domingo, 14 de agosto de 2011

OS SEM FUTURO. Gil Gonçalves


E encontramo-nos profundamente gratos ao Criador do Céu e da Terra, e ao nosso espectacular Politburo, mentor do céu e da terra angolana, por tamanha religiosidade, empenho nas ditosas leis que nos governam e orientam as nossas liberdades fundamentais, na feitura de exemplares leis que preservam, que apontam a claridade do caminhar da nossa gloriosa e eterna liberdade, de textos literários tão sublimes, da moderna concepção da liberdade:
Lei contra a Segurança de Estado:
Artigo 25º, dispõe: (Ultraje ao Estado, seus símbolos e órgãos)
1 – Quem, publicamente, em reunião ou mediante a difusão de palavras, imagens, escritos ou sons, ultrajar maldosamente a República de Angola. O Presidente da República ou qualquer outro órgão de soberania é punido com pena de prisão de 6 meses a 3 anos ou com a multa de 60 a 360 dias.
2 – Se o ultraje tiver por objecto a bandeira, as cores, a insígnia ou o hino da República, a pena de prisão é até 2 anos ou de multa até 240 dias.
3 – Se o ultraje for dirigido a membros da Assembleia Nacional, do Governo ou a magistrados, a pena de prisão é de 2 anos ou de multa até 240 dias, se a pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição penal.
Lei dos Partidos Políticos, Artigo 38º
Incitamento à violência:
É punido nos termos da Lei Penal em vigor o dirigente ou activista de um partido político que por escrito, actos, gestos ou declaração pública, no exercício ou por causa do exercício das suas funções:
a) – Incitar à violência ou empregá-la contra a ordem constitucional e legal vigente;
b) Atentar contra a unidade nacional;
c) Fomentar o tribalismo, racismo, regionalismo ou qualquer forma de discriminação dos cidadãos;
d) Incitar à violência contra membros ou simpatizantes de algum partido ou ainda contra outros cidadãos.
Assim nos libertaram do colonialismo e outorgaram-nos a liberdade ainda revolucionária. Como é salutar manter a pureza férrea do Estado em que se encontra. E tudo se resume apenas a uma questão de conjuntura. Na verdade vos digo que ainda há muito lixo nas estrebarias reais por limpar. E que sobretudo ninguém respeita ninguém, na realidade impõem-nos a lei dos feudos. É esta a lei que falta decretar, porque na imposição deles, feudos, já vivemos. Outra vez no naufrágio da escravidão e dos caminhos de 35 anos emboscados nas ciladas aos sem futuro.
Pretender conduzir Angola e os angolanos movendo os ponteiros dos relógios para trás, para o passado esclavagista da repressão colonial é uma pura perda de tempo. Angola não é uma ilha, tem fronteiras vastas e a incapacidade de as gerir. Pois se nem energia eléctrica e água se consegue prover…
Ah sim! Silenciar ou liquidar todos os opositores… neste tempo já não dá. É pura loucura, uma aventura cheia de perigos porque já ninguém acredita numa palavra dos arautos, dos únicos defensores da actual conjuntura independentista. Compreendemos perfeitamente que o partido-estado-empresa pretenda manter o estatuto de única empresa em Angola e o povo passar, já está, a empregados sem remuneração nem direito a reclamar. Assim como naquele tempo das minas na América Latina em que os espanhóis obrigavam os autóctones a trabalharem até ao limite das suas forças… acabando na morte. E perdemos a soberania nacional para a China, para acontecer o Carnaval do desfecho cubano?!
Para os investimentos funcionarem devidamente é necessária estabilidade social permanente. Sou um sonhador inveterado: sonho sempre com o fim das ditaduras e que finalmente adquiri a liberdade. É por demais evidente: se o povo é idiota, elege idiotas para o governar. E depois da independência, da guerra e da paz, prometeram-nos que viveríamos felizes e no bem-estar. Afinal presentearam-nos a vida do horrível inferno. O Politburo está orgulhosamente só, porque tecla sempre que está tudo bem. Mas todos sabemos que está tudo muito mal. Uma democracia que é imposta pelo poder do petróleo só nos traz desgraça, fome e morte. Mas nós lutámos para libertar Angola, ou para a escravizar? A população não ganhou nada com isso. O lucro é outra opressão de irmão contra irmão. E quem se opor será catapultado como antes acontecia. Quem exigir e lutar pela sua liberdade, será, primeiro, taxado de terrorista, preso sob acusação de autor moral de qualquer coisa até apodrecer nas prisões. Segundo, os pelotões da morte estão preparados para dispararem, aniquilarem quem quer que seja. Mas que ironia: a história repete-se, os factos são idênticos, repetitivos. Os campos de concentração também dantes eram bairros indígenas, agora são ao ar livre.
Seculares potências unem forças. A ditadura sem nome e a cruz da Igreja são muito fiéis nas suas capelas. A luta agora deixou de ser contra um governo. É a luta pela sobrevivência, porque ele deixou de existir, é uma miragem. Já não o temos, é uma minagem no deserto da decadência. A luta resvala para o odiento refrão. Já foi de luta de vida ou de morte, agora é a saque, porque tudo eles nos espoliam. Até os baloiços juntos com as crianças se aniquilam como leões esfaimados à procura de algo humano que lhes sirva de sustento. Tudo vale, neste vale descampado sem lei, na mais desordenada desordem da ímpar lembrança da secular matança.
Há cada vez mais geradores nas traseiras dos prédios que trabalham dia e noite para alimentarem empresas, particulares, novos-ricos e agências bancárias que mais parecem funerárias, que suportam os especuladores imobiliários. Expelindo o fumo mortal como Auschwitz, tal e qual. É bom lembrar que toda a espoliação acontecida tem o monstro bancário que tudo faz para nos devorar. As nossas vidas para os bancos não têm qualquer valor. Daí o insistente morticínio que se faz presente, permanente. Angola não é de todos, é apenas de um pequeno grupo que nos usa e abusa como numa espécie de ferocidade. De feras insaciáveis na inconstante caça humana. Nos altares da religião os sacerdotes oram para que os rebanhos da população se mantenham. Porque à igreja interessa-lhe manter a actual conjuntura. Porque basta-lhe uma sobra de contentamento para a qual já fez o impávido juramento. Com a extinção dos rebanhos, sem continuação, a igreja findará. Sem rebanhos a igreja não sobreviverá. De modos que se torna incompreensível o abate das manadas humanas. Parece só existir uma explicação: a igreja está louca! Apoiando o opressor, a igreja oprime-se, flagela-se, perde-se no reino de Deus, leva a opressão para os céus. Abandonando as pobres ovelhas ao governo tresmalhado, mas fartamente abençoado. Há tempo para orar e para espoliar. Tempo para depositar nos bancos lavados os dinheiros sujos, e tempo para os levantar. Tempo para comissionar e tempo para corromper. Não há tempo para governar, só tempo para orar nos casebres que vão derrubar. O tempo da independência nunca aconteceu e tudo nela e com ela faleceu.
O poder está nas mãos de Deus e dos especuladores imobiliários e bancários.
Angola não é país, é um banco com muitos tentáculos que nos agarram e nos arrastam para a morte. Não surpreende que diariamente se montem as Parcas tendas dos campos de concentração, onde com má imitação nazi se imolam crianças nos altares de um deus desconhecido, bárbaro. O martírio do grande campo de concentração Angola, executa-se conforme as sagradas escrituras da nobre e digna civilização cristã. E diariamente se importam contentores com toneladas de deuses e demónios. E na mais horrenda devassidão, cada banco ordena, faz a sua lei, os bancos destroem-nos. O único negócio rentável para um banco é o imobiliário. Daí o arrasar casas e terrenos, na batalha campal em que Angola se transformou, e os bancos regozijam-se: «Estamos aqui para dominar Angola e o que sobra dos angolanos. Viva Angola, viva o generoso e heróico povo angolano. Um só povo, um só banco! Cada cidadão é e será uma agência bancária.» E se mais casebres houverem, lá os derrubaremos, lá permaneceremos. Nós, bancos, somos os vossos donos, os novos senhores dos sem futuro. Até o pensamento nos querem usurpar…
Os motores da igreja e da governação griparam. Aguardam por bons mecânicos que os reparem. Em Angola, cada caso é um campo de concentração ao acaso. Os bancos?! São os garimpeiros de Angola, quer queiramos quer não. Somos todos humildes servidores do vosso templo. E em Angola as empresas mais rentáveis, de lucros imediatos, são as das demolições.
Há governos que primam pela inutilidade do governar, agora acaba-se de chegar ao cúmulo de que destruir um país é governar. Angola é África, e como tal está em conflito permanente, porque há a pretensão da opressão e da espoliação das populações. É muita podridão e lixo. E não há nenhuma empresa especializada nestas imundícies que as consiga sanar. E com a dignidade de campo de concentração, o comité da especialidade de preços sobe-os à Luís XV, na preparação da revolução. Angola parece cair no governo clânico da Somália. Quando cada um na sua parcela governa como quer formando clãs, Angola decreta a incerteza.
Este é o tempo dos jovens nas festas do alcoolismo presente, mas sem futuro. Trocam muitas notas de cem dólares e perdem-se na bebida das noites. Não trabalham, então como, onde conseguem o dinheiro? Perdidos no reino da desilusão e da desunião, movem-se por aqui e por ali apenas com duas preocupações: aparelhagem sonora nos carros com barulho tão aterrador que os faz, não, já estão completamente loucos, e bebida como se fosse um alambique portátil. Todas as diabólicas noites nesta vida de apodrecer os corpos, eles sabem que vão morrer demasiado cedo. Estamos então na presença de um suicídio colectivo. Mas agora temos mais algo novo, atroz: as mulheres também embarcaram nesse canal alcoólico, e bebem, bebem, e perguntam nas outras com admiração: «Ah! mas tu não bebes?! É sem sombra de dúvidas uma nação afogada em álcool. E onde os sem futuro aparecem é a desgraça, ninguém dorme, não falam, berram. Abrem as portas dos carros e atiram para fora tal berreiro musical que naturalmente nos demonstra o que é o inferno. E não adianta ninguém aproximar-se deles para lhes falar, porque estão completamente possessos pela loucura, no estágio final do etanol. Depois os das motos já muito aprimorados na imitação de armas que disparam tiroteios dos escapes fazem, completam a equipa dos sem futuro.
Na rua da Liga Nacional Africana e imediações, polícia antiterror para perseguir pobres vendedores de rua?! Esta Angola cada vez surpreende mais pela negativa. Esta nossa polícia mudou de nome, para polícia do terror? Caminhamos para o eclipse total?! Um grupo de quatro polícias antiterror circula pelas ruas limítrofes à Liga… e destroem os bens dos aterrorizados que amaldiçoam o dia em que nasceram angolanos. De preferência pontapeiam e espezinham os produtos que os esfomeados conseguiram para vender, já que estão completamente excluídos dos bens petrolíferos e diamantíferos… não têm direito a nada. E que por exemplo, os agora grandes amigos de Angola, como a China, Aníbal Cavaco Silva, José Sócrates e comandita se pronunciem, com os apoios dos habituais discursos do doentio paternalismo. Somos os sem futuro porque os dias dos trinta e cinco anos continuam armazenados, acorrentados no pesadelo de 1975.
upanixade@gmail.com
Imagem: Ermelinda Freitas

Última Hora: Autoridades angolanas prendem David Mendes


Lisboa - As autoridades policias angolanas prenderam na tarde deste domingo, no município do Quitexe, província do Uíge, o político e advogado David Mendes por divulgar panfletos do Partido Popular, a formação política de que é líder. O político foi detido na companhia de 25 correligionários. Informações preliminares apontam que a ordem da detenção terá partido da sede local do MPLA.

