sexta-feira, 8 de julho de 2011

AQUI ESCREVO EU. William Tonet. Veja-se o que se tem passado com as prisões arbitrárias


O país está hipnotizado. Atolado no lamaçal duma gestão económica ruinosa e “luandizada”.
O ponteiro da bússola está calcinado pela discriminação, injustiça e intolerância política, as grandes divisas do regime.
Temos assim, no topo Norte, um gabinete presidencial (Executivo), no qual a maioria indígena já não acredita nem respeita, embora viva sob a alçada da soberba, da arrogância, da petulância e da indiferença, resguardadas pelos escudos das Forças Armadas e da Polícia Nacional, ainda por demais partidarizadas.
No topo Sul, a oposição, na sua generalidade, mas principalmente visível no maior partido: a UNITA, com uma liderança considerada por muitos sectores, internos e externos, de insegura e fragilizada, não dando garantias a nenhuma tão esperada alternativa.
A actual direcção da UNITA não tem conseguido consolidar um projecto credível nem apresentar uma “equipa governativa sombra” visível e interventiva, capaz de criticar e apontar caminhos diferentes dos principais programas e políticas económico-sociais do “governo”.
Com a recusa de realizar um congresso extraordinário sem manipulação da massa eleitoral, Samakuva dá mostras de não saber o que quer fazer e qual o rumo a seguir, como se imitasse o homem que ele critica por estar na liderança de 32 anos de poder sem nunca ter sido eleito, o presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos.
Como se pode ver os maus exemplos estão à mão de semear, provando estar o barco à deriva e qualquer dia com os ventos da insatisfação social, ninguém o conseguirá controlar.
Veja-se o que se tem passado com as prisões arbitrárias de membros da sociedade civil, da oposição e de quem reclama visões diferentes sobre as realidades regionais. As mortes de vendedores de rua e de mulheres zungueiras, por parte de fiscais, que parecem ser autênticos esquadrões da morte camuflados, pois armados até aos dentes e com balas reais. Isto sem esquecer o espancamento e queima de adversários políticos, considerados inimigos a abater a qualquer custo.
E não foi um dirigente da oposição a dizer que as eleições de 2012 não seriam pacíficas nem transparentes, mas dois altos membros do bureau político do MPLA, sendo um, o governador provincial do Huambo, Faustino Muteka e o outro, o 1.º secretário do MPLA em Luanda, Bento Bento, campeões das políticas de intolerância levadas aos extremos, liderando o caminho dos maus exemplos e da fraude anunciada.
Terão dito a José Eduardo dos Santos e ao MPLA, se calhar sem medir futuras consequências, que as suas receitas seriam as mais certas e eficazes para intimidar quer os Ovimbundos, e não só, ligados a UNITA, quer os políticos dos arredores das capoeiras do Galo Negro...
Se os exemplos de intolerância vêm de cima, dos dirigentes do partido no poder, como estranhar a onda de violência e intolerância que vai crescendo no país, com a cumplicidade dos órgãos policiais?
Ademais tem sido desastroso o sistema de Justiça, conducente rigoroso da legitimação da partidarização numa omissão velada ao respeito da Lei e do Direito.
Hoje, o mais difícil é visualizar o papel cego e imparcial do órgão fiscalizador da Lei, quanto ao excesso de prisão preventiva e à manutenção carcerária de milhares de presos sem culpa formada e provas cabais de culpabilidade, numa clara demonstração de falta de igualdade entre os cidadãos.
Isto é intolerável em democracia, mas muitos órgãos e magistrados da PGR fazem letra morta, inclusive de uma orientação do próprio Procurador-geral da República, João Maria Moreira de Sousa, de NÃO PRENDER PARA INVESTIGAR. Infelizmente esta prática tem sido corriqueira nos últimos tempos, vendo-se ainda, numa clara violação aos direitos humanos, crianças de 14, 15 e 16 anos encarceradas por mais de quatro (4) anos, acusados de crimes de galinheiro.
E quando isso se torna corriqueiro, está lançada mais uma fagulha para a desestabilização social, que se aproxima “tsunamicamente”.
Este comportamento aliado à má gestão económica, a corrupção, a má distribuição da riqueza angolana, a privatização do Estado a favor do MPLA e da família presidencial, o privilegiamento das empresas estrangeiras, a discriminação e a perseguição a todos que pensem diferente da política da bajulação, transforma a Presidência da República em barco à deriva, cuja bússola, avariada, seguramente não a levará a ancorar a bom porto, ainda que sob a manha da arrogância e da força dos canhões, ela (a Presidência) acredite continuar a ter um controlo sobre as massas e o próprio aparelho policial e militar. Erro sério que lhe custará caro.
Ao menor abanão, e a organização das próximas eleições serão um teste susceptível de criar alguns, o navio poderá se afundar, e com ele arrastar o regime trintão e o seu partido.
E o grave em todo este desnorte, prende-se ainda ao facto de o maior partido da oposição não dar mostras de seriedade e ter uma direcção acusada de seguir as mesmas peugadas que JES, pois não quer sujeitar-se a eleições internas, sem ter o controlo da máquina eleitoral dos votos e das urnas. Com tudo isto, o país está hipnotizado e a dar sinais de saturação, face à miséria que campeia, ao desemprego e à brutalidade das forças policiais e militares ainda fiéis ao regime.
Mas se ainda não existem leituras, por parte dos “bufos” e ideólogos do regime, sobre o crescendo da insatisfação no seio das FAA e da Polícia Nacional, como também da descrença dos cerca de 3 milhões de desmobilizados das extintas FAPLA (MPLA), ELNA (FNLA), FALA (UNITA), e mesmo das FAA, então a cegueira do regime é maior que a profundidade do abismo para o qual somos levados a caminhar como se fossemos de férias.
E quando isso acontece, o governo já não é governo. É um clube de amigos, apegados cegamente ao poder e à corrupção, é um navio sem rumo, desprezando todas as oportunidades de evitar os milhares de furos que se vão postando na “bóia” popular. Para o afundar

Reinaldo Silva afirma. O novo Código Penal e a liberdade de imprensa


O artigo 219 do Ante-Projecto do Código Penal que está actualmente em consulta pública dá tratamento ao conteúdo do artigo 17 do congelado projecto da Lei de Combate à Criminalidade no Domínio das TICs e dos Serviços da Sociedade de Informação que suscitou a reacção do Sindicato dos Jornalistas Angolanos e que motivou a observação do actual compasso de espera.

Reginaldo Silva*

A impressão com que se fica depois de ter lido o artigo 219 é que não houve qualquer alteração substancial na nova formulação, que deste modo continua a ignorar a especificidade da actividade jornalística ao abrigo de um direito fundamental que é a liberdade de imprensa.

Assim recorde-se o artigo 17 das Lei das TIC referia que "quem, sem consentimento, oferecer, transmitir, disponibilizar ou difundir gravações, filmes e fotografias de outra pessoa, mesmo quando licitamente produzidos, através de um sistema de informação, é punido com pena de prisão de dois a oito anos ou com pena de multa correspondente".

Na aproximação de pontos de vista que se registou na sequência da reacção do SJA, o proponente da Lei das TIC, o Ministério da Telecomunicações e Tecnologias de Informação(MTTI), aceitou introduzir no artigo 17 mais um ponto onde se adianta que o disposto anteriormente "não constitui qualquer impedimento nem agravo ao exercício legal da actividade de imprensa, especialmente, por parte de empresas jornalísticas que têm por objecto a recolha, tratamento e difusão de notícias, comentários ou imagens através da internet ou outros meios electrónicos, nos termos definidos por lei".

Esta aproximação satisfez plenamente o SJA.

As coisas parecem ter, contudo, voltado à primeira forma, pois o ante-projecto do Código Penal volta a ignorar a especificidade da actividade jornalística, como se pode depreender do conteúdo do seu artigo 219, apesar de no relatório o proponente excluir da acção penal os pronunciamentos/actividades públicos de pessoas com notoriedade.

O que é facto é que no capitulo em causa, como se poderá conferir, esta exclusão está colocada no mínimo de forma bastante ambígua e mesmo ambivalente, como se tratasse de uma armadilha para apanhar incautos.

"CAPÍTULO VIII
OUTROS CRIMES CONTRA
BENS JURÍDICOS PESSOAIS
Artigo.º 219.º
(Gravações, fotografias e filmes ilícitos)
1. Quem, sem consentimento:
a) gravar as palavras de outra pessoa não proferidas em público, mesmo que lhe sejam dirigidas;
b) utilizar ou permitir que se utilize a gravação, mesmo quando seja licitamente produzida é punido com pena de prisão até 1 ano ou com a de multa até 120 dias.
2. A mesma pena é aplicável àquele que, contra a vontade de outra pessoa:
a) a fotografar ou filmar, mesmo em reuniões ou eventos em que tenha legitimamente participado;
b) utilizar ou permitir que se utilizem as fotografias ou os filmes a que se refere a alínea anterior, mesmo quando licitamente obtidos.
3. É correspondentemente aplicável o artigo 217.º.
4. O procedimento criminal depende de queixa."

*in Morrodamaianga

MPLA e os seus corruptos vitalícios


Quando a maldade se mistura a insensatez, a estupidez e a hipocrisia, nada pode ser bom e ter caráter nacional, nem mesmo o Jornal de Angola, o maior protagonista do tráfico de influência no país, do culto de personalidade e o maior anteparo da corrupção, que uma quadrilha de bandidos, tidos como governantes, poderiam ter como proteção. Nada protege melhor os corruptos, em Angola, que o famigerado Jornal. Nem a inexistência das leis contra aqueles são tão eficientes assim.

