sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Apocalipse do Apóstolo S. Quase Cinquenta Anos


E os mais velhos lembram-nos num constante lamento: «Nem os colonos nos faziam isto. Onde estávamos eles respeitavam-nos. Não nos faziam assim»
E contudo ela, Angola, reduz-se a pó.

Gil Gonçalves
http://patriciaguinevere.blogspot.com/

"Toda a gente sabe que é a especulação e os ‘hedge funds' que estão a puxar pelo mercado.» (Primeiro-ministro grego, George Papandreou)
Revelação da FAMÍLIA para mostrar aos esfomeados as mais desgraças que certamente mais advirão. E enviou-as pelos seus anormais buldogues. E como sempre testemunharemos mais estas profecias, porque o tempo da Nova Vida está conflituante, muito distante! Para as dezoito províncias miséria e fome sejam convosco. E mais jura a FAMÍLIA que é, que era, e que será, e mais os seus espíritos, que certamente também nos atormentarão. É a síntese da habitual saudação do nosso príncipe, do nosso mais sábio, do nosso rei da nossa terra! Eis que tudo continuará enevoado e de cegos inundado. A FAMÍLIA é o nosso princípio e o nosso fim, porque é todo-poderosa. A FAMÍLIA abastece-se das incomensuráveis espoliações dos desangolanizados e reordena-lhes na Ilha do Mussulo e na outra da Cazanga que mantenham a miséria das províncias.
É possível em 2010 um país sobreviver sem energia eléctrica? Se o mesmo Poder teimoso é incapaz, não há dúvidas de que o é, de fornecer energia eléctrica, então torna-se impossível de fornecer mais seja o que for, porque nos dias de hoje não é possível viver sem electricidade. E daí o também ser impossível ao Poder nos governar. Quanto mais tempo o Poder permanecer, padecerá o estertor das ondas humanas nestes campos dos deserdados. Por aqui, bem governar é condomínios muralhar para neles habitar, sossegar. E a Europa e os EUA procedem, parecem a Igreja. Comentam palavras, apenas meios discursos. Apoiam o Poder para deliberadamente exterminarem o povo angolano? Afinal o colonialismo e a escravidão agora têm outro nome: democracia. A História é, são, as revoluções periódicas quando o embuste social da fome se torna insuportável. E para continuarem com o ultraje odiento de nos despojarem de tudo, escondem-se no último invento: a democracia. Que outro sistema político implantarão a seguir? Provavelmente clones muito obedientes, democráticos... a clonocracia!
Os apagões do poder apagado, brutalizam-nos até à grande desgraça final. O MPLA já não é partido, é uma fábrica de geradores. Tem muita gente a mais, muitos parasitas, como tal ninguém trabalha e por isso não funciona. O importante é destruir, e que nascerá das ruínas? Que pátria cantaremos com tantos ineptos forjados nas universidades das ruas?! Cantaremos as mortes das morgues quotidianas. Resta-nos a fuga para a morte da incompetência popular generalizada. A liberdade do mwangolé está nos caixotes do lixo. «Não! Já não se chama Luanda!» «Então como é que se chama?!» «Agora é… outro Haiti.» O que faremos com as multidões de analfabetos que os revolucionários universalizaram nas universidades selvagens?
Luanda só para geradores. Como se fosse possível uma empresa, um banco funcionarem permanentemente com geradores. É horroroso só de pensar nos hospitais. Isto é matar as pequenas empresas que não têm possibilidades de sobrevivência. É exterminar uma nação, um povo, e regra geral tudo o que seja actividade empresarial. Têm que chamar os brancos ou entregar Angola à China – parece que já acontece – porque está demonstrada a inépcia, a incapacidade no trabalho. Com tanta boçalidade não se vai a lado nenhum. Depois, servindo-se do oportunismo exageram: até importam jardineiros portugueses. Depois seguir-se-á a importação de empregados para limparem o lixo de Luanda. É que tal já aconteceu há vários anos com os filipinos. Há o risco do colapso geral ou já o atingimos? Porque abrem-se as janelas e entra, respiramos fumo dos geradores. É esta a vergonha do Continente Africano e mundial.
Os aterradores e desgraçados mentais manobram os sons das colunas para que as paredes, as janelas e os vidros estremeçam. A esta junção alcoólica parece juntar-se a grande orquestra de Luanda... a selva devidamente legalizada? Ninguém consegue acabar com o barulhento martírio das festas que agora são de dia e de noite? Só sabem viver com barulho infernal? É que não se consegue dormir, e claro, nem trabalhar. E ao mesmo tempo as motas circulam de escapes livres, imitam as AK-47, fazem muitos tiroteios e disparam os alarmes dos carros. É o único divertimento que lhes resta ou moverem-se em grupos com facas, garrafas partidas e promoverem o terror. Outros andam com cães e amedrontam as pobres mulheres vendedoras e espoliam-nas acossando-lhes as feras caninas. Significa que já não há polícia. Junta-se a isto o ainda progressivo envenenamento do fumo dos geradores. Finalmente a selvajaria legalizou-se? O Governo apoia-a? Está tudo tão irreal, tão infernal. Perante o crime constante da poluição sonora e ambiental de geradores que funcionam dia e noite, com desprezo pelos moradores próximos. A Lei diz-lhes que o importante é facturar e a população para martirizar. Onde não há lei, o senhor das trevas impera e o caos nos desespera nesta nação da quimera. Entretanto a Rádio Despertar noticia que a Conduril, uma empresa de construção civil portuguesa, enviou para o desemprego mais de mil trabalhadores. Mais miséria, mais fome e mais desestabilização social saltam à vista. Entretanto algumas vozes governamentais garantem que estão a criar empregos.
Sem energia eléctrica e sem água continua-se com a construção anárquica dos tais monumentos de utilidade pública. Sem electricidade e sem água que serventia oferecem tais desalmadas construções? Servem para explodir a caldeira da locomotiva a vapor da governação sem nenhuma solução. O mais importante é anarquizar, depois logo se vê! Eis a Pátria dos desempregados edificada. E contra milhões deles ninguém combate. Só as sanguessugas o fazem. Estamos perante a habitual anarquia total e completa numa Nação sem futuro. Roída pelos ratos que teimam em não abandonarem o navio da infausta governação. Os geradores da negociata destroem e fazem impossível viver em Luanda. Não há prédios, terraços, nada que suporte a existência de geradores disseminados como uma epidemia desconhecida. Temos que nos equipar com máscaras de gás. Isto é uma verdadeira guerra química. Isto é crime contra a Humanidade. Diariamente há incêndios por causa dos geradores e velas de cera. Eis Angola e a sua democracia africana do nada funciona.
O fumo dos geradores faz-nos muito bem à saúde. Purifica os pulmões e tonifica o coração e combate a acidez sanguínea. Faz leveza no andar e mantêm o corpo jovem sem necessidade de procurar a eterna Fonte da Juventude. Viva saudável! Aspire o fumo de três ou mais geradores diariamente. Dá elasticidade nos vasos sanguíneos. É que a energia eléctrica corrompeu-se e na prática não funciona, não existe, nunca mais ressuscitou. Angola realizou um grande acontecimento do futebol africano. Depois de esbanjar milhões de dólares em estádios e demais estruturas, eis que desponta finalmente o CAN 2011 e seguintes da tragédia da fome. Um povo independente que necessita mendigar o pagamento do seu salário.
A Católica do Vaticano primeiro excomungou o padre Raul Tati de Cabinda, depois foi o correspondente da Rádio Ecclesia no Namibe, Armando Chicoca, depois foi o professor universitário Nelson Pestana (Bonavena) do Instituto Superior João Paulo II. A seguir será o Campeão Nacional da Liberdade Justino Pinto de Andrade?! Decididamente a Igreja de Angola abandonou os escravos e passajou-se para o outro lado… para os romanos. Mas não, Justino Pinto de Andrade nota-se que está comedido, que mudou o tom. Está pretensamente crítico. De qualquer modo acabarão por silenciá-lo, o que será assim como uma profecia de Nostradamus… o fim da democracia em Luanda. Quem confia na Igreja cai num precipício. Esta Igreja da hipocrisia milenar que sempre nos revende por um barril de petróleo, para os bispos e os seus andores garantirem a reforma assegurada na velhice.
Por isso os partidos políticos em Luanda parecem tribos, e em consequência não é a intolerância política. É a consonância da política tribalista. E não dá mais para culpabilizar Jonas Savimbi porque ele não é certamente e porque já não bate assim. O, ou que, quem será então!? É a experiência de quase cinquenta anos dos lidadores da governação. Até a energia eléctrica o Politburo nos espolia. O Politburo desviou-a para o campeonato dos estádios do futebol dele, essa tralha a que chamam agora CAN2010 dos prédios e similares em qualquer local onde exista um terreno. O Politburo rouba-nos, suga-nos tudo. Que mais sabe ele fazer? Nada, a não ser guerra. E prepara outra para acabar com tudo o que é oposição. Por causa do golpe de estado dele do Plano C, mas não a ganhará porque as hordas de esfomeados rodeiam e pilham para sobreviverem.
É medonho como se roubam os trabalhadores com um à vontade jamais igualado. Conforme noticiado na Rádio Ecclésia, a empresa portuguesa ARC não pagou aos trabalhadores. Dezembro, antes do Natal, acabaram a obra em Luanda e os seus irresponsáveis fugiram para Portugal com o dinheiro dos trabalhadores angolanos. Não, não vale a pena! Isto é África, é Angola, não tem qualquer valor.
Então, porque é que o trabalhador trabalha e recebe somente no fim do mês? Mas isto está completamente errado! É desumano e explora o trabalhador. Isto tem que ser alterado. E o trabalhador receber no início de cada mês antes de trabalhar. Isto para evitar que o patrão chegue ao fim do mês e não lhe pague, inventando mil e uma desculpa. E o Politburo não tem percepção do que se passa à sua volta. Não sai do castelo, é como Sidarta Gautama, o Buda, que quando saiu do seu castelo pela primeira vez e viu tanta miséria à sua volta, não quis mais para lá regressar.
Pela compostura parece que os bispos da CEAST têm o cartão de militantes do MPLA. E com muita fé e devoção oremos para que os cofres do MPLA lhes abençoem. Os da Igreja mundial são muito humanos e como tal: numa mão uma flor na outra uma fogueira. Numa mão uma cruz, na outra os campos de concentração do Politburo. Nos rostos um sorriso angelical, nas costas um esgar demoníaco.
Entre a nossa oposição e o Papa Bento XVI não existe nenhuma diferença. Apenas se limitam a lerem comunicados de ocasião. São como as interferências nas comunicações. A oposição, se desejar sair deste colonialismo tem que fazer manifestações e greves. Lutarem por melhores condições, porque apenas com palavras isso é snobismo, puro devaneio. Que futuro espera os governantes africanos? Circularão por aí como párias sem destino?
Quem convive com a outra barulheira musical não saudável, o pior veículo de poluição sonora que existe no mundo? É claro… são algumas igrejas. Entretanto a voz de Salif Keita ecoa, apresenta-se, sente-se em tudo e em todos. É vibratória, conciliatória. Para quando a criação de comités para a salvação de Luanda, Angola, e do planeta? Haverá que declarar guerra aos poderes da destruição instituída? Mais outro terrorismo que nos espera?!
Para quem não entende das coisas convém explicar que ainda nos mantemos na ditadura do proletariado marxista-leninista. Apesar de perder a sua identidade cultural, o angolano mantém inalterável a componente do seu imaginário: as festas dia e noite, das quais é exímio trabalhador destacado.

