segunda-feira, 11 de abril de 2011

Carta A Todos Os Democratas - Justino Pinto De Andrade


Caros activistas e amigos,
Como a direcção do Bloco previa 2011 está a ser um ano de lutas. Estas vão acontecer para lá da vontade da central ideológica do regime e dos estados-maiores das formações políticas existentes.

Fonte: Bloco Democratico
As lutas vão irromper da grande insatisfação nacional e de novas formas organizativas que se vão desdobrar. Muitas delas serão filhos pródigos do espontaneísmo das novas gerações que estão cansadas de pagar o preço da desgovernação e da ditadura de José Eduardo dos Santos. Este está cada vez mais a ser identificado como o grande entrave ao desenvolvimento político, económico e social do país. A maior parte dos cidadãos angolanos já se deram conta que o país está refém dos interesses pessoais (políticos, económicos e sociais) de JES. Toda a política do país se subordina aos interesses de poder autoritário de JES, seja a política institucional, económica, financeira, comercial, social, cultural, diplomática ou outra.

O 7 de Março (7M) foi uma grande prova da fragilidade do regime. Na sua omnipresença controlista e repressiva não é mais do que um gigante de pés de barro. A convocação de uma manifestação, por uma entidade clandestina mostrou que ninguém acredita no “Estado Democrático de Direito” declarado na Constituição. Todos têm a noção exacta dos estreitos limites de “liberdade” do regime de “democratura” de dos Santos. O 7M veio confirmar a ideia de que 2011 será um ano de grandes desafios. Será um ano de lutas políticas, sociais e de debate sobre o futuro de Angola, por isto, cada um deve redobrar esforços, e aproveitar todos os espaços, para engrossar as fileiras dos democratas e empreendedores angolanos, dando sentido a condição de cidadãos. Este país é nosso, apesar de estar usurpado! Os militantes devem reunir os núcleos de base, todas as semanas, para troca de informações, estudo e debate dos temas correntes. Mas também para concertar meios de intervenção no sentido de melhorar as condições de vida das comunidades em que vivem, interpelando e pressionando as autoridades, organizando protestos e manifestações quando estes se recusam ao diálogo, e não resolvem os problemas mais prementes ou faltam descaradamente às suas promessas.

O país tem que se libertar das garras dos seus opressores e exploradores. Angola tem que cumprir a sua vocação de se tornar uma potência económica de dimensão atlântica que permita enriquecer material e espiritualmente os angolanos. Pois não há razão nenhuma para se ser pobre numa terra muito rica desde que exista um acesso real dos cidadãos à riqueza através da livre iniciativa, da inovação, do espírito de empreendimento e do trabalho. Isto é possível a curto prazo se as riquezas deixarem de sair do país para alimentar as contas de alguns dos seus dignitários e seus amigos no estrangeiro.
Por isso, o Bloco continua a defender que é urgente os angolanos apressarem a mudança do regime ditatorial mas de forma segura. Para isto, o Bloco propõe-se, em conjunto com as oposições e todos cidadãos disponíveis, a empreender um vasto movimento de acções destinadas a transferir para a Nação o controlo político do país, da transição para a Democracia e garantir um processo eleitoral pacífico, livre, justo e transparente.

O Bloco gostaria de fazer chegar, mais cedo do que tarde e com a participação dos cidadãos, a passagem do poder para representantes da Nação eleitos nas urnas e não escolhidos pela fraude do ditador. Por isto, é importante que os cidadãos (no país ou na diáspora) se mobilizem num amplo Movimento pela Verdade Eleitoral. As eleições não são uma questão privada dos partidos políticos. As eleições são uma questão de cidadania. Os cidadãos não podem alienar o controlo do resultado eleitoral à vontade de José Eduardo dos Santos que até agora continua a ter o monopólio da fraude eleitoral. O sentido do voto de cada um (a sua importância, a sua razão de ser) depende da verdade eleitoral. Sem verdade eleitoral é como se não houvesse eleições. Se não houver verdade eleitoral, as eleições serão uma grande farsa que apenas servirão para legitimar, nomeadamente para o exterior, a ditadura. Se queremos mudar o país não podemos deixar que a grande batota eleitoral de 2008 se repita.
A nossa luta pela cidadania e pelo progresso social tem que ter um sentido. Não podemos continuar na política como meros figurantes ou como elementos do décor da democratura eduardista.
Justino Pinto de Andrade
Presidente do Bloco Democrático

sábado, 9 de abril de 2011

Soldados à fome com chefes de barriga cheia. William Tonet


Chefes da casa militar da presidência da república ficaram com milhões de dólares dos militares

Na nossa edição do dia 02 de Abril publicámos um artigo sobre um desvio de fundos do Estado que teria sido obra do seu ex-Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, Francisco Furtado, acusado de ter subtraído aos cofres do Estado uns 40 milhões de dólares, dinheiro destinados às FAA e os teria transferido para Cabo Verde, a sua terra de descendência. Fomos a Cabo Verde e aproveitámos para apurar o que se estava realmente a passar. Recebidos que fomos pelo Dr. Carlos Burgo, do Banco de Cabo Verde, demos-lhe a conhecer as nossas preocupações a propósito deste caso de desvio de fundos do Estado angolano, ao que ele nos respondeu de forma muito significativa. Pôs-se a rir. Para esse alto dirigente bancário, essa estorieta de 40 milhões depositados em Cabo Verde era uma brincadeira que só se pode contar a ndengues, pois 40 milhões é muito dinheiro e não poderiam, nunca, entrar nesse país sem investigação, sem a devida autorização e sem indicações precisas da real proveniência.

Prosseguimos mesmo assim as nossas investigações e, segundo aquilo que pudemos apurar e baseando-nos nas asserções do Procurador-geral da República de Cabo Verde, Dr. Júlio Martins, nada indica que as versões veiculadas por certa imprensa em Angola, conotada com os Serviços de Segurança, a propósito desse desfalque sejam verídicas. Esse alto funcionário negou igualmente ao F8 ter recebido qualquer pedido da Procuradoria Geral da República de Angola a solicitar investigação ou elementos sobre a notícia, pelo que, em definitivo, «Isto são problemas internos de Angola, e Cabo Verde não pode servir de mesa de ping-pong», rematou.

A realidade estatal é uma espécie de ficção
Chegados a Luanda ficámos a saber de fonte credível que o general Francisco Furtado tinha começado a ser perseguido por António José Maria e Hélder Vieira Dias Kopelipa sob alegação de terem sido eles a propor a sua nomeação e esperarem poder ser recompensados com uma nomeação que Furtado poderia fazer, isto é, serem nomeados ao posto de GENERAIS DE QUATRO ESTRELAS. Mas Furtado não teria ido nessa conversa e começou a ser posto sob pressão pelos dois “polícias militares”.

Como, não sabemos ao certo, mas o que consta é que havia por altura das festas de fim do ano um bolo muito grande a partilhar entre as várias unidades das FAA. Ora só pode mexer no bolo militar bancário do Estado quem souber partilhar convenientemente a fatia que lá se for buscar, longe dos olhares e das orelhas indiscretas.

Acontece que, na edição atrás referida escrevemos erradamente o seguinte: « (…) é provável que Francisco Furtado tenha tomado gosto por essas mexidelas que fazem de resto parte integrante das nossas mais velhas tradições de chefia. Ter-se-ia servido, mas não ao gosto dos dois outros generais, Zé Maria e Kopelipa, e agora os dois chefes pediram-lhe contas, havia ali muita coisa escondida, eles queriam saber. Normal, pois essa é, no fundo, a profissão desses dois célebres generais, por bons, menos bons e maus motivos».

Erramos, e aqui nos penitenciamos face a esse erro. Porque, baseados numa fonte do Estado, fomos simplesmente postos perante um cenário de ficção. A realidade é completamente diferente.

Os cabazes de Harry Potter
Em 2009 os militares das FAA, viram, por proposta do EMGFAA, os salários aumentados, inclusive os oficiais generais, pelo que estes solicitaram, ao Comandante-em-chefe das FAA que os montantes que se gastavam anualmente com cabazes que nunca contemplavam todos os militares ou não eram justas as distribuições, fossem afectados a outros fins. Gostariam que o montante fosse investido na melhoria das condições das unidades militares, pois desde 2002 não foi construído nenhum quartel, para além de muitos militares não terem roupa de frio, por exemplo, casacos, cobertores, beliches ou mesmo botas.

Mas esta pretensão foi inviabilizada, por razões e justificações difusas, arrastando assim a situação calamitosa de muitos militares e dos respectivos quartéis. E, quando menos se esperava, emerge um dado temeroso, cuja engenharia final visava locupletar dinheiro dos cofres públicos.

Vamos aos factos.
Em Novembro de 2009, os generais Manuel Helder Vieira Dias Júnior, Kopelipa, chefe da Casa Militar da Presidência da República e José Maria, chefe dos Serviços de Inteligência Militar das FAA, burilam um relatório temeroso, cuja resolução dependeria de uma concertação em audiência com o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que, com eles se reuniria na qualidade de comandante em chefe das Forças Armadas Angolanas, para de chofre ouvir o seguinte relato; -"Camarada Presidente, o estado é crítico nos quartéis com os militares, a ameaçarem sublevação caso não tenham cabazes, por altura do Natal, pelo que deveremos realizar uma importação urgente de 50 mil cabazes..."

Temeroso, segundo alegações, Dos Santos acedeu ao que lhe propunham e no imediato, abraçando a engenharia por ver que o poder lhe poderia escapar por entre os dedos, assinou um cheque no montante de mais de 25 milhões de dólares para a importação de 50 mil cabazes, alegadamente, para os militares aquartelados.

Com esta ordem milionária, o general Manuel Kopelipa, imediatamente, deposita 12 milhões e meio de dólares na conta da IMPORÁFRICA, empresa estrangeira de luso/indianos, para estes procederem em tempo recorde, menos de um mês, em conformidade, com os esquemas de transferências ilícitas de capitais públicos para o estrangeiro, para alimentar contas privadas.

Ora, humanamente, em pouco menos de 20 dias seria muito difícil a qualquer empresa no mundo, por mais competência e capacidade logística que tivesse, conseguir o feito de colocar em Angola tão elevada quantidade de cabazes.

Resultado. A mercadoria não chegou. Mas também não houve manifestação nas unidades militares do país, porquanto os soldados estão habituados a serem esquecidos pelos seus comandantes e apenas lembrados quando os precisam de transformar em carne de canhão!
Estranho no entanto é que de 2009 a esta parte, nunca o Presidente da República tenha perguntado sobre a utilização de tão elevado montante público e se o mesmo teria cumprido os fins a que se destinavam, mediante ameaça de descontentamento, que lhe deram origem.

