quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A “viagem” de Kinguri. Um reino tranquilo nas margens de um rio (9)



ANTÓNIO SETAS
Entretanto, os portugueses defrontavam-se com outras dificuldades de monta, ligadas essencialmente à falta de efectivos que pudessem por um lado satisfazer o aumento da demanda de escravos, sobretudo para o Brasil, e por outro combater a praga dos “cantrabandistas” por uma boa parte oriundos ou residentes de S. Tomé, que praticavam o tráfico sem pagar as devidas percentagens das receitas ao rei de Portugal, assim como um persistente Estado Kongo chamado Kasanze (ou Kasanje, do nome do seu governante Mbangala, que tinha em tempos, por volta de 1585, capturado 80 portugueses, dos quais matou 20 e devolveu os outros contra resgate – Birmingham), instalado no interior, mas perto de Luanda, o que obrigava a ir em busca de escravos muito mais para o interior. Bento Banha Cardoso, governador de Angola entre 1611 e 1615, repetidamente se queixou da falta de cavalos e de homens para reforçar as forças da costa e do interior, perigosamente fracas em ambas as frentes. E, como a coroa portuguesa não respondia aos seus pedidos, que remédio senão encontrar aliados entre os povos africanos. Ora tanto os talentos de guerreiro como a posição política dos Mbangala, sem falar das necessidades rituais que incluíam sacrifícios humanos, correspondiam às suas necessidades em quase todos os aspectos. Ademais, Cardoso viu que a utilização dos Mbangala como mercenários nas guerras do interior libertaria a magra guarnição portuguesa para as operações costeiras contra Kasanze e os traficantes ilegais de escravos.
Cerca de 1612, tornou-se efectiva uma aliança formal entre os Mbangala e os Portugueses, mas Cardoso, em vez de se atacar aos “traficantes insurrectos” da costa, ou minimizar os inconvenientes causados pela existência do Kasanze (Kasanje?), meteu-se pelo interior com a ajuda dos Mbangala e atacou os Estados africanos do interior., tal como o demonstram os vibrantes protestos do rei Álvaro II do Kongo, que se queixava de que os Mbangala (os “Jaga”, como todas as fontes se lhe referem) estavam a “comer” muitos dos seus súbditos, fazendo deles as primeiras vítimas registadas dessa nova combinação afro-europeia. Em 1615, os resultados dessa empreitada bélica obtiveram novos sucessos com a rendição de muitos sobas Tumundongo da margem esquerda (sul), do rio Bengo e, mais longe, a dos mais poderosos titulares que ocupavam ambas as margens do rio Kwanza: Kafuxi, detentor das minas de sal de Ndemba, na Kisama; o kasanje de Kakulu ka Hango, que vivia próximo da Muxima; Kambambe, que guardava o acesso às lendárias “Montanhas de Prata”, logo acima das quedas do Kwanza; e o próprio ngola a kiluange.
Foi com esta providencial ajuda dos Mbangala que os portugueses, já em perigo de serem escorraçados ou mesmo aniquilados em território africano, consolidaram as suas bases e mesmo se expandiram. Em contrapartida os Mbangala vieram, muito provavelmente, a resolver alguns problemas internos atinentes à amálgama de díspares instituições políticas que constituíam o kilombo dos makota Lunda no princípio do séc XVII (1610-1660), graças à “ajuda” - interesseira – dos portugueses, como veremos, fazendo o ponto da situação que se segue.

O “Estado” Mbangala
Embora sejam poucas as informações sobre a estrutura política dos Mbangala na 1ª década do sèc. XVII, vinga a hipótese de que só um rei, do tipo kulembe, detinha a única posição de poder, permanente e autónoma no seio do bando, enquanto todos os outros chefes detinham títulos de nomeação de tipo vunga. A estrutura formal do kilombo dividia os membros de cada bando de Mbangala em cerca de doze secções distintas (prática que vem das origens do bando), cada uma das quais sob a direcção do seu próprio “capitão”. Estes regimentos viviam e combatiam mais ou menos separadamente, e no acampamento guerreiro, único, havia doze entradas separadas como símbolo dessas distinções, cada uma delas para o seu grupo, pois, por fim, todos acolhiam ao mesmo kilombo para efeitos de defesa. Face à centralização quase total da autoridade dentro dos bandos Mbangala, a aliança com gente de fora tornava-se uma perspectiva atraente para os que fossem detentores de títulos permanentes que estivessem em posição subordinada.
Por essa altura, os “capitães”, provavelmente detentores de títulos vunga e apoiados pelos regimentos que comandavam, tinham substituído, como instituições básicas da estrutura social dos Mbangala, as linhagens com que o grupo original dos Lunda tinha começado, uma vez que essa estrutura não tinha lugar para os numerosos títulos perpétuos dos Lunda, tais como as posições kota ou o kulaxingo (que mais tarde, como se verá adiante, fundou o reino de Kasanje sob um título kinguri restaurado). Assim sendo, vários titulares Lunda do bando principal dos Mbangala tinham continuamente lutado pelo controlo da realeza que Kalanda ka Imbe detinha em 1601. Isto do lado dos componentes de origem Lunda. Por outro lado, os detentores de títulos não Lunda, que se tinham juntado ao bando do kinguri em terras Cokwe e do Libolo, e nunca tinham controlado a mais importante posição do kilombo, pois faziam uso exclusivo dos mavunga, devem ter reconhecido nos portugueses aliados potencialmente valiosos para acabar com a dominação Lunda entre os Mbangala. E estes, como veremos, vão “ajudar” esses titulares sacrificados pela centralização.

Kalamba ka Imbe detinha o poder do kilombo quando os portugueses se encontraram com os Mbangala, em 1601. Durante os 50 anos que precederam esse facto histórico, a posição tinha passado frequentemente de um kota Lunda para outro. Segundo a tradição, o kota Kangengo tinha inicialmente reclamado a liderança do kilombo, mas governou apenas 3 “dias” e depois morreu, alegadamente vítima da maldição que Kinguri lhe lançara antes da sua morte. Sucedeu-lhe Mbongo wa Imbe, que só governou durante 2 “dias”. O terceiro foi o actual, Kalamba ka Imbe, que por também ter desafiado a maldição de Kinguri veio a viver apenas 1 “dia”., antes de ter o mesmo destino que os seus predecessores.
(Isto significa em termos metafóricos que o kilombo se dissolvera na anarquia, devido às constantes lutas pelo poder. Todos morreram de noite (alusão à maldição). Mas dos três, dois, Mbongo e Kalanda, pertencem à mesma linhagem Imbe, o que indica que o bando se tinha separado em dois grupos principais. Kangengo, o primeiro, pertencia à velha linhagem de Kandama ka Hite, que perdera o controlo em favor de Mbongo e Kalanda ka Imbe, pertencentes a Kandama ka Kikongwa e Kanduma ka Kikongwa. Os detentores destes títulos ainda nessa altura tendiam a unir-se de acordo comas linhas dos suprimidos grupos de parentesco que tinham conhecido na Fundador outro lado, os detentores de títulos não Lunda, que se tinham juntado ao bando do kinguri em terras Cokwe e do Libolo, e nunca tinham controlado a mais importante posição do kilombo, pois faziam uso exclusivo dos mavunga, devem ter reconhecido nos portugueses aliados potencialmente valiosos para acabar com a dominação Lunda entre os Mbangala).
Os Portugueses rapidamente se aperceberam de tais dissensões e, mais depressa ainda lobrigaram as vantagens oferecidas pela presença de titulares sacrificados pela centralização. Algum tempo depois de Battel ter deixado os Mbangala, então ainda sob a liderança de Kalanda ka Imbe, um detentor do título kulaxingo(não Lunda)encabeçou uma rebelião da componente Cokwe/Lwena contra o prolongado e tumultuoso domínio dos titulares Lunda. O governador Cardoso aceitou apoiar o kulaxingo a troco deste pôr o grupo de Imbangala ao serviço dos seus desígnios militares. O kulaxingo tomou o poder com a ajuda dos Portugueses e entrou deliberadamente em luta contra os vassalos do Kongo e do ngola a kiluange. Os Portugueses tinham dessa maneira obtido um poderoso apoio nas suas guerras contra os Mbundu, e um aliado autóctone, agradecido e aparentemente dócil, no tráfico oficial de escravos, em vez de ser o que se considerava até aí: uma terrível ameaça para os alienígenas lusos.
Vejamos o que relatam as tradições orais sobre este período da história do kinguri:

Os makota viam desde há muito que o chefe Kinguri e as suas insaciáveis exigências de sacrifícios humanos ameaçavam a sobrevivência do seu povo. Por essa razão, ao chegar a Mona Kimbundu (depois de terem atravessado o rio Kasai) agarraram um certo número de estrangeiros, incluindo Kulaxindo, para oferecer a Kinguri no lugar dos seus próprios seguidores. Porém, Kulaxingo, pela sua submissa postura, conseguiu ganhar os favores dos makota, principalmente Mwa Cangombe, Ndonga e Kangengo, os líderes de uma secção do bando, a de Kandama ka Hite, designada para escolher as vítimas que deviam morrer sob os punhais de Kinguri. Ainda antes de o grupo deixar Mona Kimbundu, Kulaxingo tinha obtido o estatuto de kibinda, mestre caçador, e quando regressava de uma caça bem sucedida dava sempre carne aos makota a fim de assegurar a sua permanente boa vontade. Além disso mantinha uma secreta ligação amorosa com Imbe ya Malemba, a mãe de Mbondo e Kalanda ka Imbe, para ganhar a confiança do grupo Kandama e Kaduma ka Kikongwa, das linhagens Lunda.

