sábado, 18 de setembro de 2010

Internacional. São Tomé e Príncipe. Crise de açúcar faz aumentar preço em mais de 1300 por cento


Um carregamento de 30 mil sacos de açúcar chegou ao porto de São Tomé no 03.09, depois de cerca de três meses de escassez, que levou a um aumento do preço em mais de 1300 por cento.
Segundo disse fonte da empresa são-tomense de administração dos portos (ENAPORT), o navio com o carregamento de açúcar, que chegou atrasado à capital são-tomense, teve uma avaria em alto mar.
O director do Comércio são-tomense, Jorge Bonfim, havia anunciado uma semana antes “a chegada ao país no dia um de Setembro de um navio carregado com o açúcar”.
Jorge Bonfim disse ainda que este carregamento irá “abastecer o mercado durante pelo menos dois meses”, mas afirmou que outros carregamentos deverão chegar “brevemente” ao país.
A rotura no stock de açúcar no país provocou um aumento de mais 1300 por cento no preço praticado oficialmente no mercado são-tomense, passando de 15 mil dobras (cerca de 60 cêntimos do euro) o quilo para cerca 200 mil dobras (8 euros).
Nas lojas do arquipélago não existe açúcar, estando o mesmo a ser comercializado apenas no mercado informal.
Os serviços de inspeçcão da actividade económica mostram-se incapazes de controlar os preços e descobrir de onde é proveniente o açúcar que está a ser comercializado no mercado informal.
A crise do açúcar e o aumento vertiginoso no preço está a afectar o consumidor, que reclama do Governo medidas para reabastecer o mercado e evitar a especulação nos preços.
“E verdade que este Governo só entrou em funções agora, mas precisa de trabalhar rapidamente para inverter isso, porque assim não vamos aguentar”, disse Carlos Abreu, um funcionário público.
“Sou um funcionário público com um salário de um milhão de dobras. Se tiro 200 mil para comprar um quilo de açúcar fico apenas com 800 mil dobras e isso não me vai sustentar durante um mês porque vários outros preços também subiram”, acrescenta Carlos Abreu.
Também Aldemira Santos, jovem mãe de três filhos, reclama: “tudo está a ficar caro e nós os pequenos não vamos aguentar”.
Nos últimos meses os preços de alguns produtos, principalmente hortícolas, subiram drasticamente no mercado são-tomense, atingindo valores incomportáveis para o poder de compra dos trabalhadores de baixo rendimento em São Tomé e Príncipe, onde o salário mínimo é de 600 mil dobras (24 euros).
À excepção do açúcar, o mercado são-tomense está, no entanto, abastecido com todos os outros produtos de primeira necessidade e o director do Comércio garantiu que não se prevê para os próximos meses “qualquer subida de preços, pelo menos oficialmente”.

Quebra de sigilo bancário e escutas telefónicas para combater a corrupção
O Procurador Geral da República são-tomense, Roberto Raposo, quer que o Ministério Público (MP) tenha autoridade para investigar as contas bancárias e realizar escutas telefónicas aos responsáveis políticos e da administração pública como meios de combater a corrupção no arquipélago.
“A corrupção é dos aspectos mais difíceis de se provar, mas com meios, como a quebra do sigilo bancário, as escutas telefónicas, uma polícia de investigação criminal com mais meios, naturalmente seria muito mais fácil ao Ministério Público fazer o seu trabalho”, disse o Procurador Geral da República.
Roberto Raposo encontrou-se na semana passada com o primeiro-ministro, Patrice Trovoada, a quem avançou estas ideias, esperando que “a vontade política de fazer tudo o que esteja ao seu alcance” para combater a criminalidade “seja concreta”.
O PGR referiu-se a vários processos que estão na alçada dos tribunais em investigação e disse esperar que os mesmos tenham andamento “mais célere”.
Entre eles, estão os mediáticos processos sobre a utilização de cinco milhões de dólares de crédito à importação feito no mercado brasileiro, conhecido como o “caso STP Trading”, envolvendo dois deputados e vários comerciantes, bem como outro caso de desvio de dois milhões de dólares postos à disposição da Câmara de Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços (CCIAS) pelo Governo japonês para importação de bens e serviços.
“O que o PGR exige é a celeridade, a nível das investigações, que estão a ser feitas e aqueles processos pendentes no tribunal devem conhecer uma solução mais urgente para que a nível do julgamento tenha esclarecimento dessa questão para credibilizar o nosso estado de direito”, acrescentou Roberto Raposo.
O Procurador Geral da República defendeu que a autoridade do Estado deve ser prioridade, considerando que “a justiça tem que ser também prioridade” para se mudar “o estado da degradação completa da coisa pública”.
Roberto Raposo defende a necessidade de “reformas completas” no sector judiciário são-tomense, acreditando que, quer o Supremo Tribunal de Justiça, quer o Ministério Público e Tribunal de Contas estão de acordo de que “há necessidade de profundas reformas dentro do sistema”.

Internacional. Moçambique. RENAMO exige demissão do ministro do Interior por autorizar balas verdadeiras


A RENAMO, maior partido da oposição moçambicana, exigiu no 08.09 a demissão do ministro do Interior, José Pacheco, por alegadamente autorizar o uso de balas verdadeiras durante as manifestações em Maputo e Matola, no sul do país, que causaram mortes e ferimentos.
“O Governo deve esclarecer com urgência o que vai fazer com o ministro do Interior (José Pacheco), que mentiu ao povo dizendo que as balas (usadas pela polícia nos dias 1 e 2 deste mês) eram de borracha, quando eram verdadeiras. Além de ter proferido insultos aos manifestantes a quem chamou de bandidos, marginais e vândalos”, disse o porta-voz da RENAMO, Fernando Mazanga.
O porta-voz da RENAMO reagia, assim, à decisão do executivo moçambicano, de baixar os preços do pão, energia e água, recuando na sua anterior pretensão, que levou a protestos populares na semana passada, em Maputo e Matola, sul. Manifestações que resultaram em confrontos entre populares e polícias, na sequência dos quais morreram 14 pessoas e mais de três centenas ficaram feridas, de acordo com dados oficiais, embora fontes clínicas avancem já com 18 mortos.
“Pensávamos que a primeira aparição do Presidente da República (Armando Guebuza) fosse para demitir o ministro do Interior, que saiu em defesa dos polícias que mataram até crianças” durante os protestos populares, disse o responsável.
“O Estado é o responsável pelas mortes, pelas detenções (dos manifestantes), pela destruição que foi feita (nas duas cidades), daí que precisa ressarcir aqueles que terão sido lesados”, defendeu Fernando Mazanga.
“Mas uma das medidas grandes que estamos a exigir é a demissão do ministro do Interior, por ter insultado os manifestantes, por não ter dado ordens concretas para se usar balas de borracha, jatos de água, gás lacrimogéneo, que é o que todo o mundo faz nas manifestações”, assinalou.
“Fazer manifestação não é igual a ir à igreja rezar. Uma manifestação tem que se fazer sentir e quem está no poder não pode chamar aos manifestantes de marginais, vândalos, bandidos. Porque a verdade é que é o povo que mandatou aquelas pessoas para exigir os seus direitos. Se fossem vândalos o Governo não teria reunido e recuado” (na decisão de aumentar os preços de bens essenciais), disse Fernando Mazanga.
“Ao recuar estava a reconhecer que, de facto, estava a roubar aos moçambicanos”, considerou.
A RENAMO exigiu que o executivo explicasse com “urgência o tipo de tratamento que vai dar aos detidos” e questionou “se vai ressarcir as famílias dos mortos”, apelando, por outro lado, para que a polícia evite “caça às bruxas”.
“É preciso que o Governo esclareça, com urgência, quando é que vai libertar os detidos com o advento das manifestações, e que tratamento vai dar aos que perderam seus ente queridos, bem como os que perderam seus bens” durante as manifestações, disse Fernando Mazanga.
Nos últimos dias, os residentes em Maputo e Matola não conseguem mandar ou receber mensagens via telemóvel, mas, até ao momento, nenhuma das duas operadoras de telefonia móvel, mCel, detida pelo Estado, e Vodacom, propriedade de um consórcio sul africano e moçambicano, se pronunciou sobre as falhas nesses serviços.
“Estamos a viver num país que se diz democrático, mas que as suas políticas são monolíticas”, pelo que “essa situação é um crime, uma intromissão naquilo que são as nossas liberdades”, considerou Fernando Mazanga, exigindo às duas operadoras que indemnizem os clientes.


