sábado, 17 de setembro de 2011

Valha-nos a Santa Bajulação ao chefe. Dos Santos transformado no representante de Deus na terra

Cremos não estar em erro ao opinar que houve desde há uns anos atrás até esta data uma substancial modificação, no bom sentido, na proliferação de alardes laudativos ao Presidente da República por ocasião da data do seu aniversário que ocorre, em cada ano que passa, no dia 28 de Agosto.
Durante muito tempo, de resto, as manifestações de júbilo expresso com fervor e espalhafato, acentuado por declarações, eventos de toda a espécie, desportivos, religiosos, pagãos, culturais e folclóricos, cada um deles se crendo mais bajulador que os outros, todos esses eventos e mostras de admiração fervorosa por José Eduardo dos Santos eram minuciosamente programados e realizados a partir de datas mais de um mês antes da efeméride, quer dizer, eram semanas atrás de semanas numa enjoativa repetição de homenagens ao Presidente da República, mesmo para lá do seus dia de anos.
Nessa altura, já na primeira década deste século e até aqui há uns quatro anos ou cinco anos atrás, a imprensa não estatal, nomeadamente o F8, denunciou repetidas vezes a baixeza boçal e infantil de tal tipo de exuberâncias, e tanto se bateu nessa tecla que as coisas acabaram por mudar e o aniversário do Presidente passou a ser citado e as homenagens ad hoc a serem-lhe consagradas a partir de datas já muito mais perto do dia festivo.
Claro está que foi com muito prazer que notámos essa mudança de atitude, pois ela deu mostras de as observações, reclamações e outras considerações do F8, e não só, serem levadas em consideração pelas entidades ou personalidades por elas visadas. Claro está, também, que todas essas reacções a críticas nossas podem muito bem apenas terem uma relação fortuita, e as causas das mudanças por nós preconizadas não terem nada a ver com o teor dos nossos artigos.
Mesmo assim, é um prazer que as coisas mudem, desde que seja para melhor. E nessa perspectiva muito grato nos é constatar que o exageradíssimo alarde feito nestes últimos anos em redor do aniversário do Presidente da República – repetimos, mais de um mês antes e, às vezes, até mais de um mês depois do 28 de Agosto -, frequentemente apontado pelo F8 como um arcaico hábito de regimes totalitários, tão ridículo como funesto (veja-se Staline, Hitler, etc.), nestes últimos anos têm-se singularizado por uma significativa saída, de novo da discrição.
Segundo informações de uma fonte idónea próxima da Casa Civil da Presidência da República, foi Eduardo dos Santos em pessoa que teria sugerido não se fazer tanto estardalhaço em torno do seu dia de anos. Enfim, por uma vez, o nosso Presidente manifestou o seu acordo com um artigo do Folhinha, e isso, digamos a verdade, dá-nos muito prazer.
Notámos na nossa agenda esse ponto positivo, mas encolhemo-nos com medo da ameaça à terra do Ngola, quando nos demos conta que a final do Afrobasquete de 2011 teria lugar exactamente a 28 de Agosto deste ano, data ainda hoje quase religiosamente consagrada ao aniversário de JES.
Por estarmos ligados a muito boa gente do “ÉME”, fomos postos ao corrente que os mais integristas dos seus militantes se preparavam para atribuir ao Presidente da República a Taça dos Multi-Campeões de África de basquetebol! Autêntico. Claro que essa oferenda seria mais um desses actos político que já cheiram mal de tanto perdurarem em sucessivas repetições nos usos e costumes da nossa terra, mas que, aparentemente não é possível evitar.

“Camaradas,
Hoje é um grande dia, para todo o povo angolano, pois mostra a clarividência e a capacidade de liderança do camarada Presidente, mesmo nas adversidades. Quando todos já se conformavam com a derrota, a sua crença e sagacidade iluminaram-nos o caminho da viragem. O caminho da mudança para a vitória.
Foi assim durante o campeonato de basquetebol, quando averbamos uma derrota e a equipa estava a jogar mal e poderia comprometer mais um título africano.
Não sabíamos o que fazer, foi então que recebemos a sua sábia orientação de substituirmos o técnico francês, pelo treinador Covilhã, que conhecia melhor as capacidades dos nossos jogadores. Ainda dissemos que era um risco, mas a sua experiência e visão e as tácticas que sempre deram certo do camarada Presidente, levaram-nos a não hesitar e fomos para a frente. E foi esta estratégia que fez renascer a nossa esperança de que com a sua sábia orientação iríamos conseguir vencer mais um campeonato africano. Conseguimos! Portanto esta vitória é inteiramente sua, camarada Presidente, por ser fruto da sua estratégia, por isso todos os jogadores e equipa técnica, lhe dedicam neste seu dia de aniversário, que era o nosso maior desejo.
Parabéns camarada Presidente, muitos anos de vida e aceite em nome de todo corpo da selecção esta taça, como mais uma prenda de aniversário”.

Este era o texto preparado para uma eventual vitória de Angola, feito por um bajulador, que dispensa apresentação, mas que infelizmente não saiu.
E como tudo mesmo vai mal e o chefe só é das vitórias não se ouviu uma palavra sua de reconhecimento a selecção, o que F8, o faz aqui e agora, lamentando ainda o cinismo das autoridades angolanas, que nem se dignaram em ir esperar a delegação, para além da Federação não conseguir tapar a sua má política de gestão e desorganização, quando deixa na África do Sul o ex-seleccionador nacional. Uma vergonha de federação que não deveria ficar nem mais um tempo no poleiro, pela má prestação que vêm demonstrado.

O lado positivo da derrota
Assim sendo, cabe aqui dizer que há males que vêm por bem. É que, com o fracasso dos nossos basquetebolistas na sua derradeira etapa para conquistar o seu 11º título africano, escapamos ao que sempre temos visto quando desportistas nacionais brilham no estrangeiro. A estrelinha que decora a sua fugaz auréola é a do MPLA, considera-se então que o seu fulgurante êxito se deve aos esforços do ministério da Juventude e Desportos, ao Governo, a JES, ou ao MPLA, que os campeões são todos militantes do partido e que é esse facto que explica o porquê da presença de estrelinha do MPLA nas que lhes serão distribuídas quando eles chegam ao aeroporto 4 de Fevereiro.
E aí mesmo, no aeroporto, vemos, como de costume, uma enorme bandeira do MPLA a intrometer-se na área desportiva e a reivindicar para si, um mero partido político, todo o exclusivo mérito da vitória de toda uma nação, a nossa.
É que não há mesmo meio de meter na cabeça de alguns membros do partido dos camaradas que a Nação Angola é muitíssimo mais do que a sua organização partidária.
Mas, na tristeza profunda de não vermos os nossos “guerreiros” da bola ao cesto chegarem ao país com a taça de África nas mãos, sentimos no nosso foro interior, não podemos negar, um enorme alívio por ter escapado a mais uma humilhação oficial de toda Angola, por parte de uma organização partidária, o que não evitou termos de assistir a espectáculos incríveis de bajulação.


Bajulemos, o ridículo não mata
O partido no poder pode mesmo. Mobiliza o Estado, abre os cordões à sua bolsa para toda a espécie de bajulação, distribui gasosas e multiplica “Maratonas” incitando o mwangolé a consumir exageradas doses de bebidas alcoólicas, e, na euforia causada pela bebedeira generalizada, não só do corpo, mas também do mental, diz que tem 5 milhões de militantes. Exemplos?... aqui vão eles:

1) Bento Raimundo da Ajapraz foi dizer que o povo de Benguela, todo ele, em peso, estava com JES, e reuniu com todos os governantes locais para lhes transmitir orientações, ele que nem membro do executivo é, perdão, é membro do exército da bajulação.
2) João Miranda inaugurou em nome do Chefe muitos micro projectos, dentre os quais um centro médico de seis camas (!!!), uma ofensa aos angolanos, pois as famílias africanas e angolanas do interior integram no mínimo 15 pessoas, ora se na localidade uma família for contaminada mais de metade morre, pois não poderá ser assistida. Vergonhoso!
3) Na Lunda o governador organizou um torneio internacional e também abriu e violou os cofres do Estado, para um torneio de futebol com a selecção da RDC no quadro da bajulação ao chefe, que só conhece as Lundas pelo mapa.
4) No Huambo, Muteka foi o mais ousado, inaugurou o que já tinha sido inaugurado a universidade JES, mostrando a que nível de pouca vergonha se pode chegar nas vestes de governante ao serviço de JES, do MPLA, de tudo e mais alguma coisa, excepto do povo de Angola na sua integralidade.
5) Ó surpresa! Até vimos o que nunca se poderia supor ser possível ver, um até aqui lúcido e pertinente Lopo do Nascimento passar a escova na imagem desbotada de um homem que ele se fartou de criticar, que, por seu lado, o gratificou com algumas arranhadelas.
É tudo uma monumental vergonha, mas como ninguém tem vergonha de lamber botas, fica assim. Em todo o caso uma coisa é certa, isto de se inaugurar o inaugurado para idolatrar o Chefe não vai durar muito mais tempo, não vai, não!

No Huambo. Dos Santos pede aos angolanos que construam melhor o que deixaram os portugueses e foi destruído pela guerra

O Presidente, José Eduardo dos Santos, pediu no 30.08 aos angolanos, no Huambo, centro do país, para que construam melhor do que construíram os portugueses no tempo colonial o que foi destruído pela guerra.
O chefe de Estado dirigia-se a milhares de pessoas que esperavam para o ver, num largo defronte ao governo provincial do Huambo, no planalto central, região á qual o Presidente já não se deslocava desde 2003. Segundo ele, “muita gente não acreditava que o comboio apitaria tão cedo na cidade do Huambo”.
O Presidente deslocou-se ao Huambo para inaugurar o troço ferroviário do Caminho de Ferro de Benguela, que liga Benguela aquela cidade do centro de Angola, uma linha inoperacional há mais de 20 anos. “Quando destruíram a via férrea partiram tudo, os carris, as estações, colocaram minas anti-pessoais, anti-tanque na extensão da via férrea, pensaram que levaríamos dezenas de anos para restabelecer a via e a circulação entre o Huambo, Benguela e Lobito, mas os que pensaram assim enganaram-se, porque afinal construímos tudo de novo”, afirmou José Eduardo dos Santos.
O Presidente disse ainda à população, numa intervenção de improviso, que “o que havia antigamente no tempo colonial era bom para aquele tempo”, mas hoje o Governo construiu novamente a linha férrea e as estações e de forma mais moderna.
“Temos hoje uma linha férrea mais moderna, mais capaz de suportar as cargas e transportar mercadorias e passageiros e assim é que deve ser. Os portugueses trabalharam para si no tempo colonial, nós estamos a trabalhar para nós próprios. Como eu disse, no Huambo a guerra destruiu, criou desolação, muito sofrimento, mas estamos em paz”, sublinhou.
José Eduardo dos Santos frisou que fez questão de estar pessoalmente nesta data “memorável”, por “acreditar na força e dinamismo dos trabalhadores e das populações do Huambo”. “Algumas pessoas pensaram que viria uma delegação de Luanda, sem mim, mas eu fiz questão de vir e estar aqui convosco nesta data memorável”, sublinhou.
Antes de pedir aos jovens que se interessem pela profissão ferroviária e que frequentem cursos técnicos e de formação profissional, José Eduardo dos Santos lembrou que a próxima meta do Caminho de Ferro de Benguela é chegar à província do Bié, do Moxico até à fronteira.
“E foi mesmo por isso, que os engenheiros, técnicos, trabalhadores especializados, mesmo os mais velhos, alguns com mais de 60 anos, que estão no Caminho de Ferro de Benguela trabalharam dia e noite, com uma equipa chinesa também capaz, para hoje termos a alegria de trazer até aqui o comboio”, salientou.
O Presidente disse ainda que “o país tem que ir para a frente, tem que caminhar”.
Além de inaugurar o novo troço do CFB, no Huambo, José Eduardo dos Santos presidiu também à reinauguração do aeroporto local, Albano Machado.
O Caminho de Ferro de Benguela, construído no século XIX, tem uma extensão de 1347 quilómetros e atravessa ainda as províncias do Huambo, Bié e Moxico, chegando até à fronteira com a Zâmbia.
No tempo colonial tinha um total de 14 mil trabalhadores e atualmente emprega apenas mil.

