sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Eleições, reconciliação nacional e “terceira alternativa”. Marcolino Moco



Voltasse o tempo para trás, e revivesse o 4 de Abril de 2002, não me imaginaria hoje a escrever este texto, em pleno período eleitoral, dez anos depois do reacender de esperanças que aquele dia trouxe, após cerca de 40 anos de guerras de libertação nacional, umas, e fratricidas, outras. Neste momento imaginar-me-ia calmo e sereno a espera do dia de colocar o meu boletim de voto numa urna, a favor do candidato da minha preferência para
presidenciais, ou do meu partido em legislativas, nos termos duma Constituição resultante de anteriores consensos nacionais, arduamente reunidos.

Mas não. Tenho de acordar por essas horas, abandonados os projectos de outros de tipos de literatura, para estar aqui debruçado sobre estas eleições ensombradas com perspectivas de manifestações contra correntes e possíveis fraudes; e por outras legítimas manifestações, por problemas sociais não resolvidos em tempo oportuno, devido a prioridades castiças; com compatriotas meus a pedir-me “um conselho de mais velho” no facebook e nas conversas do dia-a-dia, sobre se vale a pena ou não permanecer nesta ou naquela cidade, no dia 31 de Agosto e proximidades. E um panfleto electrónico cobarde a invocar discursos de “somalizações de Angola” proferidos há vinte anos, em contextos completamente ultrapassados.

É agora que se vê tão claro, como vejo este laptop em que teclo, a falha rotunda da “arquitectura da paz” do Presidente José Eduardo dos Santos, ele próprio envolvido numa campanha anti-reconciliatória, com a necessidade premente de voltar à gastíssima tecla da invocação inconsequente, quiçá, perigosa dos que “partiram o país”. Uma campanha em que, por razoabilidade histórica, em inícios da segunda década do século XXI, ao perfazer 70 anos de vida e 33 anos de poder efectivo, até por respeito à sua própria palavra, já não devia participar. E tudo estaria muito muito bem, sem qualquer tipo de colapso daqueles que vaticina o autor do barato e anacrónico panfleto electrónico, caso a oposição tenha um bom resultado nestas eleições que se realizam num escandaloso “ plano inclinado” a seu desfavor.

É hoje que vivemos, de facto, as consequências da partida prematura de Neto que, apesar dos erros, em contextos em que dificilmente um homem do seu tempo e carácter contornaria, nos deixou um sinal claro de uma liderança criativa; e mesmo um sinal de arrependimento sobre os seus equívocos humanos, em direcção a uma verdadeira reconciliação nacional.
Não partisse Neto tão cedo, acredito hoje que com Holden Roberto (que cedo entendeu que nada se ganhava com lutas fratricidas) e mesmo com Jonas Savimbi, cujas motivações do tumultuado pensamento e acção política começam agora a ser reavaliados, teríamos hoje uma Angola diferente daqui temos hoje, onde nenhuma liderança consegue erguer-se acima sequer de meros interesses familiares, num país onde tudo chegaria para todos. E é pena!

Como é que é ainda hoje necessário que um partido tão grande, como o MPLA, tenha de rebuscar discursos incendiários do passado, para ganhar eleições, criando pretextos para que a oposição faça o mesmo, renovando ódios e desestabilizando o futuro?

Mas nunca “tudo está perdido”. Lideranças abertas e criativas hão-de acontecer em Angola.
Terão de acontecer. Por isso já consegui recupera-me da recaída de Benguela para escrever este texto. Nem voltei a soçobrar, quando jovens do Huambo me apresentaram aqueles semblantes derreados numa aparentemente insuperável incredulidade no futuro, em conferência que lhes proferia sobre “O perfil económico e social da província do Huambo”,
com as minhas ideias optimistas sobre o ulterior desenvolvimento do Província, com a reabilitação do CFB e requalificação da Barragem do Gove.

Por isso escrevi “Angola: a terceira alternativa”, deixando a minha contribuição para o reencontrar de caminhos perdidos, em direcção a uma Angola verdadeiramente reconciliada na sua diversidade e unidade desejadas e possíveis.

Em “Angola: a terceira alternativa” falo sobretudo do que se pode e deve fazer, independentemente do que resultar destas eleições, para nos libertamos do autoritarismo por vezes “sorridente” que vivemos hoje em Angola. Mas falo também do que ainda assim se pode e deve fazer nestas eleições para, quanto mais não seja, aliviarmos este regime que muitos, com toda a razão, já chamam, no mínimo, de ditadura de disfarçada terminologia democrática.

O meu conselho de “mais velho” aos que mo pedem, é que não abandonemos cidade nenhuma e votemos contra o que demais grave aconteceu neste país depois das eleições legislativas de 2008: um golpe jurídico-constitucional contra a paz e a reconciliação nacional, que fora antecipado de outro golpe espectacular, contra a debutante democracia dentro do próprio MPLA, dez anos antes, no seu Congresso de Dezembro de 1998.

Tenho garantias informais para vos dizer que a haver confusão, ela não virá da oposição e nem mesmo do verdadeiro MPLA, mas da escassa minoria que quer amedrontar algum eleitorado incómodo, que poderia evitar o reforço de um golpismo que já nos trouxe tantas surpresas desagradáveis:

Jovens e seus apoiantes de braços e cabeças partidas em manifestações pacíficas;

Míngua de água e luz em cidades, bairros e povoações, enquanto somas enormes de dinheiro são desviadas para excentricidades colectivas e individuais;

Compra e ou destruição dos maiores símbolos da nossa consciência ético-moral, cívica e religiosa;

Banalização da Lei, da Justiça e dos magistrados, que já haviam atingido um alto grau de honradez e profissionalismo, mesmo nos tempos em que cantavam as armas;

Usurpação superiormente comandada de terras ancestrais de muita gente, destruição do seu património habitacional em troca de tendas (em tempo de paz!) ou pura mata;

Tudo reforçado com o monopólio da comunicação social em todos os sentidos, até o controlo de cada uma das nossas vidas, através de familiares e exclusivas redes telefónicas;

Entre tantas e algumas delas indizíveis desgraças.