Imagem: Despertai, de Janeiro 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

APARTHEID


«Influenciados pela situação de euforia vivida nos anos de 2006 e 2007 em que a prática em Angola foi a de comprar as casas em planta, sem recurso ao crédito e por preços especulativos, muitos destes empreendimentos destinam-se a um segmento alto, com preços exorbitantes, que agora não são possíveis de praticar.

Gil Gonçalves
http://patriciaguinevere.blogspot.com/

Neste momento muita oferta que existe destina-se a um segmento de mercado que está a ser afectado pela quebra dos preços do petróleo e com a crise mundial. Esta situação está a afectar, particularmente, os promotores portugueses que nos últimos anos decidiram apostar no imobiliário neste país e estão a iniciar a construção dos empreendimentos. Muitos destes projectos abrandaram o ritmo de construção ou então estão parados, procurando reposicionar os projectos em outros segmentos. De acordo com o levantamento feito pela Proprime, neste momento, em Luanda – incluindo as diversas zonas da cidade e periferia – estão em construção três milhões de metros quadrados de habitação, promovidos por empresários chineses, brasileiros, angolanos e portugueses, em que a maioria dos projectos se encontram desajustados da procura.» In http://diarioeconomico.com/
Neste campo de concentração, os dias são séculos, sem minutos, e os anos… tão diminutos. Chineses, brasileiros, portugueses e angolanos da junta militar acabados de chegar, já se apresentam como conquistadores, opressores e neocolonizadores. E traçam-nos novos rumos, novas políticas… do tudo ilegal.
A máquina da discriminação e exclusão governamentais à velocidade de marcha militar, espolia das suas zonas de residência tudo o que é negro. Todos os negros considerados pobres e sem condições de viverem ao lado dos condomínios nababos da junta militar. É talvez factual a pretensão do modelo sul-africano, pois o apartheid excluía, e exclui, as populações negras dos centros urbanos e dos passeios onde passava, passeava a minoria branca. Aqui será, é, a minoria endinheirada.
Os destruidores disto tudo continuam activos. Claro que têm selvagens destruições e acumulam muitos passivos humanos. Um país onde não existe lei chama-se quadrilha selvagem. Não era, não é nenhum movimento de libertação, é uma quadrilha da destruição. No fundo esta tralha é como outra Guiné-Bissau. Nadar, nadar sempre como aprendizes da mentira mas, ainda nem mentir sabem. E isto está como está, pior não é possível, porque na realidade intelectos parecem não existirem. Apenas alaridos de vozes pontuais, marciais que estrepitam ou cogitam na sorte do de vez em quando. Antevisão da antecâmara da Guiné-Bissau? Entretanto a quadrilha internacional e governamental prosseguem tal e qual como os espanhóis no tempo colonial da América Latina. Espoliar os nativos. E outro Emiliano Zapata renasce, espera-os, desespera-os. Na verdade os investimentos angolanos em Portugal servem… utilizam-se para a lavagem do dinheiro de Angola. Parece existirem apenas dois tipos de constituições: a do poder dos eternos e outra do poder efémero. Há reis que apreciam reinar eternamente. Outros democraticamente passam por lá, no poder, pouco tempo. Como se fossem visitantes da Constituição. Outros apoderam-se do poder e alteram, rasgam a Constituição como um reles papel sem valor. São os afundadores constitucionais, exterminadores das constituições e das populações. Na Guiné-Bissau é a droga, aqui é o petróleo. De modos que não existe diferença nenhuma. Saíram da mesma fornada, da mesma jornada.
Seres humanos? Já não sabemos o que isso é. Entretanto lá vamos apreciando a persistente campanha dos comentadores, eleitores para a Casa Negra. De vez em quando os nossos intelectuais saem dos túmulos e logo a eles regressam. E regra geral é assim a ascensão e queda do intelectualismo angolano. Ainda não se aperceberam que dum lado e do outro estamos cansados de palavras. Falta apenas o acto das filmagens onde o realizador costuma gritar: «câmara, acção!» «enquanto não passarem dos sapatos». Como deputados e outros mandatados que enredam os negócios na política e isso nunca bate certo. Misturar as duas actividades é levar ao descalabro o que resta da casa da Mãe Joana. E os donos do poder não aprenderam, não desenvolveram nada. Continuam tal e qual como o serial killer de antanho. E agarram-se freneticamente a tal estilo de governação que acabarão como o submarino Kursk. Como é que não se há-de ser chauvinista! O angolano realizava um trabalho, chegou um inglês desempregado e roubou-lho. Isto é o que acontece com todos os estrangeiros que chegam a Luanda devidamente acobertados pela junta militar. Eles vivem, safam-se no país do outro, e nós na miséria, na fome, a vê-los prosperar, a nos roubar.
E os nossos intelectualóides continuam a vibrar os mesmos sons e o mesmo gestual das palavras. As mesmas orações não bentas, desditas. Já não vale a pena ouvi-los. O cansaço atingiu o limite de quem ainda esperava algo deles. Como pobres nabos que vegetam nas quintas nabais.
E os espoliados, deserdados lançados outra vez na mais ignóbil miséria pelos novos negreiros, como párias, apátridas vendem a sua desgraça de muitas maneiras. Por exemplo em garrafas plásticas com água bem fresca que vendem nas ruas. Mas a junta militar persegue-os, e o comportamento neonazi dos fiscais (?) do GPL-Governo da Província de Luanda caça-os, prende-os e desterra-os. A única fonte de sobrevivência o vender qualquer coisa não se permite. Nem os brancos, não escondamos o falso nacionalismo e patriotismo, deixemos estes sofismas, o nos refugiarmos no colono português, tratava desta forma os negros angolanos.
Por aqui a água nas torneiras só desce, sobe de vez em quando e nas festas nacionais. Como um escravo que não a espera. E como os intelectuais dos quintais angolanos que são de fingimento, de trazer por casa, Angola viverá, dependerá exclusivamente de ONGs e coisas assim de… externa e eterna mendicidade. Viver num mundo (neste país, claro) extremado de maldade onde conseguir sobreviver é pura sorte.
Ao menos se a nossa oposição política deixasse de ser tumular. Mas que palhaçada democrática. Fazerem-se eleições e pronto. Estão os problemas resolvidos. O problema é que há muitos democratas e os tachos não chegam para todos. Por exemplo, com a infestação de democratas em Angola, os navios da democracia não suportam o peso e afundam-se.
Luanda, a cidade parte-paredes, a cidade amaldiçoada. E um jovem ameaça outro em tom de chacota: «É pá! Não me chateies. Vou-te queixar nos chineses, vais apanhar».
A governadora de Luanda, Francisca do Espírito Santo, não sabe onde colocar cerca de vinte mil pessoas que vivem numa vala de drenagem em Luanda. Que fraca visão governativa: Angola é tão grande, espaço é o que não falta.
É impossível viverem e venderem tantas, e tantas empresas imobiliárias em Luanda. Não há espaço, então para sobreviverem promovem a selvajaria, a espoliação, mais guerra que psicologicamente já começou, mas decerto virá, acontecerá. São estes os eleitos do Deus do terrorismo imobiliário?! Das ordens das hordas superiores?! Depois de mortos vão garantidamente para o reino da eterna especulação e lá reinarão.
Antes era e é célebre, A Cabana do Pai Tomás. Seguidamente escrever-se-á A Cabana dos Espoliados dos Casebres.
Os terrenos são a pouca vergonha do Governo, que depois de retirar, decerto esbulhar os cidadãos dos bairros Iraque e Bagdad, prometeu a venda de terrenos e que as pessoas para se habilitarem a eles deveriam depositar 1500 kz no BPC. Depois entregarem os papéis na Administração. Resultado: milhares de pessoas obrigam-se a enfrentar descomunal bicha madrugadas adentro, para tentarem entregar os processos mas sem êxito. Mesmo depois de três dias. E depois de processados (?) 45.000 inscritos multiplicados por 1.500.00 Kwanzas dá 67.500.000.00. Sessenta e sete milhões e quinhentos mil kwanzas. O manual do terrorismo bancário diz-nos que é um modo de amealhar dinheiro porque os bancos afligem-se tremendamente com a actual falta de liquidez. Esse dinheiro assim depositado rende-lhes altos juros. Mais uma vez a população sai depenada, sem qualquer direito, sem qualquer juro, ou jurisdição.
Esta é a outra Guiné-Bissau do narcoestado petrolífero. De governantes-empresários… todos nas negociatas.
Adquirirmos a certeza que governar é mentir, iludir as pessoas. E por arrasto temos, vemos o caos da democracia económica e financeira instalar-se, reconfortar-se, apoderar-se dos nossos bens. Um grupo de mentecaptos que nos espolia assessorado por intelectuais oposicionistas de pastel, de cordel.
Neste momento já estamos nos corredores da dinastia Isabelina. Tudo e todos neste reino lhe pertencem. Depois da dinastia Eduardina, por direito de sucessão inscreve-se no trono real a Isabelina. Há que retornar aos feudos medievais. E neste reino, escravos da gleba não faltam.
É que tudo isto cheira a publicidade enganosa, pantanosa, porque o Governo promete que vai vender, mas omite um elemento básico. A da promessa não ser sustentada. Pois não se pode prometer o que se não tem. A primeira coisa a saber é: as zonas loteadas e os talhões, para se saber quantos talhões as pessoas poderão concorrer e as respectivas localizações. Mas nada disso acontece e mais uma vez o Estado surge aqui como figura de má fé e a humilhar os seus cidadãos.
Que se saiba, os escravos angolanos ainda não se emanciparam. As cordas e as correntes da independência amarram-nos e acorrentam-nos. Também nunca se viu, em tão pouco tempo, negros serem esbulhados com armas de fogo, por outros negros no poder, que num passado recente prometeram um mundo melhor e os direitos de cidadania.
A forma como o governo se verga ao capital e o confinamento das populações ao Zango e a Panguila, leva-nos aos campos hitlerianos de Auschwitz e outros onde concentravam os judeus.


















quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Angola, o suicídio ou os sequestrados da Constituição


O homem que não lê bons livros não tem vantagem alguma sobre aqueles que não podem lê-los. Mark Twain
Com a nova Constituição e sem energia eléctrica, Angola será reduzida a pó.
Por aqui não são as Leis da Gravitação Universal que nos governam. É a atracção universal de alguns corpos desumanos. Que insituáveis, nos permanecem nas cadeias dos regimes totalitários. As cadeias dos queridos guias imortais que iluminam os caminhos da fome. Não há condicionantes. Há as condições aprazíveis… só para aventureiros e bajuladores.