No dia 15 de setembro em Lisboa Rafael Marques lança “Diamantes de Sangue”

O jornalista angolano Rafael Marques lança dia 15 em Lisboa o livro “Diamantes de Sangue – Corrupção e Tortura em Angola”, obra em que apresenta a sua mais recente investigação sobre personalidades, instituições e empresas envolvidas nos negócios dos diamantes.
Editado pela Tinta da China, o livro estará à venda a partir do dia 09 de setembro e inclui o testemunho de “centenas de vítimas” do tráfico de diamantes em Angola.
No texto de apresentação da obra, Rafael Marques escreveu que é na província da Lunda Norte, que faz fronteira com a República Democrática do Congo, que se concentram as “principais áreas de exploração aluvial diamantífera”.
”Grande parte dos habitantes vive em regime de quase escravatura. São impedidos de manter atividades de auto subsistência, roubados, torturados, assassinados. As Forças Armadas e as empresas privadas de segurança protagonizam os crimes com total impunidade. As autoridades e o governo ignoram esses crimes”, acusou.
Jornalista de investigação e activista, Rafael Marques é um dos principais responsáveis por denunciar e divulgar os esquemas de corrupção que envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como as empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam.
É formado em Jornalismo e Antropologia, pela Universidade de Londres, e é mestre em Estudos Africanos, pela Universidade de Oxford.

Manifesto Público para manifestação de 03 de Setembro. Regime tentou corromper jovens para não saírem a rua

Os jovens que têm estado a liderar o movimento de contestação contra as políticas do governo, foram aliciados para abandonarem a sua causa, por parte do regime, conforme denuncia feita em nota chegada a redacção do F8.
“Vimos por meio desta tornar público à Sociedade Civil, à Comunidade Internacional, ao Povo Angolano e a todas Forças Vivas da Nação que do dia 24 ao dia 31 de Agosto do corrente ano, estivemos envolvidos numa espécie de negociação com o executivo angolano, onde o adiamento da Manifestação ora convocada para o dia 3 de Setembro, era o ponto fulcral e cuja cedência equivaleria em compensação entre outras regalias, um valor monetário de 270 mil dólares americanos e 8 viaturas“; lê-se na nota.
Por outro lado, dizem os negociadores que “Volvidos os dias de propostas e contra-propostas (uma das nossas contra-proposta constava baixar as propinas de todas as Universidades do país até 150 dólares), decidimos manter a nossa posição firme e "Inegociável a Realização da Manifestação". Portanto, ao dia 31 de Agosto (quarta feira), decidimos resolutamente pôr fim as negociações e terminantemente declarar imparável a realização da Manifestação Pública e encerrar toda e qualquer possibilidade de negociação“.
E com esta saída das negociações os manifestantes consideram estar a correr perigo de vida, porquanto “esta posição dura e determinada, coloca-nos sob o perigo de vida não só a nós mas a todos àqueles que se revêem na nossa causa, pois temos bem em mente como tem sido a actuação do regime MPLA-JES contra aqueles que não querem baixar a guarda e decididamente lutam pelo povo, vários são os exemplos que a história guarda memória. Assim sendo e como já referimos acima, vimos informar que qualquer ameaça à integridade física, morte, desaparecimento, espancamento, detenção ou qualquer outra crueldade contra: Gaspar Luamba [Luamba], Afonso Mayenda João [Mbanza Hamza], Alexandre Dias dos Santos [Libertador], Dionísio Casimiro [Carbono], Urbano Gaspar [Urbano], Pandita Nerú [Pandita], Luaty Beirão [Brigadeiro Matafrakuxz], Diana Pereira [Diana]; Adolfo André [Adolfo], Massilon Chindombe, Tó Martins
Andrade da Silva [Sábio], Rui Salvador [Shory].
Entretanto tudo isso se deve a desigualdade na distribuição da riqueza gerada em Angola, sem que o crescimento económico se reflita na vida dos angolanos é o mote para a manifestação marcada para 03 de Setembro em Luanda, segundo Manifesto Público.
“Vivemos já nove anos de paz e ainda são alarmantes os nossos serviços de saúde e educação, o crescimento económico não se reflete em nossas vidas, o índice de desemprego, analfabetismo e desenvolvimento humano ainda é preocupante”, lê-se no texto de apresentação do documento.
Os organizadores apresentam-se como “um grupo de jovens, membros da sociedade civil de vários estratos sociais que dentro dos parâmetros da Constituição tem vindo a exercer pressão sobre os líderes políticos angolanos”.
O Manifesto Público é assinado por quatro jovens, Gaspar Luamba, Afonso Mayenda João, Alexandre Dias dos Santos e Dionísio Gonçalves Casmiro, todos eles ligados a anteriores iniciativas de contestação pública do regime angolano, com as manifestações de 07 de março, frustrada pela polícia que deteve cerca de 20 pessoas, e de 02 de abril, acompanhada à distância pelas forças policiais, ambas realizadas no Largo da Independência.
Dionísio Gonçalves Casimiro, popularmente conhecido como "rapper" Carbono Casimiro, tem sido o porta-voz do grupo.
Segundo estes jovens, “não se faz sentir a opinião pública nas leis e resoluções aprovadas, é diminuto o acesso ao crédito habitacional, são desumanos os despejos forçados e são constantes as violações dos direitos humanos e da Constituição da República”.
A manifestação que estão a preparar está marcada para o início da tarde de 03 de setembro no Largo da Independência e o alvo é o Presidente José Eduardo dos Santos, a quem acusam de estar há 32 anos no poder “sem nunca ter enfrentado um voto democrático”.
Citando os dois primeiros artigos da Constituição angolana, que estabelece que “Angola é uma República soberana e independente, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade do povo angolano” e caracteriza o país como “Estado Democrático de Direito”, os organizadores exigem o cumprimento de sete pontos.
Nos dois primeiros é exigida a “retirada do Presidente Eduardo dos Santos do poder e do seu Executivo” e a “retirada da imagem do Presidente Eduardo dos Santos e de António Agostinho Neto do dinheiro e do bilhete de identidade”.
Nos pontos terceiro, quarto e quinto, as exigências são a revisão do artigo da Constituição que estabelece a eleição do chefe de Estado por via indireta, a “distribuição equitativa da riqueza do país”, e a “despartidarização das instituições públicas e dos órgãos de comunicação social”.
A criação de uma Comissão Nacional Eleitoral Independente e “que se exerça justiça e igualdade social a todos os níveis e à escala nacional”, são os dois últimos pontos do Manifesto Público.

COMUNICADO SOBRE A MANIFESTAÇÃO DO 3 DE SETEMBRO

O Bloco Democrático constata, como a maioria dos cidadãos que o país não vai bem!.. Apesar do crescimento económico as oportunidades de emprego são escassas. A maioria da juventude não pode prosseguir os seus estudos por falta de recursos. É forçada a parar e a desenrascar a vida porque não há emprego. O acesso ao pouco emprego criado é, em regra, vedado a quem não tem filiação no partido da situação. E, quando, os jovens, como “cidadãos do chão”, percorrem as artérias da cidade, vendendo para prover o seu sustento e de suas famílias são roubados e violentados pelas autoridades, mesmo quando, na situação de zungueiras, levam filhos às costas.
A juventude, aparte um pequeno grupo de privilegiados, não beneficia da política económica, é vítima de injustiças repetidas e sente-se sufocada. A Juventude precisa de respirar. Precisa de espaço de liberdade. O país continua a viver um grave défice de democracia. A “democracia” vigente à moda do partido da situação com ampla instrumentalização do poder e vasto culto da personalidade, sem direitos para a oposição, com recurso intensivo à fraude, sem capacidade de recurso judicial imparcial, com um Estado que “põe no bolso a sociedade” e uma sociedade sufocada pela partidarização da sua vida pelo partido no poder, enfim, um Estado que viola sistematicamente a Constituição, não permite um desenvolvimento integrado, não dá à juventude segurança para o futuro, nem lhe permite uma vida normal agora.
Por isto, a Juventude tende a fazer exigências que revelam justamente a descrença num sistema formalmente democrático, mas deturpado na sua prática diária. E, a vida é feita de realismo. Para mudar este estado de coisas, um grupo de jovens marcou uma manifestação para o próximo dia 3 de Setembro. A manifestação é um direito que assiste a qualquer cidadão, tem cobertura constitucional, competindo aos órgãos do poder proteger os manifestantes de quaisquer forças contrárias que entendam que a manifestação não se deve realizar.
O Bloco Democrático, defensor acérrimo da mudança por via pacífica, entende que a MANIFESTAÇÃO é um recurso que deve exprimir-se em liberdade. Repudia assim os intentos da governação de Luanda em dissuadir os manifestantes, através de promessas materiais. Adverte o Executivo para não passar do aliciamento à acção agressiva, com prisões antecipadas de organizadores e com pressões sobre apoiantes e participantes da manifestação. Adverte ainda para não molestar os jovens ou adultosque desejarem manifestar-se no dia 3 de Setembro. Não compete a Polícia fazer política, nem reprimir quem está a concretizar a Constituição.
O Bloco Democrático apoia assim o direito dos jovens manifestarem as suas ideias e apela ao Executivo alto sentido patriótico e de diálogo para que o país não descarrile na instabilidade.
LIBERDADE, MODERNIDADE, CIDADANIA

Luanda, 1 de Setembro de 2011
O SECRETARIADO NACIONAL

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

As BPV – Brigadas Populares de Vigilância nas vestes das SA (Sturmabteilung) - Tropas de Assalto, ao ataque


Começou a caça aos bruxos. Reginaldo Silva

«Casa de Bonavena assaltada. A primeira vítima da abertura da época oficial de caça anunciada por Bento Bento?
Caros amigos do Bloco (BD) e de NELSON EDUARDO (Bonavena). Acaba de ser assaltada a casa deste Dirigente do BD. Os Gatunos levaram computadores, HD Externo, Modem, valores em dinheiro e outras coisas. Não estamos a fazer ilações com as ordens dadas ontem por Bento Bento no seu discurso. Foram gatunos.»
In Bloco Democrático Angola

domingo, 11 de setembro de 2011

O pico da bajulação religiosa. Os falsos profetas angolanos vivem da fé dos dólares


Expoente máximo da espiritualidade Ocidental, o Papa é uma voz insubstituível nessa parte do mundo, mas praticamente sem nenhum peso na Ásia, para além de ser um dos inspiradores, involuntário, de uma transfiguração tipicamente africana, patente em Angola pela proliferação de mais de 800 religiões pseudo-cristãs. Nem pensar em responsabilizar o papa por tanta prodigalidade, mas mister é confessar, na qualidade de analista neutro, que a ele se deve em parte não só o resplandecer do nome de Cristo e da sua doutrina, mas também os nefastos actos de pirataria religiosa que dessa áurea advieram.

