma pausa para dizer o seguinte:  Foi instalada a censura na Campanha Eleitoral

A CNE, que deveria ser um órgão neutro, imparcial e rigoroso, comporta-se como um“fiscal de linha” (termo de Reginaldo Silva se não me engano), que favoriza ostensivamente um dos concorrentes. É que por trás destas admoestações perfilam-se as sanções das pretensas ilegalidades cometidas na campanha eleitoral. Essas, estão consignadas na Lei Orgânica sobre Eleições Gerais sendo uma delas a suspensão pura e simples do espaço de antena atribuído ao Partido ou Coligação de Partido prevaricador.

Diz ainda a CNE, decalcando o seu discurso pelo que foi dito por Rui Falcão, que «a oposição tem consciência clara de que poderá ter um desempenho menos consentâneo no processo eleitoral, e conduz as suas acções de captação de eleitorado, explorando e aproveitando, com violação à lei, todas as fragilidades que o país ainda apresenta, em alguns sectores socais, como o acesso a habitação, entre outros».

Trocado em miúdos, isto quer simplesmente dizer que, por exemplo, passa a ser crime se a UNITA ou a FNLA, ou outro partido qualquer, vier questionar o MPLA a propósito do paradeiro dos 32 biliões de dólares de que não se sabe ainda por-que-raio de cargas de água desapareceram e se desconhece o paradeiro.

Crime também será patentear uma indignação sentida pelos milhões de angolanos que vivem na miséria Será crime dizer que temos gente a morrer nos hospitais em que são recebidos mas não são tratados.

E ser crime lembrar que desapareceram mais de 300 milhões de dólares dos cofres do BNA e ainda não se sabe onde eles param.

Será crime grave dizer que o presidente da República viola vergonhosamente o espírito democrático ao se assumir publicamente como jogador e árbitro ao mesmo tempo.

Será crime também perguntar onde está o milhão de casas que ele prometeu em 2008.
Como será crime questionar a realidade dos 2 milhões de postos de trabalho prometidos ainda pelo mesmo senhor, que depois de tanta garganta, recusa responder a um apelo ao debate formulado pelos seus adversários políticos…

Há muito mais crimes que estes que aqui enumeramos, mas não vale a pena ir mais longe, pois para aquilo que queremos demonstrar estes crimes chegam: JES está com medo, o MPLA tem medo, a batota está por um fio, tudo pode desabar a estas eleições serem o ponto final de um verdadeiro “Great Angolan Disaster”.

Segundo Rui Falcão, de facto o mentor, ou agente mentor desta reclamação, «no dia 31 de Agosto será previsível assistir, em muitas das 25 mil mesas de voto e mais de 10 mil assembleias de voto, situações de perturbação, que serão engendradas com o propósito de impedir a contabilização dos resultados (…)». E este magnífico ilusionista verbal sai-se logo a seguir, com a melhor de todas, ao insinuar que a CASA-CE e o PRS desfrutam de tempo a mais na difusão dos seus programas partidários, «Existem provas materiais dos tempos de antena da Coligação CASA-CE e do Partido de Renovação Social, que poderão ser remetidos como queixas formais para os órgãos competentes do Estado»

Inacreditável cegueira, mas verdadeira!!
É que o MPLA tem 24 horas e 5 minutos de tempo de antena por dia, na TPA, e 24 horas e 10 minutos de tempo de antena na RNA!
E tem a mais, as inaugurações e programas tendenciosos que deveriam ser suspensos 6 ou pelo menos 3 meses antes das eleições
E tem a mais o aniversário do candidato mais antigo, juiz e árbitro ao mesmo tempo (JES não se dá conta da galhofa que ele provoca fora de fronteiras).

E tem mais o Angola FAZ, o Angola em Movimento e em todos os programas de notícias como Ecos & Factos, Bom dia Angola e outros, Angola propaganda governamental ou institucional, com uma data de gente a dizer que com este governo estão agora a viver numa miséria que se assemelha ao paraíso terreste, e que deveria de igual modo ser banida durante a campanha eleitoral...
Cegueira incurável

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Félix Miranda responde Rui Falcão, Ferreira Pinto e Jú Martins



Luanda - Perdoe-me e proteja-me Deus, perdoem-me os homens que se sentirem ofendidos ao serem alvejados por estas verdades mais velhas do que a idade de Cristo.
Fonte: Club-k.net
Respeitosamente! Excelências.