Imagem: outrostemas.blogspot.com

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

VAMOS DEMOLIR ANGOLA


Gil Gonçalves
Já não há ninguém que lhes resista, já não há ninguém que lhes diga não.
Enfatizam-me amiúde que os negros são afamados porque não gostam de trabalhar, que são muito preguiçosos. Este mistério desta cabala é demasiado fácil de explicar: Não lhes dão trabalho e ademais espoliam-lhes os empregos, como é que querem, como é que eles hão-de gostar de trabalhar?!
E por isso mesmo, a revolução sempre presente, ensina-nos que reconstruir é demolir.
E o líder em plena campanha eleitoral aborda um eleitor: «Vai com toda a certeza votar em mim, não é?!» e o eleitor aterrorizado: «Sim, senhor presidente, mas por favor não mande mais demolir a minha casa!»
De uma coisa adquiri a certeza: este tempo está tão irreal, perdido num sonho, latente pesadelo onde me sinto como um viajante perdido no tempo. Custa-me acreditar na ferocidade do ser humano, é sem dúvida um facto incontestável o seu instinto tão destruidor. O destino do humano é a selvajaria.
Não desisti, jamais desistirei dos meus sonhos, eles fortalecem a minha alma. São a esperança da minha perseverança. Lutar é sonhar, é amar. Sem sonhos o amor perder-se-ia. Nascemos, vivemos na ânsia permanente de o encontrar, e encontrando-o não o perder. Não, não é e tudo o vento levou mas, e tudo o vento deixou.
Apesar destas noites cada vez mais intensamente turbulentas, ainda consigo escutar os seus silêncios.
Se tivéssemos coragem de expor todos os nossos sentimentos íntimos, decerto aconteceria uma revolução social. Os costumes nunca mais seriam os mesmos.
Vamos Demolir Angola
Sob o lema, Vamos Demolir Angola, o nosso glorioso Politburo com a desfaçatez que o caracteriza, encetou uma grandiosa campanha de requalificação de Angola em geral, e de deita abaixo tudo onde hajam seres humanos em particular. A viverem em pardieiros ou não, a que majestosamente as correntes mais conservadoras da eliminação física e moral ultrajaram com a introdução nos espoliados do petróleo do acervo… casebres.
Ora, os detentores dos lucros do petróleo habitam em luxuosos palácios, os que não têm acesso nem a um mililitro de petróleo vivem em casebres, mesmo que a sua habitação seja valorizada neste inferno da imolação imobiliária. Este ainda é o povo que não se pode aproximar destes novos senhores feudais. Este povo tem apenas o direito reservado de viver em campos de extermínio, as estrelas das noites que os contemplam têm muitas histórias de terror para narrarem, se entretanto o conseguirem porque da maneira que as coisas andam, nem imprensa teremos, também a vão demolir. O Politburo já conseguiu abolir a família angolana que simplesmente deixou de existir, demoliram-na.
Os bancos logo acorreram em massa esporeados pela angolanidade do lucro fácil, não trabalhoso, obrigados a sustentarem no seu capital social a inutilidade dos eternos habituais bajuladores e o apoio incondicional da Igreja do Deus local. Pudera, sem ela que seria de Angola?! E os bajuladores são os únicos que sabem governar, mais ninguém está habilitado para isso. Porque são detentores dos mais insignes diplomas passados pelas mais famosas universidades marxistas-leninistas.
O que dá trabalho, como a agricultura, que se dane. Bastam alguns pós de conversa: que daqui a alguns anos teremos os nossos campos inchados de produtos, e as nossas populações finalmente libertas da fome. E que o fim da miséria do nosso povo é uma batalha antecipadamente ganha, aliás como todas as outras, pelo nosso famosíssimo Politburo.
De imediato os bancos lançaram-se ao assalto da reconstrução nacional sob as ordens da divina chefia, com o lema: PARTIR, É DEMOLIR!
Antes era o inimigo principal que destruía as habitações com bombas, como se eles fossem os únicos que destruíram Angola. Agora em paz (?) na imprensa escrita, falada e muda, (censurada) somos informados a todo o momento que o bairro tal vai ser demolido, que o mercado tal vai ser demolido – é incrível notar que estes demolidores não constroem mercados municipais, é tudo para arrasar – que as casas da rua tal vão ser demolidas, que o campo de futebol vai dar mais um shoping, que a seguir todos os bairros também serão demolidos… só se houve falar de demolições. Parece que ainda ninguém notou que eles querem demolir integralmente a cidade (?) de Luanda para investirem na especulação imobiliária e a população desaparecer, varrerem-na do mapa?
E as crianças aprenderam uma brincadeira nova: o vamos brincar de demolir Angola! Também lhe podemos chamar muito adequadamente, República dos Tês, a saber: T1,T2.T3, e T4
A delinquência em Luanda tal como a corrupção, para acabar, antes que Angola se volatilize definitivamente, com esse ninho de cobras, há que começar por cima. Mas não, começa-se sempre por baixo, sempre ao contrário. Está quase, falta apenas um pouco para a sua total demolição. As chuvas actuais dão o mote, não há construções feitas a correr, logo atabalhoadas que as suportem. A questão é: como será o desenlace final de milhões de espoliados que aguardam o Juízo Final do ajuste de contas com os seus captores?
Até a Bíblia já profetizava que o Politburo tomaria o poder e com o apoio dos nossos bispos governaria eternamente Angola. E o Senhor abençoou, inspirou e conduziu Angola para um estado de direito, onde todos são iguais e gozam de todos os direitos conforme as leis divinas. E veio uma época de paz, de harmonia social e desenvolvimento sustentado sob o patrocínio do Altíssimo. E todos viveram felizes, muito longe do neocolonialismo e da escravidão. A água e a energia eléctrica jorravam como cascatas perenes. As famílias oravam incessantemente ao seu Senhor, e quando os seus pedidos não eram atendidos, devia-se a que não eram bem queridos aos olhos do Senhor. E lá vinha um sacerdote muito experimentado que elucidava que o pedido ao Altíssimo não fora convincente. E que deviam continuar as orações muito fervorosamente até dilacerarem os joelhos, porque a boa reza deve ser feita com o crente ajoelhado.
E devido ao trabalho incansável de Deus – Ele é como a nossa polícia, nunca dorme – o Vaticano foi industriado para beneficiar a paradisíaca Angola com dezoito santuários, porque o povo era tão temente, e de igual modo tão supersticioso – devido ao trabalho abnegado dos sacerdotes – e o petróleo ainda dava, jorrava e enchia barris até fartar vilanagem. E Angola e o seu povo foram irremediavelmente tomados, assaltados pelo seu Deus. E em cada canto e esquinas habituais somavam-se inumeráveis igrejas servidas por imensos séquitos sacerdotais. E o Senhor rejubilava porque o dízimo a prelatura sustentava. O povo bem estupidificado oferendava-lhes as suas poupanças e a sua pobreza de espírito. E o céu enriquecia-se com o maná da idiotice fácil. E o fausto sacerdotal enchia-se de tesouros terrenos, e os camelos abasteciam-no regularmente. Em nome de Deus tudo é possível. Mas a feitiçaria espreitava e os bancos também. E criminosos e aventureiros famosos pelas suas actividades acorreram em massa beneficiados pelo eterno poder civil assumido e tragicamente instituído. Proporcionava-se o enriquecimento fácil, lucros fraudulentos, logo astronómicos vindos do clero petrolífero. E logo, logo se iniciou a espoliação de tudo o que era autóctone, e nos paços episcopais as cartas pastorais obrigavam os fiéis a rezarem com força inaudita porque Deus estava muito zangado, e daí as calamidades que assolavam a bela, rica, apetecível, avidamente cobiçada Angola. E os púlpitos azafamados não tinham bolsos a medir perante tantas oferendas aos dignos representantes eleitos por Deus na terra de Angola. Tão analfabeta, de povo tão incauto, tão dócil, tão fácil de dominar e subjugar.
Os mosquitos são como as igrejas, quando entram já não saem. E tudo ficou, restou partidarizado, incrivelmente arruinado. E quando a aristocracia se recusa peremptoriamente sanar a miséria dos plebeus, a justiça popular triunfa.
E o Vaticano, cumprindo um sonho profético, enviou um cardeal tarefeiro a Angola na missão solene de mais uma graça – desgraça – divina: a santa prospecção do petróleo angolano. As vaticanas finanças do banco Vaticano urgem por remodelação. E conseguir uns barris de petróleo bem abastecidos made in Angola, o dinheiro novamente brilhará de intenso fulgor, de brilho matizado, barbaramente dourado, estigmatizado. E às novenas e procissões não bastarão os andores
E a luta de libertação libertava mais alguns poços de petróleo, e a energia eléctrica, a água e tudo o mais, oprimia-se, espoliava-se. E a arma secreta de qualquer governo para dominar os seus povos é o futebol.
O que é necessário percorrer para que as ditaduras não me persigam? É que cresci e vivi debaixo de uma, e ao longo da vida elas sucedem-me como tempestades violentas, daquelas aterradoras devidamente acompanhadas de perigosas faíscas da morte.
Já repararam com toda a certeza que Luanda – é Angola pois claro – destruíram-lhe todos os mercados construídos pela população. Bom, Luanda não tem mercados municipais porque os terrenos são utilizados para a próspera especulação imobiliária.
E o terror reinstalou-se sob o disfarce dos deuses dos bancos brancos
E selvaticamente gritaram-nos possessos: «vocês vão morrer intoxicados!» Como a injustiça funciona em força e os demónios voam sanguinolentos, resta-nos aguardar que a justiça prometida, tal como a liberdade nesta terra, retorne audaz porque assim como estamos a justiça popular não deve tardar, não vai faltar. Os crimes da actividade bancária inspiram a onda de assaltos da apátrida juventude espoliada, órfã de país.
Bancos Khmer chegados a Luanda e logo desatinados na louca correria ao ouro petrolífero. Catapultados de poder, espoliam terrenos nas traseiras dos prédios que são legalmente condomínios, têm dono. Instalam a anarquia de potentes geradores que nos assassinam com gases tóxicos e o barulho 24 sobre 24 horas. De portas e janelas fechadas porque o cancro espreita, são três crimes sempre na teimosia de que tudo em Luanda nasce impune. Poluição sonora, veneno ambiental e espoliação de terrenos. É assim que chumbado ao poder factura o Banco Millennium Angola, na rua Rei Katyavala 109, Luanda. Mas afinal ainda não descobriram quem são os selvagens?! Tudo parece a postos para tumultuar porque não dá mais para os aturar. A indemnização será muito choruda, as perdas e danos demasiam.
O reinventar da luta clandestina
As obras clandestinas continuam sob o olhar cúmplice da Nova Constituição e de El-rei. Este esconderijo clandestino afronta-nos porque a flagrante ilegalidade destas obras revela que só a destruição dos casebres é legal. Porque não praticam a demolição nas obras ilegais da nomenclatura?! Isto acontece já há pelo menos três anos nas traseiras da Pomobel, junto ao Largo Zé Pirão, em Luanda. Actualmente, brasileiros contrataram escravos chineses para gáudio da nomenclatura. São três prédios que estão a destruir. Até nas traseiras deles já funciona um estaleiro. Sempre em nome do livre-arbítrio, isto é, sem direito a indemnizações porque o estado de facto e de jure… rasgaram-no.
Convém salientar que para acabar com a criminalidade e a corrupção, é imperioso, fundamental, começarmos por cima. Enquanto tal não acontecer, os criminosos e os crimes jamais terminarão. Não haverá polícia que chegue. O elenco policial combate criminosos e não miseráveis ou esfomeados.
O futuro perdeu-se, foi-se, deixou de existir. Está tudo muito sombrio, incerto, sem saber o que vai acontecer. Nada de bom não será com certeza. Há a intenção obscura de destruir Angola?! Então que decretem a sua destruição.
Ó bendita República Popular das Demolições!

