quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Uma potência com pés de barro e medo da concorrência


Queremos crer, que as razões que levaram ao pedido da moratória para aplicação do protocolo comercial da SADC sãos as mesmas utilizadas para atrasar a entrada em vigor da nova Legislação Fiscal e as mesmas que levaram a introdução dos enunciados “custos do contexto” (burocracia excessiva, dificuldades migratórias, etc) que tem impedido ou dificultado a entrada de investidores estrangeiros no mercado angolano.

As razões afunilam-se na necessidade de “estruturar” uma burguesia forte que seja senhor de todas as infra-estruturas e equipamentos sociais e económicos susceptíveis de transferência ao domínio privado.

É uma visão interessante, embora politicamente incorrecta. Contudo, até a burguesia aparecer lá foram bons preciosos anos que permitiriam um desenvolvimento acelerado com a entrada frenética de capitais estrangeiros e com a circulação de mercadorias essenciais na região com suporte de uma política fiscal moderna e adaptada aos desafios da economia de mercado que se pretende.

Com uma dívida pública a rondar os 38.7% do PIB (estimada em 30 biliões de dólares norte americanos), mesmo quando valor estimado do PIB ronde os 100 biliões de dólares americanos, não faz sentido suspender a entrada de capitais estrangeiros que até elevariam o PIB e com ela a capacidade de pagamento do Estado num serviço de dívidas cada vez menos onerosa para a economia.

Se o sector agrícola cresce, é urgente o nascimento de uma indústria transformadora da produção agrária. Esta depende em grande medida de Know-how e tecnologia que em geral é trazida pelo investimento estrangeiro. Se não, com as portas fechadas para a SADC, começaremos a verificar perdas abundantes de produção que levarão ao desencorajamento os empresários deste sector.

Como, aliás, já se tem verificado em escala assustadora. Ou seja, a falta de investimento estrangeiro pode ser um indesejável freio para o crescimento e diversificação da economia nacional.

Se a ANIP (Agência de Investimento Privado) foi instruída para desburocratizar o processo de transferência de capitais e tecnologias bem como a constituição das respectivas empresas é bom que sejam consideradas as parcerias público-privadas neste processo. Não faz sentido, pretender-se acelerar a constituição de empresas num Guiché Único da Empresa (GUE) quando outros actos necessários a legalização e funcionamento da empresa continuam encravados na burocracia inutilizando a celeridade pretendida.

Atente-se para esta situação frequente na nossa realidade: a legalização de uma empresa no GUE leva um único dia, porém os alvarás e as licenças das actividades económicas levam semanas porque são tratados fora deste contexto ou ainda a documentação dos empresários necessária para dar entrada no GUE levam semanas a organizar.

Para além de que a Publicação no diário da República de pactos sociais de empresas constituídas com urgência levam tempo a acontecer. Ou seja, o processo de legalização de empresas compreende uma fase inicial demorada, uma fase intermédia acelerada e uma fase final demorada. Conclusão: o investidor continua preso a uma burocracia excessiva.

Ora, o licenciamento de firmas de consultorias especializadas em organização de empresas levaria certamente a “desfazer” o excesso de burocracias para além de ajudar a estender os serviços para as diversas províncias reduzindo os esforços do Estado em reduzir a burocracia neste sentido: uma parceria público-privada muito válida, se explorada com eficiência e eficácia, é necessária para a própria reestruturação da ANIP e para que Angola seja um verdadeiro amigo do investimento.

A regularização imobiliária para a facilidade de crédito é das medidas mais credíveis para impulsionar a relação entre o cidadão e os bancos para fins de crédito.

Aqui o executivo anima as mentes mais optimistas quanto a uma verdadeira reforma neste sentido. Há muito estava claro que a falta de titularidade da propriedade imobiliária era o principal factor de constrangimento e inibição da economia privada.

As reformas legislativas com o fim de reduzir determinados documentos necessários a regularização imobiliária devem ser acompanhadas com a conclusão dos planos urbanos directores nacionais e locais.

Não faz sentido facilitar a legalização de imóveis cuja definição espacio-territorial é duvidosa e como tal provisória. Legalizar fazendas agropecuárias achadas em futuros centros urbanos representam engajamentos financeiros desnecessários e evitáveis.

A linha de crédito para agricultura orçada em 350 milhões de dólares norte americanos disponíveis pode ter juros bonificados na ordem dos 5% e ser financiado pelo Estado com 80% e pela banca comercial com 20%.

Porém, a falta de regularização fundiária é neste momento o único obstáculo que torna este crédito apenas visível pelos binóculos de agricultores industriosos que dele carecem. Se resolvida esta questão todos os outros problemas desaparecem como sejam a falta de acesso e de infra-estruturas. Destes a engenhosidade e a audácia dos empreendedores se encarregam.

Não é completamente certo que o aumento (ou melhor a fixação real) do preço dos combustíveis tenha efeitos episódicos no que toca ao aumento generalizado dos preços por não se esperar a sua duração prolongada.

O aumento da taxa de inflação, que actualmente ronda os 13%, pode acontecer por diversas razões, muitas delas atreladas a razões de falta de coerência na utilização e aplicação dos instrumentos e medidas macroeconómicas. Se a economia cresce é pela sua perigosa dependência do sector petrolífero.

A taxa de desemprego não é aceitável, os níveis salariais menos motivadores e a política cambial pouco clara. São factores claros de estrangulamento que levam a economia a configuração de uma bomba-relógio para efeitos do aumento da taxa de inflação.

Não é portanto, segura a ideia de que o aumento da taxa de inflação é descartável. Mas, a intenção de reduzir os subsídios do Estado para desencadear a política de redistribuição de rendimentos é uma medida próxima de ser certa.

É mais benéfico ao funcionário público a possibilidade de transferir o filho de um colégio caro para uma escola pública gratuita com mesmo nível de condições de ensino do que ter o salário aumentado com as custas do colégio a onerá-lo.

A política de redistribuição de rendimentos tem a vantagem de aliviar a carga de despesas que incidem sobre os rendimentos. Até porque, por mais aumento salarial que se registe no contexto económico actual, os rendimentos serão incapazes de ajustar-se ao nível de vida desejável. Nada melhor do que apostar em programas sociais que melhorem os sectores da saúde, da educação e da protecção social dos cidadãos vulneráveis. Contudo, os salários actuais podem ser ajustados simultaneamente a aplicação das medidas redistributivas do rendimento nacional.

Aliás, há muito é desejável a redução ao mínimo possível dos subsídios. Os cidadãos devem passar a pagar os custos reais dos bens e serviços públicos e serviços prestados pelo Estado e pelas suas empresas, ao mesmo tempo que os rendimentos devem ser ajustados e as iniciativas informais integradas na economia formal, para que se verifique uma melhoria generalizada na oferta de bens e serviços da economia e os seus destinatários sejam capazes de racionalizar a utilização e o consumo dos mesmos.

Economias centralistas do Estado suportadas por regimes totalitaristas, utilizam a política de subsídios para gerar o efeito anestésico aos cidadãos que assim perdem a capacidade de reivindicar pela melhoria dos serviços e de estabelecer uma utilização racional dos bens e serviços. É preciso motivar o empreendedorismo pelo uso racional dos recursos disponíveis e sua rentabilização quando necessária.

A contínua adaptação do Estado a nova Lei Constitucional sobretudo no que toca a nova Administração Pública, passa não só pela formação de altos funcionários do Estado, como pela coragem dos “congelados” membros dos comités de especialidades e outros organismos sociais afins, incluindo os partidos políticos, que se apresentam como sombra de si mesmos em debater e propalar assuntos jurídicos atinentes junto das populações desatentas para que a harmonia entre os governantes e os governados seja progressiva.

De todo o modo, ficou por se apresentar o balanço do estado do programa de combate a pobreza e a corrupção, do programa das um milhão de casas, do programa água para todos, da situação da tão ansiada política fiscal e de outros projectos há muito anunciados e que amarelecem nas prateleiras do esquecimento.

Espera-se que não se verifique qualquer descontinuidade entre as últimas promessas eleitorais e os programas executivos sujeitos a balanços periódicos.

O balanço trimestral do governo


A segunda conferência sobre o balanço trimestral do executivo apresentada em Luanda na Cidade Alta a 3 de Setembro do ano em curso permite reconhecer a demonstração de uma rara coerência do Governo em manter as conferências de imprensa com o fito de apresentar balanços periódicos do seu desempenho. Representa simultaneamente um gesto cívico-didáctico ao possibilitar o exercício de avaliação periódica dos programas executivos pelos eleitores e um gesto de responsabilidade política ao desencadear a recuperação da confiança dos cidadãos pelas melhores práticas políticas. É igualmente uma oportunidade para os partidos políticos monitorizarem os programas e os balanços correspondentes apresentando contrapropostas tecnicamente organizadas e politicamente credíveis que motivem os angolanos a fazer fé na prática responsável do exercício político.

Albano Pedro

Tendo sido apresentado na primeira aparição dos delegados do executivo uma perspectiva programática, em matéria de projectos e investimentos sociais e económicos para o médio e longo prazo, afigura-se prematuro qualquer balanço a este propósito já que nem metade dos projectos anunciados saiu das intenções sobretudo devido, em parte, a crise financeira que se abateu contra o Estado angolano. Contudo, prestou para o preenchimento de certas “lacunas” deixadas na primeira intervenção, nomeadamente a perspectiva programática da dimensão social, i.é, da política social que se bastou, na primeira conferência, a simples informação sobre o aumento insignificativo do salário na função pública, dando então provas da falta de interesse do Governo pela dimensão social do programa executivo.

Desta vez, o executivo teve a coragem de acrescer alguns “itens” no pacote social e percebeu-se que a preocupação fundamental foi a regulação do sector da saúde, com a nova política nacional de saúde; política nacional farmacêutica e de gestão hospitalar com as quais o executivo pretende organizar o sector para além de estabilizar as correspondentes quotas financeiras a partir do OGE.