Fonte: Club-k.net
Por distribuir panfletos do seu partido
De recordar que em Novembro de 2010, o advogado e mais dez activistas do seu partido teriam sido detidos por agentes da polícia nacional, em Luanda, pela mesma razão quando procediam a distribuição de papeis, contendo por um lado o manifesto e por outro, um reproduzido de uma Carta Aberta enviada ao governador da província de Luanda. O grupo havia sido conduzido para a 36ª Esquadra da polícia sita no município do Kilamba Kiaxi.

sábado, 13 de agosto de 2011

AQUI ESCREVO EU. William Tonet. Os “pontas de lança” do regime tendem a se multiplicar



Um ataque feroz baseado em fumo e vento de Carlos Alberto contra William Tonet

Num artigo publicado na semana passada como manchete da página inicial do Club k, subscrito, ao que parece, por um novo ponta de lança instalado bem longe das turbulências angolanas, em Montreal, no Canadá, que se apresenta por intermédio de um nome pouco ou mesmo nada elucidativo, Carlos Alberto, coloca em cheque, em matéria a minha participação como advogado de oficiais da Polícia Provincial de Luanda, presos no também conhecido “Caso Quim Ribeiro” começando por um insulto inserido em epígrafe,
“A última patifaria/Estupidez de William Tonet”.
Passemos sobre o insulto, denunciador de um raciocínio primário e de baixo coturno.
Patifaria, Carlos, é o acto cometido por um patife, isto é, pessoa pouco honesta ou que procede por fraude sem dar mostras de vergonha ou recato, ou ainda, na versão brasileira do termo, alguém fraco e tímido, um COBARDE, numa frase, o negativo da fotografia que define a minha personalidade, pois se há uma característica que me distingue de muitos é a frontalidade que tantas vezes balizou o meu percurso na vida.
Sou da estirpe de homens que matam a cobra e não só mostram a cobra, como também mostram com que pau a mataram.
Percorri vários húmus libertários e nunca mudei de barricada, como muitos, e nas posições que até hoje assumi, sempre dei a cara, enfrentando o lobo na mesma selva, sem me esconder, fugir, acobardar ou trair.
Se tivesse mudado, talvez estivesse hoje a tocar batuque dos milionários…
Nós estamos em Angola, Carlos, e não no Canada, onde existe liberdade de imprensa e uma verdadeira democracia construída ao longo de séculos por cidadãos com mente aberta para a diferença que os separa dos outros, nomeadamente dos imigrantes que se vão inserindo ao fio do tempo numa das comunidades mais avançadas do mundo.
No seu artigo, que me digno respeitar, por ser a expressão de uma opinião contraditória cuja legitimidade lhe assiste, lamento apenas que o tom tenha por vezes resvalado para a agressividade verbal grosseira da parte de uma pessoa que nem conheço.
O Carlos diz entre outras asserções, que defender Quim Ribeiro é «Politicamente "incorrecto”», e acrescenta, como supra mencionado que «A este respeito, acredito que os melhores adjectivos qualificativos são: "Patifaria e estupidez".

De onde virá tanto fel?
O veneno da sua pluma expande-se em seguida por todos os parágrafos do seu texto, numa curiosa defesa de princípios dos radicais do MPLA e de JES, pontuada, sistematicamente, por uma crítica acerba do meu bom nome e desempenho, tanto como jornalista, como nas vestes de jurista.
Entre outras pérolas anotei;

a) “Analistas concluem que o “Caso Quim Ribeiro”, será o culminar e “enterro” político-social de Willian Tonet”(Analistas?!, quais analistas, Carlos? Mistério).
b) “Tudo indica que o jornalista e jurista William Tonet optou em ignorar alguns princípios básicos e lógicos e de correlacionar alguns assuntos”.
(Quais princípios e quais assuntos? Mistério).
c) “O envolvimento de WT contradiz no seu sentido lato tudo que aparentemente tem propagado”.
(O quê, concretamente? Mistério).
d) “Wiliam Tonet rompeu com a ética e moral em todos os sentidos. Consequentemente, será penalizado e depositado no saco -"entulho"- dos angolanos sem crédito tal como o Presidente do Partido Republicano de Angola Carlos Contreiras”.
(Qual “entulho”? Nunca pedi asilo político, até hoje, nem fugi, a todas perseguições da Segurança e do regime. Será que o “entulho” é o MPLA?)
e) “Como advogado existem casos que infelizmente não devemos estar envolvidos tendo em consideração os princípios éticos e morais que defendemos”
(Não devemos, está certo, mas os advogados têm por obrigação defender seja quem for. Pois seja quem for tem direito, por lei, a ser defendido. Melhor é um preceito constitucional).
f) “Neste caso concreto, William Tonet ser renumerado com fundos que Joaquim Ribeiro roubou dos cofres do povo.(…) William Tonet está em defesa de um membro da elite do MPLA que sempre violou princípios básicos de boa governação. William Tonet está a favor de elementos que dentro das suas faculdades mentais sempre defenderam os ensinamentos de José Eduardo dos Santos. É assim que não constituirá surpresa para ninguém se William Tonet estiver inserido na equipa dos advogados de defesa de JES em casos de corrupção e crimes contra humanidade.
(Primeiro, o dinheiro de Quim Ribeiro, alegadamente roubado, estava em posse dos ladrões do mesmo, e se foi roubado foi aos ladrões. Depois o Quim não tem de dar dinheiro a William Tonet, porque não sou seu advogado e isso está bem claro no meu texto; por outra, se um advogado for chamado a assistir um criminoso, a ética e deontologia dizem que deverá fazê-lo – salvo em caso de crime provado, como acontece com os arguidos de crimes contra a humanidade e hediondos, no meu caso -, do mesmo modo que o médico chamado a assistir o seu pior inimigo, será proscrito se recusar assistência).
g) “Tudo indica que WT nunca teve a intenção de especializar-se em assuntos relacionados a direitos humanos”
(Não tenho de ser eu a dizer-lhe que sim ou não, mas os cidadãs, que foram alvos de minhas acções, quer em tempo de guerra como no do calar das armas, que não carecem que disso faça publicidade).
h) “Fica aqui assente, que WT, foi sempre um compadre de Joaquim Ribeiro e aventa-se a possibilidade de ambos serem sócios em alguns negócios já desde os tempos em que Quim Ribeiro gozava de poderes acrescidos no regime do MPLA”.
(Pura ficção. Nunca fui sócio de Quim Ribeiro e isso é que irrita os meus detratores, por não ter rabos de palha, neste caso, mas se o fosse, não teria medo de o assumir e, se calhar, dar algumas acções ao Carlos).
i) “Nesta óptica, WT entregou a alma e espírito neste caso em defesa dos seus interesses materiais e resta saber se o mesmo foi também gratificado com os milhões desviados por Quim Ribeiro”.
(Quem tem a certeza de Quim Ribeiro ter desviado os milhões, no caso o Carlos, talvez os tenha transferido, para uma conta conjunta no Canadá é que partilhou com ele e não William Tonet, que nem tostões viu, tão pouco está interessado).
j) “(…) David Mendes recusou há uns meses defender os arguidos do caso BNA apesar que estes o oferecerem mas de 300 mil dólares Um dos pontos chaves de David Mendes que o levou a recusar defender esta solicitação foi a origem dos fundos que os arguidos disponibilizaram-se em pagar e da relação destes ao regime tendo em conta que a posição que ocupavam no BNA os facilitou açambarcar avultadas somas de dinheiros dos cofres públicos”.
(Primeiro, o Dr. David Mendes recusou o dinheiro, subsequentemente recusou defender. Aí no Canadá, quem é que lhe disse que lhe ofereceram 300 mil dólares? Ou será que colheu a notícia na Internet? Mas vou dizer-lhe em defesa dos direitos humanos eu defenderia, muitos dos arguidos do caso BNA, pois eles são a raia miúda, pois quem lá deveria estar, são os governadores que assinaram os documentos, para legalizar a fraude e estão fora, a viver a grande e à francesa)

Atoardas de mau gosto e de baixo nível
Deixemo-nos de brincadeiras de mau gosto, Carlos, os seus insultos não colhem, nem me beliscam, por isso o perdoo, em nome de Deus.
Se todos os advogados se recusassem a defender alguém por saber que à partida é culpado e, logicamente, que o seu dinheiro é suspeito, não haveria razão para a existência da profissão de advogado de defesa, bastava um juiz e um procurador (e se calhar um carrasco a seguir) para julgar qualquer caso. (...) Ou será que é da opinião de que os réus de um caso grave como este só podem ser defendidos por estagiários principiantes ou autênticas nódoas, como advogados, que os há e não são poucos? Aonde fica, Carlos, a sua "igualdade de direitos" no meio do seu conceito do que é uma democracia (Como comentou um leitor do club k com muito acerto)?
Carlos, respeito a sua opinião (sem os seus excessos e malcriadez, que não lhe ficam bem), mas gostaria de contar, um dia em Angola, com artigos seus da mesma veia que este, na crítica pungente das derrapagens do regime que (des) goverrna os autóctones angolanos.
Sem ser preciso fazer ataques pessoais que só o diminuem. Quando isso acontecer vamos aferir da sua sinceridade e frontalidade, como intelectual, que diz ser.
Não é minha educação chamar nomes e julgar suspeições que pesem sobre quem eu não conheço. Infelizmente, esse não é o seu caso.
Em suma, não sou eu quem o condena(rá), mas a sua própria consciência, por isso não o tratei da mesma forma, para não baixar o nível e, também, o prestígio do club-k e também do F8. Espero que a sua própria pena e consciência possam servir de alerta aos excessos da sua animosidade.
Que o Senhor esteja consigo e lhe proteja do mal.