No quadro actual quem assim agiu ou induziu o Presidente da República, levou-o a violar de forma flagrante a Constituição de 2010, enquanto comandante-em-chefe, alínea a) do art.º 122.º e al.ª c) do art.º 123.º da Constituição da República de Angola (CRA). Aqui chegados no incumprimento de acções podem ou poderão ser assacadas responsabilidades criminais ao Presidente da República, porquanto actualmente, mesmo que o seu ministro de Estado tenha sido o ideólogo, ele é ao abrigo da CRA, apenas auxiliar do chefe do executivo, logo tudo recai, para a moldura penal do art.º 127.º que diz:"1. O Presidente da República não é responsável pelos actos praticados no exercício das suas funções, salvo em caso de suborno, traição à Pátria e prática de crimes definidos pela presente Constituição como imprescritíveis e insusceptíveis de amnistia.

2. A condenação implica a destituição do cargo e a impossibilidade de candidatura para outro mandato".

Como se pode verificar a ser levantada suspeição sobre esta operação, os seus mentores não deixam de imputar, voluntária ou involuntariamente responsabilidades maiores, finais e exclusivas ao Presidente da República, nas vertentes enunciadas no artigo acima.

Isto porque se dos 25 milhões de dólares, apenas 12,5 milhões de dólares foram entregues a uma empresa, que não cumpriu o objecto principal, o remanescente, simplesmente sumiram e deles não se tem noção do seu paradeiro.

MEGÁFRICA DEFENDE-SE
"Nós, enquanto empresa, não nos comprometemos a realizar a operação, fomos solicitados para a fazer, mas não nos pareceu que havia urgência, pois em menos de um mês era quase impossível fazer a operação. No entanto, tempos depois demos a conhecer isso às FAA, para que eles escolhessem outros produtos no montante entregue", disse ao F8, fonte da empresa.

Na realidade, no final do mês de Abril de 2010, a MEGÁFRICA, ex - SUPERÁFRICA, empresa conotada com a lavagem de dinheiro de generais e dirigentes angolanos, que o desviam dos cofres públicos, faz chegar uma nota à Logística das FAA, na pessoa do general Hendrick, que o apanha de surpresa, pois, na qualidade de mais alto responsável do sector, não tinha conhecimento de haver, até aquela altura, uma importação de cabazes para os militares avaliada em 12,5 milhões de dólares. Acto contínuo, face ao choque e surpresa, leva ao conhecimento do seu superior hierárquico, o chefe do Estado-Maior General das FAA, Francisco Furtado, que, para seu espanto, também não sabia do que se tratava.

E movendo os seus galões, pese ser administrador máximo das FAA, mas sem papel interventor nas importações de qualquer espécie, Francisco Furtado ordena que o chefe logístico comunique ao chefe da Casa Militar da Presidência da República, general Kopelipa, para que este pudesse definir, já que teria sido ele a dar o dinheiro e a mandar comprar comida para a tropa, quando ele não é o seu gestor directo. Mas, na realidade é ele e o comandante em chefe, que não tendo contacto directo com os problemas da tropa, monopolizam o seu dinheiro e a importação de tudo o que se relaciona com as Forças Armadas; fardamento, botas, armas é tudo com a Casa Militar, melhor, a Presidência da República.

Mas o mais grave é que, com esta engenharia orquestrada com a ajuda do Presidente da República, sob pretexto de se evitar uma pretensa sublevação dos militares, foram locupletados dos cofres de Estado mais de 18 milhões de dólares, que seriam destinados a cabazes que nunca chegaram ao país, importados pela Casa Militar e SIM, entidades que à luz da Constituição e das leis militares não têm competência para o fazer

Assim, pergunta-se:
Será que o PR não sabe que ele assinou a saída de dinheiro que não cumpriu o objecto pretendido?
Será que pode o Comandante-em-chefe das FAA, ser considerado cúmplice? Os generais Manuel Vieira Dias Kopelipa e José Maria já disseram onde meteram o restante dinheiro desta operação?
Pode ou não a Procuradoria Militar ter a coragem de abrir um processo de investigação?

Estamos ou não perante um crime militar e ou de suborno?
Finalmente, mesmo no domínio civil, Manuel Helder Dias Junior, Kopelipa, por ser ministro de Estado, auxiliar do chefe do executivo, mesmo se confirmando os indícios e suspeições de descaminho de dinheiro público, para fins inconfessos, será que o seu acto se enquadra no crime de peculato, de corrupção passível, obrigando a abertura de um processo crime, em tribunais comuns, mediante iniciativa da Procuradoria Geral da República ou dos deputados da Assembleia Nacional, ou o responsável a exigir-se responsabilidade total ao presidente da República e aí em conformidade com a Constituição ser a iniciativa processual do Tribunal Supremo de acordo com o artigo 129.º. Aguardemos, todos, enquanto autóctones sofridos o desenvolvimento dos próximos capítulos, de mais um caso com todos os dados para os órgãos judiciais poderem agir.

O TERROR antes do 9 Termidor


Gil Gonçalves
«Mas existem situações por esta África fora em que vemos os mesmos promotores da democracia recebendo com “tapete vermelho” declarados ditadores só porque aparentemente seus países possuem petróleo ou urânio.» in Noé Nhantumbo, canalmoz
O perigo não está nas mini-saias, mas na lascívia dos nossos olhos.
Nada das bandejas petrolíferas e diamantíferas nos é servido. E prometeram-nos que depois da independência seríamos felizes, correríamos como as águas nos rios de felicidade libertas. E dormiríamos e acordaríamos banhados pelas aragens das suas margens. E nos perderíamos nos encantos da harmonia florestal. Mas não, afinal a independência eram os tesouros das esmeraldas, dos diamantes, do opulento e poluente petróleo na sua vil e vã magnificência.
E outra espécie também descendente de humanos claros e preclaros, ditos de um Deus superior à nossa virtude, de tudo e da Natureza, encheu-nos de riscos num mapa inventado. E os rios perderam-se, secaram, e o que para nós era espiritual, para os preclaros foi, é grande riqueza material. E gritaram-nos: selvagens!!! Da nossa salutar nudez casada com a vegetação densa verdejante e acariciante, fustigada pelas latejantes, lampejantes e ternas chuvadas, pereceu na espoliação da civilização. E inventaram governos locais que publicaram decretos animados por estrangeiros, que renunciaríamos à nossa terra e a todas as riquezas nela contidas. E os nossos filhos cedo aprenderiam a estender as mãos de mendigos aos novos-ricos. E os rios, os peixes, os lagos, a chuva, o vento, as plantas, as aves, as frutas tropicais, desapareceram, parece que para todo o sempre. Até inventaram que a nossa terra ancestral onde crescemos e vivemos milenarmente, tem que ter documento passado, e também ela nos roubaram.
E quando a vida no meu Titanic se afundar, tocarei, cantarei, e elevar-te-ei numa serenata: foi um imenso prazer conhecer-te e perder-te, Angola!
E as revisões e cortes no orçamento do terror eléctrico são constantes. Estamos na inconstante inclinação das costas porque eternamente gratos ao nosso Politburo, pelo grande favor que nos concede da sua divina providência, mendigar-nos com alguma energia eléctrica de vez em quando, assim como a água, e tudo, tudo o mais que se lhe assemelhe. Eles são muito desligados porque esta nossa energia eléctrica ainda é revolucionária, e a luta exige-se sempre contínua porque ainda não se sabe, nunca se saberá, quando a vitória do terror da involução será certa. O nosso Politburo vive lá no Olimpo dele, e de vez em quando lembra-se de nós, melhor, zomba-nos. Estas coisas são próprias de deuses, e em consonância lança para a terra dos mortais, eles são imortais, alguns raios de luz que nos iluminam e algumas chuvadas que nos abastecem de água. Como deuses de todos os céus e donos de todos nós, nunca justificam os cortes de água e de energia eléctrica. Nós para eles não existimos, não somos nada, somos zeros, lixo. Dos últimos cortes, apagões, muitos e muitos mais se seguirão porque a infindável revolução assim o exige e indetermina.
Um Sem Futuro lavava o carro no passeio. De portas escancaradas donde jorrava berraria musical que ao Sem Futuro não o incomodava, nem aos transeuntes, porque todos já passaram à condição de fantasmas. Eram cerca de vinte horas de um dia igual a todas as misérias. Três fiscais vestidos nas vestes de caçadores apresam-no sem hipótese de defesa, melhor, de fuga. Nesta selva saturada de esfomeados, os cumpridores da lei executam-na de modo pessoal. Arrancam o saco das costas do lavador de carros e revistam-no como que numa de luta contra o terrorismo. Nunca se sabe se tem lá alguma bomba, e espoliam-lhe um chouriço e uma garrafinha plástica do bom uísque. E já o carregam para o seu carro improvisado de prisão celular. Mas a dona do carro aparece e entra em conversações com os zelosos cumpridores da lei. Acabaram-se em negociações e os fiscalizadores exigiram três cartões para recarregarem os seus telemóveis.
Do atoleiro da crendice humana sobressai a radiação da abundante religião. Sob o estigma da revelação divina que Ele está em todo o lado, vigia-nos dia e noite, espera-nos no maravilhoso paraíso celestial para nos pedir contas do que fizemos cá em baixo. Uma jovem aí com vinte e cinco anos conseguiu amealhar quatro mil e quinhentos dólares, e acometida de fervor religioso foi para a igreja, naturalmente, ou muito provavelmente na esperança de conseguir um marido. Já lá nas preces ao Senhor, o pastor prega-lhe que quem entregar todo o dinheiro que tiver, esperará e receberá o dobro. Ela achou por bem e entregou tudo ao bom pastor. Foi para casa e esperou que o seu dinheiro se multiplicasse pela intervenção do milagre, da bênção de Deus. Duas semanas depois comparece na igreja e pede o seu dinheiro mais a igual quantia do milagre. O bom pastor admirou-se e disse que não é assim que o Senhor arranja dinheiro para os seus fiéis. E ela ficou na miséria. As igrejas são como as repartições fiscais das finanças, todo o dinheiro que lá entra jamais de lá sai. A pobre coitada, já em casa dominada pelo sofrimento desmaiou e poucos dias depois foi parar no hospital muito mal.
Um senhor também caiu nesse negócio de Deus, entregou-lhes tudo, não recebeu nada, claro, ficou maluco e anda por aí a pregar nas ruas. Mas há milhares de casos como estes, todos feitos com envelopes onde obrigatoriamente os crentes têm que colocar lá dinheiro, quantias à farta, senão Deus não lhes vai atender. A miséria é de facto e de jure demais, não acredito que alguém do Governo desconheça o que se passa. É que é muita gente assim universalizada. E em Luanda cada beco é uma igreja. Este petróleo derrama muita miséria. Está claro que do analfabetismo se retiram muitos dividendos, especialmente religiosos e políticos, ou relembrando o adágio popular: quanto mais burros melhor. E se as inconfessas religiões também espoliam as populações e o governo não intervém, deixando as pobres almas como que numa jangada à deriva arrastada pela força da tremenda cascata apolítica, é porque decerto existe alguma conivência, se retiram apoios políticos e divisão do bolo. E quanta mais religião, mais dominação. As ovelhas têm que ser bem tosquiadas, até que nada mais lhes sobre… se a pele também der, vamos embora a isso. O Céu nada na corrupção, Deus também. Deixa-se corromper demasiado facilmente, por isso não admira que a terra esteja tão corrupta, afogada no lodaçal da corrupção. O angolano quando nasce, o primeiro ensinamento que recebe é precisamente o da escola da corrupção. Mas uma questão se impõe: e quando o petróleo acabar? O Politburo perdeu o seu coração e arrasa os nossos. Vende-se o que ainda resta, os terrenos para o cultivo dos biocombustíveis, mas não é o que já acontece?!
Parafraseando o poeta António Aleixo: a democracia não se aprende, não se ensina, nasce e morre com a gente.
Quem passa a grande parte do tempo sentado a conduzir no diabólico trânsito de Luanda produz infalivelmente hipertensão cardíaca, diabetes e deficiência mental. Um quadro clínico de alto risco. Ora, viver assim é impossível, não compensa, porque a degeneração do nosso corpo acelera-se conduzindo-o à morte precoce. É um manicómio ao serviço do terror.
A Teixeira Duarte SA, além da sua actividade principal, desordenar e apoiar na destruição do que ainda resta da cidade de Luanda, exerce uma actividade acessória: onde chega rebenta com os canos de água e com os cabos da energia eléctrica. Ali na Pomobel, junto ao Zé Pirão, a água corre livremente pela berma da rua, vinte e quatro sobre vinte e quatro horas, já há muito tempo. Ali para os lados da Sagrada Família rebentaram com a luz e a água, e marimbaram-se. Os moradores tiveram que lhes mover uma acção judicial, só assim é que eles se decidiram a reparar os estragos. É terror puro ou não é?! Há pessoas que são consideradas muito inteligentes, mas tornam-se muito perigosas porque utilizam a sua inteligência para a maldade. Para nos aterrorizar basta lembrarmo-nos se hoje e amanhã teremos água, energia eléctrica e se seremos assaltados ou presos pelo Senhor 26.
Um barril de petróleo para a Maria do Rosário na Rádio Ecclésia. Campanha lançada pelo jornalista Jorge Eurico, o bom samaritano. Se até Dezembro não pagar a renda, Maria do Rosário, vai para a rua com os seus cinco filhos porque não tem dinheiro para a pagar. De quarenta e cinco anos de idade, é viúva, cega há quatro anos e portadora da SIDA. A insensibilidade dos príncipes corruptos novos-ricos aterra-nos. A morte dos seus súbditos alegra-os imenso porque ela é o seu festim permanente. O nosso petróleo vai longe, ultrapassa a nossa galopante miséria. Quanto mais petróleo mais fome, mais morte, mais riqueza e corrupção para esbanjar. Dos dois milhões de dólares que deram ao Benfica não sobrou nada?!
No campo da Refrinor, no bairro do Cazenga, vão construir uma fábrica de plásticos. É fácil de imaginar a poluição, a morte anunciada de quem por ali habitar. E o que é de mais incrível: é que existe gente que anda por aí a governar (?) não constrói uma única zona verde, um parque recreativo. Ora, isto é um crime abominável que tem que se combater desde já. O mais importante é destruir e têm uma apetência para tal. Sempre na trincheira firme do crime.
Subo as escadas do prédio, cumprimento uma vizinha nova-rica que comprou um apartamento por apenas quinhentos mil dólares, não me respondeu, deu-me a lei da aversão. Continuou como se eu não existisse. De facto e de jure já há trinta e cinco anos que deixei de existir.
A estrada da morte Luanda-Viana não tem iluminação, é mortes quanto baste. Melhor será chamar-lhe estrada do cemitério do terror. Não há dinheiro para iluminar vias principais, mas para tudo o que é futebóis chega e sobra, abundante como o mar petrolífero.
Na zona marítima dos Ramiros, antigos combatentes sobrevivem da pesca com explosivos. Quando a miséria ataca, o pensamento concentra-se na destruição da fome, parece que nada lhe resiste, lhe ficará incólume. Até o terror presente e futuro se hipotecaram. Enquanto Angola não se libertar dos movimentos de libertação clássicos, o seu futuro será muito difícil de encontrar. Entretanto a revolução da corrupção segue imparável. A vida é um dom feita só de baixos, porque os altos acabaram-se definitivamente.
O dia nasceu colado ao desenvolvimento económico, social e do milénio angolano. A imitação de gente com qualquer coisa na cabeça para vender saúda-o efusivamente, aos tropeções neste navio-petroleiro que se afunda. A cada milha que passa a miséria aumenta, tão desregrada que inaugurará um cemitério de zumbis. Entretanto, o desespero assola-nos de tal maneira como a destruição das chuvadas, porque a água não tem por onde sair. A ganância e a corrupção dos novos-ricos geram falsas obras, e a água da chuva não se deixa corromper. Tudo o que se constrói merece desconfiança, porque o mais importante é comissionar. Luanda e Angola já rastejam na cedência ao imperialismo chinês. Os chineses precisam de minérios e Angola está infestada deles. Isto não cheira nada bem. Mais um cataclismo social à vista. Isto é o reino do Terror, da desolação.
upanixade@gmail.com