Para o sector da educação é de nota a necessidade de resolver o problema de fundos de maneios para as muitas escolas e universidades que foram criadas e institucionalizadas sem qualquer visão imediata nos meios materiais e financeiros para a administração das mesmas. Cabinda e Luanda foram apontadas como as províncias a beneficiar de medidas especiais no que toca ao reforço da capacidade técnica dos governos provinciais e das administrações municipais.

Para Luanda foram anunciadas medidas excepcionais com vista a dotar de capacidade técnica capaz de permitir o controlo dos problemas causados pelas chuvas e outras calamidades naturais.

Aqui fica clara a projecção de rede de esgotos e outras infra-estruturas técnicas com vista a tornar estável o saneamento básico. O executivo faz-nos mesmos sonhar com o fim das lamas pestilentas com consistência de alcatrão que inunda os bairros da cidade de Luanda em época de chuvas.

O acento máximo da política social é colocado no programa de construção de moradias sociais para servir as populações a transferir de zonas alvos de requalificação urbana e de construção de infra-estruturas técnicas bem como daquelas populações vítimas de calamidades naturais.

Programa estipulado para o fim de 2010, 2011 e 2012. Não há dúvidas que há muito se esperou tamanha novidade. Pois, não estava clara a política habitacional perspectivada com um milhão de casas que feitas as contas seriam todas vendidas aos cidadãos, maior parte delas incapazes de as adquirir, mesmo com preços-tipo-oferta. Não estava evidente a possibilidade das enunciadas centralidades de Cacuaco, Zango e Kilamba Kiaxi totalizando centenas de milhares de moradias servirem populações dos municípios do Sambizanga, Cazenga, Kilamba Kiaxi, Samba, etc.

Tudo, se mostrava mais claro quando se pensasse que tais populações acabariam “despedidas” para fora de Luanda batendo-se por espaços para construções anárquicas nas fronteiras entre as províncias do Bengo e Kwanza Norte ou Kwanza Sul. É um fantasma que se apaga com o, agora, anunciado programa de transferência de tais populações para moradia sociais gratuitas, de Luanda e de outras cidades. É sem dúvidas um elemento de grande dimensão social embora não se tenha falado em mais nada com importância aproximada.

No domínio económico a novidade mais animadora é a recuperação ou retoma do sector mineiro, sobretudo o diamantífero em que dados estatísticos a provar, levam-nos prima facie a verificar um esforço aceitável no relançamento desta importante actividade económica.

A necessidade de protecção da economia nacional é uma medida interessante já que se apresenta urgente proteger a crescente produção agrária nacional que apodrece por falta de escoamento ou falta de compra contra alimentos naturais importados sem quaisquer justificações qualitativas ou quantitativas.

Se a diversificação da economia se assiste com o crescimento dos sectores da agricultura, construção civil e energia, as medidas proteccionistas podem ser doseadas na proporção do aumento qualitativo e quantitativo dos mesmos.

E nisto, polémica nasce com o pedido de moratória para a integração comercial de Angola na SADC. Pretende-se aplicar o Protocolo Comercial tão logo a economia nacional atinja níveis de estabilidade aceitáveis para competir com as economias vizinhas (Zâmbia, Zimbabwe, Congo, Namíbia, Botswana, etc.).

Não concordamos.

O protocolo comercial pode ser aplicado parcialmente e nisso caminharmos paulatinamente. Afinal, é nos favorável uma série de vantagens comerciais como sejam a importação de matérias-primas da região sem custos aduaneiros e outras mercadorias em que Angola não precisa recear qualquer concorrência.

Universidade Katyavala Buila em ebulição. Decanos e professores contra reitor Paulo de Carvalho


Comissão de inquérito tem oito dias para apresentar resultados, sobre a alegada má gestão da Universidade Katyavala Buila, sedeada em Benguela.

Ernesto Kupandula*

Constituindo-se numa ameaça para a concretização dos objectivos definidos pelo programa do governo, sobre o ensino superior em Angola, cansada das constantes reclamações dos docentes e não docentes, da academia e da, sociedade em geral, a Ministra do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia Maria Cândida Teixeira, socorrendo-se do art.2º, do decreto Presidencial nº6/10 e nos termos do artº 137 da constituição, despachou para a Cidade das Acácias Rubras uma comissão de inquérito coordenada pelo Professor Doutor Kiavo Tamo, Magnifico Reitor da Universidade 11 de Novembro de Cabinda, que curiosamente se encontrava em Luanda a tratar assuntos ligados àquela instituição de ensino superior do norte do país.

A comissão é integrada pelo Director do gabinete de inspecção do MESCT, o Phd Miguel João Manuel Filho e pelo Chefe de departamento da faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, Dr. Florival Raimundo de Sousa.

A situação reinante na Universidade Katyavala Buila (UKB) ultrapassou as raias do normal, segundo alguns académicos, com o Reitor Paulo Horácio de Sequeira e Carvalho, no epicentro de celeuma face ao carácter e métodos de administração, gestão e academia, tidos como autocráticos, egocentristas e desprovidas de rigor, como facilmente se lê num memoradum subscrito pelos Decanos e Vice-decanos das faculdades, institutos e demais unidades orgânicas que compõem a UKB, dirigido a Ministra do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia de Angola à 26 de Julho 2010.

Sobre o Reitor da Universidade Katyavala Buila, pendem ainda acusações de indevida utilização de recursos financeiros provenientes da rubrica do “bónus do petróleo”, do desvio de uma viatura de marca Hyunday Getz de cor cinzenta, para além da constituição de uma rede de trabalhadores fantasmas afectos ao Colégio Reitoral, da qual constam caricatamente uma legião de alguns reputados jornalistas cá da praça, a quem untava as mãos e vários envelopes por baixo da mesa, para blindarem a sua imagem, cujo orçamento para essa “rubrica fantasma” ronda os 6 Milhões de kuanzas/mês e em contra-mão, professores associados e auxiliares estão há mais de doze meses sem a sua problemática salarial resolvida.

No terreno, a equipa de inspectores, ao que F8 apurou de boa fonte, ficou estarrecida e estupefacta com os estragos que têm sido apontados, em tão pouco tempo, ao reitor da Universidade Katyavala Buila, o que deixa subjacente de que se tudo dependesse deles, a essa hora, o sociólogo Paulo de Carvalho não mais seria o magnífico se assim se pode dizer da Universidade Katyava Buila.

A Comissão de Inquérito ouviu vários intervenientes directos e indirectos nas Cidades do Sumbe, Lobito e Benguela, tendo constatado irregularidades no que toca, por exemplo a suspensão a 31 de Maio de 2010 da direcção do Instituto Superior Ciências da Educação (ISCED) nomeada pelo então Secretario de Estado do Ensino Superior Adão do Nascimento, por despacho nº105/09 de 22 de Dezembro, liderada pelo Dr. Carlos Alberto Lopes, sendo a Dr.ª Maria José Garcia Vice-decana p/assuntos académicos, da qual fixara trinta dias para o processo de “inquisição”.

Infelizmente, já são passados mais de 100 dias; a usurpação de competências dos Decanos das Unidades orgânicas, como foi o caso dos exames de admissão; a inexistência de regulamentos e demais legislação que regule e torne a vida académica mais funcional; a violação sistemática da Lei Geral de Trabalho e demais disposições aplicáveis a funcionários públicos e agentes administrativos; para além da indigesta relação interpessoal, onde em abono da verdade e face as evidências custou muito acreditar por parte da missão de inspectores, a indigência e falta de dignidade a que estão voltados alguns docentes com responsabilidades de direcção, muitos até pernoitando em unidades hoteleiras de baixo padrão (pensões de má referencia) e com apenas kz 500.00/dia (quinhentos kuanzas/dia) disponibilizados pela reitoria.

São estes e outros mil e um problemas, dentro de um quadro desolador, de descontentamento generalizado e num ambiente de rotura total entre a reitoria e as unidades orgânicas que até ao dia 14 de Setembro de 2010, a ministra Maria Cândida Teixeira terá de equacionar, sob pena de ver comprometido o ano académico 2010 que se encontra interrmitente.

A Universidade Katyavala Buila foi criada em 2009 ao abrigo do decreto nº7/09 de 12 de Maio do Conselho de Ministros e publicado no diário da República nº87, 1ªsérie, tendo o seu primeiro Reitor nomeado Phd Paulo de Carvalho aportado a Cidade de Benguela à 09 de Outubro de 2009. “Caso a Sr.ª Ministra não decida em definitivo a problemática reinante na Universidade Katyavala Buila em tempo emergencial, nós comunidade académica recorreremos a figura do mais alto Magistrado da Nação Angola ” desabafou de viva voz um docente universitário, tendo todavia optado por não ser por enquanto identificado, para não beliscar o andamento do processo, ao se espera, poderá culminar com a exoneração do sociólogo Paulo de Carvalho.