Governo vai subsidiar importação de trigo e fiscalizar preço do pão
O Governo moçambicano vai subsidiar a importação de trigo e intensificar a fiscalização nas moageiras e padarias, para assegurar o congelamento do preço do pão anunciado no dia 03.09, garantiu no 08 o ministro da Indústria e Comércio.
Um dia depois do Conselho de Ministros anunciar o congelamento dos preços dos bens essenciais que originou, na semana passada, violentos confrontos entre populares e polícia em Maputo, o Ministério da Indústria e Comércio reuniu-se com representantes das moageiras, empresas panificadoras e comerciantes.
O objectivo era encontrar formas de garantir a materialização das medidas anunciadas pelo executivo moçambicano, entre as quais a de manter o preço anterior do pão (5 meticais, cerca de 0,10 cêntimos), através da introdução de um subsídio.
“As moageiras deixam de vender o saco de 50 quilos de farinha de trigo ao preço de 1050 meticais para voltarem ao preço anterior de 850 meticais, para garantir a manutenção do preço do pão. Isso impõe a adopção de uma fiscalização intensa para verificar se a medida está a ser cumprida ou não, tanto no preço como nas medidas”, explicou o ministro da Indústria e Comércio, António Fernando, à saída do encontro.
Segundo António Fernando, citado pela Agência de Informação de Moçambique, as moageiras e panificadoras que não obedecerem à redução de preços não vão receber o subsídio estatal.
O presidente da Associação dos Panificadores, Victor Miguel, também presente no encontro, assegurou que a maior parte das padarias já está a praticar o anterior preço, visto que o subsídio permite a recuperação do valor gasto na importação de trigo.
A medida é igualmente dirigida a outras empresas importadoras, nomeadamente de tomate, batata, cebola e arroz de terceira qualidade (produto cujo preço também baixou no 03).
De acordo com o ministro, “os agentes económicos foram receptivos às medidas”, pelo que, em breve, voltarão a reunir-se para discutir os critérios de elegibilidade das moageiras que irão beneficiar do subsídio.
O ministro salientou ainda que “as padarias deverão ser eficientes, porque haverá componentes que deverão retirar, ou racionalizar o uso do trigo no fabrico de pão para reduzir os custos ao consumidor”.
Num país que só produz cinco por cento do trigo que consome anualmente, o Governo tem encorajado a mistura de farinha de trigo com farinha de mandioca no fabrico de pão, como forma de manter o preço daquele que é considerado um alimento básico para a população urbana.
O anúncio do aumento do preço do pão foi feito em Julho pela Associação Moçambicana dos Panificadores, que na altura justificou a medida com o aumento de quase 300 meticais do saco de 50 quilos de farinha de trigo (passou a custar 1050 meticais), devido às restrições nas exportações da Rússia, que perdeu grandes extensões de searas, por causa dos incêndios do Verão.

Internacional. Cabo Verde. Bento XVI «muito satisfeito» com as negociações para a Concordata


O papa Bento XVI mostrou-se no 08.09 “muito satisfeito” com as negociações entre a Santa Sé e Cabo Verde que tem como objectivo a assinatura de uma Concordata e aceitou o convite para visitar o arquipélago formulado pelo primeiro-ministro cabo-verdiano.

José Maria Neves falava à Rádio de Cabo Verde (RCV) à saída de uma breve audiência com o papa, no Vaticano, salientando que Bento XVI lembrou que o arquipélago “está na base da expansão e desenvolvimento do cristianismo na costa ocidental e em todo o continente africano. Convidei o Santo Padre a visitar Cabo Verde e ele aceitou com muito gosto, porque, também para a Santa Sé, Cabo Verde é um país que está na base da expansão e desenvolvimento do cristianismo na costa ocidental e em todo o continente africano, e por ter tido a primeira diocese criada em África (Ribeira Grande de Santiago – Cidade Velha). A igreja faz parte da identidade do continente africano”, disse.
Para o chefe do executivo cabo-verdiano, ser recebido por Bento XVI foi “um momento gratificante para a projecção de Cabo Verde”, sobretudo por ser “um outro momento da vida do nosso povo”.
“Falamos sobre Cabo Verde, sobre o seu desenvolvimento e sobre a África e o combate à pobreza, as políticas de solidariedade social e sobre a dignidade da pessoa humana no continente africano”, acrescentou, lembrando que João Paulo II foi o primeiro papa a visitar o arquipélago, em 1990.
Sobre a Concordata, José Maria Neves adiantou que Bento XVI ficou “muito satisfeito”, por as duas partes estarem já na fase negocial, sublinhando que “há todas as condições “para acelerar as negociações”, mas sem adiantar qualquer data de conclusão.
“Há um roteiro, vamos criar uma comissão mista e a comissão vai trabalhar rapidamente para fixarmos o texto definitivo e assinarmos a Concordata”, referiu.
“O Santo Padre felicitou Cabo Verde pelos seus ganhos, por ser um país de desenvolvimento médio, por estar na linha da frente do cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e, sobretudo, por estar a ter mais liberdade e mais justiça social”, acrescentou.
José Maria Neves está em Itália desde a semana passada em visita de trabalho e, desde o dioa 02.09, também no Vaticano, numa audiência com o secretário de Estado da Santa Sé, Tarciso Bertoni, ficou definida a criação de uma comissão paritária para preparar o texto da Concordata a assinar entre os dois Estados.
O documento irá reger as relações da Igreja Católica com Cabo Verde, país maioritariamente católico, uma vez que a Concordata a assinar é o primeira entre os dois estados, que até agora têm regido as suas relações pela rubricada entre a Santa Sé e Portugal no período colonial.
Se a Concordata for assinada, Cabo Verde, tal como Portugal e Brasil, torna-se no terceiro país de língua portuguesa a rubricar o tratado com o Vaticano.
José Maria Neves nada adiantou sobre o que analisou com Bento XVI sobre a definição de uma série de questões relacionadas com o património, o papel da igreja na educação em Cabo Verde e a gestão do património histórico religioso da Cidade Velha.

UNESCO atribui ao país prémio no Dia Mundial da Alfabetização
A Direcção-Geral de Educação e Formação de Adultos (DGEFA) de Cabo Verde recebeu no 08 em Paris o Prémio Internacional da Alfabetização da UNESCO 2010/Rei Sejong.
O prémio foi atribuído numa cerimónia que assinalou o Dia Mundial da Alfabetização na sede da UNESCO, a organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
O Prémio Rei Sejong, apoiado pela República da Coreia, distingue “abordagens inovadoras à educação de alfabetização”.
A atribuição do prémio pela UNESCO “reconhece o esforço da DGEFA para adaptar o programa educativo à realidade política, socio-cultural e ao contexto linguístico do país”, segundo uma nota daquela instituição.
“Uma mostra desse trabalho é constatável no documentário ‘Alfabetização, Escola da Vida’, onde mulheres beneficiárias do programa oferecem testemunhos da nova autonomia e melhoras das suas vidas”, salientou a DGEFA de Cabo Verde.
Além de Cabo Verde, o Prémio Rei Sejong foi atribuído a projectos na Alemanha e na Colômbia.
A cerimónia de atribuição dos prémios, na sede da UNESCO, foi seguida do lançamento da Rede de Inovações para Alfabetização, um fórum virtual para investigadores e agentes de educação apoiado pela Microsoft e pela Fundação Verizon.

Internacional. Guiné Bissau. Palavras, palavras e palavras (acções, essas ninguém as vê)


Malam Bacai Sanhá é presidente da Guiné-Bissau há um ano. Balanço? Muitas promessas, quase todas por cumprir

O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, disse no 08.09 o que já tem dito, repetindo palavras e ideias sem consequências práticas. Nessa data repetiu, entre outras, a promessa de que os assassínios dos antigos chefes de Estado João Bernardo Nino Vieira, e das Forças Armadas general Tagmé Na Waié, vão ser esclarecidos.

Vale, ao menos, a ideia de que enquanto o deixarem vai falando. É pouco, mas se calhar é um princípio para qualquer coisa.
“O nosso entendimento é que efectivamente não pode haver uma verdadeira reconciliação sem que haja primeiro a justiça”, afirmou Malam Bacai Sanhá numa intervenção feita à imprensa para fazer um balanço sobre um ano na presidência do país.
“Eu prometi, e isso vou fazer. Os casos que tiveram lugar em 2009, os assassínios do Presidente João Bernardo “Nino” Vieira, do chefe de Estado-Maior general Tagmé Na Waié, dos deputados Baciro Dabó e Hélder Proença, esses casos terão esclarecimento”, afirmou.
“Este povo tomará conhecimento daquilo que aconteceu e isso para mim é um elemento, um reforço para o processo de reconciliação, porque só dizendo a verdade é que vamos poder reconciliar-nos”, sublinhou o chefe de Estado guineense.
“Penso que o andamento do processo é um elemento importante no quadro de reconciliação nacional”, insistiu.
João Bernardo “Nino” Vieira foi assassinado a 2 de Março de 2009, horas depois de o chefe das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié ter sido morto num ataque à bomba no Estado-Maior guineense.
Meses mais tarde, a 5 de Junho do mesmo ano, os deputados Baciro Dabó e Hélder Proença foram mortos por alegado envolvimento num golpe de Estado.
Quanto à suposta, eventual e quimérica força de estabilização, Malam Bacai Sanhá diz que não será uma missão de ocupação, mas de testemunho do empenho dos guineenses para construção do país.
“Está hoje em debate a possibilidade de uma vinda cá de uma missão de estabilidade. Cabe aos órgãos de soberania da Guiné-Bissau decidirem”, afirmou o Presidente guineense.
“De acordo com informação que eu tenho parece que o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), enquanto partido no poder, já se pronunciou, o Governo já se pronunciou, espero brevemente, ainda esta semana, que a Assembleia (Nacional Popular, parlamento) se pronuncie”, explicou.
“Caso isso aconteça, nós trabalharemos as nossas posições, e a convidar a comunidade internacional para que venha assistir à Guiné-Bissau, não será uma missão de ocupação, não será uma missão de paz. Será uma missão de estabilização”, disse.
“Uma missão que testemunha o nosso empenho na construção de uma Guiné para os guineenses”, sublinhou o Presidente.
“Uma Guiné para todos aqueles que amam este país. Uma missão que testemunha o nosso esforço na luta contra o narcotráfico, o nosso esforço na luta para a eliminação completa da impunidade neste país, do nosso esforço na luta para unir os guineenses”, referiu.
“Essa será, eventualmente, uma das tarefas fundamentais dessa missão se vier a acontecer”, concluiu.
A possibilidade sobre um princípio de acordo das autoridades guineenses, para o envio de uma missão de estabilização internacional, foi anunciado no início de Agosto pela presidência guineense.
Malam Bacai Sanhá lamentou também a intervenção militar de 1 de Abril e garantiu que acontecimentos daquele género não se vão repetir.
“Lamento ter havido uma situação como o 1 de Abril. Espero que efectivamente não se repita. O 1 de Abril será o último acontecimento dramático da história do nosso povo, daqui para a frente teremos dias melhores e esses dias já começaram”, afirmou o Presidentes guineense.
“Não foi o pior dos acontecimentos que tiveram lugar na Guiné. Aliás, foi o único acontecimento do género que aconteceu sem que houvesse derramamento de sangue e danos materiais”, disse, sublinhando, que as autoridades souberam agir e repor a legalidade constitucional.
“Mas, de qualquer maneira, não era o que eu tinha prometido ao povo da Guiné”, reconheceu o chefe de Estado, que continua a prometer aos guineenses paz e estabilidade.
Ao povo, o Presidente pediu paciência, esperança e participação no desenvolvimento do país.
“Paciência para efectivamente compreenderem o processo que nós temos. Temos um país que é muito pequeno em tamanho, população muito reduzida em número, mas que é um país muito importante, tendo em conta a sua natureza, a sua situação geográfica”, disse.
“A paciência de compreendermos todo o processo por que passa, mas esperar sobretudo que este país vá andar um dia e nós estamos cá, nesta cadeira, para fazer andar este país”, acrescentou.
“Esperança para este povo, esperança de tranquilidade de sossego, esperança de paz e estabilidade e esperança de desenvolvimento. Esta é a mensagem fundamental que eu tenho para este povo”, disse.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