Nelo de Carvalho*

O Jornal de Angola, hoje, é a Acrópoles de tudo o que há de mais podre e indigno nesse país. Para os corruptos angolanos, incluindo a própria Ministra da Comunicação Social, o espaço que existe entre o Céu e a Terra são poucos para que o Jornal de Angola tenha a titularidade que merece: o melhor de todos os Jornais! Para as vítimas da corrupção o Jornal de Angola é mais um desses patrimônios com finalidades obscuras, uma entidade que foi tomada por assalto. O Jornal de Angola é uma instituição com a imagem e a semelhança de seus atuais proprietários: ilegais, mas “são”! A imagem e semelhança de estarem no mesmo fosso e de quererem a todo custo tentarem transparecer que sua existência -distorcida-, seus atos, beiram a normalidade.

Como sempre, na sua missão de “benevolência”, o MPLA e os seus corruptos vitalícios estiveram detrás das instituições, quer nacionais como estrangeiras, na luta pela legitimidade do que há demais sagrado – a conquista de corações-, tudo passou a ser bom dependendo do que se quer defender e alcançar. Qual instituição não seria perfeita e boa se sua missão consistira simplesmente manter o que aí vemos, ergue-se e está: o fantasma da institucionalização da corrupção.

Quando algum funcionário, ministro ou dirigente do insigne governo aparece para nos alertar dos seus atos moribundos a impressão que se tem é de que a corrupção está revolucionando, pela primeira vez, um país. Enquanto no resto do mundo a mesma é combatida, expelida longe da vida social e da civilização, em Angola aparece como revolucionária e clarividente. Falta pouco, mas pouco mesmo, e não vai tardar um dia destes em grandes manchetes o adorado Jornal, o melhor, o transparente e informativo Jornal, trazer em sua primeira página, com todas as letras: Viva a Corrupção! Como faziam com as expressões “ Viva o Poder Popular”, “o MPLA é o Povo e o Povo é o MPLA”.

Não é pouco o que o Jornal de Angola nos trás. Para que mencionar e cair em redundâncias? Pode até parecer perseguição de quem escreve. A perseguição que eles não têm com os corruptos. Pode parecer uma espécie de elogio oculto, macabro e até safadeza (o elogio safado e pornográfico!); o elogio que eles têm por excesso, e toda falta de vergonha, com os corruptos. Pode parecer inveja; a inveja que eles não têm, se tivessem o mínimo de educação com quem é digno e honrado na hora de se dizer a mínima das verdades, com as pessoas decentes. A verdade que dá prazer e transe de se dizer. A verdade que desafia e põe tudo em disputa; tudo a descoberto.

O mínimo aqui pode ser o que é frágil, débil, mas é o que balança a todos. Mesmo porque a verdade precisa do suficiente para vingar: nascer! É o mínimo que o Jornal de Angola precisaria para restabelecer seu antigo proprietário: o Povo, a Nação!

E, talvez, quando estiver em mãos de quem de direito pertence não precisará de elogios, vindo de quem mais deseja a sua morte.

*No Brasil

O jogo dos ciclos. Marta Fernandes de Sousa Costa*


A menina chorou, inconsolável, quando Astor, companheiro de muitas aventuras, morreu de velhice. Diante do desconsolo da filha, o pai falou ao amigo que preferia não ter outro cachorro, para não deixá-la passar pelo mesmo sofrimento, pois cães duram menos que pessoas e ela provavelmente teria outras perdas. O amigo, médico, aconselhou que permitisse outro cãozinho, se a menina desejasse, pois perdas fazem parte da vida e precisamos aprender a aceitá-las.

Outro homem contou que tem dificuldade em aceitar a morte; sofre pela expectativa da sua proximidade; renega-a em si e em todos que ama.

Uma escapatória à dor seria não firmar laços, evitar contatos íntimos, fugir de amores e amizades. Muito sofrimento talvez fosse evitado, dessa forma. Muita alegria, também.

O amigo falou que desde cedo explica aos filhos que nascimento e morte fazem parte da vida; a glória de nascer pressupõe o desamparo de morrer _ não há como evitar. Lição que as flores transmitem aos bons entendedores, quando perdem as pétalas e se alquebram nos vasos, esgotado seu tempo de enfeitar os salões e alegrar nossos olhos.

Em criança, ouvia-se “ninguém fica pra semente”, como início da aprendizagem de que um dia tudo acaba. A vida é feita de ciclos. Alguns têm continuidade; outros são fechados abruptamente. Poucos relacionamentos resistem ao jogo dos ciclos. Muitos se perdem, deixando apenas lembranças, boas ou más; outros se adaptam, acompanham as mudanças, amadurecem e se fortalecem.

Alguns ciclos são mais difíceis de transpor, o que faz com que algumas pessoas permaneçam presas ao que deixou de existir. Inclusive para filhos adultos, por exemplo, é difícil aceitar a morte dos pais como fim de um ciclo. Contudo, ainda que um sobreviva ou permaneça (como acontece nos rompimentos), nunca mais as coisas serão iguais, sem a presença do outro: fossem boas ou ruins, serão diferentes. Quando acontece de os dois se irem, fecha-se em definitivo o ciclo da casa paterna e novamente os filhos precisam se adaptar às circunstâncias e ocupar espaços antes preenchidos ou inexistentes. No novo ciclo, cada membro da família se vê obrigado a descobrir o seu papel, ajuste em geral penoso, mas essencial ao crescimento.

Embora dolorosas, as mudanças de ciclos proporcionam amadurecimento. Sem GPS ou manual de sobrevivência, cada um logo descobre que está por sua conta, nesta estrada assustadora. Logo percebe, também, que, ao contrário do que ocorre nos contos de fadas, o socorro não virá de fora.

Quem sofre a dor da perda _ qualquer perda _ precisa se violentar ainda mais, para encontrar o seu próprio caminho. A amiga diz que a música foi o seu amparo, no estudo das partituras encontrou a muleta que a ajuda a prosseguir; outros se apóiam na religião, muitos se recolhem ao trabalho, alguns transformam a dor em solidariedade. Para todos, consolo é a certeza de que a ausência dói justamente porque a presença, quando possível, nos fez feliz.

*www.martasousacosta.blogspot.com

Mais uma prova da discriminação institucional. Em Angola não há separação de poderes há separação de angolanos


Mais uma vez voltamos à carga, pois vemo-nos obrigados a reiterar a opinião já aqui expressa neste pequeno espaço de leitura: a nossa ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira debate-se com demasiados problemas para poder levar avante seja qual for a estratégia política que ela adopte. No meio de todas as suas preocupações reina, em todo o caso, um mestre absoluto, a necessidade de salvaguardar o lugarzinho que lhe foi dado para ela poder exercer o seu nobre cargo num pelouro mais que tremelicante, uma autêntica corda bamba da qual ela pode cair de um momento para o outro.

Sílvio Van-Dúnem

Não queremos que esta asserção seja considerada maldosa, pois a verdade é que ela se impõe ao mais distraído dos analistas, na medida em que Carolina Cerqueira se encontra, de facto, na situação extremamente delicada de lhe ser impossível de agradar ao mesmo tempo a Gregos e Troianos.

Como se tudo isto não bastasse como indícios de intervenção de outros poderes no exercício das funções de governação do Ministério da Comunicação Social, considerado como Departamento de Informação e Propaganda do MPLA, a começar pelo Executivo, eis que vemos o Procurador das FAA e por inerência de funções, Vice -Procurador Geral da República, Hélder Fernando Pitta Gróz, a saltar dos seus carretos e a vir a público, indignado, dar a conhecer ao heróico povo de Angola que existem mesmo cidadãos de primeira e de segunda categoria e, por isso, na sua solicitação, a ministra diz a dado passo: “Com estranheza assistimos à intervenção sensacionalista dos órgãos de comunicação social públicos, que não tiveram em conta a sua missão de informar e de formar os cidadãos, assim como de defender as instituições e o interesse públicos”.

Ora, desde quando é que é crime os meios de informação públicos darem voz a angolanos não conotados com o governo?

Porquê os jornalistas da TPA e da Rádio Nacional, na visão do general Hélder Fernando Pitta Gróz, têm de ser chamados à pedra por entrevistarem angolanos iguais, na base do principio da igualdade, de acordo com o artigo 23.º da Constituição de “TODOS SÃO IGUAIS PERANTE A CONSTITUIÇÃO E A LEI”.

Não! Diz o procurador militar…Na lógica, muito apegada aos militantes e propagandistas retrógrados do partido no poder, não devem ser tratados com igualdade e dignidade todos quantos não bajulem a preceito o regime e o Presidente da República, na mais clara confirmação de que as instituições do Estado não são nacionais, mas assumidamente partidárias.

E se dúvidas ainda existem, leiam mais esta pérola do Procurador Militar, Pitta Groz, a propósito da conferência de imprensa dos três advogados de Quim Ribeiro, de que revelaremos mais adiante os contornos: “Realce para a TPA, que não esteve presente na conferência de imprensa no Hotel Trópico, mas deslocou-se posteriormente ao encontro dos advogados para efectuar a entrevista.”

Não foram à entrevista porque para muitos órgãos do sistema o revelar a realidade incómoda parece ser a violação das leis e principalmente do n.º 2 do art.º 23.º da Constituição; “Ninguém pode ser prejudicado (…), privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da sua ascendência, sexo, raça, etnia, cor (…), convicções políticas, ideológicas ou filosóficas(…)”.

Aqui chegados podemos visualizar como parecem justas as acusações de muitos cidadãos de a justiça estar mal, muito mal, mas não de um lado só, do Ministério Público (MP), também, logo a legalidade requerida falece quando emerge a ideologia no lugar da lei, condenando antecipadamente todos os que não forem simples engrenagens a banhar no óleo do motor do regime

Mas, neste ínterim, ainda podem arregimentar a descompassada e complexada solidariedade barroca da Ordem dos Advogados de Angola (OAA), essa, valha-nos Deus, se comporta de modo inadequado e em desarmonia com as directivas traçadas pelos associados e Estatutos.

