sexta-feira, 1 de julho de 2011

A CORRUPÇÃO NO CONTEXTO ANGOLANO. Francisco Lopes


Conferência sobre «Transparência e Corrupção em Angola» Centro de Formação de Jornalistas (CEFOJOR) Luanda, 28 e 29 de Junho de 2011 Tema «A corrupção no contexto Angolano» Facilitador: Filomeno Vieira Lopes, Economista 28 de Junho Homenagem ao Professor Alves da Rocha, demitido há um ano, Junho de 2010, pelo facto de ter denunciado a corrupção e não acreditar na eficácia da Lei da Probidade Administrativa, então publicada) INTROITO A ausência de transparência permite pois a “subversão da ordem, das regras e das normas” . E isto traduz-se num “sintoma da fraqueza do sistema político, social e legal dum país”. Pode mesmo dizer-se que a corrupção causa a perda da legitimidade democrática pois observa-se a degradação da relação de confiança, entre os vários actores, na dicotómica relação Estado-Cidadão, na base das leis. O Estado, aos olhos do cidadão, deixa de ser uma pessoa de bem, uma vez que os seus agentes não agem na base do interesse público, pois observa-se ao fenómeno da delapidação do erário público. Ora, esta circunstância releva uma situação de injustiça social, uma vez que é o Estado deixa de poder realizar o princípio da “equidade” entre. A degradação desse princípio, que conduzindo a perda da noção de estado, ultraja o colectivo e permite o caos, legitima a luta contra a corrupção que, em Angola, é considerada como um cancro só equiparável à guerra . Eis, assim, o interesse do tema patente na presente Conferência. 1. Caracterização do Contexto Angolano Em que periodização assentam as bases da corrupção em Angola? 1. Luta de Libertação Nacional: Problemas financeiros no movimento cívico (LNA) e a intervenção colonial . A concentração de fundos no Presidente. Ainda no chamado proto-nacionalismo a gestão de fundos nas associações cívicas, pese embora um elevado padrão de ética reinante a sociedade colonizada, era problemática. Por isto, no caso da Liga Nacional Africana, albergue de muitos nacionalistas, certos conflitos internos nessa base foram aproveitados pelo sistema colonial português para impor “Comissões Administrativas, destruindo a democracia interna na base das eleições entre os autóctones. É também registado que no movimento de libertação nacional, com a componente guerrilheira, os Presidentes dos Partidos tinham por hábito controlarem as finanças, por meio da qual, exerciam o poder de “dar” e “retirar”. Não raras vezes tal tendência introduzia conflitos. O certo é que o Presidente estava em condições de “comprar” votos, de estabelecer amizades, de ganhar opiniões, criando espaço de manobra para vencer as lutas internas de ideias. Essa tendência, de que o Presidente é que deve controlar as fontes de riqueza e, nomeadamente, as Finanças, inspirou a praxis de gestão financeira após a independência. 2. A independência: A psicologia do poder recente; a concentração económica; o mecanismo do auto-consumo; gestão do OGE; as relações externas Na tradição do colonialismo português o poder era algo muito distante das elites angolanas. São raras as personalidades que ascenderam a cargos de gestão política no tempo colonial. Apenas nas associações cívicas e desportivas havia a oportunidade dos angolanos gerirem, exerceram o poder efectivo. Assim, a parca experiência de governo do bem público, bem como a debilidade ideológica reinante, acentuou a psicologia do consumo e da preservação da riqueza (do dinheiro) que se colocou instantaneamente na posse das elites. Essas elites entendem que o aceso privilegiado a esse dinheiro era sobretudo fruto do seu labor pela luta de libertação nacional. Isto era a fonte de legitimação. Por isto, o movimento da nacionalização permitia então, melhor que outro sistema, criar o mecanismo da concentração da riqueza na elite governante, obrigando todos os sectores fora desse esquema sujeitarem-se aos ditames da elite, que percebeu, ainda no tempo a guerrilha que o controlo do dinheiro, permite o controlo da política e transforma todos os cidadãos em súbitos. O sistema económico angolano adoptou, logo após a independência, um modelo económico concentracionista. A monopolização da produção (com destaque para a indústria), do comércio interno e externo foi um traço inegável das opções económicas numa altura em que o amadurecimento das forças produtivas, nele compreendido o grau de domínio da economia pelos angolanos, não se encontrava maduro para tal opção. A concentração económica esteve a par da absolutização política, da apropriação exclusiva da esfera do estado pelo partido do poder. Riqueza, conhecimento e força estavam inextrincavelmente unidos num só grupo. Essa concentração, do ponto de vista económico, introduziu ineficácias no sistema produtivo pois foi acompanhada pela destruição da indústria ligeira, parte da qual, foi-se progressivamente acoplando a cada monopólio. Num dado momento, numa empresa, havia uma produção principal e um conjunto de produções acessórias, capazes de a tornar operacional. Progressivamente, foi-se acentuando a integração com certos serviços, e mesmo actividades, que concorriam não já para a prossecução central da produção mas para os interesses e estabilidade dos próprios gestores empregados. Uma panificadora poderia ter, simultaneamente, um parque de reparação auto, outro, de obras de construção civil, e por aí adiante, para satisfação global das necessidades gerais, quer em termos de funcionalidade da empresa, quer em termos de satisfação das necessidades pessoais dos seus integrantes. A empresa era quase um mundo completo, constituído de várias unidades produtivas. O mercado reduzia-se a quase nada ou internalizava-se no próprio monopólio. O que lhe faltasse adquiria sobretudo por troca directa de produtos ou de serviços, verificando-se mesmo em épocas de crise (e face a desmonetarização da economia devido a degradação do Kuanza), chantagens entre gestores: “se não me dás o que eu quero eu também não te dou o que tenho”. Essa atitude tornou-se generalizada a toda a economia. Os bens reais tinham uma grande força, bem como o nível de relações entre gestores que, por força de satisfazer a própria empresa eram “obrigados” a entrar em esquemas, em sistemas de compensações que foram progressivamente degenerando para sistemas de compadrio e corrupção. Se uma empresa que possui cervejas quisesse ter casas para as suas necessidades ou para os seus empregados formulava um contracto com a habitação para adquiri-las e, em contrapartida, “cedia” um x n° de caixas de cerveja. Concomitantemente, o jogo de ofertas recíprocas para criar lobbies para a troca de produtos ou serviços assumiu igualmente forma predominante na economia. Está lógico de pressentir que o que caberia ao chefe era a parte de Leão. Fácil de entender que em momentos de penúria só os grandes gestores beneficiavam desse sistema, que, sobretudo, é de satisfação pessoal. Mais fácil ainda é perceber que todos os trabalhadores estavam na “mão” dos seus gestores, pois todos os seus apetites eram satisfeitos via empresarial, por inexistência de mercado. Quanto poder tinham os gestores, qual potencial de submissão foi criado e quão a magnitude de corrupção nutria o sistema. O facto da empresa aglutinar tudo e proceder a uma distribuição administrativa das suas produções facilitou a percepção de ausência de fronteira entre aquilo que era empresarial público e do que era apropriação privada, derivada do produto do trabalho dos gestores e dos próprios trabalhadores. O salário monetizado, mesmo o do Director, não só não era suficiente, como não tinha qualquer papel válido, real. Nessas circunstâncias, o Director confundia a sua empresa com a sua própria casa indo buscar directamente à empresa tudo de quanto carecia e estendia esse privilégio a sua clientela. Utilizava igualmente esse poder para tráfico de influências, subornos, etc, alguns com fundamento em negócios da própria empresa. A concentração inspirou, por seu turno, uma burocracia político-administrativa-militar para acesso à riqueza em que as pessoas estavam divididas por castas: Dirigentes, Responsáveis, Técnicos (superior, médio, básico) Administrativos, Operários. A demonstração dessa escala estava plasmada no exercício, relembremos, dos cartões de abastecimento. A posição do indivíduo determinava o tipo de cartão ou cartões a que tinha acesso. A corrida assim à categoria de “responsável” para entrar no mundo dos aliviados e dos privilegiados era, então, grande. Funda-se aí a deturpação da relação entre técnicos e responsáveis e as bases duma indevida competição com repercussões negativas na economia. Esse monopólio público era estruturado administrativamente pelo aparelho do estado. Este, não orientava a actividade económica do ramo. Dirigia o conjunto das empresas públicas como se fosse o seu Gestor Principal. A partir daí ministros e secretários de estado, bem como o aparelho superior se abasteciam normalmente. Cada ministério que dominasse um certo sector produtivo era praticamente o seu “dono” e, o seu ministro, mandava na sua produção. Este aspecto pode ser francamente relembrado se nos recordarmos das célebres requisições, através das quais o sistema poderia alocar bens as pessoas. O poder de requisição era, pois, do ministro que rege as empresas afectas. As trocas no aparelho de estado, as influências na base do poder de cada um, são assim evidentes. É fácil raciocinar que tal sistema facilitou a penetração do vírus denominado corrupção. Mas onde é que se situa a grande massa de trabalhadores nesse esquema já que não detém o poder de requisição, nem pode utilizar abusivamente dos bens da empresa? A resposta do sistema foi o chamado “autoconsumo”. Era a parte do “salário”, em espécie, da sua própria produção. O mecanismo do autoconsumo criou um aparente sistema de cumplicidades entre trabalhadores e gestores tornando invisível a fronteira entre o bem empresarial e o privado ao mesmo tempo que permitia um excedente do produto da empresa ao trabalhador que o usava para troca por produtos ou compra de favores. Aqui chegados, dirão os economistas, há um excedente mas isso não prova a existência da corrupção, pois trata-se duma troca em bases iguais, apesar de tal situação criar um mercado próprio sem equilíbrio do valor incorporado no bem. A resposta, pode ser equacionada da seguinte forma: se o “autoconsumo” era legítimo, como introduzi-lo no sector burocrático (Administração Central, Bancos, Finanças) ou em trabalhos que não criam bens visíveis, como, por exemplo, no sector dos transportes? Haja em vista que todos os trabalhadores eram empregados do Estado, da mesma entidade patronal. É na relação que se cria entre detentores de produtos e de serviços que a corrupção se estabelece. A cobertura consensual (legitimação) é o direito de equidade para os trabalhadores do sector administrativo ou de “produção” não visível, uma vez que todos são empregados do Estado. Contudo, torna-se difícil encontrar aqui um estatuto legal. Desta feita, o funcionário público administrativo tem que arranjar uma forma de tornar o seu trabalho com mais remuneração (surge a gasosa), o empregado motorista precisa de ficar com o transporte e fazer a sua “candonga - puchada”, enfim, mil e uma habilidades para perequar os rendimentos com o sector produtivo e enfrentar o nível de vida. Concerteza que aqueles que se encontram no topo têm mais vantagem sobre os demais, pois o seu autoconsumo é maior. O instituto do autoconsumo, paralelamente ao poder de requisição, surgem assim como percursores do sistema de corrupção ao tentar resolver a contradição que ele próprio encerra, seja, a legitimidade em generalizar uma prática autorizada aos trabalhadores do sector produtivo aos dos demais sectores. Portanto, no início, não era a forma pecuniária que intermediava o fenómeno em análise, era o bem real ou, igualmente, o trabalho - um bem abstracto - através da utilização abusiva dos empregados para trabalhos privados. Trata-se também aqui dum claro desvios de recursos. A concentração económica e a departamentalização ministerial do sector económico facilitaram o empolamento de custos das empresas públicas por parte de ministros e altos funcionários de estado para satisfação das suas próprias necessidades. Mas, concomitantemente, outras formas foram contempladas nomeadamente o acesso a Comissões (usufruto