quarta-feira, 1 de junho de 2011

O Pregador da fome (fim)


Gil Gonçalves
O esfomeado sai nu do ventre da sua mãe, e assim continuará. Assim como veio, assim irá. O único proveito que teve na vida foi observar os seus ossos sem carne. Comeu a fome das trevas, e padeceu muitas enfermidades. Morreu tuberculoso fora do hospital porque eram tantos, tantos tuberculosos que não havia lugar para mais ninguém. Eis uma coisa bela que vi: eles, os petrolíferos a comerem e a beberem sem se cansarem todos os dias da sua vida. Esta é a porção que lhes resta. O petróleo deu-lhes riqueza e fazenda e poder para deles comerem. A nós resta-nos a fome. Porque nunca se lembrarão dos dias da nossa vida.
Um bom rei que se preze abandona o povo à sua sorte.
Há um mal que tenho visto e é frequente entre os escravocratas. Um rei desumano a quem o petróleo deu riquezas, e nada lhe falta. O petróleo não deixa mais ninguém daí comer. E pelo andar das coisas gerará mais cem filhos e viverá muitos anos. E na sepultura para onde vai leva o dinheiro para lhe ser útil na encomendação da sua alma. Mesmo nas trevas para onde vai ninguém jazerá em paz. Não verá mais o sol, mesmo assim nunca eternizaremos. O esfomeado ficará ainda mais nu, não saberá como veio e como irá. As enfermidades desesperam como violentos terramotos. A tuberculose estabeleceu-se, é epidemia. Só haverá alimentação nas trevas. Nem com a morte haverá paz. Uma coisa iguala os novos-ricos e os que passam fome. No dia da morte o coração pára. Vão todos para o mesmo ossário.
Os que conseguem trabalho alimentam as bocas dos novos-ricos, e mesmo assim eles não se contentam. Porque, que mais tem o rico que o pobre? O rico tem o poder de espalhar a fome. O pobre tem o poder de se acorrentar. Até os olhos do rico tem poder. Basta um olhar e tudo se transforma em petróleo. São sempre os mesmos nomeados, e com eles não podemos contender. Sendo certo que têm muitas coisas para aumentarem a maldade. Isto é o que têm de melhor. Só eles sabem o que é bom para nós. Nem merecemos a regalia de descansar nas suas sombras.
As vantagens do sofrimento da fome… uma paciência, sapiência eterna
Melhor é a fama do rico, do que o valor de qualquer pobre. Melhor é a morte do que o nascimento de um esfomeado. Entre a casa de um faminto e a casa do rico onde há luto, melhor é ir a esta, porque sempre se come alguma coisa. Melhor é a riqueza do que a pobreza, assim pensa o famélico. Na casa do rico onde há luto, está lá o coração dos outros ricos. É melhor ouvir a repreensão do rico, porque disso depende o futuro do faminto. O riso do pobre é como o crepitar de espinhos debaixo de uma panela com água… se a conseguir (a água). Melhor é o principio de uma riqueza sem fim, do que um coração com muitos princípios. Nunca deixes o teu espírito irar-se na presença de um rico. É a coisa que mais detestam. O rico diz: estes dias são melhores que os passados. Isto revela muita sabedoria. Qual herança!?. Não deixo nada para ninguém. O rico adora a sombra do dinheiro. Nisto reside a sua sabedoria. Atentem para as suas obras. Quem fará melhor que eles? No dia da prosperidade deles tenta encostar-te. Quando celebram o seu aniversário não faltes, pode ser que sejas notado e quem sabe…
Por mais que tentemos não conseguimos derrotá-los. O feitiço deles é muito forte. Nunca sejas justo nem sábio. Os ricos não gostam disso. Serás destruído, destituído no próximo decreto. Viverás mais tempo, se fingires acreditar em tudo o que eles te dizem. Quem teme os ricos é um grande sábio. Devemos dar graças a Deus por tanta sabedoria revelada naqueles que nos governam. Na verdade são os mais justos que apareceram até hoje sobre a terra. Nunca pecaram. Nunca foram amaldiçoados por um servo. E nunca eles amaldiçoaram quem quer que fosse. Quanto mais sábios se tornam, mais a sabedoria se afasta deles. Estão sempre longe e profundos. Alguém os consegue encontrar? Temos sábios a mais. Daí o desencontro das ideias. Uma coisa mais amarga do que a fome, é fugir de noite e de dia das prostitutas, que nos perseguem como o exército mais bem organizado do mundo. Trinta anos gastos para achar as causas da fome. E quando surgem com novos planos, ficamos assustados, porque a fome vai aumentar. Por mais que a nossa alma busque, encontramos sempre o mesmo caminho. Porque não são derrubados? Porque não nos deixam em paz? Queremos que isto acabe depressa. Mas eles não deixam. Têm muitas invenções.
Devemos obedecer às leis imutáveis da fome.
Quem é como o opressor? Quem o consegue interpretar? A falta de sabedoria faz o seu rosto duro. Devemos obediência eterna aos que nos fazem morrer à fome. Devemos obedecer com muita atenção aos mandamentos do rei. Ele faz tudo o que deseja, o que lhe apetece, e tudo nele é infalibilidade. E que ninguém duvide disso. As represálias serão rápidas, ninguém escapará. Só a palavra dele tem poder. Tem o poder absoluto de enviar todos para o inferno da fome. Quem lhe obedecer não sofrerá nenhum mal. Já chega o mal da fome, que mais falta?!
E perguntei a alguns jovens se queriam trabalhar: perguntaram onde. Respondi-lhes que era no campo. Eles não aceitaram, não querem esse tipo de trabalho. Que querem então? Só eles sabem. Os dominadores têm poder sobre o nosso espírito. Decidem quando devemos morrer. Tem poder sobre o dia da nossa morte. As armas da peleja da fome estão com eles. Temos que nos transformar em águias, voar e invadir-lhes os palácios. Têm todo o tempo para nos dominarem. Não sei como o conseguiram: afinal o tempo também está à venda? Conseguiram comprá-lo!? Depois de nos matarem à fome, nem terra nos dão para a sepultura? Somos enterrados em qualquer lado? Com tanta terra à vista? Também isto é a realidade.
O faminto morre lentamente; sem esperança aguarda que a fome cumpra o juízo final
Como o juízo da fome demora tempo, os governantes aproveitam para estudarem as ciências do mal. E os dias se prolongam cem vezes mais: o reino da maldade total foi finalmente edificado. Já não temem nada. Até as suas sombras nos controlam. Tornaram-se grandes cientistas. As obras dos justos são consideradas más. As obras que eles não fazem, são as boas obras. E inventaram uma boa e bela coisa: comer, beber, e alegrar-se. É essa a ocupação principal dos maldosos. Os outros que se lixem. Roubem como nós. Tentem vá! …nem sabem o que os espera. Maldosos! Não descansam, não dormem por causa do dinheiro. Então vi toda a obra deles, que nós não podemos alcançar. Só eles sabem tudo. Quando abrem a boca, o que já não suportamos, temos que fechar os ouvidos, porque as nossas cabeças estoiram. Porque são fulminantes os raios das suas palavras.
As mesmas coisas da fome só sucedem aos justos. Sonhemos com aquilo que o MPLA nos promete e escutemos a única actividade política da oposição submissa… apenas comunicados.
O meu coração palpita porque não consegue entender: que as obras dos justos e dos sábios não estão nas mãos deles. Trocaram o amor pelo ódio. Vê-se facilmente nas suas faces. Toda a desgraça nos acontece. Ainda continuamos sacrificados em nome da revolução. Este é o mal que ainda resiste. Os esfomeados caçam com as mãos. Porque os cazumbis (almas do outro mundo) precisam de morrer. Apenas têm uma consolação: jamais serão recompensados. Deambulam por aí sem memória. São muito barulhentos quando pesquisam nos caixotes do lixo. Perderam o amor, ganharam o ódio e a inveja. Já não há mais esquina que não lhes pertença. Os que nos governam sonham em dominar o Universo. Vai pois e imagina que bebes e comes o pão que nunca terás. Mas quem se agrada das obras dos esfomeados? Nunca em tempo algum terás roupas ou vestidos. Pois se nem comida tens. Como vou amar a minha mulher todos os dias da minha vida? Se a ocupo a pensar no que comerei hoje? Tudo o que apanhar para comer será feito com todas as minhas forças. Porque na sepultura para onde vou comerei as larvas do meu corpo.
Existem apenas três democracias: Branca, Negra e Petrolífera.
Depois de tanto sofrimento nesta economia popular, ainda vou mais no inferno?
A fome é mais útil aos outros do que àquele que a possui
Aqui, o tempo e a sorte não pertencem a todos. Os sábios não têm direito a pão. De repente ou não, o mau tempo está sempre a cair-nos em cima. Em cima deles nunca cai. As redes malignas deles fizeram com que diminuísse o nosso peixe. Sábios aqui, não têm valor. Só é sábio quem tiver muito dinheiro. Nas províncias não há quase ninguém, fogem para a capital. Houve um polícia que levou um tiro nas costas em defesa da pátria. Há oito anos que está imobilizado. Ninguém se lembra, nem quer saber deste pobre homem. Aqui, a força vale mais que a sabedoria. Os sábios são desprezados, não têm valor. As palavras dos tolos são ruidosamente ouvidas. Com tanto barulho as palavras dos sábios não se escutam. As armas de guerra valem mais do que qualquer sabedoria. E um só atirador destrói e espolia os nossos bens.
A loucura da fome causa muitas desgraças
O lixo é tanto e por todo o lado, que até o perfume Coco Chanel número cinco de 1922 desconsegue ludibriar os maus cheiros. Os tolos têm dois corações: um à esquerda e outro à direita. Aqui, os tolos quando abrem caminho à força, gritam que são sábios. Quando alguém incomoda um governador, fica sem lugar. Cometem-se muitos erros e não há ninguém que os assuma. Os ricos e os tolos assentam-se em lugares altos. Os príncipes andam sempre em carros da cor do petróleo. Que brilham graças aos contratados dos diamantes. Os servos quase não têm por onde andar. Quem abre as covas está muito cansado. Os mortos da fome não tem conta. Alguns governantes já levaram chuva de pedras. Não há excelência na sabedoria para dirigir.
As cobras quando mordem alguém ficam envenenadas. As palavras dos tolos devoram-nos. As palavras quando caiem das suas bocas espera-se o pior. Por mais que as multipliquem o fim é sempre o mesmo. Nunca se cansam de falar. Os príncipes comem de manhã, à tarde, à noite. Estão sempre a comer. Os esfomeados lutam para conseguirem um pão. Eles conseguem refazer as forças depois do cansaço da comida. Quem não tem nada para comer, nunca se cansa. Os tectos das casas estão destruídos, a água goteja, ninguém se sente culpado. Passam a vida a fazerem convites para festas. A bebida é demais. O dinheiro acaba depressa. Vida de esfomeado é assim. Eh! Não conheço ninguém que aqui não amaldiçoe os novos-ricos.
Não se perde nenhuma oportunidade para comermos (!) e bebermos. Daí as festas sem fim.
Não tendo pão para lançar sobre as águas, como o acharemos passados dias? Repartir com sete, ou com oito? Não temos comida. Como vamos repartir o que não temos? Quando um esfomeado cai, para o sul ou para o norte, no lugar em que cair ali ficará. Ninguém quer saber. Só nos resta olhar para o vento, porque não temos nada para semear. Queremos lá saber qual o caminho do vento. O que queremos é comida. Pela manhã não posso colher nada. Já disse que não tenho nada para semear. Atroz é a luz da fome, que provoca cegueira. Como podemos ver a luz do sol? Como viveremos muitos anos com a fome? A fome é alegria? Alegra-te jovem com as tuas bebedeiras, e anda pelos caminhos da destruição, de olhos nublados pela bebida. Não consegues remover o mal que está entranhado na tua carne. Quem o removerá?
A fome da mocidade prepara-a para a velhice e morte precoces
Para nós jovens, todos os dias são maus dias. Tudo escureceu. Quero lá saber dos conselhos. O que é que há aí para beber! Ando sempre bêbado. Ninguém quer saber de mim. Todas as portas que conhecia já se fecharam. Quando me embebedo não temo nada. A rua é a minha casa paterna, eterna. Quem se mete comigo, despedaço garrafas e rasgo, corto quem me chatear. Durmo no pó da rua sem espírito. E quanto mais bebo, mais sábio fico.
O dever da população consiste em dar graças pela fome concedida e guardar os seus mandamentos
Por mais que tente, a bebida não me deixa encontrar palavras agradáveis. As palavras da sábia bebida agarram-se a mim de tal modo, que não consigo retirá-las. Falar de livros são coisas inúteis. Prefiro aqueles que ensinam a beber. Uma coisa há que me incomoda muito: ficar sem bebida. Quer seja boa quer seja má, o que interessa é que me faça perder o juízo. Especialmente o vinho a martelo, eternamente importado. Há coisas que são intemporais e a previsão meteorológica diz que virá muita chuva e ventos ciclónicos, disto todos sabemos. E os nossos desgovernos sabem-no? Fingem… são países só com dirigentes, porque povo há muito que não existe. Uma coisa o esfomeado nunca sabe… o que irá comer amanhã?
upanixade@gmail.com