Gil Gonçalves
http://patriciaguinevere.blogspot.com/

Abel e a Belita enamoraram-se e namoravam-se. Não como aqueles que namoram e fazem disso uma mera ocupação para passarem o tempo. Amavam-se para além das montanhas aladas das suas almas. Muito para além da atracção universal duma Constituição que eterniza um santo poder eleito por Deus. Os seus corações eram atípicos. Estavam possuídos pela também espoliação da alta voltagem de Tesla que lhes provocava curto-circuitos amorosos. De tão enlevados, não notaram o logro constitucional do voo da sua nave divina. E nela embarcaram num universo paralelo longe das nossas imutáveis leis desumanas.
Abel presenteava-se com vinte e um anos e Belita com dezasseis. Vizinhavam-se e aproximavam-se muito bem nos dois anos que floresciam como enamorados do amor. O pai da Belita não sabia, saber não podia. Estudavam e assim o futuro preparavam. Abel vivia com um tio que o apoiava, como num mar de rosas imenso. Distraíram-se e a Belita engravidou. Coisa mais natural e não atípica nos que se amam. Aquele que se dá ao outro, o que recebe o sémen que dizem consagrado, que depois germina como vida premiada, num bonito ou numa bonita, sempre à espera dos ternos e eternos olhares fecundos de carinho que o espreitam antes e depois do brutal contacto com os predadores humanos. Desabrochavam-se no seu amor que já se sentia em maturidade. A responsabilidade que aceitavam do infiel quotidiano da inconstitucionalidade. Abel muito romântico, cheio de responsabilidade mas amargurado obriga-se a um lamento:
- Querida… acho melhor desfazeres a gravidez.
- Sim… também já pensei nisso meu amor!
- Sabes… alguns remédios que vendem por aí na candonga… acho que são eficientes.
- Já tomo alguns… com a ajuda das minhas amigas… tudo correrá bem. Assim o espero!..
- Concordo imenso contigo. Estudamos, e neste momento não temos condições para suportar um ser que nascerá, e para o qual não temos meios de o sustentar, alimentar. Será mais um esfomeado sem apoio da novel constituição da inconsideração. Quem nos apoiará? Decerto serás escorraçada de casa. Para onde? Para algum casebre e depois os martelos demolidores dos estupores destruírem-no?! E eu?! Que estou na casa de um tio?!.. Deixaremos de estudar. Será o nosso fim… se o reino agendasse uma agenda de consenso nacional… um programa de apoio a jovens como nós, isso seria óptimo, como isso não existe, nunca existirá... até um nobre da universidade real quase a destruiu por causa de uma amante. Não concebo que o nosso ensino possa ser como um passatempo tão enganador, tão desalentador.
Abelzinho… compreendo perfeitamente. As tuas preocupações são a eternidade da fortaleza… da certeza do nosso amor. Apesar de retirar a sementeira do meu ventre, que jurei só a ti pertencer, ele continuará sôfrego de liberdade para nele de novo te exercitares. Planta neste jardim das delícias acolhedor, a semente do nosso universo. Verás depois os frutos saborosos e acolhedores que cairão no paraíso das tuas mãos.
E a vida no laboratório da Belita expandia-se, sentia-se como peixe na água, que crescia, remexia, renascia. Preocupada, mas sempre muito romantizada, como se dos seus lábios nascessem torrentes de jasmins, e o seu perfume incinerasse o seu amado num lago de lágrimas de amores-perfeitos. E insistia desfeita no paraíso do seu amor:
- Abelzinho, beneditino, bendito, meu bento amor… não me sinto bem. Acho que estou com paludismo.
- Vou procurar ajuda.
- Não vale a pena. Com esta Constituição ninguém nos ajudará. Somos apenas jovens que se amam algures num reino perdido do Golfo da Guiné. Quem se preocupa com isso, com jovens? Ainda se de nós jorrasse petróleo! Pensa nisso minha ternura, minha essência pura, e tudo se enaltecerá!
- Confio em ti, na tua raiz celestial, matriz deste amor ainda sob o jugo imperial.
Belita sentiu-se navegar num mar confuso que não lhe corria de feição. Como mangais que oprimem, atapetam a margem da alma marítima da natural protecção. A juventude do seu corpo fortalecido, sempre adequado e programado para saltar qualquer obstáculo, em maré de rosas sempre cuidada, regada, e que no esquecimento se seca, sem rega. Mas que depois recebe a água da vida. Então reergue-se e canta a ária do Coro dos Caídos. Não esquece a representação final ao Criador do amor. A flor com e sem dor, sempre feminina, uterina, apta para a fecundação.
Belita sentiu a sua flor jasmim-manga murchar-se. Apesar de muito aromatizada não conseguia resplandecer. Lançou talvez o último pedido de socorro.
- Por favor… leva-me para a maternidade.
Abel não sabia como lhe obedecer. O que fazer do e no tempo, o que pensar. Sentia o sol apagar-se. Mecanizou-se como adivinho talvez ao último desejo da amada nebulosa.
- Está bem… não deixes o jasmim da nossa primavera da vida murchar.
- Não! A tua fumbalelê nunca murchará. Está rejuvenescida… já rejuvenescia a ecologia. Sempre bem desperta… e para ti aberta.
Chegou na maternidade e entregou-se aos cuidados intensivos. Suspirava, procurava a vida que lhe faltava, e do único que a amava. No exterior, Abel aguardava impaciente. Talvez fosse apenas mais um daqueles trejeitos, um daqueles sintomas que normalmente as mulheres sentem durante a gravidez. O tempo passava, e as notícias, ele sentia, eram desconfortáveis. Sentiu uma faísca no cérebro. Como se alguém lhe estivesse a enviar uma mensagem. Que estranho... era a primeira vez que sentia tal no seu pensamento. Parecia um pesadelo. Despertou sobressaltado. Não esperou, correu pelas escadas empurrando, não se importando com quem lhe aparecia à frente. Sabia onde ela estava. Estacionou e perguntou desordenado:
- A Belita…
O semblante da médica augurava que o ser de crer não se amoldava. Sentiu-se deslocar para a época glacial. A geografia física entonteceu-o com os seus fenómenos físicos, biológicos e humanos. A médica conseguiu descartar-se:
- Faleceu!
Infelizmente é apenas com esta palavra que as pessoas de todo o mundo, que trabalham nas áreas de saúde respondem. Habituaram-se demasiado às leis da morte. Como se comprassem qualquer produto num qualquer estabelecimento comercial. Parecem saborear com o maior à vontade um bom petisco na companhia de cadáveres. Como se saborear a morte fosse a sua profissão. Será que já perderam os sentimentos? Apenas sentem as pessoas como qualquer objecto que enquanto funcionais são prestáveis? E quando já não servem, o destino é o caixote do lixo, vulgarmente chamado de cemitério. Triste realidade e fim deste perecer.
Abel evadiu-se, afastou-se da realidade. A querida da sua vida… sem ela?! Será engano? Não! Viu, sentiu que ela se despediu do muro de suporte da vida que ruiu. Já não respirava. Lembrou-se que quando deixamos a dinastia da vela vivencial não respiramos. Sentiu a ténue chama que restava da alma do seu amor, já nos idos sempiternos.
Abel! Sonharam-me que descobriria o Caminho. Que tudo me seria revelado. Lamento! Não consegui. Deixo-te os meus últimos suspiros. Vão para ti. Vejo tudo tão escuro, parece noite. Que luar, neste tão estranho lugar! E contudo tão bonito. Vejo alguém muito longe que se apressa. Levita para mim. Abel! Sinto muito medo! Ah!.. És tu! Não te demores. Vêm meu ardor. Acolhe-te nos meus braços ainda abertos. Ainda desejava viver muito, mas não me deixaram. Com esta Constituição não deixarão ninguém viver. Apenas nos resta o sono do sonho eterno da nossa infelicidade.
Um tremendo fogo interior percorreu-lhe o corpo. A decisão da morte tão cruel para expiar o sentimento de culpa que sentia… a vingança nesta sociedade tão desumana. Uma vingança a este Governo que não os soube acolher. Adquiriu a certeza que assim não adianta mais viver. Mas, não foi ele que cometeu o crime. Infelizmente no reino epidémico é proibido amar. Tudo é proibido. Os nobres têm autorização legal, inquisitorial. Apenas uma coisa não é proibida… a morte. No reino da casa da mãe joana permite-se tudo. Viver para espoliar e abandonar todos ao reino da fome.
Pegou num recipiente. Foi numa bomba de combustível da Sonangol e encheu-o com gasolina. Entrou em casa normalmente para que ninguém suspeitasse das suas intenções. Fechou-se no seu quarto bem trancado. Ensopou o colchão com a gasolina do nosso desenvolvimento, deitou-se e pegou-lhe fogo. As chamas rapidamente tomaram conta do seu corpo. Entretanto um familiar sente cheiro a fumo. Tenta abrir a porta do quarto, não consegue. Gastaram-se quinze minutos para derrubar a fortificação. Levaram-no rápido para o hospital. As queimaduras eram intensas. Dificilmente escaparia. Pouco depois veio o fim do que nos resta. O convite da morte que foi atendido. Contente por roubar mais um jovem, transportou-o para o seu abismo eterno. Os últimos momentos foram uma mensagem de esperança para a sua Belita. A quem amou como poucos o sabem fazer. Ao maior, mais puro e único amor da sua vida.
Belita! Estou prestes a consumir-me nas chamas da gasolina da nossa Sonangol e na escuridão dos seus cofres públicos gelados. Onde guardam as fortunas invisíveis, insensíveis que nos conduzem à morte. O meu, o nosso clamor não será em vão. Alguém escutará, redobrará este apelo! Na noite mais sombria dos tempos voltarei, e juntos encantaremos, espalharemos o perfume humano, a esta desumanidade do nosso Amor. Oh!.. Querida… voltaremos..! Para aniquilar estes tiranos que extinguiram o amor. Vejo para sempre finalmente a tua beleza e o teu amor que me seguem. Vem! Para a nossa morada eterna! Onde não existem noites mas apenas o nosso glorioso Amor. Se fortuna não tivemos nesta Angola a do céu será o nosso tesouro. O teu silêncio será como uma enciclopédia. Ó Glória! Ó Glória! Segue-nos, acampa-nos sempre amor vitorioso, virtuoso. Levo comigo o nosso anel, o símbolo da iniciação dos mistérios do nosso culto, do casamento que inventaram e com a morte nos casaram. Este enlace que jamais alguém apartará.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A “viagem” de Kinguri. Um reino tranquilo nas margens de um rio (FIM)