Huambo, aos 20 de Agosto de 2012

Imagem: Aléxia Gamito

“Terceira alternativa”, campanha eleitoral e eleições-2012. Por: Marcolino Moco





Trazendo para aqui uma interpretação autêntica da minha “Angola: a terceira alternativa”, em conjugação com tudo que venho afirmando, desde que apenas foi anunciado o “golpe político e jurídico-institucional” de José Eduardo dos Santos, contra a Constituição histórica de Angola, as eleições de 31 de Agosto são, desde logo, um jogo num plano inclinado, a favor do golpismo. Se se quisesse uma metáfora olímpica mais esclarecedora, diria que estamos perante um jogo em que há uma baliza de um metro de largura para o país marcar (não falo só da oposição político-partidária) e outra com, por aí, uns dez metros, para Sª Excelência o Senhor Presidente-candidato enfiar os seus estrondosos golos, calmamente.
Foi efectivamente um golpe de mestre, se analisado sob um ponto de vista daqueles que vêm a política como a “arte do possível” e quando nesse “possível”, tudo é permitido, mesmo que seja contra consensos arduamente elaborados por uma sociedade durante todo um processo histórico anterior, contra o Direito, contra toda a moral e contra qualquer tipo de ética.
Foi um golpe efectivamente fulminante, antes de mais, contra o próprio programa de um partido de grandes responsabilidades nacionais como o MPLA, regressado aos seus iniciais ideários democráticos, no princípio dos anos 90 do século passado. É esse golpe de mestre, assente em antecedentes explicitados no “Angola: a terceira alternativa”, que permitiu que José Eduardo tenha imposto um provável candidato a sua sucessão, sem dar a mínima possibilidade de disputa a outros e mais carismáticos líderes, do que hoje deveria ser um tão múltiplo e multifacetado MPLA, sem dramas.
Apesar de tudo, não tendo argumentos para contrariar o aforismo “política como a arte do possível” (mas um “possível” que deveria ser para o bem da sociedade e não de uma casta) esperava que estas eleições de 2012, que poderão, anunciadamente, servir para agravar ainda mais o nosso “plano inclinado”, podem, igualmente, constituir uma oportunidade para desagravá-lo. Por exemplo, se este Presidente perdesse ao menos a inimaginável e arrogante maioria que tem através do “sequestro” a que submete o MPLA, no qual já não é possível votar sem reforçar a arrogância, o açambarcamento à luz dia, o nepotismo, o cinismo, enfim, o desprezo total de tudo quanto não seja o “eu posso e mando”, já seria meio caminho andado para sossegar até o próprio Eng.º Manuel Vicente, que desta vez sim, estaria imune de qualquer derrube na grande área, por quem lhe passou a bola. Todos entendem o que quero dizer: o nosso verdadeiro Engenheiro, o que tem demonstrado ao longo destes anos, especialmente nos últimos 10 anos da sua “arquitectura da paz”, é que não confia em ninguém e não dá confiança a ninguém.
Mas por vezes soçobra-me esta esperança, a de ver estas tão injustas eleições, logo à  partida, virem a dar algum empurrão para uma solução de “terceira alternativa”, a que defendo no meu “livrinho verde”, não como um programa político-partidário, mas como um método de negociação, em busca do retorno ao caminho de uma sociedade suficientemente aberta, justa e de paz sustentável, sem prejuízo para ninguém, até mesmo para a própria família mandante actual; a que vem sendo despropositada e preocupantemente chamada de “família real”, sem sentidos figurados.
 E ontem soçobrou-me a esperança ao chegar a Benguela, vindo de Luanda, passando por um Amboim e Sumbe, e ter tempo para sonhar, os “sonhos” do poeta nascido nessas terras – o Viriato da Cruz – a sonhar com uma Angola africana e moderna, ao mesmo tempo!
Soçobrou-me a esperança ao encarar uma campanha eleitoral morna e insonsa da parte de todos os contendores, até mesmo, pasme-se, do dono da bola que parece nem mais precisar de marcar golos, que os golos já estão todos bem marcados. Mas o meu cambalear com a esperança aconteceu quando foi ligada uma “Radio Mais” de Benguela, transformada numa autêntica “Angola Combatente” do “Engenheiro”, onde uma bela melodia de promoção da Unitel do popular músico Matias Damásio, é mais longa e tem outra letra, já não a da promoção da Unitel, mas sim do “candidato do povo”, quer dizer, do “Engenheiro-Arquitecto” da paz e de todas as movi-e-unitéis do país e do Mundo. É isso que em países assentes em “terceiras alternativas” levaria os prevaricadores a “tribunal” constitucional ou eleitoral, em tempo de eleições. Mas aqui, em plena terra de “primeira alternativa”, os prejudicados é que são ameaçados de ir parar a tribunal e verem seus parcos espaços de campanha anulados na RNA e TPA.
É o que aconteceria comigo agora ao dizer estas coisas, tão reais como dizer que estou a escrever este texto, se fosse candidato a qualquer coisa nessas eleições, sem tempo para pensar e continuar a contribuir com as minhas ideias de genuína paz e reconciliação nacional. E alguns incautos, em silvadas mensagens de bastidores, seriam mobilizados para espalhar a ideia estereotipada dos políticos da minha região que têm o apanágio de se infiltrarem nas fileiras do “Glorioso” para traírem esta “luta que continua”, mesmo que agora, aparentemente, só sirva para bolsos encher “e contra os canhões, marchar, marchar”.
 Seria um morrer de tédio, a aturar recadinhos subliminares, a apelar para o cuidado de não denegrir Sª Ex.ª, e comprometer a paz. É o que fizeram de forma tão coordenada os “camaradas” Falcão do Secretariado do BP do MPLA e o da Silva, Presidente do CNE, a semana passada. E já colhem os resultados positivos. Com efeito, alguns partidos da oposição minimamente credível, e que sobraram da purga pré- eleitoral, morderam o isco. Deixaram de falar do que nas circunstâncias destas eleições seria uma das questões fundamentais a esclarecer: como é que à filha de um presidente cessante e candidato ao mesmo tempo, são atribuídos pela comunicação social do país e do Mundo, tantos teres e haveres de origem não explicada, nunca desmentidos, pelo contrário tão ostensivamente exibidos interna e internacionalmente? Como não falar disso agora?
Por isso, ao correr para o meu quarto de hotel para apreciar os programas de escassos 5 minutos para cada partido na TPA, tenho mais um afundamento na esperança de ver as coisas mudadas minimamente, a partir destas eleições: um partido da oposição, destes que caíram no engodo dos mandatados “camaradas” – o de que deve falar-se de “programas de futuro” e não na fortuna dos outros, que isso é denegrir a imagem dos “outros candidatos”, etc, etc,” (querem iniciar uma nova guerra, ai, ai, ai … !) – desancava impiedosamente nos “comunistas” (ainda existem?!) que assassinam filhos indesejados, nos homossexuais e ateus (também não são filhos de Deus?!) que estão trazer para esta terra o reino de satanás; anunciava por outro lado o corte radical da importação de bebidas alcoólicas (à boa maneira da Líbia de Kadafi e de outros teocráticos regimes islamitas) ao mesmo tempo que prometia a imposição de um rigoroso programa de ensino religioso (não sei de que religião, entre tantas) nas escolas, e ai daquele que o contrariar. Enfim, um belo programa para afugentar eventuais eleitores para esse partido, tão ocidentalizado e laico que é este país, até no melhor sentido, e aferrá-los a essa continuidade monolítica do “la loi c’ést moi, l’état c’est moi”, bien sur!”. Assim “não vamo-lá”! Assim mesmo, sem “s”.
Mas esperanças sempre se renovam. Para a semana haverá mais. Como se dizia no meu tempo de aluno da secundária, quando se apanhava um chumbo: − Por ano há mais! Quem sabe me levante rápido desta profunda soçobra, ainda em terras de belas misses e rúbras acácias! E terra de Pepetela, de um Paulo Jorge e outro Flores!
Benguela, 16 de Agosto de 2012
Imagem: Aléxia Gamito