Piratas informáticos ao serviço da ditadura

No meu blogue UNIVERSAL, baralharam de tal modo as imagens nos murais que a coisa estava demasiado acintosa. Um exemplo: um apelo de uma jovem a necessitar de assistência médica com a imagem de uma pistola.
Tive que apagar tudo antes que me surgissem aborrecimentos.
Coisas do estrebuchar da ditadura.
O ambiente está de cortar à faca.

Gil Gonçalves

Algures em Luanda. Treze dias sem energia eléctrica

Treze dias que justificam a incompetência de um acto injustificável. Um cabo queimado aqui, onde o vento faz a curva. Nem se dignaram informar-nos o que se passava. Tratamento de cães é o que amiúde nos dispensam.
Aviso! Não são permitidas manifestações neste reino!
Não conseguem exilar-se da síndroma de 1975, e o seu desejo constante é carregarem-nos para lá, e nos cilindrarem.
Os cabos eléctricos estão podres, não suportam mais os consumos dos prédios de dez e quinze andares da nomenclatura. E ardem, ardem, devoram-se. Esta potência da incompetência é inimaginável.
A água está nas mesmas condições. Primeiro abastece os reservatórios dos prédios da nomenclatura, e como nunca consegue, nada sobra para nós.
Ah! Pobres criaturas do quinto mundo que não se cansam de brincar aos países.



quinta-feira, 19 de maio de 2011

A pasmaceira do Panguila


Dissemos mesmo antes de se ter dado início à extinção do Roque Santeiro que, pelo andar da carruagem ÉME”, cada vez mais atávica, dentro de breve trecho iria começar em Angola uma caça às bruxas, Depois disso, constatamos que não havia engano nas nossas predições, pois já se constataram, entre outros excessos, algumas sangrentas e/ou violentas investidas dos militantes e simpatizantes extremistas do MPLA contra “inimigos da Pátria” (qual Pátria?), de par com toda uma série de crimes destinados a fruir nas calmas de uma impunidade vergonhosa.
Mas, além dessas tristes demonstrações de intolerância e violência primárias, a verdade é que as pessoas que foram recambiadas do mercado do Roque Santeiro para o Panguila estão a sofrer as consequências de mais uma decisão tomada em função de imperativos de investimentos imobiliários, formulada na urgência das exigências dos investidores, em cima do joelho, e executada a toque de caixa.
A situação dos mercadores que aceitaram partir com as suas biquatas para o mercado do Panguila está piorando de dia para dia, pelo que nos foi informado recentemente. Os comerciantes não têm clientes, porque estes não estão para perder quase duas horas no caminho para lá ir compra batatas e cebola e quanto ao resto é o mesmo: um deserto angustiante perante a necessidade de ganhar algum para pôr uma panela ao lume com comida lá dentro. A marcha dos negócios está a frisar uma bancarrota quase geral. Por exemplo, o negócio de roupa de 20 mil por dia para 3 mil; os roboteiros que faziam mais de 2 mil por dia, agora não fazem nem mil; há mais de 100 bancadas vazias porque muitas delas foram abandonadas; os pavilhões de venda de carne estão vazios porque os vendedores abandonaram os locais que tinham alugado. E isto porquê? Porquê!!?... lá temos nós que “voltar à vaca fria”: a urgência dos investidores, senhor. A urgência da ganância! O Panguila abriu portas a mercadores, mas a estrada da vila do Cacuaco ao Panguila ainda estava péssima. Deviam ter feito primeiro a estrada e só depois abrir o mercado, não fizeram ao contrário. E, repetimos, para ir da cidade ao mercado são mais de duas horas. Vá lá você se tiver tempo.

O Pregador da fome (1)