Basta ver o cinismo e como o seu Conselho Nacional, atirou para as feras três advogados, que usando da faculdade conferida pelo art.º 73.º da CRA (Direito petição, denúncia, reclamação e queixa), respondendo à campanha intencional e parcial empreendida, principalmente por dois Vice-Procuradores Gerais da República (Adão Adriano e Beato Paulo) de condenarem sem provas cidadãos que ainda gozam do princípio de presunção de inocência, inflamando a opinião pública com informação distorcida sobre um processo delicado, ainda sob o coberto do segredo de justiça.

Na obediência de princípio da proporcionalidade, da razão e da igualdade, os advogados do réu decidiram convocar uma conferência de imprensa (dia 10 de Junho de 2011) para denunciar irregularidades de um processo que se arrasta há meses sem provas que o sustentem, mas que já levou aos nauseabundos cárceres angolanos um punhado de oficiais superiores da Polícia Nacional, que já deveriam estar soltos há muito tempo se a lei, de que o Ministério Público (MP) é o garante, fosse aplicada?

Mas isso é inadmissível, segundo o que pensa, por exemplo, o Procurador Militar, esquecendo-se ele de explicar, na Solicitação n.º 0607/01.1106/2011 endereçada à ministra da Comunicação Social, entre outros vícios de forma, que foi o próprio Ministério Público, do qual ele é, também Vice-Procurador Geral da República, o primeiro a violar o segredo de justiça por, muito antes dos advogados, terem vindo a público pedir contenção verbal ao Garante da Legalidade, quanto aos detalhes do processo, para que ele não caia na suspeição pública de já haver SENTENÇA ADESÃO, por parte da PGR, dando consistência à argumentação do seu opróbrio.

Logicamente, e no vazio criado pela falta de argumentos, o Procurador das FAA não foi além do arreganho verbal e a pedir a intervenção da ministra Carolina Cerqueira. “solicitar que a Exma Sra Ministras providencie as necessárias orientações aos Órgãos de Comunicação Social públicos para respeitarem os fins para que foram instituídos, realizando a sua difícil, porém nobre missão, sem se deixarem levar pelo sensacionalismo de notícias”.

A dar ordens a Carolina Cerqueira como se fossem pedidos de tio mais velho!!? Mas, à parte o desaforo, o que é que ela terá a ver com esta salada mal mexida!?

Elementar, caro leitor, a infeliz ministra da Comunicação Social deve representar justamente para o Procurador das FAA, a autoridade partidocrata, qual capataz justiceiro, a quem foi atirada uma batata quente para as mãos. «Pega só, desembrulha-te, vê lá se podes pôr de castigo esses “bicos finos irreverentes”».

Não é preciso ser bruxo para adivinhar que a carta em questão é mais uma grosseiríssima intrusão de um poder de Estado que deveria ser independente, no desempenho de outro independente, que é afinal dependente do poder de Estado.

Carolina Cerqueira, senhora merecedora do crédito que a sua postura anterior veiculava, viu-se a certa altura empurrada para um lambebotismo aparentemente sincero, mas talvez não, que a levou a dizer aqui há um tempo atrás que não lia nem vírgula de pasquins (como por exemplo, o Club K (sic), e, muito mais recentemente, a dirigir-se aos estrategos castrense, os senhores da Guerra, sabe-se lá por que raio de cargas de água, mas provavelmente teleguiada por via de sugestões superiores, a pedir subsídios para a elaboração de um pacote legislativo susceptível de modelar e estruturar com eficácia o nobre exercício de informar.

Lógico, quem melhor que um militar para opinar sobre as tão delicadas modalidades da liberdade de imprensa?

Por tudo isso a maioria dos cidadãos especulam já estar, muito, provavelmente, a sentença dos 21 oficiais da Polícia do Comando Provincial de Luanda, politicamente redigida, sendo o advir apenas um show-off, uma vez existirem fortes suspeições sobre a imparcialidade dos órgãos que instruíram e vão julgar, o chamado “Caso Quim Ribeiro”.

A concretizar-se o mesmo cenário do julgamento do “Caso Miala”, será mais uma monstruosidade só possível em Angola!

Os juros da dívida soberana portuguesa não param de subir!


É tal prova de que o mercado continua a mandar e a mostrar a sua desconfiança para com Portugal, a Grécia, etc.? Já chegámos aos 15,8% batendo “records” que mostram que o problema não está no Governo, seja ele de Direita ou de Esquerda, como se vê.

Jofre Justino

As garantias que Passos Coelho deu no Conselho Europeu, entretanto, trouxeram já a vantagem de a Comissão Europeia ter reconhecido a possibilidade de haver necessidade de reestruturar a disponibilização dos Fundos Comunitários, o que pode ser importante, pois a Crise galopante exige reformulações óbvias, mas ao que parece, “não acalmaram os mercados”…

Quais mercados?

Na verdade, não estamos a discutir algo mais senão a especulação financista que as Agencias de Notação alimentam todos os dias, contra a UE e contra já não somente “os países periféricos” mas sim contra quem tem de ser anulado e estes são em especial a França e a Espanha, enfim quem está presente no Mercado Global e para ele transporta essa moeda perigosa que é o Euro!

Porque para a alta finança o que urge é limitar a distribuição do Mundo pelos interesses americanos e chineses, já que estes últimos tendem ou à democratização e abertura interna, o que na verdade alarga, isso sim, “os mercados”, ou para a desagregação interna libertando incomensuráveis “mercados” de um regime totalitário e tendencialmente fechado.

(Portugal nessa matéria também é Estado presente, dada a CPLP, mas de baixa influencia…).

Tenho insistido desde 2009 que urge a necessidade de um Governo de Salvação Nacional, que urge mostrar que não se segue a via da Grécia, apesar do erro que foram estas eleições, ainda que, claro, como vivente em Portugal e como não sou nenhum profeta, nem da graça nem da desgraça, só desejo não ter razão, pois a demonstração da Solidariedade comunitária reforça os posicionamentos transnacionais, neste momento em que todos os movimentos têm de ser cuidadosamente calculados.

É sem duvida positiva a ideia de que a Comissão de Acompanhamento do Acordo com a Troika/FMI seja uma Comissão liderada pelo maior partido da Oposição, pois releva esse sentido comunitário, mas lamento, considero insuficiente tal medida.

Pois os tais “mercados”, isto é as selváticas Agencias de Notação, usam todos os elementos de clivagem para imporem mais uma farpa ao touro em faena que também somos nós!

E só a publica responsabilização de todas as forças políticas pode demonstrar essa noção básica de Unidade.

Notemos que os que seguiram o percurso do Não, os que geraram aliás estas eleições, à Esquerda, foram politicamente derrotados precisamente porque seguiram a via neoriquista do “eles que paguem a Crise” e, se decidirem continuar nesse rumo, continuarão a ser marginalizados pelos Cidadãos

Esta ideia básica de um Governo de Salvação Nacional, que teve sucesso em 1983/5, como todos sabemos, (mesmo que tenha sido desastrosa para o PS, por sua inteira responsabilidade), está hoje a ser contestada à Direita porque alguma Direita entende que chegou a altura de uma varridela sistémica, isto é de impor medidas no plano fiscal, das relações laborais e macroeconómicas, que libertem o Estado das “peias sociais” que o 25 de Abril acrescentou ao Estado corporativista e à Esquerda em consequência da má memória das eleições de 1985, no campo do PS e, na restante Esquerda, no sonho ridículo de uma Revolução que só existe na cabeça de uns tantos de numero não superior ao milhar!

Porque as Revoluções ou se dão em momentos de total fracasso do Poder, caso da Rússia de 1917, (o que não é o caso), ou em momentos de total cansaço face ao Poder, caso típico português do 5 de Outubro e do 25 de Abril( o que ainda é cedo para dizer que exista).

Cansei de me sentir derrotado nas Campanhas que procurei dinamizar, em consequência deste sectarismo à Esquerda, que levou por exemplo à recusa da Petição pela Regulamentação Internacional das Agencias de Notação e ao surgimento de uma Petição paralela, ( de quem já quase ninguém fala, já deram por isso?), precisamente porque o que nos deve preocupar é uma política de Salvação Nacional!

Cansei porque à Esquerda se vive um tempo de lamber as feridas que chega a ser ridículo, (os debates no seio do BE são de tal prova!) e torna impossível a existência de qualquer movimentação sócio política pois as lideranças e os opinion makers à Esquerda estão verdadeiramente encostados às boxes….

Porque na verdade o que deveria suceder à Esquerda seria a defesa de um Governo de Salvação Nacional, a concretização de combates globais, como o Pela Regulamentação das Agencias de Notação, a defesa teimosa de um mercado aberto da CPLP, e a critica cerrada contra a má Distribuição dos Rendimentos em Portugal e na CPLP, vidé o caso de Angola e no lado contrário a mais que positiva batalha de Lula e Dilma pela Distribuição da Riqueza no Brasil,, com a apropriação crescente da Riqueza em um nº cada vez menor de pessoas!

Não sendo possível defender tal, fiquemo-nos pelas declarações de intenção e aguardemos por outros tempos.

* jjustino@epar.pt

ANGOLA, A GUERRA INJUSTA


F8, vai começar a partir desta edição a publicar trechos de uma importante obra, que aborda um período importante da história de Angola.
Neste excelente livro o general Del Pino relata minuciosamente o que se passou em Cuba e na guerra em Angola. Sugerimos vivamente a leitura deste livro a todos aqueles que estão interessados em saber a verdade sobre a descolonização de Angola. Colocámos a cor diferente as partes mais críticas para melhor localização. Como o livro tem copyright e não será fácil de adquirir àqueles que vivem em Angola, solicitamos a complacência da Editora e do autor.

