quarta-feira, 9 de março de 2011

Aqui escrevo eu. O poder corrompe e cega, salve-nos Deus dos horrores e pastores da prata



William Tonet

O território está em ebulição.

Cheira a "cheiro", diz o autóctone, que tem a escola como miragem e o Kuduro como universidade dada pelo regime.

Cheira mesmo a qualquer coisa… e no ar.

O que é, todos sabemos! O odor é traiçoeiro, tem semelhanças com o afinar de baionetas, quais traiçoeiras companheiras, prestes a penetrar nos milhões de corpos inocentes que apenas pretendem abandonar o peso da FOME, da falta de EDUCAÇÃO, SAÚDE e EMPREGO. Tudo isso é preceitos que carregam em si a legitimidade de qualquer povo. E tanto assim é, que os actuais dirigentes, jovens irreverentes do seu tempo (1960), a sua maioria, mesmo sendo negros, já estudaram em liceus coloniais de referência como o Salvador Correia, onde estudou o actual Presidente da República, José Eduardo dos Santos – hoje quantos filhos de canalizadores, carpinteiros, mecânicos, alfaiates, trabalhadores da EDEL, EPAL, Maria Pia, conseguem estudar numa escola como esta – e decidiram partir para os húmus libertários, carregando sonhos de derrubar a máquina monstruosa da ditadura de António de Oliveira Salazar.

Na bagagem tinham a arma da utopia de um dia Deus poder ouvir os seus clamores de liberdade e ajudar o seu povo a abandonar a escravatura. Tardou, mas o Senhor todo poderosos ouviu essas preces e abençoou o esforço em prol da liberdade, tanto, que fez partir o colonialismo em 1975, tendo sido então instaurado um regime novo com ex-guerrilheiros sem qualquer experiência administrativa de Estado a assumirem o poder, comprometendo-se a trabalhar para alterar o nível de vida dos angolanos, devolvendo-lhes a terra e os sonhos negados durante os 500 anos de presença colonial portuguesa.

Estes jovens revolucionários eufóricos de ontem, são os dirigentes de hoje, com um curriculum de 35 anos de poder. Nesse período, fizeram e geriram a guerra e a paz e o povo, que, ao longo da caminhada, vem vivendo da frustração, da expectativa e das milhões de promessas não cumpridas por parte de quem jurou fazer melhor que o colonialismo português...

O resultado, mesmo descontando a guerra civil, é francamente confrangedor, pois enquanto uns poucos, menos de 1% (dirigentes no poder), aumenta os milhões de dólares nas suas contas, fruto do roubo aos cofres públicos, milhões de cidadãos morrem ou definham à fome, por não terem pão, nem água, para comer e beber.

Esta é a principal estatística dos revolucionários de ontem, que hoje, para se manterem no poder, tal como o regime de Salazar, pensam que a demonstração de força, a arrogância, e não a negociação, são a solução. Esta não é nem será nunca a solução, pois a miopia consciente redunda não só em cegueira, mas também em paralisia mental. Olhar para os seus umbigos inflamados pelos milhões de dólares deixando os do povo à provação de todas as fomes e sedes inimagináveis não pode gerar outro sentimento senão o de revolta, lutando pela mudança de atitude do regime. Não entender isso é como assumir, claramente, uma mentalidade neocolonialista.

Tanto assim é que, parecendo bons alunos de Salazar e Caetano, alguns dirigentes também, apelam às igrejas para, em troca de algumas moedas de ouro, agirem como Judas em sua defesa. E, infelizmente, certos pastores e padres, numa conversão ímpia, aceitam, pela calada da noite, receber dólares de sangue e da corrupção, para converter a confissão dos crentes, em informação letal para os serviços de Segurança do regime...

Assim, aqueles que para os crentes constituíam uma reserva moral, juntaram-se à procissão da arrogância e da insensibilidade. Este comportamento leva-nos a rememorar o passado em que muitos responsáveis religiosos prestaram-se ao trabalho sujo da PIDE-DGS (polícia secreta de Portugal), vendendo os fiéis angolanos ao regime colonial.

O povo sofredor de Angola, merecia melhor depois de tanto sofrimento, mas vê todos os dias perder as referências e a guerra não pode justificar todas as insuficiências, má gestão pública e corrupção. É isso que os jovens de hoje reclamam e se propõem protestar, no resgate de mais LIBERDADE, JUSTIÇA, DEMOCRACIA, MELHOR DISTRIBUIÇÃO DA RIQUEZA ANGOLANA, etc.

É verdade que o regime reagiu em força contra o anúncio da manifestação do 7 de Março, ameaçando bater em todos aqueles que, ao abrigo dos seus direitos constitucionais, ousassem protestar. Ela não vai sair, publicamente, mas na realidade a sua mensagem transbordou as fronteiras do país, despertando tudo e todos: FORTES E FRACOS, CORAJOSOS E COBARDES. A partir deste momento, todos sabem que os povos de Angola já não são o mesmo e o regime também. Enquanto um exalta o JUSTO, o outro hasteia a ARROGÂNCIA e, mesmo não saindo na data, ela vai realizar-se num dia de um mês qualquer de um ano a nascer..., mas vai sair. Tanto que, na bestialidade da política, quem antes proibiu e ameaçou bater eventuais manifestantes, vai manifestar, não sob a ameaça de golpes de matracas e tiros, mas sob aplausos e protecção da polícia, abrindo o flanco e demonstrando que, afinal, para o regime Angola, qual uma monarquia, é uma coutada privatizada do Presidente da República e do MPLA.

É verdade que o partido no poder pode meter na sua marcha milhões de angolanos, sendo sócio de todas as empresas de bebidas. Porém, seguramente, a maioria destes populares não estará na manifestação do regime por terem simpatia e entrega à sua causa, têm é fome e vão garantir os empregos e a ameaça de desemprego que sobre eles pesará se não se fizerem presentes.

Afinal, qual ditadura, desde César a Hitler, Salazar, Mussolini, Brejnev e outros, é que não conseguiu, num estalar de dedos, mobilizar as pessoas? Não seria ditadura! Logo, o actual, regime de Angola não pode fugir à regra, depois de ter controlado e privatizado todo o património do Estado.

A manifestação não vai sair, mas seguramente, o povo angolano, também já não é o mesmo e o Presidente José Eduardo dos Santos e o MPLA, estão, com o extremar de posições, a cavar ainda mais fundo o poço da contradição, quando deveriam abrir as comportas do diálogo, abandonando a ilusão de uma maioria de pés de barro, para todos assumirem o compromisso das reformas que se impõem numa transição pacífica. Agindo ao contrário, com violência, pode ser que, não sendo como na Tunísia, no Egipto, na Líbia ou no Iémen, Angola venha a assemelhar-se ao Zaire de Mobutu ou à Libéria. E bem podemos evitar isso agora.

Com HUMILDADE E INTELIGÊNCIA.

terça-feira, 8 de março de 2011

Os filhos do Papá dya Kota (2).


António Setas

A primeira coisa de que me lembro é do triciclo. Estava no quintal sentado no triciclo. Devia ter dois anos e meio, ou pouco mais, e a minha vida era andar de triciclo a dar voltas ao imbondeiro do quintal. Já não me lembro do que me passava pela cabeça, mas sei que quanto mais depressa desse a volta melhor seria para mim. Porquê não sei. Mas nesse dia - estou a ver-me - senti-me de repente incapaz de pedalar e gritei, «Mãe!!» Nada. Voltei a gritar, «Mãe!!» Aparece a minha mãe - estou a vê-la -, metade da minha mãe, tapada da cintura para baixo pelo murete da varanda, a inclinar-se para a frente, pronta a saltar para vir ao meu socorro e, a súbitas, sem pressa nenhuma de me socorrer porque já tinha descoberto o que se passava. E eu, «Cocó, Mãe! Cocó», «Outra vez, meu filho». Entrei numa choradeira convulsa, com lágrimas de grosso quilate, das que saltam para o ar e caem mais abaixo para deslizar muito grossas pelas maçãs do rosto. A minha mãe veio a correr para mim, pegou-me com cuidado, para não se sujar, e levou-me para casa.
Depois disso lembro-me das pernas grossas da Lúcia., uma senhora que de vez em quando vinha lavar a roupa da casa. Mas do que eu gostava mais era do sol. Metia-me debaixo da mesa da sala à espera que viesse a Lúcia na esperança de voltar a ver as pregas que ela tinha nas coxas, e entrava o sol. Os reposteiros nunca eram completamente corridos e as janelas estavam sempre abertas até ao aproximar do pôr-do-sol. Depois, a minha mãe ou a Lúcia, fechavam-nas por causa dos mosquitos. Mas até essa hora estavam sempre abertas e por elas entrava o sol com a brisa vinda do mar. Balançando ao sabor da brisa, os reposteiros dançavam, agora vai para a frente, logo vai para trás, e o sol, já instalado no centro da sala, ia brincando com as mangas e os abacates que estavam no cesto pousado na pequena banca da cozinha. Lançava uma agulha de luz, parecia hesitar, vai, não vai, e depois recuava e escondia-se. Quando a lufada de ar era mais forte agitava-se, metia-se muito nervoso pelos recantos da sala e eu ficava com a impressão de que o que a luz do sol queria era saber onde eu estava. Gostava muito desse sol a brincar, e das pernas da Lúcia...meu Deus!, lá em cima, no alto das coxas, tinham-me dito que havia uma cabeça em forma de triângulo, cheia de pêlos e com uma boca sem dentes, devia ser o Diabo! Era isso que eu queria ver, mas nunca consegui.
Depois… depois não há mais nada. Sim, havia as festas, os fins-de-semana, com muita gente a comer debaixo do imbondeiro, o tio Augusto, o único irmão do meu pai, com um hálito de vinho extraordinário, tão incomodativo para os humanos como para as moscas, que renunciavam aos ‘‘moscódromos’’ dos pitéus servidos à mesa enquanto ele estivesse por perto, havia o tio Mbala e a tia Londa, uma vez por outra os filhos do meu pai e da Chiquinha, do Bairro dos Imbondeiros, e a avó Júlia, mãe da minha mãe, muito empertigada, sempre a barafustar, lembrando a quem a quisesse ouvir a esmerada educação que dera à sua filha, enquanto lançava um olhar triste para mim e para os primos a correr atrás das primas. A repetir vezes sem conta, «Assim!?...Assim, não. Estas crianças nunca hão-de chegar a lado nenhum»

O meu pai não parava em casa. Ia e vinha, e quando vinha entrava e saía. Gostava de ir beber um copo à tasca do Guedes, onde se encontrava com os outros membros do grupo de Carnaval, o União Nzumba. Para ele, com trabalho duro no mar, uma mulher com três filhos no Bairro dos Imbondeiros e outra com um filho. No Prenda, era um problema bicudo harmonizar a vida à roda de tanta coisa importante. Isto sem falar do Marítimo F. C. e dos desafios de futebol, que às vezes era um festival de pancadaria. «Como dessa vez», contava o meu pai, «em que o Marito, o guarda redes, começou a fazer sinais de uanga, o árbitro a querer fugir, as pessoas a impedir, a polícia, compadres nossos, a chegar... grande maka! Só não deu mortos e feridos porque o árbitro lá reconsiderou e o jogo continuou». Era difícil. Difícil para ele, para mim não, brincava na rua com os kambas, punha-me de atalaia em casa à espera do sol e das pernas da Lúcia, e nos dias de sorte aparecia sempre alguém para me levar até aos Imbondeiros, ou à Xicala a casa da tia Londa. Praia e mar era do que eu mais gostava.