proibido por lei, inicialmente) por homologação de concursos, a realização de obras de construção em casas próprias inseridas na facturação global de projectos públicos, a aquisição de viaturas para uso privado englobados em pacotes de negócios públicos, o usufruto indevido de dinheiro para tratamento no exterior, o pagamento de estudos e outras facilidades através de fundos não contabilizados, a constituição de empresas fantasmas no exterior, sem controlo razoável do sistema legal da própria administração central, etc. Outro aspecto decorrente desse período é a admissão de cooperantes com salários exagerados sendo uma parte dele para o contratante. Finalmente, ao nível da gestão dos fundos directos da Administração central pelas unidades orçamentais consistia na utilização global dos fundos disponibilizados anualmente pelo OGE (Orçamento Geral do Estado). A táctica dos gestores era deixar passar o tempo e no fim do ano inventavam despesas, inflacionavam a facturação, para terem “bom desempenho”. Era, na realidade “uma festa”. De facto, num contexto de ausência de regras técnicas de controlo gestão orçamental, o saque do erário público tornou-se um “modus vivendi” 3. A guerra: armamento e logística. O enriquecimento fácil e a cobertura político partidária. Outra fonte de corrupção foi os negócios da guerra. Ao grande nível foram avançadas denúncias de percentagens sobre a facturação de compra de material bélico. As compras para a logística da guerra propiciaram vários negócios, com chorudas comissões, resultando inclusive na aquisição de material inadequado. Desde a compra de produtos que não chegaram ao país ao franquemento das portas dos armazéns, tudo serviu para dar vantagem económica a certas personalidades. Esse comportamente demasiadamente imoral era protegido pelo Partido no poder e justificado pelo facto de estarmos em guerra. 4. O Partido Único: Formas de apropriação da riqueza. O cabritismo. O Nepotismo. O superego partidário. A concentração total do poder no partido único do qual tudo era dependente permitiu a criação do fenómeno do “cabritismo”: “O cabrito (os angolanos) come ali onde está amarrado”. Repare-se que acaba-se por ficar amarrado ao sistema de poder, a necessidade de bajular para subir de posição ou para ter acesso a rendimentos ilícitos. O cabritismo é fonte segura de corrupção. 5. Liberalização económica: a acumulação primitiva para a propriedade privada. O fenómeno simples aqui é a passagem de grande parte do monopólio empresarial do estado para a propriedade privada, sendo que os grandes beneficiários foram (e continuam sendo) os que detinham as posições superiores no aparelho do estado. Havendo sido estabelecida a escala social (e diga-se bem) e havendo sido retomada a guerra, tornando nula a contestação ao modelo de privatização, foi fácil estabelecer os canais de transferência da propriedade estatal para privada, a grande maioria, através do chamado “ajuste directo”, seja, sem concurso público, praticamente por decisão do “Comité Central”. A liberalização da economia, a estruturação do capitalismo liberal, tal como era no tempo colonial, é dirigida a um grupo. Passamos meramente da discriminação racial (tempo colonial) para a discriminação política (era moderna) no acesso a propriedade e a capacidade de investimento. O tráfico de influência (gerido pelo próprio partido no poder e pelas instancias superiores do estado) é o traço fundamental dessa dita liberalização. Isto não só deturpa a estrutura de oportunidades (equidade), mas também retira eficiência e eficácia a economia, dada a falta de competitividade no acesso ao investimento. 6. Constituição de 2010: excessiva centralização de poder no Presidente da República Finalmente, a actual Constituição traduz-se numa excessiva centralização do poder político e na gestão superior da coisa pública pelo Presidente da República. De acordo com a teoria da corrupção “Seja onde for que exista um poder muito concentrado e uma pouca responsabilidade, há uma longa lista de saques (pilhagens) e lucros” (In Corrupção 96, Newsweek). A fórmula avançada para este fenómeno é: “concentração, mais falta de responsabilidade, menos transparência igual a corrupção”. Um sistema de domínio tal qual se nos apresenta, sem contrapesos institucionais, facilita, ao certo a corrupção. Esta consagração de poderes vem na lógica dos processos anteriores em que o Presidente domina os fundos e quem afinal decide sobre a repartição burocrático-administrativa da riqueza é em primeira instancia o Presidente pelo domínio que ele tem sobre o sistema. Uma espécie de “poderio do poder-instituição” na óptica de B. Asso (ct, pg 51, nota 13, II semana social nacional) encaixando na óptica do estado neopatrimonial onde as instituições são o presidencialismo, o clientelismo e o uso pessoal dos recursos do Estado. 2. Os canais de drenagem da corrupção Qual é a fonte e quais as plataformas por onde passa a delapidação do erário público? 1. “Doacções” directas. Via Presidencial; empresas públicas; subsídios não legais. Há entidades que têm acesso aberto aos dinheiros públicos do OGE ou das empresas públicas de forma directa e incontestada e podem usufruir eles próprios desses dinheiros ou “oferecer” aos demais das suas relações clientelares. A via epistolar ao Presidente da República, por exemplo, para ter acesso a esses fundos, sem rubrica fundamentada, tem sido uma fonte frequente. Nas empresas públicas isto é igualmente muito utilizado. Algumas delas caracterizam esta prática como “o pingo doce”. 2. Via bancária. Empréstimos mal parados; Desvios descarados. As entidades governamentais concebem empréstimos para financiar operações que sabem jamais serão pagas. O Banco CAP foi praticamente criado para esses efeitos. Está igualmente em curso uma operação de financiamento aos camponeses onde não são previstas sanções a quem não pagar os empréstimos num claro e pensado estímulo ao não pagamento para obter votos. Os escândalos de roubos em Bancos com capitais públicos são frequentes e do domínio da opinião pública, da mesma forma que a gestão das “ordens” governamentais de “saque” para pagamento a entidades privadas está sujeitas à taxa de corrupção para serem liberadas. 3. Negócios. Comissões. Construção civil e não só. A prática de altas comissões para aprovação de propostas de trabalho está disseminada por praticamente em todos os sectores da actividade económica, desde a construção civil à actividade bancária, na negociação de linhas de financiamento. A aceitação dum negócio varia na razão directa, não da qualidade e preço da proposta, mas do “quantum” financeiro debaixo da mesa. Uma vez que esses dinheiros são reflectidos na baixa qualidade das obras, as empresas estrangeiras não se coíbem de onerar a facturação. Há anos foi noticia um escândalo observado na União Europeia de subornos dessa Instituição a individualidades à pretexto de facilitar a pesada burocracia que impedia o desenvolvimento de projectos. Recentes estudos dão conta da existência de sistemas da banca internacional que facilitam a corrupção nos países menos desenvolvidos. O dito segredo bancário, é uma forma utilizada para encobrir fortunas que, afinal, aumento o grau de liquidez dessas instituições. Muitos empreiteiros nacionais quase que são “coagidos” pelas entidades governamentais e administrativas para aceitarem tais práticas sob pena de não conseguirem obras ou serviços para realizar. As consequências de tais comissões estão bem patentes na falta de qualidade das obras, mormente, na construção de estradas, tidas como descartáveis. 4. Uso abusivo de recursos humanos e físicos do Estado. Há uma grande extorsão de recursos humanos e físicos, sobretudo das empresas públicas, e mesmo do sector administrativo do estado, inclusive, nas cadeias prisionais para atender a realizações de carácter privado de detentores do aparelho do Estado. As intervenções vão desde a elaboração de projecto, a trabalhos práticos em Fazendas agrícolas, passando por procura de financiamentos e mesmo à “expertise” para a constituição de empresas. 5. Realização de negócios com o capital de empresas públicas, repassados para a elite. As empresas públicas assumem a dianteira em alguns investimentos, sobretudo com o sector privado estrangeiro, e depois repassem estes investimentos a empresas privadas em condições de facilidade sem que se saiba ao certo se os “adiantamentos” são depois reembolsados. Tais operações passam-se sobretudo no Exterior do país. 6. Controlo da produção e comercialização dos diamantes. A exploração diamantífera disseminada por empresas concessionárias do Estado tem sido uma fonte de riqueza portentosa que alimentou o mercado imobiliário. As alianças com sectores internacionais por razões politicas (Gaydamac, Leviev, etc) tem elevado o nível de riqueza do generalato. O controlo sobre a produção é deficiente e as medidas de monopolização comercial vêm beneficiando parte das elites. Os rendimentos que o Estado propriamente tira dos diamantes são inexpressivos, mas as vendas no Exterior são representativas, havendo um “gap” entre o declarado oficialmente e o que consta em registos internacionais. 3. Características Podemos advogar dois níveis fundamentais da corrupção em Angola. A de Alta e de baixa intensidade. 1. Alta intensidade. Permite acumular riqueza para investimento e é praticada por altos funcionários do aparelho do estado (dirigentes e responsáveis) e por sectores do generalato, mas também por redes organizadas de funcionários médios com grande acesso à informação. Somente no que diz respeito a fluxos ilícitos de capitais para o Exterior do País, o PNUD, num estudo por si encomendado afirma que foram detectados, entre o período de 1999 a 2008, cerca de 34 mil milhões de dólares, como supostos fundos colocados aí, devido a “transferências transfronteiriças de dinheiros resultantes de corrupção, o comércio de produtos contrabandeados, a evasão fiscal e outros crimes”. 2. Baixa intensidade. Permite melhoria da condição de vida, salto para a classe média, mas igualmente é tomado como um “jogo de soma zero”. Ganhámos como corrompidos dum lado e perdemos como corruptores do outro. Os sectores e as modalidades podem ser assim descritos. A lei e as normas não tem força para realização das necessidades dos cidadãos. A crença da resolução dos problemas está na rede de conhecimento familiar e social e na capacidade financeira para pagar serviços fora das normas estipuladas. i. Polícia (a famosa gasosa) ii. Acesso a emprego (mesmo em empresas de grande gabarito e internacionalizadas ou até na Polícia Nacional e mesmo no Exército e em empresas Públicas) iii. Acesso a promoção (em várias empresas, Institutos, Polícia) iv. Acesso e passagem em concursos. (antes que o nome, após concurso feito, não surja nas listas de concorrentes) v. Acesso a serviços vi. Bolsa de estudo 3. O índice de percepção da corrupção. A organização Transparência Internacional tem emitido uma estatística sobre a percepção da corrupção. Entre 178 países estudados, Angola figura, em 2010, na 168ª posição, com a cotação de 1,9 (a cotação vai de 0 a 10). O site Angolano “Club-K” fez um inquérito para saber se a corrupção em Angola era criminosa ou não na sequência das declarações sobre a corrupção em Angola do artista e activista Bob Geldof e 85% dos votantes afirmarem ser “criminosa” contra 15% que pensa que não. Nota-se igualmente uma correlação entre o índice de corrupção e o nível de desenvolvimento humano. Com efeito os países de baixo nível de desenvolvimento humano medido pelo IDH são aqueles que mais praticam a corrupção. No estudo acima referido do PNUD é revelado que 69% dos fluxos ilícitos de capitais para o Exterior dos países, são daqueles que se encontram Menos Avançados (PMA). 4. Formas angolanas de corrupção 1. Nepotismo (redes familiares e trocas: regresso paralelo à economia de troca da 1ª república na dimensão recursos humanos e emprego com benefício mútuo) 2. Tráfico de influência – relacionado com a natureza política do poder, efectuado no seio do poder político, fora até do meio empresarial autónomo. 3. Criar dificuldades para ir buscar facilidades. Sobretudo na prestação de serviços públicos, onde a ineficiência não é necessariamente incompetência. 