«Estado já pagou 60 por cento da dívida a empresas de construção civil»


O governo angolano anunciou que pagou já 60 por cento da dívida a empresas construtoras, o que fez “diminuir a pressão sobre o Estado”, restando cerca de 900 milhões de dólares por liquidar.
A informação foi avançada pelo ministro de Estado e chefe da Casa Civil, Carlos Feijó, que manteve um encontro com a imprensa para fazer o balanço das acções do governo no último trimestre.
Segundo Carlos Feijó, no encontro realizado há três meses para o mesmo efeito foram anunciados os moldes de pagamento da dívida para com as empresas, nomeadamente a totalidade do pagamento às empresas com dívida até 10 milhões de dólares, seguindo-se as avaliadas até 30 milhões de dólares e 30 por cento com valor superior a 30 milhões.
“Foi necessário reformular os moldes de pagamento, porque constatámos que ao pagarmos às pequenas empresas não estávamos a sentir os resultados em toda economia. Por isso, decidimos pagar a totalidade de todas as empresas com dívidas entre 30 milhões e 75 milhões de dólares. Acima disso, pagaríamos 40 por cento”, explicou.
Por outro lado, referiu que o valor que ainda não foi pago procede do facto de muitas empresas credoras apresentarem irregularidades na sua constituição, nomeadamente a falta de cadastro, de número de contribuinte ou números a mais de contribuintes.
“Tivemos que fazer um processo de selecção minimamente aceitável. Ainda assim cumprimos com o que ficou aprazado e neste momento podemos dizer que 60 por cento dessa dívida está paga. Ainda temos cerca de 900 milhões de dólares por pagar, referentes às empresas em que foram detectadas irregularidades”, frisou.
Em Julho deste ano, o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, disse que a dívida do Estado angolano às empresas de construção civil ascendia aos 5,2 mil milhões de euros, estimando que "30 por cento deste valor" seja referente às empresas portuguesas, pois claro.

Ativista dos direitos humanos de Cabinda absolvido por falta de provas


O Tribunal de Cabinda conseguiu disfarçar a parcialidade dos julgamentos de cunho político e discriminatórios contra aqueles que não bajulam a má política de integração governamental e das forças de informação e segurança de Luanda, absolvendo no 01.09 o activista de direitos humanos de Cabinda Barnabé Paca Peso, detido há cerca de oito meses, sob a acusação de crime contra a segurança de Estado.
De acordo com o juiz, não foram encontradas provas suficientes para a condenação do arguido, detido por terem sido encontrados na sua residência documentos retirados da Internet sobre a situação em Cabinda.
O advogado de defesa, Martinho Nombo, disse que o juiz alegou que, por não serem da autoria do arguido, os referidos documentos não servem de prova para a condenação de Barnabé Paca Peso.
“É uma boa notícia. O juiz teve o bom senso de ter atendido a esses factos”, disse Martinho Nombo, salientando que eram esses os princípios em que se deveriam ter baseado os anteriores juízes que condenaram os restantes cinco arguidos do grupo dos sete detidos, em Janeiro, acusados de crime contra a segurança de Estado.
Segundo o advogado, ainda não foi decidido sobre qual o próximo passo a dar, já que o seu cliente esteve detido quase oito meses “por um erro judicial grosseiro”.
“A actual Constituição prevê a instauração de uma acção contra o Estado nesses casos em que acontecem essas decisões grosseiras, que, nesse caso, deixou um homem privado da sua liberdade por longo tempo. Vamos analisar para ver qual será o próximo passo”, referiu Martinho Nombo.
Barnabé Paca Peso foi detido em Janeiro na considerada por muitos, face a musculação da Polícia e FAA, como “colónia” de Cabinda acusado do crime contra a segurança de Estado, na sequência de um ataque armado contra a escolta militar angolana à selecção de futebol do Togo, que resultou na morte de duas pessoas.
Na altura da detenção, foram encontrados na residência do engenheiro Barnabé Paca Peso vários documentos retirados da Internet sobre a situação prevalecente em Cabinda, que serviram de base para a acusação.
Em julgamento, Barnabé Paca Peso declarou que os documentos encontrados em sua residência foram retirados da internet e arquivados com a intenção de se manter informado.
Do grupo de detidos, foram já condenados um ex-funcionário da petrolífera Cabinda Golf, André Zeferino Puati a três anos de prisão, um advogado, Francisco Luemba, e um padre, Raul Tati, a cinco anos cada, um economista, Belchior Tati, a seis anos e um ex-polícia, Benjamim Fuca, a três anos.
A aguardar julgamento está ainda o economista António Panzo

Sindicato angolano contra aumento do preço dos combustíveis


Uma das maiores forças sindicais angolanas, a Central Geral de Sindicatos Livres e Independentes de Angola (CGSIlA) considerou que o aumento do preço dos combustíveis vem “agravar ainda mais” a vida dos trabalhadores angolanos, sobretudo da função pública.
O secretário executivo da CGSILA, Francisco Jacinto, disse que a medida do Governo deveria ter tido em conta o aumento salarial da função pública, que, este ano, foi de apenas 5,4 por cento.
“O Governo de Angola pode vir dizer que nem todos os angolanos têm carros, mas é preciso também ter em conta que muitas pessoas ainda não têm o fornecimento de energia eléctrica, que as pessoas vivem de candeeiros e geradores e que, para isso precisam de combustível”, disse Francisco Jacinto.
A nova tabela de preços dos combustíveis, está a causar muitos transtornos aos pobres, que são quem suporta a crise das políticas de má-gestão económica do governo. Segundo Francisco Jacinto, essa medida do executivo angolano que, “de maneira nenhuma, a CGSILA concorda com ela”, vem contribuir “claramente” para “agravar ainda mais o quadro social dos trabalhadores angolanos, caracterizado por um fraco poder de compra”.
O director nacional do Gabinete de Acompanhamento da Gestão Macroeconómica do Ministério da Coordenação Económica, Carlos Panzo, admitiu que a medida “vai ter algum impacto sobre a inflação, mas que acontece apenas nos primeiros momentos, esgotando-se ao longo do tempo”.
Por sua vez, o presidente da Associação de Taxistas de Luanda (ATL), Manuel Faustino, disse que há seis meses apresentaram ao Ministério das Finanças uma proposta para o aumento da tarifa do táxi, que não teve qualquer resposta.
“Nós já vimos falando disso há um ano, mas há seis meses apresentamos uma estrutura para podermos aumentar o valor da tarifa. Agora com mais esse incremento, vamos ter que repensar numa nova proposta, em que teremos em conta primeiro os passageiros”, disse Manuel Faustino.
Actualmente, o preço estipulado pelo Ministério das Finanças de Angola para o táxi é de 50 kwanzas, todavia há algum tempo que os taxistas cobram o valor de 100 kwanzas, por causa do trânsito congestionado de Luanda e do estado das estradas, dois factores que dizem prejudicar o seu rendimento.
A directora do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), Elsa Barber, disse que a sua instituição vai estar vigilante para que os comerciantes não realizem subidas de preços sem regras.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Governo do MPLA aumentou os preços da gasolina e do gasóleo


Os preços dos combustíveis em Angola sofreram desde o dia 01.09 um aumento, com a gasolina a custar 60 kwanzas (0,15 dólares) o litro, contra os 40 Kwanzas (0,7 dólares) anteriores, e o gasóleo a atingir os 40 kwanzas os litro, contra os 29 kwanzas praticados até agora (0,65 dólares), anunciou o Governo.
Num comunicado, o Ministério da Coordenação Económica de Angola divulgou ao público a nova tabela de preços dos combustíveis, que já entrou em vigor.
Com este aumento, o executivo angolano diminuiu em oito por cento a sua despesa para este ano.
No documento, o Ministério da Coordenação Económica explica que este ajustamento dos preços dos combustíveis foi feito com base no Orçamento Geral de Estado 2010 revisto, que aprovou a redução dos subsídios aos combustíveis.
Em declarações, o director nacional para as políticas macroeconómicas, Carlos Panzo, disse que de Setembro deste ano a Setembro de 2011 o impacto de redução nas despesas com subsídios, será de cerca de 20 por cento.
“Se nós olharmos numa óptica de 2010 vamos verificar uma redução no envelope de despesas na ordem dos oito por cento e este é o ajustamento que o executivo trás a conhecimento do público”, disse
Carlos Panzo referiu ainda que o executivo angolano pretende com essa redução na subvenção aos combustíveis passar a dispor de mais recursos para fazer mais investimentos na área social, nomeadamente, na educação, saúde e assistência social.
“Um subsídio tem a característica de ser distribuído para todos, sem ter em conta quais os rendimentos do seu destinatário. O objectivo do Governo é passar a dispor de mais recursos para continuar a fazer todas essas iniciativas que são dirigidas para aquelas camadas carenciadas”, salientou.
O executivo angolano gasta cerca de 4 mil milhões de dólares anualmente com a subvenção aos combustíveis, um valor equivalente a seis por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

Uma potência com pés de barro e medo da concorrência


Queremos crer, que as razões que levaram ao pedido da moratória para aplicação do protocolo comercial da SADC sãos as mesmas utilizadas para atrasar a entrada em vigor da nova Legislação Fiscal e as mesmas que levaram a introdução dos enunciados “custos do contexto” (burocracia excessiva, dificuldades migratórias, etc) que tem impedido ou dificultado a entrada de investidores estrangeiros no mercado angolano.