ANTÓNIO SETAS

Em 1646, dá-se a batalha em que Kabuku ka Ndongo é feito prisioneiro pelo exército da rainha Nzinga algures a leste de Ambaca. A rainha, que também protestava a sua fidelidade às leis do kilombo, poupou-lhe a vida por respeito para com a posição ndonga, cujos representantes ela encarava como sendo seus aliados, mas nunca mais o deixaria voltar para os Portugueses. Entretanto, o povo de Kabuku ka Ndonga escolheu para novo governante o seu cunhado, casado com a sua filha Kwanza, que tinha sido detentor da posição vunga de nomeação, funji a musungo (título que se pode traduzir pouco mais ou menos por “mantimento de exército”), e era um dos chefes guerreiros do bando. Uma vez que ele sabia que o seu antecessor estava vivo, por um lado não podia reivindicar plenos direitos e governou como regente, por outro, o facto de se aliar aos Portugueses para combater a rainha Nzinga dava alguma esperança ao povo de resgatar o seu chefe ainda vivo, mas todas as tentativas falharam e o velho rei acabou por morrer na Matamba, sem nunca lhe ter sido dada a oportunidade de reintegrar os seus. O novo kabuku ka ndonga lutou ao lado dos Portugueses contra os Holandeses, em 1648 contra os chefes ndembu, e em 1648-49 contra Panji a Ndona, o sucessor de mani Kasanze, próximo de Luanda. Ainda antes da sua morte em 1652 ou 53, os Portugueses honraram a sua fidelidade, concedendo-lhe o título de Jaga, e mesmo “o nosso Jaga”.
O seu sucessor, no entanto, depressa abandonou os Portugueses, para se pôr ao lado da rainha Nzinga sob a bandeira do kilombo. Os Portugueses, numa expedição militar em 1655, capturaram o chefe, a esposa (ainda com o nome de Kwanza) e os todos os dignitários do kilombo. De pronto enviaram-no como escravo para o Brasil assim como todos os seus homens(assim de resto como tinham feito com Kasanze em 1622), e substituíram-no por um fantoche escolhido por eles.
O novo kabuku ka ndongo, liderado por Ngoleme a Keta, lutou fielmente ao lado dos Portugueses contra vários chefes do Ndongo durante o mandato do governador João Fernandes Vieira (1658-61). Depois disso a dependência dos posteriores detentores do título em relação aos Portugueses foi aumentando, acabaram por abandonar o kilombo e por fim, um dos representantes admitiu no seu reino um par de missionários Carmelitas e aceitou o baptismo cristão na década de 1670.
Pela década de 1680 o kabuku ka ndonga tornou-se “um modelo a seguir” de aliança entre os Portugueses e os autóctones. Nesse caso paradigmático, o rei negro alistava os seus súbditos como mercenários nos exércitos portugueses sempre que os funcionários de Luanda requeriam os seus serviços. Necessariamente, em tais circunstâncias, o valor dos seus títulos decaía, de tal modo que, por exemplo, os kabuku ka ndonga abandonaram completamente a sua posição Mbangala no decorrer do séc XVIII, numa repetição do habitual padrão de mudanças nos títulos, para reflectir novas fontes de legitimação. O título original adquiriu um novo sobrenome, tornando-se Kabuku ka Mbwila (o mais poderoso de todos os chefes ndembu, a norte de Ambaca), conhecido daí em diante por ndembu Kabuku. A mudança indicava que o kabuku transferira a sua obediência para o mais poderoso sistema local de títulos políticos, as vizinhas posições ndembu, da parte sul do Kongo (“casamento dos títulos ndembu com as linhagens kabuku).
A história da posição kota dos Lunda, Kalanda ka Imbe, ou Kalandula, como ficou conhecido, é similar à do kabuku ka ndonga. Segundo a tradição, um detentor do título chamado Kaxita (sem outra identificação) jurou obediência como vassalo dos Portugueses, tornando-se “Jaga” Kalandula, durante a conquista de Lukamba. O kalanda ka imbe teria pois proposto a sua ajuda aos Portugueses, convencendo-os de que ele, como legítimo líder do kilombo, poderia ser mais eficaz que o kulaxingo, numa altura em que este já se sentia em perigo com a presença dos Portugueses em Ambaca. Essa ajuda, significando em contrapartida um apoio dos Portugueses aos detentores do título, talvez tivesse precipitado a fuga do kulaxindo para o interior, assim como explica a sua decisão de se apoderar do kinguri, sem dúvida muito útil na sua longa caminhada para leste, deixando o controlo do kilombo ao kalanda ka imbe e outros, que tinham ganho o apoio dos Portugueses, apoio de que o kulaxindo tentara excluí-los.
Durante a década de 1640 Kalandula combateu de par com Kabuku ka Ndonga ao lado dos Portugueses contra a rainha Nzinga da Matamba, a leste. Grande parte dessa actividade guerreira concentrou-se no controlo de uma rota principal de comércio que vinha da Matamba através do território dos ndembu e chegava até Luanda, onde nessa altura governavam os Holandeses. Apenas uma vez o kalandula abandonou os Portugueses, quando passou para o lado da rainha Nzinga com kabuku ka ndongo em 1653. Como sobredito os Portugueses capturaram kabuku ka ndongo, mas não foram capazes de resgatar kalandula, nem tão-pouco manipular a sucessão ao trono como era o seu hábito. De maneira que tiveram que negociar. Fizeram-no em 1656 por meio de um tratado com a Nzinga, no qual se estipulava que esta renunciava a uma inimizade de 30 anos para com os Portugueses e devolvia o kalandula à vassalagem destes. Os posteriores kalandula, em associação com os kabuku ka ndongo, participaram numerosas vezes nas guerras dos Portugueses.
A localização das terras dos dois chefes Mbangala (o território, conhecido por Kitukila, fazia fronteira com as terras dos ndembu e de Nzinga a norte, e do Ndongo, a sul) na margem norte do Lucala, acima de Ambaca, mantinha-os dependentes do apoio dos Portugueses, uma vez que se encontravam em perpétua ameaça de acometidas por parte dos seus belicosos vizinhos do norte. Os reis do Kongo mataram pelo menos um kalandula, no quadro de uma flagelação geral de chefes fiéis a Portugal. Outro kalandula lutou contra o ndembu Nambo a Ngongo na década de 1660, acompanhou a expedição portuguesa ao Soyo, no Kongo, chefiada por João Soares de Almeida em 1670, e de novo contra o ndembu Mbwila em 1693. Os Portugueses concederam ao kalandula o título de “Ngola a Mbole” ou “Kyambole do rei Português” e forneceram-lhe armas e suprimentos a troco da sua participação em muitas expedições militares ao longo dos séc. XVII e XIX.
Nzinga, governante da Matamba e pretendente ao título de ngola a kiluange, após a derrota do Ndongo, adoptou o rito do kilombo na década de 1620 e considerava-se a si própria Mbangala. Sempre acompanhou muito de perto as peripécias que envolviam os seus “irmãos” Mbangala, mostrando-se normalmente hostil aos que se associavam aos Portugueses. Mas o seu reino desenvolveu-se de forma muito atípica, embora ela tivesse sido capaz de manter uma oposição às actividades portuguesas em Angola muito mais consistente do que a que lhes opunham os bandos de guerreiros Mbangala oriundos das terras de leste. Nzinga foi a única Mbangala do norte que reivindicou uma autoridade política (certos títulos locais da Matamba) derivada do sistema autóctone de títulos dos Tumundongo, por ser a única a possuir fontes locais de legitimidade. Embora elas fossem pouco seguras, permitiram-lhe comandar o seu próprio povo com maior margem de segurança do que os instáveis bandos Mbangala titulares de exóticos títulos Lunda, que nunca ganharam a confiança das linhagens cujo domínio reivindicavam.
A economia do tráfico de escravos também lhe permitiu conservar uma certa autonomia em relação aos Portugueses até 1656, em virtude de a rota passar pelo território dos ndembu e os Holandeses ocuparem Luanda na década de 1640, ao longo da qual ela deteve um monopólio virtual sobre o tráfico de escravos vindos do interior, em detrimento dos kalandula, que antes eram os principais fornecedores dos Portugueses.
No reino de Kassanje, os sucessores do kulaxindo preservaram um certo grau de independência em relação aos Portugueses, através de alianças com o mwa ndonge e alguns títulos Songo de origem Lunda. Só após 1648, quando a renovada hegemonia portuguesa junto ao litoral restabeleceu uma segunda importante rede de tráfico de escravos em Angola, a oficial (quase paralela à ilegal, que passava pelos ndembu), é que o Kassanje começou a controlar o término (e a fonte) do sistema. A grande distância que separava a Matamba de Luanda permitia aos kinguri de Kassanje manter uma política mais ou menos independente. Além do mais, os Tumundongo orientais do Kassanje manifestaram, ao invés dos ocidentais, um certo respeito pelos títulos Lunda, como ficou demonstrado pela proliferação de títulos aparentados entre os Songo. Kassanje também incorporou uma variedade de posições nativas dos Tumundongo, vindas da área do Libolo. Todas estas condições impediram Kassanje, tal como a Matamba, de ser representativo dos Mbangala, embora eles se reclamassem da sua raiz.
Em 1648 os Portuguese expulsam os Holandeses e a supremacia de Nzinga termina aí, dado que os Portugueses reabrem as rotas para o interior e desviam o tráfico de escravos para Kassanje, que, pela sua simples existência, levou a rainha a se reconciliar com os Portugueses em 1656.
Paixão e morte de Nzinga
Entre as várias fontes de informação sobre os acontecimentos imprtantes ocorridos em Angola no tempo da rainha “Jinga”, grande parte provêm de fontes eclesiásticas, nomeadamente da parte do preciosíssimo António Cavazzi, porém, outras nos chegaram por via de relações dadas pelo adido militar holandês Fuller, visto ele ter sido testemunha ocular de muitos desses acontecimentos. Esse homem lutou ao lado de Minga a Mbande durante alguns anos, viveu parte das suas vitórias, mas também alguns dos seus desaires. Partilhou com ela momentos de euforia, quiçá de “folia”, mas também conheceu momentos de grande desilusão.
Segundo consta, esse lado desolador de Nzinga foi-se acentuando à medida que ela se apercebia que Holandeses e Portugueses era tudo “igual ao litro”, passe a expressão, uns “couve branca” e os outros “branca couve”, ambos exímios manipuladores, facilmente dando o dito por não dito e pródigos, isso sim, em promessas miríficas nunca cumpridas. É igualmente por intermédio de Fuller que chegaram aos dias de hoje testemunhos da «adoração que o povo angolano tinha por essa extraordinária mulher, chegando muitos dos seus súbditos a se vergarem para beijar o chão quando ela se aproximava (…) Para o capitão Fuller, ela era tão generosamente valente que nunca feriu um português depois de este se render, e tratava os seus soldados e escravos como iguais».
Mas a passagem do tempo é impiedosa, e com ela, Nzinga foi lentamente levada a fazer o seu acto de contrição. Com a progressiva perda de energia, de saúde e de confiança nos seus aliados europeus, as suas convicções foram sendo postas uma a uma, exaustivamente, nas gavetas secretas da sua alma. E esta, ontem virada para a terra dos seus antepassados, para a defesa das suas seculares tradições, elevou-se pelo menos na sua vivência do dia-a-dia, para a palavra de Cristo, e Nzinga, já velha, triste e profundamente ferida pela felonia de tudo e todos os que a rodeavam, assim, talvez, como por causa das suas próprias incoerências, acabou por estabelecer um último acordo de paz com os Portugueses.
Esse acordo aconteceu depois da saída compulsiva dos Holandeses de Luanda, em Outubro de 1656. Por essa ocasião, cento e trinta escravos foram trocados pela princesa Bárbara (nome de uma das irmãs depois de baptizada) e deu-se então início a um tempo de tréguas que pronunciavam grandes mudanças na atitude de Nzinga. Esta, aceitou os préstimos da asa protectora e muito influente de António Cavazzi, seu confessor, e dos seus seguidores religiosos “Capuchinhos”, que, a partir de 1657 se aproximaram dela e convenceram-na a voltar à fé cristã e a vestir-se de mulher.
Quem irá ter um papel importante nesta conversão, como já anunciado entrelinhas, será o frei João António Cavazzi de Montecuccolo, conhecido simplesmente por Cavazzí. Com ele a rainha vai trocar cartas importantes. Os frades capuchinhos vão tomar a responsabilidade de edificar uma igreja paga não pela rainha Jinga, mas pela arrependida Anna de Sousa. A igreja de Santa Maria da Matamba é benzida em Agosto de 1663 por Cavazzi.
Aos 75 anos, o “rei”/ rainha Jinga deu por terminado o seu reinado. Os seus últimos oito anos de vida serão os de uma pacífica e devota católica que assegurou a continuidade do reino ao aconselhar o casamento da irmã Bárbara com um general do seu exército. A sua longevidade foi extraordinária para a época. Morreu aos 83 anos, a l7de Dezembro de 1663, na presença de Cavazzi. Mas a memória dos seus feitos e a extrema dignidade do seu porte permanecem como uma referência para todos os angolanos. E para o mundo.
Sublinhe-se que, ao contrário de muitas outras histórias de rainhas africanas, Jinga não foi uma figura lendária. Existiu em carne e osso, há documentos mais que suficientes que o comprovam, entre os quais se contam cartas suas, o que para a época era raríssimo numa mulher africana. Nzinga a Mbande, de facto, tinha sido educada por frades italianos e aprendera a ler e escrever.