A “viagem” de Kinguri. Um reino tranquilo nas margens de um rio (8)





ANTÓNIO SETAS

3)...Os makota assassinaram o kinguri fazendo recurso a certos rituais do kilombo, conhecidos por kiluvia. No kiluvia, os Mbangala honravam falsamente os seus prisioneiros de guerra, punham-nos à vontade e confiantes, para, numa viragem repentina os matarem selvaticamente.
4)...Os makota aprisionaram kinguri juntamente com Manyungo wa Mbelenge. Passado algum tempo esta morreu e o kinguri, atormentado pela fome, comeu parte do seu corpo(unicamente a parte superior do corpo, talvez para evitar a indecência do contacto de um varão com as partes genitais da mulher) antes de ele próprio morrer de fome.

Análise:

1) Esta tradição pouco diz sobre as guerras que opuseram os Songo, adeptos do kinguri, e os Imbangala do kilombo. Vários aspectos da narrativa focam apenas crenças dos Imbangala, como por exemplo, a visão sobrenatural, que permaneceu até aos dias de hoje como um ingrediente importante dos poderes de um chefe.
2) Em qualquer uma das versões sobressai a necessidade de enganar o kinguri, cujos dotes de magia lhe permitiam adivinhar os perigos antes de eles acontecerem.
3) A morte pela fome significava o abandono de um título, imagem associada à realidade da sociedade em que eram os súbditos que literalmente alimentavam o rei. Por outra, segundo as crenças da época (dos Tumundongo), apenas os seres humanos sangram quando morrem, ao passo que isso não sucede com os espíritos de um título, os verdadeiros alvos deste ataque.
4) A aparente referência ao kiluvia fornece a confirmação, nas narrativas orais, de que os makota abraçaram o cerimonial do kilombo quando se rebelaram contra o kinguri.
5) Enfim, os makota quebraram também a aliança do kinguri com as linhagens Songo de Manyungo wa Mbelenge, pelo que se pode induzir da versão 4).



VERSÃO CONCEPTUAL OPOSTA:

...Os makota decidiram desembaraçar-se do kinguri recorrendo a uma astúcia subtil. Construíram-lhe um novo e esplêndido palácio e conduziram-no para o seu interior no meio de grande cerimonial. O palácio, tal como a paliçada das outras versões, tinha uma única entrada e, mal o kinguri se encontrou no seu interior, os makota bloquearam a porta e asfixiaram-no, deitando uma grande quantidade de farinha de mandioca através de um buraco que fizeram no tecto.

Concepção oposta, porque, ironicamente, não foi a negação de comida e de lealdade(?), mas o excesso de zelo no cumprimento das caprichosas e disparatadas exigências do kinguri que o levou à morte e à asfixia.
Depois de terem derrotado e abolido o kinguri, os makota conduziram por volta da década de1560 o seu bando de Imbangala para sudoeste, a sul do rio Kwanza, evitando contactos com o ngola a kiluange, que nessa altura já era um poderoso rei. Na sua esteira, os ,makota deixaram um novo conjunto de títulos políticos no Songo(apesar destes se terem aliado ao kinguri) baseados no munjumbo, no ndonje e no kunga. Também deixaram o Libolo muito mais pequeno e fraco do que o tinham encontrado, agora um pequeno Estado, ocupando apenas a província mais ocidental do seu antigo império. Tinham, pela mesma ocasião, forçado o Estado do kulembe a desintegrar-se e reclamaram para si próprios a liderança do kilombo, deixando para o munjumbo o núcleo das antigas terras do kulembe. Viajaram em direcção ao litoral, sempre a evitar contactos com o ngola a kiluange, chegaram a sul da actual cidade de Benguela, e daí se foram movendo para norte, ao longo da costa, durante as décadas de 1580 e 90, chegando às proximidades do rio Kuvo em 1601. Ali, pela primeira vez, tomaram contacto directo com os Europeus, e começou então um nova fase da história do kilombo.

Os Mbangala e os Portugueses

A tripulação de um navio mercante português, que encontrou os Mbangala chefiados por Kalanda ka Imbe acampados na margem sul do rio Kivo, em 1601, deu origem e desenvolveu uma parceria comercial baseada na escravatura, que conseguiu fazer com que os ngola a kiluange se vissem reduzidos da situação de monarcas de um reino vigoroso e em expansão por volta de 1600, para a de governantes fantoches e quase sem poder a partir de 1630., e criaram em sua substituição um conjunto completamente novo de Estados, um Europeu e outros Africanos, assentes na exportação de escravos de África para as Américas. Um pequeno Estado português, “Angola”, substituiu os detentores de títulos Kongo na superfície costeira a norte do rio Kwanza e os do ngola a kiluange nas antigas províncias centrais do Ndongo e Lenge, numa altura em que os titulares Lunda, à cabeça de bandos Mbangala, com o seu kilombo, se impuseram nas terras onde anteriormente tinham governado o hango do Libolo, os reis malunga dos Pende e diversos chefes subordinados do ngola a kiluange, estabelecendo a pouco e pouco as bases de Estados sedentários que iriam se consolidando entre 1610 e 1650.
Desde os primeiros contactos ficou estabelecido que os guerreiros do kilombo forneceriam cativos em troca de mercadorias europeias, e este negócio, desenvolvido após um ataque a populações a norte do rio Kuvo, prosseguiu com lucros satisfatórios para as duas partes, já que durante cinco meses os Mbangala continuaram a fazer razias e comércio próximo da costa. Depois disso, os portugueses enviaram um grupo de cinquenta homens para o interior, em busca de mais escravos e dos Mbangala, depois dos seus parceiros africanos terem abandonado o litoral. Nessa busca, um dos governantes locais que recebeu os portugueses, aceitou ajudá-los na condição deles deixarem na aldeia um refém como garantia de bom comportamento enquanto procuravam os Mbangala. Os portugueses aceitaram e escolheram deixar com o chefe negro o único estrangeiro que havia entre eles, um marinheiro inglês chamado Andrew Battel, e nunca mais voltaram para resgatá-lo, dando-o como perdido. Todavia, este conseguiu fugir do seu cativeiro e juntar-se aos Mbangala que ele tinha conhecido na costa, que o acolheram e não o molestaram. Durante os dezasseis meses de deambulações com os Mbangala pelas terras entre o rio Kuvo e a margem sul do rio Kwanza, de 1601 a 1602, Batell deu conta do poderio dos Mbangala que se atacaram mesmo à mais importante aglomeração dessa região, “Shillambansa”, aliás xila mbanza, de que se dizia que era a capital de um importante chefe, “tio” do ngola a kiluange, isto é, um dikota do reino do Ndongo, um dos guardiães dos símbolos reais de autoridade. Tal prestígio não lhes fazia medo nenhum!
Descrição de Kalanda ka Imbe por Andrew Battel, in Ravenstein
O Gaga Calando tinha o cabelo muito comprido, enfeitado com muitos colares de concha de bamba, muito apreciadas entre eles, e à volta do pescoço um colar de mazóis, que também são conchas que se encontram na costa e são vendidas entre eles pelo valor equivalente a 20 xelins cada uma; próximo da cintura usava umas contas feitas de ovos de avestruz. Usava também um tecido de palma fino como seda à volta da cintura. Seu corpo era esculpido e cortado com desenhos secos ao sol e todos os dias se untava com gordura humana. Tanto através do nariz como através das orelhas usava pedaços de cobre com cerca de duas polegadas de comprimento. Trazia o corpo sempre pintado de vermelho e branco e tinha sempre vinte ou trinta mulheres que o seguiam quando se deslocava; uma carrega com os arcos e as flechas; quatro deles seguem-no com taças por onde ele bebe, e quando o faz todas se ajoelham, batem palmas e cantam. (The strange Adventures of A. Battell, Londres, 1901)

Indiferentes às leis portuguesas, como é óbvio, os Mbangala vendiam escravos a quem lhes aparecesse com mercadoria para troca, nomeadamente os “contrabandistas”, homens que faziam o tráfico sem pagar impostos ao rei português. Pelo menos numa ocasião eles juntaram a um grupo de dissidentes do exército português na procura de cativos e do saque, na região da Kisama, a sul do rio Kwanza. O governador português da época, João Furtado de Mendonça, respondendo a um pedido de auxílio de chefes locais, enviou uma expedição em busca dos Mbangala, a qual por fim os obrigou a se retirarem para uma posição defensiva, onde se fortificaram e resistiram a todas as tentativas dos portugueses para os desalojar. Deste primeiro contacto litigioso resultou o reconhecimento por parte das autoridades de Luanda de que pela sua valentia os Mbangala poderiam se tornar valiosos colaboradores e abastecedores do tráfico para quem ganhasse a sua amizade. Convinha pois, obter da parte dos makota Lunda e dos seus seguidores, se não a colaboração, pelo menos a sua neutralidade.
Imagem: socgeografialisboa.pt

