domingo, 15 de maio de 2011

Secretário-geral da UNITA, afirma. Numa defende autonomia do enclave de Cabinda para alcance da paz


O secretário-geral da UNITA, Abílio Kamalata Numa defendeu numa palestra, no Namibe, promovida pela Procuradoria-Geral da República, a autonomia de Cabinda como base para se alcançar uma solução imediata. “Temos que ter em atenção na construção da pátria a especificidade de Angola. Cabinda é uma especificidade e não é problema nenhum admitir isso. Não olhemos só para o petróleo” – disse.

“Porque não desenvolvemos uma auto determinação? Portugal está a viver bem com a Madeira e os Açores. Há vários estados assim. Porque é que continuamos a fazer sofrer um povo que pensa de forma diferente?” – questionou.

“Os Cabindas estejam eles na UNITA, MPLA ou na FNLA eles pensam mesmo como Cabindas. Todos eles. O resto é mentira. Todos eles pensam da mesma forma” – referiu.

“Ouvi falar de muitos ditadores, mas os ditadores dos últimos 30 anos, não sei é por causa do “boom” do petróleo, da forma como delapidaram os erários públicos dos seus países é assustadora. E até mais, não tiveram pejo em distribuir dinheiro para os seus familiares” – frisou.

“Olhas para o Mubarak está-se a falar logo do filho e da mulher; olhas para o Ben Ali, da Tunísia, é o filho, as mulheres que nem sequer tiveram dinheiro. É porque isto é da mulher. Queremos também saber aqui um bocado, para além daquilo que já se tem ouvido, porque esse dinheiro é nosso” – continuou.

Milionários angolanos e o crescimento económico do país
“Não podemos dizer que Angola está a crescer economicamente e isto não se reflecte na vida de cada um de nós. Angola está a crescer economicamente bem, mas que isso se reflicta na vida dos angolanos” – sublinhou.

“Na era colonial, as pessoas construíam as suas casas, mobilavam-nas, tinham carros e outras coisas na base do emprego e do crédito. Hoje não”.

“A economia do mundo não funciona assim. Comprar tudo. O indivíduo pega em 500 mil dólares e está a comprar uma casa. Tiraste aonde o dinheiro? 500 mil dólares tirar duma só vez e comprar uma casa, tiraste aonde o dinheiro?” – indagou.

“Vais ver indivíduos com sete casas e cada casa com um valor de um milhão de dólares. Tirou aonde isso? Vais ver quintais com mais de sete carros top de gama, valor – cento e tal mil dólares cada carros. Tirou aonde esse dinheiro?” – interrogou ainda.

“Aos outros não aceitam só, no mínimo, que também criem condições de vida a partir do seu suor, dando-lhes bom salário, emprego e possibilidade de aquisição desses meios”.

Liberdade de expressão
“A falta de liberdade é como se estivesse a ser asfixiado para não respirar. Apertam-te a boca e o nariz e você não consegue respirar. É isso que se chama falta de liberdade” – explicou.

“Normalmente quando as faltas de liberdades são imensas e duram muito tempo, quando o povo começa a respirar um pouco, torna-se tresloucado e é aquilo que costumamos a ver no outro mundo”.

“A limitação de liberdades é muito perigosa. Aquilo que se vê ali, em que as pessoas, mesmo a morrer, vão até as ultimas consequências é a falta de liberdade” – concluiu.

As voltas que a pobreza colonial dá. Isabel dos Santos primogénita de um presidente pobre é a mais rica de África


A notícia que aqui adiante publicamos já foi divulgada pela Forbes, mas a verdade é que, assim lida, sem comentário, ela se parece com uma redundância, tantas foram as vezes que veio à baila a riqueza fenomenal de Isabel dos Santos, que, em pouco mais de dez anos se transformou de donzela estudiosa em figura de realce do jet-set internacional. Porque será?

William Tonet*

Em África, ela apresenta-se agora como estando entre as nove mais ricas mulheres do continente. As outras são personalidades conhecidas da África do Sul, o que significa que Isabel dos Santos é a mais rica mulher de África tirando as sul-africanas!

Se juntarmos à sua fabulosa fortuna, a fortuna fabulosa de Zenú dos Santos, com jacto privado ao seu serviço, o seu banco privado Quantum, gerido por um dos mais importantes banqueiros da Europa, as suas moradias em Angola e no estrangeiro. Se levarmos em linha de conta outras fortunas dos filhos Zenu dos Santos, Tchizé dos Santos, entre os demais, então poderemos acreditar que este regime não é diferente em nada aos da Tunísia, de Bem Ali, do Egipto de Mubarak, de Kadhafi da Líbia, do Zimbabwe de Mugabe e de outros tantos ditadores, que transformam os cofres públicos num túnel para o privado.

E se, ao mesmo tempo, nos lembramos do discurso do papá, José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola e de muitas outras coisas, de o problema da pobreza ser um problema do tempo colonial, que o pai dele era pobre, concomitantemente, ele pobre, também…

Agora o que se questiona é, se eles, os filhos de Nguxito, não são herdeiros, nem do avó nem do pai, que nunca foram ricos, então como conseguiram, em tão pouco tempo, esta colossal fortuna?

Porquê que a PGR não abre nenhuma investigação sobre o enriquecimento ilícito destes cidadãos, mas em contrapartida, por muito menos vários cidadãos estão nas masmorras das fedorentas prisões de Angola, por muito menos.

E para não navegarmos por outras águas, apenas uma questão. Porque razão está preso o filho do membro do Bureau Político do MPLA, Norberto dos Santos, Kwata Kanawa, sob a alegação de ter fornecido o seu número de conta, para aí domiciliarem transferências, legitimamente assinadas pelos governadores do Banco Nacional de Angola? Se os filhos de Nguxito e os governadores do BNA estão sem nenhum processo, então as razões se aproximam, ao ponto de se distinguirem do art.º 23.º da “Constituição Jesiana”: (Principio da Igualdade) “1. Todos são iguais perante a Constituição e a lei”.

Mas ao que parece estes meninos não são iguais aos demais autóctones pese a clareza do n.º 2 do mesmo artigo: “Ninguém pode ser prejudicado, privilegiado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da sua ASCENDÊNCIA, sexo, raça, etnia, cor, deficiência, língua, local de nascimento, religião, convicções políticas, ideológicas ou filosóficas, grau de instrução, condição económica ou social ou profissão”.

Ora, aqui, a única justificativa parece ser aliada da ASCENDÊNCIA dos filhos do líder do MPLA…

O resto, bom, o resto, fica para cada um tirar as suas ilações….

PRIMEIRA ENTRE NOVE HERDEIRAS
A filha oficial mais velha do Presidente da República de Angola, há 32 anos no poder, sem nunca ter sido eleito, Isabel dos Santos é a primeira dentre nove mulheres africanas mais ricas, de acordo com a revista Forbes.

Caricato para os angolanos, não é de Isabel não poder ser milionária. Não! Pode. A questão é de a maioria não perceber, como sendo neta materna e paterna de pobres e filha, igualmente, de pobre, tenha em tão pouco tempo conseguido uma riqueza descomunal, que a catapultou para o mais alto pedestal africano, superando filhas herdeiras de pais milionários.

Isabel dos Santos, casada com um cidadão estrangeiro, que tem primazia em quase todas as grandes oportunidades de negócios, em Angola, lidera oito fortunas baseadas na República da África do Sul, com uma fortuna calculada em mais de 243,433 milhões de dólares, segundo a revista Forbes, colocando-a como a mulher mais rica de África.

A revista sublinha que a empresária “começou a trabalhar aos 24 anos, usando a influência do seu pai", o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, cujo poder é quase ilimitado.
A revista destaca, por outro lado, a “ligação próxima” que a empresária tem com Portugal, onde detém participações em empresas, nomeadamente na Zon Multimédia (10%), no BES, no BPI e na EDP.
As outras oito mulheres milionários incluídas na lista da Forbes, são:

2. Bridgette Radebe, filha do milionário sul-africano Patrice Motsepe ligado á indústria mineira. A empresária é casada com o actual ministro da Justiça da África do Sul.

3. Irene Charnley, ligada à área de telecomunicações. Foi executiva na MTN, o maior grupo de telecomunicações de África, tendo conseguido expandir a empresa para vários países africanos. A responsável saiu da MTN em 2007, estando actualmente como presidente executiva da Smile Telecoms, uma operadora de telecomunicações “low cost” sedeada nas Maurícias.

4. Pam Golding enriqueceu através de negócios na área imobiliária, depois de ter fundado a Pam Golding Properties, em 1976. Actualmente a empresária está retirada da vida profissional activa.

5. Wendy Appelbaum, única filha do milionário sul-africano Donald Gordon. A responsável assumiu a liderança da Liberty Investors, antiga holding cotada do grupo segurador Liberty, fundado pelo seu pai. Entretanto Wendy Appelbaum vendeu a sua participação na empresa, tornando-se rica.

6. Elisabeth Bradley enriqueceu através de vários investimentos realizados, tendo a fortuna sido iniciada pelo pai, nomeadamente através da venda de 25% da Toyota South-Africa à japonesa Toyota Motor Corp. por 320 milhões de dólares.

7. Mamphela Ramphele, média e ex-activista anti-apartheid, é uma das africanas mais ricas, encontrando-se actualmente à frente da Circle Capital Ventures.

8. Sharon Wapnick é accionista da Octodec Investments e da Premium Properties, empresas fundadas pelo seu pai, Alec Wapnick.

9. Wendy Ackerman que, em conjunto com o marido, controla a Ackerman Family Trust, que por sua vez detém a Pick ‘n’ Pay, um das maiores retalhistas de África do Sul.