Gil Gonçalves
No marxismo-leninismo tínhamos muito dinheiro mas, não havia nada para comprar. Agora, neste capitalismo selvagem há de tudo mas, não temos dinheiro para gastar.
Importar é necessário, fabricar não é necessário.
Vários conselhos para não morrermos à fome
Inclina-te quando entrares na casa dos novos-ricos, não fales nada contra, pode ser que te dêem alguma coisa para comer. Guarda sempre silêncio e não te apresses com a tua língua. Sejam sempre poucas as tuas palavras. Porque eles já conseguiram corromper os céus, e na terra onde estás não te resta nada. Consideram que os esfomeados sonham sempre com comida. Quando fizeres algum voto aos novos-ricos não tardes em cumpri-lo, porque senão nem um grão de arroz conseguirás. Promete que nas eleições votas neles. Cumpre a tua promessa. Assim conseguirás um pouco de carne para a tua boca. Evita sonhar alto, porque alguém pode ouvir. Aprende a temê-los. Sabes que nas províncias também há muita fome, mas não te maravilhes com isso. Os que nos governam estão atentos, e a curto, médio e longo prazo a fome aumentará. O proveito da terra e dos casebres é para eles. Só o rei se serve do campo. Amam muito o dinheiro e não se fartam dele. Quanto mais abunda mais o desejam.
É só neles que o dinheiro se multiplica, quanto mais têm, mais comem. O esfomeado dorme em qualquer lado. Os novos-ricos não conseguem dormir porque estão sempre com medo de serem assaltados. As riquezas guardam-nas e não as investem. E ainda reclamam por investimento estrangeiro. Quando apanharem definitivamente o petróleo, nem os nossos ossos se aproveitarão. E as riquezas deles perder-se-ão por causa das suas más aventuras.
A maldade de todas as fomes terrestres
Maldade de maldades! Diz o pregador, maldade de maldades! É tudo maldade. Que vantagem tem o esfomeado, depois do trabalho que fez e não recebe o seu salário? Uma geração de esfomeados perece, e outra, e mais outra, e ainda outra geração perecerá à fome; mas as terras dos especuladores enriquecem-nos cada vez mais. E nasce o petróleo, e põe-se o petróleo, renasce e volta sempre para o mesmo dono. A fome vai sempre para o Sul, é fingida no Norte. Continuamente vai girando a fome, e os seus círculos alargam-se e apertam e a fome volta sempre cada vez mais rápida. Todos os esfomeados vão para o mar e contudo ele não se enche; então para onde é que eles vão? Sempre para o mesmo sítio. São tantos os esfomeados que ninguém os consegue contar: os olhos e os ouvidos dos novos-ricos fartaram-se deles. Dizem que sempre foi assim, mas agora é demais. O que antes fizemos, tornaremos a fazer: de modo que lhes faremos ainda mais fome. Isto não é nada novo: mas isto é novo? Não! Já antes foi, agora são coisas do demo. Parece que ninguém já se lembra. Alguém não quer ter lembrança. Nos tempos próximos, quando todos morrerem à fome, ninguém se lembrará. E fiz com que a minha mente maldosa aumentasse o caudal de esfomeados. Que existem em cima e debaixo da terra. A ocupação da fome foi dada por mim aos filhos dos esfomeados, para receberem os primeiros ensinamentos. Atentei para todas as obras que os esfomeados fizeram sem receberem um salário digno. E eis que tudo era magnanimidade. O que nasce esfomeado, sempre assim permanecerá. Não havendo nada para comer, facilmente faremos cálculos. Falei para a minha mente maldosa. Eis que enriqueci com a fome que provoquei. Sou o mais maldoso, o mais rico, e nenhum houve antes de mim. E contemplei com grande contentamento os estragos que causei. E apliquei a minha mente maldosa a conhecer as loucuras que ainda farei. E vim a saber que existe tal infinidade delas, que a todas utilizarei. Quanto mais sofrimento provocar mais me exaltarão. Porque na minha maldade nunca há cansaço. E o que aumenta em fome, não aumentará em trabalho.
Os prazeres e as riquezas dão imensa felicidade aos maldosos
Disse eu na minha maldade. Vem, que eu te provarei com a tristeza. Portanto, goza a minha maldade. É tudo de má vontade. Do faminto disse: está com fome; de que serve a alegria a quem não tem nada para comer? Busquei na minha maldade como o meu cérebro ficaria depois de uma grande enxurrada de vinho. E vi nisso grande sabedoria e grande elogio à loucura. Achei que era o melhor para os esfomeados. Para todos os dias da sua vida. Obriguei todos os esfomeados a trabalharem para mim. E obtive grandes riquezas. Construí casas e obras magníficas. Atiro os restos da minha comida para o lixo, jamais a darei aos pobres esfomeados. Os famintos recolhem-na, festejam-na como um grande banquete e ainda agradecem. Queriam fazer uma grandiosa manifestação porque não lhes pago. Mandei a polícia em cima deles e depois obriguei-os a construírem jardins milionários e a plantar árvores de fruta. Não tinham direito a nada. Apenas um, a fome! Temos muita água. Incompreensivelmente escasseia. Como os esfomeados queriam destruir o que construí, enviei-lhes a polícia de choque e muita pancadaria levaram, e mais castigo lhes dei. Construíram grandes tanques de água para regar as minhas fazendas. Com tão grande exército de esfomeados, não me foi difícil contratar escravos e escravas, pois que os há em abundância. Nasceram muitos e muitas que aproveitei para tomarem conta das vacas, bois e ovelhas que já lhes tinha perdido a conta. Nunca ninguém ousou ser tão rico como eu. Depositei nos bancos estrangeiros o petróleo, diamantes e as jóias das províncias. Mandei vir cantores e cantoras forasteiros pagos a peso de petróleo para deliciarem os meus ouvidos. E fiquei muito poderoso e aumentei cada vez mais a minha riqueza. Teimei em manter a minha maldade. E tudo quanto quis consegui. Não privei a minha alma maldosa de trabalhos demoníacos. E esta foi a minha maior alegria. E olhei para todas as más obras que fiz na minha vida. E tudo era maldade e grande malvadez de espírito. E vi que havia grande proveito para os que me rodeavam. Então passei à contemplação da maldade. Segui e imitei todos os outros antes de mim. Farei pior que eles. E isso deu-me um grande prazer. Então vi que a maldade nos governa. Isto é mais excelente que as trevas.
Os olhos do maldoso estão em todo o lado. As trevas dos loucos são a sua companhia. Pelo que, disse no meu coração diabólico. Porque procurei mais a maldade? Então disse sem coração, que também isto não é novidade. Porque sempre haverá mais lembrança do maldoso, que se sente feliz em ver os que governa a morrerem à fome. E no futuro total esquecimento haverá dos que não têm nada para comer. Pelo que abençoei esta vida e tudo o que roubei. E vi que isto não me deu trabalho nenhum. Porque nunca fiz nada de útil. Senti-me muito alegre ao saber que depois de mim não deixarei nada. Destruirei tudo para que os meus seguidores não gozem o que me pertenceu. Quem sabe se ele é um daqueles pobres idiotas bondosos que não gosta de riqueza? Depois vai distribui-la?! Isto é que é grande maldade. Olhei para a maldade do meu coração e ele disse-me: não dês essa esperança a alguém que vai ficar com os teus bens, em que não trabalhaste debaixo do solo. Porque um maldoso trabalha sem sabedoria e ciência. Também isto não é contrariedade. Porque, que restará a um homem que trabalhou honestamente durante a sua vida? E haverá alguma grande fortuna que foi ganha honestamente? Exceptuando as lotarias e quejandos claro! Porque todos os dias, os que roubam os miseráveis esfomeados, os seus corações não descansam. Não dormem, permanecem ocupados onde farão o próximo roubo. Também isto não é novidade. Não é mau para o homem que come e bebe, e que goze a sua alma do mau trabalho que fez!?. Isto vem da mão do MPLA. Quem pode comer ou gozar melhor do que eu? Quem quiser comer que roube. Porém a polícia está à espreita para disparar, porque quem tem fome, não tem direito a comer. Porque ao homem que é mau, dá o MPLA maldade. Ao faminto dá-lhe o trabalho de procurar comida nos caixotes do lixo. E espera que ele amontoe e armazene para depois lhe tirar. Também isto é eternidade.
A abóbora cresce rápido mas apodrece depressa.
Há, para todas as coisas da fome, um tempo imanente
Toda a fome tem o seu tempo permanente, e há sempre tempo para isso. Há tempo para nascer, crescer, viver e morrer à fome. Nunca há tempo para arrancar o que a fome plantou. Nunca há tempo para curar e derribar a fome. O tempo sobra para edificá-la. Tempo de chorar e tempo de não rir, nunca faltam. Não há forças para prantear nem para se soltar. Tempo para abraçar e comer pedradas. Não há nada para guardar, logo, não há nada para deitar fora. Tempo para ficar calado a observar a fome. Falar já não adianta. Tempo para amar a fome, nossa fiel companheira. Não havendo trabalho para ninguém, e quando aparece, não há vantagem nenhuma em trabalhar, porque nunca nos pagam. Tenho visto o trabalho que não nos dão, e isso aflige-nos. Prometeram-nos que seria tudo formoso. Mas como não tem coração, deram-nos um deserto de promessas.
Eles alegram-se fazendo-nos tristes. E que só eles comam e bebam, e gozem o que nos pertence. Eu sei que tudo que eles fazem é para a sua eternidade, e nada se lhes pode tirar. Guardamos temor diante deles. Tudo já foi e continuará a ser deles. Mesmo assim ainda nos pedem contas. A justiça é para eles a injustiça é para nós. Eu disse no meu coração maldoso: julgarei os pobres e famintos em todo o tempo das suas vidas. O justo será perseguido dia e noite. Disse eu na minha maldade: é por causa dos filhos dos esfomeados que se portam como animais, que não existe tranquilidade nas ruas. Porque o que sucede aos filhos da fome, também sucede aos filhos dos animais. Como morre um assim morre o outro, e a vantagem sobre os animais não é nenhuma. Também isto é de grande utilidade. Todos ficam no mesmo lugar à espera da comida. A apanhar pó. De tanto esperar, cansar, comem a poeira das agora desordenadas construções dos espoliados casebres. Ficam sem fôlego. Nem para baixo nem para cima. E os maldosos ficam muito alegres com as suas obras. Depois dividem entre si as comissões.
Os males e as tribulações da fome
Depois voltei-me e vi as opressões que fiz. Vi as lágrimas dos oprimidos pela fome e ninguém que os escutasse. Vi os opressores consolados, e os esperados, desesperados pela fome sem nenhuma consolação. Pelo que, louvei aqueles que contribuíram para o aumento do exército dos esfomeados. Que ninguém se atreva a pedir-nos contas pelas más obras que fizemos. E que alguém pretenda igualar-nos, não passa de um reles invejoso. Os esfomeados não passam de tolos. Porque não se alimentam do que resta da sua carne? Andam sempre de mãos vazias, cheias de aflições. Outra vez me voltei, e vi a irmandade da fome. Não roubam sós, roubam em equipa. Não se fartam de riquezas. Quanto mais tem, mais querem. De modo que não sobra nada para ninguém.
Melhor é um que dois a roubarem. Um fica com tudo, mas o outro apanha uma gasosa. Se um cair o outro fica contente, porque aumentará a sua renda. Se dormirem juntos, desconfiam-se. Porque tentarão ludibriar-se e por isso não conseguem dormir. Se alguém tentar prevalecer contra eles, os seguranças estão atentos. O rei velho e no poder insensato nunca dará poder a nenhum mancebo. Porque um sai do cárcere, diz qualquer coisa contra, e volta outra vez para onde saiu. Nunca nenhum mancebo ocupará antes da morte o trono do rei insensato. O seu povo está moribundo. Não haverá descendência.
Upanixade@gmail.com

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Federação dos Feiticeiros de Angola 13-01-2011


A Federação dos Feiticeiros de Angola terminou a sua conferencia dia 12 de Janeiro de 2011 à meia-noite. A conferência teve lugar na encruzilhada entre MALANGE e UIJE .Participaram nesta conferência cerca de 2000 feiticeiros de toda Angola. O presidente da organização congratulou-se com a massiva presença de todos os feiticeiros vindos de todas as províncias do país; foram apurados o programa para os próximos cinco anos e também foi enaltecida a situação da sociedade angolana; foram por unanimidade aceites e aplaudidas as linhas mestras para acabar com o clamor que se faz sentir desde há 35 anos a esta data. Os feiticeiros angolanos juraram extirpar o mal da sociedade começando por honrar os planos apurados entre os quais se destaca o plano “DESINFESTAR”(entenda-se: no sentido de acabar com a festa dos pançudos), segundo o qual os feiticeiros estão apostados em usar todos os poderes sobrenaturais que os contemplam nas suas maravilhosas actividades, AFLIGINDO FORTE E DURO, INFESTANDO COM MALES CORPORAIS todos os dirigentes CORRUPTOS. Os feiticeiros juraram fidelidade no cumprimento das suas missões que parecem impossíveis mas não são, para transformar a sociedade angolana numa sociedade digna com LIBERDADE , JUSTIÇA SOCIAL E DEMOCRATICA.
O S/G
Mestre
ZOROASTO

A franqueza de JES


Graças à extraordinária abertura de espírito e grande vontade, serena e determinada, do presidente da República, o povo angolano ficou a saber, enfim, que nem tudo vai bem no “Reino do Ngola”, pelo contrário, o que ele teve a coragem de dizer é que praticamente tudo vai mal! No seu discurso de abertura da primeira reunião do Comité Central de 2011, quase ficamos assustados ao constatar o número de sectores que necessitam de uma reforma, tal como José Eduardo dos Santos orientou como sendo tarefa prioritária para 2011. É que, se partirmos do princípio que as reformas impõem-se quando as coisas não funcionam bem, praticamente nada funciona em Angola
A certa altura do referido discurso o PR disse: «Como prioridade para resolver durante todo o ano de 2011 estão também em carteira as reformas (…)», passamos a citar, do Banco Nacional de Angola e reforço do sistema bancário; das finanças públicas e da legislação sobre o investimento privado; fiscal, em particular e a tributária em geral do Sistema Nacional de Estatística e do Planeamento; do Sistema de Comércio Externo e Interno; do Sector Empresarial Público; Judicial; do Sistema de Defesa e Segurança Nacional Administrativa, do Sistema de Defesa e Segurança Nacional; Administrativa. Sabendo-se que continuam em curso as reformas da Saúde e do Ensino o constato é assustador. A pontos de nos perguntarmos o que é que não necessitou de reforma por ter funcionado mais ou menos bem em 2010. Mas o mais inquietante não é o país (Estado/MPLA) estar a precisar de tantas reformas, o que assusta ainda mais é a cegueira dos nossos governantes. Isto, se levarmos a sério a conclusão fenomenal de JES, que pontuou o seu discurso com a seguinte frase: «Esperamos que o ano de 2011 venha a ampliar e consolidar as conquistas até aqui já alcançada, sempre no sentido do progresso e bem-estar do povo angolano». Incrível!

