domingo, 24 de julho de 2011

Banca. BANCO BIC QUER "ASSALTAR" COM BILIÕES BPN PORTUGUÊS


O Banco BIC da pujante empresária angolana, uma das mais ricas mulheres do mundo, continua interessado na privatização do Banco Português de Negócios, tendo para o efeito apresentado uma proposta tentadora de vários biliões de euros, após um trabalho de campo feito pela Consultora Internacional Deloitte.

Kuiba Afonso

O Presidente do Conselho de Administração do Banco BIC, Fernando Telles, confirmou terem "estudado e avançado com uma proposta para a compra do BPN".
O também sócio de Isabel dos Santos, primogénita oficial do Presidente da República, confirmou ter a sua “equipa em Lisboa estudado, com seriedade, o dossier antes da tomada da decisão ", assegurou o homem forte do quarto maior banco em depósitos, a operar em Angola, fruto de uma boa carteira de jogos de influência, por razões óbvias e, também, profissionais.
Fernando Teles, um banqueiro experimentado e com conhecimento apurado das finanças angolanas, onde se move como peixe na água, pois trabalhou, ainda no período colonial, retornando em 1993, para instalar o Banco de Fomento Exterior, do grupo BPI, com bastante sucesso.
Anos mais tarde, resolveu abraçar uma nova aventura, com a criação de novo banco e para contornar a exigência da Lei dos procedimentos bancários, que o obrigava, na qualidade de administrador, a ter de ficar por cerca de quatro anos, sem liderar um novo projecto, aliou-se a filha do Presidente da República, a empresária Isabel dos Santos, dando corpo ao BIC, com uma quota de 20%
Neste momento em função da sua carteira de clientes e balcões espalhados um pouco por todo o país, é uma referência incontornável no sistema financeiro angolano em clara expansão e ousadia, quanto a internacionalização, sendo a praça portuguesa bastante apetecível, até pela aculturação de muitos dirigentes angolanos, que têm de Lisboa, do Tejo, do Benfica, Porto e Sporting e do Fado, as suas referências de eleição cultural.
Mas voltando a ideia de adquirir o BPN, na totalidade ou apenas alguns dos seus balcões, segundo deixou claro o seu administrador em Portugal, Mira Amaral, foram contratados os serviços da Consultora Internacional Deloitte para avaliar os activos e passivos do Banco Português de Negócios (BPN), nacionalizado em 2008, depois de ter eclodido a sua crise de tesouraria.
Agora, por orientações da troika da União Europeia, ater ao final deste mês (Julho) a sua venda a investidores privados portugueses ou estrangeiros terá de ser realizada. Neste momento, perfilam-se apenas como seleccionados a compra o Banco BIC (que tem ainda como sócios, para além de Fernando Telles, o empresário da cortiça portuguesa, Américo Amorim e Isabel dos Santos, cada um com uma participação de 25%), o Montepio Geral português, tendo sido definitivamente, afastados, por falência das suas propostas os outros concorrentes, que haviam adquirido os cadernos de encargo e a informação confidencial (data-room), nomeadamente, o Banco do Brasil, o Banco Rural e também a Geocapital, que chegou a contratar o BES Investimento.
Antes mesmo do “dead line”, atiraram a toalha ao chão um grupo de sete empresários portugueses do Norte, liderados pelo ex-banqueiro, Alípio Dias, que depois de analisarem o processo decidiram desistir, acompanhando o Deutsche Bank alemão, que antes havia, igualmente, desistido.
Formalmente, o que está à venda são as acções que compõe o capital social do BPN, mas como foi dada total flexibilidade a este processo, está em aberto a possibilidade de vender parte dos activos a mais do que um interessado. No limite, o BPN poderá acabar espartilhado entre os dois concorrentes.

Tunísia. Recolher obrigatório decretado em Menzel Burguiba após confrontos com islamistas




O governo da Tunísia decretou no 19.07 o recolher obrigatório, por tempo indeterminado, na cidade de Menzel Burguiba, devido aos confrontos dos últimos dias.
A medida foi tomada poucas horas depois de um confronto entre a polícia tunisina e um grupo de jovens islamistas, durante uma manifestação, que interrompeu a circulação na autoestrada que liga a cidade de Bizerta a Tunes.
Os manifestantes formaram uma barricada na estrada para exigir a libertação de um grupo de 18 jovens salafistas (muçulmanos fundamentalistas), detidos no 16.07, acusados de roubar armamento de duas esquadras da polícia.
Os habitantes de Menzel Burguiba, cidade situada a 65 quilómetros a norte de Tunes, vivem agora sob recolher obrigatórias entre as 21:00 horas e as 05:00 horas da manhã.

Síria. Mudança está cada vez mais próxima




A União Europeia (UE) considerou 19.07 que uma mudança na Síria “está mais próxima”, graças a várias sanções e à pressão política internacional, que debilitaram o regime de Bachar Al-Assad.
Fontes diplomáticas europeias, consideraram que a Síria “é mais sensível” às sanções impostas do que outros países imersos em protestos, dado que não tem os mesmos recursos provenientes do petróleo e, portanto, não tem grande capacidade de Resistência.
O regime de Al-Assad “está débil” e tem cada vez mais dificuldade em responder às exigências do povo sírio, o que faz com que uma mudança esteja cada vez mais próxima, acrescentaram as fontes.
A UE impôs já três rondas de sanções, dirigidas ao próprio presidente sírio e ao seu círculo mais próximo, assim como a entidades e pessoas que apoiam a repressão do regime.
No passado dia 18, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE não aprovaram uma quarta ronda de sanções, mas não descartam vir a fazê-lo proximamente. “Certamente haverá um momento para mais sanções e temos de discutir agora como serão, para que possamos decidir, se for necessários, nos próximos dias ou semanas”, afirmou o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Wiliam Hague.
Por seu turno, o ministro alemão, Guido Westerwelle, cujo país ocupa agora a presidência rotativa do Conselho de Segurança da ONU, voltou a exigir à comunidade internacional que condene o “comportamento inaceitável” do regime de Damasco.
Neste órgão máximo da segurança internacional está bloqueada uma resolução contra Damasco por oposição de países como a Rússia e China – dois países com direito a veto – e de Brasil, África do Sul e Índia, que receiam que possa surgir um conflito como o da Líbia.
O projeto de resolução, apresentado a 08 de junho passado pelos países europeus, pede um “cessar imediato da violência” e o “levantamento do cerco às cidades sitiadas” pelas forças de segurança, além de condenar os “abusos sistemáticos aos direitos humanos”, embora não contenha sanções contra Damasco.
As fontes diplomáticas asseguraram que sem um acordo do Conselho de Segurança não deverá haver uma intervenção europeia.
As mesmas fontes previram ainda que o regime de Muammar Kadhafi “não aguentará muito mais”, não só porque o tempo corre em contra-ciclo, mas porque a vida em Tripoli está cada vez mais difícil, devido à escassez de gasolina e outros produtos, bem como aos bombardeamentos.
Contudo, há que manter a pressão militar sobre as forças de Kadhafi, sustentaram as fontes

Reino Unido/Escutas. Termina audição de três horas a Rupert Murdoch marcada por tentativa de agressão


A audição do magnata dos “media” Rupert Murdoch por uma comissão parlamentar britânica, marcada por uma tentativa de agressão, no dia 19.07, terminou após três horas nas quais o magnata admitiu “desleixo” na condução dos negócios no Reino Unido.
Um membro da audiência atirou um prato de plástico com espuma de barbear à cara do presidente da News Corporation mas, após uma breve suspensão, a sessão foi retomada, tendo terminado pelas 16:30 horas (mesma hora em Luanda), duas horas depois do previsto.
Murdoch, cidadão norte-americano de origem australiana, compareceu, juntamente com o filho James, perante a comissão parlamentar de Cultura, Comunicação Social e Desporto para dar explicações sobre as alegadas escutas telefónicas feitas pelo jornal News of the World.
O tablóide, até fechar a 10 de julho, era propriedade da News Corporation, grupo de comunicação social que controla nos EUA a Fox News e o Wall Street Journal, e no Reino Unido, através da subsidiária News International, os diários The Times e The Sun.
Aos deputados, o empresário de 80 anos admitiu desconhecimento de vários casos polémicos relacionados com o semanário. Afirmou que só soube recentemente que Rebekah Brooks, antiga diretora do News of the World, declarou, em 2003, que jornalistas pagavam à polícia por informação, declaração que retratou anos mais tarde.
Rupert Murdoch negou também saber da conclusão de um juiz que um jornalista do News of the World tinha chantageado duas prostitutas numa reportagem sobre Max Mosley, antigo presidente da Federação Internacional Automóvel.
O filho James teve de sair em seu auxílio ao esclarecer que o pai só tinha sido informado da indemnização a Gordon Taylor, presidente do sindicato dos futebolistas, após o pagamento de 700 mil libras (800 mil euros).
“Um acordo extra-judicial num processo civil daquela natureza e montante é algo que numa empresa da nossa dimensão os responsáveis locais estariam normalmente autorizados a fazer”, justificou James.
O empresário de 80 anos, que começou a audição por dizer que esta era o “dia mais humilde” da sua vida, alegou “desleixo” na condução no terreno dos negócios no Reino Unido.
“O News of the World representa menos de um por cento da minha empresa”, vincou, lembrando que o grupo emprega 53 mil pessoas em todo o mundo.
Ainda assim, confessou ter ficado “absolutamente chocado, horrorizado e envergonhado” quando soube há duas semanas do caso de Milly Dowler, jovem de 13 anos raptada e assassinada em 2002 e que terá sido vítima de escutas telefónicas.
Foi a revelação deste caso que escandalizou a opinião pública e fez o primeiro-ministro, David Cameron, anunciar um inquérito judicial ao escândalo das escutas para além da investigação policial em curso.
Rupert Murdoch prometeu ainda parar de custear as despesas legais de Glenn Mulcaire, o detetive privado que alegadamente fornecia informações e acesso às caixas telefónicas de pessoas em causa de forma ilícita.

QUEM SOU EU?