General Del Pino*
Ediciones Universal ediciones@ediciones.com

O escritor, um dos mais destacados generais cubanos, que combateu em Angola e foi responsável pela entrega do poder ao MPLA diz a dado momento do seu livro na página 155: “- No entanto, somente sete meses mais tarde se apresentou a Fidel outra conjuntura que prometia melhores dividendos que o país sul-americano: os militares portugueses em 25 de Abril derrubaram a ditadura de Marcelo Caetano”.
Com este acontecimento transcendental apresentava-se não somente a possibilidade de influir uma viragem à esquerda no país lusitano senão muito mais que proveitoso ainda, facilitava-se a sempre esperada oportunidade de poder intervir directamente nas antigas colónias portuguesas sem correr risco algum. De todas, a fruta mais madura era Angola e o almirante vermelho Rosa Coutinho se encarregou de oferecê-la em bandeja de prata.
Nas pág.s 156/167, lê-se: “ Em 15 de Fevereiro de 1975, fui citado para uma reunião especial no Ministério das Forças Armadas. Ali fui encarregado da missão de seleccionar um grupo de oficiais especialistas da força aérea, capazes de garantir as condições mínimas necessárias num aeródromo para o seu funcionamento e a recepção de aviões de transporte.
Não obstante o grande segredo que se mantinha sobre a planificação daquela operação, tiveram de comunicar me onde e para quê se necessitava de activar um aeródromo, pois era a única maneira de poder organizar o grupo dos homens capazes de cumprir essa missão.
Para meu assombro, que não estava seguindo o desenvolvimento dos acontecimentos nas colónias portuguesas de África, causou me grande surpresa saber que o aeródromo em questão se encontrava nada mais nada menos que no profundo do território da longínqua e afastada Angola.
As explicações posteriores me foram tirando do meu desconhecimento até que cheguei a ter uma ideia aproximada do que se pretendia fazer pelo Alto Comando de Cuba. Tinham começado os planos para futura "Operação Carlota".
Em 25 de Abril de 1974, um levantamento militar tinha derrubado a ditadura de Marcelo Caetano. Uma das principais medidas anunciadas pelo novo governo foi a decisão de dar a independência às suas antigas colónias da Guiné Bissau, Cabo Verde, Moçambique e Angola. No caso das três primeiras não existiam maiores dificuldades, pois estava bem definido o movimento independentista que tinha encabeçado a luta contra os colonialistas portugueses; no entanto, com Angola existia a dificuldade de que três movimentos independentistas que tinham lutado contra a antiga metrópole se adjudicavam separadamente a legítima representação das aspirações do povo angolano. O novo governo de Portugal consegue sentar à mesa de negociações os três líderes destes movimentos e em 15 de Janeiro de 1975 assinam na costa portuguesa do Algarve o acordo de Alvor.
Este acordo estabelecia como data da independência o dia 11 de Novembro de 1975. Até esse dia o país seria regido pelo Alto Comissário português, um governo provisório integrado pelos três movimentos de libertação os quais teriam três ministérios cada um e o primeiro ministro seria rotativo equitativamente entre os três movimentos. Em Outubro deveriam fazer-se eleições livres para eleger a assembleia constituinte.
O Acordo de Alvor previa forças armadas angolanas compostas por 8.000 efectivos de cada um dos três movimentos. Por sua vez permaneceriam no país 24.000 soldados portugueses para garantir a paz os quais começariam a ser evacuados paulatinamente deste o primeiro dia de Outubro até onze semanas depois de proclamada a independência no dia 11 de Novembro.
Depois de inaugurado o governo provisório de transição em Luanda no dia 31 de Janeiro de 1975, deu-se início a uma desenfreada corrida ao armamento entre o MPLA apoiado pelos soviéticos e a FNLA apoiado pelo chineses, romenos e norte coreanos. Centenas de toneladas de armas procedentes de esses países começaram a chegar a Angola por diferentes vias para armar estes movimentos que não tardaram a enfrentar-se numa luta sem quartel.
O Alto Comissário português almirante Rosa Coutinho, conhecido como o "Almirante Vermelho" pelas suas ideias comunistas, foi factor decisivo para que o MPLA se impusesse nesta luta pelo poder ao permitir todo o tipo de liberdade de acção à desmesurada entrada de armamento soviético e aos primeiros contingentes oficiais cubanos que, como é lógico, acudiam em ajuda ao movimento apoiado pela URSS.
Encarniçados e violentos combates entre o MPLA e a FNLA se davam diariamente nas ruas de Luanda, até que a FNLA se viu na necessidade de abandonar a capital e estabelecer-se no norte do país.
Em 4 de Julho de 1975, duzentos e cinquenta recrutas da UNITA foram massacrados em Luanda pelo MPLA na cidade de Luanda. Perante estes factos, a direcção da UNITA decidiu retirar da capital e concentrar-se nas cidades do planalto central de Angola. Desta maneira só ficava em Luanda o MPLA esperando a partida dos portugueses.
Desde o início de 1975, em diversas conversações secretas tidas em La Habana entre o governo cubano, oficiais esquerdistas portugueses e dirigentes do MPLA se acordou enviar grupos de oficiais cubanos para que servissem como assessores em diversas escolas e centros de treino militar que foram organizados em vários lugares dos país. Além disso estes oficiais cubanos deviam preparar as condições necessárias que garantiram uma escalada ulterior com o envio de grandes contingentes de tropas regulares.
A organização dos centros de treino militar correu totalmente a cargo dos cubanos, empregando armamento e equipamento militar que era fornecido pelos soviéticos em quantidades fabulosas desde Agosto de 1974. Somente nos últimos meses deste mesmo ano o MPLA chegou a receber mais de dez milhões de dólares em armas de diferentes tipos.