Por artes da minha mãe, influenciada pela mãe dela, a avó Júlia, entrei para a escola e fui um pouco afastado do mar. Pouco me lembro dos meus tempos de escola, a não ser da menina-dos-cinco-olhos, a palmatória, e da grande paixão que tive pela professora da primeira classe, a Dona Luisinha. Parecia uma boneca grande, gorduchinha no seu metro e quarenta e cinco de altura. Nunca me deu com a palmatória! E eu sonhava quase todos os dias com ela, todos os dias ia buscá-la à rua, até chorei quando passei para a segunda classe. Nos recreios...só me lembro das lutas e do futebol. Gostava, mas nas férias sim, era muito melhor, passava os dias na praia.
Quando fiz a quarta classe, aí uns três anos antes da Dipanda, fui passar as férias a casa da tia Londa. Até essa data, embora o que vou dizer pareça incrível, nunca me tinha dado conta de que o tio Mbala tinha um barco. Barcos conhecia eu, os do Bairro dos Imbondeiros, olhava para eles sem interesse. Na Xicala brincava e ia à praia do lado da baía. O tio Mbala saía às quatro da manhã, voltava à tarde, e eu ainda estava na praia. Quando ia para casa já ele tinha chegado. Também não lhe perguntava nada. Mas no dia em que cheguei à Xicala para passar um bom mês de praia, por acaso, o tio Mbala estava a chegar do mar.
«Rui! Rui!...Olha ali...’tás a ver? É o tio Mbala». A tia Londa, excitadíssima, puxava-me pelo braço e eu olhava para o mar. Via o sol a descer para a linha do horizonte, via as águas calmas e um barco à vela a deslizar por cima delas numa lentidão de caracol, a crescer para nós. Fiquei imóvel durante mais de meia hora, talvez uma, de vez em quando imitava a tia e acenava, e o homem do barco também acenava, enquanto o barco continuava a avançar e a crescer para nós, sem remos. Sem remos!!?... meu Deus, como era possível sem remos? E de repente lembrei-me, claro, já tinha visto muitos barcos à vela nos Imbondeiros e na ilha, mas nunca me dera ao trabalho de saber por que razão tinham uma vela e de facto não sabia que navegavam sem remos. Juro, olhava para eles sem os ver. Agora via. Só que, apesar de me desculpar tão estúpida ignorância, continuava a não perceber como é que aquele barco avançava sem remos. E todo o meu ser se concentrou na procura de uma explicação desse estranho...feitiço? Perguntei à tia e ela riu-se, «Feitiço!! Nada. É o vento, «O vento!?», «Sim, o vento. Um destes dias vais com ele e vais ver».

Imagem: otothing.com

Ao que isto chegou. MPLA apela à bufaria nos bairros violando a constituição


Quem diria que um dia o MPLA iria adoptar a mesma política da PIDE DGS, apelando que se constituíssem grupos de bufos (informadores), nos bairros, para denunciar à polícia a vida dos vizinhos, as suas discussões, as suas leituras, as estações de rádio que escutam e os amigos com quem conversam. E estes "assimilados" do regime, tal como no tempo da outra senhora, podem, também, contar com o contributo e beneplácito da polícia e das forças armadas, que afinal, não são órgãos republicanos, mas ao serviço do partido/Estado, logo defendendo os bajuladores e prendendo mesmo sem culpa formada todos quanto não sejam do vermelho e preto.

Silvio Van-Dúnem

Com esta postura o secretário provincial de Luanda, do MPLA, Bento Bento demonstrou a podridão das políticas do regime, que não vão além da ameaça, prisão, assassinatos e humilhação de todos quantos não aderiram às suas teses. Ao ordenar no dia 01 à vigilância nos bairros contra os que pretendem participar na manifestação anti-governamental convocada para o próximo dia 07, colocou a nu, a fragilidade deste gigante de pés de barro, que não teve nos assassinatos do 27 de Maio de 1977, um dos maiores crimes contra a humanidade, branqueados apenas pelo petróleo (graças a Deus, são crimes que não prescrevem) um mero acidente, mas afinal faz parte de uma cultura dantesca, sempre refinada, pelos seus responsáveis, que mais cedo do que tarde, poderão vir a sentar-se no Tribunal Internacional de Haia.

Mas o anúncio desta elevada decisão, anti-constitucional não poderia ser feita noutra plateia que não a de cerca de 3 mil caciques, cuja missão como membros dos Comités de Acção do MPLA, compete-lhes meter a mão na lama e no sangue dos seus amigos e familiares, apunhalando-os pelas costas, face à promessa de receberem por cada cabeça entregue à polícia, quantia razoável. "Temos que elevar em primeiro lugar a vigilância, denunciar todos quantos estejam nos bairros, nas ruas, quarteirões a planificar esse tipo de ações", disse Bento Bento, informando que a polícia estará às ordens de todos os militantes do MPLA, para prenderem sem provas os denunciados.

Não importa para este dirigente o que diz o art.º 74.º (DIREITO DE ACÇÃO POPULAR) da Constituição da República de Angola, aprovada e feita à medida do próprio MPLA: "QUALQUER CIDADÃO, INDIVIDUALMENTE OU ATRAVÉS DE ASSOCIAÇÕES DE INTERESSES ESPECÍFICOS, TEM DIREITO À ACÇÃO JUDICIAL, NOS CASOS E TERMOS ESTABELECIDOS POR LEI, QUE VISE ANULAR ACTOS LESIVOS À SAÚDE PÚBLICA, AO PATRIMÓNIO PÚBLICO, HISTÓRICO E CULTURAL, AO MEIO AMBIENTE E À QUALIDADE DE VIDA, À DEFESA DO CONSUMIDOR, À LEGALIDADE DOS ACTOS DA ADMINISTRAÇÃO E DEMAIS INTERESSES COLECTIVOS". Ora se por este motivo os cidadãos estiverem reunidos, pura e simplesmente vão parar à cadeia, "QUEIXADOS", pelos BUFOS de Bento Bento, nos bairros, por este dirigente, considerar ser este acto ou uma manifestação pacífica uma "destruição, é de encontrar mais vítimas desse povo que já sofreu tanto, um plano de destruir aquilo que temos estado a construir. Esse plano tem como ponto um, o Presidente (José Eduardo dos Santos)”, assegurou. Mas face a esta orientação, o povo nos bairros já está a redobrar a sua vigilância em relação a determinados dirigentes dos comités de acção do MPLA, evitando-os, por cautela, não vá o diabo tecê-las... "Muitos primos já têm medo de se comunicarem com receio de puderem vir a ser queixados na Polícia, por acto não praticado, até mesmo vizinhos estão a aconselhar as mulheres a evitar contactos, pois no 27 de Maio, muitos bufavam (queixavam) os outros para ficar com as suas mulheres", disse ao F8, Matias André.

E o pior desta violação à lei e a Constituição é o MPLA ter mostrado a todos que ele é o único poder, ao distribuir aos seus BUFOS, um pacote documental com seis páginas, contendo números de telefones da Polícia e do SINFO, para que sejam informados, todos os elementos da oposição ou da sociedade civil, que estiverem a conversar, num número superior a três, porque segundo Bento Bento, o pacote é “um conjunto de estratégias políticas de como deverão agir nos próximos tempos”, que “Angola não é o Egito, a Tunísia ou a Líbia, por isso devemos todos redobrar a nossa vigilância, em defesa do partido e do camarada Presidente José Eduardo dos Santos". Mais uma vez o texto constitucional é mandado às urtigas, vide art.º 64.º (privação da liberdade) "1. A privação da liberdade apenas é permitida nos casos e nas condições determinadas por lei. 2. A polícia ou outra entidade apenas podem deter ou prender nos casos previstos na Constituição e na lei, em flagrante delito ou quando munidas de mandado de autoridade competente".

Pelos vistos no caso vertente dos BUFOS do MPLA para accionarem a Polícia e o SINFO, a autoridade competente é o MPLA e Bento Bento e não os órgãos vocacionados para a aplicação da lei e da ordem. É uma autêntica vergonha ver-se a polícia transformada em meninos de recados, que se não cumprirem "vão apanhar", pois sabem que os chefes batem...

E na criação de bodes expiatórios, o dirigente provincial do partido do regime, tapou a corrupção, a má-gestão, a privatização do Estado, o enriquecimento ilícito dos filhos do presidente do seu partido, da sua família e de alguns elementos da corte bajuladora, para apontar culpados da situação noutras paragens, alegando ter informações dos seus BUFOS de o projecto da manifestação que esteve marcada para o dia 07 de Março, visar "ataques às esquadras da polícia, provocação da polícia para a existência de vítimas, ataques aos comités de acção do MPLA, administrações municipais, responsáveis do MPLA e do Estado, marchas para sítios vitais da administração, nomeadamente ministérios, e Presidência da República", na sua alocução, não conseguiu mostrar uma evidência senão a calúnia e invenção populista. E, não se detendo disse que esta corrente de manifestação levará, igualmente violência, junto das representações diplomáticas de Angola no exterior, nomeadamente em Portugal, Itália, França, Bélgica, Grã-Bretanha e Alemanha, tendo como precaução, o MPLA/Estado solicitado às autoridades desses países o reforço da segurança das embaixadas angolanas.