A intolerância zero e o biãngulo das Bermudas


Gil Gonçalves

Contabilidade, para quê…!
«Além disso, muitas dessas empresas mostram erros de contabilização que revelam a reduzida preparação técnica de quem as lidera, sentenciou o ministro, para quem, «sem contabilidade não é possível gerir». Augusto Ferreira Tomaz. Ministro dos Transportes de Angola.» In semanario-angolense.com/home/


É o biângulo das Bermudas e os estranhos desaparecimentos de milhões de dólares nos vértices de Luanda e Lisboa. É que no triângulo das Bermudas o que costumam desaparecer são aviões e navios. No biângulo é só dinheiro que se evapora. E tal como no triângulo tudo permanece inexplicável. Grande magia de alguns dos nossos feiticeiros? Parece como os concursos da nomenclatura. São sempre os mesmos que ganham sempre os mesmos prémios. Perante tal quantidade incontornável de acções criminosas é impossível Angola sobreviver-lhes. Brevemente soçobrará. E quantas mais forças policiais ou congéneres, mais as coisas se complicam. Torna-se impossível o controlo e o pagamento de salários a tanta e tanta gente. E em consequência os desmandos abundam incontroláveis. Se o poder é incapaz, ineficaz de manter os sistemas da electricidade e da água a funcionarem, também será incapaz, incompetente de sanar seja o que for. A não ser apenas interesses pessoais como é prática. É por isso que funciona como um governo de grupos familiares. E isto constata-se facilmente nas leis exaradas que não funcionam. São apenas para casebre ver.
Há bancos a mais, não funcionais. Tal e qual como os ministérios com ministros e vice-ministros a mais. É tudo megalómano. Depois quando se dá por ela o dinheiro não chega. Aí temos outro Dubai. As estruturas de betão estão abaladas.
Mais um revolucionário, glorioso apagão marxista-leninista das 08.00 às 17.00 horas. E injustificam-se como se só eles existissem. Nunca ninguém chega a saber porque os cortes sistemáticos (anunciam a queda do regime?) acontecem. Aqui não há povo. Apenas um só povo e um só palácio que tartamudeia como a luz.
O carro cheio de polícias parou. Lestos alguns saltaram e não se preocuparam com a única coisa honesta que existe em Luanda: os vendedores honestos das ruas. Espoliaram todos os óculos de uma quase criança. Tinha aí doze ou catorze anos. E carregaram-nos, ele e dezenas de óculos. A explicação porque só roubaram os óculos da criança? Para estarem devidamente equipados no CAN2010.
Ontem pelas 17.00 horas vejo uma jovem zungueira na rua com apenas duas vassouras para vender. Há algo de muito errado porque ela quase não consegue manter-se em pé. Deve ter aí uns vinte anos. Chamo a Lwena para garantir que não estou errado. E num lamento estuporado exclamo:
- Lwena, olha… assim quer dizer que ela está completamente na miséria!
- Sim… é!.. deve estar com fome… acho que é por falta de comida.
Hoje pelas 11.00 horas da manhã outra zungueira está com uma pequena banheira com umas parcas coisas para vender. Senta-se, mas pouco depois não suporta a posição, deita-se e dorme. É a fome que a desfaleceu. Um segurança acorda-a e impede-a de dormir. Ela fica especada como uma vítima de um campo de concentração nazi antes de ir para a câmara de gás. Dir-se-ia que escapou do gás mas perecerá no campo de concentração de Luanda.
O governo das trevas encetou o plano final da exterminação do povo angolano.
As kinguilas (mulheres que cambiam divisas) na Mutamba, na baixa de Luanda, surraram nos fiscais do GPL-Governo da Província de Luanda.
Dois mil trabalhadores do GRN-Gabinete da Reconstrução Nacional da Presidência da República de Angola, há três meses sem vencimentos manifestaram-se. Pelo menos quatro foram presos. Dos vencimentos nada se sabe. In Rádio Despertar
Se até a Caixa Social das Forças Armadas Angolanas também não paga e cortou os subsídios… nem general escapa. In FOLHA 8
Só há dinheiro para estádios e para CANS2010, 2011, 2012…
Tudo soçobra. Está na hora das demissões voluntárias dos governantes e da hipocrisia da FAMÍLIA, dos portugueses, brasileiros e chineses.
Estamos numa zorra total. Noutro Iraque, outro Afeganistão.
Estrangeiros nacionais, internacionais e angolanos de ocasião! Deixem-nos viver como bantus. Não nos imponham os vossos modos de civilização exangue sem vida. E não adianta igualar-nos ao Dubai porque faliu.
Não são bancos, são cantinas e cantineiros disfarçados de banqueiros. Se em Portugal é assim, que será com estes gentios em Angola?
A nobreza tem luz dia e noite, a plebe só no dia de Natal e ano novo. Isto é mesmo à medieval.
Quem não pega num livro é escravo do outro que lê. Um governo que fomenta o analfabetismo na população vende-a aos estrangeiros. Angola, lá porque tem petróleo não é por isso que deixe de ser mais um estado falhado.
Enquanto a população espoliada e abandonada extingue-se nos campos da morte, reunido, o Conselho de Ministros do Governo de Angola preocupou-se com o CAN 2010.
Não há nada, absolutamente nada de negócios, de economia, de finanças, etc. Apenas roubar. E quando fazem, faziam, uns negócios ficavam imensamente felizes. Convencidos que burlaram os outros, quando na realidade eles foram os verdadeiros burlados. Com estes acontecimentos é tempo de mudar as fraldas ao sistema económico, acabar com os bancos e apear os idiotas dos governos que a coberto da democracia lá se enfiaram.
Bancos do terror em Luanda sem petróleo. No dia 15 de Novembro de 2009, na agência do BPC-Banco de Poupança e Crédito da Maianga, um familiar queria levantar oitenta mil kwanzas e o funcionário respondeu que o banco não tinha dinheiro.
O meu familiar girou por quase todas as dependências bancárias de Luanda e informaram-lhe: «Estamos sem dinheiro.»
No mesmo dia desloquei-me à dependência do banco BPC na Sagrada Família para reconfirmar a anomalia bancária. Queria levantar 5.000.00, cinco mil kwanzas para pagar a taxa de circulação automóvel e a resposta reconfirmou-se: «Estamos sem dinheiro.»
Será que o dinheiro foi todo para o CAN2010? Ou bazou para o estrangeiro?!
Consegui ainda apurar que quem tem quantias de vulto vive aterrorizado, sem futuro. Imagina, receia que vai ficar sem o dinheiro depositado pois claro.
A INTOLERÂNCIA ZERO
Estamos perante mais uma manobra de diversão do timoneiro da revolução angolana.
Luanda, capital mundial dos apagões. Luanda 07Dez09. Mais um apagão das 09.55 às 17.30 horas. Em saudação ao VI congresso do MPLA obrigámo-nos a mais um corte glorioso, revolucionário apagão. Entretanto, de mais este congresso nada de novo há a assinalar, exceptuando a renovação da ditadura marxista-leninista. Convém salientar que no marxisno-leninismo não existem eleitores, população muito menos. Tudo o que for vivo é carne para canhão.
A vanguarda marxista-leninista vencerá. Prometer sempre a mesma coisa e não fazer nada é o nosso lema. Apesar de moribunda a nossa população confia cegamente em nós. É que as nossas forças de dissuasão vigiam. Todos são patriotas. Não existem descontentes, tudo e todos são felizes debaixo das baionetas caladas dos nossos exércitos que controlam e abatem qualquer intento de manifestação, tumulto ou revolta.
Viva a doutrina marxista-leninista. Sob o comando dos nossos deuses líderes, os nossos olhares e mentes iluminam-se como uma gigantesca árvore de Natal.
Mas porquê em pleno 2009 ainda existem coisas destas? Será que a humanidade caminha outra vez para as ditaduras férreas? E porquê os campeões da democracia apoiam ditadores e promovem a espoliação das populações em nome da democracia? E mais porquê continuamos a viver nesta ignomínia? Quando é que estas coisas acabam? Quando e como terminará esta humilhação? Este campo de concentração?
Restam três democracias: Uma só para brancos, outra só para negros e outra só para bancos. Claro que isto é discriminação democrática. É impossível a sobrevivência da democracia com o actual, sempre o mesmo sistema bancário. O terrorismo do capitalismo bancário retorna mais avassalador, inalterável. Outro Iraque, outro Afeganistão e mais outro Paquistão também. O inimigo número um da paz mundial é o horrível sistema bancário milenar que teimosamente nos afunda, nos desumaniza e espolia. Daí a força imparável do islamismo.
Em Luanda quando abrimos as janelas, aspiramos o cheiro do napalm dos geradores eléctricos do Poder anárquico e mortal. Luanda, campeã mundial dos apagões e infestada de feitiçaria. E quem subir no emprego é morto. Sempre mais um Iraque e outro Afeganistão.
E todos os dias os preços sobem. Todos sabemos qual é a origem. Ouvimos a conversa habitual que: «vamos tomar medidas!». Contra quem? Contra a FAMÍLIA?! Luanda está outro Portugal, com a mestria que se lhe conhece.
Luanda está tão maravilhosa com o napalm da civilização. Com torres, condomínios e prédios dos milhões de dólares desviados dos partidos casebres. Luanda é dos filhos de um presidente. Luanda existe, Angola já não. É Luanda só para o CAN2010. E limpam-lhe as ruas da arraia-miúda porque parece mal com tantos estrangeiros maioritariamente africanos que estão a trafegar. Como se eles não soubessem o que é miséria. Não… é só por causa de alguns brancos que não suportam moscas verdes que rodeiam negros.
E a hipocrisia internacional à Ocidental deslava-se, apoia, força até caírem de podres os dois dedos de uma mão que nos oprime.