O general Del Pino cumprimentando Agostinho Neto.
Começou uma rápida corrida contra relógio. O eixo Cuba-URSS-MPLA considerava que quem estivesse na posse da capital no dia 11 de Novembro, data assinalada no Acordo de Alvor para a proclamação da independência, seria quem alcançaria o poder. Ainda que só a periferia urbana estivesse nas mãos do MPLA e o resto dos 1.246.000 quilómetros quadrados do imenso território angolano foi controlado totalmente pelos outros movimentos de libertação, aqueles que se encontravam em Luanda poderiam informar o mundo que eram os legítimos governantes.
O eixo Cuba-URSS tinha valorizado muito bem que a situação mundial favorecia amplamente os seus planos. O colapso sofrido pelos Estados Unidos da América do Norte no Vietname lhe impossibilitava de acometer qualquer acção de envergadura contra a aberta intervenção comunista em Angola.
Os soviéticos não eram bem vistos em África, mas possuíam mas tinham uma insubstituível carta de trunfo: O Cavalo de Tróia das tropas cubanas.
Por sua vez, Cuba soube aproveitar muito bem as raízes africanas do seu povo enviando nos primeiros grupos de oficiais a maior quantidade de descendentes daquele continente que de imediato ganhou a aceitação por parte dos nativos.
Tudo era questão de esperar e resistir sem perder a capital. Uma incrível concentração de armas e equipamento bélico esperavam dentro dos enormes aviões de transporte AN-22 o sinal para partir de diferentes aeroportos da União Soviética em direcção a Luanda, enquanto comboios de barcos zarpavam dos portos de Mariel em Cuba e Riga na URSS em direcção à África austral.
A descomunal maquinaria bélica comunista tinha começado a andar e nada era capaz de detê-la. As tropas portuguesas comandadas pelo "Almirante Vermelho" permitiam livremente todo o tipo de movimento às forças do MPLA e aos assessores cubanos assim como a recepção e desembarque dos carregamentos de armas que ininterruptamente chegavam à capital angolana.
Na reunião para que fui convocado em 15 de Fevereiro de 1975, eu tinha proposto o envio inicial de dois especialistas qualificados da força aérea que exploraram o terreno e depois nos informaram das condições existentes para poder enviar o resto do grupo. Desta forma a finais de Março de 1975 chegaram a Luanda o coronel Jaime Archer Silva, piloto de combate e ex-chefe da base aérea de Santa Clara na província cubana de Las Villas e o tenente coronel Ángel Botello de Ávila, especialista em logística de aviação, graduado na URSS e quem até ao momento da sua designação tinha estado como chefe dos serviços de retaguarda, também na base aérea de Santa Clara.
A missão fundamental destes altos oficiais consistia em determinar todas as necessidades existentes para poder operar no aeroporto de Luanda independentemente dos especialistas portugueses e angolanos que ali se encontravam, assim como a base aérea de Henrique de Carvalho (Saurimo) situada no extremos norte do país.
Em finais de Junho desse ano, somente a dois meses de se ter dado o colapso do governo pro-norte americano do Vietname do Sul, ordenaram-me partir para Saigão com o fim de estudar os diferentes aviões e tecnologia militar do ocidente ocupadas pelos Vietcong. Isto fez com que me alheei um pouco dos planos que se levavam a cabo para a nossa intervenção em Angola e no meu regresso encontrei o coronel Archer recém chegado de África com toda a informação necessária.
Os portugueses permaneciam em Luanda mas tinham entregue ao MPLA a base aérea de Henrique de Carvalho (Saurimo). Esta apresentava o inconveniente de se encontrar muito longe da capital, a quase 1.200 quilómetros no profundo território angolano pelo que se dificultava o envio de meios logísticos para as operações dos voos que ali deviam de aterrar, fundamentalmente o combustível.
Não obstante, para manter activo aquele aeródromo e operar os seus meios de comunicações e outras instalações enviámos em fins de Agosto, conjuntamente com o coronel Archer que partia novamente, dois técnicos de comunicações, um técnico de iluminação de pista, um engenheiro de telecomunicações, um técnico de energia especialista em geradores e centrais eléctricas, vários especialistas e operadores de equipamento de rádio-ajuda à navegação, um engenheiro em combustíveis e lubrificantes, um engenheiro em equipamento de segurança logística de aviação com a responsabilidade de atender os abastecedores de combustíveis, centrais auxiliares de arranque dos aviões (APU), equipamentos de oxigénio, etc.
Além disso enviou-se o capitão Armengol, piloto de transporte especializado em aviões ligeiros para servir de contacto e um mecânico de aviação. Posteriormente, nos primeiros dias de Setembro enviámos o coronel Juan Céspedes, também piloto de transporte, para que voasse exclusivamente como piloto pessoal do general Diaz Arguelles, chefe principal das tropas cubanas em Angola.
Este grupo especial da Força Aérea manteve operacionais as instalações da base aérea de Henrique de Carvalho (Saurimo) até que o general Diaz Arguelles decidiu que partissem para Luanda tendo permitido as autoridades portuguesas todo o tipo de operação no próprio aeroporto da capital e tornando-se desnecessário realizá-las ocultamente em Saurimo.
Os portugueses entregaram vários aviões de transporte DC-3 a este primeiro grupo de cubanos da Força Aérea para que começassem a realizar voos de abastecimento logístico para diferentes zonas do país onde se encontravam oficiais cubanos, formando aceleradamente o novo exército do MPLA. Também se conseguiu autorização das autoridades portuguesas para por à disposição dos cubanos dois aviões de transporte turbo-hélice modelo F-27 e dois DC-3, todos pertencentes à companhia angolana TAA (Transportes Aéreos de Angola). Do Congo Brazzavile já se tinham trazido dois aviões de transporte militar Nord Atlas cedidos pelo presidente dessa nação Marian Nguabi e outro de Moçambique entregue por Samora Machel.
Com todos estes aviões formamos um esquadrão de transporte que ininterruptamente durante o dia e noite começou a fazer missões de abastecimento às tropas cubanas e às do MPLA: transporte de feridos, de armamento, missões de exploração e, fundamentalmente, o transporte de Brazzaville até Luanda dos contingentes militares cubanos que continuavam chegando àquela localidade em aviões Britannia procedentes de La Habana. Para poder operar este esquadrão de transporte, desde meados de Setembro tínhamos enviado de Cuba três pilotos da Cubana Aviação, os oficiais da reserva da Força Aérea, Francisco Cuza, José Ramos Pagan e Elias Moisés Pasto aos quais se uniram os capitães no activo da Força Aérea, Efraín Muñoz Cordove, Amaury Léyva e Raul Ortiz. Junto a este pilotos cubanos participaram amplamente dois pilotos angolanos de nome Sampayo e Yardini.
Os meses de Outubro e Novembro de 1975 foram sombrios e angustiantes. Sabíamos que a missão era manter Luanda a todo o custo pois posteriormente se efectuaria a mudança radical mas as tropas da FNLA acercavam-se perigosamente à capital pelo norte e pelo sul as forças da UNITA avançavam a uma velocidade vertiginosa apoiadas por unidades blindadas sul-africanas que começaram a penetrar em território angolano em 23 de Outubro desse ano. Não obstante ter-se recebido um considerável reforço nos primeiros dias de Outubro com a chegada de barcos cubanos que transportavam armamento e tropas, parecia totalmente que ia ser impossível deter o avanço da FNLA e da UNITA. A balança começava a inclinar-se perigosamente em favor do inimigo. Os projecteis da artilharia pesada de 140mm das forças de Holden Roberto começavam a detonar nos subúrbios da cidade.
Pelo Este, perigosas colunas da UNITA avançavam ao longo da linha do caminho de ferro (CFB) que atravessa todo o centro de Angola unindo o porto do Lobito no Oceano Atlântico com o Zaire e Zâmbia. Estas colunas encontravam-se às portas da cidade do Luso (Luena) com a intenção de tomá-la e desenvolver a ofensiva em direcção a Teixeira de Sousa para apoderar-se por completo desta estratégica via férrea. A situação não podia ser mais alarmante.
No dia 23 de Outubro as tropas da FNLA arremetem contra as forças cubanas ao norte da capital e são derrotadas. Cinco combatentes cubanos ficam isolados atrás das linhas inimigas e arrastando-se vários quilómetros durante a noite conseguem chegar às suas posições anteriores.
A FNLA reagrupa as suas forças e na manhã do dia 6 de Novembro lança um segundo ataque com mais de 64 veículos blindados apoiados por uma forte e intensa preparação de artilharia. É derrotada novamente e as nossas tropas conseguem capturar os três primeiros mercenários brancos de origem portuguesa. A FNLA tinha encontrado uma forte resistência e apercebe-se de que as tropas à defesa não tem possibilidades de contra atacar e que paulatinamente se vão debilitando.
No dia 5 de Novembro tinham partido de La Habana vários aviões Bristol Britânnia de Cubana Aviação transportando várias unidades das nossas tropas de elite das tropas especiais de assalto com o fim de reforçar a direcção norte e poder fixar o inimigo nessa frente. Simultaneamente, no próprio dia 6 ordena-se aos oficiais cubanos da Força Aérea tomar o aeroporto civil de Luanda para garantir a chegada e o desembarque das nossas tropas de elite. Ao anoitecer desse mesmo dia, o coronel Jaime Arvher conjuntamente com os oficiais da Força Aérea mais uma companhia das FAPLAS composta por 95 homens, penetram com vários transportadores blindados BTR-60 no aeroporto civil e o tomam.
Às 21.00 hora local aterrou o primeiro Britannia tripulado pelo capitão Wilfredo Pérez e dirigiu-se ao lugar que lhe indicou a torre de controle. Esta última tinha sido também tomada pelo piloto Francisco Cuza para garantir a aterragem e a posterior direcção da aeronave em terra. Minutos mais tarde aterraram o resto dos aviões.
As tropas recém chegadas dirigiram-se ao aquartelamento do Grafanil na periferia da cidade o qual já tinha sido entregue pelos portugueses aos cubanos, vestiram os seus uniformes de campanha e partiram directamente para a frente.
No dia seguinte, 7 de Novembro, chega a Ponta Negra no Congo Brazzaville um barco soviético transportando grande quantidade de armamento e entre ele várias baterias de artilharia reactiva BM-21. Cinco destas máquinas com os seus módulos de projécteis foram transbordadas para o barco cubano "La Plata", o qual as conduziu directamente para o porto de Luanda. Depois de desembarcadas foram montadas no lugar durante a noite de 8 e levadas ocultadamente para a direcção perigosamente ameaçada de Quifangondo.
Na frente sul a situação não podia ser mais desalentadora e preocupante. As colunas da UNITA apoiadas pelos blindados sul-africanos, que em 23 de Outubro tinham iniciado a sua rápida ofensiva para o norte, chocam dias mais tarde com os instrutores cubanos do centro de treino militar Nr.2 de Benguela, cercam esta cidade e o porto do Lobito e marcham aceleradamente para a capital pelas estradas que bordeiam a costa atlântica.
*(Continua) Ex-general cubano, que combateu em Angola



Ainda existem defensores das nossas tradições. Alambamento continua vivo na cultura angolana


No dia 25 de Junho de 2011, no bairro Maculusso, em Luanda, realizou-se uma cerimónia revestida de um precioso simbolismo: duas famílias angolanas viram reduzir as suas distâncias com o alambamento dos respectivos filhos. De um lado Dilambda Tonet e do outro, Universindo Gonçalves.

William Tonet, que educou os filhos no marco da assumpção Bantu e cultura angolana, mostrou no alambamento desta sua segunda filha que para ele o denominado pedido, não tem a mesma força, que a celebração tradicional.

António Setas & Félix Miranda

Muito bem. Chegamos neste evento, é verdade, a um ponto de referência obrigatório da Cultura angolana. Mas não vamos, por tanto ou por tão-pouco, entrar agora num despique entre o tradicional e o seu substituto moderno, numa querela do tipo que assalta o mistério do sexo dos anjos.

A diferença está na mentalidade das pessoas…

Portanto, dizíamos, Dilambda Tonet foi pedida oficialmente em casamento, não pelos moldes e métodos vulgares do bem denominado vulgo “Pedido”, reconhecido pela ribalta da modernidade cultural e, sobretudo, analógica, angolana, mas por outras vias mais consentâneas com a esquecida angolanidade que uma minoria pretende preservar da erosão do tempo que passa.

Neste caso muito particular, a família de Dila enveredou pelo rigor e referências peculiares dos tempos de antanho e outros quejandos culturais, cuidadosamente resguardados das intempéries conjunturais pelo Clã Tonet, que no seu seio, consensualmente, exigiu o “Alambamento”.

Foi o que aconteceu no pretérito dia 25 de Junho, como referido supra, na pitoresca vivenda familiar de William Tonet.

No início da tarde os anfitriões entreolhavam-se e desdobravam-se em arranjos de detalhes da sala onde se tinham reunido os restantes parentes, sala essa que, na magia do momento, se transformou em átrio tradicional de outros tempos, palco privilegiado dos ondjangos.

Os familiares de Dila aproveitaram o tempo que se arrastava para aprimorar os rituais da cerimónia, envolvidos de nervosismo e expectantes, sabedores de que a tradição não perdoa deslizes que porventura pudessem ameaçar a honra da palavra dada ante a família do alembador Universindo Gonçalves.

A Festa Grande
À entrada, disposto em alas, um grupo de interpretes de música tradicional, vestidos como mandam as regras do antigamente, exibindo alguns talentos dos desconhecidos impulsos dos nossos dentros, que tanto nos podem atarantar, receberam os convidados.

Com um atraso de cerca de duas horas e quinze minutos - o que valeu a penalização da praxe - a família do pretendente finalmente chegou trazendo os dotes requeridos.

Inicialmente, o pai do pretendente pediu desculpas pelo atraso, comprometendo-se a pagar a respectiva multa, como é da praxe. De seguida um tio mais velho, procedeu a entrega da Carta de Alambamento a Pedro Tonet, tio do pai de Dila, contendo no seu interior, a quantia de 50 mil kwanzas.