Os filhos do Papá dya Kota (fIM). António Setas


Nota 4: a bênção das praias.
«No dia que se seguiu às preces todos os mais velhos do Kwanza, o Kilamba-Kiaxi, os dois umbanda, e muitos dos participantes presentes no Kwanza, foram ao Mussulo de visita ao dilombe do nosso Kilamba. O dilombe fica à beira de uma vasta clareira e é protegido por um imbondeiro, desses muito velhos, tão grande que não dá para ver a sombra dos que estão à volta. É a ‘‘casa’’ da kyanda, soba de todas as yanda do Mussulo e de todas as praias, mesmo as do continente, até à ponta da ilha de Luanda. Foi aí, nesse território sagrado, onde não pode entrar homem sem acompanhamento do Kilamba - nem mosquito entra!! É verdade! -, que se reuniram os oficiantes e os devotos, tudo gente muito velha! Durante o dia o Kilamba rezou, e todos ouviram com muita devoção e respeito, mas quando veio a noite chegaram as visitas, habitantes das cercanias e dos acampamentos de pescadores. Quase todos comeram e beberam bem. Os mais jovens cantaram e dançaram até à meia noite. Depois o convívio prosseguiu até de madrugada, quando chegou a hora de todos os visitantes se retirarem. Pela manhã benzeram-se todas as praias que dão peixe. O Kilamba-Kiaxi do Kwanza meteu-se pela contracosta, o do Mussulo seguiu pelo lado das praias da baía, ambos acompanhados por alguns mais velhos. Nas suas rezas do ixi-ni-mavu, como manda a tradição, atirando regularmente moedas e bebidas para o solo. Nessas caminhadas que pareciam não ter fim, encontraram-se duas vezes, primeiro na lagoa do Pinho, zanga rya ponda, mais tarde na zanga rya nzenze. É a maneira tradicional de homenagear as yanda das lagoas do interior do Mussulo. Finda a bênção das lagoas, os Ilamba separaram-se, e reencontraram-se uma última vez no território sagrado de onde tinham partido, a casa do kyanda, Soba de todas as yanda do Mussulo, à beira do dilombe do nosso Kilamba. O ambiente desanuviou-se, e foi festejada a paz reencontrada entre os axiluanda e as yanda.

GLOSSÁRIO

Alambamento - Dote oferecido pelo noivo à família da noiva.
Ambundo - Território extenso à volta do rio Kwanza. Situado entre os territórios Lunda-Tchokwe a Leste, Bakongo a Norte e Ovibundo e Ngangela a Sul. Povo desse território.
Bakongo - Ver Reino do Kongo
Bué - Muito, grande quantidade.
“Calcinhas” - Autóctone assimilado, com costumes portugueses.
Cassule - O mais novo dos filhos de um casal.
Destacado(a) - Agentes, que no comércio do peixe têm acesso directo ao produtor.
Dikoso - Líquido lustral, de purificação, na religião animista.
“Enfeitada” - Diz-se de uma “mesa” na qual o “dono do óbito” depositou uma quantia de dinheiro para relançar o consumo de bebidas.
Ijila - plural de Kijila, que significa interdito.
Ilundu - Espíritos dos antepassados.
Imbanda - Plural de Kimbanda, que designa aquele que cura, ministro do culto dos antepassados.
Jingwinji - Bagre.
Kalemba - Marés violentas com mar muito agitado.
Kaluanda - Natural de Luanda.
Kamba - Amigo, bom camarada.
Kanda - Termo kikongo designando o conjunto dos descendentes de alguém por via matrilinear.
Kazumbi - Alma do outro mundo. Fantasma.
Kikongo - Ver Reino do Nkongo.
Kilamba ( plural, Ilamba) - Intérprete das yanda, aquele que dirige o seu culto. (Òscar Ribas). Exorcista.
Kimbo - Aldeia.
Ki mona mesu - Estórias baseadas em factos reais, mas nas quais se ultrapassam as leis da natureza e se atinge o maravilhoso. Nestas narrativas faz-se muitas vezes alusão à relação entre vivos e mortos, e práticas fetichistas.
Kituta – Génio da naturza (Plural, ituta).
Komba - O varrer das cinzas. «Oito dias decorridos sobre o passamen- to do finado é varrida superficialmente toda a casa do mesmo, e o lixo daí resultante despejado numa encruzilhada, onde é vertido o dikoso - mistura de bebidas - para apagar as cinzas. A acção é repetida, em princípio, oito dias mais tarde»... (Óscar Ribas). Ritual variável.
Kumbu - Dinheiro.
Lumbu - Conjunto dos descendentes de um determinado antepassado por via patrilinear.
Mbanza - Cidade, capital.
Maka - Problema. Assunto litigioso.
Malanjinho - Oriundo de Malanje ou da província de Malanje.
Mesa - Ajuntamento de pessoas ou de vitualhas implicando consumo ritual (Rui D. de Carvalho).
Mujimbo - Boato.
Muadié - Homem, senhor.
Mundongo, Mbundo - Ver Ambundo.
Musseque - Literalmente terra vermelha. Designa os bairros que cresceram à volta da “Baixa” de Luanda, quase todos ocupados por gente muito pobre.
Ndongo - Embarcação estreita e comprida feita de um só pau. Canoa.
Ngola - Rei Mbundo.
Nzambi - Deus banto
Quartel - Sede de um grupo de Carnaval.
“Rei dos peixes” - Kituta oriundo não dos rios, mas do mar.
Reino do Kongo - Vasto território que se estendia muito para além do Norte do rio Zaire, englobando as províncias angolanas de Cabinda, Zaire, Bengo, Uíge e noroeste da Lunda - Norte, até ao norte da província de Luanda, entre o rio Kwango e o mar, essencialmente habitada por povos das etnias kikongo e bakongo.
Sango - Refeição que tem lugar após o funeral.
Solongo - Natural do Soyo.
Uanga - Feitiço.
Umbanda - Arte de praticar a adivinhação e de curar (Óscar Ribas). Aquele ou aquela que a pratica.
Yanda - Plural de Kianda, que designa o Espírito das águas . Vocábulo associado, abusivamente, às sereias.
Ximbicar - Fazer avançar uma embarcação com o auxílio de uma vara (bordão) cuja ponta se apoia nos fundos de pequena profundidade.

Pedido de inserção

Dedicatória:
Às minhas filhas, Lia e Elsa de Lacerda Setas.
Às minhas angolanas, Márcia e Joana.
Às mulheres que amei, a minha mãe....
E a Ruy Duarte de Carvalho, a quem devo todos os dados etnográficos desta narrativa, retirados do seu livro ANA A MANDA OS FILHOS DA REDE.

Na contra capa:
“É verdade que o progresso é uma boa coisa, trouxe-nos o automóvel, a electricidade, essas máquinas todas, a televisão, os computadores, a varinha mágica, em suma, um certo prazer e conforto. Mas também trouxe um afastamento do que realmente somos. É que, com todas essas invenções, fomos levados a olvidar que não passamos de simples animais, racionais, mas animais. E o resultado está aí, numa corrida frenética para a frente, de mãos abertas para o cesto de ovos do progresso, sem olhar a estragos. Chegaram os automóveis, deixámos de dar passeios a pé e mais depressa definhámos; chegou a televisão, deu-nos para passar horas a olhar para ela e esquecemo-nos do jantar, dos filhos, dos parentes e dos amigos, esquecemo-nos de conversar e de conviver; chegou o computador...agora já posso fazer coisas formidáveis é verdade, mas há quem passe não são horas, é o dia inteiro diante do écran. E com a Internet até posso namorar com a Yong Tchi, que é chinesa, mora no Japão e eu nunca vi !... Isso é vida ?!!
Quanto mais vou para velho mais perto me sinto das minhas raízes, ao recordar as lições que me deram os filhos do Papá dya Kota, o tio Mbala, o kota Kiala e os meus pais. E vivo com elas no calor que me vai nos dentros e de que muito me orgulho, sem me preocupar com etiquetas, preconceitos e ritos, mas sentindo-os em mim, não sem um indefinido temor, ao pensar que corro o risco de seguir o caminho das tartarugas gigantes, dos elefantes e das baleias, assim como o de milhares de espécies animais e vegetais ameaçadas, isto sem falar das que já desapareceram da superfície da Terra, no final de contas por obra do progresso. Contudo, sou um homem, e creio que sei pensar e transmitir o que penso. Continuo a ir para o mar e a pescar. Viro-me para o Nucho e vejo-lhe nos olhos o brilho dos meus olhos, que vêem nos dele o brilho que eles tinham outrora, quando eu ia pescar com o tio Mbala. O Nucho será pescador, “akwa zanga” como o pai, mau grado o nosso Bairro dos Imbondeiros ter sido invadido por gente de “fora” e ser hoje um musseque. E os meus filhos, estes e os que vierem, serão nutridos pela mesma seiva da raiz antiga. Religiosa ou profana pouco me importa, o que conta é eles ficarem a saber quem são e de onde vieram. Progresso, computadores e tudo o mais, sim senhor, mas primeiro a cabeça a funcionar para salvar o que ainda há para salvar. A começar pela nossa identidade”.

terça-feira, 17 de maio de 2011

As amigas da Onça


Segundo informações confirmadas pelo reputado e sério jornal francês, “Libération”, parece que se confirma a notícia que dava conta de que Leila Trabesti, esposa do fugitivo chefe de Estado tunisino, Mustapha Abi, roubou (é o termo exacto) 1,5 toneladas de ouro do tesouro nacional da Tunísia nas barbas da segurança de Estado, aproveitando o escasso espaço de tempo entre o refulgir do estatuto do seu esposo e a sua confrangedora retirada do país com o rabo entre as pernas. Mil e quinhentos quilos de ouro, avaliados em mais de 40 milhões de euros, eis o trabalho, limpinho. Dona Simone Gbabgo, num outro registo, organizou um espectáculo, tipo IURD no estádio da Cidadela ou nos Coqueiros,, depois de apelar ao crime contra os apoiantes de Alassane Ouattara e declarar que todos eles eram bandidos (inclusive Ouattara. Quanto a Dona Grace (Disgrace) Mugabe, essa não faz ondas e deixa o seu marido virar-se como puder, aos 80 anos é obra! Só rouba diamantes.. Os benefícios vão para obras da terceira idade, a sua, e para sua exclusiva fruição. Eis em que esquemas morais se baseiam as parceiras dos ditadores novo formato, de quem é grande amigo o nosso pseudo-democrata presidente da República, JES. Não o felicitamos, pois estes comportamentos de mulheres de REIS (é a melhor definição desses Senhores) não abona em nada á criação de um Estado verdadeiramente democrático.

Lição de bom português de Tjipilica


A lição teria sido dada durante um assalto a sua casa. Contam, que certa vez ao chegar a casa, o Dr. Paulo Tjipilica, o nosso querido mas esquecível ex-ministro da Justiça, hoje provedor da mesma, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão já com a mão no saco a levar os seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com os seus estimados patos, gritou-lhe assim: - Oh, bucéfalo anácroto! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo acto vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. - Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência do que o vulgo denomina por nada. E o ladrão, confuso, pergunta: - Doutor, o que é que eu faço, levo ou deixo os patos?