Nesta altura da vida já não sei mais quem sou...
Vê só que dilema!!!
Na ficha de qualquer loja sou CLIENTE, no restaurante FREGUÊS, quando alugo uma casa sou INQUILINO, nos transportes públicos e em viatura particular sou PASSAGEIRO, nos correios REMETENTE, no supermercado (e lojas também) sou CONSUMIDOR. Nos serviços sociais sou UTENTE.
Para o estado sou CONTRIBUINTE, se vendo algo importado sou CONTRABANDISTA.
Se revendo algo, sou VIGARISTA, se não pago impostos sou SONEGADOR, se descubro uma maneira de pagar um pouco menos, sou CORRUPTO.
Para votar sou ELEITOR, para os sindicatos sou MASSA SALARIAL, em viagens TURISTA, na rua caminhando PEDESTRE, se passeio, sou TRANSEUNTE, se sou atropelado ACIDENTADO, no hospital PACIENTE. Nos jornais viro VÍTIMA, se leio um livro sou LEITOR, se ouço rádio OUVINTE.
A ver um espectáculo sou ESPECTADOR, a ver televisão sou TELESPECTADOR, no campo de futebol sou ADEPTO.
Na Igreja católica, sou IRMÃO.
E, quando morrer... uns dirão que sou... FINADO, outros... DEFUNTO, para outros... EXTINTO, para o povão... MAIS UM QUE DEIXOU DE FUMAR...
Em certos círculos espiritualistas serei... DESENCARNADO, os evangélicos dirão que fui...ARREBATADO...
E o pior de tudo é que, para os governantes sou apenas um IMBECIL !!!
E pensar que um dia quis ser EU.
SIMPLESMENTE...

OPEP. Venezuela passa para o primeiro lugar mundial em reservas provadas de petróleo


A Venezuela passou a ocupar o primeiro lugar na lista de países com as maiores reservas provadas de ‘crude’, superando a Arábia Saudita, segundo dados divulgados no 19.07 no Boletim Estatístico da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
Segundo a OPEP, entre 2009 e 2010 as reservas provadas de petróleo da Venezuela aumentaram 40 por cento, atingindo os 296.501 milhões de barris, mais que os 264.516 milhões de barris da Arábia Saudita.
No entanto, apesar de a Venezuela ter as maiores reversas de petróleo do mundo, produz apenas 2,8 milhões de barris diários de “crude”, ficando aquém dos sauditas, cuja produção diária de barris de petróleo supera os 8 milhões.
No terceiro lugar em reservas provadas está o Irão com 151.170 milhões de barris, seguido pelo Iraque com 143.100 milhões de barris.
A Opep foi criada a 14 de setembro de 1960 e conta com 12 países membros: Angola, Arábia Saudita, Argélia, Emirados Árabes Unidos, Equador, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria, Qatar e Venezuela.
Segundo a OPEP, o total das reservas provadas de petróleo no mundo equivale a 1460 mil milhões de barris, 81,3 por cento dos quais nos 12 países membros do grupo.
Os países não associados da Opep com maiores reservas são a Rússia (79.432 milhões de barris de “crude”) e o Cazaquistão (39.800 milhões).
Segundo a empresa estatal Petróleos da Venezuela S.A., a cotação do petróleo venezuelano está nos 105,75 dólares por barril, um valor ligeiramente inferior à média registada dentro da OPEP, de 112,22 dólares por barril entre 11 e 15 de julho.

Guiné-Bissau. Oposição avisa chefe de Estado para demitir PM ou será “atacado politicamente”


Os partidos da oposição da Guiné-Bissau que estão a exigir a demissão do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior avisaram no 20.07, o Presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, que se não exonerar o chefe do governo “será atacado politicamente. O Presidente tem de ouvir a voz da oposição democrática, 17 partidos da oposição estão a exigir que o primeiro-ministro seja demitido para que vá responder à justiça, mas se o Presidente não quer ouvir isso então será atacado ele mesmo politicamente”, disse, Serifo Baldé, líder do Partido Socialista de Salvação Guineense.
Serifo Baldé falava no comício popular realizado em Bissau no final de mais uma marcha pacífica organizada pela oposição, que tem reclamado a demissão do primeiro-ministro. Esta é a segunda marcha no espaço de uma semana. “Malam Bacai Sanhá não está a dizer a verdade aos guineenses, ele não pode estar no estrangeiro numa altura destas. Se ele não demitir Carlos Gomes Júnior seremos obrigados a atacá-lo politicamente”, afirmou, por seu lado, Sori Djaló do Partido da Renovação Social (PRS), principal força da oposição da Guiné-Bissau.
A manifestação embora tenha tido menos adesão em relação à anterior, percorreu mais artérias da capital guineense, terminando com um comício no largo do porto de Bissau.
Além dos cartazes gigantes com as imagens de dirigentes do país assassinados em 2009, entre os quais, o ex-presidente ‘Nino’ Vieira, foram visíveis os posters do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior e do Procurador-geral da República, Amine Saad.
Tal como na primeira manifestação, a marcha não registou nenhum incidente. No entanto, a organização promete voltar às ruas de Bissau “assim que o Presidente chegar ao país”, já que Malam Bacai Sanhá se encontra de férias no estrangeiro. “Não vamos mudar de posição. Vamos continuar a marcha até que o Presidente da República demita o primeiro-ministro”, observou Sori Djaló.

PM quer "implantar neocolonialismo" e "receber instruções dos portugueses"
Por todas estas razões e a crise política, o líder interino do Partido da Renovação Social (PRS), principal força política da oposição na Guiné-Bissau, Sori Djaló, acusou o primeiro-ministro guineense de querer “implantar o neocolonialismo” no país, recebendo “instruções dos portugueses”. “Ele (primeiro-ministro) vai sempre a Portugal receber instruções dos portugueses. Ele quer implantar o neocolonialismo na Guiné-Bissau e isso nós não vamos aceitar aqui”, afirmou Sori Djaló, líder interino do partido do ex-presidente guineense, Kumba Ialá, exilado voluntariamente em Marrocos.
Os partidos da oposição acusam o primeiro-ministro de alegada cumplicidade com os assassínios de destacadas figuras políticas e militares do país em 2009, entre as quais, o ex-presidente João Bernardo ‘Nino’ Vieira.
Recorde-se que os manifestantes empunharam cartazes com a imagem do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior com a frase "Primeiro-ministro para o tribunal", subindo o tom nesta segunda manifestação dos partidos da oposição em menos de uma semana.
“Justiça”, “queremos justiça”,”o governo deve assumir a sua responsabilidade”, “os assassinos devem ser levados à justiça”, “abaixo os assassinos” e “viva a justiça e a democracia”, foram as palavras de ordem mais utilizadas pelos manifestantes.
Os manifestantes empunhavam também cartazes com a imagem do antigo Presidente Nino Vieira e do ex-chefe das Forças Armadas, mortos em março de 2009, e dos deputados Hélder Proença e Baciro Dabó, assassinados em junho do mesmo ano. É para estes crimes que os dez partidos da oposição querem justiça.
Num comício realizado anteriormente do PAIGC, em Bissau, o primeiro-ministro pediu para o “deixarem em paz”, sublinhando que “tem as mãos limpas”.

FMI. Europa tem de se abrir à concorrência para aumentar potencial de crescimento


Para aumentar o seu potencial de crescimento, a Europa precisa de “abrir os mercados à concorrência doméstica e externa, desenvolver o capital humano e, em menor dimensão, aliviar os impostos sobre as empresas”, defendeu no 19 de Julho, o Fundo Monetário Internacional (FMI).
No relatório ‘Euro Area Policies: Lessons from the European Financial Stability Framework Exercise’, divulgado, o Fundo defende que é este o caminho que a Europa deve seguir para “aumentar a sua capacidade de comercializar bens e serviços no mundo” e, ao mesmo tempo, tornar-se “um destino atrativo para os investidores”.
No artigo ‘Raising Potential Growth in Europe: Mind the Residual” refere mesmo que “mais abertura – motor poderoso de inovação e transmissor de tecnologias existentes – deverá trazer mais crescimento à Europa”.
No que se refere aos serviços, o Fundo entende que “mais concorrência iria expandir a inovação e acelerar a convergência com as tecnologias de ponta”, apontando ainda que o mercado único tem sido “mais eficaz” na liberalização de mercados monopolísticos, como a energia e as telecomunicações, do que em “eliminar obstáculos à concorrência”.
O estudo do FMI conclui também que os impostos sobre as empresas penalizam o crescimento, uma vez que “desencorajam a inovação na maioria das empresas dinâmicas e rentáveis”, um efeito que é mais acentuado nas indústrias de altos rendimentos.
Isto porque ao investirem mais em atividades de investigação e desenvolvimento do que as restantes empresas, as indústrias altamente lucrativas são também as “mais vulneráveis a aumentos de impostos”.
Para este estudo, foram considerados 13 países europeus, excluindo Portugal, e os Estados Unidos da América.

BCE deve evitar medidas adversas aos bancos fracos
O Banco Central Europeu (BCE) deve evitar medidas que “afetem adversamente os bancos fracos e periféricos”, enquanto a subida das taxas de juro e o abandono das medidas excecionais devem ser “adequadamente calendarizadas”, defende o Fundo Monetário Internacional (FMI).
No relatório ‘Euro Area Policies: Lessons from the European Financial Stability Framework Exercise’, o FMI sugere que “a subida das taxas de juro e a retirada das medidas excecionais devem ser adequadamente calendarizadas, feitas numa sequência apropriada e comunicada de forma consistente e antecipada aos mercados”.
Desta forma, defende o FMI, os bancos conseguem “procurar alternativas de financiamento e de capital para apoiar ou melhorar o seu desempenho”.
Quanto às reações das instituições bancárias a alterações das taxas de juro, foram mais as que responderam “significativa e negativamente a quedas das taxas do que a subidas”, o que o FMI explica com uma “maior sensibilidade dos ativos do que dos passivos ao risco da variação de preço [‘repricing risk’]”.
Por isso, prossegue o relatório da instituição chefiada por Christine Lagarde, “aumentos graduais futuros dos juros podem não afetar os preços das ações bancárias de forma muito negativa, sobretudo se a política do BCE for bem comunicada aos mercados”.
Uma segunda abordagem, relativa aos efeitos sistémicos das políticas do Banco Central Europeu (BCE), aponta que no caso das medidas excepcionais – programas de compras de títulos e alterações das garantias, procedimentos e tipos de operações de financiamento – o impacto nos indicadores de risco sistémico é variado.
Estes efeitos, acrescenta-se, “parecem depender do estado dos mercados financeiros”, pelo que “poderá ser necessário manter as medidas excepcionais” enquanto estes indicadores continuarem “elevados”.
Por fim, uma simulação baseada nos resultados do último trimestre de 2010 aponta para a existência de efeitos significativos das medidas do BCE - tanto ordinárias (alterações das taxas de juro) como extraordinárias - nos bancos da Zona Euro, ainda que o seu impacto seja variável.
“Bancos fracos (com fraco capital, pouca confiança por parte dos mercados, alta taxa de concessão de crédito e baixa liquidez) parecem ser penalizados por uma política de taxas de juro elevadas, enquanto bancos fortes e bancos dos países periféricos beneficiam”, conclui o relatório do Fundo.
O relatório do FMI, analisou 86 bancos da Zona Euro, incluindo quatro portugueses: BCP, BES, BPI e Banif.