4. Evasão fiscal e outras formas de fuga ao fisco. Desde as falsas declarações, até a facilitação de falsas declarações de terceiros. Uma empresa com a qual trabalhei escreveu-me para solicitar ao Estado isenção de impostos por ter prestado formação ao pessoal angolano. A constatação de terreno permitiu aferir que não havia formação nenhuma. Grande parte dos gestores, deixa passar isto, para ir buscar recompensas. 5. Corrupção política i. Partidos Políticos. É tempo de revelar que em 1992 foi efectuada uma operação sem precedentes de corrupção política. O Estado foi buscar dinheiro a venda de acções de empresas petrolíferas, bem como a linhas de crédito espanholas sediadas no Ministério do Plano. Com estes dinheiros financiaram a compra de Partidos, um dos quais foi denunciado no Jornal de Angola, havendo usufruído 10milhões de dólares. Um outro partido rejeitou uma oferta de 2 milhões de dólares, uma frota de carros e outros benefícios para sair duma Coligação Política. ii. Sectores sociais qualificados. Em 2008, entidades do MAT entregaram dinheiro a dirigentes da Plataforma Eleitoral como forma de os implicar numa suposta corrupção e criar as condições de expulsão do seu coordenador. Agentes da segurança do estado agem por dentro dessas organizações para criar as condições da sua destruição, também através de circuitos de corrupção. O rapista, Brigadeiro 10 Pacotes, foi raptado para mudar de opinião política e ofereceram-lhe duas casas, dois carros e dinheiro. Na imprensa são conhecidos os envelopes da contra inteligência, junto da Presidência da República e, ainda recentemente, Jornalista do Jornal de Angola foram pagos excepcionalmente para fazerem reportagens abonatórias ao comício de desespero do partido da situação a propósito da ameaça de manifestação do 7 de Março. iii. Sectores sociais amplos. Medidas demagógicas pró-corrupção abundam em períodos eleitorais, como maratonas com venda de bebidas baratas, a ofertas de carros, de casas (normalmente sem títulos de propriedade). A nova linha de crédito para os camponeses acima referida vai igualmente nesse sentido. 6. Roubo de projectos. Recentemente veio à público o caso de um grupo de jovens que voluntariamente ofereceu várias ideias ao Governo. Algumas delas foram utilizadas, nomeadamente, para a realização da zona económica em Viana, sem o consentimento dos seus idealizadores. O Governo ainda não desmentiu as acusações públicas sobre o assunto. Sabe-se igualmente que a nível bancário muitos pedidos de financiamento são rejeitados e depois os respectivos projecos aparecem tutelados por outras entidades. 7. Clientelismo. É um derivado do sistema social de poder sobre o qual é feita a compensação económica. 8. Peculato. Evidencia até em julgamento de muitos roubos de quem administra as finanças, por desvio do erário público para benefício pessoal ou de grupo. Privado como o próprio partido político. 9. Lavagem de dinheiro. Recentes denúncias dão conta da existência desse fenómeno entre nós. 10. Permissibilidade de entrada de produtos contrafeitos. Acentuado com a entrada dos chineses no mercado angolano, permitindo que o barato saia caro. 5. A problemática da corrupção endémica A falta de combate a corrupção e os débeis instrumentos de integridade degradaram a situação a um ponto que a corrupção está internalizada no sistema político e incrusta-se não só na filosofia de massas mas na personalidade de cada cidadão. Alguns aspectos dessa constatação são patentes: 1. Na ausência de ética em toda a dimensão e na desqualificação do trabalho, como um dos sustentáculos da inversão de valores operados na sociedade. 2. A agem cognitiva do Estado vem da representação da família e o Presidente é o Pai que dispõe dos meios que são drenados para a sociedade. A corrupção faz assim morada em instância de psicanálise, onde a aculturação do fenómeno o torna como aceitável, “normal”. 3. Se a estrutura superior funciona como um vírus que se auto-infecta, a sociedade acaba por estar toda afectada encontrando motivos, como o direito a sobrevivência por todos os meios, ou a participação no sistema redistributivo informal, para combater a pobreza para participar no esquema da corrupção. 4. Criou-se um sistema de ideias que em matéria de imperativo de vida é ilustrado na máxima “É desonesto ser honesto” 6. A insuficiência dos mecanismos de combate à corrupção Pese embora a panóplia de legislação existente, bem como de organismos instituídos regista-se ainda uma grande insuficiência estrutural que permita combater a corrupção e tornar exequível qualquer pretensão nesse sentido. 1. O pano de fundo político. Os órgãos do estado tornam-se cada vez mais autónomos, ou seja, menos ligados a base que lhes deu origem. Enquanto “Agente Principal” para gestão dos interesses públicos, ele próprio cria as suas necessidades e transforma os objectivos do povo soberano nos seus próprios objectivos. Melhor, ele defende os interesses do seu partido político e não realiza o programa público do povo soberano. Por isto, em Angola observa-se o fenómeno da privatização do Estado, este é mero refém das elites que estão no poder. Nessas circunstâncias, a riqueza social gravita em torno dum grupo minoritário e a corrupção campeia. 2. A questão legal. Quer a Constituição, quer os códigos, quer as Leis ordinárias oferecem uma abordagem razoável desse fenómeno. Mas ainda há muito que fazer nesse domínio o que passa por elaborar um sistema jurídico baseado, em primeiro lugar, na nossa própria situação concreta nesse domínio. 3. As instituições do Estado. Há Instituições do Estado vocacionadas para a prevenção e tratamento da corrupção. Entre elas o Tribunal de Contas, as várias Inspecções do Estado, as direcções de Auditoria, a fiscalização da Assembleia Nacional. No entanto, a Instituição específica para acompanhar esta situação a “Alta Autoridade Contra a Corrupção” criada por Lei em 1996 até hoje não foi implementada. Por outro lado, a principal função do Tribunal de Contas é formular o Parecer sobre as Contas do Estado. O Governo nunca elaborou uma Conta de Estado, o que pressupõe dizer que não se conhece a situação patrimonial do país (o que tem permitido que muita propriedade do Estado seja alienada a particulares sem as devidas e justas compensações para o país). Há cerca de um ano que o Presidente da Assembleia Nacional suspendeu os deveres de fiscalização desse organismo. Muitas mega-obras, como o aeroporto de Luanda, estão sendo concluídas sem o mínimo acompanhamento parlamentar. Finamente o poder judicial mantém-se fraco, intimidado e dominado pelo poder político. 4. As empresas. As empresas podem estar sujeitas a legislação geral que pode inspirar estatutos com formulações contra a corrupção e uma base óptima de registo contabilístico, bem como elaborar códigos de ética que norteiam o seu comportamento limpo em negócios. Infelizmente, não só o despreza por uma contabilidade que reflicta a situação patrimonial como ter esses códigos de ético como letra morta tem sido o comportamento habitual. O grande interesse das empresas é ter um relacionamento social com a componente do poder que lhes proteja das suas próprias falcatruas. 5. As instituições da sociedade civil. Instituições como Ordem dos Contabilistas, empresas de Auditoria, Ordem dos Advogados, poderiam, a par de observatórios universitários, organizações pró-transparência e integridade da sociedade civil, dar um grande contributo ao combate a corrupção. Mas ainda aqui as coisas não vão bem. Há uma grande resistência do poder político em permitir que a Ordem dos Contabilistas funcione e não há o estatuto de Revisor Oficial de Contas no nosso sistema. Significa que há poucas fontes independentes para analisar, averiguar casos de corrupção e as Auditorias e analistas Externos pagos pelo Governo, subordinam-se as intenções daquele. Sabe-se que recentemente as empresas de Auditorias Nacionais estavam proibidas de entrar em concursos para auditar empresas públicas de grande dimensão. Há sempre o receio dos meios públicos que o patriotismo nessas empresas (porque enquanto cidadãos nacionais são igualmente prejudicados pela corrupção) possa conduzir a descoberta de grandes desvios. 7. Conjuntura internacional. Muitas entidades que ficaram ricas a custa de Angola afirmam peremptoriamente que o segredo do êxito é “carisma, corrupção e perseverança” (pg 169). As empresas petrolíferas que trabalham em Angola não têm a melhor performance internacional em matéria de transparência. A questão da dependência petrolífera do Ocidente e o medo do uso do petróleo como arma (sanção não declarada) de combate político faz com que não haja um interesse consequente no combate a corrupção. Contudo, as necessidades de expandir a influência exterior a outros negócios num ambiente de competitividade efectiva para os estrangeiros preocupa esses países, pois com um sistema de corrupção acentuado não é possível que a melhor oferta triunfe. 8. Conclusões 1. A promiscuidade entre política e economia potencia a corrupção, protegendo o grupo, sobretudo, o núcleo central. Nada pode ser julgado que atinja o poder central. O excessivo poder, tornado referência obrigatória para a viabilidade da vida dos cidadãos, faz com que a ideologia dominante influencie o comportamento dos dominados, fazendo com que os métodos e procedimentos do grupo dominante sejam generalizados e seguidos por todos. Só em momento de acentuada crise, se rompe com este padrão demagógico de que “todos beneficiamos do sistema” que a rejeição à corrupção se torna evidente e deixa de ser entendido como algo “normal”. A promiscuidade conduz ao roubo descarado do erário público colocando o país na classificação de estado cleptocrático. 2. A interdependência entre regime actual e a construção social dum novo substracto social entrelaça-se com a corrupção, de modo que: i. A corrupção é um pilar fundamental da sua constituição e funcionamento ii. O combate a corrupção é automaticamente entendido como um combate ao regime (Alves da Rocha, expulso do Ministério do Plano, Rafael Marques, perseguido, e ainda se fala que o caso Miala está relacionado com denuncias de corrupção do pacote chinês) e sugere imediatas posições reactivas dos mídia oficial, ou tenta-se dar um passo em frente afirmando que o “importante é fazer bons negócios” pressupondo que o “bom” é o “ético”, bem como se traduz na “incapacidade de implementar sistemas de boas práticas” (SAP). As denúncias formuladas no estudo de 1990 (mando elaborar pelo próprio Presidente da República) bem como as relevantes propostas nunca foram tidas em conta. O Governo também reagiu negativamente as denuncias de corrupção no Banco Nacional feitas em 1992 e hoje assiste-se a depravação de julgamentos uns atrás dos outros de escândalos de corrupção no Banco Central. Os esforços do poder judicial são gorados com ameaças de morte. A defesa do regime confunde-se já com ameaças e assassinatos no seu próprio interior, só passível face a protecção de que certos sectores e indivíduos gozam. iii. Logo, não é possível um combate eficaz nestas condições, porque o fenómeno é sistémico. Deriva daí a falta de vontade política, por virtude da sobrevivência do próprio regime. Razão por que degeneram todas as boas intenções (Alta Autoridade Contra a Corrupção, Lei da Probidade Administrativa, Campanha de Tolerância Zero, esta uma mera frase), bem como os esforços judiciais acima referidos. 3. Malgrado os limites lógicos, até porque o regime não pode ser eterno, porque isto é “contra natura”, o combate deve manter-se, numa estratega de preservação de forças éticas e acumulação de saberes como factores de mudança. O combate deve passar da mera denúncia, aos esforços para que o poder Judicial assuma a sua função, mas passa, também, por haver um consenso sobre a corrupção e, sobretudo, a criação de sistemas e processos de integridade a todos os níveis da sociedade: administração pública, sistema judicial, instituições da sociedade civil. A Bibliografia • Shaxson, Nicholas – The Dirty Politics of African Oil • Mbeki, Moeletsi – Advocates for Changes . How to overcome Africa´s Challenges • Lopes, Francisco – Artigo “Formas de Participação Politica. Participação Partidária” II Semana Social Nacional • K, Saúl Pena – Psicianalisis de la Corrupcion • PNUD, Indice de Desenvolvimento Humano • TI, Indice de Percepção da corrupção • Lopes, Francisco – Causas e Consequências da Corrupção • Constituição da República de Angola (2010) FIM