quinta-feira, 7 de abril de 2011

A Perseguição da intolerância impiedosa


A L E R T A * A L E R T A * A L E R T A * CERCA DAS 21H DO DIA 6 DE ABRIL, QUARTA-FEIRA, DOIS INDIVÍDUOS ENCAPUÇADOS SURGIRAM FRENTE À CASA DO CARBONO CASIMIRO – PROMOTOR DA MANIFESTAÇÃO DE 2 DE ABRIL E PRESO EM 7 DE MARÇO – AFIRMANDO “VAMOS TE APAGAR CARBONO”. OS SUPOSTOS MELIANTES DISPARARAM TIROS QUE ASSUSTARAM A VIZINHANÇA. CARBONO NÃO SE ENCONTRAVA EM CASA, HAVENDO SIDO ALERTADO POR PARENTES VIZINHOS. A SUA RESIDÊNCIA SITUA-SE POR DETRÁS DA CIDADELA. COLEGAS ESTÃO A TENTAR CONTACTAR A POLÍCIA PARA DENUNCIAR O ACONTECIMENTO E SOLICITAR PROTECÇÃO PARA CARBONO (921009600)

Fonte: BD-Bloco Democrático

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Os filhos do Papá dya Kota (11). António Setas


Eu também tinha mudado. O barco com motor de popa só me trouxe dissabores ao princípio - mais tarde também, com as avarias -, acabei por me habituar. Mas, tanto quanto podia, metia a mvela e navegava nas calmas. Por essa altura, porém, o bichinho dos estudos roía-me cá por dentro, o que me levou a rejeitar a proposta de ser sócio da rede da Câmara. Discuti com o meu pai - «’Tás a ver...se me tivesses ouvido...» -, e acabei por encontrar um esquema que me permitiria estudar: Por sugestão minha, a Lia, que à parte as prendas pouco recebia da parte do pai, começou a trabalhar com a minha mãe, e às tantas já trazia dinheiro para casa; eu, passei a pescar aos sábados, domingos e, no máximo, mais uma ou duas vezes por semana; nos restantes dias alugava o barco ao Zé, o filho do vizinho António, marido daquela senhora que morrera com a tia Chiquinha, e ficava-me assim tempo suficiente para os estudos que tanto desejava fazer.
Muito me ajudou o kota Kiala. Emprestava-me livros, levava-me a bibliotecas, ensinou-me a boa maneira de consultar obras de difícil leitura, deu-me verdadeiras lições de mestre em sua casa. Tudo o que aprendi sobre a história da ilha e de Angola devo-o a ele. Lembro-me, porém, que nessa altura, nas maranhas da agitada vida que levava, havia uma questão que nunca me largava e resumia dentro dela todo o meu embaraço: à parte o motor de popa, não haverá mais razões que me impeçam de participar num kakulu?

Passei horas sem conta a pensar nessa questão, para ser mais claro, a pensar na impossível harmonia entre os avanços do progresso e os rituais que contemplam as nossas crenças ancestrais. Mas, com a ajuda do kota Kiala, sempre ele, também ultrapassei essa crise. Fiquei a saber que alguns dos mitos africanos que abordam questões essenciais da existência humana na Terra, tais como movimentos celestes, fenómenos da natureza e todas as relações do homem com ela, têm em princípio, não direi o seu homólogo, mas relações muito mais que aleatórias e ocasionais com um ou outro mito de qualquer um dos continentes da Terra - no que diz respeito ao seu conteúdo semântico, à significação profunda das palavras e ao que se esconde por trás delas -, por exemplo, existe uma lenda dos Índios da América do Sul próxima no seu conteúdo de um mito dos Lapões do Norte da Finlândia! - tão-somente porque o homem, seja de que raça for, descende de uma raiz única, e a origem dos mitos também é única. E se é costume dizer que os mitos só morrem se desaparecer o povo, talvez se possa acrescentar que os seus temas basilares são universais.
Senão vejamos, as crenças primitivas nas forças ocultas, de todos os povos da Terra, nasceram da observação dos fenómenos incompreensíveis da natureza, gravaram-se na mente do homem e foi a partir dessa simbiose que a imaginação elaborou os mitos que estão na origem da noção do sagrado. E a expansão do sentimento religioso do homem, que se propagou pelo mundo inteiro nos diferentes rituais que o consagram, em tão grande número que não é possível contá-los, vem da sua vontade (faculdade) de aceder ao que o transcende, aquilo a que os religiosos chamam Fé, e os não religiosos crêem que se trata apenas de capacidade de imaginar. Todos os povos do mundo têm as suas crenças próprias, e atrás dessas crenças, raízes que são só deles. Mas atrás desse sem-fim de raízes diferenciadas, há uma que é comum a todos os humanos na sua pequenez: a Natureza, com os seus mistérios, milagres, cataclismos, beleza... Mas também com as suas dádivas, a inteligência e tudo o que realmente dá o seu senso ao sagrado, a começar pela esperança.
Mas voltemos ao kakulu e ao mito das yanda, e tomemo-lo como exemplo de ritual e crença específicos para tirar uma ilação que me parece defensável. Para o muxiluanda como eu, o facto de não participar activamente no kakulu, e mesmo a descrença em si no mito das yanda, pouco abalam a estrutura da raiz que lhes é comum. Esta, elemento fundamental da identidade muxiluanda, é indestrutível enquanto houver muxiluanda à superfície da Terra, porque faz parte da sua natureza, faz parte do povo, “que pouco ou nada se preocupa com a sua identidade cultural, vive-a”(Amílcar Cabral). Com crença ou sem crença, com participação activa na cerimónia ou sem ela. Está-lhe na massa do sangue. Assim como a singularidade histórica e religiosa do povo judeu determina que o judeu será sempre judeu, acredite ou não acredite em Jeová, vá ou não vá à sinagoga.