Carlos Alberto vs William Tonet


É salutar, quando os angolanos, dentro ou fora das fronteiras, redobram a vigilância e se predispõem ao debate dos assuntos nacionais. Mais do que isso, é fundamental que não nos enganemos de objectivo.

Félix Miranda

Outrossim, todos aqueles que se oferecem aos debates, certamente desfrutam de bagagem suficiente para argumentar com bastante propriedade sobre os assuntos inerentes. Não me proponho questionar as competências de uns e de outros nas tribunas dos debates a que temos assistido. Porém, ao referir-me ao mais candente “Caso Quim Ribeiro”, gostaria quão somente apelar que o fizéssemos com muito menos emoção e euforia, porquanto tratar-se de algo que exige uma certa dose de conhecimentos científicos, mesmo se o Jurídico ou a Jurisprudência não se inserirem no cômputo das ciências exactas. Talvez por isso mesmo a sua abordagem se afigure mais complexa.
Ao ler o artigo do prezado compatriota Carlos Alberto, no Club-K, a partir de Montreal – Canadá, que, de forma efusiva, arvora patriotismo no seu texto intitulado: “A última patifaria e estupidez”, “William Tonet representará Eduardo dos Santos em Haia”, verifico que há uma dicotomia na sua percepção do caso. De um lado, é mesmo uma manifestação patriota e louvamos, porque reconhece que toda esta nossa balbúrdia tem como responsável o Chefe do Estado, José Eduardo dos Santos, pela simples razão de chamar a si todos os poderes e permitir tacitamente esta promiscuidade e atrocidades; de outro, o que é mais preocupante, atendendo a que o anterior não é sui generis, reflecte o amalgame que é frequente notar entre os angolanos, ao se conotar todos os homens e mulheres funcionários públicos, como agentes, acólitos, subornados ou no mínimo militantes do MPLA ou servidores do regime. Esta percepção, não só é errada, como é substancialmente errónea para os princípios democráticos e de tolerância, assim como enferma de um ódio que começa a ser visceral, ao traduzirmos como cães de fila, todos aqueles que estão ao serviço da Administração do Estado e Governo ou defendam algumas das suas boas decisões ou medidas económicas e sociais produtivas.
Salvo outros desígnios de William Tonet, segundo consta no conceito jurídico, um advogado que se preze não se forma na pretensão de defender santos e anjos, nem com a perspectiva de ganhar causas religiosas ou abandonar concidadãos que ao se anunciarem inocentes venham pedir guarida jurídica, em conformidade com o recente Comunicado da Ordem dos Advogados de 25 de Julho de 2011, rubricado pelo Bastonário Manuel Vicente Inglês Pinto, que no ponto 1, relembra: “… o Princípio da Presunção de inocência consagrado no artigo 67°, n°2 da Constituição; no ponto 2, destaca: “… advogados que defendem os arguidos cidadãos e seus contribuintes que apenas cumprem com a sua função social, que é a de defender os direitos dos cidadãos, à luz do artigo 193°”.
Importa igualmente sublinhar que todos os cidadãos, em qualquer circunstância, têm direito a um advogado e são iguais perante a Lei. Sem querer se descartar, William Tonet foi claro, não é advogado do Comissário Quim Ribeiro, sim dos cidadãos oficiais de polícia abrangidos pelo mesmo dossiê. Pelos vistos, na óptica de Carlos Alberto, e tomando como campo de ensaio seu próprio Habitat, os advogados, irrepreensíveis na defesa dos direitos humanos, defensores e quiçá vencedores de causas de assassinos em série apanhados com a arma do crime, no Canadá estariam perdidos, seriam todos mortos. Ora, o que se passa é que não é permitido a seja que criminoso for apresentar-se diante do juiz sem que se tenha constituído em seu favor um advogado de defesa, salvo decisão contrária do próprio arguido. O facto de um advogado se disponibilizar a defender um determinado arguido, profissionalmente não flagela a ética, a conduta moral, a militância político-ideológica ou partidária, nem colide com a coerência exigida como postura cidadã.
Não se ignora que esta é uma profissão ingrata, como não se é míope quanto à sua importância no quadro da jurisprudência e a defesa dos cidadãos. Nesta embrulhada, pergunto-me: o que seria uma sociedade em que os advogados estariam agrupados por partidos ou sectores profissionais; o que seria uma sociedade onde os advogados estariam privados de amizades ou forçados a profecias para evitarem torcionários ou burladores? A defesa dos direitos humanos não coíbe advogados de cumprir com os seus deveres profissionais, como não força nenhum deles à filantropia, assim como é o caso dos médicos, psicólogos e tantos outros que lidam com a defesa dos seres vivos e salvaguarda dos seus direitos.







Aqui escrevo eu

Os “pontas de lança” do regime tendem a se multiplicar

Um ataque feroz baseado em fumo e vento
Num artigo publicado esta semana como manchete da página inicial do club k, subscrito por um novo ponta de lança instalado bem longe das turbulências angolanas, em Montreal, no Canadá, e se apresenta por intermédio de um nome pouco ou mesmo nada elucidativo, Carlos Alberto, a entrada em matéria sobre a minha participação activa como advogado no “Caso Quim Ribeiro” começa por um insulto inserido em epígrafe, “A última patifaria/Estupidez de Willian Tonet”.
Passemos sobre o insulto, denunciador de um raciocínio primário.
Patifaria, Carlos, é o acto cometido por um patife, isto é, pessoa pouco honesta ou que procede por fraude sem dar mostras de vergonha ou recato, ou ainda, na versão brasileira do termo, alguémfraco e tímido, um COBARDE, numa frase, o negativo da fotografia que define a minha personalidade, pois se há uma característica que me distingue de muitos é a frontalidade que tantas vezes balizou o meu percurso na vida.
Sou da estirpe de homens que matam a cobra e não só mostram a cobra, como também mostram com que pau a matou. Percorri muitos húmus libertários e nunca mudei de posição, e nas posições que até hoje assumi sempre dei a cara, enfrentando o lobo na mesma selva, sem me esconder ou acobardar.
Se tivesse mudado, talvez estivesse hoje a tocar batuque…
Nós estamos em Angola, Carlos, e não no Canada, onde existe liberdade de imprensa e uma verdadeira democracia construída ao longo de séculos por cidadãos com mente aberta para a diferença que os separa dos outros, nomeadamente dos imigrantes que se vão inserindo ao fio do tempo numa das comunidades mais avançadas do mundo.
No seu artigo, que me digno respeitar, por ser a expressão de uma opinião contraditória cuja legitimidade lhe assiste, lamento apenas que o tom tenha por vezes resvalado para a agressividade verbal grosseira da parte de uma pessoa que nem conheço. O Carlos diz entre outras asserções, que defender Quim Ribeiro é «Politicamente "incorrecto”», e acrescenta, como supra mencionado que «A este respeito, acredito que os melhores adjectivos qualificativos são: "Patifaria e estupidez".
De onde virá tanto fel?
O veneno da sua pluma expande-se em seguida por todos os parágrafos do seu texto, numa curiosa defesa de princípios atentatórios ao bom nome do MPLA e de JES, pontuada, sistematicamente, por uma crítica acerba do meu desempenho, tanto como jornalista, como nas vestes de jurista.
Entre outras pérolas anotei,
“Analistas concluem que o “Caso Quim Ribeiro”, será o culminar e “enterro” político-social de Willian Tonet” (Analistas?! Quais analistas, Carlos?... Mistério).
“Tudo indica que o jornalista e jurista William Tonet optou em ignorar alguns princípios básicos e lógicos e de correlacionar alguns assuntos” (Quais princípios e quais assuntos?... Mistério).
“O envolvimento de WT contradiz no seu sentido lato tudo que aparentemente tem propagado” (O quê, concretamente?.... Mistério).
“Wiliam Tonet rompeu com a ética e moral em todos os sentidos. Consequentemente, será penalizado e depositado no saco -"entulho"- dos angolanos sem crédito, tal como o Presidente do Partido Republicano de Angola Carlos Contreiras” (Qual “entulho”? Será que o “entulho” é o MPLA?)
“Como advogado existem casos que infelizmente não devemos estar envolvidos tendo em consideração os princípios éticos e morais que defendemos” (Não devemos, está certo, mas os advogados têm por obrigação defender seja quem for. Pois seja quem for tem direito, por lei, a ser defendido).
“Neste caso concreto, William Tonet ser renumerado como fundos que Joaquim Ribeiro roubou dos cofres do povo.(…) William Tonet está em defesa de um membro da elite do MPLA que sempre violou princípios básicos de boa governação. William Tonet está a favor de elementos que dentro das suas faculdades mentais sempre defenderam os ensinamentos de José Eduardo dos Santos. É assim que não constituirá surpresa para ninguém se William Tonet estiver inserido na equipa dos advogados de defesa de JES em casos de corrupção e crimes contra humanidade.
(Primeiro, o dinheiro de Quim Ribeiro, alegadamente roubado, estava em posse dos ladrões do mesmo, e se foi roubado foi aos ladrões; por outra, se um advogado for chamado a assistir um criminoso, a ética e deontologia dizem que deverá fazê-lo – salvo em caso de crime provado, como acontece como os arguidos do BNA -, do mesmo modo que o médico chamado a assistir o seu pior inimigo, será proscrito se recusar assistência).
“Tudo indica que WT nunca teve a intenção de especializar-se em assuntos relacionados a direitos humanos” (Já defendeu e mais de uma vez).
“Fica aqui assente, que WT, foi sempre um compadre de Joaquim Ribeiro e aventa-se a possibilidade de ambos serem sócios em alguns negócios já desde os tempos em que Quim Ribeiro gozava de poderes acrescidos no regime do MPLA” (Pura ficção).
“Nesta óptica, WT entregou a alma e espírito neste caso em defesa dos seus interesses matérias e resta saber se o mesmo foi também gratificado com os milhões desviados por Quim Ribeiro” (Idem).
“(…) David Mendes recusou há uns meses defender os arguidos do caso BNA apesar que estes o oferecerem mas de 300 mil dólares Um dos pontos chaves de David Mendes que o levou a recusar defender esta solicitação foi a origem dos fundos que os arguidos disponibilizaram-se em pagar e da relação destes ao regime tendo em conta que a posição que ocupavam no BNA os facilitou açambarcar avultadas somas de dinheiros dos cofres públicos” (Primeiro, o Dr. David Mendes recusou o dinheiro, subsequentemente recusou defender. Aí no Canadá, quem é que lhe disse que lhe ofereceram 300 mil dólares? Ou será que colheu a notícia na Internet?)
Atoardas de mau gosto e baixo nível
Deixemo-nos de brincadeiras de mau gosto, Carlos, os seus insultos não colhem. Se todos os advogados se recusassem a defender alguém por saber que à partida é culpado e, logicamente, que o seu dinheiro é suspeito, não haveria razão para a existência da profissão de advogado de defesa, bastava um juiz e um procurador (e se calhar um carrasco a seguir) para julgar qualquer caso. (...) Ou será que é da opinião de que os réus de um caso grave como este só podem ser defendidos por estagiários principiantes ou autênticas nódoas, como advogados, que os há e não são poucos? Aonde fica, Carlos, a sua "igualdade de direitos" no meio do seu conceito do que é uma democracia (Como comentou um leitor do club k com muito acerto)?
Carlos, respeito a sua opinião (sem os seus excessos), mas gostaria de contar, um dia em Angola, com artigos seus da mesma veia que este, na crítica pungente das derrapagens do MPLA e de JES. Sem ser preciso fazer ataques pessoais que só o diminuem. Quando isso acontecer vamos aferir da sua sinceridade.
Não é minha educação chamar nomes e julgar suspeições que pesem sobre quem eu não conheço. Infelizmente, esse não é o seu caso.
Em suma, não sou eu quem o condena, mas a sua própria consciência, por isso não o tratei da mesma forma. Para não baixar o nível e o prestígio do club-k. Espero que a sua própria pena e consciência possam servir de alerta aos excessos da sua animosidade.