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Ameaças e censura contra o autor-jornalista angolano e activista dos direitos humanos


«Devido às pressões e ameaças que eu estou enfrentar neste momento, muitos amigos nossos aqui lamentam muito sobre o silencio pela parte dos activistas, particularmente de Angola.»
CENSURADO:

http://www.issa-bonn.org/publikationen/1-11matondo.htm
Portal Imprensa Brasil

Revista alemã cede e retira artigo de jornalista angolano

Redação Portal IMPRENSA
17/06/2011 19:31

O artigo Intitulado "Dinheiro sujo procura lavagem", de autoria do jornalista angolano residente na Alemanha, Emanuel Matondo, e publicado pela revista "Afrika Süd" foi retirado por pressão da diretoria do Banco Central da Alemanha (Deutsche Bundesbank), informa oZwelangola, site de notícias angolano.
Quem solicitou a retirada do artigo foi Ernst Welteke, ex-presidente da instituição financeira.
Na matéria, o periodista descrevia as atividades profissionais de Welteke, e o acusava de envolvimento com criminosos. Além disso, Matondo afirmava que o executivo aceitara a chefia do banco Quantum Angola, o que nas palavras do jornalista tinha "o objetivo de lavar dinheiro proveniente do petróleo, roubado ao povo angolano".

http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/internacional/39594/revista+alema+cede+e+retira+artigo+de+jornalista+angolano/

Welteke manda retirar artigo de jornalista angolano na Alemanha

"Dinheiro sujo procura lavagem" é o título dum artigo do jornalista angolano residente na Alemanha, Emanuel Matondo, publicado pela revista "Afrika Süd". Agora a revista decidiu retirar o artigo cedendo a pressões.

O artigo descreve as atividades profissionais do ex-presidente do Banco Central da Alemanha (Deutsche Bundesbank), Ernst Welteke, em Angola. Ernst Welteke é acusado de se rodear de (citamos) "pessoas criminosas" e de ter aceite a chefia do banco Quantum Angola, um banco que é apresentado como sendo "banco fundado por ordens do Presidente dos Santos com o objetivo de lavar dinheiro proveniente do petróleo, roubado ao povo angolano".

Também outro jornalista, na Suiça, relatou em artigos críticos, as atividades consideradas "pouco transparentes" do ex-presidente do Bundesbank, referindo-se ao Banco Quantum Angola SA, assim como da empresa Quantum AG, na Suiça, projetos liderados por Welteke e participados por José Filomeno dos Santos "Zenu", um dos filhos do Presidente angolano.

Welteke nega tudo

Agora o ex-presidente do Bundesbank reagiu. Através dos seus advogados enviou uma carta à pequena revista "Afrika Süd", em Bona, pressionando-a a retirar o artigo de Emanuel Matondo.
A Deutsche Welle tem vindo a acompanhar este caso, pedindo esclarecimentos a todos os intervenientes. O filho do Presidente angolano Zenu dos Santos, que em Abril participou numa conferência sobre negócios com África, na cidade alemã de Frankfurt, não quiz na altura dar uma entrevista à Deutsche Welle sobre os seus negócios na Europa e os seus parceiros suiços e alemães, com destaque para o ex-presidente do banco central alemão.
Ernst Welteke preferiu – nesse dia - apresentar-se ao público em geral, como defensor da transparência e lutador contra a corrupção em Angola e no mundo. Contactado pela Deutsche Welle, Ernst Welteke, sempre se mostrou disponível, manifestando-se indignado e refutando as acusações lançadas por jornalistas contra a sua pessoa.
Welteke entregou o caso a advogados

Pressionado, passou agora ao contra-ataque e contactou um conceituado escritório alemão de advocacia. O objetivo é impedir a publicação de mais artigos críticos sobre os seus negócios em Angola e mandar apagar os que já foram publicados. Palavras de Ernst Welteke: „Na Revista Áfrika Süd, edição número 1, de Janeiro de 2011, foi publicado um artigo com o título 'Dinheiro sujo procura lavagem' e o subtítulo era 'Banco Quantum e o novo emprego de Ernst Welteke em África'. Nesse artigo são feitas várias acusações descaradas contra o Banco Quantum e contra mim pessoalmente. E nós reagimos, recorrendo a um advogado que intimou o editor da revista a distanciar-se do artigo em termos de conteúdo e também a retirá-lo da internet. Foi isso que aconteceu."

Emanuel Matondo não recua...

O autor do artigo Emanuel Matondo, nasceu em Luanda. Mas sendo antimilitarista e não querendo participar na Guerra civil angolana, abandonou o país, ainda jovem. Uma odisseia que o trouxe à Alemanha, depois de ter passado pelo Congo e Congo Brazzaville.

"Eu vou continuar a trabalhar como jornalista, eu sou autor. Estou a falar contra a injustiça num país rico onde a pobreza é extrema, onde a gente morre por falta de medicamentos, onde as crianças morrem nos corredores dos hospitais. Continuarei porque os dinheiros desviados faltam para o desenvolvimento do pais; é uma forma de roubo. Denuncio a corrupção, porque ela está a destruir mesmo a cultura angolana; porque a elite quer manter-se no poder. Esse sistema já domina o mundo financeiro de Angola".

Matondo diz ter provas suficientes do que afirma; e que por isso não retira uma vírgula do artigo que escreveu, acusando Welteke de tentativa de censura: "Depois de publicar a versäo portuguesa completa em Angola, havia ameaças de morte contra os editores de lá. Os jornalistas foram intimidados, disseram-lhe que tinham que acabar com artigos sobre corrupção. E aqui (na Alemanha) nós também nos encontramos sob ameaça dum processo. Isso é uma forma clara de censura, mas brutal…"

Matondo lança um apelo a Ernst Welteke, membro do partido social-democrata alemão (SPD) e destacado membro honorário da fundação Friedrich-Ebert, ligada ao mesmo partido: "Se ele é membro dum partido que pretende combater as injustiças no mundo, como é que pode dar apoio intelectual no sector bancário a um sistema injusto? Como pode dar apoio ao sistema financeiro despótico angolano, que é conhecido como um sistema corrupto?"

De salientar que os editores da revista alemã "Afrika Süd" retiraram o referido artigo de Emanuel Matondo da sua página na internet. Uma mera medida de precaução que não significa que eles se tenham distanciado do conteúdo, segundo os editores da revista. A revista impressa, essa, continua em circulação e os jornalistas prometem prosseguir com as investigações sobre os negócios em Angola de Ernst Welteke, o ex-presidente do banco central alemão.
Autor: António Cascais
Edição: Carlos Martins/António Rocha/Johannes Beck

http://www.dw-world.de/dw/article/0,,6550022,00.html

Carolina Cerqueira vai às FAA e Polícia ensinar como prender jornalistas?


Pacote legislativo da Comunicação Social será um atentado a liberdade de imprensa e promoção a ditadura

A nossa ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira debate-se, já o escrevemos em anteriores edições, com o que lhe foi legado pelo licenciado em Direito, Manuel Rabelais. Esse magnífico dirigente - enquanto esteve em funções -, deixou-lhe nas mãos não uma batata quente, mas várias, a ferver, numa só mão, enquanto na outra, a ministra continua a segurar um “cesto” que o Rabelais lhe ofereceu, e, que remédio, vê-se obrigada a negociar com os caranguejos grandes que vão chegando ao seu cimo.

Arlindo Santana

De facto, o ambiente de trabalho em alguns órgãos da imprensa pública assemelha-se ao que se vive num palco de Comédia Della Arte, em que se improvisa em cima de improvisos, onde impera a sublimação da hipocrisia, da calúnia e da inveja, pois toda a gente quer é guardar o seu “tacho”.

Urgia pois arrumar a “casa” e instaurar linhas de conduta susceptíveis de instaurar alguma ordem no seio da balbúrdia vigente, pelo que foi decidido proceder-se à elaboração de um instrumento jurídico cuja “aprovação e implementação representará, seguramente, ganhos para este segmento da sociedade, cujas tarefas resumem-se no garante da ordem, da paz e tranquilidade, entre outras”

No seguimento desta ideia mestra estão em discussão os projectos de Lei do Conselho Nacional de Comunicação Social, da Publicidade, da Radiodifusão, da Televisão, e do Estatuto dos Jornalistas, que depois de aprovados pela Assembleia Nacional e a sua promulgação pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, irão balizar a tarefa dos profissionais da classe jornalística.

Antes de ir mais longe, duas questões se levantam a propósito da necessidade de se promulgar esta nova lei: um, para que servia a lei de imprensa que havia antes?

De que serve elaborar e promulgar uma nova lei se o essencial, ou seja, a execução efectiva das sanções nunca esteve nem estará tão cedo assegurada com equidade, e isso é uma certeza, pois a impunidade de alguns é já uma instituição do regime dominado pelo MPLA.

Mas continuemos.
Recordando o que se passou com a busca de um consenso no que dizia respeito à nova Constituição de Fevereiro de 2010, busca essa que foi vítima de um muito bem executado “aborto”, aproveitando-se o ex-governo de Angola da distracção dos cidadãos causada pelo impacto mediático da Copa Africana das Nações que se realizou nessa altura.

A meio da competição, com os Palancas Negras ainda em jogo, foi interrompida de rompante toda e qualquer discussão a propósito desse documento fundamental, a Assembleia Nacional, dominada pelo MPLA e acusada de ser submissa do Presidente José Eduardo dos Santos, reuniu-se e aprovou-o.

Sem levantar grandes ondas.
Era o que se desejava.
Hoje repete-se a mesma receita, o pacote referente aos media, diz-se que está em discussão no fito de contemplá-lo com contribuições de vários sectores da sociedade para, como é evidentemente louvável, promover o enriquecimento do diploma. Tudo não passa de show off, pois a cada sugestão dos participantes, surge a contrariedade do sector, que já tem a decisão tomada. Nada vai mudar, porque a Presidência da República, parece ser adversa a uma verdadeira mudança e liberdade de imprensa.