O Canal 2 fossilizou


Fez na passada terça-feira, dia 25 de Janeiro, 3 anos que a gestão do Canal 2 da Televisão Pública de Angola (TPA) foi formalmente entregue à West Side Investiments a que está associada Welvitcha dos Santos, «Tchizé». Esta companhia sub-contratou nessa altura a Semba Comunicações, fundada por José Avelino Eduardo dos Santos, «Zedú». Um negócio entre familiares. A TPA e a West Side Investment, uniram-se por contrato de gestão válido por dois anos, prorrogáveis e hoje já estamos numa segunda fase, que desmente o projecto inicial. Ao princípio, as alterações incluíam programas produzidos por figuras com passagens pela televisão, tais como, Miguel Neto, «Mizé», Jerónimo Belo, Adão Filipe, um programa, Motor e Motorizadas, Jeff Brown dos SSP, apresentaria um programa juvenil de uma hora e meia (Tchilar), isto sem falar dos programas de Cine TV, Flash, Viagens e o «talk Show», entregue ao humorista Pedro Nzaji. Aplausos. Sim, aplausos, e nós fomos dos primeiros a aplaudir, não a engenhoca que permitiu aos filhos do “Paizinho” de invadir sem pedir licença aos demais angolanos um espaço que é de todos nós, que também sonhamos com a TPA, mas o resultado das mudanças. Gostamos. Hoje, francamente, parece que o Canal 2 foi atacado por uma nova espécie de poliomielite , paralisou

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Os filhos do Papá dya Kota (13). António Setas


Mas, voltando à história do rei Nezumba, tínhamo-lo deixado a braços - maneira de falar - com uma grande tristeza, causada pela vergonhosa figura que tinha feito na presença do seu povo, ao ser obrigado a reconhecer que a raiz da nsanda tinha poderes que ele nunca poderia alcançar com a sua, de tamborineiro A boa pergunta que se poderia fazer é a seguinte: Mas como é que ele, ex-príncipe Mukongo e trineto do grande Nezinga, teve a ousadia de renegar a ancestral árvore sagrada, a nsanda, a favor da nsaka dya ntadi, do tamborineiro? Resposta certa a esta questão não existe, mas o próprio nome da árvore que ele passou a adorar quando tomou o poder no Soyo, com a sua partícula ‘‘ntadi’’ que quer dizer dinheiro em língua kikongo, é uma boa pista. Nezumba era de facto sucessor longínquo do grande Nezinga, cuja aura imensa não era alheia à circulação do dinheiro no reino do Kongo; acontece que ele também teve contactos com os mouros e também ficou perturbado com o aparato e as lendas desses ricos homens do Norte de África, ao ponto de ficar obcecado, e daí talvez lhe ter vindo à mente a ideia de considerar o ntadi do domínio religioso. De resto, a sua perturbação mental manifestar-se-ia mais tarde, no trágico fim que teve.
Depois do adivinho Kanzi se ter ido embora, Nezumba decidiu organizar uma grande festa em honra do seu irmão, Yobo dya Mvika, que ele apresentou ao povo Solongo como passando a ser, a partir desse dia, seu sucessor. Espanto!...No final da festa pediu aos seus súbditos que o acompanhassem, como que em peregrinação, ao lugar onde Kanzi ya Pakala tinha cavado o seu primeiro poço graças à raiz da nsanda. Uma vez chegados ao local, o rei fez uma nova surpresa ao povo, meteu-se dentro do poço e anunciou que desejava ser completamente coberto de terra até ficar só com a cabeça de fora. Quando ficou completamente enterrado até ao pescoço, ordenou que de futuro nunca mais se corte a cabeça de ninguém no reino do Soyo. A razão era simples, sentia-se culpado por ter decapitado tanta gente por causa de uma raiz que não era assim tão sagrada, pois a raiz da nsanda tinha poderes que a sua não tinha. Nesse caso, a única pessoa que merecia ser decapitada era ele, tinha-se enganado e tinha enganado o povo. E, porque lhe parecia ser justo, ordenou que lhe cortassem a cabeça!! Ninguém acreditou que fosse possível tal atitude, mas era uma ordem do rei. Repetiu-a em altos gritos, era uma ordem!... E cortaram-lhe a cabeça. Que mais tarde foi posta em exposição na mbanza durante alguns dias, à semelhança do que era costume fazer com os bandidos condenados à morte!
Rei morto, rei posto. Viva Yobo dya Mvika!...Mais devagar, sucessão tão súbita e inesperada deixava pendente um problema grave. É que até essa data reinava no Soyo a tradição Solongo de sucessão por via paterna, e ao herdar o poder do seu irmão, Yobo instaurava a lei do Kongo de sucessão matrilinear. Além disso, nesse tempo havia dois Soyo, o de Cima e o de Baixo, e com a morte de Nezumba deu-se a reunificação das duas metades. Enfim, uma confusão monstra. Quem não gostou foi o filho de Nezumba, Kimpa dya Mvika, legítimo herdeiro segundo a tradição Solongo. Revoltou-se, levantou armas, e conseguiu derrotar e expulsar o tio do Soyo, que fugiu para o Sul, atravessou o rio Loge, devia ter chegado ao Tabil e ao Mussulo, e depois não se sabe, nunca mais se ouviu falar dele. Mas das kandas que o acompanhavam, uma pelo menos passou o rio Dande. Sabe-se que a dada altura flectiu para Leste e em seguida para Norte, até chegar a Mbanza Kongo. Presume-se que tenham encontrado pelo caminho destacamentos avançados das tropas de Ngola a Kiluanji kya Samba, sempre com um olho virado para a ilha de Luanda, mas ainda sem forças suficientes para a acometer. Fosse assim ou assado, chegaram os da kanda a Mbanza Kongo e foram recebidos pelo rei Nkuvu a Ntinu, que aceitou dar-lhes bom acolhimento em troca do pagamento de uma pesada multa em conchas caori. A kanda Mvika não era vista com bons olhos no reino do Kongo. Mudou de nome, passou a chamar-se Nsanda, do nome da figueira sagrada do Kongo, e o seu chefe prometeu pagar a dívida. E pagou, mas para levar a bom termo o pagamento, todos os homens tomaram as mulheres da kanda, esposas, irmãs e filhas, como escravas, e venderam-nas a mercadores luba, mbangala e árabes, evitando assim uma ainda mais horrível alternativa, irem todos eles, sem excepção, salvo os mais velhos, pelo mesmo caminho, a escravatura, como único modo de resgatar a dívida.
Passaram os anos, a kanda pagou, os homens lutaram e venceram batalhas ao serviço do rei. Mostraram-se corajosos e de palavra, raça tão rara nesse tempo como nos dias de hoje. Nkuvu a Ntinu apreciou ao seu justo valor tanto sacrifício e coragem e confiou-lhes uma missão da mais alta importância: comandarem uma milícia real que teria por missão instalar-se na ilha e Luanda e defendê-la contra eventuais investidas das tropas do Ngola a Kilwanji kya Samba. Foram esses soldados do Kongo que os portugueses encontraram quando chegaram a Luanda a bordo das caravelas de Diogo Cão.
Nota 2: a origem da kyanda
«Nzámbì, depois de ter criado a terra (ixi) e o sol (mwánià), a água (ményà) e o fogo (jìkù), deu forma ao homem e à mulher utilizando estes dois últimos elementos. Ao casal primordial a transcendência divina atribui os nomes de Sámbà e Mawézè (ou Nawézè). Estes tiveram uma grande progénie de ambos os sexos. Sendo irmãos não se podiam casar nem fazer sexo. Isso fez com que, depois de acordo passado com os progenitores, Nzámbì se tenha decidido a purificá-los. Para tanto, os filhos do casal deveriam na madrugada do dia seguinte atravessar o rio Kwànzà. Chegada a hora aprazada, apenas dois irmãos acordaram ao canto do galo e cumpriram com o estipulado, isto é, atravessar o rio. Quando chegaram no outro extremo (a riba oposta) estavam completamente esbranquiçados e transformados em «seres maravilhosos», e Nzámbì atribuiu-lhes os nomes de Mpémbà e Ndèlè. Decidiu ainda que, doravante, estes deveriam passar a viver nesse mundo que alcançaram, isto é, o mundo harmonioso das águas, da humidade, do brilho e da luminosidade, da brancura e da felicidade absoluta. Os outros irmãos, que não cumpriram com a ordem estipulada, passaram a viver definitivamente em terra, com os seus problemas e angústia.
Nota 3: o kakulu
«Havia uma ilha ali perto da Barra do Kwanza, que era a do Tumbu, íxi yala mu kaxi ka Kwanza, a ilha no meio do rio, onde se realizava o kakulu. O Kilamba-Kiaxi, o único que fala com o ‘‘rei dos peixes’’ e com os espíritos as águas, as yanda, também chamadas ituta, ou iximbi, chegava à ilha a bordo do ndongo, acompanhado durante todo o trajecto que fazia ao longo do rio por muitos outros ndongo apinhados de gente que ia assistir ao kakulu. Abençoava-os com água do rio, que derramava sobre eles com um ramo de mulemba. Quando chegava à ilha, esperavam-no os idosos e os chefes das terras do Kwanza, mas ele ignorava-os e logo se dirigia para o sítio onde estavam dois anciãos ao lado de duas bacias esmaltadas com o dikoso, a água lustral, na qual ele mergulhava o ramo de mulemba e então sim, benzia todos os chefes presentes. Em seguida entregava o ramo da mulemba a um dos anciãos, um umbanda, que por sua vez benzia toda a gente que se agrupava no terreno. Feito isso, o Kilamba retirava-se. Caminhando sempre ao lado do rio ia ter a uma grande clareira onde se erguia uma mulemba centenária que protegia a cabana sagrada que ali estava, feita de ervas e vimes, o dilombe, onde ele iria descansar. Antes da noite cair preparavam-se as mesas para a cerimónia do dia seguinte».
No dia seguinte de manhã, o Kilamba-Kiaxi saía do dilombe com um chocalho numa mão e uma flauta na outra, acompanhado por um pequeno grupo de anciãos e, mais atrás, o umbanda, que ia benzendo todos por quem passava. E todos os que ali estivessem seguiam o Kilamba até à praia que dava para o rio, onde estavam expostas nas “mesas” - esteiras postas no chão - as oferendas destinadas às yanda, maluvo, cerveja de massambala, frutos secos, ananas, papaias, bolinhos e guloseimas feitas com mel misturado com óleo de palma, além das carnes, de porco e de vaca, com feijão e kikuanga, sem falar do jingwiji e do kakusu, os peixes sagrados, que se comeriam mais tarde durante o banquete.
O Kilamba avançava com o chocalho e a flauta na mão, e os que o seguiam cantavam, acompanhados pelos instrumentos dessa época, o hungu, os bumbos e os jisaxi, chocalhos iguais ao do Kilamba. Ao chegar perto do rio, este fazia badalar o seu próprio chocalho e todos se calavam. Silêncio. O Kilamba-Kiaxi ia até à berma do rio, ajoelhava-se e “falava” com as águas do rio, fazia a sua prece às yanda, lamentando o seu sofrimento, assim como o do seu povo, vítimas inocentes de guerras entre chefes, que a partir desse dia se uniriam, oferecendo então a paz merecida ao povo sofredor ; agradecendo Nzambi, todos os ituta, os ilundu, e pedindo perdão a todas as yanda, filhas de Kabala Kahombo, o homem, chefe das yanda do rio Kwanza, e de Kongola-Magya, a mulher, por ele, Kilamba do Kwanza, não ter conseguido fazer um bom trabalho, «Perdão, perdão a todas as yanda, por nos termo esquecido estes anos todos. Nós somos os vossos filhos, perdão para sempre». E durante toda a prece não se cansava de relembrar a eterna filiação a esse pais de todas as yanda, que só saem deste rio Kwanza. e lhes obedecem».
(Como quem não quer a coisa o meu pai salientava uma vez mais que o único kakulu verdadeiro é o do Kwanza).
«O ritual demorava horas, e o Kilamba-Kiaxi não parava de rezar, fazendo badalar o seu chocalho e tocando flauta, uma vez um, depois a outra, para chamar os espíritos, os génios do rio. E, ao chegar o final das preces, todos os presentes entoavam os cânticos tradicionais em coro. Só depois vinha o banquete, com jingwinji, kakusu, e uma enorme quantidade de iguarias e bebidas, por muitos dos presentes consumidas em excesso. Era assim».
Imagem: autores-p.blogspot.com