As razões afunilam-se na necessidade de “estruturar” uma burguesia forte que seja senhor de todas as infra-estruturas e equipamentos sociais e económicos susceptíveis de transferência ao domínio privado.

É uma visão interessante, embora politicamente incorrecta. Contudo, até a burguesia aparecer lá foram bons preciosos anos que permitiriam um desenvolvimento acelerado com a entrada frenética de capitais estrangeiros e com a circulação de mercadorias essenciais na região com suporte de uma política fiscal moderna e adaptada aos desafios da economia de mercado que se pretende.

Com uma dívida pública a rondar os 38.7% do PIB (estimada em 30 biliões de dólares norte americanos), mesmo quando valor estimado do PIB ronde os 100 biliões de dólares americanos, não faz sentido suspender a entrada de capitais estrangeiros que até elevariam o PIB e com ela a capacidade de pagamento do Estado num serviço de dívidas cada vez menos onerosa para a economia.

Se o sector agrícola cresce, é urgente o nascimento de uma indústria transformadora da produção agrária. Esta depende em grande medida de Know-how e tecnologia que em geral é trazida pelo investimento estrangeiro. Se não, com as portas fechadas para a SADC, começaremos a verificar perdas abundantes de produção que levarão ao desencorajamento os empresários deste sector.

Como, aliás, já se tem verificado em escala assustadora. Ou seja, a falta de investimento estrangeiro pode ser um indesejável freio para o crescimento e diversificação da economia nacional.

Se a ANIP (Agência de Investimento Privado) foi instruída para desburocratizar o processo de transferência de capitais e tecnologias bem como a constituição das respectivas empresas é bom que sejam consideradas as parcerias público-privadas neste processo. Não faz sentido, pretender-se acelerar a constituição de empresas num Guiché Único da Empresa (GUE) quando outros actos necessários a legalização e funcionamento da empresa continuam encravados na burocracia inutilizando a celeridade pretendida.

Atente-se para esta situação frequente na nossa realidade: a legalização de uma empresa no GUE leva um único dia, porém os alvarás e as licenças das actividades económicas levam semanas porque são tratados fora deste contexto ou ainda a documentação dos empresários necessária para dar entrada no GUE levam semanas a organizar.

Para além de que a Publicação no diário da República de pactos sociais de empresas constituídas com urgência levam tempo a acontecer. Ou seja, o processo de legalização de empresas compreende uma fase inicial demorada, uma fase intermédia acelerada e uma fase final demorada. Conclusão: o investidor continua preso a uma burocracia excessiva.

Ora, o licenciamento de firmas de consultorias especializadas em organização de empresas levaria certamente a “desfazer” o excesso de burocracias para além de ajudar a estender os serviços para as diversas províncias reduzindo os esforços do Estado em reduzir a burocracia neste sentido: uma parceria público-privada muito válida, se explorada com eficiência e eficácia, é necessária para a própria reestruturação da ANIP e para que Angola seja um verdadeiro amigo do investimento.

A regularização imobiliária para a facilidade de crédito é das medidas mais credíveis para impulsionar a relação entre o cidadão e os bancos para fins de crédito.

Aqui o executivo anima as mentes mais optimistas quanto a uma verdadeira reforma neste sentido. Há muito estava claro que a falta de titularidade da propriedade imobiliária era o principal factor de constrangimento e inibição da economia privada.

As reformas legislativas com o fim de reduzir determinados documentos necessários a regularização imobiliária devem ser acompanhadas com a conclusão dos planos urbanos directores nacionais e locais.

Não faz sentido facilitar a legalização de imóveis cuja definição espacio-territorial é duvidosa e como tal provisória. Legalizar fazendas agropecuárias achadas em futuros centros urbanos representam engajamentos financeiros desnecessários e evitáveis.

A linha de crédito para agricultura orçada em 350 milhões de dólares norte americanos disponíveis pode ter juros bonificados na ordem dos 5% e ser financiado pelo Estado com 80% e pela banca comercial com 20%.

Porém, a falta de regularização fundiária é neste momento o único obstáculo que torna este crédito apenas visível pelos binóculos de agricultores industriosos que dele carecem. Se resolvida esta questão todos os outros problemas desaparecem como sejam a falta de acesso e de infra-estruturas. Destes a engenhosidade e a audácia dos empreendedores se encarregam.

Não é completamente certo que o aumento (ou melhor a fixação real) do preço dos combustíveis tenha efeitos episódicos no que toca ao aumento generalizado dos preços por não se esperar a sua duração prolongada.

O aumento da taxa de inflação, que actualmente ronda os 13%, pode acontecer por diversas razões, muitas delas atreladas a razões de falta de coerência na utilização e aplicação dos instrumentos e medidas macroeconómicas. Se a economia cresce é pela sua perigosa dependência do sector petrolífero.

A taxa de desemprego não é aceitável, os níveis salariais menos motivadores e a política cambial pouco clara. São factores claros de estrangulamento que levam a economia a configuração de uma bomba-relógio para efeitos do aumento da taxa de inflação.

Não é portanto, segura a ideia de que o aumento da taxa de inflação é descartável. Mas, a intenção de reduzir os subsídios do Estado para desencadear a política de redistribuição de rendimentos é uma medida próxima de ser certa.

É mais benéfico ao funcionário público a possibilidade de transferir o filho de um colégio caro para uma escola pública gratuita com mesmo nível de condições de ensino do que ter o salário aumentado com as custas do colégio a onerá-lo.

A política de redistribuição de rendimentos tem a vantagem de aliviar a carga de despesas que incidem sobre os rendimentos. Até porque, por mais aumento salarial que se registe no contexto económico actual, os rendimentos serão incapazes de ajustar-se ao nível de vida desejável. Nada melhor do que apostar em programas sociais que melhorem os sectores da saúde, da educação e da protecção social dos cidadãos vulneráveis. Contudo, os salários actuais podem ser ajustados simultaneamente a aplicação das medidas redistributivas do rendimento nacional.

Aliás, há muito é desejável a redução ao mínimo possível dos subsídios. Os cidadãos devem passar a pagar os custos reais dos bens e serviços públicos e serviços prestados pelo Estado e pelas suas empresas, ao mesmo tempo que os rendimentos devem ser ajustados e as iniciativas informais integradas na economia formal, para que se verifique uma melhoria generalizada na oferta de bens e serviços da economia e os seus destinatários sejam capazes de racionalizar a utilização e o consumo dos mesmos.

Economias centralistas do Estado suportadas por regimes totalitaristas, utilizam a política de subsídios para gerar o efeito anestésico aos cidadãos que assim perdem a capacidade de reivindicar pela melhoria dos serviços e de estabelecer uma utilização racional dos bens e serviços. É preciso motivar o empreendedorismo pelo uso racional dos recursos disponíveis e sua rentabilização quando necessária.

A contínua adaptação do Estado a nova Lei Constitucional sobretudo no que toca a nova Administração Pública, passa não só pela formação de altos funcionários do Estado, como pela coragem dos “congelados” membros dos comités de especialidades e outros organismos sociais afins, incluindo os partidos políticos, que se apresentam como sombra de si mesmos em debater e propalar assuntos jurídicos atinentes junto das populações desatentas para que a harmonia entre os governantes e os governados seja progressiva.

De todo o modo, ficou por se apresentar o balanço do estado do programa de combate a pobreza e a corrupção, do programa das um milhão de casas, do programa água para todos, da situação da tão ansiada política fiscal e de outros projectos há muito anunciados e que amarelecem nas prateleiras do esquecimento.

Espera-se que não se verifique qualquer descontinuidade entre as últimas promessas eleitorais e os programas executivos sujeitos a balanços periódicos.

O balanço trimestral do governo


A segunda conferência sobre o balanço trimestral do executivo apresentada em Luanda na Cidade Alta a 3 de Setembro do ano em curso permite reconhecer a demonstração de uma rara coerência do Governo em manter as conferências de imprensa com o fito de apresentar balanços periódicos do seu desempenho. Representa simultaneamente um gesto cívico-didáctico ao possibilitar o exercício de avaliação periódica dos programas executivos pelos eleitores e um gesto de responsabilidade política ao desencadear a recuperação da confiança dos cidadãos pelas melhores práticas políticas. É igualmente uma oportunidade para os partidos políticos monitorizarem os programas e os balanços correspondentes apresentando contrapropostas tecnicamente organizadas e politicamente credíveis que motivem os angolanos a fazer fé na prática responsável do exercício político.

Albano Pedro

Tendo sido apresentado na primeira aparição dos delegados do executivo uma perspectiva programática, em matéria de projectos e investimentos sociais e económicos para o médio e longo prazo, afigura-se prematuro qualquer balanço a este propósito já que nem metade dos projectos anunciados saiu das intenções sobretudo devido, em parte, a crise financeira que se abateu contra o Estado angolano. Contudo, prestou para o preenchimento de certas “lacunas” deixadas na primeira intervenção, nomeadamente a perspectiva programática da dimensão social, i.é, da política social que se bastou, na primeira conferência, a simples informação sobre o aumento insignificativo do salário na função pública, dando então provas da falta de interesse do Governo pela dimensão social do programa executivo.