*Em Benguela

terça-feira, 14 de setembro de 2010

MPLA acusa a UNITA de apelar à desobediência civil


O secretário para a Informação do MPLA, Rui Falcão, disse considerar “grave para o país”, esta situação, em que os alvos são, responsáveis da UNITA através da Rádio Despertar, afecta a esse partido, que têm, "reforçado" os apelos que visam incitar a desobediência civil no país.
“É uma situação grave, que nos deve preocupar e por isso mesmo o MPLA aproveita para apelar a todos os militantes do partido, simpatizantes e amigos para que não reajam a quaisquer provocações, incitações ou convites que contrariem a lei e a ordem”, salientou Rui Falcão.
O porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, considerou estar a haver “um certo nervosismo” da parte do executivo, que procura “desviar a atenção da opinião pública nacional dos problemas reais que a maioria da população enfrenta. Procuram assim criar bodes expiatórios, mas esta situação actual que vivem os angolanos é produto das políticas adoptadas pelo executivo nesses últimos tempos”, disse Alcides Sakala, referindo-se como exemplo ao recente reajuste aos preços dos combustíveis no país.
Alcides Sakala apela à calma do executivo na resolução dos problemas que afectam o país, evitando “os discursos belicistas”.
O MPLA na sua denúncia refere que, a Rádio Despertar tem-se apoiado nos discursos do líder da UNITA, Isaías Samakuva, feitos publicamente e que podem ser encontrados nos mais diversos blogues.
Na última reunião ordinária do Bureau Político do MPLA, foi repudiada em comunicado a “estratégia seguida e suportada por diferentes instituições estrangeiras, perfeitamente identificadas, e organizações e indivíduos, incluindo cidadãos nacionais, recrutados para servirem de pontas de lança, visando manchar tudo quanto o poder executivo faça”.
Sem apontar nomes, o comunicado refere ainda que essa atitude tem como objectivo “tentar denegrir, a qualquer preço, a imagem do Presidente e o bom desempenho da economia angolana, mediante a criação de factos e o levantamento de suspeitas permanentes, com o propósito único de reduzir o apoio popular que tem merecido, condicionar o investimento estrangeiro e mitigar a diferença nas próximas eleições”.
“Conhecedor da estratégia gizada por essas organizações e instituições, aliadas a organizações e cidadãos nacionais contratados, o Bureau Político apela a todos os militantes a manterem-se firmes no cumprimento dos ideais do MPLA”, sublinha o documento.

MPLA amigo, quem não estiver contigo leva um tiro na mona!


A direcção do MPLA considera "graves e preocupantes" os apelos sucessivos à desobediência civil que estão a ser feitos pela Rádio Despertar, emissora ligada à UNITA. Considera-os antidemocráticos, quase parecendo que Angola é uma democracia e um Estado de Direito. Nova purga está a ser preparada.

Orlando Castro

Numa conferência de imprensa, no 08.09, ou sessão de propaganda, o secretário para a Informação do partido no poder desde 11 de Novembro de 1975, Rui Falcão, declarou que os "apelos sucessivos" começaram a surgir na início da semana na Rádio Despertar e têm respaldo nos recentes discursos de alguns dirigentes da UNITA, em particular do seu presidente.
Ao mesmo tempo que critica a UNITA e, dessa forma, incentiva a que mais algumas pessoas choquem contra balas, Rui Falcão pede aos militantes, simpatizantes e amigos do MPLA (ou seja, a todos os que o regime considera angolanos de primeira) a não reagirem a quaisquer provocações, incitações ou convites que contrariem a ordem instituída por um regime que tem um presidente, José Eduardo dos Santos, não eleito há 31 anos no cargo.
"Não podemos cair em atitudes impensadas e irreflectidas trazidas por pessoas que nada fizeram por este país, que o destruíram e continuam, pelas mais diversas formas, a querer atingir o poder", disse, acrescentando que o poder só é legítimo quando as atitudes são democráticas, o que não é o caso.
Nem mais.

A UNITA nada fez, segundo a cartilha do MPLA, por Angola. Todos sabemos, por exemplo, que durante a guerra civil as balas e as bombas do MPLA (primeiro das FAPLA e depois das FAA) só atingiam os maus, ao contrário do armamento das FALA que destruiam tudo. Todos sabemos, ainda, que as bombas lançadas pela Força Aérea do MPLA só atingiam alvos inimigos e nunca estruturas civis.
Aliás, se Rui Falcão pensar bem até vai descobrir que a UNITA é que é responsável pelos mais de 40.000 angolanos torturados e assassinados em todo o país depois dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, acusados de serem apoiantes de Nito Alves ou opositores ao regime.
Aliás, se Rui Falcão pensar bem até vai descobrir que a UNITA é também responsável pelo massacre de Luanda que visou o seu próprio aniquilamento e de cidadãos Ovimbundus e Bakongos, onde morreram 50 mil angolanos, entre os quais o vice-presidente da UNITA Jeremias Kalandula Chitunda, o secretário-geral Adolosi Paulo Mango Alicerces, o representante na CCPM, Elias Salupeto Pena, e o chefe dos Serviços Administrativos em Luanda, Eliseu Sapitango Chimbili.
Assim, angolanos são pessoas como Lúcio Lara, Iko Carreira, Costa Andrade (Ndunduma), Henriques Santos (Onanbwe), Luís dos Passos da Silva Cardoso, Ludy Kissassunda, Luís Neto (Xietu), Manuel Pacavira, Beto Van-Dunem, Beto Caputo, Carlos Jorge, Tito Peliganga, Eduardo Veloso, Tony Marta, José Eduardo dos Santos.
Não angolanos são aquela sub-espécie como Alda Sachiango, Isaías Samakuva, Alcides Sakala, Jeremias Chitunda, Adolosi Paulo Mango Alicerces, Elias Salupeto Pena, Jonas Savimbi, António Dembo ou Arlindo Pena "Ben Ben".
Rui Falcão lembrou, ainda, os avanços registados nas áreas económica e social. Explicou que o país saiu de uma situação de inflação endémica, com taxas mensais acima dos três mil por cento e que este ano deve ficar em torno dos 13 por cento. Para 2011, indicou, a inflação pode, pela primeira vez na história do país, ficar em um dígito.
"Isso pressupõe mais disponibilidade para o investimento público, mais crescimento, mais emprego e redução da miséria", disse. Creio que, devido ao esforço titânico do MPLA, angolanos pobres vão deixer de ser cerca de 70% para passarem a ser... 69,99%.
Rui Falcão afirmou que é pensando nos angolanos que o MPLA continua a trabalhar na melhoria da governação e na gestão da coisa pública. Tem razão. Se se excluir todos os que o MPLA considera angolanos de segunda, a situação até está a melhorar...
"Conquistámos a paz e, fruto disso, obtivemos a estabilidade social e económica e estamos entre as economias que mais crescem no mundo. Mas há ainda quem não esteja satisfeito com o crescimento que Angola tem vindo a conquistar", disse.
De facto é injusto não reconhecer o esforço do MPLA. Creio, aliás, que o partido que governa Angola desde 1975 ainda precisa aí de mais uns trinta anos para pôr o país em ordem. Se calhar o tempo pode ser menos. Basta acabar, pela fome ou pela força das armas, com todos aqueles que são de segunda e que, neste contexto, só sabem chatear o sumo pontífice do regime.
No dia 03, o Bureau Político do MPLA repudiou, em comunicado saído da sua terceira reunião ordinária, a "estratégia seguida e suportada por diferentes instituições estrangeiras, perfeitamente identificadas, e organizações e indivíduos, incluindo cidadãos nacionais, recrutados para servirem de pontas-de-lança, visando manchar tudo quanto o Poder Executivo faça".
E para além de repudiar pôs em campo, tanto em Angola como no exterior, os seus sipaios. O jornalista da Rádio Despertar, assassinado em sua casa, foi um dos primeiros a sentir que o MPLA é dono do país.
"Conhecedor da estratégia gizada por essas organizações e instituições estrangeiras, aliadas a organizações e cidadãos nacionais contratados, o Bureau Político apela a todos os militantes a manterem-se firmes no cumprimento dos ideais do MPLA", sublinhava a nota.
Tão firmes quanto a força das balas, dos dólares e de outras estratégias para calar todos os que ingenuamente ainda acreditam que a força da razão vale mais do que a razão de força.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Angola – A Segunda Revolução. A verdade que o país merece


Livro de Jardo Muekalia publicado no dia 9 em Lisboa, com apresentação de Dalila Cabrita Mateus

Um relato na primeira pessoa das batalhas travadas em prol da democracia após a independência de Angola. Depois de «Cruzei-me com a História», de Samuel Chiwale, a Sextante Editora publica a 9 de Setembro, às 18 horas, na Livraria Bulhosa de Entrecampos, em Lisboa, e com apresentação de Dalila Cabrita Mateus, um novo documento histórico sobre o pós independência em Angola.

Angola – A Segunda Revolução é o testemunho de Jardo Muekalia, que relembra momentos e personalidades marcantes no processo de democratização do seu país. Ainda adolescente, trocou a guitarra pela metralhadora, ingressando no seio da UNITA, até se tornar um alto representante do partido em Washington.
Através de uma narrativa atenta e incisiva e de um conjunto de fotografias, Jardo Muekalia dá-nos acesso privilegiado aos bastidores de um país devastado por anos de guerrilha em busca de uma democracia rechaçada por vontades, desacordos e ambições da geração mais velha.
O enredo:
«Quero partilhar com os leitores desta obra parte da experiência que vivi quando jovem, durante o processo de independência do país, os anos de guerrilha que se seguiram à proclamação da independência, e o processo de negociação que conduziu às primeiras eleições da história de Angola. Esta é, antes de mais, uma narração dos acontecimentos, vistos do meu ponto de vista, como parte de uma geração, na altura adolescente, que se viu arrastada pelo vendaval da revolução, numa corrida imposta por vontades, desacordos e ambições da geração mais velha. (…) Esta obra não pretende ser história absoluta. Ela é, como disse acima, apenas uma narração da minha trajectória na luta pela inclusão democrática, relato de uma vida entregue e moldada pela “revolução”.» - Jardo Muekalia, Preâmbulo.