E no seu populismo e bajulação saloia, Bento Bento, foi quase dizendo: "estes cidadãos são uns ingratos, tão bom é o camarada presidente, que não merece isso, pois se não comem, não têm escola, bons hospitais, casas e emprego a culpa é da crise financeira e do deus deles, que só protege os ricos e bajuladores". Haja ponderação, pois em fases de crise a política não pode ficar nas mãos de pessoas emotivas, bajuladoras e sem tacto, sob pena de incendiarem ainda mais a pradaria, já de si escaldante.

segunda-feira, 7 de março de 2011

DITADURAS EM CRISE


Gil Gonçalves
Para Jean Paul Sartre, História, é o movimento das multidões que aspiram ao poder. Bem-vindo à jangada desta democracia à deriva, neste sonho de liberdade que afinal é um terrível pesadelo. Todo o alvoroço social é sempre uma questão política. Sim, vamos indo na graça do senhor e de todos os santos.
Mas, as democracias têm sempre bons amigos ditadores que asseguram as suas sobrevivências. Quer dizer, sem ditaduras, não é possível a sobrevivência da democracia. Senão vejamos o que nos diz o canalmoz, canal de Moçambique: «Quando se trata de amigos é diferente o ânimo de denúncia de crimes que certos governos impunemente praticam contra os seus povos. Os ventos de mudança que sopram no norte do nosso continente e que se alastram às regiões vizinhas, com tendência para descer até ao Sul, começam a colocar os governos de países, com alegados regimes democráticos sólidos, na embaraçosa situação de terem, de repente, de colocar, nas respectivas agendas, questões tão elementares como o direito a eleições livres e justas, e/ou o fim de regimes totalitários ou autocráticos em países com constituições democráticas mas com práticas insanas. Se os países que violam os Direitos Humanos são aliados das potências democráticas, estas fecham os olhos. Com processos eleitorais viciados em muitos países africanos, as “derrotas” das oposições não se registam à boca das urnas, mas nos centros de informática e de bases de dados criados e sustentados financeiramente pela chamada comunidade doadora. Até querem saber, bem antes dos cidadãos irem votar, quem é a alternativa aos poderes instalados, como se a democracia pelo sistema de um homem um voto não fosse precisamente para se apurar qual é a alternativa pela soma dos votos. A benevolência perante a fraude está a desacreditar a democracia.»
A idosa carrega sessenta e dois anos, vinte e sete de colonialismo e trinta e cinco de ditadura de libertação. A sua perna direita está, pode-se dizer, danificada. Nem o cheiro do petróleo lhe chega ao nariz, porque proibiram-lhe de o cheirar. Vai na rua, foge da loucura do infernal trânsito da ditadura. Por milagre consegue alcançar o passeio, como um navio em porto seguro depois de uma violenta tempestade. A perna falha-lhe e quase a estatelar-se no solo, estica a mão e consegue apoiar-se no carro luxuoso de dois comendadores do nosso erário público. Um deles olha-a como se visse algo que transmite terror. Decerto, bem adestrado, apalermado nessas coisas do feitiço, amedrontou para a idosa: «Tira já daí essas mãos do carro.» A desafortunada, em nada contemplada por qualquer benefício petrolífero, ripostou-lhes: «Isto é tudo vosso, até já não se pode andar em lado nenhum. Para onde vão, o vosso carro também será enterrado ao vosso lado.» E a figura da grotesca nomenclatura, ameaça-a, em nome do poder do deus do petróleo: «Cala-te já, e não me faltes ao respeito.»
A poucos metros, um andarilho do lixo, escorraçado dos poços petrolíferos e diamantíferos, vasculha no supermercado popular dos caixotes do lixo algo que valha a pena para não morrer de fome. Hábito aliás muito agora em voga, pois há muita concorrência nos caixotes do lixo. Sinal de que o nosso PIB se fortalece. O andarilho do lixo carrega os seus sacos de compras. Não necessita de cartão de crédito, nem de qualquer outra coisa monetária. Esta é a sopa dos pobres dos eleitores da maioria que votaram… e acreditaram numa nova vida. O andarilho, o sem pátria, encosta-se à árvore rodeada de lixo. Desliza, deita-se com a cabeça encostada ao tronco da árvore. E ali fica, como se estivesse no seu casebre demolido. Já não tem forças para se mover, e parece que ali vai morrer. Em frente está um banco, mas os bancos não dão crédito a estas coisas. Os bancos estão aqui para desgraçarem as nossas vidas. Onde chegam, a paz acaba e os tumultos começam. A cada dia que passa, a vida foge-nos. Não é por acaso que Angola é invadida por estrangeiros, é um bom negócio. Eis os objectivos do milénio cumpridos a cem por cento.
Por vezes arriscamos as nossas vidas por causas que mais tarde se revelam completamente inúteis. Como é o caso deste poder, onde um general e um banco espoliaram as traseiras de mais um prédio, sob ameaças do estilo: tens os dias contados. E estrangeiros que nos roubam os empregos. Este poder é o cemitério no palácio da ditadura da opressão.
Trinta anos debaixo de uma ditadura, e mais trinta nesta. A mais velha estava na entrada do prédio a conversar, chegaram os fiscais da libertação estalinista, querendo arrastá-la. Porque ela estava com o saco das compras, e eles acreditavam que ela trocava dólares. Este poder vive no palácio arruinado da ditadura da opressão.
A liberdade e a democracia continuam um sonho. Há quatro anos atrás, o nosso filho de trinta, estava no Hospital Josina Machel. Necessitava de uma urgente transfusão de sangue A-. Apesar dos apelos na rádio, estava impossível. Já lhe dizíamos adeus. Até que um candongueiro do hospital disse que bastavam cem dólares. E o nosso filho salvou-se in extremis. E um médico amigo do comité de especialidade do Politburo abandonou-me por motivos políticos. Este poder é o zero no palácio da ditadura da opressão.
O que está a bater, o que está a dar, é a Igreja Mundial. Os crentes ao entrarem retiram-lhes as roupas sujas dos corpos e substituem-nas por outras lavadas. E mantendo este hábito acabam na riqueza, ficam ricos. Os povos dizem que a Igreja Mundial está a fazer maravilhas. E que os adeptos da Universal, da Católica e de outras igrejas estão a debandar para a Mundial, que é, pelos vistos, a número um, uma igreja de confiança.
Para eles está tudo bom, para nós fica tudo péssimo. E por isso mesmo somos muito pessimistas. E tudo isto é a mais perfeita idiotice. As igrejas funcionam às mil maravilhas quando têm o apoio do poder, como muito bem demonstrado no O Apostolado: «PR reafirma importância da igreja católica em Angola. Nesta correspondência, o estadista angolano exprimiu «o desejo de continuar a contar com o apoio e o papel relevante da Igreja Católica na sociedade angolana, mormente na pacificação dos espíritos e no resgate dos valores morais e cívicos».
Angola, o paraíso dos desempregados estrangeiros, e o Inferno dos desempregados angolanos. Se a guerra já acabou, porque é que a nomenclatura continua na destruição de Angola? Por incrível que pareça, o Politburo destruiu mais em Angola em tempo de paz, do que no tempo da guerra com o outro destruidor. Um exemplo: a destruição de milhares de casas em tempo de paz.
Luanda é o pulmão canceroso da especulação imobiliária e da corrupção. Luanda é o êxodo de Angola. Quantas mais conferências, seminários, e outras coisas tais, que só servem para alguns ganharem uma boa grana, Luanda mais se afunda. Das províncias nem vale a pena falar. Luanda é Angola. Não será preferível nova denominação para: República de Luanda e arredores?! E mais, e mais seminários nesta nova república que mais a abismam na miséria, uma normalização já institucionalizada. Noto que existe um tremendo erro: nunca há crise económica, há sim crise política. O mais importante é a divisão do nosso filão petrolífero. Os fabulosos lucros do petróleo investem-se na miséria da população. O petróleo não é nosso, é indivisível só neles.
Sem o apoio, e especialmente o exemplo do governo, nunca será possível qualquer plano de trabalho que funcione em Luanda. E tudo são más propagandas. Um acto de hostilidade à população, que há muito deveria receber orientações de governantes que parece não as sabem dar.
Os ditadores estão convencidos que as suas ditaduras são eternas. E edificam-se em palácios cercados por exércitos de forças especiais para dormirem e se protegerem das populações espoliadas, desempregadas, martirizadas. E caso curioso, prometem-nos amiúde que a democracia já vem a caminho. Mas ela nunca chega, pelo contrário, cada vez se afasta mais, lá para muito longe, no Inferno. Só existe uma ditadura eterna, a do amor.
Vivemos entre paredes que se movem e nos querem esmagar. Fomos outra vez ludibriados com a promessa de liberdade e democracia pelos revolucionários, que afinal queriam o poder para nos roubarem tudo… na legalidade. Basta ver quem são os melhores amigos dos bancos sem escrúpulos. E continuam a prometer-nos o oásis nesta terra.
Tantos anos, tantos aniversários decorridos que finalmente acabaram debaixo de regimes que até os vencimentos nos cortam, acabam-nos com as regalias que conquistámos ao longo de uma vida de luta. E agora aplicam-nos a mais reles ditadura democrática. Onde já se viu um trabalhador perder o que conquistou, o que trabalhou? E os banqueiros que nos destruíram, e destroem, riem-se nas nossas costas.
Nunca tanto se roubou como nestes tempos democráticos. Nunca tanto se destruiu como nestes belos tempos de governos democraticamente eleitos pelo voto popular. E fazem-se novas eleições e os eleitos que nos governam, adernam o barco da governação, e afundam-nos. E que está tudo bem, basta ver a taxa de inflação. Sim, está tudo bem… nos caixotes do lixo. Onde os eleitores buscam algo para sobreviverem.
Os nossos sonhos são o constante verde da vegetação perdida, porque vivemos gradeados por poderosas florestas de betão. Porém, que a felicidade dos dias esteja sempre contigo.
Não é de surpreender o apoio dado às ditaduras pelo poder igrejeiro, aliás denunciado pelo Club-k.net: «O novo director de informação da Radio Ecclésia, Walter Cristóvão, ordenou na segunda-feira (10Jan11), aos técnicos da emissora católica para não reporem em reposição o conteúdo do debate radiofónico de sábado, por considerar que a posição de dois convidados, Fernando Macedo e Luizete Macedo Araújo atacavam os Bispos e o Presidente da República, respectivamente.» E daí que vozes conclamem: O Mpla não é um partido político, é uma espécie das quase mil igrejas existentes em Angola. Claro, não é religião, é comércio. As igrejas parecem empresas comerciais, vendem religião. No fundo, tudo não passa de um negócio. E a actividade humana não se limita apenas em comprar e vender!?
A religião é seguramente a maior causa do analfabetismo. Em Angola as igrejas estupidificam tanto as populações que os cérebros ficam amarrados, fanatizados. E todos na crendice: «Estamos à espera de Deus para o Juízo Final. Ele está a chegar. Terão que lhes prestar contas». É muito lamentável… triste… como a religião fanatiza, a superstição permanente. E a feitiçaria fortalece-se, claro. O governo contenta-se: O povo quanto mais burro, analfabeto, tanto melhor. Isto não é religião, é fanatismo, é fome, é miséria.
A corrupção desenvolveu-se tanto que se torna impossível viver. É o caos… ver um país a mergulhar, e a população a afogar-se. As igrejas são fábricas, fabricam religiosos analfabetos. Devidamente prontos, arrumados para outra colonização, e depois reiniciar, batalhar noutra guerra, luta de libertação. Sempre, sempre… para lá da exaustão.
E gozam-nos com teorias da fome: O nosso cérebro funciona bem com fome. Mas, isso é durante umas horas. Não é durante uma vida, como pretendem os escravocratas. Como jurisprudência assumida: Quando um cão nos morde, todos os cães são culpados.
É o crucifiquem-nos, o alimento preferido das ditaduras e da igreja. A igreja da santa hipocrisia e da santa falsidade. Se todo o mundo fosse idiota, a ditadura e igreja reinariam eternamente. Já não é a igreja de Deus, é a igreja do Santo MPLA do Petróleo.
A pedofilia não lhes basta, e quando não se sabe fazer mais nada… resta a aventura do ir para cónego. Já corrompe Deus e Jesus Cristo. Depois da terra está a corrupção no Céu, e se mais houvera, lá corrompera. Para que serve então a religião? Para aprofundar a corrupção. É a Igreja da fuga da vida para a morte. Meu Diabo, livrai-nos deste Deus! Estão de regresso às origens da vulgar e infeliz seita religiosa. Corruptores de almas. Se na Terra assim fazem, facilmente se presume o que farão no e do céu. Campeões nacionais e internacionais das maratonas religiosas para a Igreja, é-lhes sepulcral sobreviver. Corruptos de todas as igrejas, bastai-vos! Como as almas rareiam, fogem-lhes, abandonando as igrejas às moscas, resta-lhes o secular encosto às sobras das e sombras das ditaduras: sem rendimentos perecemos, desfalecemos, morremos. Deus e Cristo, servem-nos o alimento espiritual, que nas subservientes ditaduras conseguimos o dinheiro, o alimento material.
Meus irmãos em Cristo! Na luta pela sobrevivência… valemo-nos de tudo, como aliás denunciado num dos milhares de telegramas do WikiLeaks «A Igreja católica cubana renunciou ao activismo político em Cuba, e inclusivamente optou por distanciar-se de dissidentes católicos a troco de promessas do regime em permitir que a Igreja mantenha um espaço para o culto e possa reconstruir infra-estruturas suas em templos e seminários.»
Quanto mais o poder no tempo passa, mais aumenta a nossa desgraça. Cada vez mais desalmado, o edifício da miséria continua imponente. Os colonos colonizavam, os libertadores destroem. Pela quantidade astronómica de anúncios publicados sobre abando de trabalho no Jornal de Angola, não há nenhum angolano que trabalhe. Foram todos despedidos.
Jesus voltará mais, sim! Para castigar e acabar com o clero, acabar com a falsa igreja demoníaca. O dinheiro do petróleo compra aventureiros que espremem, desbaratam, chafurdam, amassam Angola. O dinheiro petrolífero não compra inteligências. Por isso, Angola permanecerá no ocaso da imbecilidade. Um país sem oposição, é como ficar sem energia eléctrica. Esta igreja de Angola tem santos a mais. E na vida constante de sons infernais de festas inventadas, este povo está sem soluções. Resta-lhe a inutilidade da sua existência, de párias sem consciência. Como aberrações que movem os pés e as mãos da desordem cerebral. Este povo já não caminha, definha. E as igrejas perseguem a sua destruição social, e arrastam os fiéis para a desagregação da garrafada final. É lamentável que a poluição religiosa não é ainda considerada crime, tal como a sua irmã, a poluição sonora.