Passaram os anos, segundo uns muito depressa, segundo outros devagar, e para saber como, aí estão os tira-teimas, relógios e calendários.
Tivemos direito a eleições democráticas, a uma péssima guerra e a uma comovente reconciliação. Hoje - talvez as yanda tivessem ouvido alguma prece que as comoveu -, augura-se uma paz duradoura para Angola. Viro-me para a Lia e vejo os meus filhos, o David, que já entrou para o liceu, o Nucho, na quarta classe, e a cassule, a Márcia, ainda Maria-nabiça-que-tudo-cobiça, nos seus três anos e meio, a mexer em tudo o que lhe passe ao alcance das mãos. Olho para eles e vejo a minha Lia. E não paro de malucar. É verdade que o progresso é uma boa coisa, trouxe-nos o automóvel, a electricidade, essas máquinas todas, a televisão, os computadores, a varinha mágica, em suma, um certo prazer e conforto. Mas também trouxe um afastamento do que realmente somos. É que, com todas essas invenções, fomos levados a olvidar que não passamos de simples animais, racionais, mas animais. E o resultado está aí: uma corrida frenética para a frente, de mãos abertas para o cesto de ovos do progresso, sem olhar a estragos. Chegaram os automóveis, deixámos de dar passeios a pé e mais depressa definhámos; chegou a televisão, deu-nos para passar horas a olhar para ela e esquecemo-nos do jantar, dos filhos, dos parentes e dos amigos, esquecemo-nos de conversar e de conviver; chegou o computador...agora já posso fazer coisas formidáveis é verdade, mas há quem passe não são horas, é o dia inteiro diante do écran. E com a Internet até posso namorar com a Yong Tchi, que é chinesa, mora no Japão e eu nunca vi !... Isso é vida ?!!
Quanto mais vou para velho mais perto me sinto das minhas raízes, ao recordar as lições que me deram os filhos do Papá dya Kota, o tio Mbala, o kota Kiala e os meus pais. E vivo com elas no calor que me vai nos dentros e de que muito me orgulho, sem me preocupar com etiquetas, preconceitos e ritos, mas sentindo-as em mim, não sem um indefinido temor, ao pensar que corro o risco de seguir o caminho das tartarugas gigantes, dos elefantes e das baleias, assim como o de milhares de espécies animais e vegetais ameaçadas, isto sem falar das que já desapareceram da superfície da Terra, no final de contas por obra do progresso. Contudo, sou um homem, e creio que sei pensar e transmitir o que penso. Continuo a ir para o mar e a pescar. Viro-me para o Nucho e vejo-lhe nos olhos o brilho dos meus olhos, que vêem nos dele o brilho que eles tinham outrora, quando eu ia pescar com o tio Mbala. O Nucho será pescador, “akwa zanga” como o pai, mau grado o nosso Bairro dos Imbondeiros ter sido invadido por gente de “fora” e ser hoje um musseque. E os meus filhos, estes e os que vierem, serão nutridos pela mesma seiva da raiz antiga. Religiosa ou profana pouco importa, o que conta é eles ficarem a saber quem são e de onde vieram. Progresso, computadores e tudo o mais, sim senhor, mas primeiro a cabeça a funcionar para salvar o que ainda há para salvar. A começar pela nossa identidade.

Entretanto, a vó Júlia foi ter com os reis do Kongo, no Céu; o tio Mbala e a tia Londa vão vivendo na Xicala e não tem mês que passe sem uma visita nossa; o tio Augusto continua a beber demais e no auge das suas carraspanas pretende que se deve a ele a invenção do Xeltox; o meu pai e a minha mãe estão ali na sala a ver a novela... E eu, pego no papel que me deu o kota Kiala quando estava para morrer, com a sua mão apertada à minha e à da Lena, a dizer baixinho, «É para ti... uma carta... um escravo que chegou a ser padre, vê lá tu... morreu aqui em Luanda. Não foi bem assim que ele escreveu...eu é que lhe dei o jeito... » - dá-me sempre para chorar quando me lembro dele -, e leio:

«Não há nada de realce nesta ilha a não ser as árvores da floresta, e tantas são que nos escondem o sol. Não se pode dizer que este seja o lugar mais bonito que eu vi na vida, mas neste sítio não é a beleza da paisagem que atrai o olhar, é a magia que paira ao sabor do vento, o encanto do conjunto, terra, sol e mar. Quando chega a hora do pôr-do-sol o céu cobre-se de cores, todos os dias diferentes, e creio que ao longo dos séculos não houve dois crepúsculos idênticos! Que Deus me perdoe, parece feitiço. Todos os tons de todas as cores que a natureza tem se misturam, e o céu não se cansa de tecer vestidos de gala, decorados por véus grandiosos, de veludo e de cetim, de seda e de cambraia.
Chamo-me João Preto, é o nome que os portugueses me deram. Mas eu sou dos Ginka Asola, de nome materno. Nunca esquecerei.
João Preto.

Luanda, no mês de Novembro de 1789.»

Imagem: rogegill.blogspot.com

PRIDE. Petrolífera não responde F8 e calúnia seu Director


Pride mente e calúnia na falta de argumentos contundentes

A empresa petrolífera multimilionária Pride, por vias travessas, enviou uma missiva em jeito de solicitação de observância do que deveria ser um Direito de Resposta a um artigo da nossa edição do 11 de Fevereiro de 2011, mas que por violação flagrante dos n.º 3 e 4 do artigo 65.º (Exercício dos direitos de resposta e de rectificação), não poderemos publicar, com a agravante de ele (Direito de Resposta), vir com uma série de mentiras e calúnias, com as quais não podemos compactuar, senão vejamos o que diz a lei: "3. O direito de resposta e o de rectificação deve ser exercido mediante petição constante de carta protocolada com assinatura reconhecida, dirigida à direcção do periódico ou da entidade emissora, na qual se refira o facto ofensivo, não verídico ou erróneo e se indique o teor da resposta ou da rectificação pretendida.
4. O conteúdo da resposta ou da rectificação deve ser limitado pela relação directa e útil com o artigo ou emissão que a provocou e não pode exceder o número de palavras do texto respondido, nem conter expressões que envolvam responsabilidade criminal ou civil, a qual, neste caso, só é responsável o autor da resposta ou da rectificação".
Por isso, dizemos vias travessas porque não obstante o facto de a referida missiva ter sido enviada a um improvável Folha 8 situado na rua da Palma, Luanda, Angola, endereço desconhecido, ela arribou à rua Conselheiro Júlio de Vilhena nº 19, 5º andar, apart. 19, ao Largo Serpa Pinto, onde está de facto instalada a redacção de um bissemanário com o mesmo nome, o nosso F8. Curioso devaneio de quem escreveu e fez enviar a referida missiva, provavelmente o serviço jurídico da empresa, embora ela tenha sido subscrita, em nome da PRIDE, pelo Sr. Simon Watson.

Arlindo Santana

Por outro lado, também nos admirou que a carta tenha sido enviada à atenção do director de informação, Exmo. Senhor William Tonet, homónimo do nosso director geral, o que, sem ir mais longe, gerou em nós um sentimento de haver por ali, acolá e aqui, algum do desleixo e pouca atenção ao que deve ser escrito no respeito do que é a realidade. É que F8, não tem director de informação. Por aqui se pode aferir alguma falta de seriedade da reclamante.
No seguimento da leitura do longo texto enviado pela PRIDE, de três páginas e meia em folha A4 e letra formato 10, a nossa impressão inicial confirmou-se de um modo incisivo e definitivo, que se pode resumir numa única frase: Mentira e falsidade da petrolífera, quanto aos seus argumentos, quando diz: «(…) as acusações contidas na referida peça jornalística (a nossa) não correspondem à verdade e são prejudiciais e atentatórias ao bom nome e reputação da PRIDE e da sua directora de Recursos Humanos (página 1)».
Com reiteradas variantes, foi seguindo, afirmando: «as acusações contidas neste artigo (do F8) são ostensivamente falsas e contrárias à verdade (página 2); «As insinuações enunciadas na notícia (…) para além de completamente falsas, são insultuosas e difamatórias para a PRIDE e para a sua directora de Serviços de Recursos Humanos (página 2); «a referida peça jornalística garante ainda falsamente que (…)» (página 3); «O artigo acusa ainda infundadamente a Directora de Recursos Humanos (página 3)»…
De notar que a PRIDE reage ao nosso artigo de modo radical, ao aferir que as insinuações enunciadas na notícia são COMPLETAMENTE apócrifas, quer dizer, tudo o que está no artigo é contrário à realidade. Mas não prova nada, logo mente e falseia os dados, pelo que não se tratando de Direito de Resposta, F8, sente-se no direito de não publicar, dando a prerrogativa a PRIDE de levar o caso ao tribunal.
E para corroborar essa asserção a empresa, dizendo ter sido atingida na sua honra e na da sua Directora de Recursos Humanos, anuncia que as insinuações do artigo são tendenciosas. «Pelas razões abaixo indicadas». Assim, para começar a provar o que afirma, a PRIDE considera que o F8 baseou-se «exclusivamente no depoimento do senhor Nelson Koxi – trabalhador da PRIDE». Ora isso é que é falso, pois o F8 tem em sua posse documentos comprovativos irrefutáveis do indecoroso e mesmo CRIMINOSO da PRIDE por intermédio de alguns dos seus funcionários, nomeadamente a Senhora Bárbara Morais, directora dos Recursos Humanos, que em plenas negociações, chamou Nelson, informando-o que a empresa declinava qualquer responsabilidade sobre a situação e que ele poderia queixar-se onde quisesse, inclusivé ao seu advogado, pois a PRIDE tinha costas largas. Foi esta arrogância que levou o trabalhador ao desespero.
No entanto, a PRIDE mostra-se indignada com o facto de que «o senhor Nelson Koxi (que tem um litígio pendente contra a PRIDE) é representado neste litígio pelo Dr. William Tonet, Director do Folha 8». Aferindo um pouco mais adiante «Conjugando a situação acima descrita (o conflito PRIDE/Koxi) com o inerente conflito de interesses do Dr. William Tonet, o qual actua simultaneamente como advogado do Senhor Koxi e Director do Folha 8, parece que este artigo terá por propósito de beneficiar o Dr. William Tonet no seu papel de advogado do Senhor Koxi na sua disputa contra a PRIDE».
Neste ponto da missiva o que se pode questionar é o conflito de William Tonet. Qual conflito de interesses? Se na altura dos factos o director do F8, nem estava no país, para além de diligências terem sido feitas, junto do director administrativo, director geral e estes se recusaram a falar ou a retomar as chamadas, depois de saberem o que queríamos. Portanto, não há conflito nenhum, o que poderia haver é conivência de interesses, caso o jornal ousasse ir ao socorro do advogado. Mas o que a PRIDE parece ignorar é o facto de esse socorro ser uma arma cujo tiro sai quase sempre pela culatra, porque em termos de deontologia e funcionamento interno da justiça, se o jornal se apresentasse de alguma forma como socorro do advogado, grandes seriam os danos causados aos interesses do director do F8. Portanto mais uma calúnia da Pride, agora contra o Director do jornal.
Mas esta empresa esqueceu-se, de reconhecer, tal como os seus advogados ser criminoso o comportamento de ocultação de informação relevante para a saúde de um trabalhador durante seis anos. Estivesse o Ministério dos Petróleo e demais órgãos do Estado atentos a muitos desvarios empresarias e seguramente os responsáveis da PRIDE, seriam julgados e talvez condenados a uma pena de prisão maior por Abuso de Confiança, previsto e punível no Código Penal vigente.
Artigo 453.º - (Abuso de confiança)