E mais, no dia 20.06, Carolina Serqueira foi discutir o pacote com as FAA, membros incompatíveis e no seguinte, seguiu-lhe as peugadas o seu vice-ministro na Polícia. E o ridículo é o de haver elementos nestes órgãos que querem, também, a carteira de jornalista.

Só mesmo a Virgem Maria para nos salvar do pesadelo que aí vem. Se não for agora, pelo menos que não seja perpétuo este estado de mordaça que se avizinha, com uma maior criminalização dos jornalistas.

Basta ver a ligeireza com que do conforto do seu gabinete almofadado, veio a público o vice-ministro Miguel de Carvalho, Wadijimbi, que não se esqueceu dos métodos que utilizou no 27 de Maio de 1977, para mandar prender e assassinar, uma série de camaradas do seu partido, veio fazer numa declaração reconfortante, “Esperamos que, com a entrada em vigor dos referidos instrumentos jurídicos, se eleve a capacidade dos jornalistas em promover uma comunicação social plural, isenta e responsável”, disse ele. Claro que pluralidade é desde que bajule o status quo e o chefe, o resto é raia para abater, com a imprensa estatal a ser o eterno BATER NO FERRO QUENTE, de quem tenha ideias diferentes do regime.






quarta-feira, 29 de junho de 2011

Viagem presidencial ao "fim do mundo". Santos no KK desiludiu o povo


Romaria ano interior foi um pesadelo. Kuando Kubango ficou mais pobre depois da estadia do Presidente

Depois de tantas chamadas e críticas do F8 de um estilo de governação sedentário, finalmente JES decidiu abandonar o conforto do seu palácio em Luanda e organizar uma sessão do Conselho de Ministros na longínqua e abandonada província do Kuando Kubango. Esperávamos que não fosse uma passeata, apenas para que os autóctones locais sejam visto como exóticos para os observadores estrangeiros e também para ver de que maneira mais ou menos calculada o chefe de Estado se daria ao trabalho de calcorrear o abandonado torrão do “Fim do Mundo”, onde a miséria que lá mora, e que é a nossa miséria, persiste em sobreviver a todos os atentados à luta do K.K. para ser incluída nos programas de progresso da sociedade angolana.

Antes de ir mais longe devemos sublinhar que aqui na Redacção do F8 esta viagem ao extremo sul de Angola cheira imenso a uma jogada de campanha eleitoral, e não admiraria que doravante assistamos a outra viagens deste género, uma ao Cunene, outra às Lundas, talvez também a outras províncias em que o MPLA está mais tremelicas no que toca a impacto eleitoral.

Talvez nos enganemos, mas, de qualquer modo, o eterno problema é saber em que pé temos de dançar com este e qualquer outro magnânimo gesto de Sua Excia. Isto, porque, o que normalmente acontece com este tipo de atitude é a gente pôr-se a aplaudir – neste caso estamo-nos a referir a JES, novo Guia Imortal –, exactamente como quando depois de repetidas falhas de energia eléctrica ou de água, os seus súbditos, em vez protestarem com veemência quando ela falha, aplaudem freneticamente quando ela vem.

Assim, depois de trinta e cinco anos de esquecimento dessas terras longínquas, estamos mesmo a ver que temos de aplaudir esse acto, que, ao contrário, deveria ser pontuado por um pedido de desculpas, solene e público por parte do Chefe de Estado!

Mais vale tarde do que nunca
JES, portanto, “pegou na sua coragem e depois lá foi”, no que se pensava ser o inicio de uma presidência aberta, onde a população do interior poderia ver o seu pulso apalpado com um contacto directo com o chefe grande, personagem quase mítica, tão longe que ele vive e nunca se vê.

Tudo foi calculado a preceito. As populações foram mobilizadas desde as 4 horas da manhã, para receberem o que lhes disseram que era o seu Presidente.

Aceitaram com alegria contida a ideia de receber uns trocos e alguma comida e não precisaram de pegar na coragem para lá ir, coragem só foi preciso para se levantarem tão cedo.

Chegados ao sítio previsto para aplaudir, cantar e gritar urras, esperaram que o Presidente chegasse.

O tempo passou, passou, a fome apertou, eles aguentaram a fome e o cansaço acumulados e viram-se obrigados a expulsar os pulmões com os seus cânticos, na esperança de que depois haveria uma luz no fundo do túnel. Mas a luz era fraca e a fome apertava.

Entretanto, o Presidente e os seus ministros foram para uma sala confortável, falaram de Luanda e dos diversos empreendimentos faraónicos, e no meio das auto-satisfações expressas foi possível ouvir de soslaio pequenos apartes vagamente relacionados com os verdadeiros problemas do Kuando Kubango.

E foi mais ou menos tudo.
A província não lucrou nada com esta passagem.
Pelo menos é esta a impressão que se pôde extrair, logo a seguir ao regresso a Luanda de JES, com a expectativa daquelas gentes, face aquilo que se passou no KK e que reclamavam e protestavam por se sentirem cada vez mais esquecidas em comparação com o que se passa no resto do país.

Levaram o farnel, não fosse o diabo tecê-las
Gente fina como a de Luanda não se desloca a tão recônditas paragens com a ligeireza do turista imprevidente, toma as devidas precauções para não ter que suportar situações de inesperada contrariedade e encontrarem-se desarmados perante a ocorrência. O melhor seria prever o pior.

Foi o que a delegação que acompanhava JES fez. A comitiva chegou, instalou-se mas não aceitou comer os quitutes da terra.

No quadro da probidade pública, levaram tudo de Luanda, até cozinheiros estrangeiros!, não fosse o diabo ser tendeiro…

Dizer que o povo do KK não apreciou o gesto, é um suave eufemismo e por aí nos quedamos a fim de não ter mais um processo em cima.

Diga-se, porém, a verdade, o interior do país está abandonado pela Presidência desde que esta última existe. E de nada serve relembrar as palavras do presidente Neto, um só povo numa só nação e que o que conta é resolver os problemas do povo, simples pastilhas elásticas para acalmar os nervos desse mesmo povo, que, desgraçadamente acreditou no que esse guia ia debitando sem ter a mínima hipótese de levar avante o que ele dizia! Veremos se agora o que vai ser diferente e o que depois se depois passará. Normalmente é... NADA!

Resumindo sem concluir: com esta visita de JES o KK ficou mais pobre. É o que dizem os seus autóctones que se sentem humilhados pois não escutaram nem ouviram o seu Presidente. Mítico.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Advogados abandonados na luta contra os desmandos da Justiça


A SUBMISSÃO DA ORDEM DE ADVOGADOS E AS INVERDADES DA PROCURADORIA MILITAR

Na nossa edição do dia 20 de Novembro de 2010 fizemos uma análise do que se estava nessa altura a passar no caso referente às vicissitudes que afectaram a carreira do comandante Quim Ribeiro depois de esse comandante ter sido acusado de desvio de fundos no decorrer do inquérito sobre os roubos cometidos no BNA (em jogo estariam cerca de 3 milhões e setecentos mil dólares)!

Cerca de um mês mais tarde, precisamente na nossa edição do 25 de Dezembro, publicámos um outro artigo levado igualmente à capa como destaque principal (Muhongo do SINFO - agora SINSE – quer matar meu pai) no qual revelámos uma acusação e, sobretudo, a descrição pormenorizada de um facto impossível de ser desmentido, a tentativa de assassinato de que Quim Ribeiro foi alvo no dia 16 de Dezembro passado, por volta das 20h00, quando se dirigia para a sua casa, e que segundo o seu filho, Reginaldo Ribeiro, "tem como uma das mãos mais visíveis a do oficial superior dos Serviços de Segurança, Muhongo".

Apresentámos então o que se poderá chamar “Provas formais do crime cometido por homens do SINSE”.

Até hoje nem a própria Polícia Nacional, tão pouco a Procuradoria Geral da República e a Procuradoria Militar das FAA, moveram uma palha, como se quisessem demonstrar com esta omissão que os crimes praticados contra Quim Ribeiro, mesmo com provas, não são para investigar, o contrário SIM!

Ou seja nenhuma denegação chegou ao conhecimento público e, em todo o caso, por uma vez não fomos objecto de instauração de nenhum processo judicial, o que nos parece conforme a uma aceitação consensual da veracidade dos factos por nós revelados.

Denunciámos os maus-tratos de que foram vítimas os, na altura, 17 arguidos presos no âmbito deste inquérito, levado a cabo segundo métodos parecidos com os medievais ainda praticados no nosso país por certos agentes dos Serviços de Segurança do Estado e da Polícia Judiciária Militar.

Denunciámos também a incapacidade de os órgãos de justiça e da polícia militar se manterem numa posição de neutralidade, assim como não deixámos de assinalar que desta vez, no caso dos altos oficiais do Comando Provincial da Polícia de Luanda, essas mesmas autoridades não se refugiaram por trás dum silêncio tumular, como sempre fazem quando o inculpado, ou suspeito, é membro eminente de altas esferas do Estado, pelo contrário, multiplicaram actos coercivos contra o indigitados e mesmo o seu comandante considerando-os à partida, sem prova sustentada, como “mafiosos” todos eles, e deixaram correr notícias relacionadas com o processo, como sejam a detenção de Joaquim Ribeiro, um desmaio deste ao ouvir uma gravação secreta dos Serviços de Segurança que o incriminavam, que o seu principal cúmplice teria sido apanhado no Lubango, bem como a apreensão de alguns dos seus bens pela Procuradoria-Geral da República como noticiaram determinados órgãos da comunicação social privada, nomeadamente viaturas topo de gama, tudo vazado com a cumplicidade, segundo dados, de um oficial da Policia Judiciária militar, para inflamar a opinião pública, só com uma versão dos factos, violando o preceituado no art.º 70.º do Código do Processo Penal (Carácter secreto da Instrução), que diz: “Têm obrigação de guardar segredo de justiça os magistrados que dirijam a instrução e os funcionários que nela participam”. Mas diante destas violações, nem a PGR, nem o Procurador Militar das FAA, nem a Ordem de Advogados de Angola, disseram nada, pelo contrário, parece que aplaudiam a estratégia.

Inclusive são atribuídas ao presidente provincial da Ordem de Advogados de Luanda, Hermenegildo Cachimbombo, expressões como: “Quim Ribeiro está bem preso”, quando sendo agente marginal no processo deveria ter mais cautela no verbo.

Mas, ainda assim, diante de todo este chorrilho de mentiras, pelo menos na opinião dos defensores dos Polícias, estes mantinham o silêncio, respeitando a lei, pois tinham a certeza das inverdades lançadas sobre o assassinato e também sobre a quantidade de dinheiro (3 milhões de dólares), supostamente repartidos entre os oficiais da Polícia Nacional, mancomunados com Joaquim Ribeiro.

Mas o silêncio das autoridades diante desta campanha difamatória é como diria o outro que pensava ser poeta, um silêncio estrondoso!!

E para comprovar e refrescar a memória dos falsos puritanos da justiça, seria bom verificarem o momento da institucionalização da violação do SEGREDO DE JUSTIÇA, quando a 31 de Março de 2011, no Jornal de Angola (página 4), o Procurador Geral Adjunto da República, Beato Paulo veio falar sobre os meandros do processo, marcando datas para o seu início e acusando inclusive os advogados de estarem a instrumentalizar os seus clientes.