Pirataria!?...Religiosa!?... Abrenúncio! Sim, abrenúncio, não no sentido que algumas almas cândidas lhe possam dar, renegando esta asserção, mas sim na repulsa da enorme capacidade do mal se propagar com tanta facilidade na defesa de ideais pretensamente nobres. Porque é exactamente disso que se trata, uma verdadeira invasão de parasitas a reivindicar para si sós as sublimes ideias de Jesus Cristo, mais que provavelmente utópicas mas sublimes.
Esses arautos da Sua palavra vão a terreiro, instalam-se onde podem a repetir o que está escrito nos “Livros Sagrados” e reclamam para seu uso pessoal o tradicional dízimo. Alguns deles enriquecem desse modo sem fazer a mínima ideia do que significa o que eles pregam, vivendo numa promiscuidade notória, praticando muitas vezes uma pujante poligamia, a propósito da qual nenhum dano ou crime há a assinalar, a não ser os que a religião que eles propagam lhe atribuem.
Em Angola, os problemas causados pela luxuriante proliferação de seitas religiosas (note-se aqui que o cristianismo foi, também, isso mesmo, nos seus primórdios) agrava-se em Angola pela concomitante abastança de ideias políticas que pelo seu xadrez político circulam, no fundo iguaizinhas umas às outras, como as amibas, num irreprimível fraccionismo que afecta as cabeças dos pretendentes a postos de responsabilidade, abundantemente rodeados de parasitas de toda a espécie, entre bajuladores, “carregadores de pianos”, delatores e verdadeiros actores de uma comédia sem guião. As ideias divulgadas por esses “guias” incrustam-se de uma maneira muito confusa nos espíritos dos militantes mais influenciáveis com a característica sui géneris de nessa fragmentação haver não mil e uma variantes de uma ideia central, como o que acontece com a pirataria religiosa, mas sim uma só e inalterável ideia: a busca de dinheiro em nome do nobre ideal democrático.
Dizer que desde tempos imemoriais sempre houve charlatães, que falsos profetas sempre existiram na humanidade não é segredo que se possa guardar, pois basta ler a bíblia para nos darmos conta dessa triste realidade. Esses falsos arautos da palavra do Senhor são aqueles que se colocaram e ainda hoje se colocam ao lado dos regimes dominantes contra os povos que eles se esforçam por subjugar.
Em Angola, dada a desastrosa conjugação estabelecida entre parasitas políticos e religiosos, tudo o que de nocivo pode advir para o povo já ultrapassou os limites do admissível, pois a maioria das igrejas-seitas mais importantes está a ser instrumentalizada pelo regime e os pastores colocam-se nos postos de propagandistas do mesmo, apresentando-se aos seus correligionários como membros do Comité de especialidade dos pastores do MPLA.
Uma das mais eficazes estratégias dessas igrejas-seitas (são mais de mil em Angola) baseia-se numa espécie bajulação superlativa e, nesta feliz data do aniversário de JES, uma delas conseguiu a extraordinária façanha de atingir píncaros jamais atingidos, o cúmulo da heresia, por obra e desgraça de um pastor de uma igreja evangélica, que levou o seu discurso evangelizador aos inquietantes domínios do absurdo psiquiátrico ao comparar Agostinho Neto a Moisés e José Eduardo a Josué.

QUEM FOI MOISÉS E JOSUÉ
De acordo com a tradição judaico-cristã, Josué é o nome do líder de Israel sucessor do profeta Moisés. Filho de Num, da tribo de Efraim, Josué foi ajudante de Moisés durante o êxodo dos israelitas do Egipto e os 40 anos pelo deserto do Sinai. Depois da morte de Moisés, Josué liderou o povo de Israel na conquista das cidades-estados da terra de Canaã. E foi responsável por conduzir os israelitas à Terra Prometida.
Assim sendo, JES é comparado a uma figura legendária cujas façanhas guerreiras são tantas que nem se contam, dentre as quais se podem destacar a tomada da cidade de Jericó e demais feitos relatados na Bíblia que também contaram com a intervenção divina seguidos muitas vezes de prodígios, como no relato dos versos 12 a 15 do capítulo 10 do livro de Josué, em que o sol e a lua chegaram a parar.
Parabéns senhor presidente!
Mas não é tudo.
Outro líder da igreja tocoísta afirmou em toda a simplicidade que JES era um grande messias, nem mais nem menos, o Messias moderno, pois resolveu a crise na sua igreja. Segundo parece JES disse, «Deixem a nossa igreja em paz, eu sei de tudo e vou resolver». E após uma audiência no palácio a crise na igreja tocoísta acabou e reina agora a paz e a bonança no seu seio, disse na sua profética homilia bajulador o pastor Nunes.
Ámen.
Eis aqui relatados factos de indubitável beleza onírica, cujo principal mérito é de servirem como base de apoio a eventuais subsídios. Com pastores assim as igrejas irão infalivelmente longe, muito longe… de Deus. Deixaram de ser a Sua casa e os seus líderes converteram-se em mercenários, não da fé, mas do dinheiro e estão-se completamente marimbando para o sofrimento do povo.

Quem são os falsos profetas
Como sempre, é de nós de quem se fala na Bíblia, e é a nós que se fala. Essa palavra de Jesus não julga o mundo, mas a Igreja; o mundo não será julgado sobre as palavras inúteis (todas as suas palavras, no sentido antes descrito, são palavras inúteis!), mas será julgado, em todo caso, por não ter acreditado em Jesus (cf. Jo 16, 9). Os «homens que deverão prestar contas de toda palavra inútil» são os homens da Igreja; somos nós, os pregadores da palavra de Deus. Estas são pertinentes observações do Frei Raniero Cantalamessa, pregador do Vaticano.
Os «falsos profetas» não são somente os que de vez em quando espalham heresias; são também os que «falsificam» a palavra de Deus. É Paulo quem usa este termo, tirando-o da linguagem quotidiana; literalmente significa diluir a Palavra, como fazem os hospedeiros fraudulentos, quanto colocam água no vinho (cf. 2 Co 2,17;4,2).
Os falsos profetas são aqueles que não apresentam a palavra de Deus em sua pureza, mas que a diluem e a esgotam em milhares de palavras humanas que saem do seu coração.
O falso profeta também sou eu, Ada vez que não me fio da «fraqueza», pobreza e nudez da Palavra e quero revesti-la, e estimo o revestimento mais que a Palavra, e é maior o tempo que gasto com o revestimento que o que emprego com a Palavra permanecendo diante dela em oração, adorando-a e começando a vivê-la em mim.
Jesus, em Cana da Galiléia, transformou a água em vinho, isto é, a letra morta no Espírito que vivifica (é assim como os Padres interpretam espiritualmente o facto); os falsos profetas são aqueles que fazem todo o contrário, ou seja, que convertem o vinho puro da palavra de Deus em água que não embriaga ninguém, em letra morta, em charlatanaria vã. Eles se envergonham do Evangelho (cf. Rom 1, 16) e das palavras de Jesus, porque são muito «duras» para o mundo ou muito pobres para os grandes, e então tentam «temperá-las» com as que Jeremias chamava de «fantasias do seu coração».
São Paulo escrevia ao seu discípulo Timóteo: «Procura apresentar-te a Deus como homem provado, trabalhador que não tem de se envergonhar, que dispensa com retidão a palavra da verdade. Evita o palavreado vão e ímpio, já que os que o praticam progredirão na impiedade» (2 Tm 2,15-16). As palavras profanas são as que não têm pertinência com o projecto de Deus, que não tem a ver com a missão da Igreja. Muitas palavras humanas, muitas palavras inúteis, muitos discursos, muitos documentos. Na era da comunicação em massa, a Igreja corre o risco de afundar-se também na «palha» das palavras inúteis, ditas somente por dizer, escritas somente porque é preciso preencher jornais e revistas.
Desta forma, oferecemos ao mundo um óptimo pretexto para permanecer tranquilo na sua descrença e no seu pecado. Quando escuta a autêntica palavra de Deus, não seria tão fácil, para o incrédulo, dar um jeito em tudo dizendo (como se faz frequentemente, depois de ter ouvido nossas pregações): «Palavras, palavras, palavras!». São Paulo chama as palavras de Deus de «armas do nosso combate» e diz que só a elas «Deus dá a capacidade de destruir fortalezas, desfazer raciocínios presunçosos e todo poder altivo que se levanta contra o conhecimento de Deus, e torna cativo todo pensamento para levá-lo a obedecer a Cristo» (2 Co 10,3-5).
A humanidade está enferma de barulho, dizia o filósofo Kierkegaard; é necessário «convocar um jejum», mas um jejum de palavras; alguém tem de gritar, como fez um dia Moisés: «Faz silêncio e escuta, ó Israel» (Dt 27, 9). O Santo Padre nos recordou a necessidade desse jejum de palavras no seu encontro quaresmal com os párocos de Roma e acho que, como de costume, seu convite se dirigia à Igreja, antes ainda que ao mundo.
O que se passa hoje em Angola, cujo pico máximo da pouca-vergonha ocorre em datas do aniversário do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, há muito foi alertado pela Bíblia, pois não nos podemos esquecer que entre os acontecimentos significativos que Jesus disse assinalariam a “terminação do sistema de coisas” acham-se os seguintes: “Surgirão muitos falsos profetas, e desencaminharão a muitos; e, por causa do aumento do que é contra a lei, o amor da maioria se esfriará.” (Mateus 24:11, 12).
Jesus associou o aumento do que é contra a lei e o esfriamento do amor com a influência de falsos profetas — instrutores religiosos que falsamente afirmam falar em nome de Deus. Já se apresentou evidência de que o clero tem apoiado as guerras das nações, rebaixado as normas morais da Bíblia, taxando-as de antiquadas, e classificado de inverídicas certas partes da Bíblia. Com que resultado? Um ‘esfriamento’ do amor a Deus e a suas leis. Este tem sido um dos grandes factores no colapso da boa moral, bem como no desrespeito à autoridade e na falta de interesse no próximo. —Timóteo 3:1-5.
23.
Por causa destas condições, disse um internauta, milhões têm abandonado as organizações religiosas. Alguns se voltam para a Bíblia e conformam-se a ela. Outros se retiram desapontados e descontentes. Muitos estão se tornando inimigos da religião. Certo colunista disse: “Não se pode deixar de ficar surpreso de ver quantos dos problemas do mundo estão arraigados na religião. E poucas rivalidades políticas seculares chegam a gerar o fervor sanguinário da guerra religiosa.” Por isso, perguntou: “Por que não acabar com a religião?”
Em Angola não se tem dúvidas que por causa destes pastores e bispos de certas religiões muitos fiéis estão desiludidos e têm abandonado a casa do Senhor, desiludidos com estes pastores, que trocam a palavra de Deus, pela força dos dólares da corrupção e do sangue dos milhões de pobres que vegetam com fome, pelas esquinas e carreiros desta imensa terra que se chama Angola.
Imagem:EXPRESSO