Imagem: ocandomble.wordpress.com

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Angola e o soberano do eterno retorno


Com um soberano assim na proa da nação angolana a ludibriar as nossas vidas, não é possível qualquer coexistência política pacífica com outros partidos. Se o soberano é dono absoluto de tudo é evidente que não há lugar a oposição… é impossível qualquer que ela seja, e então?! É transparente que primeiro há que arrumar, silenciar o partido maioritário contrário. A UNITA não escapará à perseguição da soberana intolerância.

Gil Gonçalves
http://patriciaguinevere.blogspot.com/

Serão belicamente entrincheirados em Babaorum sem poção mágica. E caçados por grupos especiais de mabecos. A prioridade dos da UNITA é abandonarem Angola para protegerem as suas vidas. E todos os da restante oposição. O martírio actual de Cabinda ilustra bem a repressão desencadeada, descontrolada. Nós já sabemos muito bem como estas coisas são. Está mais que claro que existe um plano dantesco para implantar em Angola um gigantesco campo de concentração. Para espoliar e pilhar à vontade.
Golpe de estado. E depois de um regresso vertiginoso a 11 de Novembro de 1975 com o golpe de estado constitucional agora encetado, Angola desanda outra vez sem saber para onde. Quantas mais FLECs nascerão reivindicando independência? Angola aposta outra vez no marxismo-leninismo ortodoxo. A democracia extingue-se. O triunfo da grande bandalheira faz sorrir de contentamento as garras dos rapinadores. Será que ainda restam alguns genuínos democratas? Veremos.
E depois da GRIPE C, qual é o massacre que se segue?!
Chefe eterno! Do alto do seu Plano C milhões de espoliados vos contemplam, actualizaria Napoleão Bonaparte. Sino a rebate à GRIPE C, eis que François Duvalier está esplendidamente de acordo. O ataque da FLEC em Cabinda serve de pretexto para prender todos os terroristas angolanos e qualquer um só porque não vamos com a cara dele, dir-se-á. O feitiço de Cabinda alastra-se, confunde-se com a explosão do vulcão da ilha de Krakatoa em 1983. Esperemos bem que não, mas pelas vistas é, sim. Um caudal de lava efervescente reinaugurará Angola. O mais importante é fabricar tragédias. E infelizmente os argumentos oposicionistas não convencem. Têm medo de virem para as ruas manifestarem-se. Oposição tem que vir para a rua, não é?! Onde já se viu manifestações assim… só mesmo em Angola. Se forem proibidas e os opositores perseguidos – mas que grande descoberta – resta-lhes a luta clandestina. Mas as chefias oposicionistas têm bons empregos e decerto não os quererão perder com receio de ficarem na oposição desempregada. À oposição falta-lhe oratória. Do tom das vozes saem-lhes lamentos, murmúrios titubeantes, gaguez e indecisão. Para convencerem terão que ser pelo menos como os dois angolanos Agostinho Neto e Jonas Savimbi. Têm que aprender a arrastarem multidões, senão nada feito. E depois da serventia do futebol, os estádios reverterão a favor dos armazéns dos “estrangeiros” habituais que lhes darão o destino mais conveniente: a degradação da facturação. O futuro é facturar e a fome anunciar. E com o reforço do nosso movimento nacional espontâneo erguer-se-á uma pátria de jogadores de futebol. Outra Esparta sem espadas mas com balas. E todos jogaremos ao deus-dará, a qualquer outra coisa. E o panorama da Carta Magna, do magma vulcânico alterou-se. Muito patrioticamente é agora a Constituição dos Estádios. E esta independência trouxe-nos mutantes. A mutação em feras que se devoram umas às outras. E este poder corrompeu de tal modo as mentes que a nação Angola sumiu-se como as reservas do Tesouro. Uma pátria de corpos sem cabeças. Angola sofre um ataque de terrorismo biológico por uma célula de terroristas que desenvolveu e lançou no mercado populacional uma variante da Gripe A. Desenvolveu a arma biológica nos laboratórios secretos marxistas-leninistas, uma virose extremamente contagiosa, a GRIPE C. Esta epidemia não foi declarada à OMS. Há o perigo eminente de espalhar-se pelo mundo afora, de virar pandemia. Curioso é que até agora a comunidade internacional não condenou este acto terrorista. Custa a acreditar, não é possível este golpe fatal na democracia agora outra vez recusada, ENJAULADA!!! Para voltar a por a coisa no lugar que lhe compete, a oposição tem que resguardar-se e lutar. Mas não é fazer luta com flores nas mãos. Vão recomeçar as prisões em força porque é fácil de constatar que a GRIPE C veio para arrasar toda e qualquer manifestação de liberdade. As nossas vidas e a nossa liberdade de expressão extinguem-se nesta inquisição política. É o regresso vertiginoso às trevas da ditadura. Para tudo ficar completo só falta ao regime embarcar no fabrico da bomba atómica. Com o terrorismo biológico da GRIPE C os acontecimentos sucedem-se descontrolados. É outra cortina de ferro. Nota-se calmamente que os planos da GRIPE C são uma terrível orquestração entre o capital da selvajaria internacional e local da FAMÍLIA para a pilhagem total de Angola. As populações serão espoliadas com tal à vontade que até Hitler decerto se arrepiará no Além. Agora os discursos, as palavras de contenção perderão o seu valor. Tudo foi lançado no esgoto democrático desta irradiante governação. Tudo isto parece um sonho inacreditável mas é real, está mesmo aqui, sente-se, existe. É verdade… quem concebe uma gripe assim, também é capaz de outra situação bem atroz. É que a GRIPE C para vingar terá que eliminar todo e qualquer opositor político. A nossa vivência diária será à nazi, à Estaline. É esta Angola que se afoga, se extingue nas chamas de mais uma feroz ditadura. Daí a aposta sistemática no analfabetismo das populações, com o controlo dos meios de informação e apoio camuflado da tal Igreja sórdida que se mantêm filosoficamente silenciosa com os promotores do analfabetismo para edificarem a ditadura. Com analfabetos é uma rudimentar governação. Nesta total ilegalidade a impunidade legaliza-se. Não existiremos como pessoas mas como animais selvagens. Seremos caçados como ratos. E para os esgotos não poderemos refugiar-nos porque as forças secretas lá nos esperam para nos eliminarem. Finalmente sem futuro, afogados nos lençóis petrolíferos da Angola cadavérica. Por exemplo os fiscais do GPL, Governo da Província de Luanda já estão com o plano da GRIPE C em acção: a espoliação selectiva de bens das esfomeadas e esfomeados para uso pessoal. Eis os campos da morte de Luanda. E onde está a condenação internacional? Em cada esquina um ditador. Agora é que se reparte bem o bolo petrolífero sem problemas, sem oposição. A banda vai dar carta branca à outra escumalha estrangeira de nenhuma espécie para utilizar o chicote da servidão. E não haverá problemas. Na Argélia também diziam isso. A China então sente-se felicíssima perante o sorriso da hipocrisia Ocidental. É o partido único do camarada presidente, mais o centralismo democrático e a ditadura do proletariado. Agora o funcionário da Presidência da República, o militante, o funcionário do partido, ou de qualquer outro órgão do único partido podem denunciar, ou prender qualquer um que lhe incomode, ou lhe apeteça e até usurpar-lhe os bens?!.. Em suma: pode roubar e expropriar como bem entender. É tudo deles e só para eles. Sem lei e desordem, perante o caos que se avizinha, não haverá garantias para investimentos estrangeiros, a não ser os dos massacres da COTONANG. Os grandes beneficiários com tal Tesouro são os chineses nas suas relações de partidos-estados. E isso da não intromissão nas políticas de outros países por parte da China é pura bazófia, uma descarada mentira. Porque a China intervêm e põe a ferro e fogo sanguinolentos o Sudão. Nas calmas os chineses querem colonizar a África Negra e imporem a fabricação das suas clonagens de má qualidade produzidas. Se já estávamos entregues ao deus-dará como será agora? Bom, sem errar, em Angola é fácil porque a população está tão hipnotizada, adormecida, tão burra, tão idiota, tão boçal, sem informação… que é muito fácil a qualquer um dominá-la. Estar como um rebanho de carneiros ou de porcos. Aliás vivem como tal, por exemplo: no que resta dos prédios usurpados aos brancos, basta entrar num apartamento e verifica-se que a qualquer momento ele pode desabar. Estão em ruínas por falta de manutenção e de inquilinos selvagens que nunca deveriam viver num prédio. Pessoas oriundas dos matos vão viver em prédios?! É o poder popular ainda em voga?! Mas, até universitários e similares destroem os apartamentos por ignorância primária. O que é que vamos fazer com tantos idiotas? Nada! É aguardar pela autodestruição total. A função deles é destruir. Perante tanta idiotice é muito fácil José Eduardo dos Santos manobrar e comandar este bando de energúmenos, de otários. Angola não tem futuro com tal estatuto populacional. É confrangedor verificar por falta de ensino os jovens formarem-se no cúmulo da estupidez, na ignorância absoluta. A igreja sub-repticiamente apoia e colhe lucros do partido-estado. Não existe juventude em Angola, existe sim um bando de nados-mortos. O mau pastor leva as suas ovelhas para o precipício. Angola e a África Negra são um conflito permanente.
Afundamo-nos! No fundo, muito no profundo, a questão fundamental é que como seres humanos ainda somos muito primitivos. Na verdade ainda há pouco tempo deixámos de assomar nas cavernas. Temos muito caminho para palmilhar, para aprendermos a sermos civilizados. Ainda estamos muito longe disso. Ainda não saímos da barbárie que alguém chamou de civilização. Ainda não sabemos o que é a sã convivência. Por enquanto limitamo-nos a destruir o outro. E que não aconteça o esperado suicídio colectivo.
«As empresas estrangeiras associadas ao Grupo Gema, reveladas neste texto, nomeadamente a SABMiller/ Coca-Cola, a Edifer, a General Motors, a Petrobrás, Sinopec, Escom, Camargo Corrêa e Brasseries Internationales Holding Limited (Group Castel), incorrem na prática permanente de tráfico de influência, de corrupção activa, junto de uma entidade pública angolana. A Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, incorporada no direito angolano, através da resolução 20/06 de 23 de Junho, define e estabelece, Artigo 18 (a)(b) o tráfico de influência como um acto de corrupção.»
In Rafael Marques de Morais Fonte: www.makaangola.com
Que maravilhas! Aqui, em Luanda, por toda a Angola acontecem coisas de aterrorizar, de pôr os cabelos em pé. E porquê?! Porque quase toda a gente invoca, faz ressurgir, despertar as trevas há muito adormecidas. É de arrepiar. Quem duvidar que venha até cá e veja, se maravilhe também com os afundamentos que restam da Igreja de Angola. Particularmente a Igreja de Angola está com um nível tão baixo, baixíssimo, que nos confunde: é a Igreja de Cristo ou do Demónio? Ó pobres leigos! Com que então Jesus Cristo é o seleccionador dos Palancas? Mas que palancada é esta? Isto não é religião, é demência! No desespero da religião… vale tudo! Para quando a segunda vinda de Voltaire!?
Nós só queremos festas. Venham estrangeiros outra vez nos colonizarem, se em troca nos derem espaços para nos festejarmos. Vivemos num eterno festejar, porque nada mais há para alcançar. Vivam, venham pois novos colonizadores e tragam-nos muitas festas. Ficaremos muito felizes. E depois dos estádios de futebol que virá a seguir? Mais estádio, claro.