Angola: Comunicação Social “embaraçada”?


Há dias o Conselho Nacional de Comunicação Social (CNCS), em comunicado, felicitava a Comunicação Social angolana, no geral, pelo desempenho satisfatório da imprensa face à cobertura que, de uma forma geral, esta “tem estado a fazer relativamente as posições assumidas pelas duas principais forças políticas nacionais, com observância do respeito pelo contraditório” (ponto 1. do seu comunicado de Fevereiro de 2011), contrariando as posições anteriores que faziam eco da sua preocupação quanto à maneira como a imprensa, em particular, a estatal, fazia – ou não fazia – na cobertura jornalística das notícias.

Eugénio Costa Almeida
http://www.noticiaslusofonas.com/

Todavia, parece que o mês de Fevereiro, terá sido uma andorinha perdida a anunciar, com antecipação indevida, uma primavera ainda longe da sua data temporalmente oficial.

Isto porque ainda recentemente, o jornalista Armando Chicoca, correspondente da Voz d´ América e antigo correspondente da Rádio Ecclesia na província do Namibe, foi condenado a um ano de prisão “por crimes de injúria e difamação”, devido, alegadamente, ter entrevistado uma senhora, serviçal de um representante da Justiça angolana, que terá acusado este de “assédio sexual”. Compreende-se que o visado, naturalmente, levasse a julgamento quem o acusou; Já não se entende que o “portador da missiva a Garcia” seja o condenado…

De notar que Chicoca, já em Novembro de 2008, tinha sido condenado a 33 dias de detenção, também por “alegados crimes de calúnia e difamação” e por o mesmo juiz ter escrito uma carta ao falecido bispo do Namibe onde terá lamentado que a emissora católica, Rádio Ecclesia, estaria mal representada naquela província, a Princesa do Deserto.

Entretanto, o semanário “Folha 8”, na sua publicação online (http://folha8.blogspot.com/) denuncia que a sua edição de sábado, 5 de Março, não saiu para a rua porque, e cito, “os empregados da gráfica privada onde é impresso, receberam muitas ameaças por telemóvel de desconhecidos, ameaçando-os que se o imprimissem, as responsabilidades pelo seus assassinatos recairiam sobre eles, os trabalhadores da gráfica. E o medo fez com paralisassem o trabalho, de modo que o Folha8 não saísse para as bancas”.

Mas o Folha8 não se fica só por estas acusações. O semanário dirigido por William Tonet alerta para o facto de outros órgãos informativos, seus concorrentes, estarem a condicionar a publicação de certas “colunas” que visem denúncias de cariz social, o que não deixa de ser preocupante e esmorecem as felicitações da CNCS angolana.

São acusações graves demais para que o Procurador-geral da República não tome as devidas medidas para salvaguarda quer da integridade física das pessoas, quer pela defesa dos mais elementares direitos de um Povo e de uma Nação: a liberdade de informação.

Porque assim a Constituição o reconhece e porque todos devem ser responsáveis dos actos praticados e do que escrevem.

5/Mar/2011
elcalmeida@gmail.com
http://elcalmeida.net

sábado, 5 de março de 2011

Secreta ameaça FOLHA8 de morte e impede a sua publicação. As nossas vidas correm perigo, a qualquer momento…


Luanda, Angola. MPLA REIMPLANTA O TERROR DO 27 DE MAIO
O jornal FOLHA8 não se publicou esta semana, edição de 05Mar11, devido a que os empregados da gráfica privada onde é impresso, receberam muitas ameaças por telemóvel de desconhecidos, ameaçando-os que se o imprimissem, as responsabilidades pelo seus assassinatos recairiam sobre eles, os trabalhadores da gráfica. E o medo fez com paralisassem o trabalho, de modo que o Folha8 não saísse para as bancas.
E os autores dos telefonemas anónimos decretaram que o Folha8 é um jornal que incita à violência.
Sem dúvida que as nossas vidas correm perigo. O MPLA está a instigar a sua máquina de guerra para a eliminação física de tudo e de todos que não estejam de acordo com a sua linha política que é: a corrupção, a espoliação, e a manutenção dos campos de concentração da morte, espalhados por toda a Angola.
Angola arde, Angola é o inferno.
Quem denúncia a corrupção comete o crime de incitação à violência.
Estaline está vivo, e acena-nos com a morte.
O que o MPLA pretende é muito simples: quer ficar sozinho com a sua família e com Angola como propriedade privada. E quem não estiver de acordo, pum! pum!
O MPLA quer a guerra total e completa. Nunca quem fez uma guerra altamente fratricida está em condições de falar em paz, só o podendo fazer com o demónio. Aliás como sempre o fez e faz.
Escutar as rádios, as TVs e os jornais do Mpla que agora nos bombardeiam mais do que nunca, de noite e de dia com propaganda estalinista ortodoxa, isto não é incitação à violência?
Mas, mais guerra contra quem? Contra as moscas e mosquitos que nos infestam, e para os quais não há solução há mais de trinta anos, e a população que já ultrapassou o que se considera miséria?
O regresso aos bons velhos tempos das matanças regressou.
Esperamos que os angolanos não se deixem matar como os nazis faziam. Que transportavam milhões de farrapos humanos para os gazearem nas câmaras de gás dos campos de extermínio massivo.
A Gestapo e as SS abriram filiais em Angola, e parece que já exercem actividade. É só escutar os noticiários dos meios de comunicação do Mpla.
O incrível disto tudo, é que com as fronteiras de Angola muito inseguras, se crie mais um conflito interno que decerto provocará mais uma vez o caos. Não será isto mais um suicídio?
Obrigar milhões de angolanos à miséria, isso não é uma indecente incitação à violência?
Quando, como agora, ameaçarem-nos de mil e uma maneira mortais, isso não é incitação à violência?
Quando só o Mpla pode fazer manifestações, e mais ninguém o pode, é terminantemente proibido, isso não é incitação à violência?
Toda a riqueza mineral… tudo que lhes cheira a dólares está em poder do célebre bando dos seis do Mpla. Isso também não é incitação à violência?
Quando não há possibilidade intelectual de debate surge a violência do Mpla. E nisto ele está muito por baixo, porque quem não tem capacidade cerebral… usa o tiro e a morte, porque não sabe conversar. O importante é as universidades do analfabetismo, e o nascimento de uma nova pátria com o apoio incondicional da nova vida da Igreja petrolífera que entrega o povo angolano aos cemitérios do Mpla. Isto também não é incitação à violência?
A maneira com que se prendem e condenam os opositores políticos, isto não é incitação à violência?
O MPLA apela à população angolana para se manter vigilante. Só pode ser vigilância da corrupção e da miséria que não param, até já bateram o recorde mundial.
Acabar com os mercados, como o do Roque Santeiro, e obrigar os milhares de vendedores a mendigarem nas ruas, não é isto um cadavérico incitamento à violência?
Inundar Angola de estrangeiros e oferecer-lhes os nossos empregos, isto não é um incentivo à violência?
Neste momento o Mpla tem pelo menos quatro facções: a Facção-JES, de José Eduardo dos Santos, actual Presidente de Angola, o Mpla-Ut, a União das Tendências democráticas, os seguidores de Nito Alves, e o Comité da Mudança do Mpla. Qual delas vencerá? É devido aos seus problemas internos graves que o Mpla tenta desviar as atenções para a Unita, como tradicional bode expiatório. Mas desde quando é que alguém consegue fazer uma guerra, ou um golpe de estado com quatro contentores de munições de um navio apreendido e retido no porto do Lobito?
Não deixaremos que o Mpla-JES encerre a democracia nas prisões da ditadura.
E porque é que o Mpla mantém ao seu serviço jornalistas mercenários e incendiários, como o tristemente célebre José Ribeiro, do Jornal Necrotério de Angola. Isto não é um mais flagrante incentivo à violência?
A luta entre os petrolíferos e os espoliados de tudo intensifica-se. Que vença o melhor.
E juramos que faremos de Angola uma pátria petrolífera… quando nos libertarmos do extermínio das nossas populações.
Isto não é uma pátria, é um vulcão petrolífero.
Por este andar temos mais candidatos ao TPI. Ditadores angolanos: o Tribunal Penal Internacional espera-vos!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Em Angola, denunciar a corrupção é crime de difamação