Escritório de advogados no mundo do crude. Fátima Freitas lança colectânea sobre legislação petrolífera


O escritório de advogados de Fátima Freitas, que trabalha com algumas empresas petrolíferas estrangeiras que operam em Angola, em aliança, como não podia deixar de ser, com um escritório de advogados portugueses, Miranda Correia Amendoeira & Associados, lançou uma obra sobre a legislação reguladora da indústria petrolífera e do gás em Angola, visando dar uma contribuição sobre o que se passa no mundo do crude, revelaram no dia 04.05, os seus autores.
A obra, que os autores apresentam como a primeira coletânea de legislação petrolífera angolana, reúne o conjunto da legislação reguladora desta indústria, tanto no segmento “upstream” (pesquisa e produção) como “downstream” (transformação, distribuição e retalho).
“Angola é hoje vista, no que toca à legislação do petróleo e gás, como um modelo que vários países procuram abertamente imitar”, consideram os autores da obra.
Na nota introdutória, os autores do livro referem como o petróleo jorrou pela primeira vez em Angola em 1955, no poço denominado Silva Carvalho, perfurado na estrutura, então localizada na zona do Benfica, alguns quilómetros a sul de Luanda.
Em sequência, relatam, “o Governo de Lisboa apressou-se então a aprovar” dois decretos, em novembro de 1957, “estabelecendo o regime fiscal das concessões para a exploração de petróleo”.
A regulamentação sistemática só surgiu, porém, em 1978, depois da independência de Angola, referem os autores, com a criação da empresa estatal Sonangol e do Ministério dos Petróleos.
É nela que é referido também o pormenor curioso de a indústria petrolífera internacional ter nascido pela mão de um jurista americano que falava português – George Bissell, em 1859, na Pensilvânia.
Facto não relevado pelos autores, na colectânea, talvez por maior cumplicidade com os patrões, foi a passagem de uma esponja sobre as violações cometidas por muitos operadores estrangeiros, em clara violação com a legislação em vigor e as disposições e instrutivos do Ministério dos Petróleos. Esperemos que uma próxima obra possa versar sobre tão candente assunto e que aflige milhares de técnicos angolanos ligados ao mundo de produção e prestação de serviços as empresas petrolíferas.

Órgão ilegítimo quer ditar orientações. Conselho da Comunicação Social calunia e mente sobre F8


Na sua deliberação datada do dia 29 de Abril de 2011, o Conselho Nacional de Comunicação Social (CNCS) deliberou “ (…) ordenar ao semanário Jornal Folha 8 que proceda no prazo de 48 horas a contar da data da recepção desta deliberação, a publicação coerciva da resposta solicitada pela PRIDE, constante no pedido de 11 de Março de 2011 endereçado ao Director da publicação, o senhor William Tonet, acompanhada da menção de que a publicação é efectuada por efeito de deliberação do Conselho Nacional de Comunicação Social”.

Esta decisão é surrealista e mostra duas coisas: primeiro, o CNCS não lê o F8 e quando assim é não delibera com imparcialidade, mas sim com calunia publicitando maldosamente um órgão como o nosso; segundo, o CNCS não tem poderes para ameaçar coercivamente a publicação de um direito de resposta, pelo que esta musculatura intimidativa não nos engaja. F8, não pode publicar um direito de resposta, mas desculpa o CNCS porque a situação de caducidade retira-lhe o direito de pensar, mas este não é um assunto do nosso fórum... Isto quer dizer que melhor fará o CNCS se arredar caminho, enquanto órgão ilegítimo e prosseguir a sua acção em Tribunal, colocando-se ao lado da empresa de petróleos, que seguramente não nos paga nenhum honorário. Nós não nos intimidamos com estas ameaças de quartéis.

Mas rememoremos aos nossos leitores todo este show off do Conselho Nacional de Comunicação Social
A PRIDE é uma multinacional sediada em Houston, nos Estados Unidos da América, e presta serviços à indústria petrolífera em África, Ásia, Europa, América do Sul e Médio Oriente. Instalada em Angola em parceria com a Sonangol, esse gigante americano, uma das maiores empresas do mundo a actuar na área petrolífera, criou em 1998 uma sociedade de direito angolano, a Sonamer, especialista na perfuração de poços de petróleo e gás em águas profundas e ultra-profundas Plataforma Continental Marítima. Como accionista apenas se contam a própria Pride Foramer, com 51% de acções, e a Sonangol, que detém os restantes 49%.

O “Caso”
Quanto ao caso em questão, esse refere-se a Nelson Koxi, na altura dos factos, Chefe Operador dos Helicópteros da Sonair no Bloco 17, plataforma essa que foi perfurada pela Pride/África, que de entrada em matéria deu a cara e pretende obter algum reparo de uma situação indecorosa criada em torno duma doença que o atingiu brutalmente.

A partir de 2003 começou a ter problemas de audição em virtude de o seu trabalho ser sempre realizado em ambientes extremamente ruidosos. Em 2004 a sua doença agravou-se e ele teve de recorrer aos serviços hospitalares da Clínica Sagrada Esperança (CSE), na Ilha de Luanda. Esta, enviou um relatório à Pride, especificando que o técnico não poderia continuar a prestar serviço em locais ruidosos por se encontrar num estado clínico de ameaça de surdez grave do lado direito, sugerindo o uso regular de aparelhos auditivos de ampliação de som.

A empresa multinacional recebeu o relatório, tal como foi ulteriormente constatado, manteve-o em segredo entre 2004 e 2010. SEIS ANOS!

Quer dizer Koxi continuou a trabalhar no duro e no ruído realmente ensurdecedor até 2007, altura em que foi obrigado a ser evacuado da plataforma para ser internado uma vez mais na CSE e fazer com urgência exames aprofundados do seu sistema auditivo.

A sua surdez passou a ser uma ameaça de atingir os 100%., uma vez que no ouvido direito a surdez era isso mesmo, 100%, enquanto no ouvido esquerdo ela atingia os 40% (60% de audição), o que nos levou a escrever num artigo publicado no dia 2 de Abril passado - no qual esgrimimos argumentos justificativos da nossa atitude em resposta ao pedido de resposta da PRIDE -, que perante tanta felonia, tínhamos concluído que «estamos em face da ressurgência de uma nova variante de escravatura, não podemos escrever assim, tão pequeno, tem que ser escrito em grande, ESCRAVATURA.

Não a escravatura clássica, de poder de vida e de morte sobre o escravo, isso já não é possível! Esta “escravatura” da Pride Foramer é a escravatura possível, porque há leis e é imprescindível fazer crer que se obedece a essas leis. E a Pride obedece, mas escondendo relatórios médicos, por exemplo, esperando a reacção do empregado quando lhe desfalca nos salários a pagar os montantes pagos para o tratamento da sua deficiência física, de que ela, a Pride, é responsável de A até Z».

Um pouco mais adiante, escrevemos no mesmo artigo:
«Uma empresa Multinacional como a Pride, grandeza máxima no mercado petrolífero, facturando milhares de milhões de dólares, ousa ir à companhia de Seguros (ENSA, neste caso) fazer uma falsa declaração dos emolumentos de um dos seus funcionário mesmo para receber em troca umas dezenas de dólares por mês!!!?... Não é possível? É.

Não é credível, de acordo, mas foi o que aconteceu com o Nelson Koxi, que teve a satisfação de ter ouvido, mau grado a sua deficiência auditiva, um pedido de desculpas por parte de representantes da sua empregadora, provavelmente os mesmos que contribuíram para que tão vergonhoso acto fosse perpetrado em nome duma tão prestigiosa organização».

Curiosamente, na musculada invectiva da PRIDE contra o F8, nem uma vírgula foi lançada ao papel para manifestar qualquer repulsa pelo que nós nestas passagens revelamos. Silêncio total, quer dizer, pedaço de folha na sua magnífica e pura brancura. Nada. Porquê? Porque o que escrevemos corresponde à verdade. E temos provas!

Uma deliberação feita em cima do joelho
O CNCS agiu sem ponderar o que está realmente em jogo neste caso de vergonhoso tratamento de um cidadão nacional por parte de uma empresa multinacional e multimilionária. O CNCS comportou-se de facto como se fosse parte integrante da PRIDE, puxando a brasa para a sua sardinha sem levar em conta o fundo da questão. Uma questão grave de ofensas corporais sobre um homem diminuído e tratado como se pertencesse à ralé do nosso país. Só que, a verdadeira ralé, moral, neste caso, é a PRIDE! E o CNCS defende a ralé. Não lhe fica bem tanta subserviência nesta mostra clara de ignorância total de equidade.

O CNCS deliberou deste modo, primeiro, para amesquinhar sem razão o F8, o que de resto já é um refrão repetitivo; segundo, deliberou sem ter a mais pequena razão de deliberar, pois para além do seu mandato estar caduco desde há quase dois anos, o F8 agiu em relação a este caso de acordo com a lei e não com a fanfarra do CNCS.

Quer dizer, o CNCS, para deliberar em consonância com a “Constituição Jesiana” deveria antes legalizar a sua situação do ponto de vista legal e administrativa, que por ora está totalmente fora da lei. O CNCS existe com esta arrogância intimidativa, tipo castrense, porque em Angola muitas leis não se cumprem. O F8, tal como faz o CNCS não vê legitimidade na sua deliberação por vir de um órgão que se encontra fora da lei. Não tem sentido.

Extracto do artigo da edição de 2 de Abril de 2011
A empresa petrolífera multimilionária Pride, por vias travessas, enviou uma missiva em jeito de solicitação de observância do que deveria ser um Direito de Resposta a um artigo da nossa edição do 11 de Fevereiro de 2011, mas que, violam de forma flagrante os n.º 3 e 4 do artigo 65.º (Exercício dos direitos de resposta e de rectificação), por virem com uma série de mentiras e calúnias, com as quais não podemos compactuar, senão vejamos o que diz a lei: "3. O direito de resposta e o de rectificação deve ser exercido mediante petição constante de carta protocolada com assinatura reconhecida, dirigida à direcção do periódico ou da entidade emissora, na qual se refira o facto ofensivo, não verídico ou erróneo e se indique o teor da resposta ou da rectificação pretendida.
4. O conteúdo da resposta ou da rectificação deve ser limitado pela relação directa e útil com o artigo ou emissão que a provocou e não pode exceder o número de palavras do texto respondido, nem conter expressões que envolvam responsabilidade criminal ou civil, a qual, neste caso, só é responsável o autor da resposta ou da rectificação".

domingo, 8 de maio de 2011

Aqui escrevo eu. William Tonet. Nossa pobreza é da ditadura e da corrupção


O caminho dos perversos é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam. Prov. 4:19.