Cabo Verde. “Ó luz, ó vai-te embora, caboverdeanos vaiam José Maria Neves”


Cerca de meio milhar de praienses protestaram no dia 19.07 na Cidade da Praia contra os constantes apagões e a falta de água, exigindo ao primeiro-ministro cabo-verdiano a resolução rápida do problema. “Ó luz, ó vai-te embora, Dr. José Maria Neves” foi o cartaz que encabeçou a manifestação, que partiu da Praça Alexandre Albuquerque, passou pela sede da Electra, empresa pública de água e luz, e terminou defronte do Palácio do Governo, onde os promotores da iniciativa entregaram um abaixo-assinado exigindo mais luz e água.
Velas, candeeiros de vela, dezenas de cartazes e cerca de meio milhar de praienses, entre eles alguns dirigentes do Movimento para a Democracia (MpD, oposição), uniram-se em torno de uma iniciativa da Associação Cívica de Desenvolvimento da Praia (Pró-Praia) num dia em que, curiosamente, não faltou a luz.
“Electra vergonha nacional” e “respeito” foram algumas das palavras de ordem gritadas pelos manifestantes.
Em declarações aos jornalistas, Alcides Oliveira, líder do movimento cívico, indicou que os sucessivos cortes de energia elétrica, que a capital cabo-verdiana tem vindo a sofrer nos últimos dois meses, constituem uma situação “insustentável” e que traz graves prejuízos económicos, quer às empresas quer aos particulares.
O abaixo-assinado foi entregue por Alcides Oliveira a José Maria Veiga Júnior, chefe de gabinete do primeiro-ministro cabo-verdiano (José Maria Neves), que, na presença dos jornalistas, disse ao líder do Pró-Praia que a questão da energia é uma das preocupações do Executivo.
Desde Maio que a situação energética na Cidade da Praia – que conta com cerca de 130 mil habitantes, mais de um quarto da população total do arquipélago - se tem agravado, com cortes diários de mais de 12 horas, inviabilizando também, em grande parte dos casos, a distribuição de água.
Entre 23 de Maio e 10 de Junho, a capital cabo-verdiana ficou sem água nas torneiras, primeiro, ao longo de seis dias, devido a obras de reparação e, depois, durante 12 dias, por causa de uma avaria. Além da água, os cortes de energia elétrica foram igualmente constantes.
Em entrevista recente à Rádio Nacional de Cabo Verde, o administrador da Electra, Rui Spencer, garantiu que a situação de energia e água no país vai ser resolvida brevemente com a criação de uma bolsa de investimento, iniciativa que contará com a colaboração do governo.

África do Sul. Morreu o último ministro da Defesa do “apartheid”


Magnus Malan, o general que foi o último ministro da Defesa do regime do “apartheid” na África do Sul, morreu no 18.07 aos 79 anos.
Natural de Pretória, Magnus Malan foi comandante em chefe das forças armadas sul-africanas que defenderam o regime minoritário branco por mais de duas décadas, tendo ocupado a pasta de ministro da Defesa entre 1980 e 1991.
O ex-presidente F.W. De Klerk afastou-o do Ministério da Defesa em 1991, em pleno período de transição para a democracia multirracial, quando o general enfrentava já uma série de acusações de envolvimento numa campanha de desestabilização do processo que conduziria às eleições gerais de 1994, tendo na altura passado Malan para a pasta das Águas e Florestas.
Um dos casos mais graves a que estava associado era o das alegadas colaborações do aparelho de defesa do antigo regime com o Inkatha, de Mangosuthu Buthelezi, que alimentaria uma guerra interna contra o Congresso Nacional Africano (ANC) destinada a inviabilizar o processo democrático.
Malan sempre se recusou a colaborar com a Comissão da Verdade e Reconciliação e a real extensão do plano de desestabilização, que quase conduziu o país à guerra civil, nunca ficou claro.

sábado, 23 de julho de 2011

Um rol de violações, inclusive a princípios legais.


Tribunal de Benguela acusado de parcialidade na alegada violação de um agente de Trânsito

É um caso de polícia infelizmente raro, não pelo seu cunho pacífico, longe disso, pois trata-se de uma queixa sobre uma alegada violação que terá sido cometida sobre uma jovem de 22 anos, mas porque na maioria dos casos as vítimas não se queixam e o crime fica impune. Quer dizer, muito mais de 75% dos casos de violação nem sequer são arquivados, não existem para a história.

Desta vez, emerge uma vítima, “sui generis”, que, após a cópula, desfazendo-se do seu algoz, ocultou, aos agentes da Polícia Nacional, a quem diz ter pedido socorro, a suposta violação.
Isto pode significar não ter tido interesse em apresentar queixa, como é normal em qualquer cidadã molestada na sua honra e dignidade. Agindo em contrário, muitas dúvidas se levantam sobre o que realmente se passou e a sua versão teatral quatro dias mais tarde, numa denúncia feita na comunicação social de Benguela, Rádio Morena e Nacional, onde a jovem submete o alegado violador a uma prévia condenação pública.
Um dia após, já mobilizada a opinião pública é a suposta violada aconselhada a cumprir um ritual importante, apresentar queixa à DPIC, portanto, com enorme um enorme atraso de cinco (5) dias sobre o acto, o que à primeira vista parece suspeito, uma vez que ela sabia quem é e onde trabalhava o hipotético violador, um oficial da Polícia Nacional (PN) incorporado na Brigada de Trânsito de Benguela.
Uma história simples: um polícia de folga, a trabalhar em Benguela, decide ir até à Praia Morena passear. É noite fechada, já passa das 22 horas. Aí chegado, junto ao restaurante “Porta-Aviões”, encontra-se com uma jovem de 22 anos de idade. Esta, após uma conversa de apresentação mútua, aceita entrar na sua viatura e começa então um jogo de sedução que termina já depois das 23 horas por um acto sexual, digamos, campestre, mas com duas vertentes quanto ao seu significado, uma relação consensual para o polícia, violação pura e simplesmente suspeita na versão da jovem moça.
É num processo com mais duvidas do que certezas, o que não deveria implicar que esteja nas masmorras da Comarca da Cadeia de Benguela, por mais de seis (6) meses, um cidadão que, até provas em contrário, deveria beneficiar de presunção de inocência e não presunção de culpa.

Polícia Pitchu diz: “Não VIOLEI”
Chama-se José Tiaba da Costa, tcp. por “Pitchu”, tem 39 anos de idade, é natural de Cabinda e integra o quadro dos agentes da Polícia de Trânsito de Benguela, no âmbito do qual ele tinha acabado de ser promovido a 2ºcomandante, por lhe ser reconhecido muito rigor no seu trabalho.
No dia 19 de Abril de 2010, perto das 22h30 minutos, depois de mais uma jornada de trabalho e trajado à civil, encontrou-se na Praia Morena, concretamente no Porta-Aviões e por acaso, com uma jovem moça de 22 anos de idade chamada Patrícia.
Como esta estava sozinha, “Pitchu” propôs-lhe amavelmente que fossem dar uma volta na sua viatura, ao que a moça acedeu sem aparente reserva.
A partir desse momento, já com o carro em andamento numa passeata sem rumo certo, começa entre os dois a conversa da praxe, uma apresentação mútua, no decorrer da qual a Patrícia dá conta ao seu novo conhecido de todas as dificuldades por que passa na vida, com um filho a criar e sustentar, com o seu pai que a expulsá-la de casa e ei-la sem paradeiro nem emprego, confrontada com montes de dificuldades, tinha fome. E pediu ao “Pitchu para irem comer um churrasco de frango ou um pincho. Mas era já muito tarde e não foi possível encontrar quem os atendesse.
Nisto, eis que procedem a uma troca de números de telefone e a Patrícia revela a sua mais profunda preocupação, estava disposta a ter um relacionamento com o seu novo companheiro, que até se poderia transformar numa relação amorosa, só que…precisava com urgência de 20 mil kwanzas.
“Pas de problème”, “Pitchu”, na força da idade, sozinho e longe de quem ele era, vislumbrou o que o desejo sexual por vezes transforma em miragem, isto é, uma relação sustentável. Aceitou a sua proposta.
Fizeram sexo perto do local onde vive por ora uma parte da família do polícia, fora do carro, em pé, com a moça agarrada ao pescoço do parceiro e ao seu colo.
Terminado o acto, “Pitchu” foi até ao carro para buscar lenços higiénicos a fim de cuidar da higiene íntima de ambos. Passaram alguns segundos nessa busca e quando ele enfim encontrou os lenços foi ao encontro da Patrícia. Mas esta tinha desaparecido. Chamou-a, gritou o seu nome, Patríciaaaaa….. mas, nada. Regressou ao carro e reparou que a jovem tinha deixado ali a sua bolsa e o telemóvel, bens que ele foi entregar no dia seguinte na portaria da Rádio Benguela, para lhe serem restituídos. Isto, repare-se, depois de ele ter descoberto o número de telefone da mãe da rapariga e lhe ter telefonado para lhe dar conta do seu gesto de restituição de bens.
Em seguida, passados uns 20 minutos, “Pitchu” conseguiu contactar a própria Patrícia e perguntou-lhe então por que razão tinha fugido, ao que ela respondeu que tinha tido medo, mas que tudo estava bem, acrescentando então que precisava de um telefone novo, que ele lhe enviasse um e também um saldo, o que o “Pitchu” fez não nesse dia, mas quando pôde.
No dia seguinte, 21 de Abril, ligou de novo para a Patrícia, que lhe deu o seu número de conta bancária para ele poder depositar os acordados 20 mil kwanzas e lhe assegurou estar tudo bem “fixe”. Foi essa a última vez que o agente da Polícia falou com a sua fugaz parceira.