O PLANO C É O NOSSO ABC


Gil Gonçalves
Se Angola não tem contabilidade organizada, a energia eléctrica é de fingir, então os números do desenvolvimento económico saem donde?!
Inadvertidamente, inconscientemente ou voluntariamente contribuímos para a história da hipocrisia angolana. É por isso que angola sobe no crescimento económico da miséria. E de noite houve-se o miar horrorizado dos gatos acossados pelos chineses de panelas preparadas.
Entretanto pedaços de prédios em desintegração precoce caem com estrépito nas ruas. É muito perigoso circular por baixo deles. A qualquer momento a morte obriga-nos a fazer-lhe companhia. O estrangeiro constrói e o angolano destrói.
Pare, Escute e Olhe!
Esta democracia esconde outra mais sinistra. Chama-se desenvolvimento económico quando serve alguns especuladores imobiliários e financeiros. Desenvolvimento social quando serve esfomeados. Não ouvem, não sentem, o borbulhar da democracia a afogar-se? Ser-se democrata angolano implica defender a ditadura para sobreviver, demonstrar democracia interna infalível, enquanto na ditadura petrolífera a fome alastra, e a democracia empresarial, colonial, avilta-nos com o desempenho económico: «Um crescimento económico jamais visto, um país no rumo certo, único no mundo. O PIB, Produto interno Bruto, cresceu de 2002 a 2007 de 1.500 para 3.500 dólares. Imparável… este crescimento insustentável.
- Chefe… para o nosso Plano C funcionar como o do Estaline teremos que desandar, aniquilar toda a oposição partidária ou independente.
- Evidentemente meu Cabo-de-guerra. Acho que não chegaremos até esse promontório porque a nossa oposição é tão saborosamente estóica.
- É verdade Chefe… então esse da UNITA o Domingos Maluka, ou saluka, quando questionado na Rádio Ecclesia sobre o nosso primoroso Plano C, exortou a população a manifestar-se… como se o povo fosse um partido político. Fiquei muito confuso. Mas quem convoca manifestações são os partidos políticos ou a população?! É a nova democracia (!).
- Sabe, não é por acaso que a nossa oposição e a população andam subalimentados, esfomeados. Este é o nosso segredo mais bem guardado. Não sabendo alimentarem-se as cabeças não funcionam… andam sempre aéreas, etéreas. É por isso que não temos opositores. Este mal, anormal não anda só por aqui. É rotineiro, basta observar como a África Negra se desloca. Nós chefes eternizamo-nos no poder, rotineiros porque as cabeças opositoras têm um tremendo défice neuronal. E o importante é mantermos a continuidade da nossa dinastia. Resguardar, apoiar a fortuna da minha filha mais rica de Angola e dos outros filhos. As empresas estrangeiras já têm uma grande influência, já dividimos com eles o poder. Por isso é extremamente importante mantermos este status quo. Para garantir as nossas conquistas diamantíferas e petrolíferas da nossa luta revolucionária, qualquer opositor que se atreva a desafiar-nos caímos-lhes em cima com os nossos exércitos de terra, mar e ar. Mas primeiro acossamo-los com as nossas forças policiais e caninas. Nenhum escapará. Estamos muito bem apoiados pela hipocrisia Ocidental. A oposição não passará.
- Que discurso mais inteligente, que grandes ideias para um grande Chefe. Então Chefe significa que passamos avante com o glorioso Plano C?
- Evidentemente, mas por enquanto limitem-se a dar algumas surras nos opositores. Se eles exagerarem, fogo neles! O meu reino é para mil anos. E convém desde já incutir na nossa massa militante, em toda a população a palavra de ordem: o Plano C é o nosso abc, o Plano C é o nosso abc!
- Chefe, mas que clarividência. Chefe… e continuamos com as mesmas promessas de um milhão de casas, água e luz para todos até ao ano 3.000?! E que a fome vai aumentar, vai matar?!
- Isso e vamos-lhes prometer mais uma. Que lhes distribuiremos os lucros do nosso petróleo. Os pobres diabos vão acreditar. O que têm de bom é que acreditam em tudo. Também com os investimentos que fizemos no analfabetismo.
- Chefe, essa é de arrasar! O Plano C é o nosso abc!
O Chefe Eterno acusa os democratas de incompreensão.
Nunca gostei de violência; não entendo porque a procuram; não sei porque zombam de mim. Aprecio quem me venera; quem é corrupto vencerá; sinto os artifícios das vossas palavras. Merecem serem tratados como animais; os famintos nunca terão poder. Sereis governados e consolados pelo terror; nas epidemias, as vossas casas serão queimadas; os filhos que se salvarem serão abandonados. Ando sempre no erro, e que ninguém ouse corrigir-me; cresci e formei-me na violência da guerra, pratico-a porque não sei fazer mais nada. Falam contra mim e desprezam-me por causa do dinheiro do petróleo; Têm é inveja; suplico-vos que tenham pena de mim, porque não sei o que faço. Quem me dera escrever um livro sobre as minhas maldades, tento… mas o tacto não consegue. Receiem-me, porque a minha espada está sempre suspensa.
Tentam atrair os miseráveis contra mim; lembrem-se que tenho milhares de soldados ordenados. Não conseguirão fugir das minhas armas; guiadas pelos melhores raios, nem nos melhores esconderijos escaparão. Serão aniquilados pelo seu raio de acção.
O Chefe Eterno demonstra que aqueles que acreditam nele terão prosperidade
Já alguém ouviu queixar-me que passo fome? Ficam pasmados quando me olham; pelo esbanjamento que faço; quando adoeço, socorrem-me os melhores médicos; porque sou um nobre; a escumalha quando adoecer que procure um feiticeiro. Fazem filhos até ao infinito; outra coisa não sabem fazer; à espera que um deles seja rei. Vagueiam na vida a dançar noite e dia; como querem prosperar? O que ganham gastam num só dia; porventura alguém acabou com os dias? Com os meses? Com os anos? Quem quiser ter bens e paz basta lisonjear-me; diamantes e poços de petróleo não lhes faltarão. Não percam tempo a encontrar a sabedoria e a inteligência; isso é um dom meu; a sabedoria compra-se com o líquido negro. E os vossos passos são controlados; não se desviem do meu caminho.
Alguns salmos do Chefe Eterno
Meu rei, os nossos adversários são muitos. Não sei por quanto tempo os vamos aguentar. São mais de dez milhões. Todos contra nós. O meu rei é a minha salvação. Há quem tenha intenções de desbravar a nossa floresta humana. À rádio dos democratas nem um palmo do nosso reino. Nos próximos séculos um salmo nosso será cantado. Sim! Viemos para ficar, e daqui nunca sairemos.
Cada vez que a água suja é lançada de um balde, significa que uma nova notícia chegou. Que método tão primitivo que a agência real press utiliza para actualizar a informação. Os jornalistas inspiram-se com a água suja e o lixo que quase lhes cai em cima. Informação de água imunda e sujidade, que fazem acontecer a realidade do reino real. Mais três baldes de água imunda. O jornalista assustou-se. Parou o trabalho. Alguns pingos de água atingiram os computadores. Na parede a fotografia do rei sorri. Que Deus abençoe a hipocrisia da democracia ocidental que impõe em todo o mundo a diabocracia da fome. Por onde passam, as multidões de esfomeados saúdam-nos. Não é necessária uma guerra para destruir uma nação. As forças da Natureza são mais poderosas que qualquer arma.
Já não há pessoas inteligentes nem sábias. Toda a inteligência e sabedoria é empregue para destruir o que existe, e transformar tudo em dinheiro.
Só a Natureza é pura, sábia e inteligente. O homem é impuro e monstruoso, e nela não merece viver. O meu desporto preferido é ver as pessoas a morrerem à fome.
Devaneios do Chefe Eterno
Os piores terroristas do mundo são os que vos fazem passar fome. Ainda que o preço do barril de petróleo chegue a mil dólares, a vossa fome aumentará. Porque o rei comprará duas ou dez bombas atómicas para amedrontar o mundo. Há reis que não sabem reinar. Andam com o reino no bolso. Uma das premissas fundamentais para o desenvolvimento de um reino, é a obrigatoriedade das vendas a crédito. Sem créditos não há desenvolvimento. Mas nas dinastias milenares, obrigam-se os escravos esfomeados a trabalharem sem terem direito a nada. Infelizmente nos tempos modernos ainda existem reinos que parece se formaram antes de Cristo. Sentem-se felizes ao saírem dos seus palácios para observarem a miséria dos seus súbditos. Depois anunciam palavras bonitas: há quase cinquenta anos que vejo a vossa fome, esperem mais igual tempo que prometo acabar com as vossas vidas para sempre. Na verdade quero que todos se danem. Desde que tenha o meu bem-estar, o resto são palavras. Cinquenta anos depois nesta cidade à procura de um local calmo e seguro. À espera do que os colonos deixaram desabe de vez. E tudo fique como à quinhentos anos atrás, na nossa cultura e tradição rejuvenescidas. Por mais que procuremos a liberdade nunca a encontraremos. Porque surge sempre um opressor no nosso caminho. E quanto mais dinheiro tiverem, mais opressão de chicote nos é assegurada. Quando na cidade moribunda todas as luzes se apagarem, só passados cem anos um sábio aparecerá. E dirão os sobreviventes que foi Deus que o enviou.
A verdadeira percepção da arte é quando vemos coisas que os outros não vêem. E a Natureza como a nossa mãe é disso testemunha. Para que um rico aumente a sua riqueza, são necessárias no mínimo dez milhões de pessoas que morram à fome. Os homens atingiram a perfeição. As suas leis são superiores às minhas. Já não necessitam de mim. Nos seus julgamentos observo-os e não me intrometo. Onde julgam, o seu pensamento é só um: dinheiro. Há muito se esqueceram do que lhes ensinei. Para um julgamento justo, primeiro é o amor. Segundo, é ainda o amor. Onde o dinheiro prevalece a justiça empobrece. Orgulho-me da injustiça oferecida, e disso não se deram conta, porque só contam o dinheiro; uma vida de inutilidade; qualquer um de vós é escravo, um inútil; sim! Desde o faminto ao rei, ao mais rico, e até ao mais poderoso, todos vivem na inutilidade; o faminto obedece a quaisquer, porque deles recebe inutilidades sem pestanejar; o rei vive na suspeição de alguém lhe usurpar o trono; o mais rico não dorme com receio que os seus filhos, ou um amigo lhes roubem as fortunas; o mais poderoso reza a um deus desconhecido, que apareça na multidão de conselheiros, algum que anule o poder da nova nação que fatalmente surgirá sem corrupção. Muito poderosa sem as monstruosidades actuais.
upanixade@gmail.com

domingo, 15 de maio de 2011

UNITA quer Comissão Eleitoral independente


A UNITA, quer que as próximas eleições legislativas em Angola sejam realizadas debaixo da alçada de uma comissão eleitoral independente, defendeu o secretário-geral adjunto da UNITA, Silvestre Sami, durante uma palestra em Cabinda.