NO NAMIBE. Cidadãos revoltam-se duas vezes contra política de demolições e desalojamento Andalica Cossi*



Há menos de uma semana, a capital da província do Namibe registou inesperadamente duas revoltas populares contra a Administração do município, face as más políticas de gestão adoptadas.
A mais fervorosa demonstração de insatisfação aconteceu no passado dia 22 de Agosto, liderada, maioritariamente, por jovens mulheres, anciãs e jovens, que rasgaram as ruas da cidade do Namibe, denunciando a política de discriminação do MPLA virada contra os pobres.
-“ABAIXO GOVERNANTES QUE DESTROEM AS CASAS DOS POBRES”.
-“ABAIXO OS DIRIGENTES AO SERVIÇO DOS ESTRANGEIROS”
-“NÃO VOTAREMOS NOS QUE COLOCAM O POVO NO DESERTO”.
- “QUEM PARTE A CASA DO POVO É PIOR QUE O COLONO”
Todos estes slogans, resultam do facto dos dirigentes municipais, como sempre o vêm fazendo, ameaçarem as populações do Bairro 5 de Abril, de que lhes acabariam de destruir, melhor, partiriam as suas casas e passariam a viver ao relento, sem qualquer tipo de compensação, como se fossem bois, como uma vez cantou Santocas, nos primórdios da Independência.
Com uma Constituição de cariz colonial, pois considera a Terra propriedade originária do Estado, que no caso angolano, significa do MPLA e seus caudilhos, internos e externos, as populações vão ganhando consciência da tirania incubada, por isso, paulatinamente, mesmo ante o troar dos canhões e desembainhar das baionetas, despertam e desafiam a injustiça que campeia.
Esta manifestação que atravessou as ruas do Namibe, até a Administração Municipal é uma clara demonstração de o povo, todo o povo, vai perdendo o medo das armas e canhões da injustiça, por isso não recuou ante o aparato policial, quer por largos momentos barrou os cerca de dois mil manifestantes, que gritaram:
- “Administrador Armando Valente fora”
- “Queremos terrenos para construir as nossas casas”.
Ante a “ousadia” das populações, o administrador Armando Valente apareceu no local, fortemente armado, acompanhado pelo comandante municipal adjunto da Polícia, mais conhecido por Africano, proferindo ameaças, caso as populações não se retirassem e parassem com a manifestação.
E este petulante “rugido”, teve consequências imediatas, pois os seus capangas de serviço, apercebendo-se que o cidadão, Augusto Kapica, concedia uma entrevista aos órgãos de comunicação que cobriam o acto, nomeadamente; Voz da América, Folha 8 e Rádio Despertar, arrancaram-lhe à força, sob ameaça de armas, sob alegação de ser o cabecilha dos manifestantes.
Levado para a unidade policial, foi submetido a forte interrogatório e pressionado a denunciar que o organizador e instigador da manifestação era o jornalista Armando Chicoca, correspondente do F8, na região Sul.
Não pactuando, com mentiras e apesar de se expressar deficientemente na língua portuguesa, Kapica, autóctone, natural de Quipungo, província da Huila e vivendo há 50 anos no Namibe, disse preferir sofrer a incriminar um inocente, pois não havia traidores na sua família e tribo. “Sou militante do MPLA. Em 2008 votei no MPLA, o meu partido, e se o MPLA é o povo e o povo é o MPLA, quem governa deve atender as preocupações deste mesmo povo, logo o senhor Armando Valente, tem de assumir as suas responsabilidades e não fugir os cidadãos”, disse o ancião.
No entanto é mister reconhecer a atitude digna do comandante provincial da Polícia, António Pedro Kandela, que ao tomar conhecimento dos populares defronte ao comando e ouvidas as versões das partes, ordenou a rápida soltura do cidadão por se tratar de prisão ilegal, sugerida pelo administrador Armando Valente., que caricatamente, é primeiro secretário do comité Municipal do Namibe do MPLA.
“Como é que um governante arrogante, poderá cativar pessoas em idade eleitoral para votar no seu partido, se ele foge os cidadãos que governa, trata as pessoas de bandidos por causa dos requerimentos de terrenos que há mais de três anos não despacha, quando todos nós sabemos que ele tem reservas de terrenos, tem pessoas mandatadas por ele que procuram clientes e vendem a 12 mil dólares os lotes. O que nos espanta é o silêncio da governadora”, disse ao F8, Marciana Jamba, 70 anos de idade, viúva, depois do marido; um Polícia, tal como um filho militar das ex-FAPLA, terem morrido, em consequência da guerra.
Esta anciã, vivia no bairro Calumbilo, onde foram retirados pelos fiscais da administração da comuna do Forte de Santa Rita a um bom tempo e nunca lhe foi dado terreno, tal como os outros cidadãos. “Meu filho, estamos a sofrer, nem parece que Angola está independente, por isso viemos aqui ter com o chefe para nos dar também terrenos e construirmos nossas casas para viver como as outras pessoas», lamentou.
Esta revolta deu-se quando a governadora do Namibe Cândida Celeste da Silva se encontrava na cidade do Lubango, nas exéquias fúnebres do malogrado “Dr.Viriato reitor da Universidade Mandume e foi surpreendida com a informação do administrador Municipal e secretário municipal do MPLA, Armando Valente e do secretário para a informação, Mário Tchova, de o chefe da manifestação ser Armando Chicoca, para tirar dividendos políticos a favor da UNITA.
Contactado telefonicamente pela governante, Armando Chicoca negou as acusações, alegando ter congelado a sua militância partidária em 1990, quando aderiu a causa dos Direitos Humanos.
Recorde-se que em 2007, era governador provincial Boavida Neto e o jornalista teve igual acusação, de ter incitado a população no mercado cinco de Abril, em função da destruição das suas barracas. O facto não ficou provado em Tribunal durante a discussão da prova, mas ainda assim, face aos corredores, o jornalista ficou, injustamente, 30 dias preso.
Em 2010, o mesmo Administrador Armando Valente, presumivelmente associando-se a outras pessoas de má-fé, apresentou queixa de ter recebido mensagens de ameaças de morte, presumindo fossem de Armando Chicoca, facto que não conseguiu sustentar em tribunal, acabando por não se provarem as acusações.

NOVA MANIFESTAÇÃO NO PLATO
Pela segunda vez em menos de uma semana, outra manifestação eclodiu no Bairro Plato, no “31.08” onde os munícipes também reclamam um espaço de terra para erguerem as suas próprias residências.
A governadora do Namibe, Cândida Celeste da Silva que parece ter agora uma informação equilibrada quanto ao fenómeno terrenos, sobretudo no Município do Namibe, promete engajar-se na resolução destes casos e banir a corrupção
O administrador adjunto do Namibe, Alexandre Calei, confirmou ter a chefe do executivo provincial reunido, orientando “para uma urgente necessidade de se dirimir este conflito de terrenos. E como primeira medida, tudo volta a ser como era dantes, com os populares a receberem ordens de regresso as suas casas.”Estamos a resolver o problema, já não haverá mais manifestações por causa dos terrenos, eles existem e há uma orientação da governadora de como devemos agir, dentro das normas existentes», assegurou Alexandre Calei.
Numa altura em que o conceito de policiamento de proximidade implementado junto das comunidades locais está a ganhar consistência, face a simpatia oferecida a população pelo novo Comandante da corporação, comissário António Pedro Kandela, as posições da administração colocaram em risco esta convivência.
«Se houver este diálogo entre os órgãos da administração municipal e a população, estes problemas que não são grandes, mas que inquietam a segurança pública, serão ultrapassados. Nós estamos a aguardar e acreditamos que esta é a melhor solução, que o cidadão tem”, reiterou.
No entanto a governadora é acusada de não ter mexido no seu executivo, havendo indícios de luta interna quer no próprio partido quer no governo local, por virem da época de Boavida Neto e uma das provas é o regresso do lixo na cidade do Namibe.
* No Namibe
Imagem; Armando Chicoca VOA

Pode estar desvendado o segredo dos preços. Cidade do Kilamba é um projecto de Pierre Falcone e não do governo


O governo da República de Angola, ou melhor, o seu Executivo, legatário universal do defunto governo, cujo passamento físico ocorreu em Janeiro de 2010 no seguimento de uma fatídica machadada dada precisamente pelo seu actual herdeiro universal, vai evoluindo ao fio do tempo no sentido de se parecer cada vez mais com uma equipa de futebol que ataca, ataca, ataca (as eleições estão á porta, é normal), mas não consegue marcar golos. É bolas à trave, ao poste, bolas fora e à figura do guarda-redes (a Oposição. Que agradece mas não reage), quanto a fazer avançar o marcador é que não há maneira. A última moda, do executivo é o chamado projecto Kilamba, inaugurado com pompa e circunstância pelo Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, mas que este, compreensivelmente, não sabia o valor de custo da empreitada, porque afinal ela é fruto, segundo uma fonte do F8, da iniciativa privada de Pierre Calcine, o famoso traficante de armas, transformado, ilegalmente, cidadão e embaixador angolano, pelo Presidente da República, que lhe considera seu amigo.

Dito de outra maneira, neste jogo do regime de JES, que dura há mais de trinta anos graças a sucessivos prolongamentos ilegais transformados em legais por via da varinha mágica da prepotência instituída em Angola pelo actual MPLA, o desempenho do seu Executivo pauta por uma confrangedora ineficácia no que toca aos assuntos mais importantes e sensíveis da sociedade angolana.
Vão-se acumulando os desastres em todos os sectores, desde o ataque à pobres aos anunciados crescimentos económicos que nem a dois dígitos tem chegado nos últimos tempos e que deveria ser não de dez mas de cem por cento ao ano, dado o estado calamitoso, quase completamente destruído, em que se encontrava o nosso tecido económico em 2002, data teórica de instalação da paz no país. E apenas transcrevemos aqui a opinião de um reputado economista da nossa praça.
Repare-se que tudo o que o Executivo fez foi show-off, condomínios aos pontapés por todo o sítio com algum “glamour”, estádios e meia-dúzia de infra-estruturas para a CAN de 2010 e projectos imobiliários faraónicos, dentre os quais se destacam os da centralidade do Kilamba e o faustoso plano da zona ribeirinha do Futungo e Benfica.
No que toca ao bem-estar individual, este atingiu qualquer coisa como 10 a 20% das populações de Cabinda ao Cunene.
Praticamente nada.