"Aquele que desencaminhar ou dissipar, em prejuízo de proprietário, ou possuidor ou detentor, dinheiro ou coisa móvel, ou títulos ou quaisquer escritos, que lhe tenham sido entregues por depósito, locação, mandato, comissão, administração, comodato, ou que haja recebido para um trabalho, ou para uso ou emprego determinado, ou por qualquer outro título, que produza obrigação de restituir ou apresentar a mesma coisa recebida ou um valor equivalente, será condenado às penas de furto.
§ 1.º - A mesma pena será aplicada àquele que, nos termos deste artigo, gravar ou empenhar qualquer dos efeitos nele mencionados, quando com isso prejudique ou possa prejudicar o proprietário, possuidor ou detentor.
§ 2.º - É aplicável às infracções previstas neste artigo e seu § 1.º o disposto no artigo 430.º e no artigo.º e seus parágrafos relativamente ao furto".
E o crime de furto graduado pelos prejuízos causados, tira-nos do art.º 421.º, para o número 4.º do art.º 427.º, que peremptoriamente, sugere uma moldura penal de 12 (doze) a 16 (dezasseis) anos de prisão maior.
Aqui chegados, verificamos que realmente aconteceu é uma descoberta tenebrosa. Descoberta que envolve uma empresa que não teve pejo em atropelar a lei e os direitos humanos num certo número de procedimentos de muito baixo nível, dos quais nós temos prova documental. Ora, sendo o F8 Bissemanário cuja linha editorial assenta precisamente na denúncia de situações de injustiça, prepotência, estupro e corrupção, não podia de modo algum deixar passar sob silêncio os actos dolosos da PRIDE. Portanto, pelo essencial, não retiramos nada do que escrevemos, pelo contrário, reiteramos, salvo uma ou outra imprecisão, as nossas denúncias.
A dada altura do texto aqui em análise, a PRIDE afirma que até 2007 nada se passou de anormal com o queixoso Koxi. Porém, a verdade é que chegados a 2004, as relações entre a empresa e o seu funcionário passaram por uma fase muito delicada este último sente mal-estar na audição, faz análises na clínica Sagrada Esperança, situação a propósito da qual escrevemos no artigo incriminado o seguinte: "A partir de 2003 (Koxi) começou a ter problemas de audição em virtude de o seu trabalho ser sempre realizado em ambientes extremamente ruidosos. Em 2004, a sua doença agravou-se e ele teve de recorrer aos serviços hospitalares da Clínica Sagrada Esperança (CSE), na ilha de Luanda. Esta, enviou um relatório à Pride, especificando que o técnico não poderia continuar a prestar serviço em locais ruidosos por se encontrar num estado clínico de ameaça de surdez grave do lado direito, sugerindo o uso regular de aparelhos auditivos de ampliação de som".

A empresa multinacional recebeu o relatório, tal como foi ulteriormente constatado, manteve-o em segredo entre 2004 e 2010 e o mwangolé Koxi, único angolano a trabalhar nesta categoria de serviço, continuou a trabalhar no duro e no ruído realmente ensurdecedor até 2007, (pudera, ele fora praticamente coagido a receber pelo mesmo trabalho, dez vezes menos do que um técnico estrangeiro!). Este comportamento é um acto ilícito e merecedor de procedimento criminal, de acordo com o art.º 360.º do Código Penal, cuja moldura penal é de prisão maior de dois a oito anos, aos responsáveis pela indecorosa ofensa corporal. No caso deste instituto ela não precisa de ser física, pois o facto de se ter escondido uma lesão para disso se tirar vantagens é por si um acto criminoso e qualquer advogado, que não tiver somente no seu horizonte os petrodólares, sabe da gravidade do caso e da discriminação da petrolífera.
Curiosamente, na musculada invectiva da PRIDE contra o F8, nem uma vírgula foi lançada ao papel para manifestar qualquer repulsa pelo que nós nesta passagem revelamos. Silêncio total, quer dizer, pedaço de folha na sua magnífica e pura brancura. Nada. Porquê? Porque o que escrevemos corresponde à verdade. E temos provas!
Um pouco mais adiante, escrevemos no mesmo artigo:
«Uma empresa Multinacional como a Pride, grandeza máxima no mercado petrolífero, facturando milhares de milhões de dólares, ousa ir à companhia de seguros (ENSA, neste caso) fazer uma falsa declaração dos emolumentos de um dos seus funcionário mesmo para receber em troca umas dezenas de dólares por mês!!!?... Não é possível? É.
Não é credível, de acordo, mas foi o que aconteceu com o Nelson Koxi, que teve a satisfação de ter ouvido, mau grado a sua deficiência auditiva, um pedido de desculpas por parte de representantes da sua empregadora, provavelmente os mesmos que contribuíram para que tão vergonhoso acto fosse perpetrado em nome duma tão prestigiosa organização».

Reacção da PRIDE a esta revelação na sua nota de protesto? Nada, nem sequer ponto de interrogação. Porque, desgraçadamente, é verdade. E temos mais provas.
Quer dizer, em 2007 a PRIDE apareceu em grande, como que a fazer um piedoso favor ao seu mwangolé Nelson Koxi (o que vale vários parágrafos auto-laudativos na sua missiva de protesto enviada ao F8). E é verdade, até pagou a clínica, mas depois descontou a despesa, ou grande parte da mesma, dos emolumentos do mwangolé, que auferia um salário ridículo para a função que exercia, um pouco mais de mil e quinhentos dólares, quando os expatriados ganham cerca de 5 vezes mais, disse Nelson Koxi.
Acreditamos que seja verdade, sim senhor. A maka é que temos em nossa posse uma fotografia antiga, que mostra a existência de dois operadores, nessa altura, numa plataforma de aterragem de helicóptero. Um deles é Koxi e o outro é um homem de raça branca que veste exactamente a mesma indumentária que Koxi, exactamente a mesma, fato-macaco, capacete, óculos de aviador e auscultadores de protecção, que foi apresentado por Koxi à nossa reportagem como sendo o expatriado que ganhava 15 mil dólares. E agora. Será verdade?

Assim ou assado, a negação da empresa petrolífera é peremptória, e para ela o que diz Koxi é mentira: "(…) tal comparação é fabricada para efeitos deste artigo, na medida em que essa comparação não pode ser validamente feita, uma vez que a categoria de Chefe operador de aterragem de helicópteros é apenas exercida por um trabalhador nacional". Mostrem provas! Não conseguem. Logo mentem e tentam denegrir e caluniar o nosso jornal, pois a lei de imprensa, também não diz que o direito de resposta deve ser enviado com cópia ao Conselho de Comunicação Social e o desconhecimento da PRIDE levou-a a isso, para mais uma vez enganar as entidades, quando sabe fazer sofrer muitos trabalhadores autóctones.

Artigo 68.º
(Publicação coerciva do direito de resposta ou de rectificação)

1. No caso do direito de resposta ou de rectificação não ter sido satisfeito ou haver sido infundadamente recusado, pode o interessado, no prazo de 30 dias, recorrer ao Conselho Nacional de Comunicação Social, ou ao tribunal judicial do seu domicílio, para que ordene a publicação, nos termos da legislação aplicável.

2. Requerida a publicação coerciva junto do tribunal é o director do periódico, emissora de radiodifusão ou televisão que não tenha dado satisfação ao direito de resposta ou de rectificação, imediatamente notificado para contestar no prazo de dois dias, após o que será proferida em igual prazo a decisão, da qual há recurso com efeito suspensivo.
3. Apenas é admitida prova documental, sendo todos os documentos juntos com o requerimento inicial e com a contestação.
(...)
Avancemos.
Indignação da PRIDE! Assim: nós não somos racistas, nós não somos sectários, nós não discriminamos, nós protegemos o mwangolé… Igualdade de salários é a nossa divisa. Balelas! Os arautos da PRIDE querem convencer quem? Assim!? Isso é proteger!!? Brincadeira!
A PRIDE, como qualquer petrolífera operando em Angola, ou onde quer que seja no mundo, é um predador, que pauta pela máxima eficácia. Koxi, para a PRIDE, é um quase nada. E essa de ser apologista da igualdade de salários….a PRIDE, defensora do princípio de igualdade de salários entre nacionais e expatriados!? Brincadeira sem graça. Porque então não mostra um documento, para se aferir o salário de um expatriado e de um angolano, ou vamos mais perto, quanto ganha a directora dos Recursos Humanos e o director administrativo e a diferença salarial entre Barbara e o seu adjunto, para se começar a falar a mesma língua.
Ademais a PRIDE, violou também o art.º 60.º da Constituição, no caso do autóctone Nelson Koxi. "Ninguém pode ser submetido a tortura, a trabalhos forçados, nem a tratamento ou penas cruéis, desumanas ou degradantes" e agora quer fazer o papel de santinho, por segundo disse uma fonte ao F8, ter cumplicidades nos ministério dos Petróleo e do Trabalho, por distribuírem alguns pacotes por debaixo da mesa.
Porque a PRIDE sabe e todos nós sabemos ou temos a obrigação de saber que até é justo pagar mais ao expatriado do que ao nacional. Por razões óbvias, pois o técnico estrangeiro deixa a pátria, a família e é submetido a pressões inelutáveis, inclusive psicológicas. É justo que ganhe mais do que o angolano. Um pouco mais. Mas o que acontece é que no nosso país essas diferenças de salário são abismais.
Neste caso temos muitas provas, pois essas foram repetidamente as indicações de, que de resto colam perfeitamente com todos os testemunhos que temos recolhido sobre esse assunto. É um escândalo generalizado e estamos em crer que a PRIDE não foge à regra. Depois do que ela fez com o atestado médico de 2004 da clínica Sagrada Esperança, tudo é possível. Seja como for, o F8 aceita o repto, levem-nos a tribunal para ver quem tem razão.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A RUA DO SOL NASCENTE