Ordem dos advogados de Angola. Bastonário. COMUNICADO DE IMPRENSA


A Ordem dos Advogados de Angola, na sequência do seu anterior comunicado de imprensa, de 16 de Junho do ano em curso, em que apela a todos os órgãos da administração da justiça, incluindo advogados, no sentido de se absterem da discussão das causas judiciais, em praça pública, através dos órgãos de comunicação social colocando em causa princípios e direitos fundamentais constitucionalmente consagrados, torna público o seguinte:

1 Considerando, por um lado, que nos últimos dias se vem assistindo o retomar de tais práticas, manifestamente condenáveis, a exemplo da matéria publicada no Semanário “A Capital”, nas suas edições dos dias 16 a 23 de Julho do ano em curso, com o nº 460, ano 9 e dias 23 a 30, com o nº 461, ano 9, sob o título, “EXCLUSIVO TIVEMOS COMPLETO ACESSO AO PROCESSO 11/STM/11 COM TODAS AS INFORMAÇÕES DO “CASO QUIM RIBEIRO”, estando ainda o referido processo em segredo de justiça o que constitui uma clara violação do princípio da presunção de inocência consagrado no artigo 67º, nº2 da Constituição da Republica de Angola (C.R.A,);

2 Considerando, por outro lado, com base nas mesmas fontes e em entrevistas radiofónicas são atacados publicamente os advogados que defendem os arguidos, cidadãos e seus constituintes neste processo, que apenas cumprem com a sua função social, que é o de defender os direitos dos cidadãos, à luz do artigo 193º e seguintes da CPA e das leis vigentes no país, que confere a estes (advogados) o estatuto de órgão essencial à administração da justiça;

3 Considerando, por fim, que tais práticas poderão se constituir em formas de pressão sobre os mesmos e, corolariamente, limitar o exercício do direito de defesa dos cidadãos, levando a opinião pública a confundir os advogados com os arguidos;

A Ordem dos Advogados de Angola, no cumprimento das suas atribuições estatutárias, mais concretamente, as previstas nas alíneas a) e c), do artigo 3º, dos seus Estatutos e, em defesa dos seus associados, perante o quadro acima apresentado, vem, uma vez mais, veementemente condenar a prática de actos desta natureza e outros que fomentem a discussão das causas judiciais em praça pública, sem prejuízo de outras diligências que desencadeará junto das entidades competentes, com vista a pôr termo a todas situações do género que em nada abonam e muito menos dignificam a nossa justiça e as suas instituições.

Launda, aos 25 de Julho de 2011
O Bastonário
Manuel Vicente Inglês Pinto


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Jornalista William Tonet desmaia em sessão de Julgamento


O Jornalista William Tonet desmaiou na manha desta sexta-feira no Tribunal Provincial de Luanda, por alegadamente ter mantido de pé durante quadro horas na secção da leitura de alegações .
William Tonet que é julgado em três processos, movidos respectivamente pelo ex-Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFAA), Francisco Pereira Furtado, através do processo: 972/08-D; pelo Procurador da Procuradoria Militar das FAA, Hélder Pitagroz, processo 659/08-D e pelo famoso general, considerado por muitos dos seus colaboradores e familiares (eles sabem seguramente o que dizem), multimilionário, Chefe da Casa Militar da Presidência da República e Ex-chefe do Gabinete de Reconstrução Nacional, Manuel Vieira Dias, Kopelipa, processo n.º 1449/08-D.
Segundo um dos advogados de William Tonet, Dr. Andre Dambe, o estado do seu cliente já não inspira cuidados.
Lembro que ficou marcada a leitura da sentença para a próxima semana.
Angola24horas.com

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Angola. ENDOCOLONIALISMO ANGOLANO E DESALOJAMENTOS FORÇADOS


1. Todas as formas de colonialismo são sempre processos de desenvolvimento separado que deserdam a maioria da população do país colonizado e foram quase sempre produzidos por países que ocuparam territórios e subjugaram os seus povos.

2. O neo colonialismo na maior parte dos casos é exercido por ex potências colonizadoras servindo-se de marionetes das elites locais que governam a "ex" colónia para se servirem enquanto particulares e a essas potências que regra geral acolhem os rendimentos dessas marionetes.

3. O endocolonialismo é uma forma de subjugação antiga e em vários casos antecedeu a colonização de outros territórios pelos seus agentes.

3.1. O endocolonialismo é um sistema de dominação que também impõe um desenvolvimento separado em que a elite nacional que o conduz e dele se serve para obtenção de posses e de fortuna de forma fraudulenta subjuga a maioria da população do país que excluí do seu processo de desenvolvimento.

3.2. A situação actual angolana consubstancia um endocolonialismo. As demolições seguidas de expulsões violentas de comunidades sem que lhes seja garantido alojamento condigno primeiro nem o respeito pelas suas posses fundiárias são a evidência mais demonstrativa do endocolonialismo que o regime de JES/MPLA vem impondo à nação Angola e consolidando na nossa terra.

EXIGE DIGNIDADE COM DIGNIDADE
Luiz Araújo SOS-Habitat
Na fotografia mulher nua que se despiu frente aos demolidores para protestar contra a demolição da sua casa.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Demolições em Viana. Polícia militar dispara a matar




Um cidadão angolano foi ferido e outro morto hoje por disparos de armas de guerra efectuados por agentes policiais durante demolições no 30 em Viana-Luanda
INSTRUMENTO DA GESTÃO URBANA E DE TERRAS ENDOCOLONIALISTA EM ANGOLA
Luanda – Activistas defensores dos direitos humanos presenciaram hoje demolições realizadas na comunidade situada nas proximidades do mercado do 30, Município de Viana – Províncía de Luanda.
Os defensores dos direitos humanos comunicaram que às 14:00 o cidadão Firmino João do Rosário, 42 anos, foi morto por disparo de arma de guerra feito pela policia.
Além dessa vítima mortal outro cidadão, Santos António, foi ferido na palma da mão.
Os fiscais e as forças policiais depois de terem iniciado demolições no 30 viram-se confrontados pela aglomeração da comunidade para protestar contra essa acção. Visando dispersar a aglomeração da comunidade a força policial disparou.
Essa acção contra a comunidade do 30 foi realizada por fiscais da administração que chegaram ao local transportados por duas viaturas Land Cruiser de cor castanha, protegidos por cerca de 15-18 agentes da Polícia Nacional equipados com armas de guerra de fabrico israelita Galil e por cerca de 14-16 militares da Polícia Militar equipados com armas de guerra AKM -Kalashnikov modernizada. Essa força armada fazia-se transportar em carrinhas Chevrolet da Brigada Auto.
Segundo os activistas as casas habitadas em que os moradores estavam presentes não foram visadas mas casas habitadas cujos moradores se encontravam ausentes foram demolidas sem que tivessem sido salvaguardados os pertences daqueles que as habitavam. Conforme essa informação esses bens foram simplesmente destruídos.
A comunidade do 30 permanece no local e, portanto, corre o risco de voltar a ser atacada.
1. A SOS Habitat apela às organizações de defesa dos direitos humanos angolanas e internacionais para que divulguem este caso de flagrante violação dos direitos humanos.
2. A SOS Habitat considera ser necessário que, com urgência, seja apurada a verdade dos factos sobre o procedimento da Administração e das forças policiais envolvidas.
3. Apelamos inclusive à identificação de quem ordenou, dirigiu e executou esse acto e que sejam intimados a prestar declarações em fórum judicial competente.
4 A SOS Habitat porque essa acção causou danos irreparáveis, considera que só a realização duma investigação judicial poderá e deverá apurar e atribuir tanto as responsabilidades como as sanções que couberem a quem as deva assumir.
5. A SOS Habitat exige que as autoridades administrativas com competência sobre a área em que se situa a comunidade do 30 esclareçam a sociedade angolana sobre todos os aspectos dessa acção.
Voltaremos com mais informações sobre este caso logo que tenhamos procedido ao seu tratamento detalhado em função das informações que continuaremos a apurar e do apoio que prestaremos à acção das vitimas junto das instituições de polícia e de justiça competentes.
Luiz Araújo
Coordenador da Direcção da SOS Habitat

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O Terror dos espoliadores do nosso petróleo prende jornalista da Rádio Ecclesia, e arrasta-o para parte incerta.


Colocando uma rolha na imprensa para que não noticie a onda de desmaios do regime de JES-MPLA, é um erro grave, que só complica ainda mais as coisas, pois que facilita e incrementa boatos. Onde não há informação, há ditadura, nazismo, estalinismo.

«Polícia prende jornalista da Eclésia que destacou-se pela reportagem dos desmaios

Lisboa - Adão Tiago, jornalista da Radio Ecclésia que destacou-se nas últimas semanas pelas reportagens ao caso dos desmaios em Angola, foi detido, pelas autoridades policias angolanas, na manha de terça-feira em Luanda.