Os Segredos do projecto Kilamba
A última ocasião desperdiçada pelo executivo para redourar o seu brasão já enferrujado foi o secretíssimo projecto da centralidade do Kilamba, que deixou toda a gente banzé, perante a grandiosidade do empreendimento. E aí estamos nós, numa outra de inépcia flagrante, grandioso mas para “Inglês ver”, mais nada. Mas comecemos pelo princípio.
A cidade do Kilamba tem sido um mistério desde que saiu da cabeçorra do ou dos que o conceberam. Porquê?
Por nada, isso não são coisas para saber, adiante.
A obra foi inaugurada por JES com pompa, circunstância e opulentos arrotos de vaidade. Tendo este último anunciado que os preços das residências deste complexo urbanístico não ultrapassariam os 60 mil dólares, o banzé do mwangolé cresceu. E de que maneira.
Mas logo se constatou um “senão” na bela obra, um facto curioso: JES, que tinha dito sessenta mil dólares, agora, na inauguração já não sabia o valor a que elas seriam vendidas. Estranho, não?
Ora, se alguém com altas responsabilidades de Estado, gestor e responsável das suas contas, aprova projectos e não sabe, depois da inauguração dos mesmos, a que preços eles podem ser comercializados em favor do povo que lhe dá os votos, a estranheza transforma-se em desconfiança. Aí deve de certeza haver gato!...
E esse gato leva-nos a ter de investigar. E a investigação, como é curioso, leva-nos até ao já incontornável fazedor de altas negociatas, Pierre Falcone, também conhecido agora pelo cognome de “Senhor China”, pois, segundo a nossa fonte, foi pelas suas mãos que, na fase crítica das negociações do crédito “chinês”, Angola pôde obter dos cofres desse país asiático, após convencimento, os biliões que serviram de incremento aos faraónicos projectos de JES.
Este cidadão franco-brasileiro e, agora, também de nacionalidade angolana, obtida ilegalmente, diga-se, porque o processo não respeitou os trâmites legais nem aprovação na Assembleia Nacional, mas a vontade de JES, colocou num de repente este homem muito importante nos corredores do poder e das Finanças.
E, depois de ter ajudado o seu amigo angolano com as armas que ajudaram a derrotar Jonas Savimbi e a UNITA-Militar, eis que o homem proprôs nova ajuda, neste caso económica, lançando mãos a um megalómano projecto, que numa primeira fase, pasme-se, envolveria um financiamento avaliado em mais de 1.500 milhões de dólares (um bilião e quinhentos milhões de dólares), constituindo um dos maiores empréstimos chinês a um investidor privado.
Carecendo apenas da aprovação das autoridades angolanas, Falcone, obteve a garantia bancária de JES, antes mesmo de ter ido para França onde viria a ficar preso, por cerca de dois anos, sem que, no entanto o programa parasse, uma vez já ter terreno, disponibilizado a preço de saldo e um mega projecto urbanístico aprovado, pela Presidência.

Esse projecto era e é precisamente o da zona do Kilamba Kiaxi!
Com todos os preliminares na mão, o homem trouxe não só o dinheiro, como ainda as empresas chinesas para começarem a corporizar, aquela que é a maior empreitada habitacional de todos os tempos, cuja finalidade foi a de testar a parceria público/privada, entre Falcone/JES, visando transformar em realidade o seu sonho de um milhão de casas.
Estas são as informações que chegaram à Redacção do F8, vindas da mesma fonte que permitiu ao nosso bissemanário avançar pormenores que nunca foram desmentidos sobre o caso do “Angolagate”. Trata-se de um fonte segura e credível. Seria bom que a estas revelações aqui noticiadas se seguisse seja uma confirmação oficial, seja uma denegação devidamente justificada e com provas irrefutáveis.
De qualquer modo, a ser verdadeira, esta versão dos factos dá todo o sentido à salgalhada infanto-juvenil das hesitações do Estado no que toca ao preço das casas, e, a partir daí, passaria a ser facilmente compreensível que JES não soubesse o preço das casas, na medida em que em que se trata de um projecto público-privado, quer dizer, como o governo quer ficar com o mesmo, terá agora de negociar com Pierre Falcone.
E é aqui que a porca torce o rabo, pois as negociações para a venda do projecto de Falcone não parece terem sido pacíficas com a nossa fonte, e outras mais, a garantir que o ex-traficante franco-angolano teria pedido pela sua intervenção qualquer coisa a rondar os USD 8.000.000.000,00 (oito biliões de dólares), que estarão na base do aumento do preço de USD 60 para 135 mil dólares, que estão a ser negociados os apartamentos.
Assunto a seguir com muita atenção, razão pela qual certamente voltaremos numa das próximas edições.

Os roubos em série no BNA. Inversão da visão de um crime que iliba a responsabilidade dos chefes


No dia 28 de Julho foi dado início no Tribunal Provincial de Luanda a um julgamento a que se deu o nome de “Caso BNA”(!), como se só houvesse um caso. São tantos os casos - e só neste são três -, que mais valia apelidar este julgamento, por exemplo, “Julgamento da série BNA”, o que tacitamente o englobaria no seio de todos os “casos” que a essa instituição se referem.

Lucas Formoso & Arlindo Santana

O que chegou ao nosso conhecimento dá conta de «um roubo de 1 milhão e meio de dólares e de 230 mil euros dos Cofres do Banco Nacional de Angola», ou seja, dos cofres do Estado. Na audiência inicial, para além de contar com a presença dos oito réus acusados do Crime de Furto Doméstico, estiveram igualmente presentes os antigos Governadores do BNA: Amadeu Maurício e Abraão Gourgel, que curiosamente surgiram como declarantes, quando o mais correcto era o de virem aos autos, como arguidos, ainda que soltos, porquanto foi através dos seus actos de autenticarem as ordens de transferência, que permitiram legitimar a falsidade preparatória dos actos considerados ilícitos.
Assim teremos a raia miúda, no banco dos réus, com a ausência dos graúdos que tinham, legalmente, o dever de fiscalizar todos os actos de gestão, principalmente aqueles que engajam a instituição bancária.
Os réus em julgado são oito: Nelson Manuel Adão (conhecido por Real) técnico de cofres e serralheiro do BNA; Domingos António Pedro (conhecido por bombista) chefe de uma secção da Divisão de segurança do BNA; Lourenço Simão (conhecido por Langa) motorista do BNA; Bernardo Girão (conhecido por Girão) agente da Divisão de segurança do BNA; Domingos Faustino (conhecido por Mingo Jacó) agente da Divisão de segurança do BNA; Manuel Loupo Cauacaca Camolo (conhecido por Camolo) segurança do BNA; Augusto Bernardo Gonçalves Kerlan (conhecido por Gu) operador do circuito fechado de televisão do BNA; António Henrique Trindade (conhecido por Trindade) motorista.
Ora se este leque de homens conseguiu fazer isso, então temos a confirmação que os nossos gestores, terão métodos mais apurados de surripiar dinheiro públiclo, porque não se acredita, a não ser que se reconheça, ser Angola uma república das bananas.
O assunto em litígio diz respeito à violação dum cofre-forte, que, segundo o que consta na Acusação, promovida pelo Ministério Público e na Pronúncia do juiz, que havia sido restaurado depois de ter sido durante muito tempo abandonado algures no pátio da sede do BNA, restauração essa executada por ordem da directora da área denominada, DGR, que teria contrariado uma orientação superior de Abraão Gourgel, o qual havia dito que era preciso comprar um cofre novo, em vez de mandar reparar um já fora de serviço e por demais corroído. Se assim foi qual a medida tomada pelo governador no sentido da correcção? Nenhuma.

História-fotocópia de tantas outras no género
A história deste lance é semelhante a muitas outras no género. Um serralheiro (do BNA), Nelson Manuel Adão (conhecido por Real) provoca intencionalmente uma avaria na patilha de introdução do código de acesso ao cofre de modo a ser solicitado uma segunda vez e assim poder entrar em contacto directo com o tesoureiro (do BNA), Santiago Lopes Carneiro, na hora da colocação do código de segurança. Momento grandioso em que os homens sempre se podem entender.
A ideia pelos vistos funcionou, Real foi posto ao corrente do enunciado da senha, voluntária ou involuntariamente, como serralheiro tinha uma chave e abrir o cofre passou a ser uma brincadeira para ele. Porém, agir sozinho seria uma loucura. Precisava de apoios, a começar pelos seguranças, passando pelos técnicos, os motoristas…
Isto, segundo uma das versões dos factos ocorridos, havendo uma outra que se lhe opõe e é a do próprio Real, como veremos mais adiante.
Esse funcionário quase exemplar assumiu a sua participação no roubo, mas disse em tribunal que foi involuntária. Sustenta que foi pressionado e perseguido pelo colega, António Pedro (conhecido por Bombista) chefe de uma secção da Divisão de Segurança do BNA, que chegou a ameaçar as suas filhas.
Terá resistido até ao último momento, mas diz ter-lhe sido feita, depois uma cilada no seguimento da qual ele se viu diante do BNA sem recursos para retirada.
Disse ainda que tinha entregado à Procuradoria da República todo o valor recebido resultante do roubo. Mas insiste que não está de acordo com as quantias que se diz terem sido roubadas e constam dos autos. Segundo ele seriam quando muito entre 650 a 750 mil dólares, ao invés de um milhão e meio de dólares e duzentos e trinta mil euros.
A verdade é que diante de tanta desorganização do BNA, não podem os governadores serem isentos de responsabilidade, salvo se a pretensão final for, como já se viu que será, premiar os infractores de colarinho branco.
De qualquer modo, aludiu o réu, em sua defesa, para registo nos autos, ele só soube da senha porque foi solicitado a intervir em ajuda ao tesoureiro que não conseguia introduzi-la. Porém, opinou que também não é normal uma só pessoa ter a senha e a chave do cofre. E o tesoureiro, Santiago Lopes Carneiro, tinha tanto a chave como a senha.
Sigam o meu olhar, não sou eu, é o meu irmão… Real negou com firmeza ser ele o mentor da engenharia do roubo.