Desta vez, o executivo teve a coragem de acrescer alguns “itens” no pacote social e percebeu-se que a preocupação fundamental foi a regulação do sector da saúde, com a nova política nacional de saúde; política nacional farmacêutica e de gestão hospitalar com as quais o executivo pretende organizar o sector para além de estabilizar as correspondentes quotas financeiras a partir do OGE.

Para o sector da educação é de nota a necessidade de resolver o problema de fundos de maneios para as muitas escolas e universidades que foram criadas e institucionalizadas sem qualquer visão imediata nos meios materiais e financeiros para a administração das mesmas. Cabinda e Luanda foram apontadas como as províncias a beneficiar de medidas especiais no que toca ao reforço da capacidade técnica dos governos provinciais e das administrações municipais.

Para Luanda foram anunciadas medidas excepcionais com vista a dotar de capacidade técnica capaz de permitir o controlo dos problemas causados pelas chuvas e outras calamidades naturais.

Aqui fica clara a projecção de rede de esgotos e outras infra-estruturas técnicas com vista a tornar estável o saneamento básico. O executivo faz-nos mesmos sonhar com o fim das lamas pestilentas com consistência de alcatrão que inunda os bairros da cidade de Luanda em época de chuvas.

O acento máximo da política social é colocado no programa de construção de moradias sociais para servir as populações a transferir de zonas alvos de requalificação urbana e de construção de infra-estruturas técnicas bem como daquelas populações vítimas de calamidades naturais.

Programa estipulado para o fim de 2010, 2011 e 2012. Não há dúvidas que há muito se esperou tamanha novidade. Pois, não estava clara a política habitacional perspectivada com um milhão de casas que feitas as contas seriam todas vendidas aos cidadãos, maior parte delas incapazes de as adquirir, mesmo com preços-tipo-oferta. Não estava evidente a possibilidade das enunciadas centralidades de Cacuaco, Zango e Kilamba Kiaxi totalizando centenas de milhares de moradias servirem populações dos municípios do Sambizanga, Cazenga, Kilamba Kiaxi, Samba, etc.

Tudo, se mostrava mais claro quando se pensasse que tais populações acabariam “despedidas” para fora de Luanda batendo-se por espaços para construções anárquicas nas fronteiras entre as províncias do Bengo e Kwanza Norte ou Kwanza Sul. É um fantasma que se apaga com o, agora, anunciado programa de transferência de tais populações para moradia sociais gratuitas, de Luanda e de outras cidades. É sem dúvidas um elemento de grande dimensão social embora não se tenha falado em mais nada com importância aproximada.

No domínio económico a novidade mais animadora é a recuperação ou retoma do sector mineiro, sobretudo o diamantífero em que dados estatísticos a provar, levam-nos prima facie a verificar um esforço aceitável no relançamento desta importante actividade económica.

A necessidade de protecção da economia nacional é uma medida interessante já que se apresenta urgente proteger a crescente produção agrária nacional que apodrece por falta de escoamento ou falta de compra contra alimentos naturais importados sem quaisquer justificações qualitativas ou quantitativas.

Se a diversificação da economia se assiste com o crescimento dos sectores da agricultura, construção civil e energia, as medidas proteccionistas podem ser doseadas na proporção do aumento qualitativo e quantitativo dos mesmos.

E nisto, polémica nasce com o pedido de moratória para a integração comercial de Angola na SADC. Pretende-se aplicar o Protocolo Comercial tão logo a economia nacional atinja níveis de estabilidade aceitáveis para competir com as economias vizinhas (Zâmbia, Zimbabwe, Congo, Namíbia, Botswana, etc.).

Não concordamos.

O protocolo comercial pode ser aplicado parcialmente e nisso caminharmos paulatinamente. Afinal, é nos favorável uma série de vantagens comerciais como sejam a importação de matérias-primas da região sem custos aduaneiros e outras mercadorias em que Angola não precisa recear qualquer concorrência.

Universidade Katyavala Buila em ebulição. Decanos e professores contra reitor Paulo de Carvalho


Comissão de inquérito tem oito dias para apresentar resultados, sobre a alegada má gestão da Universidade Katyavala Buila, sedeada em Benguela.

Ernesto Kupandula*

Constituindo-se numa ameaça para a concretização dos objectivos definidos pelo programa do governo, sobre o ensino superior em Angola, cansada das constantes reclamações dos docentes e não docentes, da academia e da, sociedade em geral, a Ministra do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia Maria Cândida Teixeira, socorrendo-se do art.2º, do decreto Presidencial nº6/10 e nos termos do artº 137 da constituição, despachou para a Cidade das Acácias Rubras uma comissão de inquérito coordenada pelo Professor Doutor Kiavo Tamo, Magnifico Reitor da Universidade 11 de Novembro de Cabinda, que curiosamente se encontrava em Luanda a tratar assuntos ligados àquela instituição de ensino superior do norte do país.

A comissão é integrada pelo Director do gabinete de inspecção do MESCT, o Phd Miguel João Manuel Filho e pelo Chefe de departamento da faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, Dr. Florival Raimundo de Sousa.

A situação reinante na Universidade Katyavala Buila (UKB) ultrapassou as raias do normal, segundo alguns académicos, com o Reitor Paulo Horácio de Sequeira e Carvalho, no epicentro de celeuma face ao carácter e métodos de administração, gestão e academia, tidos como autocráticos, egocentristas e desprovidas de rigor, como facilmente se lê num memoradum subscrito pelos Decanos e Vice-decanos das faculdades, institutos e demais unidades orgânicas que compõem a UKB, dirigido a Ministra do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia de Angola à 26 de Julho 2010.

Sobre o Reitor da Universidade Katyavala Buila, pendem ainda acusações de indevida utilização de recursos financeiros provenientes da rubrica do “bónus do petróleo”, do desvio de uma viatura de marca Hyunday Getz de cor cinzenta, para além da constituição de uma rede de trabalhadores fantasmas afectos ao Colégio Reitoral, da qual constam caricatamente uma legião de alguns reputados jornalistas cá da praça, a quem untava as mãos e vários envelopes por baixo da mesa, para blindarem a sua imagem, cujo orçamento para essa “rubrica fantasma” ronda os 6 Milhões de kuanzas/mês e em contra-mão, professores associados e auxiliares estão há mais de doze meses sem a sua problemática salarial resolvida.

No terreno, a equipa de inspectores, ao que F8 apurou de boa fonte, ficou estarrecida e estupefacta com os estragos que têm sido apontados, em tão pouco tempo, ao reitor da Universidade Katyavala Buila, o que deixa subjacente de que se tudo dependesse deles, a essa hora, o sociólogo Paulo de Carvalho não mais seria o magnífico se assim se pode dizer da Universidade Katyava Buila.

A Comissão de Inquérito ouviu vários intervenientes directos e indirectos nas Cidades do Sumbe, Lobito e Benguela, tendo constatado irregularidades no que toca, por exemplo a suspensão a 31 de Maio de 2010 da direcção do Instituto Superior Ciências da Educação (ISCED) nomeada pelo então Secretario de Estado do Ensino Superior Adão do Nascimento, por despacho nº105/09 de 22 de Dezembro, liderada pelo Dr. Carlos Alberto Lopes, sendo a Dr.ª Maria José Garcia Vice-decana p/assuntos académicos, da qual fixara trinta dias para o processo de “inquisição”.

Infelizmente, já são passados mais de 100 dias; a usurpação de competências dos Decanos das Unidades orgânicas, como foi o caso dos exames de admissão; a inexistência de regulamentos e demais legislação que regule e torne a vida académica mais funcional; a violação sistemática da Lei Geral de Trabalho e demais disposições aplicáveis a funcionários públicos e agentes administrativos; para além da indigesta relação interpessoal, onde em abono da verdade e face as evidências custou muito acreditar por parte da missão de inspectores, a indigência e falta de dignidade a que estão voltados alguns docentes com responsabilidades de direcção, muitos até pernoitando em unidades hoteleiras de baixo padrão (pensões de má referencia) e com apenas kz 500.00/dia (quinhentos kuanzas/dia) disponibilizados pela reitoria.

São estes e outros mil e um problemas, dentro de um quadro desolador, de descontentamento generalizado e num ambiente de rotura total entre a reitoria e as unidades orgânicas que até ao dia 14 de Setembro de 2010, a ministra Maria Cândida Teixeira terá de equacionar, sob pena de ver comprometido o ano académico 2010 que se encontra interrmitente.

A Universidade Katyavala Buila foi criada em 2009 ao abrigo do decreto nº7/09 de 12 de Maio do Conselho de Ministros e publicado no diário da República nº87, 1ªsérie, tendo o seu primeiro Reitor nomeado Phd Paulo de Carvalho aportado a Cidade de Benguela à 09 de Outubro de 2009. “Caso a Sr.ª Ministra não decida em definitivo a problemática reinante na Universidade Katyavala Buila em tempo emergencial, nós comunidade académica recorreremos a figura do mais alto Magistrado da Nação Angola ” desabafou de viva voz um docente universitário, tendo todavia optado por não ser por enquanto identificado, para não beliscar o andamento do processo, ao se espera, poderá culminar com a exoneração do sociólogo Paulo de Carvalho.