A “viagem” de Kinguri. Um reino tranquilo nas margens de um rio (7)


ANTÓNIO SETAS

A formação dos Mbangala

A evolução crucial para a fase de maturidade do kilombo teve lugar quando os seguidores que restavam ao kinguri, os titulares secundários designados pelo nome de makota, rejeitaram a opressora liderança da posição central Lunda, e adoptaram, como base de uma nova organização política, a associação iniciática guerreira do kulembe, acrescentando-lhe um certo número de posições vunga de comprovada origem Umbundu. A união do kilombo, teoricamente centralizado, com a multidão de posições perpétuas Lunda, permitiu à associação iniciática fragmentar-se e difundir-se rapidamente através das regiões a sul do rio Kwanza, à medida que se formavam muitos bandos separados de guerreiros, agora chamados Mbangala (do radical Umbundu, vangala, que significa ser valente e/ou vaguear pelo território), sob a chefia de detentores de novos títulos subordinados, de origem Lunda. A grande capacidade das posições perpétuas de gerarem novas posições titulares dava azo a qualquer chefe guerreiro que pudesse reunir um número suficiente de seguidores para se libertar das autoridades políticas e linhageiras existentes no planalto de Benguela. Um homem ambicioso podia adoptar a organização do kilombo, reivindicar apetrechos mágicos e um título que derivasse de outro chefe de kilombo, e impor o seu nome como um novo rei Mbangala. Mesmo as posições Umbundu de origem local, como a do kulembe, cuja dependência dos mavunga mostrava que não tinham originariamente explorado a capacidade de nomear posições “filho”, adoptaram então a técnica Lunda e passaram a conceder posições subordinadas, que apareceram nos documentos de meados do séc. XVII. A fragmentação que acompanhou a introdução dos títulos Lunda a sul do rio Kwanza representou o reverso da centralização que os mavunga dos Ovimbundu tinham produzido entre os Tumundongo.

Se recapitularmos a instável história do bando do kinguri, já mesmo antes de ele ter atingido o Kwango, os makota procuraram novas formas de organização política que os libertassem da dependência que, nos termos da estrutura política Lunda, os ligavam ao kinguri. O abandono por parte de alguns titulares ainda no leste, e as partidas mais recentes do mwa ndonje e do munjumbo, confirmavam a gravidade das dissensões que tinham fragmentado o bando. Os seguidores do kinguri já não concediam ao seu líder a lealdade total exigida pelas forças sobrenaturais que estavam por trás do seu título. Gerou-se um clima de desconfiança, e a insegurança daí resultante levou à busca de novos métodos para controlar o seu povo. Isto explica não apenas o seu pedido do ngoma ya mukamba, mas também o facto de ele conceder às linhagens Songo novos títulos, como o kunga, entre outros, e por fim a esta associação com o kulembe. Por outro lado, o kulembe deve ter considerado essa aliança com os belicosos Lunda um belíssimo meio de resistir, tanto à expansão do Libolo como ao avanço do ngola a kiluange para sul. Assim, seguiram-se guerras em que o kulembe e os makota dissidentes lutaram lado a lado contra o kinguri e os seus aliados Songo. As tradições Mbundu (séc. XVII) referem-se as estas guerras como sendo grandes conquistas que se seguiram à adopção do maji a samba pelo kulembe, associado a outros bravos generais que eram todos, à parte uma única e parcial excepção, posições titulares Lunda. “Calanda” era Kalanda ka Imbe(“Caoimba”), “Caete” era Kahete, e “Cabuco” era Kabuku ka Ndonga, um título subordinado ao ndonga, que viera da Lunda com o kinguri. Apenas “Cassa” (o kaza) tinha origens diferentes, originariamente Libolo aparentado com o hango, embora pouco depois se tivesse tornado íntimo aliado dos títulos Lunda
Mais tarde, as tradições do séc. XVII confirmam que o kinguri “tinha morrido” no Ndongo, não em luta contra os portugueses ou contra o ngola a kiluange, mas sim nas mãos dos makota que o tinham acompanhado desde a Lunda. Estes acontecimentos ocorreram na ilha de Mbola na Kasaxe, no alto Kwanza, onde os reis Libolo em tempos idos tinham instalado um dos seus chefes vunga, como guardião das fronteiras orientais do reino. Por essa altura, porém, já o ngola a kiluange tinha conquistado a área e feito dela uma parte do Ndongo. E essa morte significa a abolição do título de origem Lunda pela sua integração nos títulos linhageiros dos Tumundonga, e não propriamente a morte do seu representante individual (cerca das décadas 1550 e 60). Efectivamente, as forças unidas do kilombo empurraram o kinguri para norte e para oeste, afastando-o em direcção ao Ndongo dos centros de força do kulembe, vitória que se deve à explosiva combinação de um bando móvel e sem linhagens, mas detentor do potencial assimilador e estruturador da sociedade iniciática do kilombo, força aglutinadora essa inexistente no kinguri.
Ironicamente, o kulembe parece ter sido uma das primeiras e principais vítimas do kilombo. É que a expansão teve lugar essencialmente sob comando Lunda, e o reino do kulembe, em tempos idos unificado, desintegrou-se em muitos pequenos chefados guerreiros liderados por chefes de kilombo, alguns dos quais emergiram mais tarde como reino Ovimbundu nos séculos XVIII e XIX. Nas proximidades dos rios Kuvo e Longa, durante a década de 1640, alguns chefes de guerra que aparecem referidos em muitos documentos como tendo-se envolvido em lutas uns contra os outros, teriam sido antigos subordinados do kulembe, que se libertaram do seu chefe supremo para lançar novos fundamentos políticos que viriam a dar origem aos reinos Ovimbundu daquela região. O título do kulembe sobreviveu a estas mudanças, mas apenas como posição secundária. E a respeito de todas essas lutas e da queda, ou “morte” do kinguri, as tradições Mbundu focam essencialmente a queda do título pela aplicação de técnicas mágicas especiais por parte dos makota, como sendo a alteração importante que veio a se reflectir no seu modus vivendi.

Como a interminável opressão de Kinguri pesava cada vez mais sobre o seu próprio povo, os makota resolveram dar um passo desesperado: tentariam abater Kinguri e conquistar a liderança do bando para si próprios. Porém, o simples assassinato do rei não destruía as forças sobrenaturais que o protegiam, e, portanto, não serviria de nada. Além dessa aresta, sentiam que não deviam permitir que Kinguri descobrisse a conspiração pois, caso contrário, as suas forças mágicas de protecção, provocadas e enfurecidas, iriam certamente vingar-se, antes de os makota poderem executar os seus planos. Escolheram então, um método baseado no simbolismo do título do rei. O kinguri e os espíritos que o acompanhavam eram vistos como animais carnívoros da floresta (a sede do kinguri pelo sangue era equiparada ao rugido do leão de noite, e o temor que lhe tinham era o mesmo que o que era provocado pelos animais predadores selvagens). Com os Lunda sempre tinham caçado com fossas e armadilhas, os makota construíram uma armadilha simbólica desse tipo, um cercado circular de pesadas estacas, situado na ilha de Mbola na Kasaxe onde estavam acampados nessa altura. O cercado tinha apenas uma única entrada, contrariamente às habituais (para uso corrente das populações) com duas, e um dia, sob pretexto de que os leões que rugiam nas vizinhanças os colocavam a todos em perigo, os makota fingiram estar todos muito preocupados com a segurança de Kinguri e persuadiram-no a entrar no cercado onde, argumentaram, a paliçada de grossas estacas o protegeria do perigo. E Kinguri (cujo radical, nguri, em alguns dialectos de Umbundu significa leão) não compreendeu que a paliçada de pesadas estacas fora feita com a intenção de aprisionar quem eles proclamavam querer proteger. Kinguri entrou no cercado e esperou, enquanto os makota, do lado de fora, procuravam uma oportunidade de fechar e única entrada e deixar o seu rei no interior, a morrer de fome. Mas, como os poderes mágicos do rei lhe permitiam adivinhar qualquer ameaça antes que ela se produza, os makota tiveram que esperar que Kinguri adormeça para fechar a porta da paliçada. Depois desse trabalho feito, todos se mantiveram pelas proximidades até Kinguri morrer de fome. Só depois é que partiram.

VARIANTES:

1)...Os makota aprisionaram o kinguri, mas continuaram a abastecê-lo de comida, dando-lhe, porém, apenas sementes podres impróprias para comer, mantendo-se assim a aparência de lealdade sem a sua substância, e o kinguri depressa expirou.
2)...Os makota cavaram um enorme fosso que cuidadosamente disfarçaram com uma cobertura de folhas e capim para lhe dar a aparência de solo firme. Em seguida colocaram-lhe em cima a esteira cerimonial que o kinguri costumava ocupar em ocasiões formais, e convidaram o rei a receber as suas homenagens na esteira colocada sobre o fosso. O kinguri aceitou, avançou para a esteira e caiu no buraco, onde foi imediatamente enterrado pelos makota.

Imagem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Zumbidospalmares.jpg

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A República das Fissuras


Gil Gonçalves
Com o apoio chinês, a impecável destruição de Luanda, e Angola, prosseguem no ritmo destes novos descobridores, exploradores de terras longínquas. Chineses e governação não medem esforços, trabalham dias e noites em sistema não stop. É necessário engrandecer esta pátria no marasmo incontido, mal imitado dos novos pedreiros livres, desta nova carne para betão. Chegaram os novos desbravadores e com eles as habituais ofertas de bugigangas para os autóctones, o teimoso colonial indigenato. Apostam também no nosso desenvolvimento escolar, claro, isso só de futebóis e maratonas torna-se monótono. É necessário, fundamental, desmatar o nosso ensino. E para tal, urge erguer – ou reerguer?! - escolas de acordo com as mais modernas técnicas de construção:
A escola 3030
Situada no pátio das traseiras da escola Nzinga, junto ao Largo 1º de Maio, a escola 3030, está a tremer e a fissurar, conforme testemunhado por um professor que por lá consegue leccionar.

Não será apetecível, mais cómodo, acabarmos com a palavra prédio e em sua substituição utilizarmos a palavra fissura? Ou talvez rachadura? Ou melhor ainda, fenda? E então decretar-se-á a proibição da população circular pelas ruas, porque um OPBI, Objecto Predial Bem Identificado, voará e aterrará nas suas cabeças. Isto até parece mais feitiço.
Prédios junto à Shoprite
Em fase final de construção, os prédios construídos pelos chineses junto da Shoprite e Frescangol na Estrada de Catete estão com fissuras. Certamente devido a erros técnicos.