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

"Pomba da paz" por cima de uma eleição de cucos - William Tonet


Luanda -  Depois de o MPLA ter vindo a público pela voz do seu arauto de serviço, Rui Falcão, a queixar-se de abusos cometidos por este ou aquele partido nas intervenções que lhes são provisoriamente toleradas nos órgãos de comunicação social estatais, eis que, imitando Zorro, veio de lá a CNE ao socorro do partido dos camaradas, a repetir mais ou menos o que Rui Falcão tinha descoberto, recorrendo à sua magnífica predisposição para dar bofetadas sem mão ao espírito democrático, que nunca impugnou nem repudiou contendas verbais, por vezes assaz violentas.
Por tanto ou por tão pouco, a CNE apresentou-se na media estatal em grande, para assegurar os angolanos ter constatado que o Código de Conduta e demais Legislação Eleitoral, têm estado a ser violados e que, por tal razão está muito apreensiva com este fenómeno, pois considera que «as mensagens que devem ser transmitidas nos tempos de antena dos Partidos e Coligações de Partidos Políticos, devem ser de paz, concórdia, tranquilidade, de carácter informativo, esclarecedoras e elucidativas sobre aquilo que são as intenções dos concorrentes em relação aos seus projectos, estratégias eleitorais e manifestos».

A gravidade da situação é de tal ordem que o Plenário da CNE deliberou que «deverá criar uma comissão de trabalho que doravante estará encarregue de acompanhar todos os espaços de antena atribuídos aos concorrentes para anuir sobre a qualidade da divulgação das mensagens que estão a ser transmitidas publicamente e acompanhar se os mesmos estão a ser feitos ou não em conformidade com a Lei».E acrescenta, «Afinal, o lema para estas eleições gerais é: Vota! Pela Paz e Pela Democracia» (sic).
Façamos uma pausa para dizer o seguinte:  Foi instalada a censura na Campanha Eleitoral

A CNE, que deveria ser um órgão neutro, imparcial e rigoroso, comporta-se como um“fiscal de linha” (termo de Reginaldo Silva se não me engano), que favoriza ostensivamente um dos concorrentes. É que por trás destas admoestações perfilam-se as sanções das pretensas ilegalidades cometidas na campanha eleitoral. Essas, estão consignadas na Lei Orgânica sobre Eleições Gerais sendo uma delas a suspensão pura e simples do espaço de antena atribuído ao Partido ou Coligação de Partido prevaricador.

Diz ainda a CNE, decalcando o seu discurso pelo que foi dito por Rui Falcão, que «a oposição tem consciência clara de que poderá ter um desempenho menos consentâneo no processo eleitoral, e conduz as suas acções de captação de eleitorado, explorando e aproveitando, com violação à lei, todas as fragilidades que o país ainda apresenta, em alguns sectores socais, como o acesso a habitação, entre outros».

Trocado em miúdos, isto quer simplesmente dizer que, por exemplo, passa a ser crime se a UNITA ou a FNLA, ou outro partido qualquer, vier questionar o MPLA a propósito do paradeiro dos 32 biliões de dólares de que não se sabe ainda por-que-raio de cargas de água desapareceram e se desconhece o paradeiro.

Crime também será patentear uma indignação sentida pelos milhões de angolanos que vivem na miséria Será crime dizer que temos gente a morrer nos hospitais em que são recebidos mas não são tratados.

E ser crime lembrar que desapareceram mais de 300 milhões de dólares dos cofres do BNA e ainda não se sabe onde eles param.

Será crime grave dizer que o presidente da República viola vergonhosamente o espírito democrático ao se assumir publicamente como jogador e árbitro ao mesmo tempo.

Será crime também perguntar onde está o milhão de casas que ele prometeu em 2008.
Como será crime questionar a realidade dos 2 milhões de postos de trabalho prometidos ainda pelo mesmo senhor, que depois de tanta garganta, recusa responder a um apelo ao debate formulado pelos seus adversários políticos…

Há muito mais crimes que estes que aqui enumeramos, mas não vale a pena ir mais longe, pois para aquilo que queremos demonstrar estes crimes chegam: JES está com medo, o MPLA tem medo, a batota está por um fio, tudo pode desabar a estas eleições serem o ponto final de um verdadeiro “Great Angolan Disaster”.

Segundo Rui Falcão, de facto o mentor, ou agente mentor desta reclamação, «no dia 31 de Agosto será previsível assistir, em muitas das 25 mil mesas de voto e mais de 10 mil assembleias de voto, situações de perturbação, que serão engendradas com o propósito de impedir a contabilização dos resultados (…)». E este magnífico ilusionista verbal sai-se logo a seguir, com a melhor de todas, ao insinuar que a CASA-CE e o PRS desfrutam de tempo a mais na difusão dos seus programas partidários, «Existem provas materiais dos tempos de antena da Coligação CASA-CE e do Partido de Renovação Social, que poderão ser remetidos como queixas formais para os órgãos competentes do Estado»

Inacreditável cegueira, mas verdadeira!!
É que o MPLA tem 24 horas e 5 minutos de tempo de antena por dia, na TPA, e 24 horas e 10 minutos de tempo de antena na RNA!
E tem a mais, as inaugurações e programas tendenciosos que deveriam ser suspensos 6 ou pelo menos 3 meses antes das eleições
E tem a mais o aniversário do candidato mais antigo, juiz e árbitro ao mesmo tempo (JES não se dá conta da galhofa que ele provoca fora de fronteiras).