Fonte: Club-k.net
Levado para parte incerta
O repórter que é igualmente professor do ensino de base, encontrava-se a ensinar os alunos quando agentes da policia invadiram a sala de aulas para e “solicitaram” que o profissional os acompanhassem.

Antes de chegar a para a 9ª esquadra da policia, onde terá sido levado inicialmente, o jornalista Adão Tiago, telefonou a familiares e colegas a dar conta do ocorrido.

A estranha detenção do mesmo coincide no momento em que o regime angolano responsabiliza a comunicação social pela a onda dos desmaios que se registra em escolas angolanas. A informação apontando que os jornalistas da media do regime foram desde ontem proibidos a noticiar sobre este incidente nas escolas.»

AQUI ESCREVO EU. William Tonet. Não defendo patifarias de clientes mas a verdade


Hoje decidi assumir um conjunto de reparos que me têm sido feitos, por, na qualidade de advogado, estar envolvido no processo dos oficiais do Comando Provincial de Luanda, da Polícia Nacional, também conhecido como “Caso Quim Ribeiro”, mas não como defensor do ex-comandante, mas sim de outros oficiais presos.
Sei da muita contra-informação a pairar no ar, contra os arguidos-presos, que não se podem defender, por razões óbvias.
O medo sobre a verdade a muitos acovarda! Logo não é isso, decerto, que me deve levar a abandonar a luta pela justiça e respeito aos direitos humanos, tão carentes na nossa terra.
A minha presença neste processo deve-se ao respeito constitucional de todos cidadãos terem o direito a um advogado, quando constituídos arguidos ou réus, mas não para esconder patifarias dos clientes. Estou de consciência tranquila dando o meu melhor, para ajudar a JUSTIÇA.
No caso vertente, estou interessado em ver esclarecida a verdade, para que o nosso povo saiba, quem foram os verdadeiros assassinos pela morte dos oficiais Domingos João e Domingos Maquiaze e do alegado roubo de USD 3.700.000,00 (três milhões e setecentos mil dólares).
Para muitos meus familiares e amigos não me deveria envolver neste caso, em função da ingratidão das pessoas, que servem o regime ou a política, quando se encontram em liberdade, exibindo-me um rolo de exemplos desde políticos da UNITA, MPLA, FNLA, Miala & Cª, que quando em liberdade, não conseguem retribuir a sua solidariedade. Não se fazem gestos, esperando retribuição e ainda bem que assim é para melhor conhecermos os homens.
Ademais ninguém nos pode acusar, principalmente, os políticos de alguma vez, lhes termos pedido dinheiro ou aceite o seu jogo da corrupção, visando branquear as suas posições. Logo se antes não aceitamos, não o faremos agora, recebendo dinheiro de Quim Ribeiro, que não é meu constituinte.
Tudo o que fizemos, não agradando a todos é em nome da democracia, da JUSTIÇA e na luta incessante contra a INJUSTIÇA, daí a contensão verbal, no sentido de não trazer casos do processo ao público, por respeito a todas as partes, principalmente, as encarceradas, que ainda gozam da Presunção de Inocência.
Infelizmente não é entendimento de quem deveria ser o guardião dos autos, tanto que se assite ao vazamento tendencioso de peças processuais, só possível com a cumplicidade de instrutores da Procuradoria Militar e PGR, para certa comunicação social, visando incutir na opinião pública, uma imagem de criminosos e gatunos, a cidadãos que ainda não foram a Tribunal, esgrimir os seus argumentos de defesa ou condenação.
Esta atitude descredibiliza mais a imparcialidade que órgãos de justiça devem ter, quando estão cientes de terem os elementos probatórios, visando nos marcos da lei chegar-se a verdade material e não a forja da mentira.
Estamos na presença de duas mortes, que mais do que publicidade barroca, precisam de ser esclarecidas, principalmente, se sabendo, ter o intendente-chefe, Domingos João, sido antes condenado a uma pena de prisão correcional de quatro meses, cumpridos na Comarca de Viana, após queixa-crime, apresentada, pelo comité do MPLA do Zango, face a invasão e perturbação da sua sede.
Mas, na cadeia, Joazinho, que nunca foi visitado pelos seus colegas do Comando Geral da Polícia, havia solicitado protecção e ninguém a deu…
Porquê?
A culpa morreu solteira…
A única certeza, no mistério da morte de Domingos Adão é de não haver nenhum despacho do Comando Geral ou do ministério do Interior a nomear o finado, para investigar o caso BNA, que sempre esteve em sede de investigação da Procuradoria Geral da República.
Neste caso, se durante um julgamento que se espera imparcial e transparente, se chegar a conclusão da culpabilidade destes oficiais, nos crimes de assassinato e roubo, serei o primeiro, a condená-los por desmerecimento dos galões da Polícia Nacional, uma instituição que deve ser prestigiada por todos os seus membros.
Por esta razão e outras mais devemos ter noção do passado, para não se repetirem, casos como os dos deputados da UNITA, presos por não aderirem a UNITA-Renovada e acusados de ligação a Jonas Savimbi, que estava nas matas, ao do jurista Francisco Luemba, padre Raul Tati e outros de Cabinda, acusados de atentado a delegação do Togo ou ainda de Fernando Garcia Miala, acusado inicialmente de tentativa de golpe de Estado e depois condenado a um crime de insubordinação. Todos apresentados com pompa e circunstância para depois a montanha parir um rato.
Desculpem-me mas muito gostaria, que na justiça, política não! Ponto Final! E a sociedade civil autóctone deveria estar, também, comprometida com a verdade e a pureza da justiça, porque senão, amanhã, serão muitos dos actuais membros da sociedade civil chamados a inquisição e aí será tarde e não haverá contemplação, numa procisão já iniciada.

sábado, 30 de julho de 2011

UNITA reúne em Setembro para analisar Congresso. SAMAKUVA NO DANÇA DO SAI OU FICA, MACULA A SUA IMAGEM POLÍTICA


A UNITA, por mais que os seus actuais dirigentes tentem escamotear, está a viver momentos de crise, por falta de visão estratégica da sua direcção. Desde que tomou posse, não tem sido possível congregar todas as franjas internas, resultantes das oposições a liderança de Isaías Samakuva.

E o toque para o despertar da companhia, deu-se quando no 22.07, terminou o prazo de Samakuva, acusado de resistir a mudança, adiando a convocação do congresso, logo preocupando os seus opositores de pretender liquidar politicamente a UNITA.
“Se em 2008, com a vergonhosa fraude, do MPLA, passamos de 70, para 16 deputados, em 2012, poderemos ter seis, face a postura perdedora do presidente Samakuva. Veja que o património que ele herdou, delapidou, tornado, também, do ponto de vista patrimonial o partido mais fraco”, disse ao F8, o militante A.Jeremias, que se identifica com a comissão de gestão.
No entanto, Alcides Sakala, porta-voz do Galo Negro, veio garantir uma reunião da sua comissão política em Setembro, para viabilizar a marcação do próximo congresso, tapando o sol com a peneira, quanto a existência de crise interna. "Dada a evolução da situação do país, com eleições previstas para 2012, o presidente Samakuva] defende a necessidade de se realizar o congresso tão logo seja ouvida a comissão política do partido, cuja reunião vai ter lugar em setembro", disse.
E aqui parece surgir outra contrariedade, pois a actual direcção condiciona a realização do conclave a criação de condições financeiras, posição condenada pelos insurgentes, que dizem estarem habituados a “provação e o jogo é Samakuva, querer imitar o Presidente Eduardo dos Santos, subvertendo as regras de jogo, sempre para se perpetuar no poder. Ele está a agir como um pequeno ditador, que instrumentaliza alguns comités provinciais, para não sair e assim poder afundar o partido”, argumentou.
Mas Alcides Sakala avança uma tese nova de o mandato de Isaías Samakuva “terminar este ano, melhor, vai de janeiro a Dezembro, por inexistência nos estatutos de uma indicação taxativamente quando se deve terminar o mandato", acrescentando ainda ser “o presidente o principal defensor da realização do congresso, mas que só o pode fazer depois de ouvir a comissão política.
Mas no crispar das posições com as declarações públicas e acusações mútuas, o auto-intitulado "Grupo de Reflexão", considera não ter Samakuva, condições para continuar no cargo, pelo que “se tiver vergonha ou honestidade intelectual, deve abandonar o cargo sem pré-condição, que o poder não ficará na rua".
Mas o porta-voz de Samakuva, não percebe, o que considera extremismo dos “outros maninhos, em exigirem a saída imediata do presidente. Não vemos razão para este debate agora, fora das estruturas do partido. Há uma direção eleita que vai levar o partido ao próximo congresso".
Mas a oposição considera “estar a direcção com manobras dilatórias, para nos adormecerem, enquanto vão ensaiando a fraude, comprando votos de alguns delegados províncias e então dizerem que as bases querem a sua continuidade, até a realização das eleições. Se isso acontecer será perigoso. Muito perigoso, para a UNITA, pois eles em desespero, já nos estão a agredir”.
E Sakala, aoproveita para negar ter sido, alguma vez, Icuma Muafumba, agredido durante uma reunião do Comité Permanente. "Não é verdade, ter sido por esta questão. Ele teve um desentendimento, com um colega e, nós, na altura, lamentamos e condenamos o incidente entre dois militantes do partido que teve lugar fora dos trabalhos da reunião. Na altura consideramos esta questão um caso de polícia e, no plano interno, o partido tem órgãos próprios para investigar e tomar medidas".
No entanto Jeremias, contraria o facto e alega, ter a pancadaria motivação de intolerância da parte dos bajuladores, que querem perpectuar-se no poder.
Pese estas divergências, a direcção considera ter conseguido controlar a situação e que a partir da reunião da comissão política em setembro haverá um quadro definido para o próximo congresso. "A UNITA tem tido visibilidade em quase todo o país nos últimos meses e há um crescimento devido aos militantes da UNITA, mas também há o sentimento de uma certa frustração perante as políticas do atual partido do poder. Há um sentimento de mudança que a UNITA vem protagonizando", sublinhou.