*Em Benguela

terça-feira, 14 de setembro de 2010

MPLA acusa a UNITA de apelar à desobediência civil


O secretário para a Informação do MPLA, Rui Falcão, disse considerar “grave para o país”, esta situação, em que os alvos são, responsáveis da UNITA através da Rádio Despertar, afecta a esse partido, que têm, "reforçado" os apelos que visam incitar a desobediência civil no país.
“É uma situação grave, que nos deve preocupar e por isso mesmo o MPLA aproveita para apelar a todos os militantes do partido, simpatizantes e amigos para que não reajam a quaisquer provocações, incitações ou convites que contrariem a lei e a ordem”, salientou Rui Falcão.
O porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, considerou estar a haver “um certo nervosismo” da parte do executivo, que procura “desviar a atenção da opinião pública nacional dos problemas reais que a maioria da população enfrenta. Procuram assim criar bodes expiatórios, mas esta situação actual que vivem os angolanos é produto das políticas adoptadas pelo executivo nesses últimos tempos”, disse Alcides Sakala, referindo-se como exemplo ao recente reajuste aos preços dos combustíveis no país.
Alcides Sakala apela à calma do executivo na resolução dos problemas que afectam o país, evitando “os discursos belicistas”.
O MPLA na sua denúncia refere que, a Rádio Despertar tem-se apoiado nos discursos do líder da UNITA, Isaías Samakuva, feitos publicamente e que podem ser encontrados nos mais diversos blogues.
Na última reunião ordinária do Bureau Político do MPLA, foi repudiada em comunicado a “estratégia seguida e suportada por diferentes instituições estrangeiras, perfeitamente identificadas, e organizações e indivíduos, incluindo cidadãos nacionais, recrutados para servirem de pontas de lança, visando manchar tudo quanto o poder executivo faça”.
Sem apontar nomes, o comunicado refere ainda que essa atitude tem como objectivo “tentar denegrir, a qualquer preço, a imagem do Presidente e o bom desempenho da economia angolana, mediante a criação de factos e o levantamento de suspeitas permanentes, com o propósito único de reduzir o apoio popular que tem merecido, condicionar o investimento estrangeiro e mitigar a diferença nas próximas eleições”.
“Conhecedor da estratégia gizada por essas organizações e instituições, aliadas a organizações e cidadãos nacionais contratados, o Bureau Político apela a todos os militantes a manterem-se firmes no cumprimento dos ideais do MPLA”, sublinha o documento.

MPLA amigo, quem não estiver contigo leva um tiro na mona!


A direcção do MPLA considera "graves e preocupantes" os apelos sucessivos à desobediência civil que estão a ser feitos pela Rádio Despertar, emissora ligada à UNITA. Considera-os antidemocráticos, quase parecendo que Angola é uma democracia e um Estado de Direito. Nova purga está a ser preparada.

Orlando Castro

Numa conferência de imprensa, no 08.09, ou sessão de propaganda, o secretário para a Informação do partido no poder desde 11 de Novembro de 1975, Rui Falcão, declarou que os "apelos sucessivos" começaram a surgir na início da semana na Rádio Despertar e têm respaldo nos recentes discursos de alguns dirigentes da UNITA, em particular do seu presidente.
Ao mesmo tempo que critica a UNITA e, dessa forma, incentiva a que mais algumas pessoas choquem contra balas, Rui Falcão pede aos militantes, simpatizantes e amigos do MPLA (ou seja, a todos os que o regime considera angolanos de primeira) a não reagirem a quaisquer provocações, incitações ou convites que contrariem a ordem instituída por um regime que tem um presidente, José Eduardo dos Santos, não eleito há 31 anos no cargo.
"Não podemos cair em atitudes impensadas e irreflectidas trazidas por pessoas que nada fizeram por este país, que o destruíram e continuam, pelas mais diversas formas, a querer atingir o poder", disse, acrescentando que o poder só é legítimo quando as atitudes são democráticas, o que não é o caso.
Nem mais.

A UNITA nada fez, segundo a cartilha do MPLA, por Angola. Todos sabemos, por exemplo, que durante a guerra civil as balas e as bombas do MPLA (primeiro das FAPLA e depois das FAA) só atingiam os maus, ao contrário do armamento das FALA que destruiam tudo. Todos sabemos, ainda, que as bombas lançadas pela Força Aérea do MPLA só atingiam alvos inimigos e nunca estruturas civis.
Aliás, se Rui Falcão pensar bem até vai descobrir que a UNITA é que é responsável pelos mais de 40.000 angolanos torturados e assassinados em todo o país depois dos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, acusados de serem apoiantes de Nito Alves ou opositores ao regime.
Aliás, se Rui Falcão pensar bem até vai descobrir que a UNITA é também responsável pelo massacre de Luanda que visou o seu próprio aniquilamento e de cidadãos Ovimbundus e Bakongos, onde morreram 50 mil angolanos, entre os quais o vice-presidente da UNITA Jeremias Kalandula Chitunda, o secretário-geral Adolosi Paulo Mango Alicerces, o representante na CCPM, Elias Salupeto Pena, e o chefe dos Serviços Administrativos em Luanda, Eliseu Sapitango Chimbili.
Assim, angolanos são pessoas como Lúcio Lara, Iko Carreira, Costa Andrade (Ndunduma), Henriques Santos (Onanbwe), Luís dos Passos da Silva Cardoso, Ludy Kissassunda, Luís Neto (Xietu), Manuel Pacavira, Beto Van-Dunem, Beto Caputo, Carlos Jorge, Tito Peliganga, Eduardo Veloso, Tony Marta, José Eduardo dos Santos.
Não angolanos são aquela sub-espécie como Alda Sachiango, Isaías Samakuva, Alcides Sakala, Jeremias Chitunda, Adolosi Paulo Mango Alicerces, Elias Salupeto Pena, Jonas Savimbi, António Dembo ou Arlindo Pena "Ben Ben".
Rui Falcão lembrou, ainda, os avanços registados nas áreas económica e social. Explicou que o país saiu de uma situação de inflação endémica, com taxas mensais acima dos três mil por cento e que este ano deve ficar em torno dos 13 por cento. Para 2011, indicou, a inflação pode, pela primeira vez na história do país, ficar em um dígito.
"Isso pressupõe mais disponibilidade para o investimento público, mais crescimento, mais emprego e redução da miséria", disse. Creio que, devido ao esforço titânico do MPLA, angolanos pobres vão deixer de ser cerca de 70% para passarem a ser... 69,99%.
Rui Falcão afirmou que é pensando nos angolanos que o MPLA continua a trabalhar na melhoria da governação e na gestão da coisa pública. Tem razão. Se se excluir todos os que o MPLA considera angolanos de segunda, a situação até está a melhorar...
"Conquistámos a paz e, fruto disso, obtivemos a estabilidade social e económica e estamos entre as economias que mais crescem no mundo. Mas há ainda quem não esteja satisfeito com o crescimento que Angola tem vindo a conquistar", disse.
De facto é injusto não reconhecer o esforço do MPLA. Creio, aliás, que o partido que governa Angola desde 1975 ainda precisa aí de mais uns trinta anos para pôr o país em ordem. Se calhar o tempo pode ser menos. Basta acabar, pela fome ou pela força das armas, com todos aqueles que são de segunda e que, neste contexto, só sabem chatear o sumo pontífice do regime.
No dia 03, o Bureau Político do MPLA repudiou, em comunicado saído da sua terceira reunião ordinária, a "estratégia seguida e suportada por diferentes instituições estrangeiras, perfeitamente identificadas, e organizações e indivíduos, incluindo cidadãos nacionais, recrutados para servirem de pontas-de-lança, visando manchar tudo quanto o Poder Executivo faça".
E para além de repudiar pôs em campo, tanto em Angola como no exterior, os seus sipaios. O jornalista da Rádio Despertar, assassinado em sua casa, foi um dos primeiros a sentir que o MPLA é dono do país.
"Conhecedor da estratégia gizada por essas organizações e instituições estrangeiras, aliadas a organizações e cidadãos nacionais contratados, o Bureau Político apela a todos os militantes a manterem-se firmes no cumprimento dos ideais do MPLA", sublinhava a nota.
Tão firmes quanto a força das balas, dos dólares e de outras estratégias para calar todos os que ingenuamente ainda acreditam que a força da razão vale mais do que a razão de força.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Angola – A Segunda Revolução. A verdade que o país merece


Livro de Jardo Muekalia publicado no dia 9 em Lisboa, com apresentação de Dalila Cabrita Mateus

Um relato na primeira pessoa das batalhas travadas em prol da democracia após a independência de Angola. Depois de «Cruzei-me com a História», de Samuel Chiwale, a Sextante Editora publica a 9 de Setembro, às 18 horas, na Livraria Bulhosa de Entrecampos, em Lisboa, e com apresentação de Dalila Cabrita Mateus, um novo documento histórico sobre o pós independência em Angola.

Angola – A Segunda Revolução é o testemunho de Jardo Muekalia, que relembra momentos e personalidades marcantes no processo de democratização do seu país. Ainda adolescente, trocou a guitarra pela metralhadora, ingressando no seio da UNITA, até se tornar um alto representante do partido em Washington.
Através de uma narrativa atenta e incisiva e de um conjunto de fotografias, Jardo Muekalia dá-nos acesso privilegiado aos bastidores de um país devastado por anos de guerrilha em busca de uma democracia rechaçada por vontades, desacordos e ambições da geração mais velha.
O enredo:
«Quero partilhar com os leitores desta obra parte da experiência que vivi quando jovem, durante o processo de independência do país, os anos de guerrilha que se seguiram à proclamação da independência, e o processo de negociação que conduziu às primeiras eleições da história de Angola. Esta é, antes de mais, uma narração dos acontecimentos, vistos do meu ponto de vista, como parte de uma geração, na altura adolescente, que se viu arrastada pelo vendaval da revolução, numa corrida imposta por vontades, desacordos e ambições da geração mais velha. (…) Esta obra não pretende ser história absoluta. Ela é, como disse acima, apenas uma narração da minha trajectória na luta pela inclusão democrática, relato de uma vida entregue e moldada pela “revolução”.» - Jardo Muekalia, Preâmbulo.