Como pacato cidadão angolano, foi com profundo pesar e imensa consternação que na companhia dos demais, tomamos conhecimento no pretérito dia 09 de Agosto do Comunicado Fúnebre emitido através da Tristemente Célebre Conferência de Imprensa que vossas excelências presidiram para proteger o Candidato José Eduardo dos Santos, a CNE e concomitantemente caucionar antecipadamente a morte dos angolanos perante vossos desígnios ditatoriais, anti-nacionalistas e asperamente saudosistas de um passado tremendamente horroroso e sinuosamente funesto. Toda a culpa do passado é vossa ou de atitudes do género: “imputar aos outros aquilo que copiosamente vocês faziam e reincidem no presente”. Nós, eu pessoalmente sou testemunha de muita malandragem que lacrou a adulterada história de Angola dos anos 1974 a 1976 e 1991 a 1993 e estende-se aos nossos dias, em que milhares foram os angolanos mortos ou atirados para as avenidas da amargura, por causa de pronunciamentos incendiários iguais aos de vossas excelências em tribuna no dia 09 de Agosto, espelho translúcido que não consegue, nem reflectir, nem esconder as ambições desmedidas e pior, a cupidez de um Apartheid camuflado, com eco na TPA, RNA e JA, para Angola e para o mundo.

Excelências doutores, homens muito bem formados, proeminentes dirigentes do MPLA! Estamos cansados de ouvirmos lições de civismo que os nossos professores que sois vós não praticam. Por isso, em nome de angolanos íntegros, permitam-me lembrar-vos se angolanos sois, que já não somos os descendentes directos de Kunta-Kinte (Toby, nome imposto pelos brancos) e de Chiken George, antepassados que celebrizaram no século XVIII a coragem e a revolta dos escravos africanos usados como mercadoria para serviços forçados no odioso comércio triangular desde o século XV, entre as Américas, a Europa e África, onde os brancos usaram a Bíblia e a Cruz de Cristo para enganar os autóctones e se apoderarem das nossas terras, raptarem e exportarem seus valorosos filhos para o desconhecido. Com esta operação, milhões de africanos desapareceram, reduzindo a população do continente negro para metade, incluindo a angolana que, de 60 milhões, passou desastrosamente para 15 milhões e hoje por este golpe tornou-se vulnerabilíssima a todo o tipo de penetração, usurpação, invasão e servilismo. Os angolanos de 2012, evoluíram consideravelmente. Hoje, tanto os formados, instruídos ou não instruídos, todos aprenderam a tomar conta de si próprios, deixaram de ser as mulas e os míopes seguidistas de outrora.

Estamos em Democracia, mas todos vocês se decidiram defender com unhas e dentes aquele que foi o nosso presidente em 33 anos, quão imaculado esteve durante todo este tempo, recorde que nem Obama nos EUA, ou Sarkozy em França, em apenas 5 anos foram capazes de quebrar. Estamos em Democracia, mas somos perseguidos de morte, simplesmente por criticar naturalmente sua Excelência o Presidente a quem recai, pelo sim, pelo não, toda a responsabilidade do bem ou do mal, do bom ou do mau protagonizado nesta terra Angola, contra ou à bem dos angolanos. Quem humano ficaria ileso de culpas, diante da regência de cerca de 20 milhões de almas, ontem indígenas, hoje cidadãos de plenos direitos? Queira Deus ter pecado ao criar homens com suas diferenças de defeitos ou qualidades que nos levam as divergências e por tal aos excessos de zelo e acometimentos de crimes de mando.

Disse Gervásio, meu amigo: “Já morremos muito pela estupidez de nos enganarmos uns aos outros e de pensarmos que Angola pertencia a um Deus Humano, desembarcado de pára-quedas do Céu ou dos infernos, sem pelo purgatório ter passado, pelo que o sacrifício a consentir pelos angolanos, seria em honra de criaturas pré-destinadas por Deus a humilhar e maltratar milhões de outros”.

BASTA, meus senhores! Somos angolanos, sim senhor, temos direito a governar também e a usufruir das riquezas, tal como todos vocês e em muitos casos, mais do que! Porque razão, havemos de ser eternamente submissos, considerados párias, inquilinos em nossa própria TERRA?
Civilizado não significa apenas andar com fato e gravata. Estamos em plena campanha eleitoral, acto sublime civilizacional, propício para mostrarmos o nosso valor como quadros, cabeças pensantes, dotados de conhecimentos científicos na verdadeira Aldeia Global, esta da civilização caracterizada pelos pergaminhos da DEMOCRACIA nos seus múltiplos estádios, que nega as formas de governos monárquicos, absolutistas e vitalícios, cujo objectivo visa marginalizar todos os outros, impondo uma sucessão de poder por meio da hereditariedade, com um Rei que impõe um Delfim “herdeiro” que pisa todos os outros com muito mais capacidades ou legitimidade. Este mundo civilizado não aceita o simulacro de um sistema de governação sem nome, baseado na consagração de eleições antecipadamente fraudulentas, unicamente para caucionar a impostura. Porque razão meus senhores entoam cânticos de vitória antecipada, falam de eleições transparentes, quando não aceitam verificações da lisura arvorada e deixam todo um processo se encharcar de evasivas e zonas escuras?