Guiné-Bissau. Partidos da oposição voltam a pedir ao PR que demita primeiro-ministro



Os dois principais partidos da oposição na Guiné-Bissau, o PRS e o PRID, voltaram a exortar o Presidente guineense, Malam Bacai Sanhá para que demita o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, uma posição rejeitada por outras forças também da oposição parlamentar.
O Presidente da Guiné-Bissau que recebeu no 26.07 os cinco partidos com assento no Parlamento do país, dois reafirmaram a sua intenção de ver o primeiro-ministro exonerado, enquanto o partido no poder e outras duas forças da oposição (o PND e a AD) defendem a manutenção de Carlos Gomes Júnior.
Em declarações aos jornalistas à saída de audiências separadas com o chefe de Estado guineense, o Partido da Renovação Social (PRS) e o Partido Republicano da Independência e Desenvolvimento (PRID) disseram que pediram a Malam Bacai Sanhá que demita Carlos Gomes Júnior.
“Por uma questão de higiene política, o Presidente deve demitir o primeiro-ministro”, afirmou Abdu Mané, do PRID, uma posição idêntica à assumida por Sori Djaló, presidente interino do PRS, do ex-presidente guineense, Kumba Ialá.
De acordo com Sori Djaló, os partidos da oposição disseram ao Presidente Bacai Sanhá que não vão parar com as manifestações de rua até que o primeiro-ministro seja demitido ou parta por sua iniciativa. “Ele tem que explicar os crimes pelos quais é acusado”, frisou Sori Djaló. Para o PRS e um grupo de partidos da oposição sem representação parlamentar o primeiro-ministro deve ser demitido para responder por crimes de sangue de que é alegadamente acusado de envolvimento.
Segundo os dois dirigentes políticos, o Presidente da República “compreendeu que as manifestações da oposição são um direito em democracia”, pelo que Bacai Sanhá não lhes pediu que parassem com as marchas. Embora sendo partidos da oposição, a Aliança Democrática (AD) e o Partido Nova Democracia (PND) não concordam com as exigências do resto da oposição. Vitor Mandinga, presidente da AD e Abas Djalo, do PND, defendem que a luta política deve ser no Parlamento e que o país não precisa de mais instabilidade.
Esta é também a posição defendida pela vice-presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder), Adiatu Nandigna.

Polémica entre PGR e Tribunal Militar sobre competência para investigar assassínios políticos

A Procuradoria-Geral da República e o Tribunal Superior Militar da Guiné-Bissau estão envolvidos numa acesa polémica sobre quem tem competência para investigar os assassínios de figuras políticas do país ocorridos em 2009.
De acordo com o procurador Cipriano Naguelin, coordenador do Ministério Publico para a região de Bissau e Biombo, as duas magistraturas, a civil e a militar, têm interpretações diferentes sobre quem realmente tem competência para investigar os assassínios, pelo que terá que ser agora o Supremo Tribunal de Justiça a decidir quem ficará com os processos.
Ainda segundo Naguelin, um juiz de instrução criminal declarou-se incompetente para apreciar os fundamentos apresentados pela Procuradoria-Geral da República nos processos de assassínios políticos, alegando tratar-se de matéria que deve ser tratada pelo Tribunal Militar.
“O Ministério Público nada pode fazer quando o juiz de instrução criminal se diz incompetente para apreciar os processos. O Ministério Público mais não fez que não seja remeter as investigações para o Tribunal Militar conforme recomenda o juiz de instrução criminal”, declarou Naguelin.
Esta tese foi rejeitada pelo presidente do Tribunal Superior Militar, Eduardo Costa Sanhá, para quem a sua instituição recebeu no 25.07 “uns papéis oriundos do Ministério Publico” relacionados com os assassínios dos deputados Hélder Proença e Baciro Dabó, mas que de pronto mandou devolver à procedência. “Tudo está nas mãos do Ministério Público. Não recebemos nada. Quero avisar que o Tribunal Militar apenas se poderia pronunciar sobre o julgamento destes casos, se tivesse sido ele a conduzir as investigações destes casos, o que não aconteceu”, disse o juiz Costa Sanhá.
“Volto a dizer, não sabíamos de nada relacionado com estes processos. Porque não podemos aceitar que os assassínios tenham acontecido há mais dois anos, as investigações estavam a ser feitas e só agora é que somos chamados aos processos. O que é que vamos fazer agora com estes processos?”, questionou o presidente do Tribunal Militar.
Para o coordenador do Ministério Público para as regiões de Bissau e Biombo, está-se perante a “denúncia de conflito negativo de competências” e, por se tratar de divergências entre agentes do Ministério Público civil e militar, então terá que ser o Supremo Tribunal de Justiça a decidir quem tem competências para investigar os assassínios políticos.

Cabo Verde/Presidenciais. Veiga exige a Neves que esclareça declarações sobre a morte de Cabral



O líder da oposição cabo-verdiana exigiu no 26.07 a José Maria Neves que explique, antes das presidenciais de 07 de Agosto, as declarações sobre a morte de Amílcar Cabral, considerando “muito graves” as palavras do seu homólogo do PAICV.
Carlos Veiga, líder do Movimento para a Democracia (MpD), falava aos jornalistas antes de embarcar para a ilha da Boavista, onde foi acompanhar a campanha do candidato apoiado pelos “ventoinhas”, Jorge Carlos Fonseca, e indicou que a explicação servirá para permitir que o povo ”possa votar em consciência”.
Há quatro dias, o presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) alertou num comício de Manuel Inocêncio Sousa, apoiado oficialmente pelo partido no poder desde 2001, que era preciso ter cuidado com os “intriguistas”.
Na ocasião, Neves disse que Amílcar Cabral, fundador do Partido Africano da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi assassinado (a 23 de janeiro de 1973) por dirigentes do PAIGC por causa de “intrigas de poder” e da “falta de respeito pelos valores”.
Mostrando-se “muito surpreendido” com as palavras do presidente do PAICV, que é também primeiro-ministro, Carlos Veiga afirmou não compreender o que as presidenciais têm a ver com a morte de Amílcar Cabral, assassinado em circunstâncias ainda por esclarecer.
“Fiquei muito surpreendido com as declarações, que considero muito graves e que contrariam toda a história da morte de Amílcar Cabral, que contraria o que tem sido vendido ao longo dos anos aos cabo-verdianos e também porque não se compreende o que é que isso tem a ver com as eleições presidenciais”, afirmou.
“Não sei se as declarações foram feitas porque algum dos candidatos esteve envolvido ou se é apoiado por alguém que esteve envolvido na morte de Cabral”, acrescentou, numa alusão à “guerra” entre os dirigentes do antigo partido único, divididos entre as candidaturas a Manuel Inocêncio Sousa, apoiado pelo PAICV, e Aristides Lima, da esfera dos “tambarinas”.
A imprensa cabo-verdiana está a associar as palavras de Neves à candidatura de Aristides Lima, implicitamente apoiado pelo presidente cessante, Pedro Pires, que, em última análise, é o destinatário das palavras do líder do PAICV, uma vez que o atual presidente de Cabo Verde era dirigente do então movimento de libertação.
“Estamos num momento bastante importante, num momento de decisão para a escolha de um Presidente e não podem ficar dúvidas. É algo muito grave, que tem de ser esclarecido de forma cabal antes das eleições, para que o voto do povo seja feito em consciência e com o conhecimento total que é preciso ter”, disse Carlos Veiga. Para o presidente “ventoinha”, as palavras do líder do PAICV são sinónimos de que as coisas “não estão muito bem” no partido. Também isto tem de ficar muito claro para a sociedade cabo-verdiana, para que não estejamos a comprar gato por lebre”, afirmou, lembrando que Neves “já saiu impune” quando, há uns anos, acusou o MpD de ligações aos cartéis da droga.
“O que é que quis dizer? O que é que tem a ver com os atores das presidenciais? Na candidatura de Jorge Carlos Fonseca não há ninguém que tenha participado no assassinato de Cabral. Éramos todos muito pequeninos, muito jovens. Nas outras candidaturas não sei”, concluiu.

Campanha conhece endurecimento dos discursos
O tom da campanha das presidenciais de 07 de agosto em Cabo Verde endureceu, com a entrada em cena de acusações políticas que, curiosamente, envolvem apenas os dois candidatos da esfera do partido no poder, PAICV.
Num comício de apoio a Manuel Inocêncio Sousa, candidato apoiado pelo PAICV, Neves disse que era preciso ter cuidado com os “intriguistas”, sublinhando que Cabral, fundador do então movimento de libertação (criado em 1956) foi assassinado por dirigentes do PAIGC devido a intrigas de poder e à falta de respeito pelos valores.
A alusão é óbvia, assume a imprensa cabo-verdiana, dirigindo as “graves acusações”, em última instância, a Pedro Pires, que está por trás da candidatura de Aristides Lima, arrastando consigo a “velha guarda” do PAICV para combater os “jovens turcos” do partido.
A questão de fundo, além da divisão no seio do PAICV, é muito mais profunda. Em causa está o futuro do líder do próprio PAICV, que chefia o Governo desde 2001, uma vez que uma derrota de Inocêncio Sousa nas presidenciais o porá em causa, seis meses depois de vencer, com maioria absoluta, as legislativas.
Aliás, o “tudo por tudo” do PAICV para descredibilizar Aristides Lima está patente no comunicado que o partido divulgou a 22 deste mês, em que alerta que uma fragilização de Neves o levaria a deixar a liderança partidária e, consequentemente, a chefia do Governo, “com graves consequências para o país”.
Aristides Lima, que tem andado em campanha pelas ilhas do norte do arquipélago – Santo Antão, São Vicente e São Nicolau, ainda nada respondeu, mesmo quando solicitado pelos jornalistas, optando por continuar a apelar ao voto na sua candidatura.