O peso do contraditório
Esta versão, como escrito supra, é contrariada por uma outra da autoria do Domingos António Pedro (conhecido por Bombista) chefe de uma secção da Divisão de Segurança do BNA, considerado um dos mentores deste Crime de Furto Doméstico em detrimento dos do BNA (quer dizer, de todos os angolanos), não teve pejo em afirmar que tinha sido contactado pelo serralheiro Real no último domingo do ano de 2009, numa altura em que este se fazia acompanhar pelo motorista Lourenço Simão (Langa). Nesse encontro, o Real ter-lhe-ia revelado que já havia feito a sua parte, quer dizer, já tinha reparado o cofre, tinha visto qual era a senha e estava em posse da chave.
Reunidas assim as condições de base para fazer o golpe, faltava assegurar a impunidade do acto e para satisfazer tal requisito, foi mobilizado Augusto Bernardo Gonçalves Kerlan (conhecido por Gu) operador do circuito fechado de televisão do BNA e Bernardo Girão (conhecido por Girão) agente da Divisão de segurança do BNA; este por sua vez também convidou para entrar na baila Domingos Faustino (conhecido por Mingo Jacó) agente da Divisão de segurança do BNA.
Com tudo planeado deste modo, no dia 31 de Dezembro de 2009 o Real abriu o cofre em poucos minutos. Foi fácil, pois ele tinha a chave e a senha do mesmo. Confirmou em tribunal só terem entrado para a sala em que estava o cofre, duas pessoas, ele e o Real, que terá entrado fardado e com uma toalha ao ombro para iludir como se estivesse a ir ao banho, a pedido de Kerlan, o qual, entretanto já tinha desligado as câmaras vídeo de segurança.
Esta versão viria a ser contrariada por uma outra que diz que o assalto foi consumado no dia três de Janeiro de 2010, tendo os réus se retirado de forma estratégica pela porta da Agência Central (junto ao Hotel Universo).
Em todo o caso…, o cofre estava cheio, mas eles só tiraram dinheiro da primeira prateleira, 1 milhão e duzentos mil dólares, para não dar nas vistas, quer dizer, para evitar que o roubo fosse rapidamente descoberto.
No que toca à divisão do tesouro arrecadado, toda essa malta foi até à Samba, a casa de um chamado Bernardo Girão (conhecido por Girão) agente da Divisão de segurança do BNA.
Mas seria inútil abordar esse assunto, pois a confusão é demais, o total anunciado pelos réus dá maior montante do que o que desaparecera do cofre e, no meio da confusão, os alegados mentores, Bombista e Real, limparam à socapa 25 mil dólares cada um, que meteram no bolso enquanto estavam na sala do cofre.
Passemos igualmente sobre as condições que presidiram aos interrogatórios musculados, com tortura à mistura, segundo os réus, e sobre as denegações do Bombista às acusações do Real, de que ele o teria ameaçado e coagido a entrar no golpe; calemos as gafes de advogados e os tiros cruzados de acusações de uns réus para os outros, nomeadamente contra Bernardo Girão (Girão) e Domingos Faustino (Jacó) agentes da Divisão de segurança do BNA, acusados por Bombista de serem os motores do roubo, pois se não tivessem participado ele não teria sido possível. Vejamos, sim, o essencial que há a retirar como lição deste processo criminal.

Arrependimentos e excessos
O tesoureiro deu dado conta do roubo dia cinco de Janeiro seguinte e do dinheiro roubado foram recuperados 565 mil dólares americanos, computadores, uma viatura de marca Toyota e de modelo Starlet e outra de marca Mitsubishi modelo carrinha L200, assim como duas casas no Zango, que foram seladas pelo tribunal.
Os réus reconheceram em tribunal ter participado neste roubo e defenderam-se como puderam, um deles chorou muito e foi mesmo aconselhado a não chorar tanto para não estragar o efeito almejado, quer dizer, comover um juiz soberano, mas, pelo essencial a defesa principal incidiu no pedido de anulação do processo, por alegada inconstitucionalidade ao se fazer diligências, buscas e detenção dos réus sem mandado e sem a presença dos respectivos advogados, como plasma a Constituição angolana.
No que toca a outras questões de direito, os mandatários dos réus pediram que o juiz use atenuação extraordinária ao avaliar a situação dos seus constituintes, pois os mesmos, na sua maior parte, já entregaram quase a totalidade dos valores e comprometem-se a restituir o que falta, tão logo seja viável. Enfim, tudo isto que aqui acima foi relatado é do foro da arraia-miúda, que se mistura para fruir vantagens e se mortifica e gladia para escapar à multa. Mete-se, a arraia-miúda em cavalarias altas e encontra-se sem meios para pagar os prejuízos que os seus actos dolosos causaram.
Os protagonistas destes assaltos organizados nas barbas dos responsáveis pelos fundos monetários do Estado, que são nossos, de todos os angolanos e alegadamente “guardados” no BNA, foram crescendo em número e se aglutinando em torno dos principais mentores. O problema é que os mentores sumiram, pois a partir do momento em que começou o processo nenhum dos réus admitiu ser ele o mentor.
Por outro lado, dizer que o dinheiro do cofre violado saiu no consulado de Amadeu Maurício, supostamente para comprar um imóvel e no entanto, regressou à procedência já com Abraão Gourgel à cabeça do BNA, indica de algum modo por que linhas tortas se tecem cambalachos na alta finança, estratosfera interdita a toda e qualquer arraia-miúda.
É que, se esse dinheiro saiu e depois entrou, seria bom que se soubesse a razão, mas, como de costume, não se apresentaram razões, o dinheiro está aí, de volta, não complique! O que apenas serve para exacerbar a proliferação de versões especulativas.

Assim sendo, à boca pequena fala-se num descaminho por consumar (mal sucedido) ensaiado por Amadeu Maurício, que deu por torto com o despoletar dos processos-crime BNA. Vendo-se em situação pouco cómoda, entendeu prudente mandar de volta aquela quantia milionária aos domínios do BNA.
Segundo fontes credíveis, nos meandros de altos funcionários do BNA comenta-se que aquele dinheiro deveria ter outra casa de repouso (como por exemplo a caixa-forte) e não o cofre do DGR. Acreditam tais especialistas que, não obstante, ter dado entrada protocolada, o dinheiro só lá foi parar porque um privilegiado mandatário do BNA preparava um fim a seu gosto e de legitimidade duvidosa...

Roubos em série no BNA
Este roubo no BNA foi descoberto em Novembro de 2010 graças a um alerta de um antigo ministro das Finanças. A Procuradoria-Geral da República (PGR) tomou conta do caso e verificou com o andar do tempo que não era um só caso, eram casos, o que fez com que o primeiro processo se desdobrasse na constituição de três processos-crime no âmbito dos quais foram feitas dezenas de detenções preventivas e se aventou a hipótese de que altas individualidades estivessem envolvidas no saque.
Os processos instruídos foram assim rotulados: crimes de transferências ilícitas de divisas ao exterior (com 25 presos); furto de moeda estrangeira na tesouraria do BNA (com 8 presos) e o da cremação de dinheiro (com 16 presos). Todos eles foram distribuídos para a oitava secção do Tribunal Provincial de Luanda e a um só juiz (José Pereira Lourenço). Um deles já em julgamento e os outros dois com os despachos de pronúncia prestes a sair (segundo nossa fonte, ainda este mês de Agosto) e desta feita serão marcadas as datas de início do julgamento dos dois processos restantes.
Fruto destas fraudes o Estado angolano foi saqueado em centenas de milhões de dólares, se contarmos os que foram fraudulentamente transferidos para o exterior do país entre 2007 e 209, mas recuperou parte do valor, que consideramos pouco importante, bem como confiscou bens e imóveis diversos adquiridos por alguns dos arguidos e ainda está no encalço de outras quantias, até mesmo no exterior do país.
“Como se pode calcular, muita tinta vai correr e muitas horas se vai passar em tribunal, a acompanhar os julgamentos, até pelo que se sabe os magistrados da oitava secção estão embrenhados numa imensidão de páginas que poderão atingir mais de dez mil, além do número de réus, que também, por si só acarreta trabalho de sobra...”
Entretanto, não façamos de conta que até nós não chegaram as vozes que se levantaram e se levantam contra a PGR por alegados procedimentos sem o devido respeito aos preceitos constitucionais, em que se estabelece que o detido deve ser interrogado, acompanhado de um defensor (advogado), nem que seja oficioso, e o mesmo plasma a Lei quando se trata de diligências, busca e captura. Continuamos francamente esperançados numa melhoria sensível desse estado de coisas.

Quem são os verdadeiros assassinos da deputada e oficial do interior


Numa nova peça de teatro escrita por um desconhecido dramaturgo da Polícia Nacional de Angola (PNA) e posta em cena por um juiz de mãos presas, uma, ao poder Executivo, a outra, ao Executivo do poder, foi apresentada a público o julgamento dos alegados assassinos da malograda deputada Beatriz Aurora Salokombo e seu irmão, António das Neves, oficial superior dos Serviços de Migração e Estrangeiros (SME).
Quanto ao enredo deste drama, o que nos serve de base para descrevê-lo são as declarações de uma irmã da vítima, Cândida Sónia Neves Ferreira, e da sua filha, Wesa Sakolombo.
Tudo aconteceu em frente à porta da residência de Cândida Ferreira, no dia 29 de Julho de 2009, por volta das 19 horas, quando a sua sobrinha, Weza Salokombo, filha da malograda deputada, entrou em sua casa acompanhada pelo tio, António das Neves. Tinham vindo de carro, uma carrinha modelo L200, de cor branca e marca Mitsubishi e nela tinham deixado à espera a deputada Beatriz Salokombo.
Poucos minutos depois de terem entrado ouviram-se tiros, de imediato correram para a rua e depararam-se com quatro ou cinco indivíduos fortemente armados com armas semelhantes às que a polícia usa, provavelmente do tipo Macarov.
O António das Neves avançou e ainda chegou a dizer, «Eh, mas o que é que se passa? Vamos conversar, tenham calma”, mas mal acabou de falar foi atingido por um disparo à queima-roupa, no peito. A Cândida Ferreira pôs-se a correr para dentro de casa e puxou consigo a sua filha e também a sobrinha, Weza Salokombo. Seguiram-se numerosos disparos e depois de estes cessarem as três sobreviventes regressaram à rua e encontram a deputada do MPLA ferida, mas de pé, e seu irmão estendido no chão com a barriga para baixo. Rapidamente levaram este último para o carro a fim de o transportar até ao hospital “e Beatriz Salokombo, ao subir para a viatura notou e comentou que também havia sido alvejada. Mas consegui subir para o carro”.
Quando chegaram ao hospital Multiperfil já o oficial superior do SME havia morrido pelo caminho e a sua irmã Beatriz Salokombo saiu do carro de seus próprios pés e dirigiu-se aos serviços médicos. Foi socorrida, não tendo sido esclarecido se rápida ou vagarosamente, o que é certo é que, por volta da uma hora da manhã ela perdeu a vida no bloco operatório daquela clínica. E de acordo a sua irmã em tribunal, os médicos alegaram que a bala era incendiária e esta terá sido causa principal do seu falecimento.

Pormenores reveladores
É esta a versão dos acontecimentos dada pela irmã de Beatriz Salokombo em tribunal, à qual ela junta alguns pormenores interessantes, tais como dizer que não reconheceria os assaltantes porque estava muito escuro e porque o susto causado pelos tiros levaram-na a perder a concentração; não confirmou terem sido duas viaturas como rezam os autos, mas uma viatura de marca RAV 4, que estava com as quatro portas abertas à frente da carrinha L200 das vítimas; certificou que a carrinha não tinha sido alvejada, o que leva a inferir que a irmã não terá sido atingida dentro do carro; enfim, quando Wesa Salokombo, diante das armas, ofereceu a chave para se levar a carrinha, os bandidos só lhe receberam o telemóvel e não quiseram saber da chave do carro, o que indica que o móbil do crime não era o roubo de viaturas.
De notar ainda que, segundo o que consta no depoimento de Cândida Ferreira, os bandidos calaram a boca à filha da deputada do MPLA e de roubo só se tem a aferir que foram levadas duas pastas de couro de cor preta e numa delas havia documentos de trabalho.
A declarante Benilda Manuela Ferraz, filha de Cândida Ferreira, também foi chamada a depor e confirmou o que a sua mãe havia contado; não identificou os réus, pelas mesmas razões que a sua progenitora apresentou. Quanto ao outro declarante, João Carlos Ferreira, irmão das vítimas, foi chamado como declarante, mas logo dispensado, porque o seu depoimento não tinha valia, já que não esteve presente no local do crime.