Imagem: imprensamarginal.blogspot.com

A “viagem” de Kinguri. Um reino tranquilo nas margens de um rio (22)


ANTÓNIO SETAS

ADENDA

Nzinga a Mbande

No exemplar único do primeiro jornal que saiu em Portugal, mais precisamente em Braga, no ano de 1627, Relação Universal, de Manuel Severim de Faria, versa um assunto referente à morte de “ELRey de Angola”:
“Por morte de ELRey de Angola sucedeo huma irmaã sua chamada D. Anna, que pretende que lhe mandem Padres da Companhia pera conversão daquelle Reyno, onde se espera que se abra huma grande porta pera a promulgação do Evangelho.(Fls. 212-213)”.
De facto a morte do denominado “ELRey de Angola”, titular da posição mbande a ngola, deu azo a que subisse ao trono do reino do Ndongo uma parente sua, que não tinha sido prevista para tal, mas que, em virtude de algumas manobras bem sucedidas conseguira situar-se no xadrez político do Ndongo de maneira a poder atingir esse objectivo. Quem seria?...

O nome

O nome Nzinga a Mbande aponta para uma inequívoca ascendência Tumundongo, mas não assim tão linear quanto possa parecer. Do seu nome Nzinga constam antepassados que teriam interferido na tomada de poder de um ngola usurpador, da dinastia de nzinga ngola a kilombo kya kasende, «que deixou uma lenda terrível de déspota, com «uma insaciável sede de sangue humana (Cavazzi, I)».
De facto, durante as décadas 70, 80 e 90 do séc. XVI, o poder no Ndongo (Angola) parece ter passado para outros grupos de filiação que controlavam um outro título político.
«O intruso chamava-se “Jinga (Nzinga) a Ngola a Kilombo kya Kasende, originário de linhagens Pende (Miller, 1976)».

Da nascença às origens da realeza
Morreu o rei (talvez em princípios de 1617) e sucedeu-lhe de forma violenta o seu filho, Ngola a Mbande, que, sem reflectir, quis fazer guerra aos invasores. Levado pelo seu instinto de conquistador, invadiu os terrenos sob controlo dos Portugueses e pela mesma ocasião decidiu desembaraçar-se de todos os que lhe poderiam cobiçar o trono. Para esse efeito matou o seu irmão, ainda criança, mas que era o único herdeiro legítimo do reino por ser o único que não era filho de escrava, matou o sobrinho, filho de Nzinga a Mbande, e, “com estranha impiedade, mediante água fervente ou ferros em brasa, como dizem outros, tirou às três irmãs a esperança de conceberem mais filhos (...). Nzinga a Mbande jurou então que nunca mais perdoaria ao seu irmão nem a quantos tomassem o seu partido. E foi a partir dessa altura que ela começou a votar um ódio visceral a todas as crianças de sexo masculino, pela lembrança de que o seu único filho fora tão cruelmente suprimido.
Evidentemente que o projecto de rechaçar os Portugueses era irrealista e depressa ocorreu a debandada do rei Tumundongo e de todas as suas tropas, perante um adversário muito mais bem armado e organizado, para além de dispor da ajuda de bandos de Mbangala. Num desses confrontos ficou mesmo presa a sua mulher principal (mais tarde, em 1629, seriam presas Cambo e Funji).

Nzinga a Mbande num momento de lazer

Ao longo de toda a sua vida, Nzinga sempre procurou protagonismo. Desde a infância que a sua preocupação constante foi sair da morosa rotina da corte real e variadíssimas vezes foi o que ela fez. Fê-lo em criança, num constante alarde de vivacidade física e mental, mostrando já a sua inteligência, fê-lo na adolescência em experiências sexuais “exóticas” que não constam em nenhum registo, mas foram propagadas pela tradição oral, fê-lo na idade adulta, ao tomar o poder, depois de ter saboreado o seus irresistíveis encantos, quando, na qualidade de embaixadora plenipotenciária do rei do Ndongo foi conduzida a Luanda em tipóia, à frente de uma elevada comitiva, fê-lo diante do governador português, atónito e quase incrédulo, perante o que se passava diante dos seus olhos, ao ver a embaixadora sentada no dorso de uma escrava a debitar argumentos que ele não sabia contrariar. Por isso Nzinga ficou na história como personagem ímpar.
Depois do baptismo de Nzinga a Mbande, havendo por parte do governador Corrêa de Souza alguma relutância em combater essa mulher, que, para todos os efeitos era cristã, e não obstante ele ter preferido cumprir a sua palavra, as pressões de Lisboa para se aumentar o mercado de escravos para o Brasil eram tão fortes que o governador não se sentiu apto a agir segundo a sua consciência. E atacou-a.
Mas, em Agosto de 1623 muda mais uma vez o governador, tendo assumido esse cargo o bispo Frei Simão Mascarenhas (João Corrêa de Souza, de 12 de Outubro de 1621 a Maio de1623, Pedro de Souza Coelho, de 2 de Maio de 1623 a Agosto do mesmo ano, e D. Fr. Simão Mascarenhas, de 10 de Agosto 1623 a 1624) , o que incitou a fresquíssima cidadã lusa dona Anna de Souza, aliás Nzinga a Mbande a insistir junto desse dignitário para que Portugal cumpra as suas promessas e devolva os homens do seu reino que tinham sido levados por traficantes de escravos. Ora, o tráfico de escravos era um grande negócio na altura e Portugal não estava interessado em abandonar essa fonte de rendimento. A Coroa portuguesa fez arrastar as negociações, fez que fazia e deixou de fazer, até que a certa altura, convencido de que com essa “Dona Jinga” não havia margem para dar confiança, decidiu aplicar a divisa, “para grandes males grandes remédios”, e, em 1625, o então governador Fernão de Souza (de 22 de Junho 1624 a 1630) decidiu acabar com a supremacia crescente de Anna de Sousa. Para isso, mandou pela força das armas colocar no trono do reino do Ndongo (sediado na região das Pedras de Mpungo Andongo) um parente de Nzinga, Ari Kilwanji,, que de facto não passava de um rei-fantoche, pronto a fazer o que os portugueses lhe ordenassem. O homem deixou-se baptizar, adoptou o nome cristão de Filipe, nome do rei de Espanha que então governava o reino lusitano, e comprometeu-se a prestar vassalagem ao colonizador, fornecendo 100 escravos por ano à Fazenda Real. Bento Banha Cardoso, capitão- mor do governador, foi encarregado de executar essa missão. Reinava então o espanhol Filipe III.
Com o evoluir dos acontecimentos claramente hostis à sua pessoa, Anna de Souza acabou por decidir “mudar de casaca e vestir a dela, obedecendo ao que a sua natureza lhe pedia. Renegou o baptismo e assumiu-se como Rainha Jinga., o que não incomodou sobremaneira os Portugueses, Estes, arvorando um “não-te-rales” arrogante, entenderam que seria fácil domesticar esta mulher, considerada como uma espécie de fenómeno folclórico profusamente exótico. Dizer que para ser respeitada se vestia de homem, com as habituais peles de animais, usava machado à cintura e manejava sem dificuldade o arco e a flecha, dá uma ideia da sua entrega ao exercício do poder, embora esse porte fosse catalogado de pueril pelos Portugueses. Além disso, o que já não é pouco, ela exigia ser considerada rei e não rainha, mantendo mesmo, à maneira de rei, o seu harém, composto, desculpem o pouco, de mais de cinquenta jovens que eram para todos os efeitos as “suas mulheres”, numa demonstração de vitalidade sexual que qualquer rei homem não poderia desdenhar. Algo que não lembraria ao Diabo, nem tão-pouco às mais belicosas feministas do século XX e XXI.

Depois da campanha vitoriosa de 1617-18 os Portugueses tinham definitivamente ocupado o território da margem direita (norte) do Kwanza, estendendo-se para leste até ao posto de Ambaca, e, muito mais tarde, por volta de 1671, até Pungo Andongo, depois da vitória final sobre o ngola a kiluange. Estas terras eram rodeadas, depois da partida do kulaxindo para o interior, por um anel de novos Estados Tumundongo fundados em meados do séc. XVII por titulares Lunda (makota) que chefiavam os bandos de Mbangala e tinham ficado em Angola. Os Portugueses empregavam estes Mbangala liderados pelos makota Lunda como mercenários de guerra e tratavam-nos tão generosamente quanto lhes era possível Este acordo predominou entre o Lucala, o Kwanza e o Kwango desde a década de 1620 até 1850. Entre os mais famosos que estiveram ao serviço dos Portugueses destacou-se o Nabuko ka Ndonga

Por volta de 1640, o reino da Matamba, centrado no rio Wamba, tinha-se tornado um dos mais poderosos Estados orientais dos Tumundongo, sob a chefia da rainha Nzinga, que lutava para restabelecer ali o título ngola a kiluange, após os Portugueses terem colocado fantoches no lugar dos reis originais do Ndongo. Entre 1641 e 1648 ela pôs-se ao lado dos Holandeses, enquanto Kabuku ka Ndonga continuava a lutar ao lado dos Portugueses.