Patrícia, a vítima: “fui AMEAÇADA”
Segundo a ofendida Patrícia, o que aconteceu foi ela ter sido violada sob ameaça de morte, depois de lhe ter sido apontada uma pistola e de receber um soco violento no estômago.
Tinha encontrado o “Pitchu” na Praia Morena a bordo da sua viatura, que a convidou a ir passear e ela, ao princípio, não estava muito disposta a isso. E como qualquer sedutor, o homem insistiu e ela acabou por se deixar convencer quando ele lhe disse que poderia levá-la a comprar “pincho” noutro local.
Ao entrar na viatura, garante, viu que ele estava fardado e ficou mais à-vontade. Depois disso a versão aqui referida assemelha-se à do polícia acusado, com as suas trocas de impressões e números de telefone, e tentativa de comer qualquer coisa, uma coxa de frango ou um pincho, mas aqui por proposta do polícia, não sua.
Com o carro sempre a rodar, chegaram à estrada que vai para o Lubango fizeram algum caminho e a certa altura o “Pitchu vira para uma estrada estreita, já longe da cidade e pára num sítio que ela desconhece, onde havia muitas carcaças de viaturas. E foi nessa altura que ele lhe propôs fazer sexo, primeiro com veladas palavras, em seguida com bastante violência, obrigando-a a se despir sob ameaça, apertando-lhe o pescoço, forçando-a a segui-lo para encontrar um bom local para fazer sexo e deitando-a, à força, ao chão. Mas não havia local adequado e o homem abriu o fecho das caças, levantou a moça e violou-a assim, de pé.
Tão logo terminou, mandou-a vestir. Foi buscar a pistola dentro do carro e eis o que relatou a Patrícia ao inspector, ipsis verbis: «(…) manipulou a pistola, apontou-a para a ofendida na região do abdómen, olhou para o lado, pronto a disparar e ela, a ofendida, empurrou o senhor e pôs-se em fuga».
(A propósito deste episódio, note-se que no final da sua declaração, a Patrícia pediu para ressalvar uma asserção sua, nos seguintes termos: «Declarou que a pistola não tirou do carro, mas sim já estava com ele na cintura (…)».
Patrícia, portanto, pôde escapar ao seu pretenso violador, escondeu-se, depois embrenhou-se mata adentro e acabou por encontrar um homem que estava numa carvoaria à beira da estrada, que lhe emprestou o seu telemóvel com o qual ela pôde telefonar à sua mãe.
Quanto a detalhes, isto é, a bolsa e o telemóvel deixados dentro da viatura e entregues no dia 20 de Abril na Rádio Benguela, e depois, nos dias 21 e 22, os telefonemas do “Pitchu”, tudo corresponde mais ou menos, mas com uma diferença importante, o pedido do número da conta bancária para pagar os 20 mil Kwanzas prometidos e a oferta do telefone teriam sido feitos por proposta do próprio “Pitchu”. A entrega o requisitado telemóvel foi feita por um colega seu, no dia 22 de Abril.

As declarações dos pais de Patrícia
Não são declarações, são impressões. Respeitáveis, mas apenas por serem ditadas pelo coração, em defesa da sua filha, mas bastantes contraditórias, e, em nenhum momento testemunharem os factos.
A mãe, em declarações feitas a 30 de Abril de 2010, disse ao inspector da Judiciária que na madrugada do dia 20 de Abril pelas 2.45 horas recebeu um telefonema da sua filha. Esta, logo passou o telefone à pessoa que lho tinha emprestado, um carvoeiro, encontrado na estrada, que, evidentemente, estava a anos-luz do que realmente se estava a passar e apenas repetiu o que Patrícia lhe tinha dito, que lhe tinha aparecido vindo das matas e que tinha sido sequestrada por um polícia que a queria matar. Perante tais notícias, a mãe da ofendida, segundo declarações suas, repetimos, acorda o seu marido para ir ao socorro da filha. Foram, e depois de alguns contratempos com as Unidades da polícia local, umas a enviarem-nos para outra Unidade que os mandaram passear, lá conseguiram chegar ao local onde a filha estava à espera. No caminho pediram ajuda a dois polícias de trânsito e conseguiram encontrar o local onde estava a filha, que logo reconheceu a viatura do pai (sic) e se prestou de imediato a contar o que se tinha passado.
No caminho de regresso a casa

Director, como é que eles puderam regressar a casa se a mãe e o pai vieram de mota?? Os três em cima da moto!?
logo houve recepção de telefonemas duvidosos, alegadamente da parte do “Pitchu”, que declarava ter sido enfeitiçado pelo seus colegas por ter conseguido ser promovido a 2º comandante, e outras coisas assim.
O pai, “Quim”, também fez a sua declaração. Repetiu com uma ou outra variante irrelevante a versão da sua filha excepto no que toca ao uso da pistola, dizendo que o polícia a teria apontado não para o ventre mas para as costelas.
A verdade é que de todas as variantes apenas duas se referem aos factos, pois todas as outras, incluindo a do carvoeiro e a dos polícias que foram encontrados em caminho pelos pais de Patrícia e a do estafeta que recuperou os bens da ofendida na Rádio Benguela e lhos entregou pouco tempo mais tarde, no mesmo dia, são unicamente baseadas no ouvi dizer ou então sem relação alguma com os factos submetidos a pesquisa policial. Portanto, o que temos em realidade são duas versões que se anulam uma à outra, é palavra contra palavra.

Rigor nas funções e tribalismo valeram-lhe a cama
A falência dos argumentos são muitas e resultam de vários factores ligados a este caso.
Por um lado temos um pressuposto perturbador, que reside no facto de “Pitchu” ser nativo de Cabinda e estar a exercer o seu ofício em Benguela, de forma muito rigorosa, com a manifesta intenção de “arrumar a casa” e de incrementar activamente uma verdadeira campanha tipo “tolerância zero” vis-à-vis de fosse qual fosse o prevaricador, incluindo alguns colegas que cometiam actos menos correctos.
Isso valeu-lhe certamente muitas inimizades, que apenas esperavam por um deslize, para “lhe estenderem a cama”. Foi o que aconteceu. A instrução preparatória levada a cabo, pela DPIC/Benguela, foi parcial e tendenciosa. Não se ficaram por menos, influenciados pela repercussão pública do caso, pela Procuradoria-Geral da República e o próprio juiz, que em sede de instrução contraditória não levou em consideração as contradições da vítima e nem os argumentos do acusado.
Acrescentando a esta realidade o facto de na altura a promoção de “Pitchu” a 2º comandante da Polícia de Trânsito estar muito fresca, isso teria também, por certo, reanimado alguns azedumes.
Por outra, temos o que se pode denominar como contradições flagrantes da acusação, que bradam aos céus e violam as normas mais elementares do direito.

As múltiplas versões da alegada vítima
Para começar temos a Patrícia que apresentou várias versões e que desde o início da sua declaração mete os pés pelas mãos ao assegurar que o “Pitchu” estava fardado nesse dia, quando a verdade é que não estava e disso há testemunha.
E sobre esse ponto ela ainda se enterra mais ao afirmar que só depois de o polícia ter insistido muito e lhe ter dito que era polícia é que ela decidiu entrar na sua viatura. Então, enquanto ele insistia muito, a menos de dois metros dela, com um a olhar para o outro, ela não via que ele estava fardado e era polícia?
Estava fardado de quê, então??...
A menina neste ponto mente, não pode haver dúvida.
Mais adiante, a pistola….
Mas onde estava e estará agora essa pistola?
Afinal, era uma ou eram duas?
E se estava, ou estavam na cintura e o homem arreou as calças, onde é que foram parar as pistolas no decorrer do coito?
Há igualmente contradições que colidem umas com as outras nos testemunhos dos pais da ofendida, telefonemas desacertados, foram de motorizada e a filha reconheceu o carro do pai, enfim, tudo muito vago e incoerente, o que anula a validade do testemunho.
O mais grave, no entanto é o facto de a Patrícia, apesar de ter feito sexo sem preservativo, se ter negado a ser examinada após a violação de que ela diz ter sido vítima, ao que acresce outra questão grave, ou seja, o facto de ela ter esperado alguns dias para fazer a queixa da ocorrência à polícia.
Como entender que uma pessoa violada não esteja interessada, até hoje, se o seu violador lhe terá passado ou não uma doença sexualmente transmissível?
Geralmente, quando isso acontece, o juiz tem razões de sobra de duvidar da seriedade da acusação, principalmente por o exame ginecológico ser uma peça importante como corpo de delito.
Outra questão omitida pelo juiz foi: porquê só passados 5 dias é que Patrícia terá descoberto que foi violada?
Não será demasiado tempo para uma violada, que no mesmo dia foi socorrida por dois agentes da Polícia Nacional?
Não fez a queixa logo a seguir, porquê?
Em suma, se juntarmos a tudo isto a inquirição do perito médico-legal, que afinal não o é, pois trata-se de um enfermeiro, sem competência para a emissão de relatórios, tanto que salvaguardadas as suas limitações, o seu documento, validado, pasme-se, como autêntico pelo tribunal, apenas confirmou que as mazelas ostentadas pela Patrícia nada têm a ver com uma pretensa violação.
E a juntar ainda a todas estas intrincadas peças de um puzzle mal parido, ainda emerge a atitude assumida pelo “Pitchu”, a telefonar para a mãe da vítima, a querer constantemente entrar em contacto com a Patrícia…
Não será isso uma aberração da parte de um violador procurar não fugir e mesmo a tudo fazer para se meter no inferno da acusação?
Que violador é esse que deixa voluntariamente cravadas as pistas da sua localização no telefone da vítima e da sua mãe?

Mais um processo absurdo do Tribunal de Benguela
O juiz ignorou pura e simplesmente todas as alegações favoráveis a “Pitchu”. Todas, sem excepção.
a) O seu depoimento
b) O depoimento do agente Feliciano Mário Nano;
c) O depoimento do sub-chefe Timóteo Chipalanga;
d) A inquirição do perito Médico-Legal
e) O facto de ter sido mal feita a reconstituição do crime (só com uma das partes)
f) Não ter o juiz considerado a instrução contraditória

O que diz o Código Penal sobre VIOLAÇÃO, no seu art.º 393.º. "Aquele que tiver cópula ilícita com qualquer mulher, contra a sua vontade, por meio de violência física, de veemente intimidação, ou de qualquer fraude, que não constitua sedução, ou achando-se a mulher privada do uso da razão, ou dos sentidos, comete o crime de violação, e terá a pena de prisão maior de dois a oito anos".
Ora de acordo com a norma é importante discernir se a "MULHER FOI CONTRA A SUA VONTADE OU VIOLENTADA FISICAMENTE". No caso não ficou provado ter sido Patrícia violentada ou levada contra a sua vontade por Pitchu, porquanto não se indagou, em nenhum momento, durante a instrução preparatória e judicial, as motivações que levaram uma senhorita a ficar postada na calçada da Marginal da Praia Morena, às 23h00, com vontade de comer ou comprar "pincho", aceitar o assédio do primeiro desconhecido que lhe apareceu e predispor-se a sair com ele...
Também não ficou provado, não estar Patrícia, no pleno uso das suas faculdades mentais, tanto que reconheceu ter realizado o coito no colo do seu algoz, que portava na cintura duas pistolas, mas que ela não se abeirou de nenhuma para o constranger a parar. No entanto, ainda não tinha dobrado a esquina e diz, que no final da relação sexual, este lhe aponta uma arma no abdómen e ao virar da cara ela o empurra e foge... Corajosa menina...(????)
Então se fez isso com o homem fora da excitação, com as calças apertadas na cintura, onde tinha as duas armas, porque não o fez durante o coito?
Mais, se era eminente o seu assassinato, então por que razão não denunciou isso aos dois primeiros agentes que encontrou, para a partir daí irem ao encalço do violador?
Esta série de perguntas e interrogações sem resposta foram merecedoras da omissão do investigador, do procurador e do juiz, todos de Benguela, denunciando uma SENTENÇA ADESÃO, condenada pelo art.º 158.º do Código de Processo Civil.
Grave ainda foi não se ter relevado um exame de acordo com o art.º 175.º (Exames) do Código Penal. "Nos corpos de delito verificar-se-ão por meio de exames, plantas devidamente conferidas, decalques, fotografias, ou quaisquer outros processos, os vestígios que possa ter deixado a infracção, o estado do lugar em que foi cometida e todos os indícios relativos ao modo como foi praticada e às pessoas que a cometeram".
Porquê não se agiu em conformidade com o ritual da lei, que são as grandes interrogações, porquanto as falhas prejudicam e falseiam o exame de corpo do delito, tendente a chegar-se à verdade material.
Tudo isso, aliado ao facto de ter sido uma violação esquisita, em que o predador não prende a vítima, mas deixa-a quase à solta, no seu colo, quando o comum é deitá-la no chão e realizar o coito com violência.
Voltaremos.