Gil Gonçalves
Estou abrasado nas catorze horas da tarde no vulcão solar da terra. É que o ar não está quente, está ardente, como se o inferno adquirisse morada, e daqui não mais desejasse sair. Embrenho-me na rua dos cidadãos sem pátria, onde qualquer automóvel depois de a atravessar deixa uma nuvem de pó vermelho da cor da miséria. A azáfama é a habitual, digna da actividade marginal. Os bebés viajam nas costas das mães, enquanto elas se esforçam na paciência e sorte de alguém, a maioria utiliza o feitiço, que lhes compre algo da escravidão da sua sobrevivência.
A ronda dos ditadores faz-se omnipresente com exército, guarda presidencial, forças de segurança especiais, polícia antiterror, polícia secreta, e outras tantas forças apenas para desabarem sobre as populações, se elas ousarem manifestar o seu descontentamento. Vida de ditadura é repressão permanente de canhão.
As desgraçadas estão no olho da rua porque lhes espoliaram as lavras, as terras, destruíram-lhes as casas, a que jocosamente os novos-ricos lhes chamam de casebres. Antes, onde faziam o seu negócio da venda, apareceram uns espertalhões das desordens superiores que lhes chamaram de burras, porque não sabiam que tudo é pertença do Estado. E com o cuidado de prevenirem que afinal também são donos das pessoas. Tanta conversa suja para logo em seguida anunciarem nos meios de difusão massiva integralmente partidarizados que a miséria das populações vai acabar, porque mais um shoping center se vai edificar pago com dinheiros ilícitos. Aliás, tudo se compõe de ilicitude. Mas não é por demais evidente que casa de espoliado é casebre? Os maridos, e demais idiotas que acreditaram na tal luta de libertação deles, esperam pela mesada em vão. Só a tudo têm direito quem é eleito do partido sem coração da família sem restrição.
Os reconhecimentos policiais são constantes, esvoaçantes, verdejantes como as moscas de bojos possantes. Os cumpridores da lei ficam contentíssimos quando lhes ordenam executá-la nas zungueiras e similares, que é o que existe demais. E atiram-se desumanamente sobre as infelizes que nasceram por muito azar num Golfo da Guiné onde o petróleo transpira por todos os poros novos-ricos. Aqui já não existe terra, nação, pátria, população, mas apenas o martírio diário dos barris de petróleo. Mas os polícias não vão policiar as empresas e os empresários da corrupção, não. Apenas policiam a estrema pobreza da expiação. E carregam à Khadaffi sobre as miseráveis que totalmente indefesas, injustiçadas, até queimadas como feiticeiras. E os barris de petróleo sucedem-se, enquanto nos palácios da ditadura se festeja mais um acontecimento importante: o preço do petróleo sobe, sobe… dá e sobra para pagar a mercenários.
Frequentemente como se acompanhadas ou protegidas de nuvens de pó, novo sistema de alta tecnologia de segurança importado (?) desfilam desabridas escoltas de dirigentes fingindo que resolvem os problemas do povo, quando na verdade, resolvem os seus interesses pessoais e os das suas famílias. Porque ainda existe a teimosia que governar é colocar toda a família no poder, para que se mantenham os negócios, os palácios, e a miséria das populações seja sempre abrangente. O povo é um jardim zoológico, com a diferença de que no zoo é habitual darem comida aos animais, neste zoo humano não. Cada um que assalte o seu pão de cada dia.
A actividade da especulação imobiliária progride como coelhos que se multiplicam extraordinariamente: o único trabalho é alimentá-los e nascem, reproduzem-me epidémicos como os mosquitos do paludismo. De tal modo que dentro de pouco tempo não existirá nenhum local livre, porque tudo se destruiu com novos... estruturantes.
E dos muitos carros luxuosos pagos astronomicamente com as contas da contabilidade que não existe, Angola não tem contabilidade organizada. Os Técnicos de Contas trabalham na ilegalidade, ao sabor da invenção de documentos das entidades patronais, e se não se acomodarem correm o risco do despedimento coercivo, e se ousarem abrir as bocas pende-lhes o assassinato. Pudera, a perda da vida humana está tão vulgarizada. Perante isto, não é possível falar de empresas e empresários. «Perguntem ao vento que passa».
Descem dos seus afamados coches triunfais, carregados de luxo petrolífero, novas-ricas na anedótica tentativa de imitação de figuras famosas da música e do cinema, com orgíacas e reluzentes pulseiras de diamantes pagas a cento e cinquenta mil dólares. Enquanto na Rua do Sol Nascente morre-se facilmente, porque não se tem dinheiro para comprar coartem para curar a malária.
O nosso futuro é inevitavelmente revolucionário.
Assim não, porque a revolução é inevitável. Pode-se colmatar por agora, mas ela acontecerá, infelizmente parece com extrema violência porque ninguém está interessado em travá-la. Os milhões, biliões de dólares do petróleo são muito mais importantes que qualquer ser humano, cidadão angolano perdido na Rua do Sol Nascente.
As manas Lwena e Maria abancaram-se à toa. A Lwena vende cigarros, mau uísque, desse para consumo dos seguranças, bolachas, mais algumas coisas e gasosas. A Maria é kinguila, vende e compra moeda estrangeira, só dólares e euros. E claro, já estão aprontadas para lerem o jornal do dia. Maria activa-se, remexe-se, e inicia o seu folhetim jornalístico:
- Olha, agora andam na guerra das bandeiras.
- Como assim?!
- Vou-te já contar: a vida decorre normalmente. Nas ruas jovens vendedores e zungueiras fogem depois das espoliações e surras da polícia. Os geradores, ninguém confia na ditadura da electricidade, lançam fumo tóxico mortal, o único país do mundo onde isto é normal, e a barulheira intencional para encher o saco do vizinho. Tudo o que é ilegal valoriza-se. Parece que ninguém tem noção do que é lei. Os novos-ricos então, ainda sob a protecção da ditadura, mas já com o peso da síndroma Tunísia, não querem saber se os vizinhos estão a morrer ou não, com as suas tropelias de quase quarenta anos legalizadas. E teimosamente dizem que é uma antiga ditadura democrática, logo, quem não é da ditadura, é contra ela. Nada mais fácil do que isso. A bandidagem já incontrolável, pois são mais que as mães, e apesar de Angola estar infestada de petróleo por todo o lado, e isto justifica a deportação dos sem futuro para os rincões, pois o petróleo é incompatível com o povo. Este, ao pé do perfume petrolífero, apresenta um valor exíguo. E onde há petróleo, há dinheiro, e o resto não interessa.
Os corruptos continuam com a justificação, de que não senhor, o dinheiro que ganham, é com muito suor esforço e lágrimas. Claro que isto não convence ninguém, e eles parecem fingir que pela banda está tudo numa boa. Os políticos sempre com as mesmas políticas de quarentena já quarentona, quando abrem as bocas, é de fugir, tipo, salve-se quem puder. Nada mais insuportável, do que ouvir sempre os mesmos com o mesmo dicionário.
Entretanto, a banda atingiu tal desenvolvimento tecnológico, que até para cortar uma chapa de zinco, ou serrar um vulgar tubo de ferro, é necessário um chinês ou um português. E o tuga recorda-nos muito cioso os regulamentos dos tempos coloniais. E afirma sem pejo: «Na minha empresa, negro não pensa, executa.» Provando com isto que a banda ainda não é independente, e que o sem futuro ainda não se libertou da escravatura.
Os problemas do povo subsistem na intolerância política, como se a banda fosse uma prisão cercada de grades de Kabinda ao Kunene. Aí, não sei em que bairro, apesar da proclamação da independência e de uma nova Constituição, a intolerância política revive os bons velhos tempos da intransigência revolucionária. É necessário alimentar o facho e o forno da revolução, e quem nela não se enquadrar, a pena de morte é de se esperar.
Um professor vulgar militante de um partido político da oposição sobrevivente, tem o direito de hastear a bandeira do seu partido no bairro do seu coração, não é?! E assim o fez, mas há sempre alguém que espia, que diz sempre sim. A polícia política é como a Igreja, só acredita num Deus. E claro, prenderam o professor militante. E ele pergunta aos novos mentores do campo de concentração da banda, aqui dignamente representados por um chefe da polícia: «Mas afinal, estou preso, porquê?». «Prontos! Já te estás a fazer de parvo. Então não sabes porque é que foste preso?». «Absolutamente que não!». «Estás preso… porque és de um partido da oposição ilegal!». «Ah! Essa está muito boa, então como é, a banda é só para vocês?» «Evidentemente, aqui não há lugar para mais ninguém. Vais ser julgado e condenado sumariamente.» «Então serei julgado por ser militante de outro partido político?!». «Correcto e afirmativo!».
E veio em socorro do professor o secretário-geral do partido da oposição ilegal. Entra em cena e afirma peremptório: «Farei uma greve de fome em defesa desse homem. Esse professor é-me mais valioso que todos os vossos poços de petróleo». «Ai é?! Que bom, faz lá a tua greve de fome. Junta-te aos nossos exércitos de esfomeados... e esperamos que morras, será menos um que chateia. Até porque temos instruções para acabar com todos vocês, pois parece que não, mas ainda são muito perigosos, e estão implantados em todos os recantos... como uma epidemia cancerosa. Ah! Já sei o que queres… almejas ser lembrado como o mártir da liberdade, não é?! A tua morte será certa, como a nossa vitória». «Ao que chegámos, até os vossos sobas prendem gente?!». «Claro, ó Mártir! Temos orientações superiores para prendermos quem quisermos. A banda é nossa, porra!!!». «Absolutamente, e quando a síndroma Tunísia lhes bater às portas, vão fazer mais como então?!». «Essas coisas aqui nunca chegam. Temos órgãos devidamente estabilizados, quero dizer, estalinizados, policiais e de defesa suficientes, postados por todos os lados como parasitas, não sei se estás a ver. Os olhos e ouvidos da nossa revolução que é imparável. O nosso poder é eterno e abençoado pelas potências internacionais e pela nossa Santa Igreja. O petróleo dita as regras do jogo».
O Mártir preferiu o silêncio. Meditou, que o fim de qualquer ditadura é sempre igual. Como se os problemas de um país se resolvessem na continua prisão e repressão. Quanto mais o poder diariamente e arbitrariamente infligir ferocidade sobre o seu melhor bem que é a população, o dia fatal chegará. E tudo e todos se erguerão, e a ditadura varrerão. E o Mártir confesso da democracia, preparou-se física e mentalmente para enfrentar os caminhos da greve de fome. Os caminhos da vitória gloriosa, da libertação, contra a opressão. Assim falou o Mártir da democracia.
upanixade@gmail.com

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Paz inventada?


[4 de Abril, dia da Paz]: Policia tenta impedir jovens de se manifestarem a favor da paz social no largo do Primeiro de Maio em Luanda. Neste momento (15:57 horas de Angola/Luanda) estão concentradas no largo da independencia cerca de 100 pessoas. Cada vez aparece mais gente e a mobilizaçao continua pelos telemoveis. Uma reporter a jornalista Lacerda da Costa da Radio Despertar, já está no local.
In Felizarda Mayomona

TODOS AO LARGO DA INDEPENDENCIA COMEMORAR A PAZ DE FORMA ESPONTANEA "UM GRUPO 30 ANGOLANOS ESTÁ NO LARGO DA INDEPENDENCIA PARA COMEMORAR A PAZ. AS PESSOAS ESTÃO LIGADAS A MANIFESTAÇÃO DO 2 DE ABRIL. A POLICIA ESTÁ A IMPEDIR QUE OUTROS GRUPOS SE APROXIMEM E DEU 30 MINUTOS PARA AS PESSOAS SAIREM DO LOCAL. DEVIDO A INSISTENCIA DOS MANIFESTANTES A POLICIA DIZ QUE PODEM FICAR, MAS SEM SE MEXEREM. UM CHEFE DA POLICIA AMEAÇOU UMA MANIFESTANTE, SRA ELSA, DIZENDO QUE A PODERIA ARRASTAR SE ELA VOLTASSE A MANIFESTAR-SE. HÁ JA VARIOS CARTAZES NO LOCAL E A MOBILIZAÇÃO POR TELEFONE JÁ COMEÇOU. É IMPERIOSO QUE A NOTICIA CORRA ANTES QUE SE MANCHE A PAZ COM ALGUMA VIOLÈNCIA POLICIAL. ELSA QUE ESTEVE PRESA NO DIA 7 PODE SER CONTACTADA PELO NR 932178174. PAULO ARAUJO ESTÁ NO LOCAL COM O NR. 924056095. FERNANDO MACEDO PODE DAR PARECER JURIDICO SOBRE A MANIFESTAÇÃO ESPONTÀNEA PREVISTA NA CONSTITUIÇÃO E LEI, TELEF 931786551 APOIEMOS A PAZ SOCIAL, AQUELA QUE É A PAZ DA JUSTIÇA SOCIAL, DO AMOR E DO DESENVOLVIMENTO PARA TODOS."