O calvário de mais um jornalista angolano, Armando José Chikoka, condenado a um ano de prisão por juízes corruptos. Agora, até a um monumental monte de lixo se chama democracia.
E ao respirar, sente-se o cheiro intenso da ditadura que ainda polui o ar e os nossos corações.
Este petróleo cheira a morte, a corrupção, a miséria.
Uma máfia terrível que divide entre si os biliões de dólares do petróleo, e como se não lhes chegasse… privatizam Angola e os angolanos. Sim! Até as populações são propriedade privada, porque vivem na escravatura e à obediência cega da vida e morte dos seus senhores.
Mantém exércitos privativos que espalham o terror nas populações. Exércitos fortemente armados e municiados, um hino, uma bandeira e um palácio, e aqui temos mais uma ditadura, para nos impor a selvajaria diária.
Os tempos seguintes adivinham-se atrozes, sangrentos, humilhantes. Os escravos têm que aprenderem a levantarem a cabeça, e dizerem, BASTA! NÃO!
O importante é defender muito em especial, os interesses chineses, brasileiros, portugueses, etc., para que a nossa escravidão permaneça, e um grupo de déspotas nos devorem os corpos e as almas.
Tudo isto sob o olhar de peixe morto, da cumplicidade e complacência da Igreja corrupta, que para mendigar uma sobras petrolíferas vende o rebanho humano dos poucos crentes que lhes restam. A igreja é, e será sempre, a igreja do demónio. De cónegos e padres frustrados que revendem as almas à ditadura, porque de quociente intelectual tão baixo, a única saída que lhes resta das suas vis e vãs existências, é o inútil sacerdócio nas igrejas às moscas, mas infestadas de sacerdotes pedófilos. E insistem que pregam o evangelho na terra.
Sim, o evangelho segundo Santo Pedófilo.

É por isso que as populações aderem cada vez mais à feitiçaria e a qualquer igreja improvisada. É que a nossa Igreja está demasiado petrolífera. Obtêm daí dividendos e vende o seu rebanho à colonização.
Não, a Igreja não é uma ditadura como essas com um ditador há mais de trinta anos no poder. A Igreja é uma ditadura milenar.
Se Deus é omnisciente e omnipresente, como é que o Papa lhe pede para interceder nos conflitos humanos, e noutras misérias?
Teologia é a artimanha diabólica de pretender provar uma entidade superior que não existe.

Como é triste verificar que estão a criar as condições que conduzirão à inevitável luta de vida ou morte. Sim! Porque o que sucede é a luta de um povo que não quer mais se deixar levar para o matadouro do extermínio.

Educação e giz. Samba o município do lixo com construções anárquicas de luxo


Samba é o município onde o preço da terra tende a concorrer com o do petróleo, havendo mesmo quem diga que em Luanda as terras de Talatona e as da orla marítima têm um valor, por metro quadrado, superior ao de 100 barris de petróleo, nas grandes bolsas internacionais. Proporcionalmente ao crescimento geométrico dos tijolos, está o lixo que parece ser visto como peças de ornamentação pela administração local.

Manuel Fernando*

Nos dias de hoje as definições e localização de baixa e musseque confundem-se num território vasto como é a realidade de Luanda porque surgiram os bairros da periferia que não são, nem uma nem outra coisa, e mesmo entre estes também existem classes sociais e arquitectónicas que emergem espontaneamente da conjuntura.

Viver na baixa de Luanda deixou de ser o sinónimo de viver na cidade, por encontrarem-se incrustados nela os bairros Catambor, Shabá, Barrocas do Miramar, Coreia, Bairro Operário, etc. Ante a dificuldade de aguentar a inflação domiciliar, muitos luandenses optaram por construir os seus tectos, construindo as casas possíveis de erguer com os parcos, mas honestos salários. Assim surgiram os bairros do Rocha Pinto, Iraque, Fubú, Sapú, Vila da Mata, Dangereux, etc., bairros com nomes que denotam o suor derramado pelo proprietários dessas casas, que Bento Soito, ex-vice-governador de Luanda, apelidou-as de casebres, como menosprezo aos que sobrevivem em condições de extrema pobreza.

No emaranhado de urbanizações que se têm erguido em Luanda, despertou-nos particular atenção, algumas que, mesmo sem terem a assessoria da administração local deveriam merecer particular atenção pela forma ordeira como estão organizadas. Nelas encontram-se muitos ex-moradores dos ex-bairros VIPs como a Vila Alice, Terra Nova, Valódia, Alvalade, Miramar, Bairro Popular, etc. Lamentavelmente, em muitos dos municípios, bonificados com estes projectos de auto-construção, tiveram a sorte madrasta de coincidirem com administradores municipais medíocres, situando-se entre estes o abandeirado administrador da Samba. É uma autêntica fraude ao partido que depositou confiança nele, por carecer de jogo de cintura para camuflar a sua incapacidade de gerir um município tão, para não dizer, o mais cobiçado de Luanda.

Os munícipes da Samba aguardam ansiosos por uma visita relâmpago do Governador José Maria, para que se conheça o fim do reinado do administrador Fançoni, caso a sua manutenção não esteja protegida pelo Engenheiro.

A riqueza não se compadece com o Lixo, embora em Luanda, os ricos não se importem em coabitar com montanhas de lixo nos seus arredores. Só assim se explica que a orla marítima, onde nos terrenos foram erguidas mansões impossíveis de se construir com adventos salariais, convivam rodeados de imundície.

Um município como a Samba merece um verdadeiro empreendedor, na sua administração, para que substitua as montanhas de lixo por espaços turísticos para arrecadar receitas à actual Conta Única do Tesouro, contrariamente às piscinas privadas que vão sendo moda, pela podridão em que se converteram as praias “dos quilómetros”. Governantes ausentes das populações, políticos apostados a darem motivos que favorecem a oposição. Menos-mal que os nossos opositores pertencem à mesma turma de míopes, por opção. A Samba, desde o Nzamba 2 que, através das valas de drenagem, vai caracterizando a incompetência de uma administração, às poluídas praias que deveriam estar proibidas para banhistas, pela quantidade de resíduos sólidos deixados por populares mal-educados, provenientes de todos os municípios de Luanda. A administração deve solicitar a intervenção da polícia para travar a indisciplina que se vive nas praias da Samba e obrigar os banhistas a depositarem os seus resíduos em recipientes, actualmente inexistentes. Muitas são as pessoas que se retiram da água ensanguentados, com cortes de restos de garrafas, latas ou outros objectos abandonados por desordeiros.

AUTORIDADE PARA OS POBRES
Os bem-aventurados ricos, não passam por estas vicissitudes, porque puderam comprar as humildes casas e terrenos ao longo da orla marítima e violando todas as regras e princípios arquitectónicos e ambientais, construíram edifícios que em países de lei, jamais seriam autorizados. Em Angola está sendo possível porque as mesmas autoridades que têm competência para travar esse comportamento selvagem, são os proprietários desses imóveis, entre eles, grandes chefes políticos, militares, polícias ou herdeiros de famílias com apelidos que dão medo. Os mesmos que privatizaram as praias públicas que começavam na Kamuxiba até ao ex-controlo da Polícia do Benfica. O verdadeiro povo também é vítima das demolições que resultarão do alargamento da estrada Futungo-Cabolombo. Vê-se, por exemplo que o trajecto do referido alargamento, esquiva as moradias dos ricos, como se pode ver na sinalização das paredes. O mais caricato está no espaço baldio adjacente à ponte do Benfica, entre a estrada e o oceano, vedado com chapas, ao INEA-Instituto de estradas é de preferência partir casas de cidadãos e o consequente pagamento da indemnização que tocar num espaço onde ainda não se colocou o primeiro tijolo. Dizem que o terreno é da Senhora! Tomara.

O município tem entre os seus bairros um dos mais apetecidos na distribuição de terrenos, o Benfica, não é em vão que por lá os administradores comunais têm uma data de caducidade muito curta, pelos supostos negócios em que se mergulham, ante às ofertas que lhes são apresentadas. No Benfica encontra-se provavelmente o bairro de auto-construção-dirigida que melhor urbanizado está, o bairro Zona Verde, também conhecido como Projecto, mas que tende a mergulhar na imundície do lixo por lá não haver qualquer serviço de recolha, obrigando os seus residentes a improvisarem aterros e lixeiras no interior do bairro, cujas consequências poderão resultar em epidemias de malária, cólera entre outras desgraças próprias de pobres. Quanto à energia, o que se pode ver são os moradores percorrendo as ruas com recipientes de combustível para os geradores, embora esteja lá um “Chico esperto”, com uma tal empresa Ilunga, com um posto de transformação, vulgo PT, a facturar os necessitados, no equivalente a mais de cem dólares/mês, fornecendo energia com uma regularidade similar a das quedas pluviométricas em Luanda, quer dizer, quando calha. Com a água, o administrador sabe que camiões-cisternas que no passado transportaram combustível são as que abastecem os moradores, com todos os riscos que daí concorrem. E cadê o administrador? Se fosse um bom político poderia facilmente aproveitar-se do esforço desses moradores para projectar-se, chamando a Edel, a Epal, a TPA e a Tv Zimbo, para dar show, como o fará o nosso partido, com a inclusão das casas construídas com o sacrifício individual, na contagem do milhão de casas prometidas. Este administrador deve ser varrido, como tantos outros show-man da nossa praça que se vão notabilizando por uma retórica arrogante, como se fossem os mais iluminados. Senhor Governador que no pacote de Vita Vemba inclua, se haver espaço, os administradores da Samba e da Ingombota.