Após a leitura do conteúdo da carta pelo avó da alambada, fez-se a entrega da encomenda constante da lista que foi submetida, ou seja,

Dois Crucifixos
Uma Bíblia
Duas Panelas de barro
Dois casais de galinhas do mato brancas
Dois conjuntos de panos do Congo
Um Pano branco
Duas Panelas de barro
Dois cabritos
Kissangua
Cerveja
Gasosa
Bebidas espirituosas
Fuba de milho
Fuba de bombo
Peixe-seco
Batata doce
Mandioca
Banana pão

Posteriormente à apresentação dos dotes, o tio Makuta Nkondo, criticou a omissão na lista do pai da alambada, do fato para o progenitor, lenços de cabeça para a tia e avó e respectivas chinelas, o cordão de ouro, o Maruvo, a sagrada Cola e o Gingibre, elementos indispensáveis para consagrar o quinhão da "oferenda", sem culpas para os visitantes, pois estes últimos elementos não faziam parte da lista submetida.

Na sequência, pediu-se que a pretendida deixasse o esconderijo e fosse então prestar o juramento de concordância e aliança para o que der e vier até ao casamento em companhia de Universindo. E vice-versa. Como noutras cerimónias do género, Dilambda surgiu coberta em companhia de uma irmã para testar se Universindo, às cegas faria a escolha certa; o que foi abençoado. Bom começo!

Trajando um vestido africano, com missangas nos pés e mãos e descalça, a alambada passou a beijar um a um os familiares do seu futuro companheiro. Com o gesto, jamais poderá tratar por senhor ou senhora fulana, a mãe, pai ou tia contrária, mas como de seus pais e tios se tratassem.
-“Assumo que a partir deste momento, tenho dois pais, mães, tias, etc”, jura a alambada, seguindo a intervenção de um seu avó, que lhe pergunta:
-“Tem a certeza que é mesmo esse o moço, que você quer?
- “Sim avó…
- Estás segura que ainda o amas e é com ele que queres mesmo ficar?
- Estou sim, avó…
Seguem-se as mesmas perguntas ao alambador.
Acto contínuo, Dila é convidada a inspeccionar as oferendas e só depois os familiares a podem retirar e comer.

Não tardou depois da colocação do anel, o entoar da serenata de piadas e os conselhos culturais tradicionais, por tios e tias que se sucederem após a intervenção do pai da Dila, na presença de proeminentes convidados, na sua maioria idosos e idosas, cuja experiência e maturidade não se pode pôr à prova.

E logo seguiu-se a subida ao “Salão de Cristo”, onde as famílias iriam selar a primeira refeição em conjunto, ao som dos batuques, da marimba e do quisanji.

E eis que aqui, surge mais uma surpresa do cerimonial; Dila Tonet, surge vestida de missangas e saia de sarapilheira, na coreografia de uma dança tradicional, como sinal de estar preparada para se deslocar ao mato, visitando, os familiares do seu companheiro e não só, ao mesmo tempo que se relaciona nas cidades com outras gentes e culturas.

Foi lindo de ver.
Questionado o pai da alambada, sobre as razões desta cerimónia, sendo ele uma figura pública de referência disse: “não sou complexado, assimilado, nem luso-tropicalista, logo, orgulho-me de ser Bantu e defensor ferrenho da cultura, tradição e costumes angolanos”.

O jornalista questionou ainda WT, sobre o significado da filha ter dançado de trajes africanos, mais uma vez, no “Salão de Cristo, quando na sala debaixo já se tinha apresentado, ao que em tom irónico respondeu: “Ela tinha de mostrar a família do alambador, que não apertou a barriga, portanto, está vazia e, depois que sabe mexer”, e que sobre este assunto todos estarem entendidos”, disse em tom de brincadeira entre risos e gargalhadas.

Neste entretanto, comentou-se a distinção que se objectou fazer com as cerimónias do “Pedido”, em que na presente circunstância o tradicional fica mais vincado, caracterizado pelos elementos que fazem parte dos dotes, como os cabritos, as galinhas do mato, a Bíblia e os rituais específicos.

Tanto que antes de os alambados dançarem o pai abre o salão com a filha, entregando-a posteriormente, ao futuro genro, com a recomendação de não baixar a guarda ao seu dever de vigilância, enquanto progenitor, que ama os seus filhos.

Bonito.
A pontos de vir à nossa mente o seguinte pensamento: será que a eufórica corrida para o progresso, alienante, vale a pena?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O REGRESSO EM FORÇA DO MARXISMO-LENINISMO


Gil Gonçalves
Enquanto existir um ditador, os jornalistas e a democracia submergem.
A nova Constituição C prevê eleições?!
ÚLTIMA HORA. A EPAL, a empresa que abastece (?) Luanda de água, informa que garante o abastecimento nesta quadra festiva.
ZORRO aterroriza no Cacuaco, arredores de Luanda. Mascarado tal e qual como a personagem, excepto na arma que é uma AK, Zorro já liquidou três habitantes. Promete que só pára quando liquidar 50 mulheres e 50 homens.
A escravidão e o colonialismo ainda não acabaram. Escravos angolanos! A EDEL deseja-lhes um feliz Natal perene de escuridão. E o nosso partido de vanguarda enaltece-nos: ó escravos do marxismo-leninismo, feliz Natal e um próspero Homem Novo.
O saque de Angola continua sob o disfarce das forças progressistas e marxistas-leninistas.
São cerca de vinte e três horas. No largo circundante ouvem-se lamentos, gritos, ameaças de uma jovem: «Seus chineses de merda, já vão ver o que é uma prostituta» e desenreda a sua odisseia do oportunismo carnal da jovem angolana. «Fiz-lhes tudo o que quiseram, (e enumera pormenorizadamente) agora paguem-me, quero já o meu dinheiro. Este é o meu trabalho, o único que o MPLA me garante. Quero já o meu dinheiro. Senão vão ver o que lhes acontece.» Decerto os chineses não apreciaram o funji carnal da gostosa beldade, genuína carne de gazela angolana. Pessoalmente duvido muito. Eles, e a outra igualha vêm imbuídos do espírito de superioridade do novo colonizador, de quem aqui chega e acha que tudo é um alvo fácil. Os chineses envergonharam-se e pagaram à pobre prostituta. Talvez agora depois do VI Congresso do MPLA as coisas mudem… quem sabe. Mas ninguém sabe… sabe sim! Tudo vai descambar, africanizar. zimbabuear.
Entretanto os cortes revolucionários da energia eléctrica marxista-leninista em Luanda prosseguem no nosso biorritmo. A nossa revolução contempla-nos com majestosos, gloriosos cortes de energia eléctrica todos os diabólicos dias. São cortes extraordinários, revolucionários. São os sacrifícios da opção marxista-leninista. É a imolação, a evolução da nossa gloriosa revolução. O importante é o nosso Politburo funcionar o resto é para liquidar, população incluída, não é para olvidar. Os estragos continuados da nossa digna opção marxista-leninista continuarão. As nossas forças vigiam e estão preparadas para rechaçar qualquer golpe contra-revolucionário do inimigo imperialista. Com o marxismo-leninismo seremos invencíveis. Os nossos, poucos, únicos líderes iluminados garantem a continuação da nossa luta. Ela dominará no Céu e na Terra. Não existirão forças capazes de se oporem aos nossos desígnios. O nosso marxismo-leninismo fortalece-se a cada momento. Não dorme, não come, sempre desperto, atento, porque o imperialismo nunca desarma. Quer-nos forçar ao regresso da escravidão, ao despojo das nossas riquezas. Tudo e todos em Angola são pertença do nosso partido – o inesquecível, o inquebrantável o invencível MPLA – e apenas dos membros da cúpula do Politburo. Não, não é para mais ninguém. Para a população continuamos a garantir-lhe a fome, o colonialismo e a escravidão. Os cortes de energia eléctrica continuarão sem apelação porque assim o exige a nossa estrondosa revolução. E das cinzas nascerá o tal nosso novo homem electrocutado. O marxismo-leninismo ensina-nos que exterminaremos a energia eléctrica. E provaremos ao mundo a força do marxismo-leninismo sem energia. Que vivam para sempre os ensinamentos do marxismo-leninismo.
E os investidores estrangeiros continuam na mesma… cada vez piores. Não entendem nada de África e muito menos de Angola. Sempre com a mesma filosofia da miséria e espoliação das populações. Como muito facilmente se vê pela pobreza dos textos que parecem naturalmente encomendados. Pois… o principal investimento que deve ser feito em Angola é o combate à corrupção. Sem isso nada adianta, fica o apenas vêm para aqui para especularem no compadrio da FAMÍLIA angolana. E criar, apoiar mais desestabilização e violência sociais, o que já é um facto muito incerto. A miséria das populações já é insustentável. E a energia eléctrica… simplesmente não existe. É para angolano ver e estrangeiro ludibriar. São geradores eléctricos que geram napalm por todo o lado. E assim nunca se foi nem se vai para lado nenhum. Não se pode viver continuamente de mentiras. Para bem investir em Angola aconselho-lhes a leitura de L’Afrique Noire Est Mal Partie de René Dumont, Éditions Du Seuil. Cultura Tradicional Bantu, de PE. Raul Ruiz de Asúa Altuna, Edições Paulinas. E também Albert Camus sobre a Argélia. Depois podem investir à vontade. Evidentemente que nenhum aventureiro perde tempo com leituras. A ortodoxia marxista-leninista do MPLA conduzirá inevitavelmente Angola a outro conflito bélico e a mais outra irreparável destruição. É demagogia elementar utilizar as mudanças climáticas para justificar a pobreza das populações. Os únicos responsáveis pela hecatombe climática e pobreza mundial são os bancos da governação.
«A linha de argumentação respectiva é o de que um combate efectivo à corrupção poderia vir a ter consequências desagregadoras para regime devido à intensidade que o fenómeno assumiu e a particularidades como as seguintes:
a) lealdade ao regime compreende práticas toleradas de corrupção em proveito de indivíduos e grupos que constituem os seus elementos de equilíbrio;
b) o clima de rivalidades e invejas existentes entre os referidos grupos tenderia a exacerbar-se e a afectar a coesão interna do regime por mero efeito de uma redução da acumulação privada.» In http://www.club-k-angola.com/
Energia eléctrica (?). Desde que os chineses estão com a energia eléctrica é inconcebível o que acontece. Os chineses sabem o que fazem? Ou desviaram-na para o CAN? Assim não dá. Correram com os brancos mas continuam escravos deles. São coisas do marxismo-leninismo.
O marxismo-leninismo vencerá! A marcha até à vitória final do marxismo-leninismo ainda se alonga, mas sob a sábia direcção do nosso Timoneiro, Líder, Arquitecto, Pai, Chefe, Deus, etc, etc, o nosso povo alcançará a liberdade, o pão, o trabalho e a felicidade. O nosso povo é heróico e generoso, sofredor. Apesar de quase há cinquenta anos outra vez escravizado, não será de mais esperar outros cinquenta até ao culminar da grande marcha do glorioso marxismo-leninismo. Sofrer agora para obter a gloria eterna depois. O nosso povo será finalmente livre. Sob a sábia direcção do nosso Guia Eterno, da nossa bandeira e do nosso Hino, o MPLA já deu muitas e muitas vitórias ao nosso povo. Muitos e muitos cortes de energia eléctrica e muita e muita mais miséria vos esperam. Mas com o MPLA tudo se ultrapassará. O MPLA é a vanguarda da classe operária e camponesa. Um só partido, um só marxismo-leninismo. Camaradas! O marxismo-leninismo vencerá! Que vivam para sempre os sábios ensinamentos do nosso Aviador.
Isto está bom demais para os portugueses, luso-angolanos e angolanos de ocasião que retornam, outra vez rapidamente e em força. Dantes eram anti-marxistas, agora são comunistas comodistas.
Duas crianças angolanas alheadas destas jogadas colonialistas jogam no computador. Uma exclama vitoriosa: «Um tiro no navio de guerra Angola!» Diz a outra eufórica: «Está a afundar-se rapidamente?!» e a outra meio desconfiada «Está mesmo?!»
Os investimentos marxistas-leninistas devem canalizar-se para a energia eléctrica, e não para os estádios e edifícios do luxo da espoliação, onde abundam as conferências dos nababos. Sem isto a miséria de Angola continuará na mesma palhaçada dos habituais discursos nacionais e internacionais. É que sem energia eléctrica não é possível qualquer desenvolvimento. A FAMÍLIA parece não ter noção do que é um investimento. Para quê construir sem electricidade? Justifica-se pela corrupção que alimenta os nascentes senhores dos escravos.
Entretanto o Governo (?) de Angola insiste nas suas duas actividades principais: construir estádios de futebol e destruir milhares de casas dos espoliados dos dividendos petrolíferos, para empregar os falidos das quadrilhas imobiliárias internacionais.
Se as terras são do Estado e nós lá estamos em cima delas, não é’! E o Estado pelo que se vê espolia-nos das terras dele, deles, então este Estado não nos dá qualquer garantia de futuro. Eu nunca investirei nada, não. Porque este Estado depois vai-me espoliar, roubar, vigarizar.
Aliás o Marxismo-leninismo apregoa-se oficialmente: «Isto é tudo do Estado!» Convicção dos fiscais do GPL-Governo da Província de Luanda, na habitual espoliação das proletárias e proletários nas ruas. Senhor PR, isto está tudo descontrolado. Vê-se o início do um contra todos e todos contra um.
O poder popular do MPLA insiste-se, continua-se. O MPLA não consegue despir a anarquia do marxismo-leninismo. O Mpla é um vírus da família Ebola. Só se extingue quando já não existir nenhum angolano vivo. Na realidade, na verdade, se analisarmos profundamente a cultura angolana, veremos que actualmente o MPLA não lhe tem nada. Absolutamente nada que o identifique com a cultura Ngola. A única coisa que o identifica de facto é a do invasor. O MPLA é presentemente o colonizador, a força de ocupação estrangeira em Angola, um espoliador. Uma obra-prima do marxismo-leninismo. É o discurso ultra marxista-leninista no melhor estilo de Fidel Castro. Infelizmente não somos cubanos.
Sem dúvida! Há homens que nascem superdotados. O nosso Presidente da República merece o título honoris causa de: «O nosso Obama angolano». Mas que discursos, mas que inspiração.
E o nosso marxismo-leninismo antes de melhorar vai piorar. Quando o Soberano alterar a sua Constituição C, então sim! Teremos de facto e de jure outro Zimbabué. E então seguiremos maravilhados com a nova religião imposta – como todas – do marxismo-neocolonialismo. A meia dúzia dos seguidores coloniais vai então livre de obstáculos acabar com o que resta dos esfomeados. Finalmente livres para a especulação imobiliária que é o melhor, o mais fácil caminho para ganharem dinheiro sem trabalharem.
É também o regresso ao estalinismo e nazismo. Vêm aí outra vez o terror político bolchevique. Já se esqueceram dos tempos em que existia o tal ministério da segurança do Estado?! Quem não sabe ou não se lembra?! Pois… acaba de chegar, renovar para a aniquilação da oposição. Recomeçam as prisões sumárias e os assassinatos?! Às iniciativas actuais da oposição o regime responde com a aniquilação. Este regime soçobra reforçando a repressão. O comboio das trevas antes de descarrilar definitivamente arrasta, devora tudo à sua passagem e paragem na estação final. A sua extinção. Esta luta de libertação é a continuação de outra atroz escravidão.
upanixade@gmail.com