Sobre o autor:
Jardo Muekalia nasceu a 20 de Setembro de 1959, na província do Huambo, em Angola. Integrou a guerra de guerrilhas quando tinha 16 anos. Fez a sua formação militar em Rabat, Marrocos, tendo mais tarde integrado a missão externa da UNITA. Chefiou a representação da UNITA em Londres e, durante 10 anos, representou oficialmente o Partido em Washington, onde assegurou o programa mais ambicioso de ajuda norte-americana a uma entidade não-estatal africana.
Conduziu várias missões diplomáticas em África e na Europa, participou nas negociações de paz em Abidjan e Lusaka e esteve presente em todas as cimeiras Eduardo dos Santos/Jonas Savimbi realizadas no exterior.
Mestre de Relações Internacionais pelo Institute of World Politics de Washington, foi Secretário Adjunto para as Relações Exteriores da UNITA e é reformado das Forças Armadas de Angola, com a patente de brigadeiro.

Comentários:
Este é o tipo de livros que nos faz virar as páginas rapidamente para descobrirmos o que vem a seguir. Durante duas décadas considerei o Jardo como um amigo, mas nunca imaginei que fosse capaz de escrever um livro tão impressionante. Este livro deve ser lido em todo o espaço de expressão portuguesa e, eventualmente traduzido para outras línguas… -
Jerry Bender, Professor de Relações Internacionais da Universidade da Califórnia do Sul.
Um texto autobiográfico cativante porque não se limita a narrar e constatar os factos. Analisa com profundidade os eventos, os diferentes contextos nacionais, regionais e internacionais que marcaram os longos anos da guerra civil em Angola, os protagonistas tanto fora como dentro d UNITA; aborda com um louvável esforço de objectividade e bastante coragem os eventos trágicos mais marcantes e controversos, e bastante falados, que ocorreram no seio do seu partido. Este livro é sem dúvida uma contribuição valiosa para a história política contemporânea de Angola.
Jean-Michel Mabeko-Tali
Historiador e Professor Catedrático de História Africana - Howard University, Washington DC

Ainda o caso Banco Nacional de Angola. Honestidade deveria levar governadores do BNA para atrás das grades


Por mais que se queira tapar o sol, já nem peneiras temos para o fazer e as feridas causadas por uma governação sem bússola nem rota marcada, numa navegação de marinheiro de água doce a navegar em alto-mar, vão-se manifestando indícios de dificuldades, que escondem outras.

William Tonet & Arlindo Santana

Presentemente, encontra-se no leme do Governo do Banco Nacional de Angola o governador Abraão Gourgel, ali colocado pelas circunstâncias conjunturais, desempenhando de mau grado o ingrato papel de “bode expiatório”.

E, entretanto, vai circulando a ideia de que o Governo do BNA não pára de mostrar a sua incompetência na condução da política monetária do país, mas, ao que tudo indica, a incompetência não se limita a essa belíssima fachada que dá para a Marginal, pois o mal vem de longe e não podemos esquecer que o actual imbróglio foi gizado “lá em cima”, na medida em que a estratégia do BNA é secundada, ou melhor, direccionada pelos ministérios da Economia, das Finanças e ainda, sobretudo, pelo gabinete presidencial, em toda a sua plenipotência.

A política financeira está desgarrada... Não há um projecto fundamentado, com cabeça, tronco e membros, e luzes para nos iluminar o caminho da saída desta situação difícil, criada por uma crise financeira mundial, que se vai arrastando e atrás de si arrasta as economias do mundo inteiro, cada vez mais se parecem com efémeros fogo-de-santelmo, iguais a esses que aparecem no cimo dos mastros de barcos à vela no meio duma tempestade.

A inflação está aí, os cofres não têm dinheiro e, por vias de facto, os bancos comerciais não recebem divisas suficientes para as operações diárias, mesmo depositando muito mais do que o devido para operações fundamentais de criação de um certo equilíbrio monetário, indispensável a toda e qualquer economia.

A esse respeito, as críticas multiplicam-se e, como não podia deixar de ser, o alvo visado é o BNA, que, diz-se por aí nos meios mais cépticos dos restritos meios da crítica económica, não tem coerência na sua gestão.

O Kwanza já ultrapassou a sua etapa de estabilização, que atingiu graças ao peso enorme das receitas do petróleo, e encontra-se num estádio cada vez mais frágil de moeda em perigo constante de ser desvalorizada, pese a sua sustentação administrativa e dolarificada pela desunhada política do ministério da Economia.

A verdade é que as principais responsabilidades no que toca às dificuldades actuais da nossa economia, apontam para o Ministério da Economia como sendo um dos agentes da sua estagnação, na sua qualidade de instituição-chave, que, nesta altura de persistente crise mundial, e angolana, está carente de ousadia e é incapaz de alterar e adoptar políticas de capitalização monetária.

Entre as carências verificadas na sua estratégia, o MINECO cometeu um enorme erro em economia de mercado, retirou competência reguladora ao Banco Central, o que significa, entre outras coisas, que a gestão administrativa dessa instituição de tutela sempre poderá permitir a existência de sacos azuis e a ausência de uma verdadeira força na indispensável acção fiscalizadora.

Não vamos aqui relembrar o “fantástico” desaparecimento da cerca de centena e meia de milhões de dólares dos cofres do BNA; façamos de conta que não sabemos que esse roubo é a parte visível de um aterrador “iceberg” de dinheiro que vai direitinho para os bolsos dos nossos mais altos dignitários do Estado; também não vale a pena apontar os erros de gestão; e esqueçamos o facto de os impostos não baixarem, quando o país continua a galgar etapas para a conquista de uma espécie de campeonato do mundo e acabar por ser sagrado campeão mundial das importações.

Em todo o caso, o que não podemos esquecer são as consequências.

Estando Angola com a mão estendida a pedir todos os tostões internacionais, venham de onde vierem, seria de todo positivo estimular que todos pagassem impostos para ajudarem esta fase má da nossa economia. Mas NÃO! O povo paga e os dirigentes não. Significa dizer que quem paga a crise é o cidadão comum, enquanto eles têm os milhões subtraídos, sorrateiramente nos cofres públicos.

BNA tenta falsear a verdade
No meio de todas estas carências, de que o BNA é o vaso de expansão mais adequado para aguentar o choque, o que salta à vista é este importante órgão do Estado estar a servir de sombrinha furada, ao vender a imagem de uma instituição rigorosa, aproveitando tacitamente as conclusões de um inquérito, que dá vontade de rir às gargalhadas ao atirar a responsabilidade de um dos maiores crimes financeiros praticados no interior dos seus corredores a um desgraçado arquivista: Francisco Mangumbala.

Como poderá um arquivista ser responsável de operações de milhões? Se assim é, quem está à frente dessa instituição, não tem culpa alguma?

A grande verdade é que as cerca de 53 assinaturas dos governadores do BNA, atentemos, 53 que deram origem as transferências, não foram consideradas falsificadas, logo se os seus processos, na fase inicial das operações, eram ilícitos, após receberam o cunho das assinaturas dos diferentes governadores do BNA transformaram-se em operações lícitas.

Isto significa dizer que se depois se descobre haver defraudação dos cofres públicos, os governadores, como responsáveis máximos, que devem ser rigorosos, nas operações para o estrangeiro, não podem ser ilibados, pelo contrário devem ou deveriam, eles, também, em obediência ao art.º 23.º (Princípio da igualdade) “Todos são iguais perante a Constituição e a lei”, ser civil e criminalmente responsabilizados. Mas não o foram, nem serão, muito provavelmente em função da engenharia com que alimentam os vários sacos azuis

Outro aspecto caricato deste rocambolesco caso é o facto de os que enviaram o dinheiro para o exterior, melhor, os “projectistas das engenharias” continuam a viver a “grande e à francesa”, muitos nos altos cadeirões do BNA, das Finanças, da Economia e da Presidência, continuam sendo os responsáveis, mas nenhum, mesmo nenhum deles está preso, ao contrário daqueles que receberam os montantes desviados, que, esses, sim, foram apanhados na ratoeira.

Foram apanhados… quer dizer, os estafetas, os arquivistas, os corretores imobiliários, os intermediários, quer dizer, a raia miúda, foram apanhados, e como os montantes atingiam os quase 150 milhões, também eles se empanturraram com dinheiro e por isso mesmo é que foram apanhados tão facilmente.

Até mesmo, imagine-se o caricato e ridículo, um simples corretor imobiliário, que intermediou e apresentou umas pessoas, tendo recebido, por via disso, como comissão USD 2500,00 (dois mil e quinhentos dólares) está atrás das grades.

Espanha devolveu dinheiro, mas governadores do BNA fizeram vista grossa e continuaram operações

A maneira como os milhões apareceram também tem graça: uma parte foi já nos bancos que tinham recebido o dinheiro, outra parte, muito mais pequena, foi nos círculos privados desses estafetas. Mas nem todo o Kumbú apareceu, pois ainda falta recuperar quase 50 milhões, repetimos 50 milhões…

É muito dinheiro!
Onde estará?

Não tenhamos dúvidas, esse está debaixo da rocha, como essas dos rios, debaixo das quais há truta grossa!

No meio desta salgalhada toda o que não se compreende é como, não sendo os governadores culpabilizados nem responsabilizados, nada tenha sido feito quando o Reino de Espanha devolveu as primeiras transferências suspeitas.

Nessa altura, o que aconteceu foi o dinheiro ter continuado a sair do BNA, como se fosse lícito, ao invés de se despoletar uma investigação em boa e devida forma, “do tipo tolerância zero”.

Haveria tubarão?...
Devia haver, e grande. Por aqui o que se vê é de que maneira, no nosso bananal democrático, os culpados institucionais, que são mais que as mães, nunca são responsabilizados, apanhados e encarcerados... Nunca!

Voltaremos, antes do juízo final.

Assim se vê a força do MPLA


A Rádio Despertar, Angola, está de luto. Está a Despertar como, digo eu, deveria estar todo o país dirigido desde 1975 pelo MPLA e há 31 anos por José Eduardo dos Santos, presidente da República não eleito. O jornalista Alberto Chakusanga, de 31 anos de idade, foi assassinado no município de Viana, em Luanda.