Nova sessão “escaldante” em perspectiva
A próxima sessão do julgamento terá lugar do próximo dia 23 de Agosto e será ouvida a filha da malograda deputada, Weza Salokombo - deveria ter estado na primeira audiência e só não se fez presente porque até à data continua com sequelas do que aconteceu no fatídico dia em que mataram a sua mãe e o seu tio, estando por ora a ser acompanhada por um especialista brasileiro - assim como o instrutor processual da DPIC, Sousa Nunes e, quiçá, o alegado policia MAU-MAU, inspector Adelino Agostinho Caxito de 43 anos de idade acusado pelos réus de os ter torturado ao longo da instrução processual, apesar de já se ter pronunciado ao longo desta primeira sessão, negando, evidentemente, tudo, com a serenidade do polícia sénior, com 25 anos como agente da corporação e 21 em funções na investigação criminal.
Ora “o tudo” é extremamente apimentado se forem levados em consideração os dizeres do réu António Samuel Serrote, de 33 anos, que relembrou ao juiz ter sido ouvido cerca de seis vezes e em todas ela pelo instrutor Agostinho Caxito, que o teria algemado e torturado. Disse ainda que lhe entregaram um manuscrito feito na “cozinha” da polícia, para, obrigatoriamente, ter que ser assinado, o que contrata com o procedimento do Ministério Público que não o molestou de modo algum.
Um dos aspectos curiosos desta “peça” é o facto de o crime ter sido praticado na Samba e notificado naquele município e o processo instruído no Cazenga. O advogado de defesa levantou essa questão, à qual o instrutor processual, Sousa Nunes, “meio engasgado”, respondeu: “Não cabe a mim explicar”. Ponto final, parágrafo.
A defesa quis ainda saber o porquê de nos autos do aludido interrogatório feito pelo ministério Público, constarem também folhas com timbre do Ministério do Interior, mas o instrutor não se dispôs a responder e o juiz também se indispôs com o advogado, teve de o advertir de tanta insistência, dizendo-lhe que o podia pôr fora da sala e indicar um defensor oficioso. O advogado teve de se conter e esperar por outros meios para expressar os seus alegados argumentos de razão.

Eis em que águas turvas pára esta “encenação, situação agravada pelo facto de os familiares das vítimas deste crime cometido no município da Samba, segundo o que foi expresso por um deles, não acreditarem que os réus presentes em tribunal sejam os verdadeiros assassinos. O que lhes parece é que a polícia terá fabricado bodes expiatórios à sua medida para assim encontrar uma solução do caso aos olhos da sociedade e da opinião pública nacional e internacional.
Em favor desta maneira de ver o caso, corrobora o facto de o carro ter sido apresentado pela polícia como sendo um RAV4 verde, de três portas. Ora o carro dos crimes foi um RAV4 de cinco portas de cor azul ou preto.


sábado, 10 de setembro de 2011

Líder da JURA (Juventude da UNITA) espancado na cadeia de Kakila


Luanda – Mfuka Muzemba, o Secretario-Geral da JURA, cujo paradeiro era até então desconhecido, pela direção do seu partido, foi transferido para uma prisão de alta segurança, conhecida como a cadeia de Kakila, localizada, nos arredores de Calumbo. O dirigente juvenil e um grupo de jovens detidos, nas mesmas circunstancias foram espancados no decorrer de uma sessão de tortura física e psicológica (não foram alimentados de sexta para sábado). Perto das 19h40, de Sexta feira, aquele líder juvenil foi o único a ser tirado da cela para uma suposta reunião que durou perto de duas horas.

Fonte: Club-k.net
Regime tortura adversários políticos
As 9h da manha deste sábado, os guardas dos serviços prisionais impediram que a mãe de um dos detidos identificado por Paulo Vaz pudesse receber visita, alegando “falta de autorização superior”. Após terem implorado, os familiares dos detidos conseguiram entregar alguns bens levados, quando eram 14 horas.

Mfuka Muzemba foi detido no passado dia 8 Setembro quando fotografava um grupo de jovens que protestava no largo Serpa Pinto em solidariedade aos manifestantes do dia 3 de Setembro. Foram também presos membros do Bloco Democrático que se deslocaram ao local para prestar solidariedade juvenil ao grupo que estava a ser julgado no tribunal da Ingombota.

A detenção de Mfuka Muzemba é agora aproveitada pelas as autoridades para dar a entender que as manifestações em Angola estão a ser realizadas pela UNITA. Numa recém entrevista, a emissora católica, Sebastião Martins, o Ministro do Interior, questionou a presença do mesmo ao local.

De acordo com informações plausíveis, Sebastião Martins, tenciona levá-lo a tribunal para ser julgado tão logo que outro grupo de “Carbono” Casimiro venha a ser condenado (Juiz foi orientado a soltar e aplicar uma multa pesada).

As autoridades, mostram-se cientes que não há provas que indicie crime da parte de Mfuka Muzemba. Tencionam apresentar o vidro partido de um carro da polícia como evidencia dos supostos estragos que provocou.
O regime vê na detenção de Mfuka Muzemba, como oportunidade de tirar proveito político. Logo após ao dia 3 de Setembro, o governo propagou que o primeiro grupo de manifestantes agrediu a policia e praticou actos de vandalismo. A soltura dos jovens, por falta de provas, colocará as autoridades numa posição em que a população pode concluir que o governo usou uma inverdade para incriminar os manifestantes.

A detenção de Mfuka Muzemba, obedece agora a cálculos destinados a levá-lo em tribunal e ser propagado como autor das manifestações. Embora haja a garantia de que venha a ser posto em liberdade, há estimativas indicam que o governo não iria permitir passar na televisão a parte final do julgamento para que vinque a idéia de que esta a ser julgado como o actor das manifestação.

As manifestações recentes deixaram as autoridades muito chocadas por ter estragado o trabalho de marketing feito na véspera do 28 de Agosto que visava promover a imagem de JES como lider de “carisma”. A nível do gabinete de acção psicológica da PR, a manifestação de 3 de Setembro, abafou o trabalho posto em curso que precipitou a promoção de um rumor que dava entender que JES iria sair do poder já em 2012.

A idéia do regime é passar a mensagem de que em Angola “esta tudo bem” e que os jovens não se manifestam por causa de problemas sócias, a que invocam mas porque são instigados pela UNITA. Em outras manifestações terão acontecido o mesmo, o que levou os manifestantes a responder que “eram maduros demasiados” para serem influenciados por partidos da oposição.

Lista dos presos politicos

Domingos Tove
Neves Cardoso
Alcibiades Kopumi
Agostinho Kamuango
Pedro Ulika
Isaías Celestino
Abaiao Mohindo
Afonso Vemba
Miguel Constantino/
João Dinis
José Morais
Cristóvão Segunda
Lito António
correia Domingos
José Tchilumbo
Mário Paulino Paulino Samacaca
Rodrigues Matumona
Daniel Silveira
Manuel Neto
Leonildo Eduardo
Agapito João
Mário Cristo
Mfuca Muzemba

terça-feira, 6 de setembro de 2011

País pode enfrentar uma revolta popular – Marcolino Moco


Benguela - O antigo primeiro ministro de Angola, Marcolino Moco, disse em Benguela que, o país pode enfrentar uma revolta popular a semelhança do que ocorreu na Tunísia, Egipto e na Líbia, caso o MPLA, partido no poder, não efectue profundas reformas democráticas.

Fonte: VOA
Em declarações a Voz da América, o antigo secretário-geral do partido que governa Angola, referiu que apesar da esfera pública angolana ter se revelado turbulenta e traumatizada por muito tempo devido as repressões sistemáticas do regime contra as manifestações, a juventude angolana tem demonstrado um elevado nível de consciência política.

Para o académico, as revoltas desencadeadas no Norte de África têm vindo a estimular a resistência civil no país, realçando o papel desempenhado pela internet na luta dos jovens contra o regime.

Segundo a fonte, por meio das redes sociais como Facebook e Twitter, os jovens têm organizado protestos, convocam outras pessoas e aumentaram a abrangência das críticas contra o governo angolano em relação as violações dos direitos fundamentais.

Moco defendeu a necessidade das autoridades angolanas se conformarem com as leis internas e tratados internacionais para se evitar uma nova revolução.

Sublinhou ainda que qualquer país onde as autoridades queiram enveredar por aquilo que chama de fechadura, "arrisca-se mais tarde ou mais cedo a ter consequências semelhantes daquilo que se observa na África do Norte.”

Luanda. UM DOS MANIFESTANTES MORREU!


Malu Cardoso publicou no grupo AMIGOS DO BLOCO DEMOCRATICO - ANGOLA.
Malu Cardoso
5 de Setembro de 2011 23:40
Líder Inês Africana, UM DOS MANIFESTANTES MORREU.

Bom, não há dúvida que a tal paz acabou, ela alguma vez existiu?, a Constituição se rasgou e Angola estoirou.
Estão abertas as hostilidades, assim conforme desejo dos nossos kadafis e assades.
Quem vive no inferno, faz da vida das populações outro inferno, vive na hipocrisia, na mentira, na corrupção, na morte, é o inferno por excelência, as suas palavras transformam-se em excrementos que até os mais odiosos animais evitam.
Quem vive e nos impõe esse viver, o inferno será dele e a ele virá, e nele sucumbirá.
Que o TPI lhes emita o competente mandato de captura.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Mães dos manifestantes vão protestar no palácio presidencial


Lisboa – Um grupo de senhoras angolanas cujos filhos foram alvo da repressão policial de Sábado (3) mostram-se decididas em deslocar-se até ao palácio presidencial, para pedir explicações do paradeiro dos seus filhos que dizem desconhecer.

Fonte: Club-k.net
Para pedir esclarecimento do paradeiro dos filhos
Algumas delas aparentemente, em estado de desespero, alegam que os seus filhos foram visto pela última vez no largo da Independência e arredores. Na tarde de domingo as mesmas estavam prontas a ir pedir explicações a Presidente angolano tendo recuado após terem alertado para que dessem mais algumas horas. Até a tarde de ontem, os familiares do jovem Carbono “Casimiro” teriam sido informado que a terceira e quinta esquadra da policia negava conhecer o paradeiro do jovem. O mesmo foi localizado esta manha estando na 8 esquadra do prenda.

As autoridades policias colocaram os jovens em diferentes esquadras sem terem contacto com os seus advogados. Há previsão de se fazer julgamento sumario na ausência dos profissionais de defesa.