ACABEI DE FALAR C/A ELSA E CONFIRMOU-ME EXACTAMENTE O K DISSE O DR. FILOMENO. UM TAL SUPER INTENDENTE K DIZ CHAMAR-SE ALEXANDRE DO NASCIMENTO AMEAÇOU SEVERAMENTE A ELSA: SENHORA, NÃO SE MEXE E NÃO EXIBE CARTAZ NENHUM. SE TE MEXERES VOU TE TORTURAR, VOU TE MASSACRAR. ENTRETANTO, AS PESSOAS VÃO CHEGANDO "RELUTANTES" AO LARGO DA INDEPENDENCIA(JÁ K A POLÍCIA PROIBIU INCLUSIVE A PERMANENCIA NO REFERIDO LARGO) PARA CELEBRAR A SUA MANEIRA O DIA DA PAZ. TODOS AO LARGO DA INDEPENDENCIA PARA JUNTOS CELEBRARMOS A PAZ À MODA DE UMA ANGOLA NOVA, SEM ALGEMAS, SEM TABUS, SEM MEDO E SEM BAJULAÇÕES.

In BD-Bloco Democrático

domingo, 3 de abril de 2011

O NACIONAL-SOCIALISMO ANGOLANO


Gil Gonçalves
Tudo é do ESTADO do nosso Eterno Endeusado
E o TPI, Tribunal Penal Internacional
e a outra comunidade dos direitos humanos
perdidos, esquecidos, omitidos
aprovam o nosso extermínio
sob o tal olhar do silêncio petrolífero e diamantífero
Tempos muito negros, escuros
de olhos terrivelmente molhados
cegos dos jorros dos campos
das piscinas inundadas de petróleo
cercam-nos
Independência na terra espoliada
do roubo e da corrupção
da célebre quadrilha organizada
que tem tudo e não nos deixa nada
E o rei e o seu séquito luxuosamente escondidos
protegidos no arsenal inseguro
há muito afastados da população
temerosos dos próximos dias que virão
do vulcão
Nos cemitérios nem os mortos deixam repousar
em cima das suas ossadas edificam tumbas de betão
para novos-ricos habitar
«Somos um país pobre e a luta ainda não terminou. A nossa luta ainda não chegou ao fim. Ainda temos que continuar a lutar. Ainda estamos a batalhar para criar essa riqueza, e só depois disso é que podemos falar de pensões condignas» Armando Guebuza, Presidente de Moçambique na celebração dos 46 anos das Forças Armadas, 25 de Setembro, referindo-se à questão do pagamento das pensões dos antigos combatentes.
Não sei como será mais este dia insuportável, tão miserável
Mulher angolana!
A liberdade recorda a beleza da tua paisagem
aguarda ansiosa que regresses, a despertes
libertes
Nesta miséria extrema de Luanda sem redenção, pelas horas vinte e uma. A mamã espoliada vende pão para tentar libertar-se da fome. É a única libertação que lhe resta, porque da outra os libertadores libertaram-na dos poços petrolíferos, das minas diamantíferas e dos dinheiros bancários. Mas como dinheiro atrai dinheiro e também a miséria atrai miséria, os destacados do poder petrolífero rondam na caça incessante de presas indefesas. Fiscais do GPL retornam às suas casas exaustos depois de mais um dia de pilhagens. Alguém deles se lembrou que as suas casas não têm pão. Pararam a viatura, saltaram lestos e espoliaram o pão da miserável mamã. Mas que infernal Politburo este, que não tem dó nem piedade de ninguém. Transformou-se, camuflou-se, de libertador passou a espoliador. Que Deus Nosso Senhor nos liberte de quem se escapuliu do Inferno. Mais um movimento de libertação a saquear a população.
Esta independência persegue-nos, aterroriza-nos, e nós fugimos dela, não a queremos mais. Temos que lutar por outra, abaixo esta. Os coveiros devem estar muito exaustos a abrirem nunca bastas covas. São tão demasiados os mortos que até convém mudar o nome para: Necrópole de Angola.
Que terríveis inventos nos contemplam: as ambulâncias que seguem com doentes gravemente feridos e algumas de sirenes tão estridentes vão abrindo caminho e deixando atrás delas outras vítimas, pois o som é tão sirénico, tão sobrenatural que mata. É curioso que ainda nenhuma entidade do nosso Ministério da Saúde, ou médico levantou esta questão, acho que é sobremaneira intrigante.
Se as obras clandestinas do Ordens Superiores persistem, é porque nos curvamos perante um governo clandestino. E sob o olhar impiedoso de Lenine, afundamos o nosso partido de retaguarda.
Diferente dos outros dias não será
mas vê-se que nada nos trará
piorará
E sob a capa de movimento de libertação
perpetua-se a colonização
Estamos no limite da corda, do acordar
já não dá mais para esticar
Inexoravelmente ela fracassará
partir-se-á e o lado do opressor
cederá, perecerá
E a UNITA, o nosso cavaleiro andante, muito solícita, em parceria com Bento VXI emitirá mais um comunicado. Antes esgotar-se-á em intermináveis discussões sobre o desandar, o despenhar do país. E altruisticamente resignados não convencerão, mas talvez dirão, porque não?! Se antes lutámos contra o outro colonialismo, porque é que agora não lutamos contra este? E nos tombaremos em inenarráveis alambiques novelísticos. O nosso destino alienado merece-o. E os estrangeiros contentíssimos por finalmente nos verem parqueados no jardim zoológico que subsidiaram, investiram… e a tenaz da mãe igreja a pregar: hoje assim não dá. E que no outro dia, sim, já dá.
Mais casebres desmontados
e terrenos espoliados
o habitual
E a invasão chinesa incontrolada
normal
Nos caixotes do lixo, shopping center da pobreza
é notório o PIB e o seu desenvolvimento
a miséria é negra, afogou-se no abismo petrolífero
Mas quando é que acaba isso de bater no ferro quente?! Angola é um Estado de direito imobiliário e ainda será um grandioso império imobiliário. E contudo ela, Angola, privatiza-se. Angola é a tábua de salvação, e também será a droga da desgraça de muitos aventureiros que a desejam recolonizar. E nesse enlace, abomináveis, é o que são alguns actores estrangeiros que discursam em Luanda, como se fossem governantes angolanos. Falam em nome do povo angolano sem serem por ele eleitos. Não restam mais dúvidas que estamos perante uma democracia imobiliária. Isto faz com que os circuitos desta alta voltagem vibrem, se descontrolem. O nosso imortal Politburo corta-nos a energia eléctrica. Na água continuamos excluídos das condutas, na mesma, isto é, cada vez piores. O que era o precioso líquido está agora noutra horrorosa luta de libertação muito seca. Diariamente sacrificamo-nos para conseguirmos água num país que tem, como eles dizem, os maiores índices mundiais de desenvolvimento económico e social.
A nossa GESTAPO lista o assassinato
de mais um jornalista
e outro opositor político
que o nosso Pravda manterá no eterno anonimato
As mamãs prosseguem no fardo
perseguidas pela independência
da miséria gatunada pelas nossas SS
e até abatidas sem misericórdia
Ninguém tem direitos
Este é o nosso Estado da independência total dos comungados casos de corrupção e especulação imobiliária. O nosso querido Politburo segurado nos quase cinquenta anos de poder, assegura-nos que lá para 2013, 2020… tudo estará serenado. As bazófias do iletrado costume. Com água, energia eléctrica, empregos para todos, garantida a segurança alimentar… até com excesso de produção para exportar ou para deitar para o lixo? Não sabemos, e duvido que alguém saiba. Enfim, que será o fim da miséria. E em mais um acto talvez pródigo de demência, não é a melhor altura porque a miséria policia-se nos campos de palavras semeados, mas lá, longe dos gabinetes nunca agricultados, pois, o célebre mercado Roque Santeiro com a sua extinção criará mais milhares de deslocados, ao ar livre armazenados. Olhem, não vêem mais milhares de deportados a caminho de Auschvitz?! Nesta quotidiana miséria de Angola, os especuladores imobiliários festejam-na porque criaram mais milhares de esfomeados. Mais brutal desestabilização social soma-se.
Mas que poder este que tudo amealha
tudo quer e nem aos esfomeados migalha
Este é o reino do rei da nossa miséria
É este o viver e morrer no Tarrafal do terror de Luanda

upanixade@gmail.com
















sexta-feira, 1 de abril de 2011

MENINA SEQUESTRADA HÁ 1 DIA


Todos nós temos filhos, sobrinhos, primos, netinhos até. Por isso não desviem o olhar desta mensagem. Hoje por aqueles e amanhã por um de nós.
PASSEM ESTA MENSAGEM PARA TODAS AS PESSOAS QUE CONHEÇAM.
MENINA SEQUESTRADA HÁ 1 DIA - PASSAR RÁPIDO
¡¡¡¡Es importante, pasalo rápido!!!! NO TE LO QUEDES, POR FAVOR

No te lo quedes, POR FAVOR, pásalo A TODOS TUS CONTACTOS. Alerta por el secuestro ayer de esta niña de 3 años y medio , Elise, en Tamaimo, Sur de Tenerife. Sus secuestradores, dos hombres y una mujer, viajan en un Seat Panda TF-7633-V (color beige o marrón). En previsión de que puedan pasar a la península con ella, haz circular este este mensaje con la foto. Gracias.. . Gonçalo Mesquita. Zelar - Serviços de Administração e Gestão de Condomínios. Rua Serpa Pinto, Bloco da Juventude, Loja R/C Esquerdo 8150-164 São Brás de Alportel. Telefone/Fax: +351 289 843 991 Telemóveis: +351 966 955 864 +351 910 631 932 E-mail : zelarcondominios@gmail.com


O HOMEM REVOLTADO


Parafraseando Albert Camus: não dispararias tanto sobre as multidões se delas soubesses extrair o máximo.
Nas outras revoluções utilizavam-se pombos-correios, sinais de fumo, o tam-tam, e as revoluções aconteceram. Num futuro não muito distante, quando o pensamento for o meio de comunicação, as revoluções nascerão à velocidade da luz. Vêem-se nos rostos das multidões a avidez da retirada da máscara da democracia e da libertação que nunca aconteceram.