A civilização a que me refiro e que bem gostaríamos ter vossas  excelências como mestres com experiência pelos 37 anos de governação, recomenda o Debate, com a Crítica e Auto-crítica; não só com exposição de projectos de sociedade por meio de dissertações idílicas de poetas
alucinados, ou de bons samaritanos supostamente indulgentes, finalmente imundos. A civilização da nova Era requer acima de tudo o Debate Directo e em confrontação no contraditório e ao vivo, com a participação também directa dos cidadãos estruturados com a latitude de intercederem e interceptarem os governantes para se certificarem do bem fundado daquilo que cada um propõe para os cinco anos enquanto governarem. Isto pressupõe tolerância, humildade intelectual, transparência, capacidade de coabitarem na diversidade e aceitarem a alternância, não somente política, mas essencialmente multipartidária; não de meninos encomendados, mas de homens ou mulheres que se sobrepõem de forma civilizada ao veredicto do povo, sem aldrabices, hoje fundamento incontornável para a evolução das sociedades, concomitantemente dos povos. Isto não acontece, os presunçosos dirigentes desprezam os debates_ e aqueles que neles participam, premissa de democracia nas sociedades civilizadas e avançadas que vos acolhe todos os dias quando desceis dos aviões em busca de conforto que nunca em Angola houve, onde o Músico DOG MURRAS, diz: “Angola do Hunku-Hunku, onde o dirigente que diz defender o povo, não baixa o vidro ao Zé Povinho”, onde o cidadão só tem valor nas vésperas das eleições, onde se oferece aos autóctones casas de esferovites, etc.

Pedimos perdão, peço imensas desculpas, mas estamos feridos, estou ferido, é demais, 37 anos passados, sem nenhuma evolução na proporcionalidade; não está correcto. Ofereçam-se aos debates directos nas televisões ou rádios, pois o povo vos quer conhecer, quer saber realmente quem sois!? Como mandam as regras democráticas, não tenhais medo, desçam do pedestal e confrontem os verbos com a realidade prática. Disse igualmente Gervásio: “Incrivelmente, aqueles que nos dão lições, se furtam a se penitenciarem de descalabros normais de quem governa homens na Terra, quanto mais não seja por mais de três décadas”.

Quanto a estes pressupostos, os camaradas do MPLA, vossas excelências estão muito longe. E, provavelmente pelos males provocados, procuram incendiar a pradaria por um simples senão e de forma matreira para esconderem os males, atribuem sempre aos outros o que programam nos corredores, dão culpas aos outros de guerras que foram programadas nos labirintos da URSS e na Ilha de Fidel de Castro.

O que os doutores Rui Falcão e Jú Martins fizeram nessa infeliz Conferência de Imprensa do dia 09 em pleno século XXI, foi somente para confirmar o que se reserva aos angolanos desta simbiose atómica cujos ingredientes (nepotismo, autoritarismo, despotismo, oligarquia) aniquilaram a alma patriótica e reduziram ao longo dos 37 anos milhões de angolanos ao servilismo físico e de consciência, pior aos dos tempos de Kunta Kinte, três séculos passados.

Vivo em dois mundos diferentes, constato com tristeza que o de África, portanto o de Angola, ainda se assemelha a uma selva com a lei do mais forte, onde os animais se devoram uns aos outros. Mas não é por sermos africanos que nos devemos assemelhar assim tanto aos irracionais. As regras do jogo democrático, não são ditadas de forma avulsa e individual, elas dimanam de normas constitucionais aceites na legalidade, mesmo não sendo legitimas. Por isso, caros doutores, gente civilizada, deixem de inventar fantasmas e urdir cenários das trevas. O Mundo sabe, meus senhores também, quem mais precisa da PAZ, somos todos nós outros; quem mais roga pela instabilidade, sois vós, como acontece agora ao orientarem vossos activistas a colarem panfletos nas paredes das sedes de outros partidos, estas e outras malabarices para justificarem a intimidação e repressão que faz a vossa força e assegura a continuidade do calvário que nos faz todos gemer, desde a noite dessa independência amaldiçoada. O facto de virem a público verter lágrimas de crocodilo e ao pretenderem vender a imagem de anjos da guarda, é insensato, quando sabem bem que o papel de vítimas não vos encaixa.

Ainda Gervásio, amigo no exílio quase fatídico: “Já morremos muito, ficamos muito poucos, para partilhar as infindáveis riquezas que Deus atribuiu a este povo. Se formos todos civilizados, cada angolano terá direito sim senhor a uma casa, formação, um emprego condigno, subsídio de saúde, um carro e uns trocos para passear pelo mundo fora e distribuir o amor verdadeiro, não o comprometido e esboçar sorriso de contente, não para afugentar a dor. Deixem os outros provar o contrário da indecência, fazer em apenas 5 anos, aquilo que não fizestes em 37 (proporcionar o bem-estar para a maioria dos angolanos)”.

Bem-haja Angola! Perdoem-nos o propósito, mas sejam sinceros às vossas reais intenções, se realmente sois reputados a nos dirigir e a mostrar ao mundo que realmente governais, sem vergonha, ou melhor com o maior dos orgulhos, um povo que bem merece ter como representantes, mulheres e homens exemplares.
Tenho Dito!