Oiço, ainda, ao longo dos dias, nos becos, nos passeios, nos candongueiros, nas aulas, nos cafés, os mais dispares comentários sobre o discurso do presidente do MPLA, no antes e pós congresso extraordinário, relativa a sua visão “demisionária” relativa a pobreza. “…É do tempo colonial… Já encontrei”, disse Dos Santos ao ponto de decepcionar e revoltar a maioria dos autóctones.

E na esquina adiante surge a outra pérola, “nós vamos ganhar as próximas eleições”. É wanga (feitiço) forte, vaticinar uma vitória de um acto tão distante.

Eu, por respeito a esta coluna, decidi, aqui, não comentar, melhor, não escrever, pela pobreza de conteúdo de algo que poderia ser melhor, para quem está tanto tempo no poder e que, afinal, para lá se perpetuar, precisa de blindar e alargar as rédeas dos seus caciques, para afinarem a forma de assassinar, selectivamente, todos quantos não dancem o seu batuque. Por isso, com a devida vénia: “VÃO TODOS P’RA ….. POBREZA.

E, aqui chegados, em função de ausência de instituições de Estado, mas PARTIDOCRATAS e habilmente manipuladas, não acredito haver condições para emprestar o meu voto, para legitimar uma farsa eleitoral.

Se a maioria dos autóctones sedentos de verdadeiras mudanças e da implantação de uma democracia real, interpretarem na plenitude estas palavras e comportamentos do partido no poder, podem avocar o seu direito de NÃO VOTAREM e desta forma corporizarem o DIREITO DE RESISTÊNCIA/DIREITO DE ACÇÃO POPULAR, inserido no art.º 74.º da “Constituição JESIANA”.

Isso porque havendo perspectiva de batota flagrante de nada valerá os angolanos participarem no “TEATRO DE FANTOCHES”, como figurantes.

É uma forma de os angolanos se manifestarem contra a fraude e a batota anunciada de perpetuação no poder de um regime que não cura pela transparência dos actos públicos.

Não havendo uma comissão eleitoral independente, vai continuar tudo na mesma e quiçá piorar o quadro de equilíbrio requerido.

Por este motivo me solidarizo, eu, também com a brilhante visão sobre perversão de Alejandro Bullón.

Assim temos que “perverso é aquele que busca o seu próprio caminho e insiste em andar nele. A sua vida é tenebrosa e escura. Não há luz. As coisas com ele nunca são claras, vive sempre mergulhado na ambiguidade e na penumbra. Pode até brilhar, mas é um brilho artificial.

O combustível que o alimenta é a vaidade, o orgulho e o egoísmo.

O problema do perverso não é somente o que faz, mas essencialmente o que é. Existem sombras no seu interior. Não é capaz de compreender a si mesmo. Vive confuso, nervoso e acaba por magoar e tornando infelizes as pessoas que o rodeiam.

O verso de hoje diz que os perversos “nem sabem em que tropeçam”. Não conseguem identificar a causa dos seus problemas e, em consequência, não encontram solução.

O perverso segue um caminho. Acha que o caminho que escolheu é o melhor. Confia nos seus sentimentos, nos seus conceitos e preconceitos. Endeusa a razão. Na sua vida não há lugar para a fé. Olha aos que exercem a fé como pessoas ingénuas, crédulas demais para viver num mundo de ciência e tecnologia. Mas não é feliz.

A escuridão não é símbolo de paz nem de felicidade. As sombras são assustadoras, e uma vida rodeada delas é necessariamente uma vida de medo. Para quem não conhece a Jesus, só existem duas maneiras de enfrentar o medo: Fugir ou agredir. Por trás de uma pessoa agressiva, frequentemente se esconde uma pessoa medrosa.

Este é um dia de decisão. Todos os dias o são. Viver na luz ou nas sombras. Eis a questão. Viver na luz é ser. Escolher as sombras leva ao não ser. Se você não é, não vive. Sobrevive. Apenas isso, mas a vida que Jesus oferece é muito mais do que isso.

Abra o seu coração e pense com a consciência não votando na fraude. Deixe entrar a luz. Ilumine o mundo ao seu redor. Aconteça. Não se satisfaça com ler a história, muitas vezes deturpada. Escreva-a. Com fé e crença é possível, mudar Angola, combatendo a PARTIDARIZAÇÃO DO ESTADO E A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA BATOTA.

Enfrente este novo dia com altruísmo porque a sua vida não pode continuar presa as técnicas da trapaça, porque: “O caminho dos perversos é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam.”

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Governo luso assume responsabilidade. Portugal vai pagar fatura até 2020 aos ex-militares da guerra colonial




Portugal vai pagar os custos da guerra colonial até 2020, segundo um estudo que analisou a estrutura médica, jurídica e administrativa, a assistência médica e sanitária, bem como as pensões e isenções fiscais dos ex-militares com mazelas atribuídas ao conflito. Será que algum dia estes governantes terão o bom senso de fazer o mesmo para se evitar que um dia estes militares que andaram a combater Angola adentro, não tenham a motivação de regressar a guerra.

“Feridas de Guerra: (In) Justiça Silenciada” é o nome de uma investigação inédita realizada por uma equipa multidisciplinar do Ministério da Defesa e do Instituto Superior de Tecnologias Avançadas de Portugal sobre a deficiência de guerra no Exército.
O estudo baseou-se em 3.020 queixas de ex-militares da guerra colonial, apresentadas entre 1997 e 2006, com vista à obtenção do estatuto de deficiente das forças armadas, todas elas despachadas pelo Ministério da Defesa.
Estes 3.020 militares prestaram serviço em Angola, Moçambique e Guiné, entre 1960 e 1974, no âmbito de uma guerra que envolveu um milhão de homens e resultou em 10 mil mortos e 30 mil feridos.
Tendo por base a idade dos autores das queixas - entre 50 e 55 anos – os investigadores concluíram que o ciclo das queixas decorrentes das guerras coloniais terminou em 2010, pelo que o estudo prevê um adicional de 1.800 queixas.
Destes 1.800 casos, 10% deverão ser classificados como não deficientes das forças armadas, 25% deverão ter acesso ao Estatuto de Deficientes das Forças Armadas e 65% deverão ter uma “desvalorização ligeira, moderada ou grave” (neste último caso, não reunindo as condições para acesso ao estatuto, apesar de apresentarem uma desvalorização igual ou superior a 30%).
Os custos referentes à guerra colonial – que englobam a estrutura médica, jurídica e administrativa associada, a assistência médica e sanitária decorrente da sua classificação enquanto doença profissional, bem como as pensões e isenções fiscais – deverão cessar em 2020, de acordo com o estudo.
Os investigadores analisaram ainda as novas missões em que as Forças Armadas Portuguesas (FAP) se encontram envolvidas, iniciadas pelas Forças Nacionais Destacadas (FND) em 1997, e as missões de observação da ONU/UE, que têm “um carácter distinto da guerra de África”.
As FND são “operações de baixo risco físico e médico-sanitário, de curta duração (seis meses com possibilidade de repetição voluntária), e com elevado desgaste psicológico, considerando as primeiras missões na Bósnia, Kosovo, Timor e Afeganistão”.
O risco das doenças emocionais nos Teatros Operacionais (TO) onde se integram as FND terá, sobretudo, “a ver com as queixas dos acontecimentos de vida relativos aos familiares dos militares, com a rotina, as diferenças culturais e o contacto inicial com níveis de destruição massivos provocados pelas várias guerras civis, provocadoras de estados de miséria infra-humanos em elevada escala”.
Os autores admitem nestes casos “um maior peso em queixas retardadas, no domínio das doenças emocionais, com um número muito reduzido de casos de stress pós-traumático”.
“Se nada de diferente for feito, e se a média de idades das queixas se mantiver por volta dos 50 anos de idade, é de prever que a partir de 2027 se inicie o ciclo de queixas de militares das FND”.
“Com o atual sistema de queixas, de avaliação, de tramitação processual e de despacho final, e mantendo-se a idade média de apresentação da queixa, haverá encargos (médico-sanitários administrativos e de pensões) num período da ordem dos 30 anos, correspondente ao tempo entre a idade de apresentação da queixa e a esperança média de vida, 80 anos de idade”.

Ainda há metal de balas e ferimentos no corpo dos militares, mais do que mazelas da alma

A guerra colonial começou há 50 anos, mas muitos ex-militares ainda trazem no corpo metal de balas e ferimentos de granada. É destas feridas que ainda hoje se queixam, bem mais do que das dores da alma, o que surpreendeu investigadores.
Do universo global de 3.020 pessoas, foi construída uma amostra aleatória de 575: 385 (66%) praças, 86 (15%) furriéis, 36 (6%) sargentos, 45 (8%) oficiais subalternos e capitães e oito oficiais superiores, sendo que a maioria dos ex-militares cumpria o Serviço Militar Obrigatório (SMO).
Inédita, a investigação incidiu sobre acidentes, traumas e doenças adquiridas na guerra colonial – onde terão morrido 10 mil militares e sido feridos 30 mil, do milhão de envolvidos – e foi elaborada por uma equipa multidisciplinar do Ministério da Defesa e do Instituto Superior de Tecnologias Avançadas.
O seu coordenador, o coronel de Artilharia na reserva João Andrade da Silva, não esconde a surpresa com os resultados. “Tendo em conta que se estimava a existência de 30 mil ex-militares com stress pós traumático, surpreendeu-nos que a maioria da amostra (52 por cento) se queixasse de ferimentos simples: não tratados e múltiplos”.
As queixas repartiram-se pelos acidentados simples (210 – 36%), politraumatizados (91 – 16%), stress pós traumático e doenças emocionais (143 – 25%), trauma ou doença secundária (60 – 10%), doenças primárias (896 – 17%) e indefinidos (46 – 8%).
As conclusões obrigam a "uma profunda revisão das metodologias de diagnóstico aquando das ocorrências, no fim da vida militar e no seguimento médico após a vida militar”, defendem os investigadores.
De acordo com o estudo, os combatentes mais afetados foram os militares de infantaria, (250 – 43 por cento da amostra), seguidos dos transportes (53), atiradores de artilharia (30) e transmissões e reabastecimentos.
Estes ex-combatentes manifestaram as suas queixas 30 anos depois das ocorrências e quando já estavam com uma média de idade de 50 anos, o que o coordenador atribui, entre outras razões, à aproximação da idade da reforma.
Perante os dados, os investigadores concluíram que “os sistemas de seleção militar em tempo de guerra ou de crise de efetivos, de diagnóstico em tempo de guerra e do acompanhamento dos cidadãos, depois de passarem à disponibilidade, funcionaram com um grau de ineficácia de 20 a 40 por cento”.
Muitos militares "ou não foram diagnosticados, ou foram objeto de diagnósticos otimistas, o que teve efeitos dramáticos para eles e as suas famílias ao longo de décadas”, lê-se no documento, a que a Lusa teve acesso.
Também não tem sido célere o processo de diagnóstico e deferimento de queixas, que demora cinco anos em média, “independentemente da gravidade das lesões”.
Apesar das queixas tardias, tem sido reconhecido a 90 por cento dos militares um grau de incapacidade que varia entre um e 100 por cento, sendo que a 25 por cento foi reconhecido o estatuto de DFA - militares com mais de 30 por cento de incapacidade, adquirida em ações diretas de combate.
Os ex-militares DFA têm isenções fiscais e pensões médias de mil euros por mês, além de apoio médico.