Aquele dirigente da UNITA afirmou que o seu partido vai propor um pacote legislativo para a criação de uma comissão eleitoral independente do poder executivo.

Se a proposta de lei não for aprovada visto o partido governamental, MPLA, dispor da maioria parlamentar, a UNITA promete recorrer ao Tribunal Constitucional.

De facto, segundo aquele partido, só é necessário por em prática aquilo que já está postulado na constituição angolana.

Secretário-geral da UNITA, afirma. Numa defende autonomia do enclave de Cabinda para alcance da paz


O secretário-geral da UNITA, Abílio Kamalata Numa defendeu numa palestra, no Namibe, promovida pela Procuradoria-Geral da República, a autonomia de Cabinda como base para se alcançar uma solução imediata. “Temos que ter em atenção na construção da pátria a especificidade de Angola. Cabinda é uma especificidade e não é problema nenhum admitir isso. Não olhemos só para o petróleo” – disse.

“Porque não desenvolvemos uma auto determinação? Portugal está a viver bem com a Madeira e os Açores. Há vários estados assim. Porque é que continuamos a fazer sofrer um povo que pensa de forma diferente?” – questionou.

“Os Cabindas estejam eles na UNITA, MPLA ou na FNLA eles pensam mesmo como Cabindas. Todos eles. O resto é mentira. Todos eles pensam da mesma forma” – referiu.

“Ouvi falar de muitos ditadores, mas os ditadores dos últimos 30 anos, não sei é por causa do “boom” do petróleo, da forma como delapidaram os erários públicos dos seus países é assustadora. E até mais, não tiveram pejo em distribuir dinheiro para os seus familiares” – frisou.

“Olhas para o Mubarak está-se a falar logo do filho e da mulher; olhas para o Ben Ali, da Tunísia, é o filho, as mulheres que nem sequer tiveram dinheiro. É porque isto é da mulher. Queremos também saber aqui um bocado, para além daquilo que já se tem ouvido, porque esse dinheiro é nosso” – continuou.

Milionários angolanos e o crescimento económico do país
“Não podemos dizer que Angola está a crescer economicamente e isto não se reflecte na vida de cada um de nós. Angola está a crescer economicamente bem, mas que isso se reflicta na vida dos angolanos” – sublinhou.

“Na era colonial, as pessoas construíam as suas casas, mobilavam-nas, tinham carros e outras coisas na base do emprego e do crédito. Hoje não”.

“A economia do mundo não funciona assim. Comprar tudo. O indivíduo pega em 500 mil dólares e está a comprar uma casa. Tiraste aonde o dinheiro? 500 mil dólares tirar duma só vez e comprar uma casa, tiraste aonde o dinheiro?” – indagou.

“Vais ver indivíduos com sete casas e cada casa com um valor de um milhão de dólares. Tirou aonde isso? Vais ver quintais com mais de sete carros top de gama, valor – cento e tal mil dólares cada carros. Tirou aonde esse dinheiro?” – interrogou ainda.

“Aos outros não aceitam só, no mínimo, que também criem condições de vida a partir do seu suor, dando-lhes bom salário, emprego e possibilidade de aquisição desses meios”.

Liberdade de expressão
“A falta de liberdade é como se estivesse a ser asfixiado para não respirar. Apertam-te a boca e o nariz e você não consegue respirar. É isso que se chama falta de liberdade” – explicou.

“Normalmente quando as faltas de liberdades são imensas e duram muito tempo, quando o povo começa a respirar um pouco, torna-se tresloucado e é aquilo que costumamos a ver no outro mundo”.

“A limitação de liberdades é muito perigosa. Aquilo que se vê ali, em que as pessoas, mesmo a morrer, vão até as ultimas consequências é a falta de liberdade” – concluiu.

As voltas que a pobreza colonial dá. Isabel dos Santos primogénita de um presidente pobre é a mais rica de África


A notícia que aqui adiante publicamos já foi divulgada pela Forbes, mas a verdade é que, assim lida, sem comentário, ela se parece com uma redundância, tantas foram as vezes que veio à baila a riqueza fenomenal de Isabel dos Santos, que, em pouco mais de dez anos se transformou de donzela estudiosa em figura de realce do jet-set internacional. Porque será?

William Tonet*

Em África, ela apresenta-se agora como estando entre as nove mais ricas mulheres do continente. As outras são personalidades conhecidas da África do Sul, o que significa que Isabel dos Santos é a mais rica mulher de África tirando as sul-africanas!

Se juntarmos à sua fabulosa fortuna, a fortuna fabulosa de Zenú dos Santos, com jacto privado ao seu serviço, o seu banco privado Quantum, gerido por um dos mais importantes banqueiros da Europa, as suas moradias em Angola e no estrangeiro. Se levarmos em linha de conta outras fortunas dos filhos Zenu dos Santos, Tchizé dos Santos, entre os demais, então poderemos acreditar que este regime não é diferente em nada aos da Tunísia, de Bem Ali, do Egipto de Mubarak, de Kadhafi da Líbia, do Zimbabwe de Mugabe e de outros tantos ditadores, que transformam os cofres públicos num túnel para o privado.

E se, ao mesmo tempo, nos lembramos do discurso do papá, José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola e de muitas outras coisas, de o problema da pobreza ser um problema do tempo colonial, que o pai dele era pobre, concomitantemente, ele pobre, também…

Agora o que se questiona é, se eles, os filhos de Nguxito, não são herdeiros, nem do avó nem do pai, que nunca foram ricos, então como conseguiram, em tão pouco tempo, esta colossal fortuna?

Porquê que a PGR não abre nenhuma investigação sobre o enriquecimento ilícito destes cidadãos, mas em contrapartida, por muito menos vários cidadãos estão nas masmorras das fedorentas prisões de Angola, por muito menos.

E para não navegarmos por outras águas, apenas uma questão. Porque razão está preso o filho do membro do Bureau Político do MPLA, Norberto dos Santos, Kwata Kanawa, sob a alegação de ter fornecido o seu número de conta, para aí domiciliarem transferências, legitimamente assinadas pelos governadores do Banco Nacional de Angola? Se os filhos de Nguxito e os governadores do BNA estão sem nenhum processo, então as razões se aproximam, ao ponto de se distinguirem do art.º 23.º da “Constituição Jesiana”: (Principio da Igualdade) “1. Todos são iguais perante a Constituição e a lei”.

Mas ao que parece estes meninos não são iguais aos demais autóctones pese a clareza do n.º 2 do mesmo artigo: “Ninguém pode ser prejudicado, privilegiado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da sua ASCENDÊNCIA, sexo, raça, etnia, cor, deficiência, língua, local de nascimento, religião, convicções políticas, ideológicas ou filosóficas, grau de instrução, condição económica ou social ou profissão”.

Ora, aqui, a única justificativa parece ser aliada da ASCENDÊNCIA dos filhos do líder do MPLA…

O resto, bom, o resto, fica para cada um tirar as suas ilações….

PRIMEIRA ENTRE NOVE HERDEIRAS
A filha oficial mais velha do Presidente da República de Angola, há 32 anos no poder, sem nunca ter sido eleito, Isabel dos Santos é a primeira dentre nove mulheres africanas mais ricas, de acordo com a revista Forbes.

Caricato para os angolanos, não é de Isabel não poder ser milionária. Não! Pode. A questão é de a maioria não perceber, como sendo neta materna e paterna de pobres e filha, igualmente, de pobre, tenha em tão pouco tempo conseguido uma riqueza descomunal, que a catapultou para o mais alto pedestal africano, superando filhas herdeiras de pais milionários.

Isabel dos Santos, casada com um cidadão estrangeiro, que tem primazia em quase todas as grandes oportunidades de negócios, em Angola, lidera oito fortunas baseadas na República da África do Sul, com uma fortuna calculada em mais de 243,433 milhões de dólares, segundo a revista Forbes, colocando-a como a mulher mais rica de África.

A revista sublinha que a empresária “começou a trabalhar aos 24 anos, usando a influência do seu pai", o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, cujo poder é quase ilimitado.
A revista destaca, por outro lado, a “ligação próxima” que a empresária tem com Portugal, onde detém participações em empresas, nomeadamente na Zon Multimédia (10%), no BES, no BPI e na EDP.
As outras oito mulheres milionários incluídas na lista da Forbes, são:

2. Bridgette Radebe, filha do milionário sul-africano Patrice Motsepe ligado á indústria mineira. A empresária é casada com o actual ministro da Justiça da África do Sul.

3. Irene Charnley, ligada à área de telecomunicações. Foi executiva na MTN, o maior grupo de telecomunicações de África, tendo conseguido expandir a empresa para vários países africanos. A responsável saiu da MTN em 2007, estando actualmente como presidente executiva da Smile Telecoms, uma operadora de telecomunicações “low cost” sedeada nas Maurícias.

4. Pam Golding enriqueceu através de negócios na área imobiliária, depois de ter fundado a Pam Golding Properties, em 1976. Actualmente a empresária está retirada da vida profissional activa.

5. Wendy Appelbaum, única filha do milionário sul-africano Donald Gordon. A responsável assumiu a liderança da Liberty Investors, antiga holding cotada do grupo segurador Liberty, fundado pelo seu pai. Entretanto Wendy Appelbaum vendeu a sua participação na empresa, tornando-se rica.

6. Elisabeth Bradley enriqueceu através de vários investimentos realizados, tendo a fortuna sido iniciada pelo pai, nomeadamente através da venda de 25% da Toyota South-Africa à japonesa Toyota Motor Corp. por 320 milhões de dólares.