De olho nas fissuras
Descubra porque elas aparecem e como eliminar esse problema.
Mapeamento da casa: a posição da fissura e o lugar onde ela aparece ajudam a indicar as causas e a gravidade do problema. Trinca e rachadura são os nomes mais populares. Mas os engenheiros insistem que o correto é chamar de fissura aquela “cicatriz” que eventualmente brota em nossas casas. Quando deparar com uma, saiba que você está diante de um sinal de alerta. A marca pode ser superficial e, portanto, inofensiva – quando atinge a massa corrida ou a pintura. Ou então perigosa, chegando a comprometer a estabilidade da construção – quando afeta a alvenaria e, sobretudo, elementos estruturais: pilar, viga ou laje. Somente um perito é capaz de determinar as causas e apontar as soluções. A vistoria deve ser minuciosa, já que uma série de motivos pode originar o problema. Confira a seguir os mais comuns:
Mudança brusca de temperatura: os materiais aumentam e diminuem de tamanho em função da variação da temperatura. As lajes de cobertura sem proteção térmica são as principais vítimas. “Ao dilatar, a laje empurra as paredes onde está apoiada. Esse movimento gera fissuras entre a parede e o teto”, afirma Ubiraci Espinelli. O isolamento térmico pode ser obtido com a instalação de uma manta, com a aplicação de argila expandida ou com a construção de um telhado com “colchão de ar” – canal de ar circulante – entre as telhas e o forro.
Variação hidroscópica: superfícies expostas a períodos secos e úmidos também são alvo, já que estão em constante retração e dilatação. Um parapeito mais comprido ou uma moldura ao redor da janela resolvem a questão.
Proximidade entre dois materiais distintos: por apresentarem coeficientes de dilatação diferentes, dois materiais podem se separar quando ligados. Um bom exemplo é a parede de alvenaria encostada numa de concreto. Conforme varia a temperatura, cada uma reage à sua maneira, gerando fissuras que poderiam ser evitadas se existisse uma junta de dilatação.
Execução malfeita de reboco: se o pedreiro usa menos material do que deveria, atenção. “Ele está propiciando o aparecimento de fissuras”, avisa o engenheiro paulista Newton Montini Jr. Já a desempenadeira só deve entrar em ação quando a massa atingir o “ponto em aberto” – quando ainda está úmida, mas não encharcada.
Sobrecarga: quando o peso da construção é superior à resistência de suas bases, os componentes estruturais dão sinal de alerta. Os pontos onde a madeira do telhado se apoia na alvenaria denunciam o excesso de peso e costumam acumular fissuras.
Recalque na fundação: “Se a base da construção for mal dimensionada, pode afundar na terra”, afirma Newton. A sondagem do solo, aliada à atuação de um engenheiro especializado em fundações, é fundamental para fugir desse tipo de erro.
Atenção aos erros do projeto
A trepidação da rua provocada pela passagem de veículos, uma reforma no vizinho, uma nova construção surgindo nas imediações, um prédio que começa a ser habitado e recebe o peso dos moradores e de sua mobília. Nenhuma dessas situações representa uma justificativa legítima para o surgimento de fissuras. Quando um engenheiro projeta uma edificação, estuda o solo, a vizinhança, leva em conta a possibilidade de haver obras nas proximidades, respeita o intervalo de tempo (um mês) entre a confecção da estrutura e a feitura das paredes, enfim, cerca o projeto de cuidados preventivos. Portanto, fique atento se você recebeu um imóvel novo que começa a trincar. Para saber se a construtora tem responsabilidade – e, se for o caso, acioná-la na Justiça –, recorra à avaliação de um perito.
A dica é observar
Uma vez detectadas, as fissuras demandam observação. Antes de fazer testes no local, o especialista precisa ser abastecido com o maior número de detalhes, a chamada anamnese. Portanto, esteja preparado para responder às seguintes perguntas: quando a fissura surgiu? Na época, algo aconteceu na residência ou na vizinhança? Qual é o tamanho? Ela está aumentando ou está estabilizada? Abre e fecha periodicamente? Para checar o comportamento do “machucado”, você pode cobrir o trecho com uma fita adesiva. Se ela descolar, é porque a fissura aumentou. Ou então pode medi-la de tempos em tempos com régua. A próxima providência é contratar uma vistoria.
Por Raphaela de Campos Mello
In http://casa.abril.com.br/materias/etapas-da-obra/mt_415891.shtml

O Hospital das (agora) Fissuras Gerais de Luanda, surpreende-nos porque foi inaugurado muito convenientemente pelo PR. Foi um gesto de potentado, nobre, do nosso mais altíssimo magistrado para que a saúde dos seus súbditos se salvaguarde e Angola entre na lista dos países mais saudáveis do mundo:
Inaugurado Hospital Geral de Luanda
O Hospital Geral de Luanda, erguido no município do Kilamba-Kiaxi, foi inaugurado esta sexta-feira, em cerimónia presidida pelo Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, no âmbito das festividades dos 45 anos do início da luta armada de libertação nacional. Com capacidade para internar cem pacientes, a instituição de carácter provincial foi construída e equipada a partir da linha de financiamento com o Governo da República Popular da China, num orçamento de oito milhões de dólares. O hospital com dois pisos ocupa uma área de 800 mil metros quadrados, num terreno de cinco hectares, e está dotado de salas de internamento, consultas externas e de especialidades, uma morgue, lavabos e uma cozinha. As obras duraram aproximadamente 15 meses e estiveram a cargo da empresa chinesa de construção civil Sociedade de Engenharia de Ultramar da China (COVEC) e contaram com 90 por cento de mão-de-obra nacional. Fevereiro 2006. In Angola Press

Acho que houve um tremendo lapso, ou tremendas fissuras? Mas o Hospital era para inaugurar ou para obras entrar, começar? Creio que não era para inaugurar, não, era para encerrar para obras. Não sei se estão a ver:
Obras. Governo de Luanda encerra Hospital Geral para reabilitação
02-07-2010 13:22. Luanda - O Governo da Província de Luanda encerrou, quinta-feira, ao público o Hospital Geral de Luanda, no município do Kilamba Kiaxi, por motivo de obras de reabilitação.
In http://www.portalangop.co.ao/
Anónimo disse
O Hospital Maria Pia foi construído há mais de 100 (cem) anos, cem anos! O Américo Boavida tem mais de 50 anos, o do Prenda tem mais de 40 anos. Todos os hospitais construídos pelo colono estão vivos e de boa saúde.
O Hospital Geral de Luanda, construído há 4 (quatro) anos pelo ex-Governador de Luanda Capapinha está em risco de desabamento. Os doentes já foram evacuados e distribuídos por vários hospitais do colono.
Esse é o resultado da corrupção angolana. É apenas um caso entre muitos que resultam na morte e miséria dos angolanos.
O corrupto foi premiado com um lugar no Comité Central do MPLA e é Deputado da Assembleia Nacional. O Parlamento e o Partido deviam chamar o responsável por este crime e sancioná-lo e o Procurador Geral da República, que anda muito atarefado com processos dos pilha galinhas, devia instaurar um processo crime contra os que roubaram o dinheiro destinado a construção do Hospital Geral de Luanda.
In morrodamaianga.blogspot.com/

Eu também desconheço que modalidades desportivas se poderão disputar nas fissuras dos estádios. Isto é que é futurismo, sim senhor. Mas que engenho inventivo. Só que nós não temos ainda esse desporto da piscina olímpica.
Estádios da Huíla apresentam irregularidades
Morais Canâmua, no Lubango - 28 de Abril, 2010. As obras dos estádios de Nossa Senhora do Monte e 11 de Novembro, o último pertença do Benfica Petróleos do Lubango, que serviram de apoio às selecções que estiveram no Grupo D do CAN´2010, já começaram a apresentar alguns constrangimentos. O "Jornal dos Desportos" constatou que os referidos estádios começam a apresentar deficiências estruturais que podem perigar inclusive a vida de quem diariamente os utiliza.No Estádio de Nossa Senhora do Monte, cuja gestão foi adjudicada ao Clube Desportivo da Huíla, as deficiências são notáveis a olho nú. Quando chove, por exemplo, a água entra no edifício central, como se não existisse tecto. Há imensas fissuras, principalmente nas chapas de cobertura, o que demonstra, por um lado, que a obra não foi executada com perfeição, e por outro, que a empresa fiscalizadora não cumpriu devidamente o seu papel. A empreitada foi entregue à empresa Omatapalo. Já a Top Sul foi a fiscalizadora da obra, entregue às portas da competição, tendo sido louvada pelo grau de intervenção que ela mereceu, comparando com o estado degradante em que se encontrava. Porém, a verdade é uma: as águas da chuva jorram no interior do edifício como torneiras de alta pressão. Já no estádio 11 de Novembro, pertença do Benfica do Lubango, uma parte do compartimento administrativo pode ceder a qualquer momento. Por detrás da baliza do lado Sul, foram construídas algumas dependências que serviram de apoio aos jornalistas, atletas, técnicos, médicos e outros por altura do CAN’2010. Segundo apuramos, parte deste edifício ameaça ruir, pois, existem inúmeras fissuras que fazem prever que as paredes podem desabar a qualquer altura. A Mega-Construções foi a empreiteira da obra, que teve como fiscalizadora a empresa Lupa.
http://jornaldosdesportos.sapo.ao/24/0/estadios_da_huila_apresentam_irregularidades

Um significativo atentado à nossa segurança nacional aqui representado pelos nossos SIE. Uma tamanha monstruosidade que não pode, nem deve ficar impune. Se ficarmos sem serviços de inteligência, o que será de nós?! Isto é um atentado contra a nossa soberania. Caramba! Nem a nossa segurança nacional está imune. Isto só pode ser uma conspiração contra o nosso Estado.
Desabamento na nova sede do SIE
Bastidores. Terça, 29 Dezembro 2009 02:09
Lisboa - Estão a ser identificadas fissuras, traduzidas em erros de construção, nas novas instalações do Serviço de Inteligência Externa (SIE) inaugurada pelo Presidente da Republica, José Eduardo dos Santos, a 11 de Novembro do corrente ano. O primeiro sinal de “falhas” da obra terá sido notado na manifestação do Chefe de Estado no dia da inauguração da sede. Após as primeiras chuvas de Novembro, a sede do SIE ficou desabada/inundada e com registo de fissuras na cozinha do edifício. Localizada na comuna de camama, a sede do SIE foi construída por chineses em dois anos e esta avaliada em mais de 78 milhões de dólares. O edifício é composto por quatro blocos e numerosos compartimentos, entre os quais gabinetes de trabalho, ginásio, piscina, área de lazer, refeitório, auditório e outros.
Comentário
Troika do Mal said: 78 milhoes e um mês depois ja tem fissuras?!!!
Sobrefacturaram e usaram materiais de baixa qualidade! Alguem tem que ir para a cadeia por este crime. Fonte: Club-k.net

E a nossa Cidadela Desportiva? Mas que maravilhoso invento para aproveitar a água da chuva. Muito funcional, muito actual. Isto é que é um estádio ecológico.