Imagem: flickr.com

A electricidade na versão angolana


Os preços mais que duplicam, multiplicam-se. Nas ruas vendem-se víveres expirados e das lixeiras recuperados.
Uma escravidão atrai outra escravidão. Esta economia depende em absoluto deste sistema político. É como um exército que depende do seu general. Se ele for bom estratega, há desempenho, vitórias.

Gil Gonçalves
http://patriciaguinevere.blogspot.com/

Hitler chegou onde chegou porque tinha bons generais. Pelo contrário, Mussolini estagnou porque tinha maus generais. Em suma: a economia depende do chefe. Se ele não funciona, a economia arrasta-se, afunda-se.
Campo de concentração. «Local cercado para onde pessoas são levadas contra a sua vontade, por ordem de governos, comandos militares etc., em período de guerra ou não, sob o pretexto de serem indivíduos nocivos à sociedade, inimigos em potencial, ou qualquer outro motivo que sirva para justificar a supressão da sua liberdade.» in Dicionário electrónico Houaiss da língua portuguesa 3.0.
Em Angola, (ainda existe?) e especialmente em Luanda, já se perdeu a conta dos deportados. Quem está no comando supremo das operações destes campos de concentração, são corsários e flibusteiros portugueses, brasileiros e chineses chefiados por angolanos.
E o Puto continua com as exportações em larga escala para a ainda colónia de Angola
Há sempre homens diabólicos, na convenção de que são os fiéis depositários dos nossos destinos. E depois tomam-se de fartos poderes e estarrecem-nos na flagelação das nossas vidas. E governam-nos tão miseravelmente que até a água das nossas soberanas vidas vilipendiam. São os zeros do nosso futuro, da água saída das torneiras sem vida, de vez em quando. E a energia eléctrica que fatalmente colapsou. Quando um governo não consegue abastecer regularmente as populações de água e luz, e aleivosamente assim nos entristece, não nos governa, atrofia-nos, desfaz os nossos esqueletos. Um governo assim não vai mais subsistir. Deve alternar a quem queira trabalhar, e saiba governar, orientar. Este poder remonta a 1975, ainda pelo poder popular marxista-leninista que está sempre na moda. Já renascem as célebres brigadas, como a BDA, Brigada da Destruição da Água, e a BDE, Brigada da Destruição da Electricidade: instalaram-se, legalizaram-se em comités da especialidade dos curto-circuitos e incêndios habitacionais. Com um apetite voraz para destruir tudo o que sejam fusíveis e cabos eléctricos. Basta uma fase ausentar-se e de imediato ouvem-se portas abrirem-se com estrépito. É a entrada da BDE em acção. Se existe outra fase ainda em funcionamento, é só encostar o fio… e já está. Então, o condutor aquece até ao rubro. Vem as habituais explosões e os incêndios, o queimar de fusíveis nos andares e nas portinholas das entradas dos prédios.
Mas estes genuínos talibãs luandenses insistem na ferocidade tenazmente destrutiva. Afinal, aquele da BDE milagrosamente salvou-se da electrocussão, e ainda resta uma fase. Então todos em uníssono mexem e remexem… e prontos, já há outra vez luz. É preciso militar no cúmulo da idiotice para reconhecer que com tantos e colossais aparelhos de ar-condicionado a coisa não durará muito tempo. Especialmente à noite com lâmpadas e televisões ligadas, todos os ares-condicionados também, a única fase livre não suporta tanto consumo. E lá se foi outra vez, faltou a luz. Como o fusível, os fusíveis, estão super reforçados, ardem e não são mais prestáveis. Servem unicamente para o lixo. O suporte dos fusíveis da portinhola também se desintegra e o cabo da rua também. Bem lá no fundo enquadra-se perfeitamente… é um acto de puro terrorismo urbano, mas como o poder popular é a lei, assim fica tudo normalizado, continuado, devastado, queimado. É impossível viver com tais imposições. Custa a acreditar que no ano 2010 existam coisas destas. Um povo que navega no navio da destruição, na nau do Inferno, que é sem sombra de dúvidas o seu destino final. Já não se sabe para que serve a energia eléctrica. Serve de divertimento para os jovens da BDE. E quando, quando não, habitualmente, a luz falta, ouve-se o gerador de um banco arrancar, o de um general, dos indianos, dos portugueses, e demais tralha, e o dos angolanos – à salve-se quem puder – vê-se logo que é do mwangole pelo barulho, e pela gritaria das crianças: «é luzi!!! É luzi!!!» depois de tudo bem poluído por tantos geradores ligados, só se houve o aterrador barulho do gerador do mwangole. Sim! Onde houver barulheira insuportável, lixo e esgoto ao ar livre, está lá um angolano, quem mais poderá ser?! Angolano, o campeão da destruição da cidade. Os desgovernados pelos biliões dos desfalques bancários desde o retorno à outra Idade Média de 1975. À bancarrota total e ainda incompleta. Faltam aqueles que ainda não conseguiram roubar a sua parte. Estes que desviaram muitos milhões são perseguidos, porque já não pertencem à FAMÍLIA. São os eleitores da luta de libertação, legalizaram-se para desviarem e espoliarem os filhos da terra sem ela. Depois de tudo serenar, continuará o mesmo poder na mesma FAMÍLIA. Os desvios retomarão legalizados, porque familiarizados.
A estrutura do poder popular está como que intacta, tal e qual como em 1975. Está assim mais marxista-leninista, porque as mesmas teias de aranha não largam o poder.
Andaram, e continuam com a especulação imobiliária. A energia eléctrica… que deus resolva com a ajuda de tantas igrejas, esta já é uma especulação religiosa. Não será muito difícil orar a Deus. Então, Ele contemplar-nos-á com o milagre da luz. Oremos pois irmãos, e faça-se conforme a Sua Vontade. No fundo este reino é de Deus, e só a ele pertence. Por isso e sem mais sombra de dúvidas, os nossos governantes reinam porque são eleitos por Ele, e só a Ele prestam contas. Como Ele é etéreo e não entende nada de contabilidade, tal como tudo o mais, são coisas terrenas dos terráqueos. Talvez construindo uma igreja em cada esquina, quem sabe?! Este reino não é nosso, é só deles e para eles. E na euforia de 1975, juravam muito convictos: «nós corremos com os brancos, com os colonos, porque não precisamos deles para nada. O que eles fizeram… mas eles não fizeram nada. Fomos nós – nós também somos capazes, e até melhor do que eles.» Confrange observar no contínuo que a vivência diária ainda se faz nas ruínas das construções portuguesas. Afinal, mas que gente mais balofa, estonteada que nada consegue edificar, a não ser palavreado infestado. Apenas espalham casas-casebres por aqui e por ali, para que depois orgulhosamente sejam ceifadas pelas máquinas debulhadoras da eleita governação da nova Constituição, a cem por cento de votos. É o povo eleito da epopeia das casas-casebres. É o povo que formaram desordenado, medroso, supersticioso, que não é capaz de se organizar – nem nenhuma ONG, ou partido político da oposição o consegue – para exigir os reparos a que tem direito da água, da luz, do petróleo e diamantes. Convém ressaltar que sem energia eléctrica não há circulação de água nas tubulações. E é importante sempre lembrar que sem energia eléctrica… era uma vez a economia. Ou então ficarmos a adorar este poder que se quer eterno como os deuses no Olimpo, e que de vez em quando algum se disfarça de terreno, embrenha-se entre nós, e goza-nos com a demonstração dos seus poderes. Governar pela imposição da miséria e da fome, e com que os rendimentos de Angola caiam sempre na mesma FAMÍLIA, é inaceitável e passível de apresentação de contas à Nação. O que até agora não aconteceu, e quando acontecerá?! Como é edificante a condução do poder que nos inebria, para as cavernas dos martelos de pedra. Os níveis de baixeza são tais que comparados por exemplo com os campos de concentração nazis, deixam muito a desejar. Um exemplo: nos campos de concentração da suástica existiam energia eléctrica e água sem cortes, que horripilante não é?!
E em cada canto, esquina, em todas as ruas vêem-se os miseráveis andantes com qualquer coisa nas montras das mãos silenciosas, esperando ansiosos por comprador. Mas o Politburo já lhes cortou todas as esperanças de vida. O Politburo já comprou e vendeu tudo. Nada mais existe para comprar e vender. A não ser as nossas almas… que o Politburo também vende. O Politburo é bom vendedor, consegue vender tudo.
Enquanto os palácios estrelam torres e condomínios cintilantes., magnificentes com a exclusão social e espoliação dos subservientes, nem se sabe qual é a cor que o poder ostenta. Mas a dos escravos sabe-se muito bem: é a cor da fome, a mais utilizada pelos pintores que servem os poderes dos esfomeados. É absolutamente mentira e de insanidade comprovada que a Terra é extraordinariamente multicolorida. É pura mentira. Na Terra só uma cor é visível. A negra, porque é a cor da fome e do apocalipse. Também é imperioso perguntar: para que servem uma infinidade de milhões de dólares nas mãos de uma só pessoa e dos quais não consegue justificar a sua proveniência? Enquanto os espoliados perecem na mais atroz tortura diária? Qualquer médico consultado decerto diagnosticará que se tratam de patologias, de indivíduos que se acham muito inteligentes, desbravadores, cultivadores dos projectos das velhas, eternas vidas. De novas vidas abortadas, nunca concebidas. Sempre com as mesmas pessoas, com o mesmo poder e sempre nele. Pouco falta para cinquenta anos sempre no absurdo das mesmas palavras. Sempre com as mesmas promessas de que a vida vai melhorar. E sempre ao invés tudo para piorar. Que conclusão se pode tirar disto? É simplesmente a continuação dos mestres ditadores da História. Como deve ser óptimo para estes deuses da africana tirania o sentimento da observação de milhões de negros e negras perdidos no pântano da independência, no júbilo da mais atroz podridão humana. Assim não é poder, é apodrecer na governação. Não é necessário um observador paciente para verificar que nos caixotes do lixo surgem agora figuras humanas não habituais. E não se desculpem nos meios de informação que lhes são servis: «que são malucos os que comem lixo.» Não, não são! Muito pelo contrário! Nota-se que são de outras géneses sociais: desterrados das casas-casebres, excluídos por abandono de trabalho. Chineses, portugueses, brasileiros e de muitas outras nacionalidades não são. Mas são com certeza angolanos que procuram a independência prometida, mas perdida, procurada e não encontrada nos caixotes do lixo desta nomenclatura. Significa que governar é amontoar, encher contentores do lixo. É a independência das transferências bancárias fraudulentas há imensos anos normalizadas, legalizadas e só agora em 2010 descobertas, desvendadas. Como se algo de novo se tratasse. Sempre foi assim, e com este atavio sempre assim brilhará. De modos que nada há de novo nesta frente da corrupção. Podem-lhe chamar Nova Constituição, III República, que em nada alterará o nome da miséria. Podem sim chamá-la de: Constituição da imposição da mais do que nunca abundante miséria. Mas será que esta tralha permanecerá sempre assim? Sim, permanecerá! E cada vez mais piorará, até que mais ninguém lhe sobreviverá.