*manuelfernandof8@hotmail.com


Crónica. Os heróis da nossa história


Marta Sousa Costa

Comecei a leitura do livro 1808, de Laurentino Gomes, depois que todos já haviam lido e dispensado os maiores elogios. Num belo dia, me interessei pelo livro e, como a continuação, 1822, já esperava na mesa de cabeceira, optei por levar o primeiro como companheiro de viagem. Embora não fosse próprio para essa situação, sendo um livro pesado (a idéia era levar pouco peso na mala), a leitura valeu o sacrifício e a única pena foi ter acabado antes do final do cruzeiro marítimo, deixando-me “a ver navios”, verdadeiramente.

Relacionando o que ocorria no Brasil com os acontecimentos, na mesma época, em Portugal e em toda a Europa, a leitura se tornou de fácil compreensão. Graças a ela, alguns comportamentos arraigados em nossa cultura foram melhor compreendidos.

Mas, no momento em que João VI chegou ao Brasil e as coisas começaram a acontecer, um pouco por conta dos portugueses, outro tanto por culpa dos brasileiros, invadiu-me o sentimento de que “esse país não tem jeito mesmo”. Pela compreensão de que atitudes que nos chocam, vindas daqueles que detém o poder sobre o destino da nação, longe de ser novidade, são meras repetições das ocorridas há duzentos anos.

A história, como nos foi contada nos bancos escolares, era cheia de heróis, gente de valor, capaz de morrer por seus ideais. Crianças, espelhavamo-nos naquelas figuras, incentivados a seguir o seu exemplo de patriotismo. Os historiadores modernos, ao levantarem o pano e mostrarem as intenções ocultas sob feitos aparentemente admiráveis, estão desmitificando os heróis e mostrando o jogo de interesses, a promiscuidade, a corrupção, os conchavos _ tudo que sempre existiu. Quando acabarem de recontar a história, com a facilidade de acesso a documentos e bibliotecas hoje existente, não sei se sobrará algum herói para servir de exemplo.

O triste é isso: não foi a nossa geração que inventou tudo que se abomina, tanto na política como na vida social e comercial. Não que fosse motivo de orgulho pertencer à geração inventora da corrupção e do jogo de interesses, mas haveria menos conformismo (talvez esperança) se a invenção fosse recente. Como quando se percebe o desvio de rumo e ainda é possível corrigir.

Embora fascinante, como se vê, a leitura de 1808 me deixou triste. Contudo, entre inúmeros leitores que deram seus depoimentos sobre o livro (na orelha interna do 1822), a maioria elogiando a maneira acessível com que a história é apresentada, dois me despertaram a atenção. Uma professora da Carolina do Norte considerou-o “uma forma leve e divertida de contar a história, sem sofrimento” e uma historiadora do Rio de Janeiro disse que “é um livro que se lê com um sorriso nos lábios”. Acho que não entendi, então. Considerei 1808 uma leitura apaixonante, preciosa, mas triste. Sorriso nos lábios, só pra quem não fizer parte dela. História que se deve conhecer, verdade que se precisa encarar. Para descobrir, talvez, que não precisamos de heróis; sobreviveremos sem eles.

Mas sempre precisaremos de gente séria, disposta a fazer o melhor no seu dia-a-dia, como tantos que há por aí. Gente que não se deixe contaminar pelo “que todos fazem”, nem mude seu modo de pensar porque “sempre foi assim”. Gente que até se incomode, mas nunca se acomode.

* www.martasousacosta.com

Jonas Savimbi recordado pelos seus... UNITA sai da letargia e fala do seu fundador


A actual direcção da UNITA, tão temerosa em reclamar alguns dos seus direitos, como o de pressionar o governo, a autorizar a transladação do corpo do seu líder para a sua terra natal, tendente a realização, como mandam as regras angolana e africana, de um funeral de acordo com as tradições Bantu, decidiu com alguma publicidade, nove aos depois, realizar uma jornada sobre Jonas Malheiro Savimbi, o fundador do Galo Negro.

Os militantes, dirigentes e quadros superiores da UNITA, reuniram-se no dia 22 de Fevereiro, data em que morria há nove anos (2002), em combate, nas chanas do Lucusse, província do Moxico, o seu líder-fundador, Jonas Malheiro Savimbi. Na altura embrenhado nas matas desde 1992, este político reivindicava fraude nas primeiras eleições gerais em Angola, por parte do MPLA/Estado e o seu presidente José Eduardo os Santos, com quem deveria disputar uma segunda volta nas eleições presidenciais. Surpreendendo o mundo, o regresso as matas e as armas foi a opção então tomado pelos guerrilheiros, que se haviam batido pela instauração de um regime democrático e este facto, após várias tentativas goradas de negociações com o governo, levou ao extremar de posições só culminando com a sua morte.

Sem o apoio das potências internacionais, nomeadamente dos Estados Unidos, antigo aliado, com um embargo das Nações Unidas, que o impediam comprar armas, o governo, tendo o petróleo e a capacidade de se armar, foi procurando tudo no mercado externo, ao ponto de ter recrutado dois dos mais reputados traficantes de armas: Gaidamak e Pierre Falcone, a quem pelos serviços prestados concedeu nacionalidade angolana, sem que o processo passasse pela Assembleia Nacional, como mandam as leis em vigor em Angola. No entanto para a morte de Savimbi, contribuiram decisivamente as tropas israelitas, com os seus sistemas GPS e cães de guerra.

Entretanto no encontro, foram realçadas, somente as qualidades política, social e diplomáticas de Jonas Savimbi, pelas vozes do vice-presidente do partido, Ernesto Mulato, da líder da bancada parlamentar, Alda Sachiambo, do deputado e membro fundador do partido, Samuel Chiwale, e o porta-voz da UNITA, Alcides Sakala. Todos consideram Savimbi uma referência na política angolana e percursor da implantação da democracia, que mesmo incipiente existe em Angola. "Este encontro serviu para, os militantes e dirigentes da UNITA manter acesas, junto dos autóctones angolanos, as chamas dos ideais defendidos por Jonas Savimbi e pelos quais deu a sua vida”, disse acrescentando que o seu líder teve muitos aspectos positivos na sua vida e, claro como humano teve os seus erros; "quem não os tem?".

No entanto, Manuel Francisco disse ao F8, que "uma qualidade maior e que a história futura registará, prende-se com a sua entrega a causa do povo e para o povo, pois Savimbi era um verdadeiro nacionalista angolano, cuja vida dedicou ao seu povo. Savimbi, não era corrupto e não morreu com milhões em bancos suíços ou de outras paragens, tudo que conseguiu era para a causa que acreditava. Savimbi, não tem nenhum filho milionário, como tem o Presidente Eduardo dos Santos, sem que estes miúdos, justifiquem de onde veio esse dinheiro, se o pai, não ganha tanto e não tem negócios que o justifiquem?", assegurou.

Por outro lado acrescentou haver uma diferença de se conhecer a realidade da UNITA e do seu líder: "A grande diferença é de os meios de comunicação social do Estado e os privados comprados pelo MPLA, as instituições do Estado serem partidarizadas e agirem de forma ditatorial, ou seja, tudo excessivamente controlado pelo MPLA e para mal dos pecados até as igrejas que durante a guerra assumiram um papel pacificador de solidariedade com o povo pobre e sofredor se está a deixar corromper, pois muitos padres e pastores deixaram de pregar o magistério, tudo pela febre dos milhões da corrupção. E isso é triste. Veja-se o facto de ninguém da igreja Católica, uma entidade de respeito se levantar contra as injustiças que ocorrem em Cabinda, Lundas e Huambo. Não é mera coincidência...", concluiu ao F8.

Dentro ainda desta visão Sakala, garantiu que a “luta pela democracia, uma justiça social, o combate à corrupção, o respeito pelos direitos humanos são fatores dinâmicos que se mantêm atuais”, salientou o dirigente, frisando que, com a morte de Jonas Savimbi, os militantes herdaram “um instrumento de luta que é o partido por ele fundado”.

Alcides Sakala, que focou a sua intervenção na perspetiva diplomática, sublinhou a importância do papel desempenhado pelo fundador da UNITA, na diplomacia, que “fez da UNITA um partido que sempre esteve presente nos grandes acontecimentos internacionais. Com a UNITA e a sua luta no interior do país, sobretudo na fase contra a presença de forças estrangeiras em Angola, Savimbi conseguiu colocar a UNITA no seio do debate internacional, tendo contribuído para as grandes decisões que se tomaram e que levaram ao fim do muro de Berlim e na destruição da União Soviética”, argumentou.

“Na nossa região, a diplomacia da UNITA permitiu também dar passos concretos para a retirada simultânea das forças cubanas e soviéticas de Angola, aliada à independência da Namíbia, à libertação de Nelson Mandela e ao fim do apartheid”, acrescentou, esquecendo-se por razões óbvias de se referir as tropas sul-africanas, então aliado do Galo Negro e principal suporte logístico. Ainda assim referiu-se ao fundador da UNITA como homem que “marcou uma época importante da história de Angola, continua a ser uma figura incontornável, com um pensamento e uma filosofia própria, que vai influenciar o debate em Angola por muitos anos”, daí que tenha apelado aos militantes a uma “de reflexão séria, para não se deixarem distrair pelas encenações do regime, com promessas vãs”.

O porta-voz do Galo Negro, garantiu continuarem "a honrar e a dignificar a memória de todos quantos deram suas vidas por esta pátria redimida, impregnados na memória do nosso mais alto líder e fundador do partido, Jonas Malheiro Savimbi”, exortou a UNITA.

Para a história, fica que Jonas Malheiro Savimbi fundador da UNITA, foi a par do MPLA de Agostinho Neto, FNLA de Holden Roberto, um dos três movimentos de libertação de Angola, que em 1974 assinou com as autoridades portuguesas os Acordos do Alvor visando a independência de Angola, que deveriam ser precedidas de eleições livres e justas, mas que foram goradas, alegadamente, pelo MPLA, segundo acusações da FNLA e UNITA, sob uma eventual contribuição das tropas comunistas portuguesas, que abriram os quartéis ao MPLA, por considerarem que eram os angolanos assimilados e ainda de mercenários cubanos. Por esta razão no dia 11 de Novembro de 1975, foram proclamadas duas Repúblicas, uma em Luanda que vingou e outra no Huambo.