É preciso falar da guerra, chorar os mortos e celebrar os que estão vivos

Os ex-combatentes nas antigas colónias precisam de falar da guerra e fazem-no entre conversas sobre política e futebol, intervaladas com abraços e lágrimas pelos que morreram, mas também de alegria por terem sobrevivido, ainda que alguns amputados, cegos ou traumatizados.
“Precisamos de falar da guerra”, disse o presidente da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA), José Arruda.
Meio século após o início da guerra colonial, são “cada vez mais” os que se reencontram em almoços de ex-combatentes. Alguns vêm com os netos, depois de uma vida em que a família, o emprego e as obrigações sociais adiaram um abraço.
“Falamos das cartas que escrevíamos às namoradas, das fotografias da família por quem ansiávamos, da marca – os filhos – que tínhamos deixado aqui antes de embarcar para uma guerra para onde fomos matar para não morrer”, afirma José Arruda.
Nesses encontros de ex-combatentes, as conversas não são só sobre a guerra, mas vão sempre dar a este tema. Os ex-combatentes “estão mais velhos, mas ainda não deixaram de precisar de chorar pelos amigos que perderam na guerra, nem de alegria por estarem vivos”, continua.
José Arruda lembra – como acredita que recordam os ex-combatentes nas guerras coloniais – aquele embarque a caminho de África, com os lenços brancos e o toque do hino nacional a tentarem dar ânimo, numa missão quase impossível.
“As coisas foram muito difíceis. Somos um povo de poetas que também choram e não são, por isso, nem mais nem menos fortes, mas que trouxeram marcas. Muitos deles nunca mais largaram os comprimidos”, afirma.
José Arruda acredita que estes momentos de convívio são a catarse tantas vezes adiada pela necessidade de, após o regresso, reconstruir a vida: tratar da família, arranjar emprego.
Confraternização que é igualmente de júbilo por estes homens terem regressado vivos: “Quando viemos, estávamos mais morenos, marcados seguramente, mas felizes por pisarmos o chão vivos, ainda que sabendo que o barco que nos trazia também transportava caixões com camaradas mortos e alguns feridos”.
O 25 de abril nunca é, por isso, ignorado pela ADFA.
Em 1974, muitos militares como José Arruda estavam em hospitais militares e, na altura, gritaram “nomes muito feios ao regime” que a revolução depôs.
“Vivemos [o 25 de abril] com emoção, mas também com raiva: porque é que não chegou mais cedo, antes desta guerra injusta e evitável?”, questiona José Arruda.
As baixas continuam, agora por causa do álcool consumido para esquecer. Todos os dias há ex-combatentes da guerra colonial que morrem com doenças herdadas do tempo em que bebiam álcool para esquecer os combates, revelou o presidente da Associação dos Deficientes das Forças Armadas (ADFA).
“Quando vínhamos do combate tinha de haver álcool. Naquela altura não havia telemóvel nem televisão, então bebíamos. E bebíamos ainda mais se algum dos nossos morria”, contou Arruda.
Num discurso emocionado a propósito dos 50 anos do início da guerra colonial, e nas vésperas das comemorações do 25 de abril, o presidente da ADFA questionou: “Como é que se mantinha uma juventude isolada e a ver gente a morrer?”.
Os efeitos deste consumo ainda hoje se fazem sentir e refletem-se na saúde dos ex-militares, com doenças do fígado e do pâncreas. “Todos os dias cai gente com estas mazelas, apesar de assegurarmos assistência médica”, adiantou.
Gente que se reúne na sede da ADFA, em Lisboa, e nas suas 12 delegações regionais, onde as memórias são terapêuticas e repartidas pelos 13 mil associados.
Destes, cerca de 3.000 são grandes deficientes, ex-militares que entre 1960 e 1974 perderam pernas, braços ou olhos e ganharam stress pós traumático, com que ainda hoje vivem. “Foi um momento errado de um Portugal que estava escondido atrás do sol e obrigou a juventude portuguesa a partir para uma guerra evitável, injusta, que estava fora de tempo”, disse.
O resultado deste combate, que mobilizou um milhão de portugueses, foram “10 mil mortos e milhares de estropiados”, recorda José Arruda, para quem esta foi a fatura do “erro de um país que não estava a olhar para as mudanças que estavam a acontecer”. “Sacrificou-se uma juventude e alguns continuam a carregar o fardo” dessa ordem de Salazar: “Para Angola e em força”.
Passados 50 anos, José Arruda considera que “ainda existem problemas concretos por resolver em relação aos direitos dos deficientes das forças armadas”. “Ainda há injustiças”, denunciou, lembrando a recente luta para evitar que fosse concretizado um ofício da Caixa Geral de Aposentações (CGA) que dava aos deficientes militares um prazo de dez dias para optarem entre a pensão indemnizatória ou a remuneração que recebem pelo exercício de funções públicas.
“A nossa pensão tem carácter indemnizatório. Nós não somos aposentados da Função Pública”, sublinhou José Arruda. “O que nós descontámos para receber esta reforma foram olhos, foram pernas, foi o sofrimento com o stress. Foi esse o nosso desconto e isso não se paga”, adiantou. Felizmente, disse José Arruda, “o Governo e o Ministério da Defesa foram firmes e mantiveram a posição de que as pensões dos deficientes das forças armadas têm caráter indemnizatório”, numa referência a uma clarificação do Conselho de Ministros de 31 de março.
A situação foi interpretada como “um aviso”: “Não podemos ter memória curta. Apesar de estarmos em liberdade, precisamos de estar determinados, unidos e coesos”.
“Servimos Portugal em situação de perigo ou perigosidade e hoje exigimos essa reparação moral e material e que nunca pode ser intermitente. Haja por nós respeito. Lutaremos sempre e nunca nos calaremos nos nossos direitos”, prometeu José Arruda.

Marcolino Moco e o Congresso do MPLA. Vai começar uma campanha eleitoral "montada numa falsidade"


Nisa Mendes

Marcolino Moco, antigo primeiro-ministro, ex-secretártio geral e militante do MPLA, considera o IV congresso extraordinário do seu partido, como o lançamento de uma campanha eleitoral “montada sobre uma grande falsidade”.
Em finais de 2009, foi realizado o VI congresso ordinário do MPLA, mas Marcolino Moco recusou o convite para participar nesse conclave, que esperava trazer "novidades" ao país, tendo em conta os discursos de combate à corrupção pronunciados naquele ano pelo presidente do partido e da República, José Eduardo dos Santos.
Desta vez, Marcolino Moco não foi convidado, mas mostra-se cético quanto às novidades que poderá suscitar este congresso extraordinário para avaliar o grau de aplicação do programa de governo proposto nas eleições de 2008 e traçar as estratégias de atuação para os próximos anos.
O político e docente universitário, uma das vozes contestatárias do partido, entende que os militantes devem aproveitar o congresso para refletirem sobre o perigo “de um país em que os partidos políticos não podem jogar o seu papel num sistema democrático”.
“Em política há sempre manipulação, mas considero que as manobras que José Eduardo dos Santos vai fazendo, obrigando todo o partido a estar a seus pés, são altamente perigosas para a segurança e estabilidade do país”, diz Marcolino Moco.
No entanto, considera “bons sinais a rejeição ou pelo menos reflexões” recentes de deputados do MPLA (que não identificou), sobre a aprovação de duas leis com as quais não concordavam – a do investimento privado, aprovada na semana passada, e a das comunicações eletrónicas, que ainda não foi votada no Parlamento.
“Foi algo inédito, nunca aconteceu até aqui, tirando eu próprio, não tem havido alguém com um mínimo de coragem para pôr travão a uma série de irregularidades graves que temos vivido”, diz.
Fazendo uma avaliação antecipada ao nível de cumprimento do programa de governação do MPLA, o político desvaloriza o facto de não terem sido cumpridas algumas das promessas feitas, mas considera grave o que chama de “destruição de todo um sistema” pelo Presidente, ou seja, o trabalho elaborado durante vários anos “para a construção de um Estado africano novo e moderno”.
“O problema está na destruição de todo um sistema, na colocação sob sua responsabilidade de quase tudo o que é poder em Angola. Isso é que é muito grave e o Presidente terá que parar algum dia para repor todos esses mecanismos que ele destruiu, porque senão ele estará cada vez mais encurralado”, assevera Marcolino Moco.
O antigo primeiro-ministro, que chegou a ocupar o cargo de secretário-geral do MPLA, acredita que as últimas contestações à governação, com realizações de manifestações, poderão ser igualmente abordadas durante o congresso, mas “no tom que for dado pelo Presidente”, porque “dentro do partido não se admite moções diferentes, opiniões diferentes”.
Marcolino Moco, afastado há mais de dez anos das estruturas do partido, diz que continua a ser militante do MPLA “por opção”, mas mantém a ideia de que devem continuar as mudanças pela via da transição e não com o regresso ao passado, o que implicaria “necessariamente uma revolução com resultados imprevisíveis”.