Cepticismo. Strauss-Kahn e a violação


Não têm conta as vezes em que fui mistificado, levado a indignar-me, manipulado pelos media ao serviço, soube-o depois, de interesses pouco claros mas demasiado poderosos.

José Cipriano Catarino

Assim, de repente, sem puxar muito pela cabeça, recordo-me da Jugoslávia, em que apenas os sérvios assassinavam, primeiro os croatas, os muçulmanos depois - felizmente o Tribunal Penal Internacional ousa contrariar esta visão maniqueísta; lembro-me, aquando do ataque às torres gémeas, de imagens de palestinianas a festejar ululando pelas ruas - para saber depois que as imagens, embora autênticas, tinham sido filmadas uns anos antes... E das armas de destruição em massa do Saddam, dos seus terríveis mísseis Scut (estarei a confundir com o nome de auto-estradas nacionais à borla?), da guerra de libertação do Iraque em que, afirmava lambão um dirigente americano, quem não veio à festa não fica para o jantar...
Por estas e por muitas outras, duvidei da morte do Bin Laden; agora que os talibãs a confirmam, enfim, começo a acreditar pois dificilmente dois mentirosos se poriam de acordo apenas para me ludibriar.
Mas nem por isso me passou o cepticismo ranzinza que me põe frequentemente a discutir sozinho com a televisão. Por exemplo, quando ouço as notícias da violação ou tentativa de, depende das versões, por parte do presidente do FMI. Eis algumas das minhas dúvidas, enquanto aguardo por factos que me convençam da culpabilidade do homem.
1. Como é que um velho, ou idoso como agora é moda dizer-se, por mais recauchutado que esteja, nascido, se bem compreendi, em 1939, logo com 72 anos em cima, tem tamanha potência sexual? Capaz de atacar, despir, sodomizar, forçar a sexo oral uma mulher que, supostamente, resistia, gritava, arranhava, batia, esquivava, fugia... O tipo não é grande latagão e ela tem apenas 32 anos... E sempre sem esmorecer?

2. Nos quartos de hotel há um letreirozinho para pôr na porta quando estamos lá dentro: do not disturb. E as empregadas não entram sem bater, pois não? E se acaso entrarem, prontamente saem ao aperceber-se de que o hóspede está lá. E então, se ele vem nu, a correr para elas (ah velho danado!), não fogem!?

3. Um gajo que gasta numa única diária mais do que aquilo que eu recebo por mês, se está tão atrapalhado, tão pressionado pelas hormonas que é capaz de deitar para o bidé a candidatura à presidência da França e se arrisca a uma pena de prisão até à morte, não prefere telefonar para uma profissional em vez de atacar uma mulher da limpeza que talvez nunca tivesse visto, logo sem saber se é bonita ou feia, nova ou velha, gorda ou magra, branca, preta, amarela, se está no período ou se sofre de sífilis, gonorreia, sida?

4. Há também razões técnicas. Sugiro uma reconstituição para se apurar como é que o tarado ataca uma mulher vestida, certamente com as partes pudentes bem cobertas, a sodomiza sem mais aquela, a leva para a casa de banho (porquê aí?) para sexo oral, depois foge em pânico para o avião, o primeiro lugar onde o poderiam apanhar...
Ou o gajo é estúpido de mais e fez o que dizem que fez, ou é estúpido de mais para se deixar caçar desta forma ignara. Em qualquer dos casos, tem muito pouco de francês.

Sempre em Luanda. JES lança primeira pedra na requalificação do Futungo de Belas


O Presidente José Eduardo dos Santos, lançou no 11.07 a primeira pedra das obras de construção do projecto de requalificação do perímetro desanexado do Futungo de Belas, em Luanda, com 5.370.000 metros quadrados, o perímetro, que é objecto de um plano de reordenamento urbano com uma duração estimada em 10 anos.
O Futungo de Belas abrigou a antiga Presidência angolana e, segundo os planos de requalificação da área, vai receber o Museu da República, num conjunto que reunirá a ex-residência e o escritório do Chefe de Estado de Angola, visando proporcionar o estabelecimento de um novo padrão para a cidade de Luanda, redefinindo e reordenando o uso residencial e turístico, propondo a construção de infraestruturas, loteamentos para residências, comércio e serviços, equipamentos de lazer e de apoio ao turismo.
O plano de desenvolvimento divide-se em três fases de construção de infraestruturas, sendo a primeira desenvolvida numa área de 135 hectares, na zona central do perímetro, com os terrenos que contornam o núcleo histórico do Futungo de Belas, e a segunda numa área de 319 hectares, incluindo os terrenos da parte sul do perímetro.
A terceira fase, com 83 hectares, abrangerá os terrenos a norte do perímetro, perfazendo um total de 537 hectares.
A primeira fase do projeto está orçada em 150 milhões de dólares, numa acção que vai agrupar a reparação e construção de infraestruturas de água, energia elétrica, estradas e rede de esgotos.
A zona está projectada para uma população de mais de 49 mil habitantes, sendo cerca de 30 mil residentes e 19 mil não residentes, devendo haver lotes para a construção de edifícios para apartamentos, edifícios para comércio e serviços, assim como uma área destinada ao lazer, com hotéis de praia, convenções, resort, entre outros.
Está igualmente prevista a preservação e ampliação de espaços verdes, com a criação de um parque temático e do eixo ecológico, a construção de marinas, espaços comerciais, amplos espaços para estacionamento e uma variedade de equipamentos urbanos e de apoio à prática de desportos náuticos.

Revolucionário Cibernético é um baixo bajulador. Forças estranhas pretendem travar a liberdade de expressão no Facebook



Quando lemos na Internet e ouvimos nas ruas a noticia segundo a qual, um dirigente do MPLA ordenou que se destruísse os discos duros dos computadores de todos aqueles que supostamente pensam de maneira diferente dele e manifestam uma opinião diferente daquela que é comum no seio do seu partido, achamos uma certa piada.

Paulinha da Costa Neto

Para muitos de nós, jovens angolanos que querem uma Angola unida, forte, próspera e moderna, esta foi a confirmação de que temos em Angola "dirigentes" alienados do contexto mundial actual e que continuam presos nos tempos de triste memória (dizem os nossos mais velhos) do partido único. Mas pelos vistos, a persseguição contra todos os que "pensam" e exteriorizam esse pensamento através de opiniões na Internet, é mesmo verídica, e ficou bem patente nos últimos dias, no Facebook.

Um personagem ficticio, com uma imagem aterrizadora - e ficticia também, com um nome igualmente ficticio - José Carlos, invadiu as paginas de muitos usuários e fazia ameaças e ofensas de todo o tipo. O seu alvo preferido: jovens (homens e mulheres angolanos) que através dos teclados fazem uma verdadeira Revolução Cibernética. Parece que esse individuo tem mais de uma conta no Facebook, pois ele, mesmo após ter sido bloqueado das nossas paginas, sabia de tudo o que nós escreviamos e ainda nos atirava isso descaradamente na nossa "cara". Quem será esse "José Carlos" , quem lhe enviou e qual é o seu objectivo?

Segundo uma fonte, o tal perfil ficticio de José Carlos já não está no ar. O mesmo parece ter sido eliminado logo que saíu no Facebook uma denúncia que trazia inclusive, fotos e algumas evidencias contra o presumível autor de tais brincadeiras de mau gosto. O nome do presumível autor também saíu á superficíe, mas para mim é tão desprezivel que até tenho nojo em menciona-lo. Trata-se de um individuo feio e barrigudo que por sorte até é casado e faz filhos, e dizem que vive muito bem: boa casa, bons carros, bom emprego, salario bom, etc. Se é mesmo esse individuo o tal "José Carlos" para ser sincera isso á mim não interessa! Mas, o comportamento da pessoa por detraz desse perfil é sinceramente, animalesco e típico de gente frustrada que procura atenção, ou de gente desocupda que se diverte difamando e caluniando os outros. Esta pessoa é tão fanatica do MPLA que não mede meios nem palavras para atacar e ofender da maneira mais grossa e grafica possivel, todos aqueles, especialmente mulheres, que no seu prisma não se expressem como "os bons meninos" da JMPLA. Mas será que ele esqueceu que nas democracias as pessoas também têm o direito de ser apartidarias? E que sendo apartidarias, ainda assim podem e devem exercer a sua cidadania? Será que ele esqueceu que nas democracias multi-partidarias existem e devem existir diferentes correntes de opinião? Que forças são estas que pretendem travar a liberdade de expressão e de pensamento no Facebook?

Em pleno seculo 21, e num país que se diz ser democratico e de Direito, é vergonhoso que haja pessoas que em vez de evoluírem com os processos historicos continuem presos na idade da pedra.

General Del Pino. FORÇAS CUBANAS, O EXÉRCITO MERCENÁRIO. Barbárie do regime estimulou a guerrilha da UNITA


Neste excelente livro o general Del Pino relata minuciosamente o que se passou em Cuba e na guerra em Angola. Em edição anterior passamos uma parte desta obra e hoje retomamos, chamando a atenção dos leitores, para nos atermos a importância do seu conhecimento e visão da política de então. Neste texto o autor, revela as barbaridades que os cubanos fizeram com o povo angolano.