Jonas Savimbi, nasceu a 03 de Agosto de 1934, na província do Bié e morreu a 22 de Fevereiro de 2002, nas imediações da localidade de Lucusse, província do Moxico, em combate. Após a sua morte foi assinado um acordo de paz, a 04 de Abril de 2002, que pôs fim a mais de três décadas de um conflito armado, que opunha o MPLA, partido no poder, e a UNITA.


quinta-feira, 3 de março de 2011

Os filhos do Papá dya Kota (1). Primeira parte. O muxiluanda


António Setas
Quando a grande kalemba de 1944 levou uma “metade” da ilha de Luanda, o meu pai vivia no Belela e viu-se obrigado a fugir no seu ndongo para não ser levado pelas marés, potentíssimas, que engoliram tudo o que por ali se erguia acima da tona de água. Ao tempo ainda ele não era casado, mas gostava da Chiquinha, uma moça bem-posta daquela zona, que também gostava dele e às vezes lhe comprava todo o peixe que trazia do mar. Eu ainda não tinha nascido, mas segundo o que se dizia à boca cheia muitos anos mais tarde foi uma kalemba incrível, de assustar gregos, desses que se contam nos livros de história e que até ganhavam em valentia aos gigantes e outros monstros da terra, do mar e do ar. É que dessa vez as ondas não eram como de costume, a chegarem suavemente de lado, como que a lambiscar as praias e a engrossá-las, por nelas depositarem muito da areia que traziam lá do sul, desde a barra do Kwanza. Estas apareceram de frente, muito altas e furiosas, a levantarem-se numa ameaça constante atrás das que se quebravam numa roncaria infernal ao chegarem à praia. Foram dias a fio de sofrimento, e o mar só se acalmou depois de ter engolido tudo ou quase tudo quanto os homens tinham levado anos e anos a construir.
No Belela, toda a população que conseguiu escapar à fúria do mar refugiou-se em terra firme, e em outros locais da ilha também muita gente abandonou as suas casas. Os do Mbimbi foram de preferência para a Camuxiba e para o Bairro do Cinquenta na Samba, alguns para o Rangel, outros para o Sambizanga, onde já viviam muitos axiluanda; os do Tundo foram bater à Corimba, ou atravessaram a barra e instalaram-se no Mussulo; uns quantos do Belela foram para o Sambizanga, mas a maior parte dos “ilhéus” rumou para sul e assentou arraiais na Samba Grande. Se fizéssemos um desenho para ilustrar a diáspora axiluanda, contando com os que morreram no mar, seria uma cruz, ou uma espada, com a ponta virada para o sul de Angola!
Os que particularmente nos interessam, os do Belela, seguiram quase todos um senhor de grande prestígio, o Papá dya Kota, pai de um grande número de filhas e de filhos - nessa altura a sua maioria eram casados e, como se fossem fotocópias, iguaizinhos ao pai, cada um deles com bué de rebentos de tenra idade, tão tenra a de alguns que tiveram de ser levados ao colo -, e eram esses filhos, sãos e robustos, que o ajudavam a controlar uma frota de barcos de pesca de notável importância à escala da ilha.

Antes do Belela ter sido levado pelas kalembas, o Papá dya Kota habituara-se a ir pescar em frente de uma praia da Samba Grande, onde os caprichos do mar tinham formado uma espécie de albufeira muito rica em pescado grosso. Por trás da praia, o terreno bastante extenso - à roda dos catorze hectares - estendia-se por trezentos a quatrocentos metros até à estrada da Corimba e corria ao longo dela por quase meio quilómetro. Era um bom sítio, pouco acidentado, virado para o mar, alguns imbondeiros de bom porte a decorá-lo, uma estrada decente à mão de semear e ainda por cima sem ninguém a ocupá-lo, fora uma ou outra manada de bois que por ali pastavam à procura de verdura. Foi nesse terreno, mais tarde conhecido como Bairro dos Imbondeiros, que uma boa parte dos habitantes do Belela se instalaram depois do desastre sofrido, seguindo como um só homem o Papá dya Kota. Além da família do Kota no seu inteiro instalaram-se outras, todas elas de pescadores e da ilha. Na confusão reinante também para lá foi o que viria a ser meu pai, o Luisão, que tinha ndongo e reputação de bom pescador. Protegido pelo Kota, conseguiu arranjar dinheiro para o alambamento e casou-se com a Chiquinha. Pau a pau, metro a metro, a Chiquinha a colaborar, e todos os que podiam a ajudar, construíram casa a tempo para receber um primeiro filho, o Zeca. Depois vieram mais dois, o Xico e o Eli. A minha hora ainda não tinha chegado.
O bairro foi crescendo. Toda essa gente, sem excepção, trabalhava na pesca, ou noutra actividade relacionada com ela, e comungava de um sentimento muito forte de pertença a uma casta diferente da do resto da população de Luanda. Esse juízo vinha de raízes profundas e era avivado e regido por leis próprias, em harmonia com velhas tradições que o Papá dya Kota capitaneava. Com o passar do tempo consolidou-se ao ponto de dar origem a um comportamento comum a todos, que excluía os forasteiros, os “de cima”, como era costume chamar os que não pertenciam a uma das famílias ditas “natas”, isto é, de genuína origem axiluanda. Nenhum desses indivíduos de “fora” poderia em tempo algum assumir um cargo de comando no seio da comunidade, como nenhum deles jamais seria retribuído, para uma determinada tarefa, da mesma maneira que os ‘‘natos’’. É claro que receberia muitíssimo menos! Mas que não haja engano, não é ao Papá dya Kota que se deve a existência desse sentimento de “diferença”, quase tão velho como a história da população ribeirinha de Luanda, só que foi ele, como um Moisés, quem guiou a sua gente. Foi graças a ele que nasceu o Bairro dos Imbondeiros e deve-se em boa parte à sua auréola e autoridade a chegada ao presente das raízes do passado, o que levou a que o significado da palavra Axiluanda ficasse praticamente reduzido a uma definição de etnia.

Por meados dos anos 60 o Papá dya Kota deixou-nos, com obra feita. Paz à sua alma. O grande terreno despovoado dos anos quarenta invadido por famílias suas, sendo apenas admitidas por perto, salvo algumas excepções, outras de raiz “ilhéu”, tinha-se transformado em feudo muxiluanda. Fruto da tradição, e da intransigência do Kota, pouco a pouco tinha ganho força uma lei antiga que pretendia defender a “etnia”. Mulher que fosse muxiluanda devia casar-se com homem de “dentro”, e as raras excepções que vieram confirmar esta regra apenas se deviam a um sensato augúrio de bons benefícios para a família. Os homens, esses, escapavam mais facilmente à lei, mas mesmo que os pais nunca se opusessem abertamente a que um deles se casasse com uma moça “de fora”, o facto consumado era tolerado sem nenhuma alegria e, em todo o caso, nunca a esposa seria tratada como uma “nata”. Neste ou naquele pequeníssimo pormenor haveria sempre uma diferença. E logo vinha a justificação : «Porque os “de fora” são do “mato”, os da ilha são da ilha e não há mal nenhum nisso, há simplesmente uma diferença. Só nós, os da ilha, “pisamos na água do mar” e não podemos viver sem ela, somos “akwa zanga”. Só nós, ao contrário dos outros, nos orgulhamos diante dos próprios portugueses de ser o que somos... Se somos Kaluanda? Sim, mas “puros”. Há séculos que as makas dos elefantes nos desinteressam. Somos os únicos que nunca foram mexidos para o “contrato” (contrato de trabalho salariado obrigatório), e só nós conseguimos fugir ao serviço militar colonial. São os próprios colonos que pedem às autoridades!, este rapaz é filho de pescador, trabalha com o pai, o pai trabalha comigo. E as autoridades arranjam outro para pôr no lugar dele. Somos diferentes».

O funeral do Papá dya Kota, que teve lugar em Luanda, abrilhantado por todas as impressionantes cerimónias de óbito da tradição muxiluanda, foi dos mais grandiosos que houve na história dessa comunidade ribeirinha. Passaram os anos, e ainda hoje quando se fala das suas convicções, das suas façanhas, da sua postura na vida e das anedotas que ilustram a sua passagem pela mãe Terra, os seus descendentes nunca se poupam a discursos e testemunhos que o elevam à categoria de figura mítica, não obstante não ser assim tão distante o seu passamento físico.

Coisa de dois anos antes da morte do Kota, o Luisão, ainda na quarentena, sentiu com desagrado a chegada dos cinquenta, o equador da vida, e anunciou-se grande calmaria na sua vida. Apareceu-lhe então o malvado diabo do meio-dia com as suas caretas, a dar-lhe uma irresistível vontade de se provar a si próprio que ainda era um homem rijo. E, de visita em visita à tia Londa, que vivia na Xicala com o Mabla, também pescador e primo por aliança da Chiquinha, foi construindo com paciência de chinês uma rede de cerco, que olhos menos atentos poderiam interpretar como sendo destinada à tia, mas não, o destino da rede era a sobrinha, a Tonicha, que arvorava do alto dos seus vinte e poucos anos uma perturbante beleza, iluminada por um sorriso que lhe vinha de dentro, capaz de adoçar o Diabo em pessoa. Quando o Luisão ia de visita levava sempre peixe grosso, ou um naco de boa carne, legumes frescos, desfazia-se em sorrisos, oferecia vinho e cerveja à tia, gasosa para a moça. E não perdia uma para lançar elogios e cumprimentos à cozinheira, «Sim senhora, Londucha, está de gritos!», e à Tonicha dava uns toques a derrapar para a carícia. Enquanto isso alternava as miradas, breves e alegres para uma, muito profundas e com lampejos de paixão para a outra. Quando acontecia a tia ausentar-se a Tonicha pedia-lhe coisas e loisas, chocolates, um perfume, uma peça de roupa, e ele não esquecia. Na visita seguinte lá vinha ele com uma prenda para a tia e outra para a moça, e a esclarecer, «Também trouxe isto para a Tonicha porque tinha medo que ela ficasse zangada», e dava-lhe o que ela tinha pedido. Com o tempo, os toques viraram apalpões, animaram-se, e às duas por três, certo dia que a tia se tinha ausentado, as mãos do Luisão subiram por ali acima e acercaram-se dos seios muito altos e firmes da Tonicha. Veio um beijo, e ela deu-se toda a ele. Passados uns seis meses estava grávida. Drama, choro, «Ai Jesus, desgraçaste a minha vida...», o tio Mbala a preparar o cacete para dar um enxerto de porrada ao Luisão, e este a aparecer em sua casa, «Eu assumo! Gosto da Tonicha. Tenho casa para ela». Abraços e lágrimas, mas estas de emoção e alegria. Foi assim que a Tonicha passou a viver no Prenda, numa casa com quarto e sala, quintal, e um imbondeiro no meio do quintal. Alguns meses mais tarde quem veio ao mundo foi eu, o Rui. Tarde demais para guardar lembranças do Papá dya Kota