domingo, 3 de julho de 2011

Jornalista destapa nova faceta do Semanário Angolense. Ilídio Manuel contratado por fantasmas, ataca WT


Na sua edição, 422, ano VII do dia 25 de Junho de 2011, o Semanário Angolense, estranhamente, publicou um artigo assinado por um novo ponta de lança da imprensa escrita, Ilídio Manuel, que, numa jogada preparada, corajosamente tomou uma dica por verdade de evangelho e decidiu propagá-la por lhe parecer que tal iniciativa seria uma mais-valia não só para a sua pessoa, mas também para o órgão de imprensa que o admitiu ao seu serviço, gerido, diga-se de passagem, por fantasmagóricas personagens da elite castrense.

Mas não era mais-valia, pelo contrário, foi um erro ter feito confiança à fonte da notícia veiculada, eventualidade a que não escapa nenhum órgão de imprensa, inclusive o F8.

A alegada notícia tinha tudo, absolutamente tudo que define perseguição, calúnia e, tal como outros órgãos de imprensa ligados à elite castrenses, propósitos inconfessos.

António Setas

Infelizmente não podemos saudar esse acto denunciador de grande entusiasmo juvenil, pois lamentamos a precipitação do jornalista sénior, que, na sua vontade de bem-fazer, meteu não um pé, mas os dois pés na poça.

De facto, é de A até Z que o seu artigo sofre de entorses irreversíveis causados pela ingénua confiança dada a uma fonte, que, essa, não era os pés que tinha metido na poça, tinha-se metido nela até ao pescoço e fazia sinais para irem ter com ela.

Tudo o que esse senhor escreveu é uma espécie de espetada de alegações vazias de significado por estarem condimentadas com argumentos jurídicos inaplicáveis aos factos em análise.

Mas, o que escreveu então o nosso colega de profissão?

Baseando-se nas dicas que, maldosamente, lhe segredou a sua fonte, repetiu o que dela ouviu e saiu bojarda. Afirmou que William Tonet era considerado «ainda um advogado estagiário e como tal não tinha legitimidade para abrir um escritório próprio (de advogados)».

Nisto, sacudiu a água do seu capote, insinuando que a condição de advogado estagiário tinha sido bem vincada no comunicado que a Ordem dos Advogados de Angola (OAA) emitiu na semana passada (hoje, antepassada) sobre o envolvimento de William Tonet no chamado «caso Quim Ribeiro».

Bem visto, o que não impede que, por mais que essa ordem de ideias seja da OAA, a realidade nada ou muito pouco tenha a ver com isso! Mas continuemos antes de abordar esse aspecto da questão.

Insistindo no pseudo-facto de WT ser um advogado estagiário, o nosso confrade orienta o seu enfoque para o lamentável deslize do director do F8, pois «o advogado estagiário (WT) deve identificar-se sempre nessa qualidade quando se apresente ou intervenha em qualquer acto de natureza profissional, e durante o primeiro período de estágio, ele não pode praticar actos próprios das profissões de advogados ou de solicitador judicial, senão em causa própria ou de conjugue, ascendente ou descendente».

Aqui chegados já estamos nos limiares da intrujice, pois sugere-se que WT se fez de competente quando não o era… «E adiciona (a fonte do articulista), durante o segundo período de estágio, ele pode exercer quaisquer actos da competência dos solicitadores e, bem assim, exercer a advocacia em qualquer processo por nomeação oficiosa (…)», quer dizer, pode exercer a advocacia um pouco por favor concedido pelo regulamento.

Continuando a verter em subtis doses o seu veneno, o referido ponta de lança do S.A, cita ainda a sua fonte: « (…) o advogado estagiário é notificado, através do escritório do seu patrono. Para intervir na assistência judiciária, nos termos da alínea c) do artigo 7º do Decreto-Lei nº15/95, de 10 de Novembro «. « Daí se infere que ele não pode ter escritório próprio enquanto estagiário».

Como se assim falasse Zaratrusta! “Pega lá, qué prá prenderes”!

Pena é tudo isto ser tão falso como brilhante, pois o que acontece é um pouco uma repetição da cena, tantas vezes contada pelos mais velhos, de «Os cães ladram e a caravana passa».

Pois é, William Tonet advogou a partir de contrato passado pelo seu gabinete e vai continuar a advogar, porque não é estagiário há muito tempo, depois de ter concluído o seu estágio e apresentado a requisitada dissertação sobre ética e deontologia, facto indesmentível do qual, portanto, se pode inferir que a calinada do escriba que temos vindo a citar muito se assemelha a um erro de agulha, devido, seja a uma grande dose de ingenuidade, ou então, o que é muito pior, a um acto imbuído de boa dose de maldade.