África do Sul. Homem acordou depois de 21 horas em câmara frigorífica de morgue


Um homem acordou depois de ter passado 21 horas numa câmara frigorífica de uma morgue na África do Sul e quando a família o dava como morto há cerca de um dia.
O porta-voz das autoridades de Saúde de África do Sul, Sizwe Kupelo, informou no dia 25.07 que um homem com cerca de 80 anos acordou na tarde do 24.07 numa morgue, 21 horas depois de a família o ter dado como morto e de ter sido levado para o local após ter sofrido um ataque de asma.
“Quando chegou à morgue, o seu corpo foi examinado, medida a sua eventual pulsação e batimentos cardíacos, mas não obtivemos resultados”, explicou o proprietário da morgue em declarações à Associated Press ao salientar ter sido confirmada a morte do idoso.
Mas um dia depois de os funcionários da morgue terem colocado o corpo numa câmara frigorífica foram ouvidos gritos de ajuda: “Pensavam que era um fantasma”, explicou o proprietário da morgue.
“Não quis acreditar, mas são meus funcionários e tive de mostrar-lhes que não estava assustado e chamei a polícia”, acrescentou.
Quando a polícia chegou, o corpo foi retirado da câmara frigorífica e o homem, que estava pálido, perguntou apenas como tinha ido ali parar.
O idoso foi depois transportado para o hospital para observação e já teve alta.
O caso levou as autoridades de Saúde da África do Sul a exortarem a população a chamarem funcionários dos serviços de Saúde do país para confirmarem a morte dos seus familiares.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

OS ÚLTIMOS DIAS DE LUANDA-POMPEIA


Gil Gonçalves
Sem hábitos de leitura não é possível formar… não existe povo, nunca existirá nação angolana.
«Os terríveis últimos momentos de uma cidade, apanhada na armadilha mortal de um vulcão. A 24 de Agosto do ano de 79 d.C., a cidade de Pompeia conheceu o seu fim devastador, quando o poderoso Vesúvio entrou em erupção, inundando os seus habitantes com pedras, cinza e fumo.
Alguns conseguiram escapar, mas os que permaneceram foram sepultados para sempre ao cair.» (1)
Manos e manas! Não sabem rezar? Então é bom que aprendam. Rezemos pois então para que não nos invada também a religião do chicote e da pedra. A exterminação das abelhas pela BAYER, que factura biliões com os seus agrotóxicos, e mata biliões de abelhas. Já viram o que é vivermos sem abelhas?!. Acaba a polinização das plantas, e lá se vão os nossos quiabos e a nossa jimboa. O mano Gbagbo perdeu as eleições, e até agora está cheio de truques para ganhar tempo. Não quer entregar o poder ao mano democrata Ouattara. E os nossos Gbagbos estão bem chateados porque o seu amigo sincero, de longa data, da coexistência pacífica, grande amigo do povo angolano, o garante da estabilidade, está a levar a Costa do Marfim para a Costa do Ferro e do Fogo. Que por este cirandar não tarda muito, não. Por aqui os nossos do Politburo estão muito atentos, porque esta nossa Costa é também a cópia perfeita da outra. Quer dizer, não são mais países, são democracias empresariais. É isso que querem fazer da África só para eles, países-presidentes-empresários.
«Em África andamos ao sabor de golpes de estado palacianos, manipulações eleitorais orientadas e assessoradas por brasileiros, franceses, portugueses, ingleses, financiadas pela China, África do Sul, Itália. Na procura de acesso privilegiado aos recursos naturais de África o que há muito já se fazia, eles se tornaram na moeda de troca de políticos pouco escrupulosos deste continente flagelado por guerras e doenças.» (2)
Entretanto, quais são os gastos mensais de cada ministério e órgãos da Presidência da República? Nunca o saberemos. Enquanto caminhamos assim, no muito secreto, também nunca seremos nação. Mas apenas como um lar muito desorganizado, onde impera a anarquia. Entretanto, o álcool, a feitiçaria e as seitas religiosas despedaçam Angola, tornam-se como consumo obrigatório, ou como os já citados agrotóxicos. As famílias, principais células de uma nação, simplesmente não existem, desapareceram. Para onde? Ninguém sabe. Talvez para um episódio dos XFILES. Pode-se afirmar, que já não se sabe qual é a função dos pais e dos filhos. Continuando neste rumo incerto, decerto não sobreviveremos à hecatombe. Angola está moribunda, pronta para o seu óbito.
«Assim e para satisfazer os seus apetites sempre crescentes, retalham e vendem os recursos naturais de seus países sem olhar para a legislação nacional nem para o conceito básico de que os países pertencem aos seus povos integralmente.» (3)
E a chuva fomenta o trabalho que lhe compete: obedecendo à Natureza, limpa, varre, e arrasta as más obras dos especuladores imobiliários, claro, que os maus filhos dos homens fizeram debaixo do sol, como no Eclesiastes. Mata inocentes abandonados pela caixa social do petróleo e o lixo desumano. A questão é: Serão as mesmas empresas de sempre a executarem as mesmas obras para mwangole ver? Para tudo ficar pior que antes? Sabemos de antemão, todos nós, que tudo não passa de um estratagema, de uma brutal negociata. Não são canteiros de obras, são canteiros dos desvios do erário público. De qualquer modo resta-lhes o mérito final da desintegração de Luanda-Pompeia. É muito preocupante notar que não se leva ninguém a tribunal, e os fiscais apenas perseguem as zungueiras, e os tubarões vão-nos devorando, protegidos pela injustiça da expectativa dos vulcões adormecidos, mas que a qualquer momento entrarão em ebulição.
«Os famosos e ricos tem o seu lugar garantido neste mundo mas não pode ser à custa de sugarem o sangue de milhões de crianças.» (4)
E o fundamentalismo islâmico ronda-nos, aperta-nos, cerca-nos como uma tenaz, dessas dos estrategas militares, para lançar as suas garras sobre Angola. A China envia-nos mão-de-obra escrava que deveria ser utilizada na formação do angolano. Mas não, é ao contrário. A mão-de-obra chinesa é mais atrasada que a dos mwangoles. Entretanto, nos outros países, os fundamentalistas islâmicos dizimam os cristãos. Mas que futuro perturbador nos está reservado. É só terror que os fazendeiros da morte semeiam. Os cadáveres humanos são o adubo na terra sangrenta. Pretende-se pura e simplesmente a destruição da civilização ocidental pelas ondas do tsunami fundamentalista islâmico.
A nossa jangada navega em águas putrefactas, infestadas de crocodilos e serpentes que nos dilaceram, nos devoram. E por esta Luanda só se vê tristeza e desolação, e diariamente tudo se complica sem solução. Já ninguém acredita em ninguém. É o tempo do chorar das lágrimas sob o olhar silencioso, matreiro, malicioso, hipócrita e cúmplice da Santa Madre Igreja, que bebe do mesmo cálice consagrado do petróleo. Não há nenhuma sobra de Angola para nós?!
É possível conceber um país, onde as mulheres conseguiram ultrapassar os homens na grande marcha gloriosa do alcoolismo? Não há aqui uma bizarra intenção por trás disto? Porque não se acabam desde já com as publicidades-apelos ao consumo do álcool? É um bom negócio do lucro fácil, não é?! Por todo o lado só se vê a venda e a ingestão desalmada de etanol. Por exemplo: a prostituição, sua aliada sincera, felicita-se perante tal multidão de adeptas, num futuro também prostituído. Perante quase total desemprego, só o há para a invasão estrangeira, que se fará quando o vulcão da xenofobia eclodir?
«A elite política internacional tem de entender que jamais poderá derrotar o terrorismo eleito ponto principal da agenda enquanto não houver participação integral de países como a Rússia e a China.» (5)
E a Lwena recordando os tempos: no tempo dos brancos a luz e a água nunca faltavam. Agora que somos independentes não temos nada dessas coisas, porquê?!
É como que uma revelação divina, o despertar com a luz solar, ouvir o esvoaçar e ver o verdejar, na podridão conjuntural que ainda insiste, e resiste. Perante tanta destruição infundada ainda há políticos que nos garantem bem-estar e harmonia social. E sentimos a vida encurtar-se sem remissão, sempre na sonoridade das mesmas palavras sem sentido.
Continuamos sem sabermos para onde nos empurram, porque perante tanta sensaboria cada vez mais nos encostam ao abismo do ir e não regressar. Há muita velocidade na destruição de tudo o que nos cerca, e muita lentidão no futuro das nossas vidas. Até a esperança e o amor nos destruíram.
Ainda uma réstia de luz ecoava nesta floresta, mas, os especuladores imobiliários não compreendiam o porquê do equilíbrio que pairava ancestral. E desequilibraram, arrancaram, devastaram tudo, nem uma árvore sobrou e importaram palmeiras a fingir que a miséria por aqui ainda se mantêm tropical. E plantaram árvores e luz de betão. E ficaram muito felizes. Quando não mais os nossos olhos não repousarem no verde vegetal, então podemos dizer: adeus minha terra e minha Angola amadas.
E ficamos na irreversibilidade dos nossos anos, nos lamentos do tempo perdido. Se voltasse atrás não cometeria tal erro, costumamos dizer. Mas voltando e o erro reparado, verificamos que continuamos presos do tempo dos erros. Errar é humano? Não! Errar é dos idiotas! Envelhecemos, mas contudo o espírito dos esclarecidos cada vez mais se rejuvenesce. Ficamos como que estáticos nas celas deste tempo que nos impõem, a vê-lo passar tão irremediavelmente. Todavia, o tempo permanece, alguns de nós não são esquecidos, mas a maioria é como se nunca existisse, e jamais serão lembrados.
São muitos os caminhos da vida mas desconhecemos qual deles seguir. Normalmente seguimos o errado. Decidimos escolher outro, e outro, e verificamos que continuamos há mais de trina e cinco anos no rumo errado. Até que finalmente aprendemos, e depois de nos libertarmos dos contrários, descobrimos o caminho certo. É aqui que atingimos o cume da Verdade, os momentos derradeiros, o êxtase no fim da nossa vida. Creio que é isto o que se chama viver.
República de Angola, ou república da Sonangol? Luanda, construa agora, que a chuva depois destrói. Na periferia de Luanda já quase nada resta… já está tudo destruído, sobra apenas o asfalto colonial. Nunca se viu tanta incursão, uma vontade férrea, indómita de destruição. Nos canteiros das obras do Inferno, quem fomenta miséria colhe revolta. E os nossos bajuladores analistas económicos da nossa praça são unânimes em que o aumento do preço do petróleo é muito bom para a economia angolana. Eis a salutar sapiência, o exemplo dos nossos superdotados.
Não sei como é possível a felicidade depois de mortos nos reinos dos céus. E que devem lá morar para aí uns triliões, nunca ninguém os contou, não é?!, ou muitas mais almas. Com tanta gente lá no Céu, afinal um Inferno demográfico, não é possível com toda a certeza lá viver em paz. É um gigantesco engarrafamento de trânsito humano, decerto a imitar Luanda.
Angola é um país democrático, tem um governo e instituições democráticas, mas ninguém se pode manifestar. Quem o tentar – a legalidade democrática decretada diz que só se aceitam manifestações de movimentos espontâneos e dos comités de especialidade – denunciando alguma figura pública, marchando contra a corrupção, ou qualquer incontável injustiça, o caminho, o rumo da nova vida certa que o aguarda é a prisão. Ainda há por aqui e por aí, governantes que instituem a ditadura democrática do proletariado, convictos de que esse sistema político é o adequado para estes tempos novos de uma nova vida. Há países produtores de petróleo que sustentam adequadamente as suas economias e as suas populações. Em Angola é ao contrário, o petróleo tudo complica e muita miséria fabrica. Parece-se mais com uma democracia à Talibã.
Luanda é mais um império da miséria que se edifica. Isto parece mais o tempo dos piratas das Caraíbas, da Tortuga e demais refúgios. É a pirataria democrática. Nunca esta miséria de filosofia teve tantos adeptos, como nestes momentos tão adequados. E o campeonato da destruição prossegue. Mas para quê continuar a nos governar, se água e luz, nada, não nos conseguem dar? E prendem quem quer que seja, em qualquer momento, de dia ou de noite, impõem, são o terror. Continuamos como que a viver debaixo de um regime militarizado, e assim as coisas não andam, não funcionam. E enquanto este estado de coisas se mantiver, não haverá futuro para ninguém. Apenas os detentores das riquezas petrolíferas não terão razão de queixa. Os restantes, a grande maioria, os milhões, perecerão nas celas da selva da morte.
Quando o sol do entardecer se extingue nasce outro mar. As ondas como que desaparecem, se escondem da nossa visão, mas o seu som permanece triunfante. Parece funcionar sempre do mesmo modo, mas não, está em contínua revolução. Toda a Natureza muda, e nós insistimos na sua e na nossa destruição. Entretanto, um fim de tempo aproxima-se velozmente e outro se comemora.
Tantos anos passados e não recordados, para sempre perdidos na bruma do tempo. Como uma profusão de jovens folhas verdes que rapidamente amarelecem, e nos abandonam, deixam a nossa companhia. Amar é desejar a memória do tempo perdido. E um só amor é mais valioso do que todos os outros que procuramos e não encontramos.
Na nossa monotonia há muitos anos quebrada, reflectimos que vamos envelhecendo, enquanto o passado aumenta inexorável, o nosso futuro encurta-se. Creio que é esta a sensação dos anos perdidos e lembrados de quando em vez. República de Angola, ou República da Sonangol? Luanda, construa agora, que a chuva depois destrói
«É quase Natal e 2011 já bate a porta. A vergonha em África e Moçambique em particular é que a maioria não tem nada para celebrar. A fome vai caracterizar as suas mesas se é que mesas possuem.» (6)
(1) www.dvdpt.com/p/pompeia_o_ultimo_dia.php
(2), (3), (4), (5), (6) canalmoz