Arrancou projeto conjunto entre Angola e a Namíbia contra a malária


A iniciativa de luta contra a malária, um projeto comum entre Angola e a Namíbia denominada Transcunene, foi lançada no dia 25.04, num dos municípios fronteiriços, prevendo o tratamento de doentes dos dois países, independentemente da nacionalidade.
O diretor adjunto do Programa Nacional angolano de Luta contra a Malária, Nilton Saraiva, disse que Angola está já a ajudar a vizinha Namíbia a eliminar a doença. Estão a ser desenvolvidas ações conjuntas, como a pulverização, distribuição de mosquiteiros impregnados com inseticida e harmonização do protocolo de tratamento, ou seja, o uso do Coartem nos dois países, referiu o mesmo responsável.
A cerimónia coincidirá com o dia mundial e africano da malária, data em que se assinala o esforço global para controlar a doença. O tema do quarto dia mundial da malária, "Alcançar o progresso e impacto", sublinha os esforços renovados da comunidade internacional para atingir a meta de zero mortes por essa doença em 2015.
Angola espera eliminar a malária até 2030 quando a incidência da doença for de zero casos durante, pelo menos, três anos consecutivos.
Na região sul, onde a transmissão é baixa (Huíla, Kunene e Kuando Kubango) poder-se-á perspetivar a eliminação da malária até 2025.
Em 2010, Angola registou 3,5 milhões de casos de malária.
É neste quadro que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu no 21.04, que a maioria dos países africanos levará seis meses a um ano para a aplicação a recomendação da organização de usar artesunato em vez de quinino no tratamento da malária em crianças.
Em 2006, a OMS recomendou formalmente o uso de artesunato em adultos com malária grave, na sequência dos resultados de pesquisas científicas diversas, e na semana finda decidiu alargar esta recomendação para as crianças.
O especialista do Programa de Malária da OMS, Peter Olumesse, disse que em meados de 2012 a maioria dos países de África estará a usar artesunato, um derivado semi-sintético da artemisinina, que se revelou muito mais eficaz, mais fácil administrar e com um custo, em termos de tratamento, semelhante ao quinino.
Crianças menores de cinco anos respondem cerca de 85 por cento dos casos de malária no mundo.
Segundo estimativas recentes, há cerca de 225 milhões de casos de malária cada ano no mundo, a maioria sem complicações, mas cinco por cento das pessoas contraem a forma grave, que geralmente é fatal se não for tratada nas primeiras 24 horas do início dos sintomas.
Além disso, a malária comum pode tornar-se grave, principalmente nas pessoas que não tenham sido expostas antes à doença e não desenvolveram imunidade ao parasita, o que torna as crianças um grupo particularmente vulnerável.
Olumesse explicou que o tratamento com quinino, usado durante séculos, é complicado porque deve ser inoculado por soro, em doses calculadas de acordo com o peso do paciente, por quatro horas num ritmo estável, repetindo o tratamento até que o doente esteja em condições de receber tratamento oral. Recorde-se que o Artesunato não tem efeitos secundários.






Escritor José Eduardo Agualusa afirma. “Existem outros angolanos com capacidade para dirigir o país”


Eduardo Lobão

Além de José Eduardo dos Santos e do MPLA, em Angola, “existem muitos angolanos com capacidade para dirigir o país”, salientou o escritor angolano José Eduardo Agualusa.
Confessadamente desiludido com o partido que governa o país desde a independência, em 1975, o escritor, atualmente no Brasil, não acredita que “saiam mudanças” do IV congresso extraordinário do MPLA, que decorreu de 29 a 30.04, no Futungo II em Luanda.
“Não creio que vá mudar muita coisa”, diz Agualusa, que deu como exemplo o discurso que o Presidente do partido no poder fez no passado dia 15, na reunião preparatória do congresso. “Foi um mau discurso, na medida em que não apontou soluções, atribuiu as culpas ao colonialismo, ainda por cima a um passado já tão distante. Não ajuda nada, nem tranquiliza ninguém em relação à capacidade do partido no poder de resolver os problemas do país”, defende.
O escritor critica nas palavras do Presidente a falta de uma mensagem de esperança. “O Presidente não deu grandes motivos de esperança. Abordou a questão da riqueza pessoal, mas não esclareceu nada e depois voltou a referir-se a forças externas que estariam a desestabilizar o país. Atribuiu os problemas de Angola ao colonialismo. Acho que foi um mau discurso”, sintetiza.
Quanto a alternativas, o escritor acredita que elas existem, quer em Angola, quer fora do país, mas lamenta que tenham “pouco espaço de manobra para se expressarem e se afirmarem”.
Dois dos organizadores da manifestação realizada no passado dia 02 em Luanda, em que se exigiu liberdade de expressão e o fim dos 32 anos de poder de José Eduardo dos Santos, coincidiram no mesmo diagnóstico de José Eduardo Agualusa. Quer Carbono Casimiro, quer Massilon Chindombe, dois dos mais conhecidos “rappers” em Angola, confessam não esperar mudanças na reunião magna do MPLA.
“Sinceramente, achar que vai sair alguma coisa, eu não posso, mas eu gostaria e seria lógico que o MPLA criasse mudanças profundas ao nível da estrutura, como partido, e das personalidades que governam o país. Mas não acredito muito. Eles estão muito agarrados à liderança e ao poder para agora fazerem mudanças tão profundas”, considera Carbono Casimiro.
“Há muita desgraça. Não acredito que a continuidade deles nos garanta algum futuro próspero”, acrescenta este “rapper”, para quem um dos principais problemas de Angola é a corrupção: “Num país com o nível de corrupção em Angola, os líderes não serem ricos é impossível”.
Massilon Chindombe, porta-voz do grupo que se concentrou a 02 de abril na Praça da Independência, em Luanda, também espera mudanças, mas sobretudo lamenta a falta de diversidade no seio do partido no poder.
A razão é simples: “A mudança ou a alternância sempre trazem alguma coisa de diferente. Porque também acredito que estar no poder durante 32 anos já é muito tempo. Acho que mudando, com certeza alguma coisa de melhor surge”, conclui.

Dino Matross, secretário-geral do MPLA. Mais do que justificar o que não fez, partido deve mostrar sua obra


O MPLA realizou com pompa e circunstância o seu IV congresso extraordinário com vista a avaliar o grau de cumprimento do seu programa de governação apresentado nas eleições de 2008 e ajustar a sua moção de estratégia. Só um partido no poder que pode chamar a si toda máquina pública, pode, em fase de crise, realizar uma tão requintada cerimónia, com mais de um milhar de militantes.
No meio da crise social, onde existe uma grande contestação, os camaradas preferiram passar ao largo da situação, por acreditarem que nada lhes atingirá. Mas a situação está mal e poderá explodir a qualquer momento, se nada for feito.
A moção de estratégia, aprovada em 2009 no VI congresso ordinário do partido, sofreu alterações projectando as linhas de força para aquele que deverá ser o programa do Governo do MPLA para o período 2012-2017, na lógica de blindagem no poder, independentemente dos resultados eleitorais, o conclave sabe que a máquina que está montada e controlada, não lhes deixa perder, mesmo quando lhe faltem votos da população eleitoral.
Por esta razão, foi passada em revista, as obras de betão, referente ao período 2009-2012, que o MPLA gizou as suas orientações estratégicas para alcançar as aspirações nacionais, bem como o seu papel como inquisidor no processo da incipiente democracia.

Neste congresso, os delegados e a direcção começaram a sua campanha visando as próximas eleições para 2012, dai que o secretário-geral, Julião Mateus Paulo “Dino Matross”, disse que além das questões internas do partido, o congresso, que decorreu sob lema “MPLA – Mais Democracia, Mais Desenvolvimento”, serviu também para abordar a vida socioeconómica do país. É verdade que sob democracia interna, pouco, muito pouco se falou, porque a presença dc Nguxito ofuscou a todos. Mas ainda assim, Dino Matross, disse que os delegados conseguiram atualizar a moção de estratégia do partido, tendo em conta o período de eleições que se aproxima em 2012.
“Não deixamos de tratar um assunto tão importante para a vida da nação e aproveitamos para ouvir também as opiniões dos nossos militantes em relação à essa questão”.
O secretário-geral do MPLA, Julião Mateus Paulo “Dino Matross”, acredita que mais importante do que justificar o que o Governo não conseguiu cumprir das suas promessas é mostrar o que está a ser feito.
Avaliar o grau de cumprimento do programa de governação do MPLA, apresentado nas eleições de 2008 foi um dos objetivos da realização do IV Congresso Extraordinário desta formação política.
A crise económica e financeira mundial, desencadeada em finais de 2008, é apontada como uma das causas do “atraso ou não cumprimento”, dos programas definidos por este partido durante as eleições, como a construção de um milhão de casas e a criação de mais empregos.
“Infelizmente não vamos conseguir cumprir, como desejávamos, tendo em conta a crise económica mundial, a qual também nos afetou profundamente e que não estávamos à espera quando apresentámos [em 2008] as nossas aspirações sobre aquilo que queríamos fazer nos próximos quatro anos”, disse o dirigente do MPLA.
Segundo o terceiro homem do partido no poder desde a independência de Angola, em 1975, com a crise económica muitos projetos de reconstrução do país e de melhoria do bem-estar da população ficaram paralisados.
“Todo o ano de 2009 foi de muitos problemas, algumas obras que estávamos a fazer pararam e só agora estão a ser retomadas. Isto tudo vai influir muito no cumprimento das nossas promessas”, referiu o político.
Dino Matross sustentou ainda as suas justificações com o discurso proferido pelo presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, na abertura da primeira reunião extraordinária do Comité Central deste partido, preparatória ao congresso, na qual o mesmo considerou “satisfatórios” os resultados obtidos até agora.
“O resultado é satisfatório, mas poderia ser muito melhor se não fosse o efeito negativo que a crise económica e financeira internacional teve na economia nacional”, disse José Eduardo dos Santos, sublinhando ainda que os cerca de ano e meio de mandato que sobram devem ser “bem aproveitados” para se realizar “o máximo possível do que resta por fazer”.
Questionado se os angolanos se contentarão com a justificação apresentada, Dino Matross está confiante de que “a população vai entender perfeitamente”, porque “isto acontece em todo o mundo. Em Portugal por exemplo, todos os dias vemos notícias sobre as discussões que são operadas devido aos problemas económicos que existem, o desemprego, e isso também em outros países do mundo, isso não é só connosco. Vamos explicar de uma forma que a nossa população venha a compreender”, disse.
“Primeiro vamos apresentar as realizações, que existem, não quero enumerá-las porque toda a gente que viaja, que anda por este país, sabe o que é que estamos a fazer e aquilo que não pudemos fazer, não foi porque não quiséssemos, mas por causa das condições que eu já disse. Acho que a população vai entender perfeitamente”, reiterou o dirigente do MPLA.
Dino Matross está consciente de que existirão também os céticos, o que considera normal, preferindo não comentar as contestações públicas que surgiram nos últimos tempos na sociedade.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Nada de novo e tudo na mesma. MPLA e um Dos Santos igual a si mesmo com a cobardia dos demais