E tem mais o Angola FAZ, o Angola em Movimento e em todos os programas de notícias como Ecos & Factos, Bom dia Angola e outros, Angola propaganda governamental ou institucional, com uma data de gente a dizer que com este governo estão agora a viver numa miséria que se assemelha ao paraíso terreste, e que deveria de igual modo ser banida durante a campanha eleitoral...
Cegueira incurável

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Félix Miranda responde Rui Falcão, Ferreira Pinto e Jú Martins



Luanda - Perdoe-me e proteja-me Deus, perdoem-me os homens que se sentirem ofendidos ao serem alvejados por estas verdades mais velhas do que a idade de Cristo.
Fonte: Club-k.net
Respeitosamente! Excelências.

Como pacato cidadão angolano, foi com profundo pesar e imensa consternação que na companhia dos demais, tomamos conhecimento no pretérito dia 09 de Agosto do Comunicado Fúnebre emitido através da Tristemente Célebre Conferência de Imprensa que vossas excelências presidiram para proteger o Candidato José Eduardo dos Santos, a CNE e concomitantemente caucionar antecipadamente a morte dos angolanos perante vossos desígnios ditatoriais, anti-nacionalistas e asperamente saudosistas de um passado tremendamente horroroso e sinuosamente funesto. Toda a culpa do passado é vossa ou de atitudes do género: “imputar aos outros aquilo que copiosamente vocês faziam e reincidem no presente”. Nós, eu pessoalmente sou testemunha de muita malandragem que lacrou a adulterada história de Angola dos anos 1974 a 1976 e 1991 a 1993 e estende-se aos nossos dias, em que milhares foram os angolanos mortos ou atirados para as avenidas da amargura, por causa de pronunciamentos incendiários iguais aos de vossas excelências em tribuna no dia 09 de Agosto, espelho translúcido que não consegue, nem reflectir, nem esconder as ambições desmedidas e pior, a cupidez de um Apartheid camuflado, com eco na TPA, RNA e JA, para Angola e para o mundo.

Excelências doutores, homens muito bem formados, proeminentes dirigentes do MPLA! Estamos cansados de ouvirmos lições de civismo que os nossos professores que sois vós não praticam. Por isso, em nome de angolanos íntegros, permitam-me lembrar-vos se angolanos sois, que já não somos os descendentes directos de Kunta-Kinte (Toby, nome imposto pelos brancos) e de Chiken George, antepassados que celebrizaram no século XVIII a coragem e a revolta dos escravos africanos usados como mercadoria para serviços forçados no odioso comércio triangular desde o século XV, entre as Américas, a Europa e África, onde os brancos usaram a Bíblia e a Cruz de Cristo para enganar os autóctones e se apoderarem das nossas terras, raptarem e exportarem seus valorosos filhos para o desconhecido. Com esta operação, milhões de africanos desapareceram, reduzindo a população do continente negro para metade, incluindo a angolana que, de 60 milhões, passou desastrosamente para 15 milhões e hoje por este golpe tornou-se vulnerabilíssima a todo o tipo de penetração, usurpação, invasão e servilismo. Os angolanos de 2012, evoluíram consideravelmente. Hoje, tanto os formados, instruídos ou não instruídos, todos aprenderam a tomar conta de si próprios, deixaram de ser as mulas e os míopes seguidistas de outrora.

Estamos em Democracia, mas todos vocês se decidiram defender com unhas e dentes aquele que foi o nosso presidente em 33 anos, quão imaculado esteve durante todo este tempo, recorde que nem Obama nos EUA, ou Sarkozy em França, em apenas 5 anos foram capazes de quebrar. Estamos em Democracia, mas somos perseguidos de morte, simplesmente por criticar naturalmente sua Excelência o Presidente a quem recai, pelo sim, pelo não, toda a responsabilidade do bem ou do mal, do bom ou do mau protagonizado nesta terra Angola, contra ou à bem dos angolanos. Quem humano ficaria ileso de culpas, diante da regência de cerca de 20 milhões de almas, ontem indígenas, hoje cidadãos de plenos direitos? Queira Deus ter pecado ao criar homens com suas diferenças de defeitos ou qualidades que nos levam as divergências e por tal aos excessos de zelo e acometimentos de crimes de mando.

Disse Gervásio, meu amigo: “Já morremos muito pela estupidez de nos enganarmos uns aos outros e de pensarmos que Angola pertencia a um Deus Humano, desembarcado de pára-quedas do Céu ou dos infernos, sem pelo purgatório ter passado, pelo que o sacrifício a consentir pelos angolanos, seria em honra de criaturas pré-destinadas por Deus a humilhar e maltratar milhões de outros”.

BASTA, meus senhores! Somos angolanos, sim senhor, temos direito a governar também e a usufruir das riquezas, tal como todos vocês e em muitos casos, mais do que! Porque razão, havemos de ser eternamente submissos, considerados párias, inquilinos em nossa própria TERRA?
Civilizado não significa apenas andar com fato e gravata. Estamos em plena campanha eleitoral, acto sublime civilizacional, propício para mostrarmos o nosso valor como quadros, cabeças pensantes, dotados de conhecimentos científicos na verdadeira Aldeia Global, esta da civilização caracterizada pelos pergaminhos da DEMOCRACIA nos seus múltiplos estádios, que nega as formas de governos monárquicos, absolutistas e vitalícios, cujo objectivo visa marginalizar todos os outros, impondo uma sucessão de poder por meio da hereditariedade, com um Rei que impõe um Delfim “herdeiro” que pisa todos os outros com muito mais capacidades ou legitimidade. Este mundo civilizado não aceita o simulacro de um sistema de governação sem nome, baseado na consagração de eleições antecipadamente fraudulentas, unicamente para caucionar a impostura. Porque razão meus senhores entoam cânticos de vitória antecipada, falam de eleições transparentes, quando não aceitam verificações da lisura arvorada e deixam todo um processo se encharcar de evasivas e zonas escuras?