Diante das graves acusações e colocação de questões em segredo de justiça, exorbitação de competências, nem a PGR, nem o Procurador Militar das FAA, nem a Ordem dos Advogados, disseram uma palavra. E não disseram porque sabem, que Beato Paulo violou o art.º 30.º (Dever de sigilo) do Estatuto dos Magistrados, que a dado momento pode ler-se: “Além do dever de sigilo devido pelos funcionários, os magistrados judiciais e do Ministério Público não podem fazer declarações relativas a processos nem revelar opiniões, emitidas durante as conferências nos tribunais que não constam das respectivas actas ou decisões”.

E então senhores? Quem violou?

Depois, no final de Abril, o Procurador Geral da República instado a pronunciar-se sobre o processo disse, que após conclusão da instrução preparatória, que o mesmo seria remetido ao Tribunal Supremo, no caso de Joaquim Ribeiro, enquanto os dos demais, iria para o Tribunal Provincial de Luanda. Portanto o doutor João Maria, nunca havia aventado do processo ser julgado em foro militar, constituindo este expediente, situação de última hora.

Odioso crime de lesa manu militari
Como se pode verificar, os advogados dos oficiais superiores da Polícia de Luanda, só vieram, a luz dos princípios da proporcionalidade, da racionalidade e ao abrigo do art.º 73.º da Constituição (Dever de Denúncia), pedir contenção verbal à certos agentes do Ministério Público e da Polícia Judiciária Militar, que vazavam informação para certa imprensa, no passado dia 10 de Junho de 2011, numa conferência de imprensa no Hotel Trópico a fim de levarem a público o que, como sempre desastrosamente, certos instrutores processuais, neste caso da Procuradoria e militares, sempre tentaram e tentam a todo o custo manter nas áreas próximas do “Incendiar a pradaria, para se condenar inocentes, mesmo sem provas ou com elas fabricadas, no segredo dos deuses”.

E no Estatuto da Ordem dos Advogados, não diz ser proibido os advogados concederem conferência de imprensa. O que versa, sim, é a necessária autorização, sempre que estes se queiram referir a um caso em concreto, mas isso também engaja a magistratura, pelo que andou mal o Procurador Militar, Hélder Pitta Groz e faltou com a verdade, pois não foram os advogados que trouxeram o processo para a praça pública, mas sim os magistrados e a instrução militar, como atrás ficou demonstrado.

E tivesse a Ordem dos Advogados um pouco de memória e sentido de classe há muito teria vindo em defesa dos seus associados e não de outros órgãos, como se fosse seu apêndice ou os seus principais membros estejam apenas interessados em assegurar tachos governamentais no final dos mandatos.

Diante de uma ordem de classe, não podem os advogados apenas ter DEVERES e não DIREITOS e, o mais grave a OAA violou os seus próprios estatutos, pois não poderia publicitar uma medida, antes da conclusão do processo disciplinar, que diz mover contra os seus associados. Os advogados de defesa dos polícias, denunciaram todas a tropelias eventualmente cometidas pelos órgãos de instrução militar e por agentes que não têm nome nem patrão, mas usam e abusam do seu anonimato para cometerem os mais cruéis actos em detrimento dos réus que estão condenados de antemão segundo os critérios unilaterais dessas mesmas autoridades.

O protesto dos advogados e pela primeira vez, passado na comunicação social pública, foi de resto saudado como um bom indício de estarmos numa Angola que, apesar de todas as controversas bofetadas à reconciliação nacional, vai dando passos, pequenos, mas certos, rumo a uma espécie de democracia africana que ainda está por inventar.

Como prova do que aqui avançamos, citamos apenas o que disseram no passado (domingo) dia 12 de Junho de 2011, os comentaristas Reginaldo Silva e Belarmino Van Dúnen no programa da TPA “A Semana em Actualidades”, no decorrer do qual ambos consideraram que tinha sido um acto louvável e de bom augúrio para uma melhoria do desempenho da justiça, que tinha assim sido alertada de toda uma série de entorses pouco abonatórias ao seu bom desempenho.

Parecia uma lufada de ar fresquíssimo no pesadíssimo ambiente das instâncias judiciais militares e da magistratura pública, do nosso país, já bastante marcada com o caso MIALA, onde houve uma condenação, assente numa vontade política, que subjugou a razão, a verdade, a lei e o direito.

A negação da opacidade em termos de justiça foi alarmante, isso é absolutamente impossível de acreditar, poder acontecer no século XXI.

Mas… Nada! E depois de um ERRO MONUMENTAL, nem por sombras alguns dos agentes de ontem, parecem querer mudar, pois preferem continuar vestidos na pele de carrascos, tentando demonstrar que nós estávamos e estamos redondamente enganados.

Para grande espanto da opinião pública nacional e internacional, no passado dia 16.06.11, o bastonário da Ordem dos Advogados de Angola, Inglês Pinto, prestou um mau serviço a classe que o elegeu, ao declarar em praça pública, que os defensores do comandante Quim Ribeiro tinham ultrapassado os seus limites de actuação, desobedecendo aos preceitos lavrados pela Ordem do Advogados (OAA), e não sei quê e não sei que mais, de permeio com ameaças a não se sabe bem o quê mas que, de qualquer modo, a paulitada será para os dito advogados.

Vergonhoso e triste.

Pergunta: mas essa OAA foi concebida para defender os advogados ou para indevidamente os atacar em público?

E a resposta é: a Ordem dos Advogados funciona pura e simplesmente como uma instituição judicial adjunta e por assim dizer submetida ao controlo da Procuradoria-Geral da República (PGR), do Ministério da Justiça, da Procuradoria Militar das FAA, enfim parece ser, mais uma célula de especialidade do partido no poder, sempre pronta a baixar o bastão.

A verdade é que a sua reacção foi telecomandada pela Procuradoria Militar, que três dias antes, dia 13 de Junho, publicou, sem razão alguma e com uma série de inverdades, um comunicado de imprensa no qual subvertendo os dados, quanto quem colocou o segredo de justiça em hasta pública, solicitou a intervenção da OAA no sentido de pôr cobro a atitudes que lesem a justiça militar, fazendo apelo ao sensacionalismo e perturbando as acções da justiça, impedindo esta de funcionar normalmente, com a devida serenidade.

Quanto ao contraditório referente às queixas que os advogados fizeram a respeito de todos os vícios que pesam sobre o processo judicial, nem uma vírgula. O que quer dizer que a atitude dos advogados ao denunciarem as ilegalidades, para a Ordem de Advogados é ilegal, ou quase, ao passo que a atitude dos agentes do Ministério Público e da justiça militar ao cometerem ilegalidades é perfeitamente legal!

Vamos a outros factos.

1- A PGR foi quem começou com a discussão pública do mediático caso dos oficiais da Polícia de Luanda e “Quim Ribeiro”, em meados de Fevereiro, institucionalizando as conferências de imprensa mensais, trazendo a público factos de processos que ainda estavam em segredo de justiça, violando o princípio da presunção de inocência.

2- Na edição do Jornal de Angola do dia 31 de Março do ano em curso, o procurador geral Adjunto da Procuradoria Geral da República, Beato Paulo trouxe a público factos em processos ainda em segredo de justiça, chegando mesmo a anunciar por aquela via a data provável do julgamento para o mês de Abril.

3- Ouvido o Presidente do Conselho Provincial de Luanda da Ordem dos Advogado de Angola, Hermenegildo Cachimbombo, considerou despropositadas as declarações do procurador-geral adjunto, por a PGR não ter competência para marcar julgamento.

4- Em Abril, outro procurador adjunto da PGR e da Procuradoria Militar das FAA, Adão Adriano, também em conferência de imprensa deu a conhecer o estado e o andamento do processo, tendo a comunicação social referido que havia avançado a data do início de julgamento de Quim Ribeiro e pares, para o mês de Maio.

5- O Procurador Geral da República, João Maria de Sousa, no final do mês de Abril, afirmou que terminada a instrução preparatória e com a separação de culpa o Comissário Quim Ribeiro seria julgado no Tribunal Supremo, devido a sua qualidade de oficial comissário e os demais no Tribunal Provincial de Luanda.

6- No início do processo sobre as mortes dos funcionários do Ministério do Interior, a qualificação da PGR era a de crime de homicídio voluntário qualificado, mas nos últimos casos o mesmo procurador veio alterar, teses mais elementares do direito universal que elege o BEM VIDA como o juridicamente tutelado de maior valor, dizendo que as normas dos artigos 18º e 19º, nº 3, da Lei nº4/94, de 11 de Fevereiro (Lei dos Crimes Militares), VISAM TUTELAR O EXÉRCITO, enquanto instituição e não o BEM VIDA. A ser verdadeira esta tese, não estamos a ver como existirem instituições sem homens vivos.

7- Outrossim, é estranha a engenharia que transformou o oficial de Polícia Augusto Viana de arguido para testemunha principal, contrariando a lei, numa clara manipulação de provas, porquanto a Lei Processual Penal, art.º 216º, nº 5, parte final, proíbe que alguém com interesse na causa possa ser testemunha. Se Augusto Viana diz ter recebido USD 75.000,00 (Setenta e cinco mil dólares), ainda que alegue alguma razão para afastar a sua responsabilidade criminal, não se pode descartar a condição de encobridor por receptação ilícita, logo é co-arguido no processo, não podendo, no respeito da lei e da sua imparcialidade, passar a testemunha, sob denúncia de vício e favorecimento, para se acusar com provas fabricadas e condenar inocentes, com a omissão das PROCURADORIAS. Mesmo sendo verdade ter, Viana, confessado e colaborando com a justiça, não serve de causa de exclusão da ilicitude ou da culpabilidade, serve sim de atenuante, no momento da aplicação da pena, logo, deveria, em condições normais, estar também preso, o que indicia alguma troca de favores, por ter “BUFADO” os outros, sem provas para safar a pele, descredibilizando e desprestigiando a nossa justiça, podendo indiciar que algumas provas estarão a ser forjadas.

8 – Os advogados não violaram a ética e deontologia por não terem falado dos factos objecto dos processos pendentes, mais sim de questões processuais e doutrinárias, como ocorre em todo mundo civilizado, inclusive Portugal a grande referência, aliás, o art.º 66.º, do Estatuto da Ordem de Advogados de Angola é uma clonagem do da Ordem dos Advogados de Portugal, que permite que os advogados apresentem a sua visão doutrinária e ou responda ao atrevimento de magistrados, em processos em segredo de justiça.

9 – Os membros do Conselho Nacional da Ordem dos Advogados de Angola, demonstraram cinismo e não viverem no país pois, esqueceram-se que tudo começou, não em Junho, mas em 31 de Março, com as declarações intempestivas do procurador geral adjunto da República, Beato Paulo, que a dada altura da sua entrevista fez uma grosseira calúnia e difamação, nos seguintes termos: “os arguidos tiveram tempo para destruir provas e fabricar provas a favor deles ou determinados documentos, pelo tempo suficiente para os advogados de defesa se organizarem e concertarem ideias para os arguidos serem ilibados.”.

Quais são as provas? Não trouxe e isso vindo da boca de um procurador-geral adjunto da República é ou não grave senhores general Pitta Groz, Procurador Militar das FAA e Inglês Pinto, bastonário da Ordem de Advogados?