Orlando Castro*

É claro que de luto também deveria estar essa coisa que dá pelo nome de Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Deveria mas não está. A CPLP só estaria de luto se o jornalista assassinado fosse afecto ao MPLA. Como não era...
Angola é, aliás, um país “sui generis”. Embora diga que é uma democracia e um Estado de Direito não passa, de facto, de um reino onde só são considerados angolanos os que vão à missa do regime.
Todos aqueles que não vão a essa missa sujeitam-se a chocar com balas. Como muito bem escreve o Club-K, é curioso que Alberto Chakusanga, natural do município da Caála, província do Huambo, morreu 24 horas após o Bureau Político do MPLA, ter assegurado que conhecia indivíduos – recrutados – para denegrir, a qualquer preço, a imagem do seu Presidente.
Como já no F8 escrevi, o MPLA está a ficar cada vez mais chateado com os constantes ataques (provavelmente enquadráveis, segundo as suas teses, nos crimes contra a segurança do Estado) ao seu líder e sumo pontífice de Angola há 31 anos, José Eduardo dos Santos.
Também aqui escrevi que o MPLA está a montar uma estratégia ainda mais musculada para acabar com os que ousam pôr em causa a representação divina, delegada por Deus, do seu líder.
E se, em Angola, o MPLA consegue sem problemas comprar jornais, queimar edições cujo conteúdo é desfavorável, ameaçar, prender e fazer desaparecer opositores (como acontece, por exemplo, na sua colónia de Cabinda), noutros países a coisa não é tão fácil, mas não é impossível.
Em Portugal, apesar da significativa mudança de rumo que levou muitos jornalistas a escreverem com a barriga alimentada pelas empresas e empresários angolanos, ainda não é fácil queimar edições, prender jornalistas ou fazê-los chocar com alguma bala. Não é fácil, mas também não é impossível.
Ao regime angolano tem sido mais fácil silenciar os jornalistas portugueses, assumindo-se como dono dos donos dos jornalistas. É tudo uma questão de euros, ou dólares. E como isso é coisa que sobra em Angola mas falta em Portugal, o caminho está aberto para que só os que digam amém tenham direito a emprego.
Mesmo assim, há ainda muitos jornalistas portugueses cujos donos não se venderam aos donos de Angola. E isso chateia a sério o MPLA.

E se a última gota de água que fez transbordar o copo (do melhor whisky, certamente do tipo Macallan Collection, 1926) foi a revista Sábado que, na sua última edição, tem como manchete: «Os angolanos que mandam nas maiores empresas de Portugal», outros casos há cujos autores constam de uma listagem feita pelos serviços secretos do MPLA e que é do conhecimento das suas diferentes embaixadas.
O regime de José Eduardo dos Santos tem, no imediato, dois planos para alterar em Portugal estes ataques. Um passa pela entrada ainda mais em força nas empresas de comunicação social onde mandam velhos amigos e parceiros, de modo a branquear o tenebroso regime.

O outro pondera o silenciamento das vozes incómodas...

*Jornalista

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sábado, 11 de setembro de 2010

José dos Ribeiros Tormentosos


E sem Roque Santeiro, é a mesma coisa que ficar sem o Silicon Valley.
Com as seitas religiosas e o meu Pravda hipnotizo o desenvolvimento do angolano. Como não sei fazer mais nada, sem o senso (?) da minha escrava inteligência (?) logo, dependo em absoluto da bajulação. Há que saber quais serão os homens que enfrentarão os agora ratos… ao que antes chamavam de população, de povo libertado. E os navios voltaram, sulcam o mar das plataformas petrolíferas e carregam escravos negros da cor do petróleo, do ouro negro da escravidão. Uma coisa que nos é inconfundível como angolanos, é desconhecermos por completo qual será o nosso futuro. A esperança já morreu. E na fome que este desgoverno nos ordena, Angola é o cemitério para a sua população em adiantado estado de decomposição. Só os milhões de dólares petrolíferos vivem para matarem as populações à fome. E a função principal do GPL, Governo da Província de Luanda, é o levantamento desordenado de terrenos livres para neles lá destruírem qualquer coisa. O que se passa em Moçambique é exactamente a cópia de Angola. Os mesmos partidos estão há muito irmanados na mesma causa: destruírem os seus países e aniquilarem as populações. E o que acontece em Moçambique é o desespero das populações que já não têm mais em quem acreditarem. Perguntem ao português José Sócrates, o especialista em piromania africana. Uma boa governação não se vê quando os preços do petróleo andam elevadíssimos, e onde qualquer um governa muito bem. Mas, uma boa governação vê-se quando os preços são demasiado baixos, e aqui não existe lugar para idiotas. Há homens que quando agregados num qualquer comité de especialidade esquecem os amigos, abandonam as amizades de sinal político contrário. E isto é também alimento para o fogo das confrontações e convulsões sociais.
Presentemente, nesta irrealidade o que se passa é a emissão de bilhetes criminais diários praticados por afrontamentos de qualquer indivíduo que nos cerca e nos horripila: «você, vocês, têm que sair daqui, este local é para o Presidente da República». «E o dinheiro que gastei, gastámos, nas nossas casas? E vamos para onde?» «Vamos arranjar-lhes lugar num Zango» E como tal tudo se deseja anormal. É insustentável, é impossível que permaneça assim por mais tempo.
É que o ódio aumenta intensamente, inexoravelmente.

Editorial
Noticiário, Luanda
O Nosso Estimado e Querido Líder
Inaugurou hoje as pioneiras bibliotecas públicas
nos degredados bairros desta cultural cidade
Não, não! Os americanos não fugiram do Iraque
é apenas uma retirada estratégica
Assim como farei (faremos) num futuro
abastado de próximo
Até a esperança espoliámos ao povo angolano
A minha nobre missão é a função de destruir o PR
usurpar-lhe o lugar. Eu e mais a minha equipa
o iremos governar
Um golpe de estado, pronto! Pensam que sou burro?!
ham! ham! Eu sei o que faço.
Adentro atiçando o ódio de tudo e todos contra o PR
e depois das chamas, vencerei!
Eu não estou aqui para jornalizar é para queimar!
Os nossos pirómanos à Nero incendiaram-na
a nossa A Capital em chamas com diluente, um diluimento
hordas das desordens em cumprimento.
E ninguém foi preso. A NKVD só prende opositores
sempre atentados nesses roqueiros dos santeiros
Mas não há por aí alguma oposição (?) para protestar
uma manifestação?
E o Justo Justino?! Fala, fala, parece muito vaidoso
Mas o Martin Luther King fazia manifestação
E o Justo Justino não! Mas que atrapalhação
Ninguém sabe o que fazer, não! não!
Este é o derradeiro colonialismo na sua mais atroz
legal e moderna crueldade.
Onde há petróleo as populações extinguem-se
Que ninguém se iluda! Nós estamos no poder
destruir Angola com o apoio internacional
incondicional da camaradagem chinesa
a espoliação total e completa de Angola serão certas
«Papá! Papá!» «Fala meu filho!»
«Pelo amor de Deus! Tira o MPLA daqui depressa!»
«Meu filho, em Angola, Deus premeia os maus e castiga os bons»

Nestes tempos do José dos Ribeiros Tormentosos
a história da Maria Antonieta prevalece
não enobrece, repete-se

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Abusos da Unitel


É mais que evidente, segundo a opinião de muita gente, sobretudo daqueles que têm conhecimentos aprofundados sobre os complexos sistemas de telecomunicações, que a Unitel tem “papado” um maior número de clientes do que os que a grandeza do prato permite, quer dizer, tem clientela a mais para as capacidades da sua própria rede. Assim, nos momentos, melhor dizendo, nos “dias de ponta”, em que há festas nacionais feriados tradicionais ou acontecimentos extraordinários, o sistema “arreia”, e telefonar só na Movicel! Á parte essas falhas, um outro calcanhar, que também parece ser do velho Aquiles”, é o sistema G3. Muitas mas mesmo muitas têm siso as reclamações, que, diga-se não são correctamente tratadas, pois o que acontece é que no carregamento obrigatório de 625 UTT’s por mês, se o utente não as utilizar todas, elas desaparecem como que por encanto. Ora a isso chama-se normalmente roubo, e se o termo é demasiado forte encontre-se outro, mas em todo o caso essa maneira de actuar é ir ao bolso do cliente! Resta o consolo de a própria Unitel reconhecer que esses problemas têm que ser resolvidos a breve trecho, e é disso mesmo que os seus utentes estão á espera.

Prémio Sonangol Egípcio”


Por mais incrível que pareça, o nosso inimitável JES foi contemplado com uma espécie de prémio literário que não é bem isso, no fundo não é carne nem é peixe, e, ao que se saiba, nem sequer tem nome, é só prémio, como explica o principal diário egípcio, o “Al-Ahram”, com a sua tiragem que ronda o milhão e meio de exemplares, ao explicar que a “União dos Escritores Afro-asiáticos homenageia o Presidente de Angola” no sentido de pôr em evidência “(…) o importante papel que o Presidente Eduardo dos Santos desempenhou na libertação e para o desenvolvimento de África”. E pronto, a partir de agora, ainda segundo a ideia dos Egípcios, as relações amistosas entre Angola e o país dos faraós “são eternas”! E não é tudo, a profundidade da homenagem é tão enorme, que chega ao ponto de salientar “(…) a forma consensual como (o PR) tem gerido todo o processo de desenvolvimento social”. Realmente enorme! Enfim, como talvez fosse preciso abrir alas a uma futura passagem de alguns barris de petróleo, o Eng. José Eduardo dos Santos foi contemplado sem saber bem porquê, com um prémio de que não conhecemos o nome, e já agora até podemos propor: “Prémio Sonangol Egípcio”. Hesitamos: de literatura, ou não?

No D. da Caála, treinador acata ou vai prá rua!