A civilização a que me refiro e que bem gostaríamos ter vossas  excelências como mestres com experiência pelos 37 anos de governação, recomenda o Debate, com a Crítica e Auto-crítica; não só com exposição de projectos de sociedade por meio de dissertações idílicas de poetas
alucinados, ou de bons samaritanos supostamente indulgentes, finalmente imundos. A civilização da nova Era requer acima de tudo o Debate Directo e em confrontação no contraditório e ao vivo, com a participação também directa dos cidadãos estruturados com a latitude de intercederem e interceptarem os governantes para se certificarem do bem fundado daquilo que cada um propõe para os cinco anos enquanto governarem. Isto pressupõe tolerância, humildade intelectual, transparência, capacidade de coabitarem na diversidade e aceitarem a alternância, não somente política, mas essencialmente multipartidária; não de meninos encomendados, mas de homens ou mulheres que se sobrepõem de forma civilizada ao veredicto do povo, sem aldrabices, hoje fundamento incontornável para a evolução das sociedades, concomitantemente dos povos. Isto não acontece, os presunçosos dirigentes desprezam os debates_ e aqueles que neles participam, premissa de democracia nas sociedades civilizadas e avançadas que vos acolhe todos os dias quando desceis dos aviões em busca de conforto que nunca em Angola houve, onde o Músico DOG MURRAS, diz: “Angola do Hunku-Hunku, onde o dirigente que diz defender o povo, não baixa o vidro ao Zé Povinho”, onde o cidadão só tem valor nas vésperas das eleições, onde se oferece aos autóctones casas de esferovites, etc.

Pedimos perdão, peço imensas desculpas, mas estamos feridos, estou ferido, é demais, 37 anos passados, sem nenhuma evolução na proporcionalidade; não está correcto. Ofereçam-se aos debates directos nas televisões ou rádios, pois o povo vos quer conhecer, quer saber realmente quem sois!? Como mandam as regras democráticas, não tenhais medo, desçam do pedestal e confrontem os verbos com a realidade prática. Disse igualmente Gervásio: “Incrivelmente, aqueles que nos dão lições, se furtam a se penitenciarem de descalabros normais de quem governa homens na Terra, quanto mais não seja por mais de três décadas”.

Quanto a estes pressupostos, os camaradas do MPLA, vossas excelências estão muito longe. E, provavelmente pelos males provocados, procuram incendiar a pradaria por um simples senão e de forma matreira para esconderem os males, atribuem sempre aos outros o que programam nos corredores, dão culpas aos outros de guerras que foram programadas nos labirintos da URSS e na Ilha de Fidel de Castro.

O que os doutores Rui Falcão e Jú Martins fizeram nessa infeliz Conferência de Imprensa do dia 09 em pleno século XXI, foi somente para confirmar o que se reserva aos angolanos desta simbiose atómica cujos ingredientes (nepotismo, autoritarismo, despotismo, oligarquia) aniquilaram a alma patriótica e reduziram ao longo dos 37 anos milhões de angolanos ao servilismo físico e de consciência, pior aos dos tempos de Kunta Kinte, três séculos passados.

Vivo em dois mundos diferentes, constato com tristeza que o de África, portanto o de Angola, ainda se assemelha a uma selva com a lei do mais forte, onde os animais se devoram uns aos outros. Mas não é por sermos africanos que nos devemos assemelhar assim tanto aos irracionais. As regras do jogo democrático, não são ditadas de forma avulsa e individual, elas dimanam de normas constitucionais aceites na legalidade, mesmo não sendo legitimas. Por isso, caros doutores, gente civilizada, deixem de inventar fantasmas e urdir cenários das trevas. O Mundo sabe, meus senhores também, quem mais precisa da PAZ, somos todos nós outros; quem mais roga pela instabilidade, sois vós, como acontece agora ao orientarem vossos activistas a colarem panfletos nas paredes das sedes de outros partidos, estas e outras malabarices para justificarem a intimidação e repressão que faz a vossa força e assegura a continuidade do calvário que nos faz todos gemer, desde a noite dessa independência amaldiçoada. O facto de virem a público verter lágrimas de crocodilo e ao pretenderem vender a imagem de anjos da guarda, é insensato, quando sabem bem que o papel de vítimas não vos encaixa.

Ainda Gervásio, amigo no exílio quase fatídico: “Já morremos muito, ficamos muito poucos, para partilhar as infindáveis riquezas que Deus atribuiu a este povo. Se formos todos civilizados, cada angolano terá direito sim senhor a uma casa, formação, um emprego condigno, subsídio de saúde, um carro e uns trocos para passear pelo mundo fora e distribuir o amor verdadeiro, não o comprometido e esboçar sorriso de contente, não para afugentar a dor. Deixem os outros provar o contrário da indecência, fazer em apenas 5 anos, aquilo que não fizestes em 37 (proporcionar o bem-estar para a maioria dos angolanos)”.

Bem-haja Angola! Perdoem-nos o propósito, mas sejam sinceros às vossas reais intenções, se realmente sois reputados a nos dirigir e a mostrar ao mundo que realmente governais, sem vergonha, ou melhor com o maior dos orgulhos, um povo que bem merece ter como representantes, mulheres e homens exemplares.
Tenho Dito!