Rafael Del Pino*

Pg. 227/230. Depois dos ataques aéreos iniciados pela aviação em Março de 1976, Savimbi passou por completo à guerra irregular e a reorganização das suas forças para continuar a luta contra os ocupantes estrangeiros e seus fantoches do MPLA.
Por sua parte, o governo cubano começou a substituir a maioria dos chefes militares que tinham participado na guerra convencional, por oficiais especializados na luta anti-guerrilha com a finalidade de capturar Savimbi e sufocar todo o vestígio possível da resistência por parte da UNITA.
Entre estes oficiais foi enviado o coronel "Pineo" o qual arrasou centenas de aldeias assassinando os seus habitantes e convertendo-os em cinzas. Para eles todo o habitante dos planaltos centrais ou todo o que cheirasse a ovimbundo era um inimigo e devia ser exterminado.
Como chefe da Missão Militar Cubana foi nomeado o general Menéndez Tomasevich antigo guerrilheiro da Serra Maestra e que também tinha estado vários anos nas montanhas da Venezuela durante um dos vários intentos de Fidel para destabilizar os países latino-americanos e exportar a revolução.
Além disso Tomasevich tinha um grande historial de repressão e assassinatos no tempo em que dirigiu as operações contra os rebeldes anti-castristas nas montanhas de Escambray na região central de Cuba. Este último representava um bom aval para a nova modalidade de guerra que deviam enfrentar as tropas cubanas a partir daquele momento.
Argumentando que a aviação não era efectiva para a luta contra as forças de guerrilha fiz regressar todos os meus aviões a Luanda e cada vez que me solicitavam bombardear ou atacar zonas povoadas negava-me argumentado que eram missões irracionais.
Aproveitei o desconhecimento total que tinham os chefes superiores sobre o emprego da aviação para lhes fazer crer que com o inventário de bombas que tínhamos nos armazéns escassamente poderíamos enfrentar um ataque da África do Sul.

O gen. Del Pino à direita de Fidel Castro durante a visita de Neto
a uma base aérea de Cuba (foto livro)
Para que ninguém soubesse exactamente qual era o nosso stock de bombas, argumentei que deveríamos desconcentrar os armazéns centrais de Luanda por todos os aeródromos do país. Posteriormente dei indicações restritas ao tenente coronel Botello, chefe da logística de aviação, de que somente a mim devia informar as quantidades exactas que tínhamos em stock. Com isto consegui diminuir grandemente os massacres às povoações indefesas.
No entanto a meados de 1997, depois do meu regresso a Cuba, o coronel Raul Peres James que me tinha substituído no comando, cedeu sob a pressão dos chefes superiores e uma manhã arrasou a vila de São Salvador no norte do país, próxima da fronteira com o Zaire. O mais inverosímil do facto é que São Salvador não tinha caído nas mãos do inimigo. Alguém erroneamente informou que tropas da FNLA tinha tomado a povoação e apressadamente o Estado Maior das tropas cubanas ordenou à Força Aérea a destruição total da vila. No ataque morreram centenas de habitantes indefesos, a maioria eram mulheres e crianças que se tinham juntado na largo principal da vila para celebrar uma festa.
Aquele facto espantoso teve uma grande repercussão entre os angolanos e La Habana viu-se obrigada a enviar uma comissão investigadora, mas tudo ficou na sombra porque os principais responsáveis do massacre não foram os pilotos mas os chefes superiores da missão cubana que deram a ordem à Força Aérea.
O tenente coronel Israel Alfonso que liderava os aviões que cometeram o genocídio, jamais se recuperou do trauma que sofreu ao saber o terrível massacre que tinha cometido no cumprimentos das ordens arbitrárias dos seus incapazes chefes.
A partir daquela data, a força aérea converteu-se no instrumento predilecto de terror nas mãos da chefia cubana. Enormes sacrifícios esperavam o povo angolano pelo, uso criminoso e impiedoso que começou a dar-se por parte de todos os chefes que indistintamente foram ocupando a chefia das tropas cubanas.
Depois de concluída a ocupação total do território de Angola pelas tropas cubanas em Março de 1976, o status destas tomou diferentes matizes ainda que sempre com o mesmo objectivo de sustentar no poder o governo marxista do MPLA.
Durante os anos de 1977 e 1978, enquanto Savimbi realizava ingentes esforços para manter a chama da luta e reorganizar o seu fragmentado exército, as tropas cubanas, apoiadas por aviões e helicópteros, empreendiam vastas operações de limpeza e caçada de tudo o que se opusesse à dominação total. Ao mesmo tempo organizavam dezenas de escolas militares e centros de treino para formar as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) com a maior brevidade possível. O tempo passava e era necessário mudar a imagem de um exército de ocupação e mostrar ao mundo que o MPLA tinha o seu próprio exército. Desta maneira poderia esgrimir-se com maior força perante os governantes dos países da área, o pretexto de que a nossa presença em Angola correspondia somente a evitar um ataque da África do Sul.
Um elevado saldo de vidas cubanas custou a perseguição e caçada de Savimbi durante estes dois anos. Também o povo angolano teve que pagar um preço muito alto com os ataques e bombardeios a vilas e povoações. O massacre de São Salvador foi só um preâmbulo ao grande pesadelo que lhe esperava ao longínquo país africano.
No entanto, os rebeldes da UNITA foram-se adaptando cada vez melhor às novas condições de luta e já em meados de 1978 obtiveram a primeira e ressoante vitória contra os contínuos ataques dos aviões e helicópteros.
No dia 17 de Maio de 1978 às 16.00 hora local, o helicóptero MI-8 matricula H-06 tripulado pelo primeiro tenente Emílio Gonzáles Rivas foi abatido pelo fogo dos rebeldes. No derrube morreram Gonzáles Rivas, seu co-piloto e dez soldados cubanos, salvando-se somente o técnico de voo, subtenente Manuel Castillo Ramirez. Este helicóptero significava a primeira vitória no coração do território angolano depois do avião AN-26 abatido em 27 de Julho de 1977 na povoação fronteiriça de Cuangar.
Durante os anos de 1977 e 1978 as tropas cubanas tiveram que enfrentar não só as dificuldades da guerra irregular contra um inimigo que em cada dia se necessitava mais força e melhor organização e também se viram necessitadas a intervir e impor a sua força para manter o governo de Agostinho Neto. (...)
*General cubano, ex-chefe militar em Angola

Mais uma denúncia de intolerância no Huambo. 1.º secretário do MPLA acusado de espancar militantes da UNITA


O general Higino Carneiro começa a ver comprometidos os seus esforços, de tentar ludibriar a opinião pública, para baixar a tensa poeira política, no Huambo, mas ao que parece a equipa de Muteka, não está interessada em inverter o quadro de intolerância, como se a província fosse uma coutada familiar.

Welema Vemba*

Se numa das missões da CIP da Assembleia Nacional, chefiada por Higino e maioritariamente integrada por deputados da bancada maioritária, estes diziam estar a UNITA e o restante da oposição a empolar as questões, paulatinamente, a realidade, parece mostrar outra coisa.

Assim no dia 10.07, um grupo integrando por cerca de 50 fanáticos militantes, chefiados por Cabral, 1º Secretário do MPLA, administrador e chefe da Organização da Defesa Civil do KM 25, do município da Caála, é acusado de na sua caminhada intolerante, ter completamente destruido o comité da UNITA na mesma localidade.

“Eles, algumas vezes, faziam caça ao homem e montavam emboscadas, para agredirem os militantes da UNITA que regressavam das suas actividades políticas ou laborais”, disse ao F8, Matias Wuangala, acrescentando terem ficado feridos 15 militantes da UNITA, a destruição parcial de uma viatura, bem como o “roubo” de quatro motorizadas.

“Isso está a ficar perigoso, pois os militantes da UNITA não vão engolir sempre esta situação, mesmo que o MPLA exiba os seus canhões, militares e policias. Mas, hoje nós temos mais experiência e conhecemos melhor as manhas do MPLA, que nem poupam crianças de dois anos, como aconteceu no Km 25”, enfatizou.

No entanto o militante do MPLA, Manuel João, contactado pelo F8, desvalorizou o incidente, limitando-se a dizer se ter tratado de um pequeno desentendimento entre militantes dos dois partidos, mas facilmente ultrapassado. Sobre os danos causados afirmou: “isso já não se pode apontar ao MPLA. Devem ser bandidos e delinquentes que se aproveitaram da situação, para destruírem a sede e as motos da UNITA, nós não porque não precisamos e não temos medo deles na província do Huambo”, concluiu.

*No Huambo

Mais uma musculatura do general Zé Maria. General humilha capitão por não o reconhecer como a Coca- cola


O julgamento de William Tonet (WT) vai prosseguindo os seus trâmites numa senda mais ou menos recta. Interrompido por vezes, mutilado em ocasiões, por ausência dos generais ofendidos, no 13.07, realizou-se mais uma sessão, que conheceu um dos seus momentos altos, com a presença do general Zé Maria na sala de audiências, na sua qualidade de declarante ofendido, face a uma notícia publicada no F8, da autoria de um jornalista do F8, que não assinou e por este motivo, responde William Tonet, na qualidade de director, afinal o verdadeiro alvo a abater, por todos…

Felizmente, o “reality show” de Zé Maria, não se ficaria, pela exibição de uma verborreia em latim, muitas vezes, descontextualizada, passada durante as suas declarações em barra, quanto a uma eventual notícia bombástica referente ao caso em questão, isto é, à necessidade premente de condenar WT, a qualquer custo, pois trata-se no caso vertente de mais um arreganho de formalismo exacerbado do general de estimação do Executivo, que antes de entrar na sala de audiência, também se colocou na pele de juiz, fazendo justiça por mãos próprias, ou seja, “Abusus non tollit usum” (o abuso não tira o uso; não é por se abusar de um direito que se perde esse direito), sabe-o bem o general.

Vamos aos factos:
Tendo-se apresentado fardado não a rigor, como gosta de impor aos demais, o general Zé Maria não se esqueceu de dar uma vista de olhos ao que se passava em seu redor e, a determinada altura, descobriu em pleno hall do Tribunal o capitão, Ângelo Joaquim Pedro, natural de Malanje, chefe da 2.ª Companhia do 4.º Batalhão do Corpo de Cadetes, no Instituto Superior técnico Militar, ISTM, rigorosamente uniformizado, mas que para a visão e show do general Zé Maria, não estava tão bem fardado como ele gostaria.

E, como o mesmo estava com febre, decidiu usar a camisa com as mangas arreadas e, num dado momento, colocou as mãos nos bolsos.

E foi aí que a porca torceu o rabo, em tão altíssimo foro, separados por uma distância o general, como se estivesse no quartel começa a gritar, para o capitão, que não lhe tinha notado: “TIRA AS MÃOS DO BOLSO”! “TIRA AS MÃOS DO BOLSO, SENHOR CAPITÃO. TENHA APRUMO DE UM SOLDADO”!

Ao escutar estas ordens, nas suas costas, vira-se e apercebe-se tratar-se de um general. Mesmo contrariado, por não estar a infringir norma militar, obedece, mesmo sem conhecer de quem se tratava. Acto continuo, diante da plateia, continua o seu show: “ CAPITÃO, DOBRA AS MANGAS DA CAMISA”! “DOBRA AS MANGAS DA CAMISA”, tudo ordens em voz alta, diante da mulher e outros cidadãos. Mas não satisfeito, mostrando a sua prepotência, abeira-se do capitão e à força, arranca-lhe o cartão de identificação, que este portava no peito, metendo-o no seu bolso, dando-lhe as costas.