10 – A PGR se quisesse estar acima das querelas e da suspeição, pediria a colaboração dos advogados, para iniciar uma investigação sobre os factos denunciados, uma vez que a ser verdade, estaremos perante duas tentativas, pelo menos, de homicídio voluntário, que não deixa de serem crimes públicos partindo daí a legitimidade destes virem a público denunciar e o Ministério Público, por força do princípio da legalidade, consagrado no artigo 1º, do CPP tem a obrigação de iniciar a investigação do caso, como a tentativa de assassinato do Comissário Quim Ribeiro por elementos bem identificados, mas ao ser ignorado este aspecto, aumentam as suspeitas sobre a falta de seriedade de algumas pessoas ligadas a este órgão da administração da justiça. Algumas pessoas, para separarmos estas das instituições pois, estas últimas, em princípio, agem sempre de boa fé, as pessoas é que as vezes se aproveitam delas para atingirem outros fins o que é mau. Os advogados não violaram a ética e deontologia, nem destrataram o Supremo Tribunal e os Magistrados como diz o infeliz comunicado de imprensa da Procuradoria Geral das Forças Armadas, pois, dizer que um Tribunal é incompetente em razão da matéria ou do território é usar uma expressão técnica, que significa apenas o evocar de uma excepção dilatória, consagrado na própria lei processual penal, no seu art.º 138º, n.º 1.

Mas para além do verbo, atentem a solicitação do Procurador Militar, dirigida a ministra da Comunicação Social, onde o general Hélder Pitta Groz, não poderia ser mais directo, quanto a uma possível estratégia institucional secreta, denunciando haver angolanos de segunda categoria, que não devem passar nos órgãos públicos de imprensa.

Comentários, mais para quê, se cada um de nós pode tirar as suas ilações?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Transparência só da boca para fora


Um novo programa de Têvê fez a sua aparição na grelha da TPA. Chama-se “Transparência” e o seu espantoso objectivo é vir a público dar provas de que a gestão do erário público é exemplar e uma realidade. Apresentado por uma elegante e encantadora donzela, certamente bem formada, nomeadamente em economia, o programa enche-se de alusões à boa-fé manifesta de todos os aparelhos do Estado, desde o Executivo ao seu mais discreto agente, tudo gente de bem que só aposta na transparência, exclusivamente na transparência. Visto de outra maneira, este programa assemelha-se imenso a mais uma demão de verniz anti-oxidante sobre um pedaço de ferro roído pela ferrugem. Por mais que se passe verniz em cima, a ferrugem fica em baixo e dali não sai, dali ninguém a tira. No dito programa dão-se exemplos indesmentíveis de idoneidade, vontade de informar e honestidade, como sendo o lema fundamental dos actos de todos aqueles que estão à frente dos destinos de Angola. Enfim, tudo isso se parece com sucessivas tentativas de afogar peixes na água, pois estamos perante mais uma inútil tentativa de enganar os angolanos, que já estão mais que fartos de aturar este já falecido Governo.
Transparência, n’é?

domingo, 26 de junho de 2011

Generais preparam manifestação


Um grupo de oficiais generais e superiores das Forças Armadas Angolanas (FAA) na reserva pretende manifestar-se diante das instalações do Ministério da Defesa Nacional, nos próximos dias, em protesto contra o desprezo a que estão submetidos.
A manifestação será pacífica e estarão desarmados para evitar quaisquer actos que os venham a comprometer diante dos princípios jurídicos-militares, mas, bater-se-ão contra a tentativa de detenção de membros do grupo. “A Polícia Nacional tem a mania de impedir eventos do género com prisão arbitrária, não vamos admitir esse tipo de brincadeira porque lutámos para a defesa e integridade do Estado, por isso exigimos respeito”, advertiu o grupo.
A equipa de militares na reserva está consciente do perigo a encontrar aquando da manifestação, ainda assim prefere enfrentar porque “Mais vale a pena morrer com dignidade do que acobardado como um cão rafeiro com a cauda entre as pernas. Seremos maltratados e muitos neste dia vão desaparecer para sempre”
Dentre as várias motivações para a realização de tal acto, consta o funcionamento da Caixa Social das Forças Armadas Angolanas que é acusada de pagar tardiamente o salário dos generais e oficias superiores das FAA.
Também reclamam os retroactivos e o reajustamento dos salários de 2008 que nunca foram processados. A Caixa Social das FAA sempre alegou falta de dinheiro para assim proceder. A resposta do respectivo órgão é tida enganosa, pois quando o Governo reajusta os salários é porque tem dinheiro suficiente afim de satisfazer todos.
Aos generais na reserva, também lhes foram retirados o dinheiro para o pagamento dos salários dos empregados domésticos e outras despesas, isto desde 2007. “Todo o funcionário da Caixa Social tem direito a cartão de abastecimento no Jumbo e Intermarket. A crise financeira mundial esteve longe de afectá-los. Este tipo de abuso tem de acabar o mais rápido possível, senão haverá problemas sérios no Pais.
Os respectivos militares de alto grau estão sem cabazes desde 2007, sob pretexto da famigerada crise financeira mundial. “Queremos de volta este direito porque cumprimos com a nossa honrosa tarefa de defender o País contra a invasão de forças destabilizadoras, inclusive toda a juventude passámo-la na mata, muitos chegaram a morrer”.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Há sabotadores do Executivo


Começou o combate à pobreza de maneira espectacular. Diga-se que os dois últimos discursos de JES, com um a dizer, NADA, não temos (o MPLA) nada a ver com isso, e o outro a dizer, TUDO, vamos fazer tudo o que é possível para combater a pobreza, deixaram pairar algumas dúvidas sobre as reais intenções do Príncipe do Futungo. Será que vai mesmo agir ou vamos continuar na cepa torta? – perguntou o “Zé-povinho”, mais que farto de ouvir balelas e mentiras. Pois nem foi uma coisa nem outra, JES, agir agiu, mas mais valia não ter agido. O que é alucinante é ele ter deixado os seus servidores em tomadas de decisão que ele se apressou a subscrever, embora elas sejam totalmente contrárias, em vários domínios e sectores, ao seu próprio “blabla”. Um exemplo chega para inferir até que ponto se governa mal o nosso país. A notícia vem plasmada na Revista Exame e o teor é da lavra de um jovem economista, Emílio Londa, ainda não apanhado nas teias do sistema. O que ele revela, sejamos bem-educados, é desanimador.
No ano de 2008, o defunto Governo de Angola gastou mais a subsidiar os combustíveis dos 30% dos angolanos mais ricos – alguns deles nem sabem o que hão-de fazer ao dinheiro que têm –, do que vai gastar este ano (2011), a tratar da saúde de 100% de angolanos!
Combate à pobreza, n’é?!

Director das alfândegas confrontado em tribunal com lista de familiares que empregou na empresa


Lisboa - O Director Nacional das alfândegas de Angola, Silvio Franco Burity foi confrontado em tribunal com uma lista de famílias e filhos de amigos que o mesmo empregou na empresa em que dirige, tendo sido convocado a provar que os mesmos entraram naquela instituição por concurso público.

Fonte: Club-k.net

William Tonet apresentou como prova
A confrontação foi feita no passado dia 15 de Junho à margem de um processo de Calúnia, Difamação e Injúria que o mesmo moveu contra o Jornalista William Tonet. Este através dos seus advogados de Defesa, Tiago Ribeiro, David Mendes e André Dambi apresentou, as evidencias da suposta difamação.

Lidas na presença na 7ª secção da Sala dos Crimes Comuns, do Tribunal Provincial de Luanda, Dona Ana Joaquina, sob orientação do juiz de direito, Manuel Pereira da Silva, as posições da defesa do jornalista, seguiram as seguintes argumentações, a qual o

Club-K, repassa:
“- Os valores oriundos da transportação do crude entram na conta bancária da Alfândega e às vezes transitam de conta para a outra dos funcionários seniores do departamento de fiscalização aduaneira, cujo chefe é o senhor Elias André.

- No que diz respeito a gestão da alfândega, o semanário publicou que tem havido irregularidade na atribuição das obras de construção civil, beneficiando de uma empresa construção civil portuguesa, sem antes realizarem concurso público, cujo sócio maioritário é amigo pessoal da directora geral adjunta. Em troca deste favor, a empresa reabilitou a casa dela no projecto Nova vida.

- A empreiteira CRSO reparou a delegação aduaneira do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro.

Familiares do director geral, Sílvio Burity.

- Andreia Burity, irmã, colocada no departamento de contencioso (onde se pagam as multas). José Burity Neto, sobrinho, gabinete de orçamentos e contas da Alfandega.

- O advogado da Alfandega, Jerónimo Basto de Almeida, também arranjou forma de empregar lá a sua esposa Carla de Almeida, de forma ilícita, funcionária da delegação regional de Luanda. Departamento de contencioso.

- Gisela Mawete, filha do actual governador de Cabinda, Mawete João Baptista, foi enquadrada com o estatuto dos funcionários mais antigos, apesar de ser nova na empresa.

- Adriano Gregório, ex-quadro da Polícia entrou também sem concurso público e foi contemplado com a criação de um gabinete, denominada petróleo e gás, por ser esposo da chefe do departamento de recursos humanos, Teresa Gregório.

- Catarina dos Santos, sobrinha do Presidente da Republica, colocada num departamento que também não existe no organigrama. O seu marido, António Bento do Amaral, também funciona na empresa como chefe de um dos departamentos.

- Aida Morais, sobrinha do antigo ministro das Finanças, José Pedro de Morais, trabalha na área de cobrança das multas. Enquanto Paula Morais, filha deste, trabalha na repartição de intercâmbio e cooperação.

- O departamento de orçamentos e contas é dirigido pelos advogados Garcia dos Santos e mais um outro sobrinho do Presidente da República. Estes moveram um processo estranho com o antigo chefe desta área Pedro Benga.

- A directora nacional adjunta da Alfandega, Maria da Conceição dos Santos, tem as duas filhas a trabalharem nesta empresa, nomeadamente, Salomé e Marta dos Santos (departamento de contencioso e contas) da direcção provincial de Luanda. E acomodou uma cunhada de nacionalidade cubana, no departamento de tecnologias de informação e informática.” Fim de citação da exposição da defesa do jornalista William Tonet.

Caso de cidadão carbonizado por ser da UNITA choca debate da CPI


Huambo – As apurações da Comissão Parlamentar de Inquérito, constituída para averiguar os actos de intolerância Política praticadas por supostos Militantes do MPLA, na Província do Huambo, terminou seus trabalhos aos 22 de Junho de 2011 tendo sido marcado com a apresentação de dois casos que chocaram a platéia.

Fonte: Club-k.net

Queimado com gasolina
Durante este processo as Entidades Administrativas teriam induzidos os sobas para contrariarem os depoimentos dos militantes da UNITA. pórém, ao longo das sessões de auditoria, foram apresentados factos considerados “indesmentíveis”, como é o caso de uma Srª que foi fracturada a perna esquerda no município do Bailundo, tal como o caso de um militante da UNITA identificado por “Martins Kuenda que foi queimado com gasolina por militantes do MPLA na Chipipa quando reinstalavam o Comité Comunal da UNITA, entre outros.

“Vários sobas e até mesmo Administradores Municipais, á exemplo do Senhor Somakessenje Administrador da Caála que foi obrigado por três vezes a interromper seus pronunciamentos anti-democráticos e de clara incitação a intolerância política.”, observou uma testemunha in loco.