Sobre o autor:
Jardo Muekalia nasceu a 20 de Setembro de 1959, na província do Huambo, em Angola. Integrou a guerra de guerrilhas quando tinha 16 anos. Fez a sua formação militar em Rabat, Marrocos, tendo mais tarde integrado a missão externa da UNITA. Chefiou a representação da UNITA em Londres e, durante 10 anos, representou oficialmente o Partido em Washington, onde assegurou o programa mais ambicioso de ajuda norte-americana a uma entidade não-estatal africana.
Conduziu várias missões diplomáticas em África e na Europa, participou nas negociações de paz em Abidjan e Lusaka e esteve presente em todas as cimeiras Eduardo dos Santos/Jonas Savimbi realizadas no exterior.
Mestre de Relações Internacionais pelo Institute of World Politics de Washington, foi Secretário Adjunto para as Relações Exteriores da UNITA e é reformado das Forças Armadas de Angola, com a patente de brigadeiro.

Comentários:
Este é o tipo de livros que nos faz virar as páginas rapidamente para descobrirmos o que vem a seguir. Durante duas décadas considerei o Jardo como um amigo, mas nunca imaginei que fosse capaz de escrever um livro tão impressionante. Este livro deve ser lido em todo o espaço de expressão portuguesa e, eventualmente traduzido para outras línguas… -
Jerry Bender, Professor de Relações Internacionais da Universidade da Califórnia do Sul.
Um texto autobiográfico cativante porque não se limita a narrar e constatar os factos. Analisa com profundidade os eventos, os diferentes contextos nacionais, regionais e internacionais que marcaram os longos anos da guerra civil em Angola, os protagonistas tanto fora como dentro d UNITA; aborda com um louvável esforço de objectividade e bastante coragem os eventos trágicos mais marcantes e controversos, e bastante falados, que ocorreram no seio do seu partido. Este livro é sem dúvida uma contribuição valiosa para a história política contemporânea de Angola.
Jean-Michel Mabeko-Tali
Historiador e Professor Catedrático de História Africana - Howard University, Washington DC

Ainda o caso Banco Nacional de Angola. Honestidade deveria levar governadores do BNA para atrás das grades


Por mais que se queira tapar o sol, já nem peneiras temos para o fazer e as feridas causadas por uma governação sem bússola nem rota marcada, numa navegação de marinheiro de água doce a navegar em alto-mar, vão-se manifestando indícios de dificuldades, que escondem outras.

William Tonet & Arlindo Santana

Presentemente, encontra-se no leme do Governo do Banco Nacional de Angola o governador Abraão Gourgel, ali colocado pelas circunstâncias conjunturais, desempenhando de mau grado o ingrato papel de “bode expiatório”.

E, entretanto, vai circulando a ideia de que o Governo do BNA não pára de mostrar a sua incompetência na condução da política monetária do país, mas, ao que tudo indica, a incompetência não se limita a essa belíssima fachada que dá para a Marginal, pois o mal vem de longe e não podemos esquecer que o actual imbróglio foi gizado “lá em cima”, na medida em que a estratégia do BNA é secundada, ou melhor, direccionada pelos ministérios da Economia, das Finanças e ainda, sobretudo, pelo gabinete presidencial, em toda a sua plenipotência.

A política financeira está desgarrada... Não há um projecto fundamentado, com cabeça, tronco e membros, e luzes para nos iluminar o caminho da saída desta situação difícil, criada por uma crise financeira mundial, que se vai arrastando e atrás de si arrasta as economias do mundo inteiro, cada vez mais se parecem com efémeros fogo-de-santelmo, iguais a esses que aparecem no cimo dos mastros de barcos à vela no meio duma tempestade.

A inflação está aí, os cofres não têm dinheiro e, por vias de facto, os bancos comerciais não recebem divisas suficientes para as operações diárias, mesmo depositando muito mais do que o devido para operações fundamentais de criação de um certo equilíbrio monetário, indispensável a toda e qualquer economia.

A esse respeito, as críticas multiplicam-se e, como não podia deixar de ser, o alvo visado é o BNA, que, diz-se por aí nos meios mais cépticos dos restritos meios da crítica económica, não tem coerência na sua gestão.

O Kwanza já ultrapassou a sua etapa de estabilização, que atingiu graças ao peso enorme das receitas do petróleo, e encontra-se num estádio cada vez mais frágil de moeda em perigo constante de ser desvalorizada, pese a sua sustentação administrativa e dolarificada pela desunhada política do ministério da Economia.

A verdade é que as principais responsabilidades no que toca às dificuldades actuais da nossa economia, apontam para o Ministério da Economia como sendo um dos agentes da sua estagnação, na sua qualidade de instituição-chave, que, nesta altura de persistente crise mundial, e angolana, está carente de ousadia e é incapaz de alterar e adoptar políticas de capitalização monetária.

Entre as carências verificadas na sua estratégia, o MINECO cometeu um enorme erro em economia de mercado, retirou competência reguladora ao Banco Central, o que significa, entre outras coisas, que a gestão administrativa dessa instituição de tutela sempre poderá permitir a existência de sacos azuis e a ausência de uma verdadeira força na indispensável acção fiscalizadora.

Não vamos aqui relembrar o “fantástico” desaparecimento da cerca de centena e meia de milhões de dólares dos cofres do BNA; façamos de conta que não sabemos que esse roubo é a parte visível de um aterrador “iceberg” de dinheiro que vai direitinho para os bolsos dos nossos mais altos dignitários do Estado; também não vale a pena apontar os erros de gestão; e esqueçamos o facto de os impostos não baixarem, quando o país continua a galgar etapas para a conquista de uma espécie de campeonato do mundo e acabar por ser sagrado campeão mundial das importações.

Em todo o caso, o que não podemos esquecer são as consequências.

Estando Angola com a mão estendida a pedir todos os tostões internacionais, venham de onde vierem, seria de todo positivo estimular que todos pagassem impostos para ajudarem esta fase má da nossa economia. Mas NÃO! O povo paga e os dirigentes não. Significa dizer que quem paga a crise é o cidadão comum, enquanto eles têm os milhões subtraídos, sorrateiramente nos cofres públicos.

BNA tenta falsear a verdade
No meio de todas estas carências, de que o BNA é o vaso de expansão mais adequado para aguentar o choque, o que salta à vista é este importante órgão do Estado estar a servir de sombrinha furada, ao vender a imagem de uma instituição rigorosa, aproveitando tacitamente as conclusões de um inquérito, que dá vontade de rir às gargalhadas ao atirar a responsabilidade de um dos maiores crimes financeiros praticados no interior dos seus corredores a um desgraçado arquivista: Francisco Mangumbala.

Como poderá um arquivista ser responsável de operações de milhões? Se assim é, quem está à frente dessa instituição, não tem culpa alguma?

A grande verdade é que as cerca de 53 assinaturas dos governadores do BNA, atentemos, 53 que deram origem as transferências, não foram consideradas falsificadas, logo se os seus processos, na fase inicial das operações, eram ilícitos, após receberam o cunho das assinaturas dos diferentes governadores do BNA transformaram-se em operações lícitas.

Isto significa dizer que se depois se descobre haver defraudação dos cofres públicos, os governadores, como responsáveis máximos, que devem ser rigorosos, nas operações para o estrangeiro, não podem ser ilibados, pelo contrário devem ou deveriam, eles, também, em obediência ao art.º 23.º (Princípio da igualdade) “Todos são iguais perante a Constituição e a lei”, ser civil e criminalmente responsabilizados. Mas não o foram, nem serão, muito provavelmente em função da engenharia com que alimentam os vários sacos azuis

Outro aspecto caricato deste rocambolesco caso é o facto de os que enviaram o dinheiro para o exterior, melhor, os “projectistas das engenharias” continuam a viver a “grande e à francesa”, muitos nos altos cadeirões do BNA, das Finanças, da Economia e da Presidência, continuam sendo os responsáveis, mas nenhum, mesmo nenhum deles está preso, ao contrário daqueles que receberam os montantes desviados, que, esses, sim, foram apanhados na ratoeira.

Foram apanhados… quer dizer, os estafetas, os arquivistas, os corretores imobiliários, os intermediários, quer dizer, a raia miúda, foram apanhados, e como os montantes atingiam os quase 150 milhões, também eles se empanturraram com dinheiro e por isso mesmo é que foram apanhados tão facilmente.

Até mesmo, imagine-se o caricato e ridículo, um simples corretor imobiliário, que intermediou e apresentou umas pessoas, tendo recebido, por via disso, como comissão USD 2500,00 (dois mil e quinhentos dólares) está atrás das grades.

Espanha devolveu dinheiro, mas governadores do BNA fizeram vista grossa e continuaram operações

A maneira como os milhões apareceram também tem graça: uma parte foi já nos bancos que tinham recebido o dinheiro, outra parte, muito mais pequena, foi nos círculos privados desses estafetas. Mas nem todo o Kumbú apareceu, pois ainda falta recuperar quase 50 milhões, repetimos 50 milhões…

É muito dinheiro!
Onde estará?

Não tenhamos dúvidas, esse está debaixo da rocha, como essas dos rios, debaixo das quais há truta grossa!

No meio desta salgalhada toda o que não se compreende é como, não sendo os governadores culpabilizados nem responsabilizados, nada tenha sido feito quando o Reino de Espanha devolveu as primeiras transferências suspeitas.

Nessa altura, o que aconteceu foi o dinheiro ter continuado a sair do BNA, como se fosse lícito, ao invés de se despoletar uma investigação em boa e devida forma, “do tipo tolerância zero”.

Haveria tubarão?...
Devia haver, e grande. Por aqui o que se vê é de que maneira, no nosso bananal democrático, os culpados institucionais, que são mais que as mães, nunca são responsabilizados, apanhados e encarcerados... Nunca!

Voltaremos, antes do juízo final.

Assim se vê a força do MPLA


A Rádio Despertar, Angola, está de luto. Está a Despertar como, digo eu, deveria estar todo o país dirigido desde 1975 pelo MPLA e há 31 anos por José Eduardo dos Santos, presidente da República não eleito. O jornalista Alberto Chakusanga, de 31 anos de idade, foi assassinado no município de Viana, em Luanda.