A equipa de advogados procura no momento contabilizar o numero de jovens que foram presos.

Lista de manifestantes não detidos no acto mas que estão desaparecidos

- Garcia Samba Fragoso dos Santos “Santero”
- João Carlos Coelho da Silva “Marchal”
- Manuel Ramalhete “Até Quando ”

Lista de detidos e desaparecidos.
- Kady Mixinge
- Alexandre Dias dos Santos “Libertador”
- António Cangoma
- Marchal
- Mingo
- Tuve
- Dionísio Carbono
- José Mateus Mwanza
- Gaspar Luamba Monteiro (depois de recuperar os sentidos, a policia levou e continua detido)
- Adolfo Campos (depois de recuperar os sentidos, a policia levou e continua detido)
- Ermelinda Freitas
- Jeremias
- Candido Silvestre

Detidos pela policia e que os familiares desconhecem o paradeiro.
- Explosivo mental
- Ângelo Miguel Conda
Claudio Conda (irmão do jovem acima)
- Sozinho
- Manuel Andrade
- Helder Cafunfo
- Gabriel Chacussanga
- Kilson
- To Zé
- Carlos Amaral
- Albano Mateus Lombo
- Quintino da Costa
- Pedro

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

NOVOBRA – EP à deriva procura capitão. Ministério das Obras Públicas coloca trabalhadores na fome e no desemprego



António Setas

No dia 29 de Agosto de 2005, na sequência do despacho conjunto nº152/04 do 24 de Dezembro de 2004 dos ministros, José Pedro de Morais das Finanças, e Francisco Higino Lopes Carneiro das Obras Públicas, o então vice-ministro deste último ministério, Armindo Francisco Kopingo, fez a apresentação oficial dos novos membros do Conselho de Administração da Empresa de Promoção de Artefactos de Cimento, NOVOBRA –EP, a saber, Amílcar Pimentel Graça Paquete Aguiar, como presidente da Assembleia Geral, e Manuel Marques de Almeida Pimentel e José António Maria da Conceição Silva no cargo de Administradores.
Por essa ocasião concretizava-se uma mudança notória do figurino desta empresa, que passava a ser gerida de maneira autónoma e não, como até essa data, sob o coberto da tutela da Empresa Nacional de Pontes – EP (ENP). Só que, infelizmente, após ter sido efectivada essa separação formal, as condições de base para que ela pudesse funcionar não foram assumidas e, muito menos, postas em prática pelo governo.
Estava previsto munir a NOVOBRA de meios técnicos, financeiros e humanos que pudessem possibilitar o seu normal funcionamento e eventual desenvolvimento no seio do xadrez empresarial nacional, falou-se em 5 milhões de dólares, o que nunca foi realizado e constituiu razão bastante para se compreender o porquê do estado lastimável em que se encontra actualmente essa empresa do Estado.
Mal foram empossados, os membros do conselho de Administração da empresa relaxaram-se e, praticamente, nunca deram seguimento às funções para as quais tinham sido nomeados. Meios técnicos ficaram no esquecimento, meios humanos ficaram os que já lá estavam há anos e no que toca a meios financeiros, nem cheiro.
Dada a situação assim criada, de crise, a esse respeito damos aqui adiante conta aos nossos leitores das declarações feitas ao nosso bissemanário pelo Sr. Bernardo João Júnior, secretário-geral da Comissão Sindical que foi instituída na NOVOBRA com o intuito de levar avante uma série de acções e envio de numerosas missivas, nomeadamente ao Ministério da Finanças, para a Assembleia Nacional, ao tempo em que o presidente era o Sr. Nandó, para o Ministério do Urbanismo, para o primeiro-ministro, então o Sr. Paulo Cassoma, para o MAPESS, e mais algumas de que resultaram apenas augúrios em águas de bacalhau, pois à data de hoje ainda se está à espera das primeiras reacções do famoso “Quem de Direito”, misterioso personagem nada propenso a dar a cara.
Em desespero de causa, a Comissão Sindical, conseguiu encontrar uma solução provisória da situação desastrosa em que se encontravam os trabalhadores da empresa, mediante o aluguer de dois imóveis das instalações da NOVOBRA, o que, como é evidente, não resolveu nenhum problema.
De notar que todas estas diligências foram tomadas muito tempo depois de a situação ter assumido contornos de extrema gravidade, como o comprova uma carta datada do dia 18 de Janeiro de 2006, endereçada pela Comissão Sindical a Higino Carneiro, ministro das Obras Públicas da época, fazendo-lhe observar, entre muitas outras anotações reivindicativas, que, do tempo em que a NOVOBRA era tutelada pela ENP, ainda havia «cerca de seis meses de salários não pagos, incluindo o 13º mês» e que já tinham enviado três cartas ao responsável dessa empresa, Sr. Hélder Cruz, sem que tivessem obtido qualquer resposta. O tradicional autismo da escola do MPLA.
Passaram depois disso, mais de cinco anos, durante os quais os da NOVOBRA viveram, ou melhor, sobreviveram por via de expedientes, num inventar constante de maneiras de encontrar dinheiro para comer. Para comer, repetiu Bernardo Júnior…
A certa altura, a situação tomou contornos de drama, com funcionários da NOVOBRA a terem que sair das casas que alugavam por não terem meios para pagar o aluguer, com os filhos desses obreiros esquecidos a terem que abandonar os estudos porque os pais não pagavam as propinas (ou as gasosas), com divórcios à mistura e mães renegadas a terem de ir procurar algures outros meios duma subsistência que os seus maridos já não podiam assumir.
E a Comissão Sindical, como nos afirmou o Sr. Bernardo Júnior, depois de se ter visto obrigada a dançar ao ritmo das transferências das suas reclamações de uma instituições para as outras, como se fossem batatas a ferver, acabou por perder a paciência e se sentir na necessidade de recorrer à solução que ele considera extrema e muito lamenta, isto é, recorrer aos órgãos de comunicação social a pedir ajuda em favor de todas essas famílias deixadas de lado, a viver na miséria.
Dizer que em 2005 se falava de uma “injecção” de 1 milhão e meio de dólares de capital para fazer arrancar a produção da NOVOBRA, e que, nessa altura o ministro, Higino Carneiro havia opinado em desacordo com esse montante, afirmando que era pouco e que seriam disponibilizados 5 milhões, e ver o que se passou depois disso, diga-se a verdade, há razões de sobra para perder a paciência.
E foi nesse estado de espírito que Bernardo João Júnior nos pediu que juntássemos a esta descrição, por ele comunicada, duas observações finais:
1º - A reivindicação agora já não diz respeito às promessas incumpridas de capital aos montes, máquinas e homens, tudo em sintonia, a trabalhar para a reconstrução nacional, não, nessa vertente já não têm ilusões, o Executivo, decididamente, tinha “condenado à morte” a NOVOBRA.
APENAS EXIGEM QUE LHES SEJAM PAGOS OS SALÁRIOS EM ATRASO, MAIS DE TRÊS ANOS, e que aos mais velhos, acima de 50% dos trabalhadores da empresa na faixa etária da reforma, lhes sejam outorgadas as mesmas.
2º - Pedem também, aqui e agora, publicamente, que lhes seja dada a oportunidade de negociar, numa derradeira tentativa, os pendentes desta situação caótica.
Caso contrário, estão dispostos a armar uma vigília, do tipo da que foi organizada pela ANGONAVE, ininterrupta, até ao dia em que justiça seja feita. Bem-haja, pois, “Quem de Direito”, que se digne dar a cara e intervir para resolver esta situação.

Todo cuidado é pouco.


Falar tudo o que se pensa pode ser perigoso, embora dificilmente alguém escape de alguma indiscrição, principalmente quando está sob pressão e a observação imprópria flui, quase sem perceber.

Marta Fernandes de Sousa Costa

Ou, ao contrário, quando o sujeito está desprevenido, de bem com a vida, acreditando-se em companhia confiável, razão pela qual se permite externar a opinião que pode ocasionar a sua ruína.
A pátina do tempo dá um colorido especial ao que passou. Contar safadezas há muito passadas, lembrar amores sepultados no passado pode proporcionar boas risadas, pela periculosidade perdida. Só é preciso observar o período necessário ao vencimento; precipitações podem desencadear sentimentos adormecidos de raiva ou ciúme, daí o cuidado exigido.
Conhecedor dessas peculiaridades do comportamento humano, Medeiros e Albuquerque, jornalista, escritor, político e professor pernambucano (1867-1934), desejando deixar para a posteridade o conhecimento de fatos guardados a sete chaves, teve o cuidado de concentrá-los num livro, entregue ao amigo editor, com o pedido de publicação 10 anos após a sua morte, com o título Quando eu era vivo...
Dessa forma, tranqüilo quanto às represálias que as suas opiniões pudessem desencadear, pôde escrever com toda a franqueza, inclusive sobre o que pensava dos seus pares e de suas obras. Custo a crer que, sendo o homem de opinião forte que era, houvesse conseguido conter a língua, em todas as ocasiões em que desejou se manifestar, mas pode-se concluir que ele a segurou bastante, em consideração aos de seu tempo. Guardou-se para o futuro.
Se o ex-ministro Nelson Jobim houvesse tido tal sapiência, estaria ainda confortável na sua cadeira, no Ministério da Defesa. Mas a observação, totalmente desnecessária, sobre o fato de ter votado em José Serra e não em Dilma, nas eleições presidenciais, faz pensar se ele já não estaria mesmo a fim de “virar a mesa”. Convidado pela presidente eleita para o cargo de Ministro da Defesa, sendo o voto secreto, a franqueza, além de desnecessária, não poderia cair bem. É aquilo que se aprende em criança (e seguidamente a gente esquece): em boca fechada, não entra mosca.
Além do mais, nesse tempo do “politicamente correto”, é preciso cuidado ao externar opiniões, para não melindrar alguém. Pois não é que ter se referido a uma ministra como “fraquinha” e de outra política falar que “mal conhece Brasília”, foi o suficiente para acirrar os ânimos de uma senadora e de uma deputada federal, que, em nota oficial, declararam que “os ataques”, ocorridos no quinto ano da Lei Maria da Penha, poderiam ser “caracterizados como violência psicológica e moral”? Com tantas leis implantadas, defendendo direitos de uns e outros, todo cuidado é pouco. Agora, o que anteriormente seria classificado como “bola fora” ou “inconveniência” pode ser enquadrado como crime, sujeito à punição.
Mas, pelo visto, até na política, onde o “jogo de cintura” se torna essencial, de vez em quando alguém se sente sufocado. Essa a razão, quem sabe, de também o ex-ministro, em solenidade de homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ter dito “ser preciso tolerar a convivência com idiotas que escrevem para o esquecimento” (ZERO HORA, 6 de agosto), referindo-se à polêmica frase “Esqueçam o que escrevi”, que alguns dizem ser verdadeira, outros não.
De fato, o ministro estava precisando de descanso. Por via das dúvidas, é bom pensar bastante, antes de dizer qualquer coisa. Antes de escrever, ainda mais.
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