7. Mamphela Ramphele, média e ex-activista anti-apartheid, é uma das africanas mais ricas, encontrando-se actualmente à frente da Circle Capital Ventures.

8. Sharon Wapnick é accionista da Octodec Investments e da Premium Properties, empresas fundadas pelo seu pai, Alec Wapnick.

9. Wendy Ackerman que, em conjunto com o marido, controla a Ackerman Family Trust, que por sua vez detém a Pick ‘n’ Pay, um das maiores retalhistas de África do Sul.

Escritório de advogados no mundo do crude. Fátima Freitas lança colectânea sobre legislação petrolífera


O escritório de advogados de Fátima Freitas, que trabalha com algumas empresas petrolíferas estrangeiras que operam em Angola, em aliança, como não podia deixar de ser, com um escritório de advogados portugueses, Miranda Correia Amendoeira & Associados, lançou uma obra sobre a legislação reguladora da indústria petrolífera e do gás em Angola, visando dar uma contribuição sobre o que se passa no mundo do crude, revelaram no dia 04.05, os seus autores.
A obra, que os autores apresentam como a primeira coletânea de legislação petrolífera angolana, reúne o conjunto da legislação reguladora desta indústria, tanto no segmento “upstream” (pesquisa e produção) como “downstream” (transformação, distribuição e retalho).
“Angola é hoje vista, no que toca à legislação do petróleo e gás, como um modelo que vários países procuram abertamente imitar”, consideram os autores da obra.
Na nota introdutória, os autores do livro referem como o petróleo jorrou pela primeira vez em Angola em 1955, no poço denominado Silva Carvalho, perfurado na estrutura, então localizada na zona do Benfica, alguns quilómetros a sul de Luanda.
Em sequência, relatam, “o Governo de Lisboa apressou-se então a aprovar” dois decretos, em novembro de 1957, “estabelecendo o regime fiscal das concessões para a exploração de petróleo”.
A regulamentação sistemática só surgiu, porém, em 1978, depois da independência de Angola, referem os autores, com a criação da empresa estatal Sonangol e do Ministério dos Petróleos.
É nela que é referido também o pormenor curioso de a indústria petrolífera internacional ter nascido pela mão de um jurista americano que falava português – George Bissell, em 1859, na Pensilvânia.
Facto não relevado pelos autores, na colectânea, talvez por maior cumplicidade com os patrões, foi a passagem de uma esponja sobre as violações cometidas por muitos operadores estrangeiros, em clara violação com a legislação em vigor e as disposições e instrutivos do Ministério dos Petróleos. Esperemos que uma próxima obra possa versar sobre tão candente assunto e que aflige milhares de técnicos angolanos ligados ao mundo de produção e prestação de serviços as empresas petrolíferas.

Órgão ilegítimo quer ditar orientações. Conselho da Comunicação Social calunia e mente sobre F8


Na sua deliberação datada do dia 29 de Abril de 2011, o Conselho Nacional de Comunicação Social (CNCS) deliberou “ (…) ordenar ao semanário Jornal Folha 8 que proceda no prazo de 48 horas a contar da data da recepção desta deliberação, a publicação coerciva da resposta solicitada pela PRIDE, constante no pedido de 11 de Março de 2011 endereçado ao Director da publicação, o senhor William Tonet, acompanhada da menção de que a publicação é efectuada por efeito de deliberação do Conselho Nacional de Comunicação Social”.

Esta decisão é surrealista e mostra duas coisas: primeiro, o CNCS não lê o F8 e quando assim é não delibera com imparcialidade, mas sim com calunia publicitando maldosamente um órgão como o nosso; segundo, o CNCS não tem poderes para ameaçar coercivamente a publicação de um direito de resposta, pelo que esta musculatura intimidativa não nos engaja. F8, não pode publicar um direito de resposta, mas desculpa o CNCS porque a situação de caducidade retira-lhe o direito de pensar, mas este não é um assunto do nosso fórum... Isto quer dizer que melhor fará o CNCS se arredar caminho, enquanto órgão ilegítimo e prosseguir a sua acção em Tribunal, colocando-se ao lado da empresa de petróleos, que seguramente não nos paga nenhum honorário. Nós não nos intimidamos com estas ameaças de quartéis.

Mas rememoremos aos nossos leitores todo este show off do Conselho Nacional de Comunicação Social
A PRIDE é uma multinacional sediada em Houston, nos Estados Unidos da América, e presta serviços à indústria petrolífera em África, Ásia, Europa, América do Sul e Médio Oriente. Instalada em Angola em parceria com a Sonangol, esse gigante americano, uma das maiores empresas do mundo a actuar na área petrolífera, criou em 1998 uma sociedade de direito angolano, a Sonamer, especialista na perfuração de poços de petróleo e gás em águas profundas e ultra-profundas Plataforma Continental Marítima. Como accionista apenas se contam a própria Pride Foramer, com 51% de acções, e a Sonangol, que detém os restantes 49%.

O “Caso”
Quanto ao caso em questão, esse refere-se a Nelson Koxi, na altura dos factos, Chefe Operador dos Helicópteros da Sonair no Bloco 17, plataforma essa que foi perfurada pela Pride/África, que de entrada em matéria deu a cara e pretende obter algum reparo de uma situação indecorosa criada em torno duma doença que o atingiu brutalmente.

A partir de 2003 começou a ter problemas de audição em virtude de o seu trabalho ser sempre realizado em ambientes extremamente ruidosos. Em 2004 a sua doença agravou-se e ele teve de recorrer aos serviços hospitalares da Clínica Sagrada Esperança (CSE), na Ilha de Luanda. Esta, enviou um relatório à Pride, especificando que o técnico não poderia continuar a prestar serviço em locais ruidosos por se encontrar num estado clínico de ameaça de surdez grave do lado direito, sugerindo o uso regular de aparelhos auditivos de ampliação de som.

A empresa multinacional recebeu o relatório, tal como foi ulteriormente constatado, manteve-o em segredo entre 2004 e 2010. SEIS ANOS!

Quer dizer Koxi continuou a trabalhar no duro e no ruído realmente ensurdecedor até 2007, altura em que foi obrigado a ser evacuado da plataforma para ser internado uma vez mais na CSE e fazer com urgência exames aprofundados do seu sistema auditivo.

A sua surdez passou a ser uma ameaça de atingir os 100%., uma vez que no ouvido direito a surdez era isso mesmo, 100%, enquanto no ouvido esquerdo ela atingia os 40% (60% de audição), o que nos levou a escrever num artigo publicado no dia 2 de Abril passado - no qual esgrimimos argumentos justificativos da nossa atitude em resposta ao pedido de resposta da PRIDE -, que perante tanta felonia, tínhamos concluído que «estamos em face da ressurgência de uma nova variante de escravatura, não podemos escrever assim, tão pequeno, tem que ser escrito em grande, ESCRAVATURA.

Não a escravatura clássica, de poder de vida e de morte sobre o escravo, isso já não é possível! Esta “escravatura” da Pride Foramer é a escravatura possível, porque há leis e é imprescindível fazer crer que se obedece a essas leis. E a Pride obedece, mas escondendo relatórios médicos, por exemplo, esperando a reacção do empregado quando lhe desfalca nos salários a pagar os montantes pagos para o tratamento da sua deficiência física, de que ela, a Pride, é responsável de A até Z».

Um pouco mais adiante, escrevemos no mesmo artigo:
«Uma empresa Multinacional como a Pride, grandeza máxima no mercado petrolífero, facturando milhares de milhões de dólares, ousa ir à companhia de Seguros (ENSA, neste caso) fazer uma falsa declaração dos emolumentos de um dos seus funcionário mesmo para receber em troca umas dezenas de dólares por mês!!!?... Não é possível? É.

Não é credível, de acordo, mas foi o que aconteceu com o Nelson Koxi, que teve a satisfação de ter ouvido, mau grado a sua deficiência auditiva, um pedido de desculpas por parte de representantes da sua empregadora, provavelmente os mesmos que contribuíram para que tão vergonhoso acto fosse perpetrado em nome duma tão prestigiosa organização».

Curiosamente, na musculada invectiva da PRIDE contra o F8, nem uma vírgula foi lançada ao papel para manifestar qualquer repulsa pelo que nós nestas passagens revelamos. Silêncio total, quer dizer, pedaço de folha na sua magnífica e pura brancura. Nada. Porquê? Porque o que escrevemos corresponde à verdade. E temos provas!

Uma deliberação feita em cima do joelho
O CNCS agiu sem ponderar o que está realmente em jogo neste caso de vergonhoso tratamento de um cidadão nacional por parte de uma empresa multinacional e multimilionária. O CNCS comportou-se de facto como se fosse parte integrante da PRIDE, puxando a brasa para a sua sardinha sem levar em conta o fundo da questão. Uma questão grave de ofensas corporais sobre um homem diminuído e tratado como se pertencesse à ralé do nosso país. Só que, a verdadeira ralé, moral, neste caso, é a PRIDE! E o CNCS defende a ralé. Não lhe fica bem tanta subserviência nesta mostra clara de ignorância total de equidade.

O CNCS deliberou deste modo, primeiro, para amesquinhar sem razão o F8, o que de resto já é um refrão repetitivo; segundo, deliberou sem ter a mais pequena razão de deliberar, pois para além do seu mandato estar caduco desde há quase dois anos, o F8 agiu em relação a este caso de acordo com a lei e não com a fanfarra do CNCS.

Quer dizer, o CNCS, para deliberar em consonância com a “Constituição Jesiana” deveria antes legalizar a sua situação do ponto de vista legal e administrativa, que por ora está totalmente fora da lei. O CNCS existe com esta arrogância intimidativa, tipo castrense, porque em Angola muitas leis não se cumprem. O F8, tal como faz o CNCS não vê legitimidade na sua deliberação por vir de um órgão que se encontra fora da lei. Não tem sentido.

Extracto do artigo da edição de 2 de Abril de 2011
A empresa petrolífera multimilionária Pride, por vias travessas, enviou uma missiva em jeito de solicitação de observância do que deveria ser um Direito de Resposta a um artigo da nossa edição do 11 de Fevereiro de 2011, mas que, violam de forma flagrante os n.º 3 e 4 do artigo 65.º (Exercício dos direitos de resposta e de rectificação), por virem com uma série de mentiras e calúnias, com as quais não podemos compactuar, senão vejamos o que diz a lei: "3. O direito de resposta e o de rectificação deve ser exercido mediante petição constante de carta protocolada com assinatura reconhecida, dirigida à direcção do periódico ou da entidade emissora, na qual se refira o facto ofensivo, não verídico ou erróneo e se indique o teor da resposta ou da rectificação pretendida.
4. O conteúdo da resposta ou da rectificação deve ser limitado pela relação directa e útil com o artigo ou emissão que a provocou e não pode exceder o número de palavras do texto respondido, nem conter expressões que envolvam responsabilidade criminal ou civil, a qual, neste caso, só é responsável o autor da resposta ou da rectificação".