Belo exemplo da engenharia chinesa importado em exclusivo para Angola?
Prédio desabou em Shanghai (2009/06/27
Métodos de construção inadequada são acreditados para ser a razão do colapso do edifício sábado passado, em Xangai, de acordo com um relatório da equipa de investigação. O relatório disse que os trabalhadores cavaram uma garagem subterrânea em um lado do edifício, enquanto na terra do outro lado estava empilhado até 10 metros de altura, que era aparentemente um erro de construção. "Qualquer empresa de construção com o senso comum não faria tal erro", disse um perito da equipa de investigação. No início desta semana, também houve relatos dizendo que as rachaduras na parede de prevenção de inundações, próximo do edifício, bem como as condições geológicas especiais na área de banco de água, pode ser parte da razão para o colapso. "Esses fatores não são a razão básica deste acidente", disse o especialista.
In http://www.zonaeuropa.com/200906c.brief.htm#012
Imagem: Colapso de edifício em Shanghai








domingo, 2 de janeiro de 2011

A “viagem” de Kinguri. Um reino tranquilo nas margens de um rio (6)


ANTÓNIO SETAS


A fundadora da “seita”, “Temba Andumba”, era uma filha de Ndonje. Depois de se ter tornado uma corajosa rainha guerreira, e ter conquistado muitas terras, deixou-se embriagar pelo sucesso militar e introduziu leis e rituais (yijila, sing. kijila) destinados a preservar o seu estatuto como o mais temido e o mais respeitado governante de Angola. Primeiro, mandou buscar a sua própria filha ainda bebé, pegou na criança e lançou-a num grande almofariz, usado normalmente para reduzir os cereais a farinha. Em seguida, “Temba Andumba” agarrou num grande pilão e, sem misericórdia, reduziu o bebé a uma massa informe de carne esmagada e sangue. Adicionou àqueles restos humanos certas raízes, ervas e pós e ferveu toda a mistura para obter um unguento a que chamou” maji a samba”. Untando com o maji a samba o seu próprio corpo e o dos seus mais próximos apaniguados ela iniciou uma nova campanha de terror e conquista, devastando todas as terras ao seu alcance. E, para celebrar a vitória ordenou aos seus seguidores que pegassem nos seus próprios filhos, os cortassem em pedaços , e comessem o que daí restava como sinal de devoção às leis, yijila do reino. A páginas tantas “Temba Andumba” apaixonou-se por um certo Kulembe, cuja posição social lhe era inferior, mas que a igualava em bravura e crueldade. Por ambição, Kulembe desejava reivindicar para si próprio o prestígio da rainha e resolveu simplesmente matá-la para se apropriar do seu reino. Assim, durante muitos anos, enquanto “Temba Andumba” dilatava o seu reino, ele camuflou as suas demoníacas intenções, acabou por ganhar a confiança da rainha por meio de lisonja e fingida afeição e, por fim, casou-se com ela. Não muito tempo depois do casamento, convidou a esposa para um jantar de cerimónia, tradicional entre o seu povo, e assassinou-a, deitando-lhe veneno da bebida. Kulembe conseguiu esconder ao seu povo a sua cumplicidade no assassinato da rainha e induziu-o a aceitá-lo como legítimo sucessor e governante dos adeptos das yijila. A fim de consolidar o seu prestígio e a sua autoridade mandou matar um número indeterminado de pessoas em memória da rainha “Temba Andumba”, e deu de seguida início a uma terrível campanha militar em colaboração com os seus mais bravos generais, chamados “Calanda, Caete, Cassa, Cabuco, Caoimba e muitos outros (Cavazzi)”, e em conjunto, em pouco tempo se tornaram senhores de uma área ainda maior do que a conquistada pela famosa “Temba Andumba”.


Os aspectos significativos desta narração são as afirmações de que certos títulos de leste se juntaram ao kulembe para formar uma nova e muito poderosa força militar, o kilombo.

1) A primeira mulher do chefe do kilombo detém uma posição conhecida mais precisamente por tembanza, mas personificada nesta tradição por “Temba Amdumba”. Títulos com a mesma raiz de tembanza aparecem para sudeste, através toda a região dos Cokwe muitas vezes associados a rituais idênticos ao maji a samba

(os maridos de certas irmãs de chefes Cokwe recebiam o título de sambanza, evidentemente de mesma raiz que tembanza. A sobrinha mais velha do rei de um grupo de povos actualmente a viver no norte do Botswana, junto do rio Okavango(os Mbukuxu), tinha o nome de mambanje, e desempenhava uma função crucial na manutenção do bem-estar do reino, já que coabitava, para fins rituais, com o seu tio, o rei, e partilhava com ele os segredos da produção da chuva. E, como mais uma referência à maji a samba, alguns dos bebés nascidos das uniões incestuosas do rei com a mambanje eram assassinados e sacrificados segundo esse ritual. Os eleitores Mbukuxu escolhiam os sucessores dos seus reis entre as crianças sobreviventes deste grupo)
1) A impressionante semelhança entre as cerimónias de fazer chuva dos Mbukuxu e a morte ritual de crianças necessária à preparação do maji a samba, reforça a identificação da tembanza do kilombo com o título mambanje dos Mbukuxu.
2) O bando do kinguri adoptou provavelmente os rituais do maji a samba, assim como o título central da tembanza, quando já se encontravam entre os Cokwe e abandonaram os seus rituais linhageiros. O maji a samba conferia uma invulnerabilidade mágica de substituição à que decorria outrora dos rituais próprios das linhagens agora perdidas.
3) No sentido metafórico, a cerimónia ritual de “matar os filhos”(assim como a preparação do maji a samba) simbolizava o poder absoluto do governante sobre os seu povo, já que os “filhos” da narrativa representam os súbditos de um chefe político( tal como a imagem do kinguri, assassinando escravos de cada vez que se sentava ou levantava), em contraste com os seus parentes, que são sempre descritos como “sobrinhos e sobrinhas”.
4) No sentido mais literal, porém, a matança dos filhos, quando praticada por toda uma população, torna-se um meio de abolir as linhagens (ver o kinguri com a sua proibição de fazer filhos, com o mesmo resultado estrutural, a abolição das linhagens).
5) O uso do maji a samba pode ter começado como um ritual praticado apenas pelos líderes do grupo, como mais tarde entre os Mbukuxu, mas o seu significado estrutural mudou completamente quando se estendeu do rei (simbolizado na narrativa por “Temba Andumba”) para todos os súbditos do rei, ilustrando o modo como da extensão de uma noção antiga se podia produzir uma inovação política relevante.
6) Tal como no modelo geral das genealogias perpétuas dos Mbundu, o “casamento” entre um homem e uma mulher (a qual, habitualmente significa um grupo de linhagens, mas neste caso significa um bando sem linhagens) é representação de subjugação de um povo a um título político. Neste caso o casamento com Kulembe representa a união dos aderentes do culto maji a samba com o kilombo, a sociedade iniciática guerreira do kulembe .

Provas linguísticas revelam um pouco acerca da natureza do antigo kilombo, embora pese a falta de uma informação clara sobre as instituições políticas e sociais do planalto de Benguela no tempo do Estado do kulembe. A prova mais directa vem de um povo chamado Mundombe, de língua Umbundu, próximo de Benguela, que ainda no séc. XIX chamava kilombo ao seu campo de circuncisão. A palavra ocilombo, no Umbundu padrão moderno, refere-se ao fluxo de sangue de um pénis recém-circuncidado; um termo aparentado, ulombo, designa um unguento preparado a partir do sangue e dos prepúcios dos iniciados dos campos de circuncisão. O radical, lombo, (a não confundir com lumbo, que designa uma “paliçada”, “muro”) que constitui a base destas palavras, identifica o termo kilombo como exclusivamente Umbundu, já que contrasta com a palavra Mbundu e Cokwe para as cerimónias da circuncisão, que é mukanda.
A palavra kilombo, portanto, indicava como origem da associação guerreira do kulembe um campo de circuncisão dos Ovimbundu.