O Desportivo da Caála vive um momento difícil, que foi comentado por quase toda a imprensa angolana de todos os azimutes. E, muito curiosamente, numa espectacular manifestação de consenso como raríssimas vezes tem acontecido, com todos os órgãos da comunicação social a cantar o mesmo refrão, salientando o absurdo e provavelmente o perfil de prepotência da decisão da sua direcção ao ter posto na rua pelo telefone o treinador David Dias, depois de ele ter obtido nove vitórias, um empate e sofrido uma só derrota desde que tomou conta das rédeas da equipa. Sobre as verdadeiras razões do humilhante despedimento, essa mesma direcção, cujos membros navegam nestas águas turbulentas protegidos por um espesso nevoeiro no que toca às suas identidades, decidiram contudo fornecer algumas explicações no Telejornal do passado dia 31.08.10, da Ana Lemos. Destacado para esse exercício de débito de eufemismos foi um dos membros da direcção do clube, o Sr. Horácio Mosquito, que, no meio de arabescos primorosos (é um elogio) conseguiu dizer horrores dando a impressão de a direcção a que pertence estar com toda a razão. Disse que quem escolhe os jogadores que devem jogar não é o treinador, pois em última análise é a direcção, que David Dias não teve mérito nenhum, a não ser o de ter andado durante algum tempo na linha, até ao momento em que saiu dos carretos ao escolher jogadores fora dos que tinham sido escolhidos pela direcção antes do desafio com o 1º d’Agosto e que o facto de o clube ter tido 5 treinadores em 7 meses é normalíssimo. O Folha 8 apresenta ao Sr. Horácio Mosquito os seus sinceros parabéns e os mais fervorosos votos para que se empenhe rapidamente na criação de um novo partido político, enfim capaz de se opor em falácias ao partido no poder.

O crescimento económico ilusório de Angola


“Angola está entre as economias que mais cresceram no mundo nos últimos cinco anos”. “Angola, uma das maiores economias de África e uma das que mais dinâmicas do mundo”, são slogans publicitários sustentados única e exclusivamente por números e em despeito da realidade angolana, que vão para o ar e são repetidos dezenas de vezes por dia, repetimos, DEZENAS DE VEZES POR DIA e desde há muitos meses a esta data na TPA Futunguista (alguns deles desde o ano passado!), o que é um recorde absoluto de lavagem cerebral provavelmente no mundo inteiro, já que estamos em performances a nível planetário. É ópio, é mentira, é areia para os olhos dos angolanos, é um método de baixa estirpe para fazer valer o nada ou quase nada de mérito que nos cabe por isso acontecer. E tanto mais que o verdadeiro significado desse crescimento é totalmente ignorado. Só para exemplificar consideremos o seguinte caso: são dois espaços territoriais, um com dez casas, outro com um milhão de casas. No de dez casas foram construídas mais duas casas e diz-se que cresceu de 20%. No de um milhão, construíram-se mais 100 mil casas e diz-se que cresceu de 10%. Será que teria crescido menos que o outro?... Ora o que acontece é ser precisamente no espaço em que há dez casas que se encontra a economia de Angola, uma das que mais cresceu, é verdade, mas só em relação àquilo que tinha, quer dizer, ao muito pouco que a guerra nos deixou! E a mentira da propaganda deste regime é essa, dá a entender que somos dos melhores que há no mundo, quando o que mais temos é fraquezas a burilar.

Humanidade salva por xixi?...


Porquê deixar o xixi ir pelo ralo abaixo quando ele pode ser usado para recarregar seu telemóvel? Muita calma, nada de precipitações, não mije no aparelho! Se dermos crédito ao ilustre cientista Shanwen Tao, estamos aqui a falar de coisas muito sérias, pois segundo esse arauto era post-petroleum a urina pode ajudar a humanidade a resolver o problema de abastecimento de energia mundial. Tao é um químico reputado e acredita que a urina, o “ouro líquido” que você rejeita na latrina pode fornecer energia suficiente para o funcionamento de fazendas e de escritórios. O primeiro argumento do cientista é que, ao contrário de combustíveis fósseis, a urina é abundante e renovável. Temos quase 7 bilhões de pessoas no mundo produzindo cerca de 10 biliões de litros de urina diariamente. Adicione os animais que criamos a essa mistura e você terá uma idéia da enorme quantidade de xixi que é produzida no planeta. Obviamente que todo o problema é esgoto desse xixi. Se o deixarmos ir direito para as águas, sem passar por um tratamento, ele pode arruinar completamente alguns ecossistemas. Além disso o próprio acto de tratar o esgoto consome energia – só os Estados Unidos, 1,5% de toda a energia produzida no país é gasta no tratamento de esgoto. Assim, seria uma boa coisa para o meio ambiente (e isso inclui você) se a urina parasse de ser despejada em recipientes apropriados para seu posterior tratamento e produção de hidrogénio, que até hoje, é retirado em grandes quantidades de combustíveis fósseis. Outro método que pode ser utilizado é dividir as moléculas de água, liberando o hidrogênio. Mas é preciso muita energia para dividir a água.
Então por que não usar urina em vez de água? A composição da urina possui hidrogênio e ela é uma substância mais simples de ser dividida. Segundo Tao esse método, por ser simples e necessitar apenas de um eletrodo, poderia ser usado em lugares remotos para carregar seu celular ou então ligar um rádio. Uma outra aplicação, dessa vez em larga escala, seria em fazendas criadoras de gado, por exemplo. Se o xixi das vacas fosse separado dos “resíduos sólidos” ele poderia ser usado para fornecer a energia para as máquinas do local (mas como alguém separaria o xixi do esterco da vaca ainda é um mistério). Enfim, talvez a urina não seja a solução ideal ou final para nossos problemas com energia, mas quanto mais fontes de energia verde e renovável tivermos, melhor.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O silêncio que valida acusação


Voltamos à “carga” porque nos parece necessário denunciar tanto silêncio cúmplice. Depois de no reino do Ngola se terem levantado vozes solidárias de denúncias feitas pelo jornalista Rafael Marques num longo trabalho de investigação relacionado com abusos de poder, peculato, tráfico de influências, má governação e corrupção generalizada praticamente instituída pelos principais dirigentes políticos do país na sua labuta quotidiana de gestão das coisas do Estado e alguns afins privados, o Procurador-Geral da República enviou uma bola à trave ao declarar que o seu gabinete não tinha qualquer informação de denúncias passíveis de aplicação da “tolerância zero” apregoadapor Ngola Dos Santos. Nisto, do outro lado da barricada, nos redutos palacianos, contam-se pelos dedos de uma mão as vozes que, muito longe de serem clamores de indignação, quase em surdina se levantaram, manifestamente com medo de levantar ondas, a contestar tais denúncias, não obstante o partido no poder, mais precisamente, as suas principais figuras, terem sido os alvos principais da virulência das mesmas. O menos que se possa dizer a este respeito é que bem curiosa é tanta parcimónia.
Quanto aos principais visados pelo bisturi do Rafael Marques, nem um suspiro se ouviu, caladinhos ficaram nos seus hiper-confortáveis redutos, à espera de alguém que viesse defender a sua honra. Apareceu, sozinho, Rui Falcão, a pedir a intervenção dos órgãos competentes, no sentido de apurar a veracidade dos factos incriminados. Mas não apareceu ninguém, pelo que se presume que em Angola, à parte o seu presidente da República (o principal visado pelas críticas em questão), não há órgãos competentes! Será isto caminhar para a democracia?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Desprezo gera desprezo


O cada vez mais criticado e criticável Governo Provincial de Luanda sob tutela de um Executivo do tipo dos navegadores solitários, querem por ora extinguir o mercado do Roque santeiro e transferi-lo para o Panguila, a anos-luz dos interesses do “mexilhão” mwangolé. Dada a amplitude desta operação de transformação do Roque Santeiro em grandiosa empreitada imobiliária avaliada em dezenas de milhões de dólares, impunha-se desde o início fazer um estudo aprofundado dos possíveis cenários de avançamento dos trabalhos, com especial enfoque para os consideráveis problemas humanos causados pela movimentação forçada de uma enorme massa de cidadãos, de repente postos numa situação de muito difícil gestão. Deveriam ter sido previstas medidas paliativas e de resgate, destinadas a minimizar um provável desmoronamento social generalizado, criando centros de acolhimento, mobilizando pessoal para outras áreas, prevendo a reciclagem das casas do “processo”, enfim, distribuindo os males pelos servidores do mercado. E, sobretudo deveria ter sido acautelado o processo de pagamento dessas taxas que deviam servir, mas não serviram, para melhorias do mercado. As receitas arrecadadas nunca foram aplicadas e, se agora, que foi decidida e processada uma transferência do Roque, deve-se devolver o dinheiro ou mostrar onde e como se aplicou, sob pena de se confundir o valor das taxas recebidas durante dezenas de anos com roubo instituído. Estamos aqui a referir-nos a muitos milhões, melhor biliões, que devem ser restituídos. Mas nada disso foi feito, avançando-se o argumento de que seria um trabalho inglório com parcos resultados e muito dinheiro gasto. Talvez haja alguma parte de verdade nesse argumento, mas gerar assim a miséria de tanta gente, trás consigo dramas familiares e morte, e se for esse o preço para gerar riquezas, que os promotores dessas riquezas não venham depois tratar de terroristas os que se levantarão contra eles.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O “Oasis Luanda” e o seu “deserto”