William Tonet e Arlindo Santana

O MPLA realizou um congresso extraordinário cujo principal objectivo foi redourar o brasão de um partido pouco seguro de si mas dominador, partido ao meio por dissensões que se vão acumulando com o passar do tempo. À parte isso, tivemos direito a uma fotocópia dos anteriores congressos, todos eles orientados para o panegírico monumental à já desgastada figura do presidente deste partido e da República, nunca verdadeiramente eleito, em eleições livres, justas e sem batota. Estava tudo previsto, mesmo o imprevisto.
Os delegados e os delegados/dirigentes não falaram por temor a Nguxito/JES, ficaram, na maioria, quedos e mudos à espera que passasse o tempo e não houvesse qualquer mal-entendido que viesse à baila e os comprometesse.
Na mente de todos os gestores representantes do MPLA nos diferentes pelouros governamentais instalou-se o medo da reprimenda do soberano JES, que esse nunca comete nenhum erro, embora seja a ele que se deva a enorme rebaldaria que se vai apoderando das alavancas do Estado.
Por outro lado, assistimos a uma lavagem a seco das imagens mais que enodoadas alguns dos mais controversos dirigentes, como é o caso de Isaac dos Anjos, considerado por alguns, autoritário governador da província da Huíla, e de João Baptista Mawete, o pior governador que jamais passou pelo enclave de Cabinda.
O incompetente governador do Moxico, Baptista Liberdade, o truculento “rei” do Huambo, Faustino Muteka, o controverslo e polémico, governador do Bié, Boavida Neto, o da Lunda-Norte, entre outros auto-nomeados donos das províncias onde as liberdades são uma miragem. Se calhar…

BATOTA ELEITORAL NA FORJA E SILÊNCIO SOBRE BORRADAS EM CABINDA
A esse respeito e abrindo aqui parênteses, quando se pensava que os delegados pedissem contas bem-feitas pelas borradas, por exemplo, ao líder Nguxito, aos generais Manuel Vieira Dias Júnior Kopelipa, José Maria e Mawete João Baptista, do falhanço total da política de paz que se desejava instalar na província mais ao norte do país, Cabinda e também se pedisse explicações ao truculento governador Mawete, sobre o caso de que é acusado de ter mandado fechar portas de uma clínica de oftalmologia alegadamente pertencente ao ex-governador Aníbal Rocha, demonstrando desse modo que a vingança se serve fria e sem cerimónias.

OPOSIÇÃO DEVERIA ABDICAR DE PARTICIPAR NAS ELEIÇÕES FRAUDULENTAS DE 2012

Evidentemente que o que mais interessa o partido do poder não é lavar a roupa suja debaixo dos holofotes dos órgãos de comunicação social, o que o MPLA guisou foi toda uma série de programas de continuidade numa clara demonstração de estar na forja a batota eleitoral. Isso é sem dúvida alguma a principal preocupação do Executivo, na medida em que os actuais 82% de votos são clara e vergonhosamente o resultado de uma batota evidente, fabricada com o controlo da Comissão Nacional Eleitoral, dominada em toda a sua extensão pelo MPLA.
A esse respeito a situação apresenta-se sob maus augúrios, pois tudo leva a crer que a oposição tomará algumas medidas preventivas, as que puder em todo o caso, para evitar a batota eleitoral, acautelando assim um novo descalabro a fim de poder recuperar o terreno ocupado pelo MPLA, que foi desbravado à força pelos artifícios computorizados do Estado.
E a melhor maneira de denunciar a batota seria da oposição renunciar a sua participação nas próximas eleições se José Eduardo dos Santos não dissolver a actual CNE, nomeando uma nova, imparcial integrando figuras de reputada credibilidade e idoneidade. O contrário será a sua participação na farsa e um aplauso a perpetuação na batota. Igual atitude deve ser tomada pela maioria dos angolanos conscientes e amantes da democracia.
Não votar em regimes batoteiros é uma forma de resistência e de manifestação contra a ditadura, que se quer perpetuar eternamente no poder, mesmo que para isso tenha de engendrar as mais refinadas técnicas fraudulentas e controlo de toda a máquina do Estado.
Ora isso significa que, de qualquer maneira, se não for aprimorada, sofisticada a BATOTA, jamais o ÉME poderá repetir a performance das legislativas de 2008. O exemplo da Cote D’ivoir está a mão de semear. Ou seja, perspectiva-se no seio do próprio MPLA uma derrota (relativa) no próximo pleito eleitoral, pois há um risco inevitável de queda significativa de percentagem de votos a seu favor. E alguns dos seus membros apontam mesmo para a possibilidade de pouco mais se colher do que 50% dos votos em caso de não haver batota. Portanto, o problema é como fazê-la (a batota) sem dar bandeira.
Quanto aos defensores de uma mudança, esses nem sequer puderam falar, ou quando falaram foi já com a rasura e com o conhecimento antecipado de um guião apresentado a público numa espécie de demonstração da liberdade de expressão reinante dentro do partido.
Mas, realmente, tudo vai continuar na mesma. Os delegados teriam muito para falar, mas apenas gritaram em silêncio a sua enorme cobardia
Pairou no recinto do congresso as palavras proferidas no agressivo discurso que JES fez sob os temas da pobreza alheia (o MPLA nada tem a ver com isso) e sobre o alastramento em Angola da confusão reinante no norte de África.
Um discurso que aponta para uma tomada de medidas compulsivas de restrição das liberdades constitucionais como ficou desde já claro com a proposta de lei das TIC/Sociedade de Informação, numa clara e inequívoca mensagem do poder executivo firmemente determinado a "pôr ordem na buala". A TIC só vai ser aprovada porque José Eduardo dos Santos tem medo da democracia, não tem conceito democrata, não tolera as liberdades, porque para ele “democracia não se come”, logo ele engole todas as iniciativas democráticas. E quando o chefe Nguxito, tem medo, toda a sua corte se lhe segue as peugadas, fazendo-lhe as vontades. Definitivamente, as TIC são a clara demonstração da natureza ditatorial de um homem, que por temer a liberdade de expressão e de imprensa a quer matar, contando com a colaboração de uma Assembleia Nacional, que os angolanos deixaram de acreditar, por estarem ao serviço não dos eleitores, mas apenas de um homem.
Temos ainda a assinalar um ponto que devia ser de realce: A CORRUPÇÃO. Esse devia ser um dos temas a abordar de urgência nesse congresso dos camaradas. Mas apenas foi abordado pela rama, se fosse abordado, pois o mais certo é que o pioneiro seria logo vaiado e vetado.
O que vimos foi uma encenação minuciosamente regimentada. E nela, a corrupção teve o seu palco para representar em público a sua farsa teatral.
Os milionários vão ajustar as suas posições nos seus respectivos poleiros. Ouvimos ovações entusiastas a JES, quando agora, no seu discursa de abertura falou do combate a pobreza, que ele encontrou no tempo colonial. Francamente…
Depois falou das assimetrias regionais. Quais? Ninguém sabe, pois ele não conhece o país. Não vai ao seu interior, não sabe se as estradas são de asfalto ou de plástico.
O presidente do MPLA falou do sistema educativo, num exercício que pareceu forçado e cínico, pois ele é o primeiro não acreditar no sistema virado para os pobres, pois ele, e os seus ministros não dão o exemplo. Não têm os filhos no sistema educativo angolano e mesmo os que estão em Angola estudam em escolas francesa e portuguesa.
Dos Santos disse, de novo, que o MPLA é o povo e o povo o MPLA e que sempre se bateram por ele. A miséria, a fome e o desemprego, desmentem-no e a sua manutenção no poder deve-se apenas na farsa e controlo das instituições do Estado partidarizadas.
Talvez nos venham prometer para o próximo mandato governativo qualquer coisa como dois milhões de casas. Foi um grande teatro de “fantoches”, como ressaltou o presidente do MPLA, de quem pensa diferente dele está ao serviço das potências estrangeiras, esquecendo-se de dizer, que ele mesmo também o está. Dos Santos e os seus filhos, não têm contas bancárias em nenhum país africano, nem comunista. Não têm parcerias com angolanos, mas com estrangeiros, ora isto prova ser ele quem está mais ao serviço de forças externas, ao ponto de as filhas terem casado com estrangeiros e ter dado estatuto de utilidade pública a uma fundação do seu genro, cidadão zairense, em detrimento de associações angolanas carentes desse estatuto.
De facto nada augurava que este viesse a ser o primeiro congresso a sério, isto é, comprometido na abordagem dos verdadeiros problemas nacionais. A miséria do povo, é claro, mas também se deveria falar da reconciliação interna. Moco, Lopo, França e outros deveriam ter voz, os militantes proscritos do 27 de Maio de 1977 teriam de ser ouvidos e/ou o seu problema ser discutido, mas nada se passou, nada foi modificado em prol da democracia porque a monopolização do Estado a favor do partido, causa de conflitos graves em estado de incubação nem sequer abordaram.
Ninguém teve coragem de falar da política de instigação social, nem do súbito desmantelamento do SINFO, nem da crise entre os generais ricos e pobres nas FAA, nem tão-pouco se falou da má negociação em Cabinda e da crise instalada nas Lundas.
Resumindo, o que este congresso traçou pouco mais foi que a estratégia da batota eleitoral. Os eleitores conscientes, como dissemos acima, deveriam abster-se de ir votar, nas próximas eleições, que Nguxito disse que as vai vencer, e assim escusarem-se de apadrinharem a farsa, uma vez, os camaradas estarem condenados a continuar, eternamente no poder... As eleições, essas, serão apenas uma diversão, então que se retirem os demais em nome da democracia, para que desta vez a batota confira 100% dos votos ao MPLA, tal como ocorre nas piores ditaduras.