Orlando Castro*

É claro que de luto também deveria estar essa coisa que dá pelo nome de Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Deveria mas não está. A CPLP só estaria de luto se o jornalista assassinado fosse afecto ao MPLA. Como não era...
Angola é, aliás, um país “sui generis”. Embora diga que é uma democracia e um Estado de Direito não passa, de facto, de um reino onde só são considerados angolanos os que vão à missa do regime.
Todos aqueles que não vão a essa missa sujeitam-se a chocar com balas. Como muito bem escreve o Club-K, é curioso que Alberto Chakusanga, natural do município da Caála, província do Huambo, morreu 24 horas após o Bureau Político do MPLA, ter assegurado que conhecia indivíduos – recrutados – para denegrir, a qualquer preço, a imagem do seu Presidente.
Como já no F8 escrevi, o MPLA está a ficar cada vez mais chateado com os constantes ataques (provavelmente enquadráveis, segundo as suas teses, nos crimes contra a segurança do Estado) ao seu líder e sumo pontífice de Angola há 31 anos, José Eduardo dos Santos.
Também aqui escrevi que o MPLA está a montar uma estratégia ainda mais musculada para acabar com os que ousam pôr em causa a representação divina, delegada por Deus, do seu líder.
E se, em Angola, o MPLA consegue sem problemas comprar jornais, queimar edições cujo conteúdo é desfavorável, ameaçar, prender e fazer desaparecer opositores (como acontece, por exemplo, na sua colónia de Cabinda), noutros países a coisa não é tão fácil, mas não é impossível.
Em Portugal, apesar da significativa mudança de rumo que levou muitos jornalistas a escreverem com a barriga alimentada pelas empresas e empresários angolanos, ainda não é fácil queimar edições, prender jornalistas ou fazê-los chocar com alguma bala. Não é fácil, mas também não é impossível.
Ao regime angolano tem sido mais fácil silenciar os jornalistas portugueses, assumindo-se como dono dos donos dos jornalistas. É tudo uma questão de euros, ou dólares. E como isso é coisa que sobra em Angola mas falta em Portugal, o caminho está aberto para que só os que digam amém tenham direito a emprego.
Mesmo assim, há ainda muitos jornalistas portugueses cujos donos não se venderam aos donos de Angola. E isso chateia a sério o MPLA.

E se a última gota de água que fez transbordar o copo (do melhor whisky, certamente do tipo Macallan Collection, 1926) foi a revista Sábado que, na sua última edição, tem como manchete: «Os angolanos que mandam nas maiores empresas de Portugal», outros casos há cujos autores constam de uma listagem feita pelos serviços secretos do MPLA e que é do conhecimento das suas diferentes embaixadas.
O regime de José Eduardo dos Santos tem, no imediato, dois planos para alterar em Portugal estes ataques. Um passa pela entrada ainda mais em força nas empresas de comunicação social onde mandam velhos amigos e parceiros, de modo a branquear o tenebroso regime.

O outro pondera o silenciamento das vozes incómodas...

*Jornalista

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sábado, 11 de setembro de 2010

José dos Ribeiros Tormentosos


E sem Roque Santeiro, é a mesma coisa que ficar sem o Silicon Valley.
Com as seitas religiosas e o meu Pravda hipnotizo o desenvolvimento do angolano. Como não sei fazer mais nada, sem o senso (?) da minha escrava inteligência (?) logo, dependo em absoluto da bajulação. Há que saber quais serão os homens que enfrentarão os agora ratos… ao que antes chamavam de população, de povo libertado. E os navios voltaram, sulcam o mar das plataformas petrolíferas e carregam escravos negros da cor do petróleo, do ouro negro da escravidão. Uma coisa que nos é inconfundível como angolanos, é desconhecermos por completo qual será o nosso futuro. A esperança já morreu. E na fome que este desgoverno nos ordena, Angola é o cemitério para a sua população em adiantado estado de decomposição. Só os milhões de dólares petrolíferos vivem para matarem as populações à fome. E a função principal do GPL, Governo da Província de Luanda, é o levantamento desordenado de terrenos livres para neles lá destruírem qualquer coisa. O que se passa em Moçambique é exactamente a cópia de Angola. Os mesmos partidos estão há muito irmanados na mesma causa: destruírem os seus países e aniquilarem as populações. E o que acontece em Moçambique é o desespero das populações que já não têm mais em quem acreditarem. Perguntem ao português José Sócrates, o especialista em piromania africana. Uma boa governação não se vê quando os preços do petróleo andam elevadíssimos, e onde qualquer um governa muito bem. Mas, uma boa governação vê-se quando os preços são demasiado baixos, e aqui não existe lugar para idiotas. Há homens que quando agregados num qualquer comité de especialidade esquecem os amigos, abandonam as amizades de sinal político contrário. E isto é também alimento para o fogo das confrontações e convulsões sociais.
Presentemente, nesta irrealidade o que se passa é a emissão de bilhetes criminais diários praticados por afrontamentos de qualquer indivíduo que nos cerca e nos horripila: «você, vocês, têm que sair daqui, este local é para o Presidente da República». «E o dinheiro que gastei, gastámos, nas nossas casas? E vamos para onde?» «Vamos arranjar-lhes lugar num Zango» E como tal tudo se deseja anormal. É insustentável, é impossível que permaneça assim por mais tempo.
É que o ódio aumenta intensamente, inexoravelmente.

Editorial
Noticiário, Luanda
O Nosso Estimado e Querido Líder
Inaugurou hoje as pioneiras bibliotecas públicas
nos degredados bairros desta cultural cidade
Não, não! Os americanos não fugiram do Iraque
é apenas uma retirada estratégica
Assim como farei (faremos) num futuro
abastado de próximo
Até a esperança espoliámos ao povo angolano
A minha nobre missão é a função de destruir o PR
usurpar-lhe o lugar. Eu e mais a minha equipa
o iremos governar
Um golpe de estado, pronto! Pensam que sou burro?!
ham! ham! Eu sei o que faço.
Adentro atiçando o ódio de tudo e todos contra o PR
e depois das chamas, vencerei!
Eu não estou aqui para jornalizar é para queimar!
Os nossos pirómanos à Nero incendiaram-na
a nossa A Capital em chamas com diluente, um diluimento
hordas das desordens em cumprimento.
E ninguém foi preso. A NKVD só prende opositores
sempre atentados nesses roqueiros dos santeiros
Mas não há por aí alguma oposição (?) para protestar
uma manifestação?
E o Justo Justino?! Fala, fala, parece muito vaidoso
Mas o Martin Luther King fazia manifestação
E o Justo Justino não! Mas que atrapalhação
Ninguém sabe o que fazer, não! não!
Este é o derradeiro colonialismo na sua mais atroz
legal e moderna crueldade.
Onde há petróleo as populações extinguem-se
Que ninguém se iluda! Nós estamos no poder
destruir Angola com o apoio internacional
incondicional da camaradagem chinesa
a espoliação total e completa de Angola serão certas
«Papá! Papá!» «Fala meu filho!»
«Pelo amor de Deus! Tira o MPLA daqui depressa!»
«Meu filho, em Angola, Deus premeia os maus e castiga os bons»

Nestes tempos do José dos Ribeiros Tormentosos
a história da Maria Antonieta prevalece
não enobrece, repete-se

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Abusos da Unitel


É mais que evidente, segundo a opinião de muita gente, sobretudo daqueles que têm conhecimentos aprofundados sobre os complexos sistemas de telecomunicações, que a Unitel tem “papado” um maior número de clientes do que os que a grandeza do prato permite, quer dizer, tem clientela a mais para as capacidades da sua própria rede. Assim, nos momentos, melhor dizendo, nos “dias de ponta”, em que há festas nacionais feriados tradicionais ou acontecimentos extraordinários, o sistema “arreia”, e telefonar só na Movicel! Á parte essas falhas, um outro calcanhar, que também parece ser do velho Aquiles”, é o sistema G3. Muitas mas mesmo muitas têm siso as reclamações, que, diga-se não são correctamente tratadas, pois o que acontece é que no carregamento obrigatório de 625 UTT’s por mês, se o utente não as utilizar todas, elas desaparecem como que por encanto. Ora a isso chama-se normalmente roubo, e se o termo é demasiado forte encontre-se outro, mas em todo o caso essa maneira de actuar é ir ao bolso do cliente! Resta o consolo de a própria Unitel reconhecer que esses problemas têm que ser resolvidos a breve trecho, e é disso mesmo que os seus utentes estão á espera.

Prémio Sonangol Egípcio”


Por mais incrível que pareça, o nosso inimitável JES foi contemplado com uma espécie de prémio literário que não é bem isso, no fundo não é carne nem é peixe, e, ao que se saiba, nem sequer tem nome, é só prémio, como explica o principal diário egípcio, o “Al-Ahram”, com a sua tiragem que ronda o milhão e meio de exemplares, ao explicar que a “União dos Escritores Afro-asiáticos homenageia o Presidente de Angola” no sentido de pôr em evidência “(…) o importante papel que o Presidente Eduardo dos Santos desempenhou na libertação e para o desenvolvimento de África”. E pronto, a partir de agora, ainda segundo a ideia dos Egípcios, as relações amistosas entre Angola e o país dos faraós “são eternas”! E não é tudo, a profundidade da homenagem é tão enorme, que chega ao ponto de salientar “(…) a forma consensual como (o PR) tem gerido todo o processo de desenvolvimento social”. Realmente enorme! Enfim, como talvez fosse preciso abrir alas a uma futura passagem de alguns barris de petróleo, o Eng. José Eduardo dos Santos foi contemplado sem saber bem porquê, com um prémio de que não conhecemos o nome, e já agora até podemos propor: “Prémio Sonangol Egípcio”. Hesitamos: de literatura, ou não?