sábado, 18 de agosto de 2012

O Milagre Rarefeito. António Kaquarta



 “O mundo viveu sempre guerras terríveis, destruidoras e mortíferas, como são todas as guerras” A razão de ser desses acontecimentos tão catastróficos teve origem, na grande maioria dos casos, por existirem pessoas de desonestidade moral e intelectual, como é o caso do José Ribeiro do Jornal de Angola,  que, para efeitos de propaganda fanática, deturpa factos e realidades históricas.  O Ribeiro é uma fraude  em jornalismo, em história, em sociologia e em outras ciências sociais. O Ribeiro, não é jornalista, é um demagogo exageradamente mentiroso.
A bajulação do Ribeiro ao José Eduardo dos Santos revela um atraso mental tão tacanho que o José Eduardo dos Santos, se fosse verdadeiramente o Presidente da República, deveria sentir nojo desse ser rastejante, convidando-o a demitir-se ou ordenando o seu afastamento de um órgão oficial de informação, que deveria ser de todos os angolanos. Mas, como todos sabem, o José Eduardo dos Santos não é Presidente da República, optou por ser o Governador Geral, como muitíssimos mais direitos e poderes do que os que ocupavam esse posto no tempo do colonialismo. Este Governador Geral, pela ostentação demonstrada pelos seus familiares, generais e fiéis servidores em diGestão, governa-se muito bem, muitíssimo melhor do que os que exerceram essas funções durante o período colonial.
O Ribeiro, mercenário defensor de um partido que foi fundado como satélite do que czariava na União Soviética, ateu, agora acredita que estão a acontecer milagres em Angola. O José Eduardo dos Santos, a Isabel dos Santos e irmãos, o Kopelica, o Manuel Vicente, o Kundi Paihama,  o General Patónio, o Dino Matross, o Rui Falcão, entre muitos elementos da oligarquia, acreditam sinceramente de que, com as acções praticadas no Reigime Angolano, acontecem  milagres  na multiplicação de dinheiro nas suas contas pessoais e na ampliação de outros valores patrimoniais.   A Psiquiatria dos nossos dias explica, com facilidade, as crenças e visões do Ribeiro, que a ética reprova.
O Ribeiro vive numa paranóia constante, própria dos ditadores e seus fiéis seguidores,  inimigos da democracia, contra os partidos da oposição. Na tentativa de defender o Governador Geral, utiliza as estratégias usadas pelos fazendeiros brasileiros na manipulação da mentalidade dos cangaceiros, pobres de espírito e analfabetos,  para exercerem violência com o objectivo de manterem a injustiça social. O Rio Beiro deturpa a verdade histórica, porque é mentiroso, para  defender o partido que fuzilou dezenas de milhares de militantes e simpatizantes do MPLA e outros cidadãos inocentes, no 27 de Maio, o partido que iniciou a guerra civil em Angola.
Ninguém acredita de que o Ribeiro sofra de uma amnésia tão selectiva. A sua teimosia  propagandística demonstra uma exagerada desonestidade intelectual, com a deturpação dos factos históricos. O seu charlatanismo é tão doentio que chega ao cúmulo de afirmar que o Reigime Angolano tem uma imprensa livre, uma justiça independente, promove o combate à corrupção e defende o direito de cidadania. A prova em contrário, acerca do direito de cidadania, está nas elevadas percentagens de cidadãos angolanos  pobres e subnutridos, o que desmente a existência de um Estado Social.  Acerca da imprensa, da justiça e do combate à corrupção, a ecolália do Ribeiro só pode ser tida como anedótica,  de muito mau gosto.
O Ribeiro nada sabe, ou finge que não sabe, acerca dos investimentos e das despesas que os países desenvolvidos efectuam em promoção e assistência social.  Só um ignorante ou um mentiroso sem vergonha  poderá afirmar de que Angola, com o Estado Social,  despende “fundos que não têm igual, mesmo nos Orçamentos dos países desenvolvidos”. Se esta afirmação não fosse uma patética mentira, os cidadãos angolanos teriam um rendimento per capita e condições sociais superiores aos canadianos, alemães, suecos, noruegueses, dinamarqueses, suíços, austríacos, australianos franceses, ingleses, para dar só alguns exemplos.
Em Angola não estão a acontecer milagres. Milagre seria poder recuar no tempo,  até à década de setenta do século passado,   e fazer com que o MPLA não cometesse as atrocidades do 27 de Maio,  não iniciasse a guerra civil, arrastando outros movimentos políticos para “guerras terríveis, destruidoras e mortíferas”. Milagre seria existirem tribunais competentes e independentes para julgarem os cabritistas por corrupção, sem intimidarem o David Mendes, o Rafael Marques,  o William Tonet e outros, por desmascararem os cabecilhas cleptómanos do sistema. Milagre seria desmantelarem os milícias à civil e outros fardados de polícias. Milagre seria a repartição justa e equilibrada dos rendimentos nacionais. Milagre seria a devolução pelos bancos dos paraísos fiscais das verbas usurpadas pelo Governador Geral,  familiares, generais e os seus mais fiéis diGestores. Milagre seria a implementação dos valores que nortearam a revolução francesa e que foram adoptados pelos países mais desenvolvidos (patamar que Angola nunca ocupará, com as actuais políticas económicas e sociais do Governador Geral).  Milagre seria a promoção da inteligência critica, honesta e responsável, não o carneirismo fanático  vulgarizado pelo Ribeiro.
Milagre seria a multiplicação e repartição da riqueza por todos os angolanos, não o açambarcamento por alguns fulanos, como é o caso do José Eduardo dos Santos, da Isabel dos Santos e irmãos , do Kopelipa, do Manel Vicente, do Kundi Paihama,  do General Patónio, do Dino Matross, do Rui Falcão, entre outros elementos do Clube dos Novos Ricos, Desonestos.
Imagem: Aléxia Gamito

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Justiça HCTA. Hotel de Convenções de Talatona, um hotel ou um hospício dirigido por um louco?


Esta comunicação foi enviada para o Sol e Sonangol, mas ninguém deu importância e foi suprimida.


Exmos. Srs.
De um leitor identificado


No seguimento da notícia publicada em 23 de Junho de 2012 acerca do Hotel de Convenções de Talatona, venho por este meio divulgar algumas informações que são totalmente suprimidas, relativamente a esta unidade.
Nesta unidade verificam-se despedimentos sem justa causa dos funcionários angolanos que são inúmeras vezes levados a uma sala de reunião na presença de vários interlocutores e coagidos a assinar cartas de demissão sob acusações injustas e após horas de pressão desumana e ameaças de represálias. Além disso são reprimidas as diversas queixas de assédios sexuais levados a cabo pelo actual director da unidade, Paulo J.R. Silva, o qual tem inclusivamente histórico de violência doméstica e agressão á polícia no seu país de origem.

Estes assédios totalmente imorais atingem Funcionárias Angolanas e Portuguesas, constituindo um total desrespeito sobre os direitos das mulheres, tão respeitados em Angola.
Verificam-se ainda, pelas mãos do sr. Paulo J.R. Silva, ameaças de agressão física a funcionários, aliciamento para favores sexuais em troca de benefícios profissionais, utilização de linguagem e gestos obscenos, e um nível de abusos psicológicos e emocionais, através de telefonemas às mais caricatas horas do dia ou da noite, desrespeito pelos horários de trabalho e descanso legalmente definidos (44 horas semanais em muito excedidas, sob pressão e ameaças dos directores geral, Paulo J.R. Silva e de recursos humanos, Nelson Manuel Pastorinho Sousa).