O fim de um regime? Surpreendeu o persistente apoio de Angola ao presidente vencido


O artigo abaixo foi elaborado, a pedido, para um órgão de informação angolano mas que, posteriormente, os seus "patrões" optaram por o não fazer evocando que o mesmo era "demasiado cru". Quem manda, pode... e eu «aceito» este... "bloqueio"!!
Em solidariedade, para com um jornalista de excelência, Eugénio Costa Almeida, F8 vai publicar mais uma visão sobre um país africano, onde foi notória a intervenção do regime angolano.

Eugénio Costa Almeida*

O 11 de Abril de 2011, com a detenção do antigo presidente ivoirense Gbagbo pelas forças conjuntas franco-onusianas, pode ter marcado não só o fim de um regime e a alteração de um rumo de uma potência regional como a reafirmação de uma antiga potência colonial e um novo estatuto das Nações Unidas.

Não foi só a queda, inevitável deposição, de Gbagbo e do seu consolado que se verificou na tarde deste dia face ao ataque das forças aerotransportadas francesas e da ONU sob ordem do Secretário-geral, Ban Ki-moon, apoiando as milícias republicadas de Ouattara como também o persistente apoio angolano, à revelia do que dimanava das cúpulas da União Africana, foi posto em causa e a afirmação de Angola, na região seriamente afectada com claros benefícios para a Nigéria, desde o início apoiante da causa de Ouattara.

Mas foi também uma alteração da posição da França como potência fiscalizadora e suserana, apesar das autoridades diplomáticas francesas persistirem que as suas forças somente “bombardearam alvos militares” em Abidjan e que depois foram os soldados milicianos leais ao presidente reconhecido pela comunidade internacional, Alessane Ouattara, quem entraram no palácio presidencial e detiveram Laurent Gbagbo, familiares e alguns dirigentes, tendo os franceses, segundo estes, se limitado a respeitar as “resoluções do Conselho de Segurança; nada mais e nada menos”, é evidente que a sua participação mais não foi que uma revanche face às “derrotas” da diplomacia francesa na crise dos finais de 90 que ocorreram na Côte d’Ivoire e que levaram, posteriormente, à afirmação do poder de Gbagbo questionada em eleições de Novembro passado e que deram a vitória, internacionalmente reconhecida como tal, de Ouattara.

Por outro lado, surpreendeu o persistente apoio de Angola ao presidente vencido, apesar da maioria da comunidade internacional ter aceite como vitorioso Ouattara, correndo por fora, como define e bem, o académico Celso Malavoneke, à Rádio Ecclesia, Emissora Católica de Angola. Uma posição questionável na estratégia do país para a região do Golfo.

Não surpreendeu num ponto de vista jurídico-institucional, porque aí Angola evidenciava bom senso face às posições do Comissão Eleitoral Independente e do Conselho Constitucional (apesar deste ser constituído, em maioria, por elementos afectos a Gbagbo) mas porque o presidente deposto tinha sido um dos maiores apoiantes – e quem afirme co-financiador – de Savimbi e da UNITA. E já nem se fala no propalado mujimbo de haver forças angolanas a apoiar a tropa de elite de Gbagbo o que a confirmar-se – e não se verificou até agora – seria, por certo, explorado pelas milícias de Ouattara e certa imprensa francófona.

Por fim a tomada de posição das Nações Unidas em solicitar – leia-se, ordenar – às forças francesas estacionadas em Abidjan que apoiassem um ataque à residência presidencial para desalojar o presidente declarado vencido e destruíssem as armas pesadas que provocavam inúmeras vítimas. Não se questiona a benignidade do acto, mas já se questiona porquês só as armas pesadas de Gbagbgo e não, também, as de Ouattara. Veremos se esta posição de Ki-moon se irá também estender à questão da Líbia e, assim, termos uma nova filosofia onusiana.

Para já parece ter o apoio de um largo leque de países, como da França, da China (que não criticou) e dos EUA, nomeadamente da Secretária de Estado Hillary Clinton que, judiciosamente, foi adiantando – e para bons entendedores parece-me bem clara – que a detenção de Gbagbo foi um “forte recado aos ditadores da região no sentido de que não deveriam ignorar as vozes de seus povos, que pedem eleições livres e justas” e reforçando “que haverá consequências para aqueles que se agarrarem ao poder”.

Aguardemos, agora, que Ouattara cumpra o que prometeu e não haja uma indiscriminada “caça às bruxas” porque, como em todas as crises militares, não houve só culpados de um lado…

*In blog Pululu

domingo, 1 de maio de 2011

Aqui escrevo eu. William Tonet. Nada que não estivesse à espera das ameaças em nome do rico Presidente dos pobres


Durante a semana fui invadido por um vírus de ataques ameaçadores no meu correio electrónico, no telefone e escritório, por parte de bajuladores, que se colocavam como se fossem ou, talvez sejam mesmo, auxiliares do Presidente da República.

Em todas as ocasiões o tom era de: “ou paras ou morres”. “Estás a falar demais sobre o camarada presidente.”… “Já estás a abusar muito! Isso é falta de respeito, seu lacaio da CIA”. “Se és americano então vai para os Estados Unidos viver para lá e deixa-nos em paz”. Se não parares ainda te fazemos a cama”. “Nós vamos te matar e quando os americanos chegarem já serás mercadoria”. “Se não queres viver onde há corrupção, então vai para o teu novo país, ao lado de Bush e Obama”.

“Tens inveja porque não és dirigente”.

Pesem estas ameaças, eu não vou desistir de lutar e resistir contra quem, para continuar a sugar as riquezas do país, tem as mãos manchadas de sangue dos milhões de angolanos assassinados em série, nomeadamente depois do 27 de Maio de 1977.

Mas, também, não vou desistir, mesmo que isso me custe a vida, por acreditar ANGOLA E OS ANGOLANOS não são propriedade de nenhum dirigente.

Este torrão de terra, com as suas especificidades e multiplicidades étnicas, é um legado dos nossos ancestrais e de Deus.

Por esta razão todas estas baboseiras e impropérios que me são lançados já não me surpreendem, por serem banais em regimes totalitários transvestidos em democratas, onde “sempre tem pau para «porca» obra”.

E se um dia, numa esquina, uma bala assassina me dilacerar o corpo, não poderá haver dúvidas sobre a sua proveniência, pois o hábito faz o monge.

Infelizmente, Angola, no alvor do século XXI, dirigida por Nguxito, não é uma referência de democracia, pese textualização na “Jesiana Constituição”.

Vivemos sob a bota de uma PARTIDOCRACIA, dirigida por um homem e um partido que definem as regras do jogo, manietando, privatizando, a seu bel-prazer, as instituições do Estado e aterrorizando, prendendo e assassinando os cidadãos inocentes, sempre que reclamam por LIBERDADE E DEMOCRACIA.

Nos marcos da lei, estando o direito à resistência, ainda que timidamente, consagrado no art.º 74.º da CRA (Constituição da República de Angola), não deixarei de o avocar, nesta vigência partidocrata e ditatorial, pelo amor a Angola, que quero ver transformada em Pátria e numa portentosa Nação de todos, sem qualquer tipo de discriminação.

Se me querem calar e amedrontar, por criticar a má gestão, a corrupção institucional, o enriquecimento ilícito, as arbitrariedades de alguns dirigentes, que se diziam proletários, mas são milionários dos cofres públicos, podem tirar o cavalinho da chuva. Não me calarei até à morte.

Adiante.

Actualmente a situação é muito crítica, está à beira duma explosão social, em função das políticas erradas e discriminatórias do executivo. O desemprego é galopante, os reformados estão abandonados e, mais grave, os antigos homens das guerras, ontem inimigos viscerais, de tão mal desmobilizados e sem subsídios condignos, uniram-se no sofrimento e resistência, caminhando com revolta incubada nos corações. Este caminhar em sentido contrário à paz é tão perigoso, como o descavilhar duma granada.

Os heróis militares de ontem, defensores de ideologias difusas dos vários contendores, são hoje um farrapo triste, atirados à sua sorte, como exército de pedintes nas calçadas das cidades e nos semáforos, agastados com a ingratidão governamental e a ostentação dos seus dirigentes.

Homens assim, engrossam facilmente a multidão da contestação e apenas aguardam o melhor momento para o virar de costas ao regime, principalmente, por em casa, assistirem impávidos e serenos os filhos trilharem os carreiros da delinquência e as filhas os da prostituição, por não terem como os sustentar.

A política de Nguxito, no domínio da Educação é avassaladora para os pobres e, mesmo o Público só lhe resta a designação, porque na falta de dinheiro dos pais para a competente gasosa, os “pobres criados pelo regime, desde 1975”, correm o risco de ver os filhos passarem ao largo do ensino.