Com este acto, o juiz general militar, Zé Maria, que quer ser famoso como a Coca-Cola colheu a condenação geral e a estupefacção do capitão Ângelo que não queria acreditar, no que se estava a passar.

Mas o que teria feito ou não feito esse oficial das FAA? Ou, se nada fez de mal e se o que fez foi bem feito, que crime teria ele cometido? Nenhum! O crime é haver um general, que abusa do seu poder, com a mais ampla impunidade, pelo facto de trabalhar e depender directamente do Presidente da República, como fez alusão de dizer em audiência.

Simplesmente, a camisa do capitão, é verdade, a sua camisa de mangas compridas estava como tinha saído da logística militar, de mangas compridas, que não contraria as normas militares.

No entanto, o general, até tinha a sua camisa, mal colocada na calça, com um lado ligeiramente de fora, achou, que deveria apontar um alegado e irreparável desleixo do capitão Ângelo, que não cabia ao insigne general Zé Maria deixar passar impune.

Os funcionários do Tribunal e o público em geral presentes no Hall, assistiram assim a mais um lamentável e triste espectáculo do general Coca-Cola, chefe dos Serviços de Inteligência Militar- SIM., proceder a um julgamento deste gabarito, visando condenar, sem provas, como de costume, um recalcitrante capitão, que estava acompanhado da sua esposa em estado de gravidez avançada, e os que estavam mais próximos ouviram-no fazer severas observações ao alegado desleixado membro da nobre casta castrense, passe o quase pleonasmo.

«Levo a tua identificação e vai-te embora”, teria ele dito, ao que o capitão teria respondido qualquer coisa como um pedido de desculpa já depois de ter arregaçado as mangas da sua camisa.

Mas não disse nada e os espectadores, subitamente interessadíssimos no que se estava a passar, ficaram à espera do segundo episódio, que, por felicidade de alguns aconteceu.

O general Zé Maria avançou o seu braço comprido e a sua musculosa mão, agarrou a ficha de identificação do atónito, afónico e petrificado capitão, com a sua esposa ao lado sem saber onde se meter, e záz!, arrancou-a e meteu-a no bolso das suas pouco impecáveis calças.

Esta humilhação também atingiu a esposa do infeliz capitão, que por pouco não teve um colapso certamente atentatório à paz e sossego do seu bebé, ou, quiçá, um inopinado parto prematuro.

E foi neste ínterim, que se decidiu recorrer ao juiz Manuel da Silva, que se encontrava na sala a conduzir a audiência, por sinal a interrogar, já, o arrogante e exibicionista general.

Confrontado com a informação recebida de um oficial do cartório, é aí, no ponto que parecia final deste entremez, contrariamente ao que se podia esperar, a cena não tinha chegado ao fim, porque o juiz, espantosamente, saiu da sua reserva e ousou mandar vir da sua autoridade e saiu-se com uma severa admoestação ao altíssimo general, defensor de um formalismo absoluto, e teria deixado subjacente que naquela sala de tribunal quem mandava era ele, e que o acto cometido pelo general Zé Maria, por mais general que fosse, ultrapassava o que se poderia admitir, num tribunal comum, propondo portanto que lhe fosse entregue o cartão de identificação do capitão e se fizesse uma fotocópia do mesma para o general poder ter em sua posse a cópia, mas não o passe original.

O que foi feito, perante o embaraço do general Zé Maria e a satisfação geral de todos os presentes.

Para o capitão Ângelo Joaquim Pedro o que lhe aconteceu, foi uma surpresa, por isso disse: “ É assim que um general diz pretender um Estado democrático e de Direito? Não acredito! Como general ele deu um mau exemplo e foi o primeiro na minha vida que vi agir, pior que um soldado iletrado, com todo o respeito. Por outro lado, eu não ando mal uniformizado, por ser responsável, pelo que estranhei essa atitude, do general”.

Quanto à prestação de declarações por parte do general, no processo do director do F8, nada há de relevante a assinalar, à parte uma autêntica façanha que não podemos fazer passar sob silêncio.

A certa altura, a propósito da sua presença naquele local o general, não deixou de pavonear a sua idade, dizendo, ser o mais velho na sala, pois tinha 65 anos.

Autêntico despropósito, tal como as suas latinizadas tirads.

Depois disse que nunca tinha visto uma notícia daquelas, de que estaria sob custódia, na Polícia Judiciária Militar, nos quarenta anos de carreira de oficial militar, sem nunca ter um processo disciplinar e enfatizar, repetidamente, para que se lançasse nos autos, ter sido condecorado várias vezes.

Santa inverdade. Zé Maria, fez parte de uma comissão que “condenou”, injusta, caluniosa e difamatoriamente, oficiais superiores do SIE, acusados de estarem a atentar contra o Presidente da República e as instituições do Estado e mais de um ano depois, alteraram o crime, para insubordinação militar. Isso é o quê? Honestidade? Adiante.

Que nos cumprimentos do fim de ano de 2007, o Presidente da República ao saudá-lo lhe terá dito em tom jocoso: - “então o general não está preso, segundo o Folha 8”?

Ao que disse, ter, também, respondido, jocosamente, a Eduardo dos Santos: - “estou a pão e água”.

Fantástico!
O país tem 35 anos e meio e ele é general há 40 anos!!? Isto só em Angola.

Outros considerandos para quê….Contentemo-nos com a Coca-Cola e com esta triste imagem de alguns, afirmamos, alguns generais que trabalham e dependem, directamente do Presidente da República, terem este tipo de acções, que no final, maculam a sua imagem.

Fernando Pitta-Grós. A morte de um homem e o desaparecimento da história


Fernando Pitta-Grós falecido esta semana em Lisboa (04/7) para além de ser um respeitável mais-velho do nosso bairro, o Bairro Económico (Vila-Alice), pai da Ducy, da Dinha, do Nino, do Fernando Helder, da Fary, do Nando Chocolate e do Doro, foi nosso companheiro das lides políticas nos idos de 75, quando nos reencontramos na primeira Comissão Directiva do MPLA criada, salvo erro, no primeiro trimestre daquele ano, por Agostinho Neto.

*Reginaldo Silva*

Ele na altura já não se encontrava a viver na Vila-Alice, tendo ido parar àquela Comissão em representação do Comité do MPLA da Ingombota, salvo erro, enquanto eu e o Gustavo Conceição fomos escolhidos por sermos os representantes do Comité da Vila-Alice.
Ao que julgamos saber, foi efectivamente a primeira estrutura directiva a nível regional que o MPLA, na pessoa de Agostinho Neto, criou em Angola após o seu regresso a Luanda (4Fev75) na sequência do golpe de estado ocorrido em Portugal a 25 de Abril de 1974.

Esta comissão foi constituída tendo por base a integração de dois representantes de cada um dos vários comités de acção que o MPLA possuía na altura em Luanda.

Dos vários camaradas com quem me cruzei naquele tempo e naquele organismo, lembro-me dos já falecidos António Cardoso e Beto Cambuta (que trabalhou na TAAG), da Dra. Medina, do Fernando Coelho da Cruz, do Filomento Vieira Lopes, do Muohngo (Cazenga) e, obviamente, do Gustavo.

O grande "problema" desta Comissão é que ela não figura na história oficial do MPLA, tendo a sua existência sido completamente riscada do mapa, como se constuma dizer, por razões que até agora não me foi possível apurar. Este "misterioso" desaparecimento consta das páginas dos dois tomos sobre a história do MPLA, obra publicada em 2008.

Pouco mais de dois meses antes dele ter falecido, portanto muito recentemente, tive a oportunidade de me cruzar em Luanda com o Fernando Pitta Gróz, pessoa que já não via há bastante tempo. Soube na altura pela sua própria boca que a sua saúde não estava nada bem, mas estava longe de imaginar que me estava a despedir dele.

Aproveitei a oportunidade para lhe pedir se ele tinha alguma documentação guardada nos seus arquivos pessoais sobre a referida Comissão Directiva do MPLA de Luanda, depois de lhe ter comunicado que a mesma afinal nunca tinha existido por obra e graça dos historiadores que elaboraram os dois primeiros volumes da História do MPLA. Curiosamente todas as outras comissões directivas regionais da época num total de 15 são referidas na obra com os nomes dos seus integrantes devidamente mencionados no texto, menos a de Luanda. O meu interlocutor disse-me que sim, que tinha a tal documentação, mas que estava num local pouco acessível, deixando-me entender que, pela sua pouca disponibilidade física, dificilmente poderia satisfazer a curto prazo a minha solicitação.

À falta de uma melhor explicação sobre esta OMISSÃO, julgo que mesma pode ter na sua origem uma forte razão político-partidária interna, já que a Comissão Directiva do MPLA de Luanda foi suspensa depois dos acontecimentos do 27 de Maio de 1977. Os seus integrantes foram mandados aguardar em casa e pelo que também sei nunca mais nada lhes foi dito sobre o seu futuro, até hoje.

Na altura, em 77, eu já me tinha desligado há bastante tempo da referida Comissão Directiva, pois cedo perdi o interesse pela actividade partidária directa, tendo o mesmo sido substituído pelo jornalismo.

Ingressei nos quadros da RNA em Outubro desse mesmo ano, curiosamente depois de ter ido a ainda EOA ler um comunicado partidário, no quadro da "Semana de Unidade Nacional" que tinha sido promovida pelos três movimentos no âmbito do Governo de Transição saído dos Acordos do Alvor, como mais uma tentativa de se travar a escalada de tensão politica e militar que estava em curso e que viria a desembocar na primeira grande batalha de Luanda vencida pelo MPLA.

*In morrodamaianga

Bispo de Cabinda fala da situação política no enclave. Dom Filomeno lamenta falta de diálogo entre as partes


O bispo da diocese de Cabinda, D. Filomeno Vieira Dias, disse, no 14.07 no Lubango lamentar o ambiente que tem marcado a situação política daquela região.

Instado a comentar as detenções no estrangeiro de activistas dos direitos humanos cabindenses supostamente a mando do regime de Luanda, como a de Agostinho Chicaia, já posto em liberdade, o prelado católico disse que não comentava um caso que tinha ocorrido fora do país.

Bastante reservado em palavras, D. Filomeno Viera Dias mostrou-se entretanto preocupado com aquilo que chamou de incapacidade de diálogo entre as pessoas: “Mas para nós é sempre preocupante quando não há capacidade de diálogo e conversação entre as pessoas. Portanto ele foi detido fora de Angola, eu não posso pronunciar-me sobre um facto que ocorreu num outro país, não tenho elementos, é algo que procuramos aprofundar, procuramos saber quais são os motivos, mas não temos elementos sobre isto.”