Gil Gonçalves

Nada se moveu, apenas a avassaladora escravatura de alguns que lhe chamam a vida nova alicerçada nos comités de defesa da revolução. Finalmente os povos seguem a sua marcha gloriosa e o poder espera-os. E tudo se renova num jasmim amadurecido e noutro que desponta e nos perfuma a vida. Não é possível nos tempos de hoje viver lado a lado com ditadores. As suas mentes são como desertos muito ressequidos, a estalarem, a rebentarem, a abismarem.
Finalmente nos libertaremos das conceituadas duas democracias: uma Ocidental, e a outra? Vejamos a opinião de Mário Vargas Llosa, Prémio Nobel da Literatura: «A lentidão (para não dizer cobardia) com que os países ocidentais – especialmente os da Europa reagiram, vacilando primeiro face ao que estava a acontecer e, logo a seguir, com declarações vazias de boas intenções a favor de uma solução negociada, em vez de apoiar os rebeldes, terá de ter causado uma terrível decepção aos milhões de manifestantes que saíram às ruas em países árabes, pedindo "liberdade" e"democracia" e descobrirem que os países livres olhavam-nos com desconfiança e por vezes pânico. E comprovar, entre outras coisas, que os partidos políticos de Mubarak e Ben Ali eram membros activos da Internacional Socialista!»
Porque o senhor dos anéis da ditadura de quem se manifestar vai apanhar, nos deixará ouvir o despertar dos pardais, por quanto tempo mais? Os regimes repressivos esquecem-se de uma coisa muito simples: quanta mais repressão e terror, mais resistência criam, e originam o estado latente de revolta na população. Até que chega o ponto ómega limite. Não é assim que sempre sucede? E a conversa é sempre a mesma: de que somos os garantes da estabilidade, e a ameaça revolucionária de que «Há que se ter cuidado para ninguém confundir as coisas». Que somos um país com um governo democraticamente eleito com quase cem por cento de votos dos eleitores nas urnas, etc., etc. O Egipto era muito poderoso, e o seu ditador não imaginava tal coisa, e aconteceu, sempre acontece. Neste campo de concentração, qualquer chefe de campo é garantia de estabilidade, numa revolução sempre em marcha de quase cinquenta anos, que os chefes não sabem como vai acabar, mas nós, os sem futuro, sem terra, sem casa, sem petróleo, sem diamantes, enfim, os desta cabana do Pai Tomaz sabemos. Mais, os prisioneiros neste arame farpado, sabem-no muito bem. Nas câmaras dos palácios ouvem-se com deleite as notícias palacianas. Nos miseráveis guetos, escutam-se os noticiários especiais das ruas, dos esgotos na companhia inseparável dos ratos. E este é um palácio com milhões de deserdados, esfomeados, sempre em prontidão combativa. São eles que depois dominam as ruas da miséria, e fazem o poder soçobrar. Os países não dependem de pessoas, dependem isso sim, da justiça das suas leis. Se a justiça funciona, tudo bem. Se em contrário, as pessoas que governam, os corruptos, o fazem falsamente para enriquecerem, e como tal, mais dia menos dia, vergonhosamente cairão. Atente-se no alerta do «Canalmoz canal de Moçambique. «É preciso que se entenda e se compreenda em todas as suas consequências que governar não é exactamente o mesmo que ser comissário político ou especialista em retórica e demagogia. Impõe-se repensar profundamente o que significa governar um país. O compadrio e a auto-protecção vigente entre os regimes da África Austral não vai ser suficiente para travar os ventos da mudança. Os cidadãos estão manifestamente esgotados e já não aguentam mais tanta sujeira governativa».
O desejo que não se sente, permanece insensível. Os nossos sentidos, perseguidos pelas vendas do sistema inconsciente, cumprem, compram de acordo com as instruções programadas da ditadura. Há muito que deixámos de ser quem somos, seguimos numa estrada ao ritmo do consumo da imposição que os nossos sentidos só distinguem, uma direcção: o rumo do conhecido, porque do desconhecido nada sabemos, porque não nos deixam. Receiam que o lado misterioso da vida surja e nos revele a verdade. Aqueles em quem votámos conduzem o nosso destino para o grandioso Vale da Morte e da Miséria. E ainda acham que são iluminados, garantes do nosso quotidiano e do nosso futuro. E continuamos neste marasmo porque nos cercearam os segredos das pirâmides. E já não sabemos construí-las. Cada vez mais nos limitam, nos roubam o tempo, até que fiquemos irremediavelmente sem ele. E depois, que faremos? É possível viver sem tempo?
A mãe acariciava a cabecinha da sua tenra filhinha, mas não conseguia que ela parasse com o choro. Não, não tinha fome, também não estava doente, estava sã, bonita como a sua progenitora. Mas, porque não parava ela então de chorar? Já se tinham vasculhado e debruçado muitos médicos com as suas medicinas, mas nada. Até que desencantaram um médico místico, desses que alcunham de malucos, mas maluco hoje em dia é quem sabe das coisas, e ele, num ápice curou-a. A doença? Era mais uma vítima da epidemia desta civilização ditatorial.
Descansar, navegar, andar, e sonhar o amor, como num rosto feminino de donzela a jardinar no perfume jasmináceo. Com amor nasce uma mulher e um jasmim. E os seus perfumes enaltecem-nos, porque com amor a nossa mãe nos gerou. E com amor serás sempre mãe, e nunca te lamentarás. Com amor serás universalizada, imortalizada, e pelos jasmins libertada.
Hércules é a força, os partidos políticos são a farsa, a nossa forca. A nossa fraqueza reside na actual classe política da democracia bancária e petrolífera.
Sais de casa, entras na rua e nela te perdes. E no entanto caminhas por instinto, como todos fazem automaticamente. E nessa ruidosa agitação não consegues pensar, essa função primordial, fundamental das nossas aspirações ultrajadas. Movemo-nos sempre nas ondas revoltas do mar multitudinário, sem tempo para amar, sem tempo para sonhar. Apenas para lamentar o passado, na esperança que finalmente inventem a máquina do tempo, e nela viajemos no infinito do amor e do sonho. Está muito difícil reencontrar o amor, porque o diabolismo espreita-nos, espera-nos nos penhascos dos palácios. E te augura: sem amor nunca serás minha, nem de ninguém, nem de ti.
Há muito que o dinheiro do petróleo destrói Angola e os angolanos. Há muito que sabemos que errar é humano, mas errar com o dinheiro da ditadura do petróleo é muito desumano. E nos seus discursos, os nossos bajuladores-peritos das relações internacionais lembram-nos o Estado Novo dos antigos ministros das colónias. Como as obras da ditadura chinesa que não duram muito tempo, os materiais são de má qualidade. E aprestam-se aqui como novos colonizadores autorizados por quem de direito. Chegam nas mulheres que vendem cigarros e ameaçadoramente exigem-lhes dez kuwanzas por um maço de cigarros que custa cem ou duzentos kwanzas. Agem com total desprezo pelas cercanias das suas obras em construção. No afã de despacharem o trabalho, atiram, desviam a saída das águas para a vizinhança. Facilmente se adivinham os prejuízos materiais e mortais das chuvadas.
O que faremos de uma igreja ainda de concepção medieval? E enquanto nos palácios os ditadores festejam, nas ruas as populações abandonadas na miséria revoltam-se. Há tempo para o Senhor amar, e tempo para as ditaduras derrubar. Viver numa ditadura, é como caminhar numa noite terrivelmente nebulosa. Todos os caminhos esburacados, abandonados, onde a miséria impera, conduzem-nos à abominável tirania da ditadura, ao nosso futuro asfixiado. Viver sob a ameaça constante de qualquer ditadura, os nossos pés tropeçam nos cadáveres assassinados dos opositores políticos, ou apenas dos de delito de opinião. A independência ainda não chegou, apenas mais se escravizou. Quando uma ditadura que se diz democrática, e se reforça no socialismo cientifico, promove a proibição de manifestações pacificas, e envia todo o seu aparato policial e militar repressivo para as ruas, significa que está em pânico, e o seu fim, como é óbvio, está com os discursos contados. E o notório das ditaduras é o apoio que as democracias lhes dão. E então, quando naquelas ditaduras especiais do petróleo, onde se implantam democracias fantasmas. Ó ditaduras e reinos! Da maneira que as coisas estão, pela banda não é muito difícil perceber o que em seguida vai suceder.
Os ventos da nossa alma: e por entre tempestades se movem ainda os nossos anseios subjugados, milenarmente destroçados. E no poder insistem bárbaros ditadores que nos fecham nas masmorras odientas em nome do amor. Mas os ventos sopram os ditadores para o seu local de origem: o Inferno. Que estranho, até as flores se regozijam na sua beleza liberta. O Sol libertou a sua luz e os insectos renovaram o seu trabalho de adoração floral. A Natureza comovida abraçou-os e reiniciaram a dança do dia-a-dia. E todos se extasiaram, festejaram. Rápido, o fim do dia aproximava-se, o Sol escondia-se. E já todos cansados, regressaram aos seus locais de descanso. A seguir outro dia virá, e outra vez se festejará.
Sim, a festa do terror que nunca falta em Luanda: Polícia antiterror ao ataque. No dia 21 de Janeiro, cerca das dez horas da manhã, nas imediações do Zé Pirão: Sem garantias de empregos, sem direito a um kwanza do petróleo, apenas o direito à mais inescrupulosa escravidão, os jovens vendiam óculos para sobreviverem. A polícia antiterror atacou-os, destruiu-lhes os óculos e prendeu-os. Os que roubam o erário público e as suas empresas que sistematicamente fogem ao fisco, a especulação imobiliária criminosa, esses estão felizes da vida. O nosso futuro é cada vez mais incerto. O que nos acontecerá, ou virá a seguir? Outro Vesúvio, certamente.
É importante não esquecer que Angola ainda não tem contabilidade organizada. É intencional, claro. Ora, como inexistente é fácil roubar à vontade. Convém notar que o poder tudo faz para que a contabilidade não funcione. A que existe não passa de uma brincadeira. E o dinheiro desaparece muito facilmente sem ninguém dar conta. Só depois quando se está com a corda no pescoço, alguém aparece a dizer que estamos muito mal de finanças. O que é muito elementar, tipo creche. Estamos bem entregues e muito mal tramados. Trinta e dois anos sempre com as mesmas pessoas, sempre com os mesmos discursos. Não resolvem nada, muito pelo contrário, tudo piora, se complica.
Quanto à Igreja, se ela quisesse, há muito que este poder nos deixaria em paz. Mas não, a Igreja bebe e come do mesmo prato petrolífero. O petróleo também é uma religião. E não se pode servir a dois onshores e offshores ao mesmo tempo. Isto é, a mais estas duas ditaduras: deus e petróleo.