Imagem: angola-luanda-pitigrili.com

Prender para investigar


A Procuradoria Militar, alegadamente sustentada por ventos que só circulam nos corredores do Ministério do Interior e das FAA, prorrogou, por mais 45 dias, sem informação nenhuma de que se possa dizer que tem cabimento, a prisão de três oficiais da Policia Nacional, dando como razão dessa decisão o facto de estar em curso o prosseguimento das investigações e de considerarem que a sua liberdade seria prematura, pois poderia desviar os indícios que teimam em não aparecer já lá vão mais de dois meses. Brincadeira né!... Então não encontraram nada com eles presos e agora não os soltam para poderem encontrar. Isso chama-se estar preso por ter cão e privado de liberdade por não ter. Não há provas a não ser de que existe uma verdadeira cabala organizada que inclui mesmo tentativas de assassinato e assassinatos e as pessoas ficam presas sem terem a pesar sobre elas qualquer culpa formada!? E depois querem que o povo se mantenha calmo e não se manifeste!? Esses presos são filhos do povo e as suas famílias têm razões de sobra para manifestar os seus sentimentos de protesto e estarem contra o regime. Não se esqueçam de que a política dá muita volta.

Efeméride: Miala foi preso há cinco anos


Fez no 24 de Fevereiro, cinco anos que José Eduardo dos Santos e o seu actual homem de confiança, Helder Vieira Dias Júnior, Kopelipa, coadjuvados pelo inviolável, inenarrável e insubstituível general Zé Maria, tiraram do jogo a antiga direcção do Serviço de Investigação Externa (SIE), acusada de tentativa de golpe de estado, tendo colocado toda a tropa e policia na rua, com uma “mãozinha a sua filha através de uma empresa de telecomunicações sua (dela), adquirida com uma facilidade desconcertante por via de arabescos contratuais tutelados ou pelo menos orientados pelas mais altas esferas do Estado. E a custo zero. Nessa altura a senhora esmerou-se, aprimorou, burilou a realidade à imagem de uma solicitada ficção e mandou para o ar mensagens SMS, a avisar a alegada situação, que afinal jamais existiu. Tudo ocorreu no dia 24 de Fevereiro de 2006 e agora passado este tempo todo, há no ar rumores que a situação piorou. Miala saiu e nada aponta que Dos Santos esteja mais seguro, pelo contrário, os erros dos seus lugares tenentes foram tantos neste s cinco anos que todos estão saturados da sua politica

MPLA em busca apoio de empresários


Quando se zangam as comadres descobrem-se as verdades e o mesmo é exacto quando são compadres. Sobretudo quando um deles é conotado como sendo um extrovertido compulsivo, perito no exercício de, meter a boca no trombone por dá cá aquela palha e largar decibéis à boa vai ela, sobretudo os delatórios, tal como é o caso do eterno injustiçado do Ministério da Justiça, Riquinho, o Henrique Miguel, que de longa data reclama por ainda não ter recebido o Prémio Nacional da Cultura, vejam só, depois de ter convidado Roberto Carlos e outras vedetas internacionais. Assim, como as pessoas estão a perder o medo verifica-se que, mesmo no interior do partido, as coisas não estão bem e o que se passou na última reunião do MPLA com empresários é uma prova desse alegado mal-estar.

De facto, nessa reunião, que teve lugar no passado dia 22 de Fevereiro em Luanda, os Empresários do MPLA mostraram-se bastante agastados com o tratamento de que têm sido alvo por parte do partido e o nosso Riquinho evacuou rápido as papas que tinha na língua e acusou a direcção do ÉME. Ele, e outros, levaram o atrevimento até ao ponto de, apontar o dedo aos “lustres” milionários topo de gama e denunciar o facto de terem dado muito dinheiro a uma data desses dirigentes que estão ai no presidium para depois serem esquecidos e mesmo perseguidos... Quem diria. Afinal a manifestação já começou nos corredores, só falta sair à rua

BIC Portugal lucra 2,4 milhões de euros. Banco da filha de Dos Santos em Portugal vai de vento em popa


O Banco de BIC Portugal, liderado pelo ex-ministro da Indústria Luís Mira Amaral, fechou o ano de 2010 com resultados líquidos de 2,4 milhões de euros, mais 2,2 milhões de euros do que o valor registado no anterior (em 2008 registou um prejuízo de 776 mil euros). Em 2010, dois anos e oito meses depois de ter sido constituído (Maio de 2008), o BIC alcançou um produto bancário de 17 milhões de euros, mais sete milhões do que no exercício anterior (em 2008 o valor totalizou 4,8 milhões de euros). Já os recursos captados situaram-se em mil milhões de euros, mais 600 milhões do que em 2009, enquanto o crédito concedido se cifrou em 256 milhões de euros, mais 100 milhões do que em 2009.

Cristina Ferreira*

Este banco, que é uma sucursal do BIC-Angola, tem a cabeça Isabel dos Santos a primogénita do Presidente da República de Angola que aos 36 anos de idade, sem nunca ter trabalhado e tido uma empresa, mesmo de venda de roupas, se tornou na mulher mais rica de Angola, África e Portugal, da noite para o dia. Muitos dizem que a sua fortuna, deve-se a utilização de um saco azul na SONANGOL, cujo objectivo é o de apoiar as acções da família presidencial e os seus caprichosos investimentos internos e externos, para além de, também ajudar o partido no poder e alguns dos seus dirigentes, principais estimuladores da corrupção, que grassa pelo sistema.

Um outro sócio de Isabel dos Santos neste bano é Américo Amorim, um empresário português bem sucedido, que construiu a pulso o seu império, tornando-se o "rei da cortiça" e ainda Fernando Teles, o bancário bem sucedido que teve a feliz ideia e é o pai da criança, cuja afirmação e consolidação no mercado angolano é bastante dinámica face a sua visão e dinamismo.

Em Portugal, o BIC chegou ao final do ano com uma situação líquida de 26,5 milhões de euros, rubrica que em 2009 era de 24,5 milhões de euros (no ano de constituição situou-se em 16,7 milhões de euros). Com um activo de mil milhões de euros (419 milhões em 2009), o BIC Portugal tem 77 trabalhadores alocados a seis agências/centros de empresas localizadas em Lisboa, Porto, Aveiro, Braga, Leiria e Viseu, e a um balcão em Alvarenga, freguesia do Concelho de Arouca.

*Com F8

Acusados de pretenderem raptar crianças para trabalho infantil


Polícia angolana prende cidadãos namibianos e advogado fala de perseguição

O quase livre acesso de cidadãos de Angola e Namíbia no cruzamento diário da fronteira comum, pode propiciar a práticas lesivas, por elementos mal intencionados ou redes organizadas de tráficos de órgãos ou seres humanos, de droga, de prostituição infantil ou mesmo de tráfico de armas de guerra. Neste contexto as autoridades policiais e de imigração dos dois países têm estado a envidar esforços comuns para localizar e deter estas redes.

No dia 21 de Fevereiro, o comando provincial da Polícia Nacional no Kunene, anunciou a detenção de três cidadãos namibianos, acusados de terem tentado levar, sem autorização dos respectivos pais e encarregados de educação, cinco jovens angolanos, com idades entre os 15 e 17 anos de idade, naturais do Cuvelai (Kunene) e da Matala e Jamba (Huíla).

No entanto, o advogado namibiano, James Peter garantiu ao F8, "não haver provas, por parte das autoridades angolanas de se tratar de um rapto, estão a actuar com base em presunções, pois se quisessem raptar teriam feito, pois existem muitas zonas da fronteira, sem controla das autoridades, para além de muitas crianças, no Kunene, serem elas a aliciar os namibianos para lhes arranjar ou dar uma oportunidade na vida", disse, acrescentando que "muitos começam a trabalhar cedo, em função dos pais estarem no desemprego e ser na Namíbia onde encontram mais oportunidades de trabalho e de estudo. Inclusive estes miúdos se estão doentes têm de vir a Namíbia em tratamento". Logo na sua opinião é pura especulação afirmar-se que havia uma tentativa de rapto com objectivo de as utilizar como mão-de-obra barata nas empresas namibianas, que não têm falta de trabalhadores namibianos".

Em função disso, disse estarem as autoridades da Namíbia a acompanhar o processo e que os seus compatriotas serão libertados por falta de provas convincentes, para além de haver muita contrariedade nas declarações das próprias crianças, por "esta razão afirmou tratar-se de uma manipulação dos angolanos e dos seus órgãos, que querem justificar trabalho por parte da sua polícia que vive muitas dificuldades e está seriamente desorganizada, com prisões que são uma autêntica vergonha, para um país que se considera rico", argumentou o advogado.

Recorde-se que na primeira semana do mês, um outro caso foi igualmente denunciado, pela mesma polícia, denunciando o rapto em Namacunde de nove crianças entre os oito e 14 anos, mas até ao momento nada foi provado e o processo parece não ter pernas para andar, pois nem os nomes verdadeiros dos meninos estão em posse das autoridades.

O tráfico de seres humanos, nomeadamente crianças, com destaque alegadamente de meninas para integrarem cartéis de prostituição em países vizinhos, nomeadamente Namíbia e África do Sul, tem merecido, nos últimos tempos, alguma atenção das autoridades, em cooperação com organizações não governamentais e igrejas.

O relatório de 2010 sobre tráfico de seres humanos divulgado no site da embaixada dos Estados Unidos da América em Angola refere que mulheres e crianças angolanas são traficadas para as Repúblicas Democrática do Congo, da África do Sul, Namíbia e países europeus, principalmente Portugal, sublinhando o documento que os traficantes levam rapazes para a Namíbia para trabalho forçado, no pastoreio de gado, salientando que as crianças são igualmente usadas como “correios” em tráfico ilícito transfronteiriço, entre a Namíbia e Angola, como parte de um esquema para fugir ao pagamento de taxas de importação.

De acordo ainda com o relatório, o governo angolano “não cumpre integralmente com os padrões mínimos para a eliminação do tráfico, embora esteja a empreender esforços significativos nesse sentido”, como campanhas de sensibilização sobre o assunto e a emenda na Constituição que penaliza este tipo de crime.