Imagem: masquemario.net

domingo, 30 de janeiro de 2011

A Nova Constituição é uma espécie de espoliação generalizada


Prédio da 4ª Conservatória na Avenida do Brasil em frente ao Hotel Relaxe. Espoliaram-lhe o pátio e arrancaram às pressas com uma obra do Estado. No mais puro retorno ao retrógrado colonialismo. Sem nenhuma licença de construção mas, não é por acaso que se culminou o advento da III República e da Constituição C, os garantes desta ferocíssima endocolonização.
Eu roubo-te, tu roubas-me, ele rouba-nos. Isto é que é viver?!

Gil Gonçalves
http://patriciaguinevere.blogspot.com/

«E as universidades em Angola, nem nas cem melhores de África se encontram» é a prova da miséria intelectual da actual e futura angolanidade. E a população de tanto espoliada aguarda ansiosa a vinda de Deus para que se faça justiça. O MPLA está a criar uma classe de animais tão selvagens que muito dificilmente se livrará deles. «A vida é um dom, vai por altos e baixos» Aqui em Luanda só vai por baixos e muitos baixios.
E a luz e a água?! Isso era no tempo dos brancos, e eles já cá não estão. A falsa governação e os seus apoiantes, ferrenhos defensores da democracia parte casebres e gatunagem de pátios lembram-nos os saudosos tempos do Poder Popular. Não nos esqueçamos também das companhias petrolíferas e suas subsidiárias que devem ser investigadas por atentados ao meio ambiente. Apesar de ter dois ou três edifícios de luxo que servem as elites do poder, para dar a entender que é o Dubai africano, Luanda na realidade está devastada pela erosão do poder político estratificado quase há cinquenta anos. Luanda não é uma cidade, é um campo de refugiados tipicamente africano. Angola segue os trilhos colonialistas.
“A sociedade colonial compreende os estrangeiros de origem metropolitana, isto é, do país colonizador, os europeus ou de raça branca não-metropolitanos e os não europeus, geralmente de origem asiática, os coloured ou homens de cor. Os grupos não desempenham o mesmo papel na colônia mas cada um deles tem preeminência sobre os autóctones. O de origem metropolitana é o mais ativo, pois cabe a ele a função de dominar política, econômica e espiritualmente. Suas atribuições podem ser classificadas da seguinte maneira: a administração dirige a colônia segundo a política colonial; as companhias comerciais e industriais assumem a exploração da produção, afim de organizar os lucros em benefício da metrópole, processo chamado de pilhagem da sociedade dominada; por fim, as missões cristãs, encarregadas da educação dos colonizados, da conversão de suas almas e de seu encaminhamento progressivo ao universo do dominador. Os brancos não metropolitanos e os asiáticos (coloured) dedicam-se a atividades comerciais intermediárias.” (MUNANGA, 1988: 10-11)*
O governo português nomeou um governador-geral indígena. Na Província de Angola o novo governador-geral nomeou chefes de posto para as cidades. Tudo está corroído, corrompido. A metrópole lava as mãos porque já deu autonomia às suas províncias coloniais. Envia mais colonos que aproveitam bem o saque antes que venha aí outra autodeterminação. Salazar não autorizava a corrupção, agora com a autonomia estes colonos roubam como querem e como lhes apetece. É isso! O indígena renasce para a escravidão do branco sob a batuta negra. Claro que o indigenato aproveitou e proclamou a independência. Apenas com palavras os indígenas felicíssimos atiram-se ao saque canibalizando tudo o que é colonial. Depois de tudo arrasado e perdidos em quase cinquenta anos dizem que os colonos destruíram tudo. Para se diferenciarem do colonialismo pintaram-no e proclamaram-se marxistas-leninistas. E corajosamente confessam que vivem imensamente felizes. Os chefes indígenas bem aperaltados de fatos e gravatas de marca ficam como que tragicómicos no travesti angolano. Daqui afundar-se-á o novo homem. Na tribuna de honra os espectadores aplaudem os gladiadores que retribuem a destruição de milhentos casebres e de todos os pátios existentes ou inventados. O mais importante é a espoliação e a condução à miséria de milhões de escravos.
Os ecologistas do betão são como os cães ferozes que mutilam as pessoas. Perante tanta beleza, não sei como é possível viver numa paisagem natural com betão próximo. O betão é inimigo da civilização. E nesta leva, tudo o que é empresário é mercenário.
Mais parecem a velha senhora dos engenhos. O colonialismo agora com nova tecnologia disfarça-se mas nada mudou, continua tudo na mesma, ou piorou?! Há pessoas que teimam na incompetência da governação e não se demitem. Curiosamente acham-se insubstituíveis. A vitória final do marxismo-leninismo é a criação da pátria de tuberculosos. O marxista-leninista é muito cuidadoso. Quando executa o OGE, Orçamento Geral do Estado, onde é que ele aposta? Evidentemente na repressão da população e da oposição. Investe nas forças da sua defesa e da sua segurança para o protegerem. Onde há eleições, lá está o marxista-leninista com maioria absoluta. O método nunca falha, é infalível. É o regresso em força do marxismo-leninismo. E uma onda marxista-leninista varre a cidade de Luanda. As empresas estrangeiras já estão ao lado da corrupção e esta também tem muitas moradas. Como pode um poder arrogar-se ao direito de independente onde nada funciona?! Famosa é a acusação da governação sobre o aumento constante da criminalidade. Mas quando em poucos meses se despedem mais de cem mil trabalhadores, quase todos jovens, o que se espera? Tranquilidade? Não, violência de ainda colonizados e esfomeados. Sem garantias mínimas de sobrevivência. Tratados como selvagens, como lixo. Assim nunca existirá paz social. Primeiro é necessário acabar com o colonialismo, depois pensar-se em país normal, independente. É necessário proclamar a luta pela independência de Angola.
Em Angola o mais importante são os lucros fabulosos das companhias petrolíferas, incluindo a estatal Sonangol. Se notarem bem, quantos mais lucros têm, mais miséria acomete a população. E porquê!? Porque a cobiça e ganância são de tal monta que os protagonistas de tais enredos se desumanizam pela avidez dos dólares. Transformam-se em loucos, psicopatas, e na selvajaria da aniquilação do semelhante para que não hajam gastos dos seus lucros. O que interessa são as vendas. As populações que morram nos pátios da fome. Isto é também um crime contra a Humanidade porque fundamentalmente atiram com as mulheres para a subserviência da prostituição, à sua violação sistemática como escravas sexuais. E na continuação das pirâmides Angola segue a outra edificação, agora com presidentes faraós. Angola não tem energia eléctrica. Na realidade está no caos económico e social porque espoliada, como sempre, por meia dúzia de endocolonialistas. Está um oásis para as companhias petrolíferas. As populações seguem os cortejos das seculares filas indianas para os campos negreiros da morte. Não é por acaso que as petrolíferas têm grandes lucros, tesouros escondidos… é isto o marxismo-leninismo angolano. Quase cinquenta anos de poder ilimitado, com petróleo e diamantes mas sem universidades, deram ao povo angolano uma característica peculiar: o infame analfabetismo que o conduziu à boçalidade, à idiotice e canalhice. E isto não é uma floresta não, é uma selva profunda. Não há porto para este barco. O governo ainda não zarpou, continua ancorado, encalhado. Há meia centúria que prometem a verdura da agricultura, mas não conseguem plantar, apenas nos prantear. Só plantam prédios destoados, despersonalizados numa Nação de poetas sem noção. Radicais acompanhados por sorrateiros Familiais. O governo está como uma barcaça hipotecada. Fundiu-se na lava do vulcão que alimentou e criou. É um governo gulagui, um governo incendiário. Agora com o assédio e a desgraça dos prédios e dos estádios deles, a água sumiu e os pátios também. É só para eles e para os prédios e estádios deles. Enquanto eles nos governarem, os campos de concentração deles continuarão até nos exterminarem. Isto não é um governo, é uma quadrilha de dráculas com castelos impuros, dissolutos e sangrentos. E todos os vampiros mundiais aqui desembarcam e logo instalam currais. Aqui já deixaram de existir gentes, só agentes, onde só sobrevivem porcos e indigentes. Isto não é um país, é um palácio rodeado de campos de concentração e um jardim zoológico com espécies animais em vias de extinção.
E quantos mais analfabetos se formarem muito melhor. É muito fácil governá-los. Basta dar-lhes umas porretadas para lhes lembrar quem manda e quem deve obedecer. E todos os que estão no poder são forçosamente inteligentes e eleitos pelos seus deuses. E com o apoio e bênção da Santa Igreja governa-se em nome de Deus deportando a demoníaca população para as tendas dos zangos. Governar é deportar as populações e em campos da morte as concentrar. Alteraram a História porque quando a população chegou os governantes e a FAMÍLIA reinante já cá estavam, tudo era deles. Por isso a população é inoportuna, está a mais. Está onde não pertence. Nesta democracia o crime compensa.
«O governo de Napoleão III foi marcado por uma forte militarização na Argélia e quebrou o sistema de propriedade tribal nativa, fixando árabes e berberes em minifúndios e aumentando a miséria dos agricultores. Em 1870, a região da Kabilia revoltou-se. Reprimida a insurreição, os colonos franceses apossaram-se de 500.000 hectares em detrimento da população árabe. No início do século XX, 1918, um grupo de intelectuais árabes, “os Jovens Argelinos” se organizam baseando-se em idéias nacionalistas, reivindicando melhorias para a população árabe. Nos anos 30 já se falava em supressão do governo francês e igualdade entre nativos e europeus, mas foi após a II Guerra Mundial que os problemas argelinos agravaram-se, pois, na medida em que a França deu aos colonos o direito de se estabelecerem nas melhores terras, quando mais de 1.500.000 famílias berberes não possuíam terras, provocou êxodo rural e miséria, agravando-se os problemas nas áreas metropolitanas e fazendo com que um décimo da população vivesse, então, da caridade pública. Nesse ambiente surge a chamada “Questão Argelina”, um dos maiores problemas internacionais do pós-guerra. Em maio de 1945 houve uma grande chacina de civis argelinos por soldados franceses, no massacre de Setif. A repressão francesa é intensa, militares admitem entre 6 e 8 mil mortos, nacionalistas falam de quarenta a cinqüenta mil. Em 1º de novembro de 1954, foi anunciada oficialmente a revolução argelina.» *
* In Albert Camus http://www.espacoacademico.com.br/013/13cpraxedes.htm