Quanto à saúde, o quadro é pior, o pobre morre se não tiver no exterior de uma unidade hospitalar pública ou um parente para ir comprar um simples comprimido ou agulha para apanhar uma injecção receitada pelo médico, por ruptura quase permanente de stock.
Um grande número de jovens, com capacidade de estudar e ou trabalhar, para não engrossarem a delinquência, tornaram-se, fruto das más políticas económicas vendedores ambulantes, mas são confrontados diariamente com os agentes da Polícia e da Fiscalização, que lhes rouba a mercadoria, prendem e matam. Igualmente o fazem com as mulheres zungueiras, que preferem vender para alimentar os filhos e os maridos desempregados a terem de se prostituir, mas ainda assim ao invés de receberem solidariedade, são roubadas, pelos fiscais e se resistem, são prontamente assassinadas como se fossem galinhas.

No domínio da Justiça, os opositores e críticos não beneficiam da sua imparcialidade, mas da parcialidade partidocrata.

Hoje a maioria da população não vive na pobreza mas na miséria extrema, porquanto JES, não tem compaixão em partir as casas e esbulhar os terrenos dos pobres para dar aos ricos.

O presidente da República é responsável pelo desaparecimento de muitas das línguas angolanas, ao impor a todos angolanos uma língua estrangeira, o português, quando bem poderia imitar Nelson Mandela na África do Sul, que a par da língua colonial, colocou em pé de igualdade as línguas sul-africanas. Hoje menos angolanos falam a sua língua materna por imposição do regime.

Igualmente, Angola é dos poucos, melhor, dos raros países que se diz democrata onde se cultiva o culto da personalidade do seu presidente e do partido no poder, nos símbolos do Estado, como dinheiro, bilhete de identidade, passaporte e mesmo nas cores do MPLA, no que deveria ser o maior símbolo nacional: a bandeira, que assim não é orgulho de todos os angolanos, mas dos angolanos do partido no poder.

Como se pode constatar, estas não são situações criadas pelo colonialismo, mas pelo regime de Nguxito dos Santos.

Ademais quando o regime fala de reconciliação, não passa de uma política de INTEGRAÇÃO E CLEMÊNCIA, que subjuga e humilha os adversários políticos ou críticos internos, colocando-os numa condição de quase pedintes que têm de se subjugar aos caprichos do mais forte… É uma táctica pior do que a política de ASSIMILAÇÃO, adoptada por Salazar, no período colonial, que impunha que aqueles que quisessem singrar na administração tivessem de deixar de falar a sua língua materna, não a ensinar aos filhos e apenas comerem pirão (funje) uma vez por semana. Hoje não é difícil ver quantos complexados seguem a máxima de Salazar, como o principal prato angolano apenas aos sábados.

Por todas estas situações, passei a considerar perniciosas as políticas discriminatórias de Nguxito dos Santos, aliando-me aos intelectuais e jornalistas, ainda em minoria, mas conscientes, que se batem contra o MURO DA BAJULAÇÃO dos “yes man”, reivindicando uma verdadeira liberdade de imprensa e liberdade de expressão, maior justiça, melhor distribuição da riqueza angolana, fim da corrupção e uma verdadeira democracia.

Hoje, infelizmente, temos noção de a realidade andar em sentido contrário ao legislado. Remamos contra a maré, logo sujeitos às garras assassinas de quem, como disse Maquiavel, não quer largar o poder, quando “os fins justificam os meios”.

Mas todos estes algozes, no pedestal da sua ignorância bajuladora, apenas cumprem ordens superiores, como auxiliares, logo, indicam estar a responsabilidade final dos crimes cometidos, no destinatário dos números 1 e 2 do art.º 108.º da Constituição JESIANA.

O problema de Angola, das suas guerras, do desencanto da política de reconciliação e da actual democracia, tenho repetido bastas vezes, por conta e risco, não está no programa do MPLA, mas na adulteração dos seus princípios reitores, por parte de quem esteve e está no seu leme.

Agostinho Neto, médico e intelectual, convidado a ser o segundo presidente deste Movimento, foi o maior precursor das divergências no seio da massa guerrilheira e dirigente. Desconseguiu até à morte, gizar uma política de unidade interna, devido ao seu complexo de superioridade.

Atrelado a um exército de bajuladores, apoiou o seu consulado na arrogância e prepotência, originando os momentos mais macabros de eliminação interna dos seus camaradas e adversários políticos, provocando com isso o surgimento da Revolta Activa, da Rebelião da Jibóia, da Revolta do Leste, do 27 de Maio de 1977.

Neto nunca conseguiu, nem no imaginário a unidade no seio do MPLA, pela única razão de ser um homem apegado ao poder e distante dos postulados da democracia.

Quando, em 1979, se lhe substituiu, José Eduardo dos Santos, muitos auguravam uma postura distinta do novo líder. Enganaram-se. Enganamo-nos.

O diferencial da mudança, assentou apenas na juventude, porque em tudo o resto a procissão seguiu e segue o mesmo trilho.

O actual líder do MPLA não tem sido capaz de reconciliar com todos quanto internamente, pensam diferentemente e tenham uma outra visão sobre a política a seguir. Quando se manifestam são lançados ao deserto, como Alexandre Rodrigues Kito, Lopo do Nascimento, Marcolino Moco, João Lourenço, Roberto de Almeida, Fernando Miala e tantos outros, que apenas podem emergir, se aceitarem adoptar o culto de personalidade ao chefe, numa clara adopção do que disse Maquiavel: “Assim, um príncipe sábio pensará em como manter todos os seus cidadãos, e em todas as circunstâncias, dependentes do Estado e dele; e aí eles serão sempre confiáveis”.

Salvo seja eu ainda acredito, pelos exemplos que o mundo nos está a dar, a inversão de muitos dos bajuladores, tendo em atenção uma outra máxima maquiavélica; “em política, os aliados de hoje são os inimigos de amanhã”.

Passaportes para a vida. Luanda, Hospital Josina Machel


Segundo informações recolhidas junto de pessoas de um certo nível social, que já se aventuraram a requerer os serviços do Josina Machel, aqui identificado como “Agência de viagens para o Céu”, o epíteto peca por ser demasiado restrito. Esse hospital multifacético não se limita a ser uma “Agência”, tem blocos operatórios eficientes, quando a EDEL não tropeça nos soluços da barragem de Cambambe, nesses casos tem velas, ao mesmo tempo de alumiar e navegar, alumiar o corpo e navegar nas tripas, tem serviço de urgência aleatório, mas negociável, tem atendimento personalizado, segundo a quantidade de kwanzas disponíveis nos bolsos dos familiares do paciente, e tem mesmo um departamento de outorga de passaportes com “Visto” para a vida.
Esse é, sem sombra de dúvidas, o seu mais eficiente departamento. O único defeito que tem é que não se vê, só se sente. Na mão e por baixo da mesa. O paciente, ou um dos seus familiares, pega numa nota de cem dólares e remete-a discretamente ao doutor e todas as portas do hospital se abrem para ele. De notar que é conveniente, antes de proceder a esta singular operação, fazer o mesmo com o enfermeiro com uma nota de 50 dólares. E atenção!, tem que ser o bom enfermeiro, compincha do doutor, senão, lá se vão os 50 dólares e não há doutor que valha.
Se este subterfúgio funcionar, o paciente obtém de facto uma espécie de “passaporte”, que lhe permitirá entrar na lista dos que poderão ser tratados com um mínimo de eficiência. Um passaporte para a vida! Senão, não vale a pena, o bilhete é para uma simples viagem, mais que provavelmente sem regresso.

sábado, 30 de abril de 2011

Os portugueses têm competência para ordenar despejos sem mandado judicial?


Notícias - Angola24horas
“Casa de família angolana demolida pela empresa Teixeira Duarte”
Nas linhas que se seguem vamos relatar a história de um casal que acordou numa casa de três quartos, completamente mobilada, e que quando voltou encontrou apenas escombros, depois que a empresa portuguesa Teixeira Duarte mandou demolir a casa.
Passavam pouco mais de trinta minutos das 10 horas quando chegamos a Talatona, no bairro Cambamba II. Lá encontramos Hilário Peixoto, 38 anos, que apontou para um enorme amontoado de pedras, poucos metros adiante, que antes fora a sua casa. A terra estava lamacenta, fruto das chuvas que se abateram sobre a cidade nos últimos dias e tivemos que atravessar um terreno íngreme para chegar aos escombros. Ao chegarmos ao local vimos pedaços grandes de concreto, ferros, um gerador caído, aparelhos de ar condicionado e tanques plásticos. “Eu tinha tudo em casa, saí para trabalhar e algumas horas depois ligaram-me a dizer que a minha casa tinha sido demolida pela empresa Teixeira Duarte. Quando cheguei encontrei este cenário desolador”, explicou Hilário Peixoto.
Segundo a vítima, a empresa agiu sem aviso prévio e deitou abaixo a sua casa porque há muito que o vinha aliciando no sentido de abandonar o imóvel, pois quer construir no local um condomínio. Segundo o que apuramos no local, de testemunhas oculares, um encarregado de obras da empresa Teixeira Duarte, de nacionalidade portuguesa, ordenou a demolição, tendo contratado para o efeito um condutor para a máquina que efectuou o trabalho, visto que os funcionários da empresa negaram-se a fazê-lo.
Nesta altura Hilário Peixoto vive no seu carro enquanto a esposa foi abrigada em casa de amigos. Ele passa as noites em frente ao que antes fora a sua casa enquanto aqueles que demoliram a sua casa trabalham a escassos metros daí. Os seus braços estão avermelhados em função das mordeduras de mosquito que tem sofrido e as olheiras são visíveis no seu rosto em função das noites mal dormidas. “Anteontem estava a chover e tive que me abrigar debaixo das chapas que restaram, é muito triste e humilhante para quem tinha uma casa”, lamentou.
Enquanto conversávamos percorremos o espaço onde antes estava a casa, um caminho difícil pelo amontoado de concreto, mobília. Acabamos por embater num ferro. A nossa frente estava parte da cama que estava no quarto do casal que foi deitado abaixo. Fruto da situação, Hilário Peixoto está desolado, pois perdeu tudo o que construiu ao longo de uma vida. “Só falta darem-me um tiro e morrer”, frisou.
Ainda no local foi possível ver lâmpadas e copos partidos.
Por: Suzana Mendes
NP