São ainda verificadas situações de escutas e vigilâncias ilícitas dentro do Hotel, revistas aos apartamentos dos funcionários com direito a alojamento durante a sua ausência, controlo da vida pessoal dos funcionários no seu tempo de descanso (fora da unidade), chegando mesmo ao ponto de tentar impedir os mesmos de conversar e conviver entre si.
Vê-se ainda a utilização constante da expressão 24 - 20 como ameaça aos Portugueses, no sentido de que terão 24h para preparar as suas bagagens (20Kg) e regressar ao seu país de um dia para o outro. São constantes as ameaças de “veja lá se não o mando já para Portugal”
Chega-se a um ponto de retenção dos documentos de identificação dos estrangeiros, impedindo as pessoas de se deslocarem e viajarem legalmente, ao ponto dos mesmos estarem fora do período de visto ordinário concedido pela empresa, mas não terem hipótese de saírem do país pois a direcção da unidade retém os documentos, alegando o seu extravio, e não apresenta solução, obrigando os funcionários a trabalhar ilegalmente, e não declarando os seus impostos.
Apesar de na notícia publicada ser referido que o número de expatriados diminuiu, a verdade é que actualmente se verifica um corrupio de Portugueses a chegar ao HCTA para assumirem novos cargos, a bel-prazer do actual director, que se rodeia assim do seu círculo de confiança, sendo que nos últimos 5 meses entraram para funções mais de 10 funcionários portugueses, que impedem assim a subida de funcionários habilitados para as funções.
O departamento de recursos humanos da empresa assume um papel indevido de tribunal, na pessoa do sr. Nelson Manuel Pastorinho Sousa, julgando as pessoas sem provas concretas. Existe ainda um caso concreto de uma funcionária Angolana, que apesar de responsável pelas acções de que foi acusada, foi forçada a passar a sua viatura para a empresa.
Os funcionários são forçados a assinar as suas cartas de despedimento sob pressão e após horas de coação
Além dos despedimentos ilícitos a Angolanos, verifica-se também a mesma situação com funcionários Portugueses, que são chamados à mesma sala de reuniões, e massacrados a ponto de não suportarem mais as ameaças. Os mesmos são forçados a entregar de imediato as regalias concedidas pela empresa, e escoltados pelo chefe de segurança até á saída, sendo impedidos de voltar a entrar na unidade. Muitos destes funcionários chegam aos seus apartamentos e têm todos os seus artigos pessoais revistados, o que é um visível abuso de poder.
Há funcionários que chegam mesmo a considerar que fugir é a melhor opção (situações que já aconteceram mais do que uma vez), uma vez que a empresa alega que terão que pagar uma série de despesas e indemnizações através acusações infundadas e impossíveis de provar.
Verifica-se ainda uma tentativa da direcção de impedir ex-funcionários de frequentar as áreas públicas do hotel bem como o contacto de funcionários com ex-funcionários
Devo ainda referir que a formação do sr. Paulo J.R. Silva deveria ser investigada pois o mesmo anuncia uma serie de cursos de formação no seu CV, os quais não correspondem à realidade, sendo que nem mesmo sabe falar inglês, apesar de não se coibir de divulgar as  formações obtidas pela Universidade de Cornell.
O próprio tem consciência das atrocidades que comete e apesar de ter residência no bloco de apartamentos dos restantes colaboradores, passa a maior parte das suas noites instalado no hotel, e na maioria das vezes que sai faz-se acompanhar de seguranças.
Trata-se ainda de uma pessoa totalmente insensível á realidade do país, e por diversas vezes gaba-se dos bens que tem, exibindo a sua riqueza a pessoas que vivem com limitações
Caso nada aconteça aos referidos senhores sugiro acompanhamento aos próximos despedimentos
Como devem entender envio este e-mail anonimamente pois não quero sofrer represálias por parte das pessoas em referência. Ainda assim espero ver as todas estas questões expostas nos meios adequados para que se faça justiça para aqueles que têm sofrido às mãos de tais criaturas.
Atentamente
Justiça para o HCTA
Imagem: e Angola também

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Chivukuvuku lança o Repto: “estou pronto para governar Angola”


Luanda – Durante cerca de uma hora, conversamos sobre muita coisa relacionadas com a ciência de governação, dentre outras, os males que enfermam a cultura actual “retrógrada” de governar; a importância da alternância do poder para o crescimento e desenvolvimento do país e dos povos; o papel de um Estado verdadeiramente republicano; a necessidade de revisão da constituição; as relações internacionais; os engajamentos de contratos comerciais lícitos ou ilícitos e o comportamento a ter em conta pelo futuro governo, assim como as potencialidades da CASA-CE e a prontidão de Chivukuvuku a governar Angola, tudo no objectivo de aclarar possíveis zonas escuras achadas pelos cidadãos e observadores no quadro dos princípios estruturantes de governo da CASA-CE.

Félix Miranda*
Folha 8 - Abel Chivukuvuku, três meses depois do surgimento oficial da CASA, naquilo que vamos considerar grande entrevista, gostaria que nos descortinasse alguns pontos do projecto de sociedade proposto, naquilo que denominam “Princípios Estruturantes de Governo da CASA”. Mas antes, a questão: está satisfeito com os resultados alcançados até aqui? A sua equipa está funcionar como esperado, ou ainda pensa que se podia fazer muito mais? Tem os meios que gostaria de ter em mãos para, digamos realizar o princípio de um sonho que poderá ser uma realidade?
Chivukuvuku –
Muito obrigado e com muito prazer me dirijo aos angolanos através do vosso jornal. Primeiro é preciso clarificar que nós construímos a CASA em função do diagnóstico negativo que fazíamos do país. Tínhamos chegado a conclusão de que o país estava politicamente bloqueado e refém do Partido maioritário MPLA, refém do hoje candidato José Eduardo dos Santos que são incapazes e sem vontade política, de fazer as mudanças e as transformações que o país precisa. Chegamos a conclusão de que em termos sociais o país estava numa situação de estrutura social de alto risco o que potenciava que o país a médio prazo iria sofrer grandes convulsões e outros problemas. Tudo isso fez com que tivéssemos decidido apresentar ao país uma nova opção, a terceira via, para que os cidadãos pudessem fazer renascer a esperança de que é possível construirmos em Angola uma verdadeira Democracia, um verdadeiro Estado de Direito e o Crescimento económico servir para corrigir as assimetrias sociais, criar justeza na distribuição da riqueza. Portanto, foram esses os factores que nos levaram a concluir que o país estava num rumo errado e era preciso o surgimento de um novo fenómeno político, daí a CASA.