Imagem: http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/pepetela/tchokwes.html

35 Anos de solidão


Gil Gonçalves
Manos! Estejamos preparados e vigilantes, atentos aos sinais Dele. A vinda do Senhor está próxima. O Senhor está quase a chegar!
Os melhores repórteres da noite são os seguranças. Creio que não existe ninguém além deles para narrar o conspícuo silêncio do mergulho das noites das jovens moribundas do outro governo angolano. Os seguranças são clientes assíduos das jovens mães Sem Futuro, que carregam bebés nas costas e suplicam para os seguranças: «Dá só quinhentos, mesmo quatrocentos… pronto, faço abatimento, kilápi, amanhã passo para te cobrar!» e se o segurança não lhe paga, sai tal escândalo que ele tem de fugir-lhe, esconder-se, senão o patrão vai-lhe despedir.
O preço do petróleo sobe, a chuva arrasta Luanda, os destroços das obras de fachada do erário público, e o preço da fome ultrapassa de muito longe o espectro do passado petrolífero. Este é o tempo presente em que uma minoria incansável fala do petróleo, a maioria vive esquelética num poço seco, abandonado sem petróleo, abarrotado de ossadas humanas.
«Dos sonhos e dos números cozinhados ou não mas que no essencial são em suma os que convém a certos figurões para continuarem a fazer crer que vivemos no País das mil maravilhas. Do outro, o real, retratado pelo 5 de Fevereiro de 2008 e pelo 1, 2 e 3 de Setembro último, sem água, ou com água às vezes, sem luz, ou com energia às vezes, sem transporte, ou com transporte às vezes, sem lar, sem emprego e com fome onde o único futuro melhor é esperar pela morte e quiçá desejá-la para que o alívio chegue depressa. Já não se percebe realmente o que é que esta gente quer? O que é certo é que se pelam por andarem com o “saco das notas” na mão.» in canalmoz
Ingenuamente, sem nos darmos conta, lutámos para colocar Cavalos de Tróia, renovar outros escravocratas no poder. E o martírio da população da Tchavola clama, entontece, porque os chineses impuseram tal condição para o transporte das matérias-primas pelo caminho-de-ferro. O que a China quer, necessita desesperadamente é de minérios. E onde encontrá-los com facilidade e a preços de saldo? Por aqui, claramente! Na Angola, promovida a colónia penal chinesa. A China liberta-se dos seus malfeitores degredando-os como outros de outrora, para a sua novel colónia além-mar. Neste terror e deste Politburo, restam apenas ténues recordações nas brumas do presente. E o povo angolano não conseguiu sair da escravidão, não passa de meras imitações colonialistas. O Povo é o lixo, e o lixo é o Povo. E quando alguém não consegue abastecer a população com energia eléctrica e água, deve urgentemente abandonar a administração e dirigir-se para a escola do ensino primário mais próxima.
E continuamos neste impasse nacional e mundial, porque ninguém acredita nos bancos, nem nos sistemas políticos e muito menos em quem os conduz. Afinal os bancos viveram e pretendem continuar escondidos na sombra dos democratas. O sistema bancário é totalmente incompatível com aquilo a que ainda se ousa chamar democracia. É que por incrível que pareça, nunca aconteceu tanta miséria local e internacional como nestes tempos tão democráticos.
O Mundo está fascinante: facínoras disfarçados de democratas destruíram a democracia, países, povos e o alvorecer do entardecer angolano e africano. Não entendo como é que homens se deixam ainda escravizar por alguns homens. Que futuro nos espera, o de homens sempre vergados e vergastados perante outros homens? Não existem homens poderosos, há é homens medrosos. E lá vamos sem energia eléctrica rumo ao subdesenvolvimento.
Angola é por liderança, quartel firme da especulação imobiliária em África. A única coisa que o Politburo não nos mente e cumpre sempre tão fielmente, tão sabiamente, é os decretos da miséria constitucional. E a nós falta-nos tudo, mas a eles não lhes falta nada. A aposta certa é o investimento no incremento do analfabetismo para contentamento dos guardiães e assessores especuladores imobiliários. E contudo estamos juntos mas sem futuro. É inevitável, Angola está vendida a especuladores imobiliários e à independência mortal. Com geradores que nos gaseiam nos terraços, nas varandas, nas traseiras dos prédios… está tudo tão podre que até já se instalam geradores em qualquer local sem se medirem as consequências. Luanda é como uma gigantesca câmara de gás nazi com chaminés das fumarentas carnificinas. Tão loucos são pelos petrodólares que até se deixam envenenar pelo caudal mortal dos geradores… e tudo se envenenou e nos envenenaram. Nesta luta de libertação, o que se passa em Cabinda e nas outras esquecidas províncias de Angola, é a Luta pela Liberdade e contra a opressão. É como a Luta de Libertação travada pelo MPLA contra o regime colonialista de Salazar. E abundam os subsídios para a novel literatura angolana. Excessivos escritores e poetas que labutam com ardor… revolucionam nas suas especialidades os seus comités, as medíocres obras lavradas nos campos incultos, exaustos do tudo sem agricultura, do apascentado gado tresmalhado sem pasto nas obras sem páginas. E são eles que movem a única história de um partido único. Tecem-lhe considerações, literatura bajulada e sempre premiada. Glória a tantos escritores e poetas que enaltecem os feitos dos bajuladores da literatura angolana. Camaradas escritores e poetas únicos… LOUVAI-VOS! Hei-vos sempre chegados e refrescados. Sempre as mesmas palavras bolorentas, dos mesmos mandantes recheados de naftalina, enquanto a miséria galvaniza a fome. Conversas anormais, de país anormal, animal. Enquanto a voz do povo se lamenta intramuros: Empregos? É só para os brancos! O angolano, é essa actual assombração que presentemente chafurda na maldade como animal ferido. Empurrado, educado no modo animalesco compete-lhe na sua função estragar, destruir o outro. Perdeu-se por completo na noção do bem e destrambelhou-se na louca correria do mal. Move-o a ânsia do destruir, provocar o cataclismo. Sente-se muito feliz com a desgraça alheia. Militante fanático da religião da feitiçaria, nela se entrega, conspira. Fazer e ver o semelhante sofrer com a morte mais cruel. Selvajaria, assim se perde nas cavernas dos tempos, o homo angolensis. Que já se adensou no último estádio do futebol da involução. Desapareceu, já não existe. Não anda, arrasta-se na morte que é a sua amiga sincera. E tudo apagou, e com isso destruiu-se, demitiu-se. E em passos largos atingiu a meta da outra vez irremediável colonização e escravidão. Que da maneira que as coisas estão já não consegue retroceder. As naus desesperam-no, as espumas vermelhas marítimas dançam ao som do último kizomba, nos corpos arroxeados da nova tragédia de uma nação exaurida com muitos governantes, mas sem povo. Não se concebia tanta espoliação.
Há séculos que as igrejas abundam em África e as populações cada vez mais se afundam na miséria. Povo abandonado é povo espoliado. Esta é a história da civilização da propensão à gatunice, e em Angola isto já não é roubar. É o expoente máximo da selvajaria económica. Há homens que fazem obras de beleza extraordinária, outros destroem-nas. Não entendo! Quanto mais desenvolvimento tecnológico, mais miséria. A tecnologia é um subterfúgio para espoliar e desalojar as populações. E por isso mesmo, não há nenhuma diferença entre as igrejas, os bancos e as ditaduras, todos são investidos pelos poderes divinos. São os representantes de Deus na Terra.
Nababos! Angola é, por vontade própria, trincheira firme da corrupção em África e no Mundo. E também da discriminação, senão atentemos: É que só um grupo muito restrito tem autorização para roubar. O Politburo cumpriu o seu plano a 100%, vendeu Angola aos estrangeiros. E agora, como é?! As coisas são assim: os bancos (?) vigarizam o desgoverno, e o governo vigariza os bancos. De facto e de jure é a maior fantochada de todos os tempos. Aventureiros e corruptos num território em que estrangeiros não têm a mínima noção do que é África.
Somos extraordinariamente macroeconómicos. Há trinta e cinco anos que estamos na recessão, porque estamos desempregados. É tudo processado num Estado de facto e de jure mas, as leis não funcionam. Levanta-te escravo e caminha! Quem governa a fingir, está num país imaginário.
Compete-nos exigir: Chefe ordene! Estamos prontos para a câmara de gás! A ditadura persegue o Terror e anuncia que a fome é certa.
O problema de Luanda é que os intelectuais chiques e perfumados da oposição apenas mobilizam as rádios, parece que já acabaram (!). Não vão no terreno informar, apascentar a população para a revolução final. Mas que oposição? A UNITA parece dormir vinte e quatro sobre vinte e quatro horas. Nem capacidade consegue para fazer uma greve parcial. Da maneira que Angola está invadida por forças de ocupação estrangeiras, isto não é periclitante? Inevitável para descontrolados conflitos xenófobos? E depois nada mais cómodo do que culpar os angolanos pelo caos criado? E ouvi aí numa rádio, creio que na LAC, Luanda Antena Comercial, que a Costa do Marfim dividiu-se… repartiram-na em duas. É, Luanda conseguiu um feito notável: tudo e todos na ilegalidade. Não dá para perceber! No tempo do colonialismo branco era lícita a libertação com a luta armada. Agora, com o colonialismo negro não se permite mais luta de libertação?! Sinceramente, não entendo! E é um facto notável. O poder angolano reconstruiu outra Argélia, onde demonstra na prática que é uma força de ocupação, mais os seus amigos estrangeiros. Muita resistência ao invasores nos espera. Obrigamo-nos a lutar pela unidade nacional e identidade cultural, sob pena da extinção da Nação. Isto significa que temos de nos esforçar, resistir contra as forças de ocupação do Politburo, e dos invasores estrangeiros. Que nos exploram, nos escravizam e nos envenenam. Este ferro quente não dá para temperar, está demasiado corrompido. No momento actual, nesta realidade, estamos neocolonizados por forças de ocupação estrangeiras e em especial por forças Politburanas. Da maneira que a situação se apresenta, pode-se aventar a hipótese que está em curso: um plano diabólico de extermínio da população?
Os fundamentos desta sociedade, os pilares, assentam em princípios ínvios. A história que nos contaram, a religião, os valores, são a coisa mais inconcebível que se pode imaginar. É tudo ilusão, sonho, invenção. É necessária e urgente uma nova concepção, uma nova filosofia. Porque não podemos continuar a viver de mentiras impingidas, forçadas ao longo dos séculos. Temos que nos libertar, encetar a vida que há dois milénios não nos deixam viver. Estamos sufocados, perdidos na teimosia de religiões que não nos deixam prosseguir na nossa libertação espiritual. Libertemo-nos dos que nos dominam. Purifiquemos as nossas mentes. As religiões aliam-se, encostam-se sempre ao poder. E não são sempre as mesmas que nos libertam, pelo contrário, oprimem-nos, perseguem-nos dia e noite. Milhões de mortos pereceram pela infalibilidade de profetas vulgares, sonhadores, quando em todos os tempos se atribuem os sonhos a mensagens divinas.