O bispo da diocese de Cabinda, D. Filomeno Vieira Dias, falou no Lubango à margem da reunião do Comité Permanente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé que testemunhou a celebração dos 50 anos de sacerdócio de D. Zacarias Kamwenho, arcebispo resignatário do Lubango e administrador apostólico do Namibe, comemorado no último sábado na capital da Huíla.

AQUI ESCREVO EU. William Tonet. Por ocasião da visita de Merkel a Angola


As contradições ou a falta de dados no discurso de JES
Hoje, apenas me vou ater a uma indignação, partilhada por muitos autóctones ao ouvirem o discurso do Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, no dia 13 de Julho, por ocasião da recepção à chanceler alemã, Ângela Merkel. Disse ele, mais coisa menos coisa, que em 1975, em Angola, somente dois entre 100 angolanos/negros, sabiam ler e escrever. Fiquei surpreso com esta estatística. Não éramos muitos é verdade, mas não éramos assim tão poucos... Que o diga, o ministro da Administração do Território, membro do Bureau Político do MPLA, Bornito de Sousa, que tal como eu, estudamos na Cadeia de São Nicolau, enquanto autóctones negros, no período colonial, em salas repletas, exclusivamente, de indígenas.
Revirando o baú do tempo colonial, encontra-se um outro dado, que, aliás poderá ajudar a compreender, também, as contra-razões de JES, filho de um carpinteiro da EPAL de ter conseguido estudar no Liceu Salvador Correia, em Luanda, na altura, quase que reservado aos filhos da elite colonial branca.
Posto isto, atentemos ao texto abaixo, que faz parte do acervo das MEMÓRIAS DE ÁFRICA, de Jorge Eduardo da Costa Oliveira, do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento.

A Explosão do Ensino em Angola
Em 7 de Outubro de 1961 apresentara o general Deslandes ao Conselho Legislativo de Angola o seu plano de governo para 1962, documento ainda hoje com grande actualidade.
Dizia-se nesse Plano que, nos meios rurais, a escola seria levada à sanzala (povoações nativas rurais ou suburbanas), fazendo dela não exclusivamente um instrumento de simples aliteração das crianças, mas, ainda e principalmente, transformando-a num verdadeiro centro social integrado na vida da comunidade local. E acrescentava-se: "procurar-se-á vincular à escola e interessar nas actividades que dela hão-de irradiar os elementos de prestígio e de influência do meio".
Coube ao Dr. Amadeu Castilho Soares, responsável pela pasta da Educação, levar assim à prática o que preconizara no seu livro Política de Bem Estar Rural em Angola, editado pela Junta de Investigação do Ultramar.

Dr. Amadeu Castilho Soares
Docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, empenhou-se entusiasticamente nesta tarefa verdadeiramente revolucionária em África que se traduziu na formação acelerada de centenas de monitores rurais de ensino e na criação de livros escolares adaptados à população africana, profusamente ilustrados com motivos da ambiência natural dos alunos. "Monitores" eram agentes nativos, com uma preparação que correspondia à 3.a ou 4.a Classes.
Até então, nas zonas urbanas e nos meios rurais, onde viviam populações com línguas e culturas diferentes da portuguesa, o ensino era ministrado pelas missões religiosas, tendo o "ensino dos indígenas" sido atribuído às missões católicas por força do acordo missionário com a Santa Sé de 1941. Esta acção, muito meritória, estava no entanto condicionada pela carência de meios humanos, materiais e financeiros.
Nos dois primeiros anos foram preparados e fixados em "aldeias do mato", dispersas pela imensidão do Território, mais de quinhentos monitores (frequentemente casais preparados em cursos intensivos de três meses em regime de internato. No primeiro curso aprendiam a ensinar a lª classe e, nos seguintes, depois de uma revisão da experiência anterior, a 2.a classe.
Inicialmente a Conferência Episcopal da Igreja Católica não reagiu bem a esta ideia, dirigindo mesmo uma carta de protesto ao Governo, mas, depois, compreendeu que se pretendia conjugar e reforçar a acção das missões a cujos professores o Estado passou a atribuir uma remuneração. Aliás, abolido o Estatuto do Indigenato, cessara o exclusivo da Igreja Católica (art.° 66.° do Estatuto Missionário). Mais tarde, no seu livro Angola: Cinco Séculos de Cristianismo, editado em Braga, o Arcebispo D. Manuel Nunes Gabriel viria a reconhecer o êxito da experiência pelo aumento, superior a 400%, dos alunos na primeira década da experiência.
Paralelamente criaram-se cursos de regentes escolares e professores primários, devendo aqueles ter o primeiro ciclo do nível secundário. A sua formação era feita em cursos de dois anos, tendo como objectivo prosseguir o ensino até à 4.a classe. O curso far-se-ia em missões católicas dispersas pelo Território. E, para a formação de professores primários, foram criadas as primeiras escolas de magistério primário.
O êxito alcançado veio a ser reconhecido pelo Ministério do Ultramar que, em 1964, pelo Dec. n.° 45908, aprovaria a Reforma do Ensino Primário Elementar nas Províncias Ultramarinas, o qual tomou por base o sistema adoptado em Angola, embora pondo o acento tónico nos regentes escolares.
Ainda no Governo do General Deslandes foram criados liceus em Luanda (o primeiro surgira em 1930), Lobito, Moçâmedes e Malanje, cidades que dispunham já de escolas técnicas. E novas escolas técnicas, também de nível secundário, surgiram em Cabinda, Uíge, Luso, Gabela e Luanda (duas). Foram igualmente criadas a Escola de Enfermagem de Luanda e o Instituto de Educação e Serviço Social Pio XII, para formação de técnicos de serviço social. E, para além da criação dos cursos superiores de engenharia, agronomia e medicina, iniciou-se a formação de professores de nível secundário.
A revolução operada no ensino primário teve repercussão internacional, sublinhando o prestigiado "The Economist" que, de 1961 a 1963, o número de africanos beneficiando de escolarização duplicara; e comentando que "não podendo os alunos ir à escola, a escola vai agora até eles". Do mesmo modo, o Centro de Estudos Estratégicos da Universidade de Georgetwon, de Washington, assinalava quer a africanização dos livros escolares quer o desejo, neles patente, de inculcar o espírito do multi-racialismo.
Esta revolução não morreu, felizmente, com a queda do Governo Deslandes em Setembro de 1962 e a consequente exoneração do Dr. Castilho Soares, o jovem titular da pasta da Educação (tinha então 31 anos). De facto, a equipa técnica que lançara o novo sistema de ensino – Inspectores Almeida Abrantes, Brito de Figueiredo e António Henriques Carneiro – deu-lhe plena continuidade e o novo titular da pasta da Educação, Dr. José Pinheiro da Silva, empossado em 26.3.64, abraçou-o inteiramente. Assim, a escola rural, para além da massificação do ensino, veio a desempenhar também um papel primordial no reordenamento das populações, contribuindo para a instalação de núcleos potenciadores do desenvolvimento agrícola e pecuário.

Estudantes de um liceu de Angola (foto livro)
O Dr. Pinheiro da Silva era mestiço, natural de Cabinda. Como sublinhou no seu discurso de posse, um brilhante improviso, começou a instrução primária quando os outros a acabavam, mas conseguiu, mesmo assim, concluir o ensino secundário aos 18 anos. E, aos 19, tendo ingressado na carreira administrativa, era administrador de posto, nunca se sentindo diminuído pela sua cor, gozando do respeito de nativos e europeus. Aos 30 anos era professor do ensino liceal em Portugal depois de se ter formado em Coimbra e ser eleito membro do Instituto de Coimbra. Agostinho Neto foi seu companheiro de quarto durante alguns meses, embora as divergências ideológicas os separassem. Deputado à Assembleia Nacional durante oito anos, voltou a Angola para leccionar na Universidade, em Sá da Bandeira e foi aí que o Governador-geral Silvério Marques o foi buscar.
O Dr. Pinheiro da Silva serviu Angola durante este Governo e, depois, até Janeiro de 1971, no Governo do Coronel Rebocho Vaz. Foram cerca de sete anos, durante os quais o seu gabinete estava sempre pejado de gente da terra solicitando o seu auxílio. A sua acção à frente da pasta da Educação ficou memorável, pela quantidade e qualidade do que realizou e pelo inexcedível entusiasmo com que o fez. Ficou a marcar indelevelmente toda uma nova geração de naturais de Angola. Um deles, ocupando hoje um dos lugares cimeiros na hierarquia político-militar, dizia-me, há poucos anos, que lhe devia a sua carreira.
No conjunto do que fez, desejaria destacar que o Dr. Pinheiro da Silva procurava identificar, nas sanzalas dos pontos mais recônditos de Angola, os alunos mais dotados e trazer depois essas crianças para lares do Estado, com bolsas de estudo, para que fizessem o ensino secundário e superior. Dei-lhe, na pasta do Planeamento e Finanças, um apoio incondicional nesse domínio, com prejuízo de outras prioridades, por me parecer que era essencial criar uma elite angolana intimamente ligada a Portugal. Aliás eu verificara em Portugal, por experiência própria, o quanto era difícil, ou quase impossível, a estudantes de aldeias situadas longe dos grandes centros urbanos e sem meios financeiros, frequentar, nessa época, cursos superiores. Dificuldade hoje atenuada mas que ainda permanece. Por isso, identificar as crianças mais capazes e conceder-lhes bolsas me parece dever constituir uma primeira prioridade.
Foi também durante este período governativo do Dr. Pinheiro da Silva que o ensino técnico médio (Institutos Comerciais, Industriais e Agrícola) e secundário (Escolas Comerciais e Industriais) e as Escolas de Artes e Ofícios conheceram uma grande difusão no território de Angola.
Ainda durante o tempo em que estive no Governo de Angola, seguiu-se ao Dr. Pinheiro da Silva o Dr. Stott Howorth, que muito se empenhou no apoio às Escolas de Artes e Ofícios (cerca de quarenta) e ao ensino agrícola, que contava apenas com a Escola de Regentes Agrícolas do Tchivinguiro, perto de Sá da Bandeira, e Escolas Práticas de Agricultura em Dalatando e na Matala.
A designação de "sanzala" aplica-se de um modo geral às povoações rurais e suburbanas da população africana. No entanto as povoações suburbanas de Luanda chamam-se "musseques" – designação que se tem vindo a generalizar a povoações suburbanas de outras cidades da zona quimbunda. A designação "musseque" significava, em princípio, terreno arenoso, mas agricultável, situado fora da orla marítima, em planície de altitude (vd. Oscar Ribas, Dicionário de regionalismos angolanos, Ed. Contemporânea). No sul de Angola, nas zonas de planície, o povoamento é disperso e é formado por eum-bos, espaços residenciais de cada família incluindo os currais, e onde se pratica a agricultura (vd. Os ambos de Angola antes da Independência, dissertação de doutoramento de Ramiro Ladeiro Monteiro, UTL, 1994).