Sim, maldade, pois o nosso colega de profissão, Ilídio Manuel, não se coibiu, paralelamente a estas canhotas incursões na ciência jurídica, de alardear a sua propensão para a fofoca, tão fértil nas novelas brasileiras, ao aventar uma possível querela entre William Tonet e David Mendes, “o seu patrono”, ao qual, segundo ele e a moral propagada nas referidas novelas, o “aprendiz” deve sempre fidelidade canina até à morte, mesmo no caso de ser, ao mesmo tempo e em despeito de todas as “outras morais”, amante da sua esposa. Aliás, a esse respeito o próprio Dr. David Mendes se encarregará de difundir o seu sincero desmentido.

Quanto ao outro aspecto da questão, a das farpas endereçadas a WT, carregadas pela palavra “estagiário”, é bom que se saiba que o director do F8 endereçou à OAA uma missiva redibitória, que será objecto de análise e considerações a redimir em foro próprio.

Moçambique. LAM desmente com veemência que não tenha havido “nada para comer e beber” durante voo para Lisboa


A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) desmentiu no dia 29.06 veementemente que não tenha servido refeições e bebidas durante o voo do dia 28.06a última noite para Lisboa, em avião fretado que transportava passageiros que estiveram retidos em Maputo vinte e quatro horas.
“É totalmente mentira, nem se compreenderia como não se serviriam refeições durante um voo de cerca de 11 horas de duração”, perguntou Adam Yussuf, porta-voz da empresa.
“Durante o lamentável incidente, a LAM instalou os passageiros em hotéis de quatro e cinco estrelas, assumiu as despesas com as respetivas refeições e, obviamente, durante o voo foram servidas refeições, tendo, a nível excecional, sido oferecidas bebidas gratuitas aos passageiros em económica”, acrescentou.
À chegada ao aeroporto da Portela, um passageiro, que se identificou, lamentou, que a companhia não tenha dado “qualquer informação aos passageiros” e que durante o voo não tenha havido “nada para comer ou beber”.
À partida de Maputo, um passageiro disse que a LAM tinha colocado comida e bebidas no aeroporto à disposição dos passageiros que tinham ficado retidos na capital moçambicana.
O voo TM 706 das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), mas operado pela portuguesa Euro Atlantic Airways, devia ter partido na noite do dia 24.06a, mas foi suspenso depois de a aeronave ter sofrido uma avaria provocada por um embate com um veículo de transporte de carga.

Guiné-Bissau. Banco BAO vai gerir fundo de pensões militares - Governo


O Banco da África Ocidental (BAO) foi escolhido para gerir o fundo de pensões militares na Guiné-Bissau e deverá começar a fazer os primeiros pagamentos em setembro, disse no dia 29.06 o ministro da Defesa guineense, Aristides Ocante da Silva, durante a sua alocução no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque, sobre a situação na Guiné-Bissau, em que apresentou a reforma do aparelho militar, que tem sido fonte de instabilidade recente no país.
Sublinhando a "desadequação" da dimensão e das caraterísticas das forças de segurança guineenses, Ocante da Silva apontou o facto de, atualmente, 70 por cento dos efetivos serem oficiais e apenas 30 por cento soldados, enquanto a renovação de fileiras é “insuficiente devido à não aplicação da Lei do Serviço Militar Obrigatório".
"A reforma do setor de defesa e segurança impunha-se e permitiu até agora alcançar algumas alterações positivas e progressos”, disse o governante guineense.
Ocante da Silva apontou os últimos desenvolvimentos a nível legislativo, a aprovação do Plano Operacional de Reforma do setor e a contribuição financeira do Fundo da ONU para a Consolidação da Paz para a reforma, além da criação da Guarda Nacional e de esquadras de polícia modelo.
O governo guineense escolheu o BAO “para gerir o fundo de pensões”, cujas verbas serão aplicadas na reforma, na reinserção e na reintegração de elementos das forças de segurança, bem como no rejuvenescimento e profissionalização das mesmas.
“Os pagamentos iniciais ainda não foram totalmente determinados, mas devem acontecer em setembro”, adiantou.
Ocante da Silva afirmou que o objetivo é a reforma de 1.320 militares, até 2015, e que o governo vai inspirar-se na experiência de Timor-Leste.
Para tal, em agosto será enviada uma delegação militar a Díli, encabeçada pelo ministro, que irá assistir à cerimónia de desmobilização de antigos guerrilheiros, referiu.
Segundo o ministro guineense, os pagamentos do fundo de pensões atingirão os cem por cento do atual vencimento dos primeiros militares abrangidos e entre 60 por cento e cem por cento nos restantes.
Nesta base, afirmou, o custo do Fundo será reavaliado até 15 de julho.
Ocante da Silva sublinhou o “caráter estratégico” do Fundo para a reforma e que terá consequências diretas “muito positivas” nas contas públicas, através da redução da massa salarial, e também para a imagem dos militares no país.
O ministro guineense comunicou à configuração guineense da Comissão para a Consolidação da Paz, na reunião em Nova Iorque, que o governo vai financiar o Fundo em mais de 4,5 milhões de dólares (3,1 milhões de euros).
Mas, sublinhou, a Guiné-Bissau precisa de “um forte apoio da comunidade internacional” também para a sua política de desenvolvimento e conta organizar no final do ano uma conferência internacional de doadores.
Após o "briefing" e consultas, o Conselho de Segurança aprovou uma declaração de apoio ao plano de reforma militar CPLP-CEDEAO (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa/Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), sublinhando a necessidade de tornar operacional o Fundo de Pensões para os militares, “aspeto chave” da reforma.
A declaração pediu ainda contributos dos parceiros internacionais para o Fundo e às autoridades guineenses que assegurem "a sustentabilidade a longo prazo" deste mecanismo financeiro.
Os países-membros do Conselho de Segurança pediram, contudo, às autoridades de Bissau para se esforçarem mais para levar a tribunal os responsáveis por assassínios políticos e narcotráfico.

Transferência para tribunal militar do caso de assassínios é um “revés”
A transferência para os tribunais militares do caso dos assassínios políticos de 2009 na Guiné-Bissau é um “revés” para a investigação, criticou o chefe do gabinete da ONU no país (UNIOGBIS). “Esta decisão foi vista pela maioria dos observadores internacionais como uma tentativa de contrariar as resoluções do Conselho de Segurança, uma vez que a equipa de investigação não tinha esgotado todos os caminhos para entrevistar algumas testemunhas”, disse Joseph Mutaboba, líder da UNIOGBIS
Num briefing ao Conselho de Segurança, em Nova Iorque, Mutaboba lembrou que o governo se comprometeu em conferências internacionais a assegurar “investigações credíveis e transparentes aos assassínios políticos de março e junho 2009”.
“Infelizmente”, e apesar dos contactos permanentes, para “assegurar um processo de investigação conforme as resoluções do Conselho de Segurança”, entre a comunidade internacional e o procurador público guineense, este decidiu-se pela transferência do caso para os tribunais militares.
“Esta decisão constitui um revés, dado os sérios desafios colocados à ordem constitucional pelos militares nos anos recentes e as preocupações de independência e capacidade dos militares para lidar com este processo de maneira credível”, disse Mutaboba.
No seu último relatório ao Conselho de Segurança sobre os mais recentes desenvolvimentos na Guiné-Bissau e UNIOGBIS, o secretário-geral das Nações Unidas afirma ser “crítico para as autoridades nacionais cumprirem cabalmente as prioridades estabelecidas na resolução do Conselho de Segurança 1949 (de 2010) e concluírem investigações independentes e transparentes aos assassínios de 2009”.
Considera positivo o envio para o terreno de dois peritos forenses do governo brasileiro para apoiar as investigações em curso, o apoio à reabilitação de infraestruturas policiais, e o programa de proteção de testemunhas e pessoas de interesse estabelecido pelos Estados Unidos.
Dando conta de melhorias na situação de segurança e política, Mutaboba afirmou que as reformas sócio-económicas “não estão a ser sustentadas por outras reformas chave, notavelmente nos setores de Defesa e Justiça”.
“Sem reforma na Justiça, vamos ter sempre problemas. Sem um sistema de Justiça que funcione bem não podemos ter investigações apropriadas”, defendeu.

Grécia. País parcialmente parado por greve, imprensa saúda apoio de Paris


A imprensa da Grécia saudou a iniciativa de Paris de contribuir para o segundo plano de resgate ao país, que está parcialmente parado devido ao início de greves gerais.
Em Atenas, e ao contrário do metro, os transportes públicos não estão a funcionar e as ruas estão relativamente vazias porque muitas pessoas decidiram não ir trabalhar devido à convocação da greve geral deste ano, convocada pelos dois grandes sindicatos gregos, o GSEE, representativo dos assalariados do setor privado, e o ADEDY, representativo do setor público.
Os grevistas, essencialmente funcionários públicos, protestam contra o plano de austeridade 2012-2015, que foi votado no dia 29.06, no Parlamento.
Este plano, que prevê novos sacrifícios, permitirá que a Grécia, à beira da bancarrota, receba uma nova ajuda financeira dos parceiros e credores.
Além do aumento de impostos e de taxas, o plano também deverá permitir a supressão de postos de trabalho na função pública.
No setor da aviação civil, numerosos voos internos das duas companhias gregas, AEGEAN e OLYNPIC AIR, foram anulados devido à adesão à greve dos controladores aéreos.
No Pireu, o porto situado perto de Atenas, cerca de 200 militantes do sindicato comunista grego PAME impediram os barcos de partir no 29.06.

Entretanto, dois diários gregos saúdam a iniciativa dos bancos franceses de contribuírem para o novo plano de ajuda à Grécia, que consistirá na renovação por 30 anos de metade dos créditos privados concedidos para dar tempo a Atenas.