O processo de auditoria terminou com o caso de agressão do mais alto responsável da província. O caso aconteceu, quando dois jornalistas do Jornal Folha8 e Angolense, nomeadamente Samalata e Nelson do Sul de Angola, foram molestados pelos guardas do Governador Provincial do Huambo, Faustino Mutuka, a mando deste. O incidente ocorreu numa altura em que os dois jornalistas pretendiam entrevistar o Senhor Governador.

LINCHADOS


Fui, na última quarta-feira, a noite convidado por um ex-colega de formação superior, por sinal, um funcionário sénior da segurança de Estado “SINFO”. Alguém que ao longo da caminhada universitária, convidou-me para tomar café a dois, mas que declinei sempre e sempre que o fizesse.
No último contacto, falou da minha detenção e do que pensa sobre mim. Chegando mesmo, a chamar-me atenção pelo que me pode vir a acontecer.
Nos seguintes termos “Coque… não te quero ver a ser forçado a abandonar o mundo, quero seja Deus a te tirar daqui”. Lamentando que “este trabalho que nós fazemos é complicado, eu só cumpro ordem. E, enquanto ser este modelo, que é ainda partido único, tens que ter muita calma, tu eis muito jovem”.
Chamando-me atenção que: “Coque… este país tem dono – e nós só cumprimos ordens”.
Receitando-me muito cuidado no período que entramos “pré-eleitoral”, “há uma orientação expressão para os `beliscadores` do pão – repetindo que – eu só cumpro ordens”. E, “atenção com o uso do telefone”
Outros sinais: foi cativada até então a minha conta do BPC, (por razões ainda não justificada).
Em análise feita o que mais lhes preocupa é textos como esses, que defendem, beliscar o chefe do estado.
In Amigos do Bloco Democrático Angola

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Angola no topo do mundo


Os agentes de informação do Folha 8 conseguiram reunir indícios numerosos e concordantes segundo os quais os estrategos do Estado e sobretudo da Ciência Económica já estão a fazer apelos a especialistas brasileiros e portugueses a fim de começar a preparar e levar a bom termo uma nova campanha de propaganda aos fabulosos progressos operados em Angola por obra e graça do Executivo, nomeadamente no que toca ao crescimento da sua economia. Segundo o que se presume que sairá da cabeça de alguns desses especialistas, a projectada campanha (que já começou, pelo menos em um dos nossos confrades da imprensa escrita) será concebida como uma espécie de Salmo à grandeza de Angola à volta de um “leitmotiv” dominante: ANGOLA NO TOPO DO MUNDO. De facto, segundo o Fundo Monetário Internacional, só haverá três economias no mundo que apresentarão um crescimento de dois dígitos. A primeira é o Niger, a segunda o Iraque e a terceira Angola! Fantástico! O Níger é um dos países mais desgraçados do mundo, para o qual crescer dois dígitos significa descapinar algumas lavras, construir umas dezenas de fábricas e abrir umas centenas de lojas e armazéns de venda a grosso; o Iraque foi passado à esfregona, porrete e bombardeio americanos, que destruíram mais de metade do país, para essa gente crescer agora é canja; Angola é o que é, um eterno estaleiro de obras em cima de obras mal amanhadas, depois de trinta anos de guerra e quase dez de “calares” de armas e bocas.
No topo do mundo, n’é?!...

Muteka agride Jornalistas que tentaram entrevistá-lo



Huambo - Dois jornalistas dos semanários “Angolense” e “Folha 8” foram hoje agredidos no Huambo e proibidos de publicar matérias relacionadas com as actividades da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga os alegados casos de intolerância política no planalto central.

Fonte: VOA

Detidos depois de ameaças do governador
Em declarações à “Voz da América”, Nelson Sul de Angola enviado do semanário “Angolense” disse que os repórteres tentaram entrevistar o governador do Huambo Faustino Muteka a propósito do trabalho da Comissão Parlamentar que terminou esta quarta feira, salientando que o governante negou tecer qualquer comentário tendo proferido ameaças de represálias caso eles publicassem a matéria.

Disse ainda que ao abandonarem as instalações da Comissão Parlamentar onde se encontrava o governante, agentes dos serviços de segurança os ameaçaram com armas de fogo.

Israel Samalata repórter do “Folha 8” conseguiu escapar, mas Nelson Sul de Angola foi apanhado pelos supostos agentes secretos, tendo sido retido por 48 minutos.

Samalata afirmou que, enquanto vasculhavam os seus arquivos e o telefone celular em plena rua, um dos homens apontou-lhe uma pistola nas costas.

Nelson diz que não podia fazer qualquer movimento estranho que desse a entender às pessoas que andavam pelas artérias da cidade de que estava a ser coagido sob pena de ser morto.

Afirmou também que os agentes retiraram o número do seu bilhete de identidade e foram-se embora.

O gravador que lhe foi retirado na rua foi encontrado três horas depois nas instalações da Comissão Parlamentar de Inquérito tendo sido devolvido mais tarde pelos guardas protocolares.

Israel Samalata repórter do “Folha 8” disse que, agora que foram recuperados os meios, estão a estudar a possibilidade de abrirem um processo contra Faustino Muteka, pelas ameaças proferidas.

A VOA tentou sem sucesso ouvir as reacções das autoridades no Huambo.
Refira-se que, a Comissão Parlamentar de Inquérito foi criada durante a 19ª sessão Ordinária da Assembleia Nacional a pedido da União Nacional para Independência Total de Angola, UNITA, para investigar supostos actos de intolerância protagonizados pelo partido no poder e que resultaram em mortes de membros da oposição no Huambo.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Lição de democracia caseira


Ainda hoje se diz por aí que o resultado das eleições de 2008 não reflecte a realidade política de Angola, mas a oposição continua embasbacada, sem saber como explicar o seu tremendo desaire nas urnas. O Top Secreto teve acesso a um compêndio de estratégias políticas estritamente reservado aos militantes mais meritórios do MPLA no qual se explica que os segredos da estrondosa vitória do partido repousam na aplicação dos seguintes princípios. Primeiro, começa-se por diabolizar a acção dos principais partidos da oposição nas suas zonas de maior influência; segundo, todos os montantes monetários arrecadados por empresas fiéis ao Estado são submetidos a um esquema de retribuição em compensação das benesses obtidas do Estado, semelhante ao dízimo das seitas religiosas; todos esses dinheiros (centenas de milhões de dólares) são utilizados nas propagandas do partido; calculam-se com precisão o final de obras importantes para uma data anterior e muito próxima do dia do escrutínio; considera-se a publicidade feita em redor das inaugurações dessas obras, assim como tudo quanto possa ser testemunhado em favor do Governo, ou contra a oposição como nada tendo a ver com a campanha eleitoral; programam-se horas e horas, sem contar, de tudo que seja laudativo para o Governo, de par com ataques violentos à oposição; perseguem-se ou intimidam-se jornalistas... e pronto, assim vai indo a nossa democracia. Parabéns pirataria política, mutismo e mimetismo geral.
De todas as espécies de pirataria a política é a mais comum. Nasce da multiplicação de ideias políticas, no fundo iguaizinhas umas às outras, como as amibas, num irreprimível fraccionismo que afecta as cabeças de dirigentes, o mais das vezes de “partidúnculos” sem expressão efectiva, incrusta-se de uma maneira muito confusa no espírito dos militantes mais influenciáveis, mas com a característica sui géneris de nessa fragmentação haver não mil e uma variantes de uma ideia central, como o que acontece com a pirataria religiosa, mas sim uma só ideia: a busca de dinheiro em nome do nobre ideal democrático. Alguns desses “partidúnculos” que apareceram na ribalta angolana (no total, uma boa centena) eram (alguns ainda são), de facto, enxertos provisoriamente não rejeitados pelo poderoso corpanzil do MPLA, outros, também enxertos, mas já rejeitados por via de um repentino amuo no seio do mesmo partido, outros ainda, obra de um só homem, com dinheiro e ambição suficientes para sonhar, como se criança fosse, em altos voos à frente de um ainda mais alto cargo político. Entre estes últimos apareceram em Angola figuras de proa, para não dizer de choque, como o que matou o filho e tentou camuflar o seu crime, ou de cheque, como aquele que roubou tudo o que havia no cofre do partido, ou de chique (os mais frequentes), como esse outro que empatou os fundos monetários do seu partido em negócios pessoais e na compra de um jipão. Enfim, de tudo um pouco, menos democratas.

Ainda a «Grande batalha política» do MPLA-JES, pela exterminação do jornalismo, da liberdade e da democracia.


Jornalistas ameaçados pelo Governador do Huambo. A CPI em questão
Os jornalistas do Semanário Angolense, Nelson (921686543) e do Bissemanário Folha 8, Samalanta (926002705), foram ameaçados pelo Governador do Huambo, apenas porque pretendiam ouvi-lo sobre o decorrer dos trabalhos da CPI que termina hoje. O Governador do Huambo intimou os jornalistas a não publicarem que ele não quer falar, caso contrário teriam consequências. Dada a sua eficácia, imediatamente por volta das 10 horas de hoje, Nelson foi alvo dum ataque dum grupo desconhecido armado, que confiscou todo o seu material, ameaçando-o com dizeres “não pensem que isto é Luanda”.
Está a virar moda os primeiros secretários do partido no poder, servirem-se de redes de lúmpens qualificados para levarem a cabo missões e ameaças, com todas as consequências. Não pode esta acção merecer apenas o nosso repúdio. É hora de ir mais fundo sobre este tipo de comportamento brutal. Os amigos do Bloco podem prestar solidariedade aos jornalistas, telefonando-lhes e dando-lhe uma palavrinha de conforto. Finalmente, estão em missão da procura dos factos para bem nos informar. Um direito que conquistámos, mas pelo qual temos que lutar minuto a minuto.
Fonte: Amigos do Bloco Democrático Angola

A última «Grande batalha política» do MPLA-JES


Esta outra mãe de todas as batalhas políticas atingiu o auge. Parafraseando: para o MPLA-JES a guerra é, e será sempre, a continuação da intolerância política por outros meios. A violência recrudesce por toda a Angola, tal e qual como o MPLA-JES pretende e ensaia… muito mal, como sempre. As chamas começaram nas tramas, e já se alastram a toda a pradaria de Angola. Porque quem é belicista nisso acredita com todas as suas forças… belicistas.
O importante é incendiar, porque nós, o MPLA-JES, mais uma vez esta batalha vamos ganhar.
Mas que grande derrota estamos a ensaiar.

«Huambo. Faustino Muteka, o governador ainda e sempre de convicção marxista-leninista, exerce brutal repressão sobre jornalistas, um deles do Folha8, Samalata, e outro salvo erro, do Semanário Angolense. Confiscaram-lhes tudo, incluindo os meios de trabalho. «Vocês não sabem o que vos vai acontecer.» Ameaçaram-lhes convictos da sua impunidade os seguranças pessoais do governador, na práxis dos quase quarenta anos da grande marcha para a grande desilusão.
Como se não bastasse, foram perseguidos por sete indivíduos, conseguiram escapar-lhes. Apontaram-lhes armas e colocaram-nos durante 40 minutos em cárcere privado. Retiraram-lhes os números dos BI. Encontram-se em perigo de vida.»
Resumo baseado no noticiário da Rádio Ecclesia, 22 de Junho, 12.00 horas.