Ultimamente, assistimos a uma remodelação do OGE e o resultado foi o que se viu, uma Luanda empanturrada de meios financeiros e em redor, um deserto; o essencial do “bolo” para o Exército, Polícia e Segurança do Estado, e o desinvestimento nos sectores da Educação e Saúde. A culpa é do presidente? Só no papel, pois ele personifica o poder Executivo. Na realidade a culpa é dos que o aconselham mal e muitas vezes em defesa de interesses pouco claros. E se culpa houver noutros casos será sempre a culpa da sua entourage. Tudo isto tem que ser reposto em ordem e a breve trecho talvez seja bom e/ou necessário proceder a uma revisão em forma da Constituição. Porque a sua entourage exagera na sua acção e comete demasiados erros.
Foi a sua entourage que inspirou uma Constituição onde só ele e uma força política se revêem, foi a sua entourage que tudo fez para o aumento da discriminação das forças políticas, para levar avante uma política de terra queimada em Cabinda, para instigar a privatização da terra a favor dos oligárquicos nacionais e estrangeiros, para instigar a institucionalização da ascensão nos cargos de direcção e chefia, não pela competência mas pela militância, enfim para concretizar a privatização dos bancos a favor dos filhos, dirigentes, amigos e familiares.
E à parte isso, é também aos seus conselheiros que devemos a “Colonização” da TERRA, colocando-a como propriedade do Estado na Constituição, assim como a não preservação das Línguas angolanas, privilegiando e impondo, exclusivamente, uma língua estrangeira, o português, a todos os angolanos
Mas o pior de tudo ainda não é isso, o pior é o que se passa na nossa justiça que não é nada disso; o pior é o que se passa com a oposição, que não é nada disso; o pior ainda é o que se passa em toda a parte no que toca à instauração de uma verdadeira reconciliação nacional, que também não é nada disso.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Os ventos da contrariedade. Os pecados que a equipa do Presidente o induz a cometer


A nova Constituição apresenta-se, no final de contas, como sendo um pau de dois bicos para o Presidente da República, José Eduardo dos Santos, porquanto agora ele não pode repartir responsabilidades. Quase se poderia dizer que o governante foi apanhado em pleno cometimento de pecado de guloseima, ao acumular poderes que dificilmente poderá controlar, do mesmo modo que o guloso, que tem mais olhos que barriga, não se sente capaz de comer tudo o que pôs no prato.
Zédu tem por ora todas as responsabilidades concentradas no seu gabinete, isto aos 68 anos, idade em que a tendência dos homens visionários e políticos empreendedores é precisamente desalfandegar as suas responsabilidades e não acumulá-las.
Com a concentração dos poderes na pessoa do PR e a impossibilidade de os ministros exercerem actos efectivos, o atraso na implantação de qualquer projecto é-lhe imputada de pronto. E não é tudo, pois as probabilidades de se acumularem em cima da sua secretária os dossiês à espera de deferimento já ultrapassaram o domínio das hipóteses, são inevitáveis, num acumular de montes de papelada que irão crescendo com o passar do tempo. E a certa altura, o trabalho não poderá em caso algum ser feito com a devida atenção.
A esta impossibilidade de tanto trabalho ser feito por um homem só, acresce a impossível ubiquidade do mesmo, ou seja, poder estar simultaneamente na forja e no moinho, limitação normal que já vem de trás e pode até ser uma boa explicação de bom número dos dissabores de governação do nosso presidente, por mau desempenho ou interferência da sua entourage.
De facto, a tendência conhecida do presidente de tudo querer controlar, consubstanciada na criação de comissões lideradas por pessoas da sua confiança, beneficiárias de alguma impunidade por simpatia do chefe, gerou o quase desaparecimento de responsabilidades antes da actual Constituição dar força legal a esse modus operandi. E agora, depois de ela entrar em vigor, a situação do Chefe agravou-se no que toca à responsabilização de todas as acções governativas. Façamos uma retrospectiva.
Por exemplo o grande responsável do que aconteceu no caso das fissuras no Hospital Geral de Luanda será Dos Santos, ou melhor, a sua entourage. Não há necessidade nenhuma de procurarmos os responsáveis do que se passou, porque, simplesmente não há responsáveis, ou melhor, os que assistiram sem nada ver do que se estava a passar, tinham um guarda-chuva enorme, abriram-no e nem precisaram de sacudir a água do capote. Irresponsáveis assumidos, eis o que eles eram, felizes e satisfeitos com a sua condição. E as responsabilidades foram dirimidas umas atrás das outras, da mesma forma que caem os dominós colocados uns atrás dos outros.

O mesmo aconteceu com o fracasso do Nosso Super e de outros projectos que não serviram para nada a não ser aligeirar o peso do conteúdo dos cofres do Estado sem benefício algum para o país, o que, futuramente poderá criar uma situação inédita, uma vez que nessa perspectiva o presidente da República poderá mesmo ser julgado não só por gestão danosa, descontrolada e dolosa, como por outros motivos aleatórios atinentes ao facto de ter havido abuso da sua confiança, como tantas vezes isso tem acontecido.
O outro pecado que se aponta ao presidente é o da cobiça, e mesmo que se diga que ele não o cometeu, o que está à vista de todos os angolanos é a cobiça engendrada pelo enriquecimento alucinante dos seus mais próximos colaboradores, dos generais com estrelas de todos os géneros, até de plástico, desses que nem sequer sabem o que é uma batalha, e, sobretudo, os membros da sua própria família, isto sem esquecer os kambas do MPLA. Uma multidão de gente a nadar em rios de dinheiro sem barragens à vista.
E tudo começa pela partidarização das instituições do Estado, todas elas, sem excepção, desde os quartéis, às mais altas instâncias militares, todos os órgãos de justiça e de comunicação social públicos, passando por certas entidades de carácter privado, mas que também não escapam ao sectarismo doentio do regime, tais como associações e clubes desportivos, organismos ad hoc e mesmo instituições bancárias e de beneficência. Quem não for do MPLA não entra. Ponto final.
E mais uma vez nos deparamos com a responsabilidade do presidente a poder ser posta em causa na sequência do insucesso causado pelos executantes das suas directivas. Como tudo recai sobre a sua pessoa, não há responsáveis.

sábado, 4 de setembro de 2010

Bantus bajuladores poluídos




No interior dos prédios, os bajuladores partem e erguem novas paredes. Pouco tempo depois voltam a partir o que construíram e reerguem. Este é também um método da lavagem de dinheiro. Enquanto no exterior as ruínas continuam em risco de desabamento.
E o coro gospel ainda em formação bajuladora já tem presidente, vice-presidente e director técnico. É de certeza um coro da política gospel.


E um dos melhores investimentos é a bajulação
Bajulação é poluição. Tem desgovernadores e vices-desgovernadores
que analfabetizam o angolano
Sem bajuladores que seria dos ditadores
Ai! Esta Angola, esta nação nunca sobreviverá sem bajulação
Bajulação sempre para o aniversariante da nação
Esta Angola é de um fazendeiro com milhões de escravos
A bajulação é a arquitectura da destruição desta nação
E muito brevemente, naturalmente veremos erguer-se
finalmente o comité de especialização
da angolana bajulação
Que mais tarde se auto-promoverá
em mais outra afundação
na Angola dos bajuladores e dos afundadores
que afundam a nação
Vote no partido da bajulação, no admirável homem novo de Angola
(Que os chineses trabalham dia e noite
pois, mas o custo da obra duplica)
bajulador que definha o povo
esta população que não respeita nada nem ninguém
atolada na bebida porque escolheu o suicídio
da Nova Vida
Farrapos humanos que se arrastam nas nuvens negras
da existência presente. O amanhã não existe
Bebe-se no presente, no futuro da morte
Luanda não é uma cidade capital é um vasto cemitério
E Angola não é um país, é uma agência imobiliária
E todos os milhares de mortos pela independência foram-se em vão
E o nosso Querido e Imortal Líder com o cortejo fúnebre
(até os ratos fogem dos bajuladores) do seu exército nas ruas bélicas
vai para a guerra no campo de batalha de Luanda
Há muito que o povo angolano não vive de sonhos
acorda com pesadelos
Até dos restos mortais nos cemitérios erguem condomínios
Angola é o principal importador mundial de demónios
Estes libertadores são como Jesus Cristo
mas eles realmente existiram?!
E os chineses exportam o seu pó para Angola
Os coitados dos paquistaneses estão inundados de água
a nós invadem-nos de poeira
Mais um dia negro findou. Preparo-me, como é anormal
para tentar dormir. Para enfrentar mais um dia de selva bajuladora.
Mas, será que os selvagens da bajulação me permitirão dormir?!
E os homens novos das Novas Vidas libertam-se no infernal barulho
dos escapes livres das suas motorizadas.
Mostram-nos o horripilante estrondo da Angola da banana podre
Bajulador é que tem futuro!