F8 - Já aí chegaremos. Entretanto, depois de tudo quanto viu e ouviu, sente-se realmente presidenciável? Que atributos realmente pensa ter mais do que os outros concorrentes?
CVK -
Volto a primeira questão. Três meses depois, consideramos que a CASA conseguiu atingir o primeiro objectivo: trazer uma lufada de ar fresco a política nacional. As coisas não podiam ficar como antes e sem modéstia, há que reconhecer, com o fenómeno CASA, a política em Angola já não será igual. A CASA vai continuar a guindar-se para de facto assumir-se como verdadeira alternativa à governação. Durante estes três meses, nós fizemos o Convénio Constitutivo; legalizamos no Tribunal Constitucional a nossa Coligação; conseguimos forçar, não diria, mas conseguimos encontrar um modelo que preservasse a sigla CASA, porque houve tendência do Tribunal Constitucional não aceitar; fizemos a 1ª Reunião Ordinária do nosso Conselho Deliberativo Nacional, com todos os delegados vindos das Províncias, onde definimos os critérios e os princípios para estruturação das candidaturas; introduzimos a nossa candidatura com toda competência técnica e política; trouxemos ao país uma nova aposta na figura do 2º Cabeça de Lista, o Almirante Mendes de Carvalho que trouxe um contributo inestimável para o projecto CASA; também conseguimos que o Presidente de facto cumprisse a Lei, passasse o Almirante à reforma; à nossa candidatura foi a primeira a ser validada no Tribunal Constitucional e neste momento entramos praticamente em plena campanha, obviamente como uma nova organização. Temos algumas debilidades que procuramos superar, primeiro factor tempo: somos uma organização somente com quatro meses, e estamos a fazer face a organizações políticas com 50, 40 e tal anos de idade. Por isso, precisamos fazer do tempo não um travão, mas um aliado, para num curto espaço de tempo fazer com que o cidadão no mais profundo onde estiver tenha conhecimento da CASA e saiba o que é a CASA. Em termos de finanças, temos trabalhado com recursos próprios, vindos dos próprios membros da CASA, mas também de cidadãos anónimos. É verdade, ultimamente a contribuição dos cidadãos tem sido de facto uma coisa admirável, todos os dias temos cidadãos que se predispõem a dar ajuda, a financiar as nossas sedes etc., etc. Esses fazem com que a CASA seja um fenómeno do cidadão, é verdade, somos uma Convergência com figuras políticas a virem de diversos horizontes, estamos a construir uma cultura política com personalidades que vêm de culturas políticas diversas, é verdade que tudo isso traz alguns factores de desajustamento, no andamento, etc. etc., mas temos feito um esforço para que consigamos rapidamente encontrar a eficiência funcional, e construir uma cultura política positiva que faça da CASA verdadeiramente aquilo que vai transformar este país.

F8 - Insisto em termos financeiros e logísticos. Há garantias de que até 31 de Agosto, a CASA estará suficientemente capaz de rivalizar com outras organizações?
CVK -
Como eu disse, nós temos vivido com recursos próprios e dos cidadãos, por isso são escassos, mas felizmente temos um modelo e capacidade de gestão que tem feito com que estes recursos sejam aplicados de forma judiciosa e seleccionado criteriosamente as prioridades. Por outro lado, há a lamentar de facto o recuo na prestação de verbas para campanha do lado do Estado. Em 2008, quando houve mais concorrentes, deram mais recursos para os partidos. Desta vez há menos concorrentes e há menos recursos, é intencional, pensamos por causa do factor CASA. Portanto, há uma espécie de psicose. Como é que a CASA está a desenvolver tanta actividade, como é que a CASA consegue protagonizar tantos factos? Por isso o MPLA procurou reduzir os recursos na intenção de reduzir a capacidade de desenvolvimento das acções da CASA. Não será factor, nós vamos levar a cabo a nossa campanha eleitoral o melhor possível, obviamente teremos algumas lacunas por causa do problema recursos e tempo, mas faremos um esforço e chegaremos em força, tal como iniciamos.

F8 - Desde quando pensou efectivamente passar a acção e porquê que não protagonizou esta revolução no seio da própria UNITA?
CVK –
Sempre estive disponível para servir Angola e servir Angola, serve-se por via dos partidos políticos. Eu estive na UNITA, servi na medida das minhas capacidades e em função daquilo que os meus colegas também entenderam que era o ângulo que eu devia ter. Como sabe, procurei uma vez ser líder da UNITA, não foi possível. Mantive-me como tal até que entendi poderia continuar a servir Angola numa outra plataforma não necessariamente na UNITA, só foi isso.

F8 - Como havia perguntado, sente-se presidenciável? Depois das visitas pelo interior a apalpar a realidade de vida dos angolanos, como tem sido recebido?
CVK -
A convicção que nos anima é por um lado a de servir, de podermos dar uma contribuição qualitativa para as transformações e a mudança que o país precisa. O que temos sentido é que de facto a receptividade é enorme. A vontade do cidadão é de garantir que desta vez haverá mudança com toda a certeza e por isso cabe tudo a nós corresponder a essas expectativas.

F8 – Fugindo um pouco, uma vez Chivukuvuku Presidente da República, qual será o seu juramento?
CVK -
Primeiro, nós estamos aqui para servir. Construímos a CASA para trazer um novo modelo de governação para o país, não é verdade? Portanto, para nós da CASA, os governantes têm de ser meros gestores temporários dos recursos de todos os cidadãos, porque não há longevidade em política, não pode haver “vitalicidade” em política. Os governantes têm de ser temporários em função dos mandatos, e que esses mandatos também têm de ser limitados, porque, a riqueza de Angola é de todos os cidadãos para benefício dos cidadãos, não pode ser como está agora em que os governantes sentem-se gestores vitalícios dos recursos que pensam que são deles para benefício único dos governantes e não para benefício dos cidadãos. O que nós queremos trazer em governação, é uma nova cultura, uma nova visão e sobretudo termos um sonho do projecto de Angola. Queremos construir valores que vão servir de alicerces da Angola que queremos, porque hoje, infelizmente somos a concluir, como angolanos, nunca chegamos em grandes consensos sobre que Angola queremos! Os valores e os princípios que deveriam servir de alicerce para a construção dessa Angola e em função destes valores, assentar os programas condizentes. É isso que a CASA vai protagonizar primeiro, que tipo de Angola queremos? Como realizar o cidadão e em função disso definir os valores.
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