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Polícia do regime colonial angolano prende dezenas de jovens na colónia de Cabinda


Forças policiais do regime colonial angolano prenderam 30 activistas que pretendiam conversar com a delegação da União Europeia que visitava a colónia de Cabinda. Nove jovens foram detidos por, pois claro!, atentado contra segurança do Estado.

Segundo o jornal português “i”, um dos poucos meios de comunicação social que ainda faz jornalismo, a delegação da União Europeia pretendia averiguar das condições em Cabinda, cinco anos passados sobre a assinatura do Memorando de Entendimento para a Paz entre alguns (supostos) independentistas e o governo colonial angolano.

“Aproveitando a presença da delegação - que foi recebida com água e luz, coisa que no território não existia há seis meses e foi restabelecida exactamente no dia de chegada dos representantes da UE -, 30 jovens acabaram por ser detidos pelas forças policiais”, disse ao “i“José Marcos Mavungo, activista dos direitos humanos.

Desses 30, nove acabaram por ficar detidos na 1ª Esquadra de Polícia de Cabinda e, de acordo com o advogado José Manuel Gindi, o Ministério Público remeteu ontem o processo para o tribunal da comarca.

Os nove estão, o que aliás é sempre o método e a justificação oficial do regime colonial, indiciados pela prática de crimes contra a segurança do Estado sendo – como é óbvio pelas regras do MPLA – culpados até prova em contrário.

Nos confrontos com o contingente das forças policiais, dois dos jovens ficaram feridos, um deles, André Vítor Gomes, está em estado grave, adiantou ainda José Marcos Mavungo, antigo vice-presidente da ilegalizada Associação Cívica Mpalabanda.

Registe-se que, segundo o Notícias Lusófonas, a vice-governadora da colónia de Cabinda, Aldina da Lomba, disse desconhecer o incidente.

"Nós não temos água nem luz em Cabinda há seis meses e as autoridades restabeleceram a luz e a água para mostrar à delegação da UE que tudo está bem", explicou Mavungo, justificando assim a atitude dos jovens que tentaram manifestar-se para fazer ouvir a sua voz.

Os incidentes aconteceram no exterior do orfanato da Obra Betânia em Cabinda, levando a que quatro crianças tivessem desmaiado com medo, adiantou Mavungo. Nessa altura, a delegação estava reunida com líderes religiosos.

A nova lei de crimes contra a segurança do Estado, que substituiu a anterior, que datava do tempo do partido único em Angola, foi aprovada pela Assembleia Nacional a 4 de Novembro do ano passado e tem sido fortemente contestada por activistas dos direitos humanos por limitar a liberdade de expressão.

Entretanto, Portugal - a potência que assinou acordos de protectorado com Cabinda, ainda válidos à luz do direito internacional – continua em silêncio, de cócoras e a aguardar as superiores ordens que sobre o assunto serão ditadas pelo regime angolano.

Acresce que Angola tem a garantia de Lisboa (ao que tudo indica corroborada pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, na sua recente visita a Luanda) de que Portugal não vai imiscuir-se na questão de Cabinda, “até porque o próprio presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirma que Angola vai de Cabinda ao Cunene”.

Queiram ou não os donos de Portugal, do ponto de vista de um Estado de Direito (que Portugal é cada vez menos) é importante dizer-se que este reino lusitano não só não honrou a palavra dada ao Povo de Cabinda (também, eu sei, não honra a dada aos próprios portugueses) como aviltou a assinatura dos seus antepassados que, esses sim, com sangue, suor e lágrimas deram luz ao mundo.

Portugal não só violou o Tratado de Simulambuco de 1 de Fevereiro 1885 como, pelos Acordos de Alvor, ultrajou o povo de Cabinda, sendo por isso responsável, pelo menos moral (se é que isso tem algum significado), por tudo quanto se passa no território, seu protectorado, ocupado por Angola.

É verdade que entre o petróleo, grande parte dele produzido em Cabinda, e os direitos humanos dos angolanos e dos cabindas, Portugal (quase) sempre escolheu o lado do ouro negro.

Também é verdade que entre dois tipos de terrorismo, Portugal tem como bitola que um deles deve ser considerado de boa qualidade. E qual é ele? É sempre o que estiver no poder. De má qualidade é, claro está, praticado por todos aqueles que apenas querem que se respeite os seus mais sublimes direitos.

Portugal, honrando a alta qualidade dos seus médicos, optou por ter uma coluna vertebral amovível. Tem coluna quando é para espezinhar os fracos, não a tem quando os outros são, ou parecem ser, mais fortes. No caso de Cabinda é isso que se passa. Mas, apesar de tudo, o problema de Cabinda existe e não é por pouco se falar dele que ele deixa de existir.

Cabinda é um território ocupado por Angola e nem o potência ocupante como a que o administrou pensaram, ou pensam, em fazer um referendo para saber o que os cabindas querem. Seja como for, o direito de escolha do povo não prescreve, não pode prescrever, mesmo quando o importante é apenas o petróleo.

Para que Cabinda deixasse se ser um problema, os sucessivos governos portugueses varreram o assunto para debaixo do tapete. E debaixo do tapete é tanta a porcaria que quando alguém coloca o país ao nível do lixo… até parece uma bênção.

Texto publicado hoje no http://altohama.blogspot.com/

--
Orlando Castro
Jornalista (CP 925)
A força da razão acima da razão da força
http://www.altohama.blogspot.com
http://www.artoliterama.blogspot.com

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A “Consagrada Família”


O Presidente da República, Eng.º José Eduardo dos Santos, orientou, na sequência de uma proposta avançada por um (ou uma) anónimo/a – anónimo/a para o restante povo, para ele não -, a criação de uma espécie de comissão atípica com a designação de Grupo de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional da Administração (GRECIA), com missão de prestar contas ao ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, Carlos Feijó. Na prática, porém, segundo parece, quem põe e dispõe é um coordenador, Sérgio Neto, actual director executivo da Semba Comunicação, e este, por sua vez, não teve dificuldade nenhuma em subcontratar a empresa que ele próprio gere, a dita Semba, a dos filhotes do PR, como entidade a quem foram delegadas competências para fazer, em geral, a gestão da imagem do governo da República de Angola, numa harmoniosa parceria, vai de si, firmada com a Presidência. Ficou, portanto, tudo em família e assim é que está bem. Nesta empreitada tipo pára-brisas a eventuais nocivas lufadas de ar fresco, com tendências constantes de oxidar a imagem do PR, já foram contratados consultores estrangeiros que auferem um ordenado de 10 mil dólares, sem contar subsídios diversos, enquanto os consultores nacionais recebem por mês o correspondente a 5 mil dólares americanos. Dada a opulência dos emolumentos a diferença nem se vê, apesar de serem de algum modo humilhantes. São belíssimas “fezadas” para os felizes optados de cá, ou seja, Victor Fernandes da revista Expansão, os jornalistas Alexandre Cosse e Benedito Joaquim, trânsfugas da Rádio Ecclesia, Rui de Castro, ligado pelo coração e porta-moedas ao MPLA, sem esquecer o inefável Belarmino VanDúnen, esse espectacular “Yes man” que um dia, no Semana em Actualidades, tentou propagar a ideia de que os cadernos eleitorais eram folhetos descartáveis, quer dizer, ali temos mais um democrata de mão-cheia! Quando dizíamos que a campanha eleitoral tinha começado, eis uma prova suplementar, em forma de rectificação das alegadas calinadas cometidas por Mena Abrantes (ler nesta página, Patinagem presidencial).

Patinagem Presidencial
É verdade, custa dizê-lo, esta jogada da GRECIA, preparada no campo de treinos do Futungo, teve como doloso resultado um brioso e fidedigno vencido com o esvaziamento de competências do Secretário para a Comunicação Institucional da Presidência da República, Mena Abrantes. É que, para salvaguardar a eficácia que o progresso se esforça por instaurar em Angola, no sentido de aumentar a sacrossanta competitividade das economias modernas, a amarga decisão impôs-se como um retroviral perante o facto consumado de as gafes de JES terem infectado de modo irreversível a reputação desse ilustre dramaturgo, encarregado e responsável pelo velório dos ditos, dos não ditos (a maka do autismo executante), do dito por não dito e doutros contraditos de JES.