CHEVRON continua com impunidade a poluir mares de Cabinda


A petrolífera norte-americana Cabinda Golf Oil Company, continua a ser a grande causadora da poluição dos marers de Cabinda, afectando as espécies marinhas, a vida dos pescadores, parta além de poder, um dia a ser acusada de causadora de uma série de doenças cancerígenas, fruto do crude lançado ao mar.
“Esta situação só acontece por causa da corrupção, da Chevron, que por estar registada em paraíso fiscal, não actua da mesma forma como as verdadeiras empresas que se regem pelas leis americanas e calça as suas barbaridades, corrompendo os dirigentes angolanos com dólares de sangue”, disse ao F8, Jacob Lomba.
Actualmente existe derrame que estão a provocar danos consideráveis na zona de Luvassa, que tal como Landana e mares de Cabinda estão as suas praias completamente pretas.
“Nos Estados Unidos eles não agiriam assim, nem permitiriam isso. Estamos a ver o que a BP está a pagar com o derrame no Golfo do México. Aqui é diferente, porque de Cabinda, os dirigentes angolanos só querem o petróleo, pouco se importando com a saúde dos cidadãos”, acrescentou a nossa fonte, adiantando que “os derrames têm sido constantes, mas nunca a Chevron vai a fundo para regular a situação, por ter consciência que tem a maior impunidade, face a corrupção que alimenta e os apoios que concede, inclusive as acções do partido no poder, que um dia apresentaremos”.
No entanto, uma nota da petrolífera, garante que após ter tomado conhecimento “de imediato” enviou uma equipa de emergência ao local para monitorizar a situação e “de seguida, o centro de comando para as emergências da Cabgoc reuniu-se para providenciar uma resposta adequada”, refere o documento, garantindo já ter começado a fazer a limpeza da praia afetada.
“Estes são paliativos para inglês ver, mas não se vai sair daí, como das outras vezes, pelos motivos e da Chevron agir como colono, que está aqui para rapina e quando se fala vai construindo umas coisdinhas “para os pretos” a boa moda colonial”, acusou a fonte de F8, concretizando a mesma com o facto desta empresa nunca ter feito nada por Cabinda. “A maioreia dos seus empregados fica no alto mar, tal como as suas estruturas, tiram e levam o petróleo, o que ganham os cabindas com esta empresa? Apenas poluição e desgraça, pois eles alimenta a guerra que mata milhares de cidadãos ao invés do desenviolvimento”.
Na opinião deste especialista a Chevron deveria ter todas as suas estruturas na cidade de Cabinda, para assim gerar empregos dirtectos e desenvolvimento.
“A realidade está aí, nada foi construído digno deste nome desde 1975, inclusive a Chevron não tem uma sede digna em Cabinda isso demonstra que somos uma zona colonizada, por todos estes senhores que são contra o desenvolvimento e instigam políticas de guerra e morte”.
Para já o que a maioria dos angolanos espera é que a Chevron seja capaz de mudar a sua imagem e afastar-se de conotações depreciativas. O que se quer agora é que os mares de Luvassa voltem a estar limpos e sejam indemnizados os pescadores e cidadãos da região.

FLEC rachada. Dirigentes da guerrilha contra a Direcção política na Europa


A Direcção política da FLEC na Europa reuniu nio dia 24.08 em Paris e elegeram um vice-presidente e um secretário para as relações externas, numa tentativa de reorganização que não é reconhecida pela FLEC-FAC, facção no terreno do movimento para a libertação de Cabinda.

Joel Batila, reconduzido como secretário geral da organização, disse que “a estrutura está agora reorganizada e pronta para, em qualquer momento, negociar com os angolanos, de forma séria e credível”.
Depois da reunião de Paris, em que estiveram presentes largas dezenas de membros da FLEC dispersos por Portugal, França, Bélgica, Holanda e outros países, segundo a mesma fonte, a organização continua a ter como presidente Nzita Tiago, tendo sido eleitos um vice-presidente, Anny Kitembo, e um responsável pelas relações exteriores, Afonso Massanga, tendo ainda sido alargadas as funções de Stephen Barros, secretário da organização.

“Luanda não pode vir com a desculpa de que não tem interlocutores. A direcção da FLEC está disponível e não são eles (Governo angolano) que vai escolher com quem negoceia. Queremos negociações credíveis, inclusive com presença de representantes da comunidade internacional”, disse Batila.
“O problema de Cabinda não é um problema militar mas sim um problema político”, afirmou.

A reunião permitiu reorganizar a estrutura “depois da situação criada pelo antigo vice-presidente”, Alexandre Tati, e “outros membros” da estrutura militar “com a cumplicidade do Governo de Luanda”, acusou Joel Batila.

Este responsável referia-se à decisão das chefias militares, tomada em Junho último, de exonerar todos os representantes no estrangeiro do movimento, incluindo o presidente Nzita Tiago, e de nomear Alexandre Tati para a liderança do movimento, que disse que a sua estrutura “não reconhece” por seu lado a estrutura liderada por Nzita Tiago. “Foi suspenso na reunião do alto comando e assim continuará até nova ordem, até que as coisas estejam definidas e haja condições para organizar um congresso”, assegurou Alexandre Tati.
Membros do executivo de Luanda estiveram recentemente em Cabinda em actividades governativas, mas nenhum dos dirigentes das diferentes facções da FLEC contactados tinham conhecimento disso.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Os “nossos” dólares vão para o Indico


Kuiba Afonso

Isabel dos Santos a caminho de Moçambique

A empresária angolana, considerada a mulher mais rica de Angola e de Portugal, Isabel dos Santos, primogénita do Presidente da República de Angola, poderá estender os seus tentáculos para a República de Moçambique, onde se vaticina um milionário investimento, para a aquisição ou de uma percentagem das acções (fala-se em 51%) na até agora estatal de telemóveis: mCel, ou então forçar, com a força dos biliões de dólares o surgimento de uma terceira operadora de terceira geração.
É verdade que Moçambique, principalmente, o Instituto de Gestão das Participações do Estado, defende que num e noutro caso os nacionais moçambicanos têm prioridade, mas corre pelas ruas de Maputo, que muitos poucos empresários locais, poderão concorrer, para além do tráfico de influência (Isabel é filha de Dos Santos e pode o pai accionar o telefone vermelho ao seu homólogo) existem os navios de dólares vindos de Angola e carentes nas bandas do Indico.
“Nós sabemos da importância da mCel, que é a maior operadora, pela sua carteira de clientes, cerca de 4 milhões, significando um controlo de mercado na ordem de 70%, por investidores nacionais e estrangeiros”, disse ao F8, o engenheiro Moisés Tandiala.
Na óptica deste técnico, “pode haver uma pretensão de se dar espaço a nacionais mas a realidade é de não se poder ver a economia com chauvinismo, numa altura que Moçambique, está a precisar de oxigénio para o seu relançamento económico e se ele vier de Angola e nas mãos da filha do Presidente de Angola, considerada umas das empresárias mais ricas do mundo, o governo, vai, seguramente, abrir-lhe as comportas”.
Entretanto o presidente do IGEPE, Hipólito Hamela, garante não haver ainda uma decisão sobre quem será ou serão as apostas do governo. Até agora há mais especulação do que certezas, por não haver cadernos e propostas ainda concretas”.
A economia moçambicana vive uma crise, que tem levado muitas empresas a bancarrota, inclusive estatais, por falta de fundos para reinvestimento e ainda financiamentos bancários. Esta situação coloca 27 por cento das 131 intervencionadas pelo Estado moçambicano, totalmente, paralisadas.
Com todo este cenário sombrio, a perspectiva é mesmo de se ensaiar a injecção de dinheiro fresco nos cofres do Estado com a venda parcial da mCel, ao sector privado.
“Esse é nosso objetivo: criar empresários nacionais fortes, moçambicanos com dinheiro e com capital é o que queremos. Não podemos vender apenas aos moçambicanos empresas que não são rentáveis, também queremos vender as empresas que são rentáveis”, disse o presidente do IGEPE.
As perspectivas da empresária angolana “conquistar” o mercado de telefonia, são muitas, por apenas existirem duas opertadoras; a mCel com caçpitais públicos e a Vodacom empresa de capitais privados sul-africano e moçambicano.
“Desde 2003, a Vodacom não consegue ultrapassar os cerca de 2,5 milhões de clientes e caso entre uma terceira operadora com políticas comerciais mais agressivas poderá, seguramente, alterar as regras de jogo”, disse o engenheiro Tandaila, acrescentando, “já estar tomada a decisão da terceira operadora por parte do governo, logo a UNITEL de Angola de Isabel dos Santos em parceria com a Portugal Telecom, com base na experiêncioa que têm, estão bem classificadas para entrar no mercado”.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Campo do Tarrafal de Luanda que é Angola


O angolano sofre uma brutal mutação: só sabe fazer barulho e partir paredes.
Ah! Esta sagrada esperança, que afinal é a nossa desgraçada desesperança.
No palácio dos nossos deuses, o PIB cresce, nos nossos casebres demolidos, decresce.
Enquanto os mesmos corruptos conseguem ilegalmente milhões de dólares, milhões de angolanos morrem na mais cruel e abundante miséria.
E um ou outro dos nossos sacerdotes marxistas-leninistas das religiões inventadas, afirmam categoricamente que o presidente de Angola se mantém no poder pela vontade de Deus.
A História está repleta destes exemplares que acabaram em chacinas de populações. Porque Deus sendo líder eterno dos ditadores, aprecia imenso o sofrimento dos desterrados petrolíferos. E as populações miseráveis acometidas pela fome, agradecem-Lhe carinhosamente abençoadas por Ele.


Neste Tarrafal de Luanda e Angola
fortificado pela débil oposição encurralada nos currais
com os dóceis carneiros
tão calmamente devorados pelo Leão

As coisas chegadas, importadas, inflacionadas
e tão envenenadas
e Angola e Portugal são tão parecidos
tão coniventes, tão decadentes
porque quase há quarenta anos
perecemos neste Tarrafal

E os chineses não querem angolanos que trabalhem
não querem que ninguém denuncie
vigarices que executam nas obras
de fachada petrolífera
do petróleo que destrói Angola e os angolanos

Todos os assaltantes são presos
publicitados até onde pode a comunicação
os que roubam milhões de dólares
inocentam-se silenciosamente nas contas bancárias
dos paraísos fiscais
Oito mil vendedores do Roque, no Panguila ficam
astronómicos outros milhares no desemprego
Lá no Roque construirão edifícios
para habitar os guardas e chefes
deste campo de concentração do Tarrafal Luandino

E a água? É um luxo pessoal só presidencial

Eis o único emprego que nos deixam!
os assaltos que nos sustentam
novas profissões, limpadores nocturnos de cofres
Pomobel e Ribral, numa só noite

E sobre o MPLA, nada mais há a dizer
vai governar eternamente
não existe quem lhe faça frente
com uma oposição de carpideiras
e uma capoeira com gripe do aviário
a perderem as penas no tempo
do mais lamentável deixa andar
Antes, contra os brancos, e agora entre nós
Negro liquida negro. Nesta sem oposição
o MPLA tem sempre a solução
Porra! Mas que destruição!

Neste campo do Tarrafal de Luanda que é Angola